O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB) e seus aliados querem aproveitar a onda positiva causada pela aprovação da isenção do Imposto de Renda para passar a Reforma Administrativa.

O relatório final do Grupo de Trabalho da Reforma Administrava  que não foi conclusivo apareceu nesta quinta-feira, 2 de outubro, na Câmara, e o deputado Pedro Paulo (PSD-RJ) que é o coordenador está colhendo assinaturas para protocolar o documento.

Segundo carta de Hugo Motta na apresentação deste documento, essa é a prioridade dos deputados. “Em diálogo com as Lideranças partidárias nesta Casa, estabelecemos a Reforma Administrativa como uma das nossas prioridades este ano”.

Com 526 páginas, o relatório final tem o objetivo central de mudar o caráter do estado brasileiro institucionalizando a competição no serviço público e o caráter produtivista. Há mais uma proposta de PEC com 48 páginas e dois projetos de lei, um de lei complementar e um de lei ordinária, juntos os dois projetos compõe texto de 111 páginas.

A proposta contém um conjunto de 70 medidas distribuídas em três textos legislativos: PEC, PLP e PL). O documento, que até o dia 2 de outubro ainda não havia sido oficialmente publicado, propõe mudanças estruturais baseadas em quatro eixos: governança e gestão, transformação digital, profissionalização e extinção de privilégios.

“Pelos eixos apresentados, trata-se de uma reforma que dissolve o estado brasileiro e atinge diretamente a estabilidade do servidor público”, afirmou em seu instagram a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) que fez um alerta sobre a movimentação no Congresso para aprovar a reforma administrativa.

“É alerta geral para ver se entrarão com a proposta de reforma na Câmara. Não à reforma administrativa que privatiza o serviço público e quebra a estabilidade”, sustenta a deputada.

Entre as propostas do relatório, está a obrigatoriedade de planejamento estratégico para resultados a ser divulgado por presidentes, governadores e prefeitos nos primeiros 180 dias de mandato. O plano deve definir objetivos e metas para todo o mandato, que serão desdobrados em acordos de resultados anuais por órgãos e entidades.

Servidores públicos de todas as esferas serão submetidos a avaliações periódicas. O desempenho passará a ser critério para progressão funcional, ocupação de cargos de confiança e recebimento de bônus de resultados. O texto autoriza a criação de bônus anuais para servidores em atividade, vinculados ao cumprimento de metas institucionais e individuais. O pagamento dependerá da existência de acordos de resultados e da avaliação periódica de desempenho.

O documento também trata sobre alterações nos concursos públicos e carreiras únicas, com criação de novas tabelas remuneratórias para agentes públicos de cada ente federativo. Em até dez anos, haverá uma tabela remuneratória única em cada ente da federação, válida para todos os Poderes e órgãos autônomos. O piso será o salário-mínimo, e o teto corresponderá ao limite constitucional.

A proposta veda uma série de benefícios hoje existentes. Deixa de existir a possibilidade de férias superiores a 30 dias para a maior parte das carreiras, licença-prêmio, progressão por tempo de serviço e incorporação de adicionais automáticos.

 

Golpe em curso

Segundo avaliação de Vladimir Nepomuceno, ex-diretor do Dieese e Diap, caso Hugo Motta consiga oficializar o relatório na Câmara a possibilidade de um golpe é real.

“É bem provável que a gente assista uma tentativa de golpe do deputado Hugo Motta. Assim como fez no projeto de lei de anistia que aprovou um regime de urgência sem haver nenhum texto, agora havendo esse material ele pode de novo pedir urgência e declarar que este material será levado direto a plenário.”

Vladimir ressalta que a proposta de reforma que está sendo posta tem todo apoio da iniciativa privada e dos setores mais retrógrados da sociedade. Assim como a Deputada Alice Portugal, alerta para a reação do funcionalismo.

“A partir de agora é mobilização total, acompanhamento permanente para que a gente impeça que esse golpe seja dado.”

 

 

O projeto da Brigada Universitária de Produtos Perigosos do Centro de Ciências da Saúde (CCS) ganhou o segundo lugar no Concurso Inovação no Setor Público 2025, promovido pela Escola Nacional de Administração Pública (Enap). A premiação, recebida pelo técnico administrativo Lucas Pinho, um dos idealizadores do projeto (denominado “Primeira Brigada Universitária de Produtos Perigosos, Inovação em Segurança no Centro de Ciências da Saúde”) junto com o colega Roberto Santos, foi nesta quinta-feira, dia 2, em na Enap, em Brasília.

O projeto concorreu na categoria I, uma das quatro em que a 29ª Edição do Concurso se dividiu, sobre Inovação em processos organizacionais no Poder Executivo federal, estadual e do Distrito Federal.

