Fundador do PT, Ex-ministro da Casa Civil e ex-parlamentar enfatizou a importância da participação de partidos, sindicatos e movimentos sociais nesse processo
Um importante encontro de análise de conjuntura com o ex-ministro José Dirceu foi realizado na sede da AEEL – Associação dos Empregados da Eletrobras, no Rio de Janeiro, em uma atividade organizada pela entidade, com apoio da CUT-Rio.
O objetivo foi debater os rumos do país, especialmente em um momento pré-eleitoral, no qual a extrema-direita se apresenta em busca de protagonismo.
Com longa trajetória no debate político nacional, Dirceu ofereceu uma leitura ampla dos desafios atuais e das perspectivas para os próximos meses, contribuindo para a reflexão crítica do movimento sindical.
O encontro reuniu dirigentes, trabalhadores do ramo urbanitário e de diversas entidades cutistas, que acompanharam presencialmente ou de forma virtual pelos canais da Federação Nacional dos Urbanitários (FNU) – live disponível no perfil do Facebook.
Dirceu foi claro ao defender a eleição de Lula com vistas a impedir a destruição do programa popular de governo e o avanço do projeto liberal, mas alertou para a necessidade de um debate crítico e propositivo para avançar.
Ele enfatizou a importância da participação de partidos, sindicatos e movimentos sociais nesse processo.
O diretor da AEEL e da FNU, Emanuel Mendes, destacou a importância de se eleger uma bancada comprometida com as causas dos trabalhadores. “A Eletrobras foi privatizada mesmo com toda luta das entidades, mas essa situação poderia ter sido evitada se tivéssemos um perfil de Congresso diferente do atual. Por isso, vamos atuar para mudar esse quadro para a eleição de 2026.”
Prejuízos
A privatização da maior empresa de energia da América Latina no governo Jair Bolsonaro, a Eletrobras, e as consequências para os trabalhadores foi ressalvada na mesa de abertura do evento.
“Falo em nome daqueles que tiveram as suas vidas prejudicadas e que foram desligadas injustamente da Eletrobras com a privatização. Hoje José Dirceu somamos 20 mil trabalhadores demitidos que estão em situação de prejuízo à sua dignidade, dependendo de familiares, dependendo da ajuda de colegas. E é o nome, as dores e a voz dessas pessoas que vêm hoje aqui trazer para pedir apoio ao PT e a base do governo”, disse uma das representantes dos trabalhadores demitidos
Houve muitas cobranças dos dirigentes sobre a postura do governo em relação a classe trabalhadora, como feita pela dirigente da CUT-Rio, Cássia Liberatori.
“O que estamos precisando José Dirceu, além de interlocução, é que a Casa Civil precise ver o trabalhador porque a casa do governo é do trabalhador. Nós estamos precisando de deputados e senadores que tenham força para chegar também ao judiciário e que também se coloquem na defesa da entidades sindicais. Não podemos continuar vivendo a reboque dos reveses políticos.”
Olhar apurado
José Dirceu foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT) do qual foi presidente; foi deputado estadual e federal e Ministro-Chefe da Casa Civil no governo Lula (2003). Integrante do Diretório Nacional do PT, Dirceu vem atuando como articulador político e tem viajado pelo país para debater conjuntura, falar sobre o governo Lula e colocar sua avaliação sobre as perspectivas para as próximas eleição.
O ex-ministro José Dirceu afirmou que o processo eleitoral que se aproxima vai ser tão difícil quanto o de 2022. “Não podemos ter ilusão, mesmo com a prisão de Bolsonaro, a extrema-direita tem conseguido conquistar eleitores, mesmo nas classes populares. É dever do campo democrático retomar a narrativa das conquistas populares. Temos um discurso efetivo, que é o fim da escala 6×1, e a isenção do imposto de renda para a classe média. Dialogar e ouvir o povo deve ser a nossa tarefa diária”, alertou.
Dirceu depois de fazer uma retrospectiva histórica da política no país, abordou pontos decisivos do cenário político brasileiro. Discorreu sobre a relação entre governo e Congresso; falou do desafios das eleições; as disputas estratégicas no campo progressista; a importância da defesa permanente da democracia diante das ameaças antidemocráticas recentes; e os rumos da economia e seus impactos no mundo do trabalho.
Ele finalizou sua participação ratificando os desafios colocados para os trabalhadores e das tarefas a serem levadas.
“Nós vamos eleger o presidente Lula, porque já é hora, e já começou o processo de destruição do programa de governo. No caso do PT e de outros partidos também é óbvio ocorrer o mesmo processo. Nós temos que construir um programa, construir propostas a partir de diagnósticos e críticas. Como podemos avançar? Nós temos que participar desse processo, nos nossos partidos e nos nossos sindicatos. O meio sindical assim como os movimentos em geral começem a se mobilizar para a disputa eleitoral, não só para a campanha, mas também para o debate de balanço do governo”.





