Cena lament√°vel, triste e revoltante √© resultado da pol√≠tica econ√īmica de Bolsonaro e Guedes, pensada para atender ao mercado. Vice-presidente da CUT afirma que n√£o h√° outro caminho sen√£o o fim do governo

Publicado: 8 Outubro. Escrito por: Andre Accarini/ CUT Nacional

ARTE: EDSON RIMONATTO/CUT

As cenas revoltantes de famílias brasileiras disputando restos de alimentos que, no passado recente, eram doados para cachorros, como ossos de carne bovina, ou comprando restos de peixe, correram o mundo e expuseram um governo que não conseguiu sequer manter a exitosa política de erradicação da pobreza extrema implementada pelo ex-presidente Lula. 

Mostraram tamb√©m a gan√Ęncia e desumanidade de parte do empresariado brasileiro que, de olho na demanda que cresceu por causa da mis√©ria, resolveu explorar o povo. Um supermercado de Bel√©m, no Par√°, est√° vendendo restos de peixe (v√≠sceras, espinhas e cabe√ßas) a R$ 3,90 o quilo. Em Florian√≥polis, ao inv√©s de doar ossos, como ocorre no Rio de Janeiro e em Cuiab√°, um a√ßougue come√ßou a vender. Denunciado nas redes sociais e pressionado pelo Procon acabou voltando atr√°s.

No Distrito Federal, o presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL) ignora o drama do povo mais pobre do país, jamais fala da fome. Enquanto a maioria da população vê seu poder compra se esvair com a disparada da inflação, se endivida, sofre com o desemprego

e os baixos salários, o governo continua adotando medidas que prejudicam ainda mais o orçamento das famílias.

Entre elas, permitir os sucessivos aumentos de combust√≠veis, aumentar os pre√ßos da conta de luz e acabar com os estoques p√ļblicos de alimentos – em uma d√©cada, esses estoques tiveram uma redu√ß√£o de 96% na m√©dia anual. Com isso, os pre√ßos dos produtos ficam √† merc√™ da oferta e da procura do mercado e da oscila√ß√£o no valor do d√≥lar, sem interfer√™ncia do Estado. √Č a tal pol√≠tica do Estado m√≠nimo defendida pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, que nada sabe sobre as necessidades do povo mais pobre do pa√≠s e da classe trabalhadora.

Com exceção à elite brasileira e figuras como Guedes, que a cada dia que o dólar aumenta, engorda um pouco mais suas contas em paraísos fiscais, a situação não está fácil para ninguém. O povo brasileiro, que não tem dinheiro em offshores, nem dinheiro em lugar nenhum, amarga um sofrimento não visto nem nos piores momentos de recessão do país. 

‚ÄúH√° uma carestia que n√£o se via h√° muito tempo. √Č um momento duro, que comprova que esse governo n√£o tem a menor condi√ß√£o de continuar‚ÄĚ, diz o vice-presidente da CUT, Vagner Freitas.

‚ÄúO Brasil est√° numa situa√ß√£o complicada, dif√≠cil, com pre√ßos exorbitantes de tudo – da gasolina, do diesel, dos alimentos. O g√°s de cozinha √© car√≠ssimo, as pessoas n√£o t√™m condi√ß√£o de comprar e acabam cozinhando com √°lcool, se queimando ‚Äď isso, quando conseguem comprar o arroz e o feij√£o, que tamb√©m est√£o caros‚ÄĚ, diz Vagner.

‚ÄúOs que recorrem a ossos de carne bovina v√≠sceras e carca√ßas de peixe est√£o completamente desesperados, sem aux√≠lio, sem apoio do estado, sem esperan√ßa nesse governo da morte, do descaso com o povo‚ÄĚ, acrescenta o dirigente.

A CUT sempre alertou que o resultado da receita neoliberal adotada pela dupla Bolsonaro/Guedes, que não leva nem nunca levou à sobrevivência digna de famílias mais pobres nem trata o povo como prioridade, seria o aumento da pobreza no país, lembra Vagner.
E dados do Cadastro √önico do pr√≥prio governo federal revelam que dois milh√Ķes de fam√≠lias passaram √† condi√ß√£o de extrema pobreza durante o governo Bolsonaro. Atualmente s√£o 14,7 milh√Ķes de pessoas que n√£o tem o comer.