O concurso é anual e premia iniciativas inovadoras do Serviço Público no Brasil, de todas as esferas. Na categoria em que Luca concorreu, houve mais de 365 iniciativas apresentadas. “A gente foi em segundo lugar. Só perdemos só para o CNU (Concurso Nacional Unificado). A Brigada de Produtos Perigosos, é muito importante para o CCS. A gente tinha muitos acidentes químicos de produtos perigosos, organizamos um trabalho de prevenção. Hoje a gente tem bem menos, mas a nossa brigada é referência agora no Brasil. O mais interessante é que o custo desse projeto foi R$ 500 reais, basicamente gratuito, tirado do meu próprio bolso. Enquanto o projeto que ganhou tinha um orçamento de R$ 500 milhões”, brincou Lucas.

Servidor da UFRJ desde 2011, técnico em Química, Engenho Ambiental, mestre em Segurança e Defesa Civil, Lucas está a terminar o doutorado em Bioquímica. Trabalhou 13 anos com biossegurança; gerenciou a biossegurança do Instituto de Biofísica e do Centro (o CCS). E agora está à frente do Inova CCS, trabalhando com projetos inovadores.

 

O que é

Lucas fornece um resumo. O projeto Primeira Brigada Universitária de Produtos Perigosos do Brasil é uma iniciativa inovadora do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da UFRJ que aborda a falta de segurança em ambientes de pesquisa universitária.

Ele lembra que, embora as universidades públicas brasileiras sejam responsáveis por mais de 95% das pesquisas no país, muitas operam com orçamentos limitados e sem as devidas salvaguardas de segurança, como brigadas de incêndio ou equipes especializadas em produtos perigosos.

“Um vazamento de bromo ocorrido em 2015 no CCS, que levou à hospitalização de três estudantes e à suspensão das atividades por uma semana, destacou a necessidade urgente de uma solução, já que nem mesmo o Corpo de Bombeiros tinha um protocolo para acidentes em laboratórios de alta complexidade. Em resposta a esse evento, a brigada de incêndio do CCS, criada em 2013, foi expandida para incluir uma equipe especializada em produtos perigosos (BPP)”, conta ele.

Segundo ele, a brigada foi desenvolvida com um orçamento mínimo após um curso inicial contratado em 2015, que não cobria as complexidades de acidentes laboratoriais. Então, a equipe do CCS inovou, criando um curso de formação interna de baixo custo, que incluiu a elaboração de protocolos e a realização de simulados em laboratórios reais.

A única brigada especializada

“A implementação do projeto custou aproximadamente R$ 38 mil, mas a formação de cada novo grupo de 30 voluntários custa apenas R$ 500”, explicou, contando que, desde sua criação, a brigada atendeu mais de 40 ocorrências, incluindo um vazamento de gás em 2022 que foi contido rapidamente, evitando vítimas e prejuízos.

O projeto  resultou na formação de 100 voluntários para a BPP, tornando-a a única brigada universitária especializada em produtos perigosos do país. A iniciativa é considerada de baixíssimo custo e escalável para outras 68 universidades e 41 institutos federais que atualmente não possuem brigadas desse tipo. Por isso, para Lucas, é importante a visibilidade que o projeto ganha com o concurso para que a inciativa possa chegar a outras instituições.

 

 

 

 

 

 

A votação unânime na Câmara dos Deputados aprovando o projeto do governo de isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e redução gradual do imposto de quem ganha entre essa faixa até R$ 7350 vai beneficiar 16 milhões de pessoas – entre as quais, técnicos administrativos da Educação que o Sintufrj representa.

O projeto, que ainda será votado no Senado, institui imposto para quem tem renda mensal acima de R$50 mil e para os super ricos, com renda acima de R$ 1 milhão.

A votação e aprovação na Câmara tem relação direta com a pressão popular que tomou as ruas do país no domingo, 21 de setembro, quando milhares se mobilizaram contra anistia a golpistas, a PEC de bandidagem, a justiça tributária e a escala 6X1.

O Sintufrj e a Fasubra tem sido ponta de lança de algumas bandeiras no último período, dialogando com a base e a sociedade sobre a necessidade de mobilização em massa para pressionar o Congresso.

Em relação a esta reforma no Imposto de Renda, um plebiscito alcançou quase duas milhões de pessoas – plebiscito que o Sintufrj estimulou na nossa categoria aqui na UFRJ. Esta mesma consulta incluiu na pauta a luta pelo fim da escala 6 x 1 que impõe a milhões relações de trabalho exaustivas, sem tempo para a vida.