Brigada pioneira do CCS é premiada em concurso da Enap

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O projeto da Brigada Universitária de Produtos Perigosos do Centro de Ciências da Saúde (CCS) ganhou o segundo lugar no Concurso Inovação no Setor Público 2025, promovido pela Escola Nacional de Administração Pública (Enap). A premiação, recebida pelo técnico administrativo Lucas Pinho, um dos idealizadores do projeto (denominado “Primeira Brigada Universitária de Produtos Perigosos, Inovação em Segurança no Centro de Ciências da Saúde”) junto com o colega Roberto Santos, foi nesta quinta-feira, dia 2, em na Enap, em Brasília.

O projeto concorreu na categoria I, uma das quatro em que a 29ª Edição do Concurso se dividiu, sobre Inovação em processos organizacionais no Poder Executivo federal, estadual e do Distrito Federal.

O concurso é anual e premia iniciativas inovadoras do Serviço Público no Brasil, de todas as esferas. Na categoria em que Luca concorreu, houve mais de 365 iniciativas apresentadas. “A gente foi em segundo lugar. Só perdemos só para o CNU (Concurso Nacional Unificado). A Brigada de Produtos Perigosos, é muito importante para o CCS. A gente tinha muitos acidentes químicos de produtos perigosos, organizamos um trabalho de prevenção. Hoje a gente tem bem menos, mas a nossa brigada é referência agora no Brasil. O mais interessante é que o custo desse projeto foi R$ 500 reais, basicamente gratuito, tirado do meu próprio bolso. Enquanto o projeto que ganhou tinha um orçamento de R$ 500 milhões”, brincou Lucas.

Servidor da UFRJ desde 2011, técnico em Química, Engenho Ambiental, mestre em Segurança e Defesa Civil, Lucas está a terminar o doutorado em Bioquímica. Trabalhou 13 anos com biossegurança; gerenciou a biossegurança do Instituto de Biofísica e do Centro (o CCS). E agora está à frente do Inova CCS, trabalhando com projetos inovadores.

 

O que é

Lucas fornece um resumo. O projeto Primeira Brigada Universitária de Produtos Perigosos do Brasil é uma iniciativa inovadora do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da UFRJ que aborda a falta de segurança em ambientes de pesquisa universitária.

Ele lembra que, embora as universidades públicas brasileiras sejam responsáveis por mais de 95% das pesquisas no país, muitas operam com orçamentos limitados e sem as devidas salvaguardas de segurança, como brigadas de incêndio ou equipes especializadas em produtos perigosos.

“Um vazamento de bromo ocorrido em 2015 no CCS, que levou à hospitalização de três estudantes e à suspensão das atividades por uma semana, destacou a necessidade urgente de uma solução, já que nem mesmo o Corpo de Bombeiros tinha um protocolo para acidentes em laboratórios de alta complexidade. Em resposta a esse evento, a brigada de incêndio do CCS, criada em 2013, foi expandida para incluir uma equipe especializada em produtos perigosos (BPP)”, conta ele.

Segundo ele, a brigada foi desenvolvida com um orçamento mínimo após um curso inicial contratado em 2015, que não cobria as complexidades de acidentes laboratoriais. Então, a equipe do CCS inovou, criando um curso de formação interna de baixo custo, que incluiu a elaboração de protocolos e a realização de simulados em laboratórios reais.

A única brigada especializada

“A implementação do projeto custou aproximadamente R$ 38 mil, mas a formação de cada novo grupo de 30 voluntários custa apenas R$ 500”, explicou, contando que, desde sua criação, a brigada atendeu mais de 40 ocorrências, incluindo um vazamento de gás em 2022 que foi contido rapidamente, evitando vítimas e prejuízos.

O projeto  resultou na formação de 100 voluntários para a BPP, tornando-a a única brigada universitária especializada em produtos perigosos do país. A iniciativa é considerada de baixíssimo custo e escalável para outras 68 universidades e 41 institutos federais que atualmente não possuem brigadas desse tipo. Por isso, para Lucas, é importante a visibilidade que o projeto ganha com o concurso para que a inciativa possa chegar a outras instituições.

 

 

 

 

 

 

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