A causa dessa trag√©dia n√£o √© apenas uma pretensa incompet√™ncia de Bolsonaro e Guedes na pol√≠tica econ√īmica. O caso √© mais grave j√° que a atua√ß√£o, caracter√≠stica de modelos neoliberais de governo √© pensada de forma a excluir a popula√ß√£o brasileira, em especial a de baixa renda, das prioridades. Nesse contexto, quem leva vantagem √© o mercado e o agroneg√≥cio.

A avalia√ß√£o √© do economista e pesquisador do Instituto Brasileiro de An√°lises Sociais e Econ√īmicas (Ibase) Francisco Menezes. Ele tamb√©m √© ex-presidente do Conselho Nacional de Seguran√ßa Alimentar e Nutricional (Consea).

O Brasil n√£o tem hoje uma pol√≠tica nacional de abastecimento de alimentos e isso exp√Ķe o pa√≠s a uma cruel varia√ß√£o de pre√ßos. ‚ÄúAntes t√≠nhamos interven√ß√£o do Estado que adquiria parte da produ√ß√£o para manter um estoque regulador‚ÄĚ, explica.

Desta forma se faltava um produto, como o arroz ou feij√£o, no mercado, o governo vendia sua produ√ß√£o para equilibrar os pre√ßos. ‚ÄúO que se viu neste governo foi um esgotamento desses estoques‚ÄĚ, diz o economista.

O resultado é que com o dólar alto, o agronegócio vê mais vantagem em vender o que se produz no Brasil para o exterior. Com escassez aqui, preços ficam mais altos. E quem paga por isso é povo brasileiro.  

Outro fator apontado por Menezes diz respeito √†s varia√ß√Ķes clim√°ticas. ‚ÄúN√£o h√° uma pol√≠tica preventiva do Estado e o pa√≠s fica exposto √†s instabilidades que, por causa das mudan√ßas clim√°ticas mundiais, ser√£o cada vez maiores‚ÄĚ, diz Francisco Menezes.

O economista e pesquisador adverte para o papel fundamental do Estado como indutor de uma regula√ß√£o no mercado para que o povo brasileiro n√£o pague pelo lucro da elite econ√īmica.

Combustíveis

A CUT vem denunciando desde o governo ilegítimo de Michel Temer (MDB) a Política de Paridade Internacional (PPI) dos preços dos combustíveis, que acompanha a variação do dólar.

Economistas alertam que a cada vez que Bolsonaro coloca pólvora na fogueira da crise política brasileira, demonstrando risco de uma ruptura democrática, o mercado reage mal e o dólar sobe. Assim os preços dos combustíveis também sobem e, claro, isso se reflete em toda a economia. Ou seja, sobe o preço do diesel, encarece o transporte, que é rodoviário, e o custo é repassado aos preços finais dos alimentos.

Mas o governo poderia adotar medidas urgentes, como pedem a CUT, demais centrais e o movimento popular e especialistas como Francisco Menezes.

Além de voltar a manter estoques reguladores e mudar a política de preços da Petrobras, Menezes aponta a volta do auxílio emergencial de R$ 600,00 e uma política de geração de emprego e renda.

Tragédia social grave

Essa realidade tem sido denunciada por imagens que chocam a sociedade, como as imagens de pessoas disputando ossos no Rio de Janeiro e em Cuiab√°, mas n√£o abalam os principais respons√°veis por essa trag√©dia. Sem contar com o n√ļmero crescente de pessoas em situa√ß√£o de rua, que perderam sua moradia por causa da crise econ√īmica e mergulharam na mis√©ria, a fila da fome tem aumentado. Hoje o Brasil tem cerca de 20 milh√Ķes de brasileiros sem condi√ß√£o de fazer refei√ß√Ķes di√°rias.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat√≠stica, a infla√ß√£o dos combust√≠veis em 12 meses chega a 41,33%. Em agosto, o governo instituiu a bandeira vermelha patamar 2, com acr√©scimo de R$ 9,492 a cada 100 kWh consumidos. J√° em setembro, passou a valer a bandeira tarif√°ria de ‚ÄúEscassez H√≠drica‚ÄĚ, que acrescenta R$ 14,20 para os mesmos 100 kWh.

