Lobby a bordo
Por: Brasil de Fato
Segundo a ‘piauí’, senador ganhou um Rolex de empresário da Precisa, que tentava vender a Covaxin ao governo Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, participou em julho de 2020, no auge da pandemia de covid-19, de um passeio de lancha no Lago Paranoá, em Brasília (DF), organizado por empresários que tentavam vender ao governo de Jair Bolsonaro a vacina indiana Covaxin. A informação é de reportagem da revista piauí publicada nesta quarta-feira (21). Segundo a apuração, três garotas de programa foram levadas de São Paulo para o encontro com Flávio.
Flávio Bolsonaro chegou à lancha acompanhado do amigo e então sócio Alexandre Santini. A revista relata que o senador desceu à cabine da embarcação com garotas de programa durante a tarde e que, ao fim do passeio, Trento tirou o próprio relógio Rolex do pulso e o colocou no do senador, que foi embora usando o presente. No dia do passeio, o Brasil registrou 1.110 mortes por covid-19. A pandemia mataria mais de 700 mil pessoas no país.
Para reconstituir o episódio, a piauí afirma ter ouvido uma pessoa que estava na lancha, sob anonimato, além de pilotos, um ex-deputado e assessores parlamentares. A revista também cruzou dados de quebras de sigilo de Barão, Maximiano e Trento enviados às Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) da Pandemia, do INSS e do Crime Organizado, além de registros de voo.
Caso Covaxin
O contrato da Covaxin com o Ministério da Saúde previa o pagamento de R$ 80 por dose, contra cerca de R$ 56,30 oferecidos pela Pfizer e R$ 18 pela AstraZeneca. As negociações foram denunciadas pelo servidor da pasta Luis Ricardo Miranda e pelo irmão dele, o então deputado Luis Miranda. O contrato foi cancelado antes de qualquer pagamento. O relatório final da CPI da Pandemia recomendou o indiciamento de 78 pessoas, entre elas Flávio Bolsonaro, Trento e Maximiano.
Não é a primeira vez que um Rolex aparece associado ao senador. Em setembro, o site PlatôBR revelou que Santini promoveu encontros de Flávio Bolsonaro com garotas de programa e que o senador recebeu um Rolex Submariner Date, avaliado em R$ 305 mil, comprado pelo advogado Alan Belaciano, que representava interesses privados junto a autoridades em Brasília.
Até o fechamento da reportagem da piauí, Flávio Bolsonaro não havia se manifestado. Procurado pela revista, Trento interrompeu o contato depois de ser informado sobre o conteúdo da pauta. Os advogados de Maximiano não responderam. O Brasil de Fato mantém o espaço aberto para manifestação dos citados.
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