Não há saída com Bolsonaro

Quem viveu os anos 1980 e 1990 sabe o que foi enfrentar situa√ß√£o semelhante. Em 1984, o movimento Diretas J√°! ocupava as ruas pela redemocratiza√ß√£o do Brasil ‚Äď era o fim da ditadura militar ‚Äď e uma das bandeiras principais era ‚Äúcontra a carestia‚ÄĚ. A infla√ß√£o naquele ano chegou a 223%.

‚ÄúNas Diretas, J√°!, a carestia foi principal motivo de manifesta√ß√£o e agora, no ‚ÄėFora, Bolsonaro‚Äô, √© de novo‚ÄĚ, diz Vagner Freitas.

Assim como em 1984, as recentes manifesta√ß√Ķes que exigem o impeachment do presidente levaram as ruas, desde maio deste ano, milh√Ķes de brasileiros em protestos contra os ataques √† democracia e contra as pol√≠ticas econ√īmica e sanit√°ria de Bolsonaro.

O vice-presidente da CUT refor√ßa que as mobiliza√ß√Ķes devem continuar para derrotar o governo, ‚Äú√ļnico meio de salvar o Brasil‚ÄĚ.

‚ÄúFizemos um grande ato no dia 2 com essa pauta e agora nos preparamos no dia 15 de novembro em maiores propor√ß√Ķes‚ÄĚ, diz o dirigente.

‚ÄúA principal bandeira √© ‚Äėcontra a carestia‚Äô, para termos o direito de ter comida no prato, gasolina no tanque e n√£o precisar fazer fila para pegar osso em a√ßougue‚ÄĚ, conclui Vagner Freitas.

O nome da crise é Bolsonaro e temos que tirá-lo do poder

– Vagner Freitas

Lucrando com a miséria

A falta de empatia e a gan√Ęncia de alguns empres√°rios tem gerado revolta nos brasileiros. Uma imagem de um a√ßougue de Florian√≥polis, divulgada pelo G1 mostra que al√≠, os ossos s√£o vendidos e n√£o doados, como come√ßou a acontecer meses antes em v√°rias cidades como Cuiab√° e Rio de Janeiro, onde at√© crian√ßas pobres se amontavam para tentar ‚Äėcatar‚Äô restos de carne.

De acordo com a reportagem, o proprietário do estabelecimento afirma que os ossos sempre foram vendidos e que quando há alguém necessitado, ele ainda faz doação.

Enquanto trabalhadores enfrentam situa√ß√Ķes de descaso e cerceamento da dignidade humana, entidades discutem o lucro.

A Associação dos Frigoríficos Independentes de Santa Catarina (Afisc) defendeu que açougues e mercados vendam o osso de boi.

Para a Afisc, essa é uma prática usual, por isso se posicionou contrária a uma nota técnica do Procon de Santa Catarina e da Associação Catarinense de Supermercados recomendando que os ossos sejam doados.

Outro caso que ganhou as redes sociais aconteceu em Belém. Reportagem da Revista Fórum mostra que um supermercado começou a vender a carcaça de peixes. Vísceras, espinhas e cabeças são comercializadas a R$ 3,99 o quilo.

Outros produtos de qualidade duvid√°vel tamb√©m entraram nesse ‚Äúcard√°pio‚ÄĚ. Recentemente produtos de segunda linha, geralmente destinados √† alimenta√ß√£o animal passaram a ser vendidos para o p√ļblico em geral como o arroz quebrado e o feij√£o bandinha.

Sa√ļde

O impacto na sa√ļde dos brasileiros vai al√©m da fome. Aqueles que conseguem comer acabam dando prefer√™ncia para produtos mais baratos, pobres em nutrientes. Nossa reportagem flagrou dias atr√°s uma trabalhadora de servi√ßos de limpeza em S√£o Paulo que, por falta de recursos teria naquele dia como almo√ßo um pacote de salgadinhos.

Edição: Marize Muniz

 

 

 

Apesar da sensação de que o pior já passou, o país chega hoje à marca de 600 mil mortos pela Covid-19 e ainda com uma média de quase 500 óbitos por dia

Publicado: 8 Outubro, 2021.Escrito por: Redação CUT

EDSON RIMONATTO/CUT

A neglig√™ncia e o negacionismo do presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL) no enfrentamento √† pandemia de Covid-19, que chamou de ‚Äėgripezinha‚Äô e, por isso, demorou meses para comprar as vacinas, custou a vida de grande parte dos 600 mil brasileiros e brasileiras que poderiam ter sido salvos. E essa marca que o Brasil deve atingir nesta sexta-feira (8) coloca o pa√≠s na lista de uma das na√ß√Ķes que mais fracassaram no combate √† doen√ßa.

Desde o começo da crise sanitária até os dias de hoje, Bolsonaro é contra a medidas restritivas como o distanciamento social, uso de máscara e até fez campanha contra a vacinação, negando as evidências cientificas e propagando fake news sobre medicamentos comprovadamente ineficazes contra a Covid-19.

O resultado é que, apesar da sensação de que o pior já passou, o país totalizou nesta quinta-feira (7) 599.865 vítimas da doença desde o início da pandemia. São em média quase 500 óbitos por dia.

Mesmo com o avanço da vacinação e a queda de infectados, especialistas alertam para o risco do surgimento de variantes.

A média móvel de mortes teve uma queda de 22% em relação ao dado de duas semanas atrás, menor valor desde 13 de novembro.

J√° a m√©dia de casos √© de 15.205 infec√ß√Ķes por dia, redu√ß√£o de 53% tamb√©m em compara√ß√£o √† situa√ß√£o de duas semanas atr√°s.

Para os especialistas, o que explica essa tragédia é ausência de uma política nacional de prevenção, controle e segurança por parte do governo Bolsonaro, onde estados e municípios não apresentaram conduta baseada em critérios uniformes orientados pela ciência.

Al√©m disso, muitos governos locais passaram a abandonar o isolamento social e flexibilizar a economia, reabrindo lojas de rua, restaurantes, servi√ßos como sal√£o de cabeleireiros e shoppings. Diante deste cen√°rio, os especialistas falam que esse n√ļmero pode ser ainda maior, pois h√° subnotifica√ß√Ķes de mortes.

‚ÄúLiberou geral‚ÄĚ pode fazer curva subir

As cenas de aglomera√ß√Ķes sem o uso da m√°scara nos est√°dios de futebol e cidades cogitando o fim do uso obrigat√≥rio de m√°scaras, espa√ßos de lazer liberados em condom√≠nios, o pa√≠s pode fazer a curva da doen√ßa subir, segundo os especialistas.

Este ano, o pa√≠s teve uma queda significativa nos n√ļmeros de √≥bitos, que chegaram a 4 mil mortes por dia no auge da pandemia e ao dram√°tico plat√ī de mil vidas perdidas diariamente durante v√°rios meses.

Hoje, mais da metade dos munic√≠pios brasileiros celebra o fato de n√£o ter registro de √≥bitos, gra√ßas ao avan√ßo da vacina√ß√£o. No entanto, especialistas dizem que o ‘liberou geral’ que muitos querem para ontem pode colocar a perder esse quadro que, finalmente, parece caminhar para a reden√ß√£o pand√™mica coletiva.

Mais de 70% das cidades de SP n√£o registram morte

De acordo com a Secretaria Estadual de Sa√ļde de S√£o Paulo informou que mais de 70% das cidades do estado n√£o registraram morte por Covid-19 na √ļltima semana.

Cerca de 467 municípios não tiveram óbitos pela doença durante esse período, resultado do avanço da vacinação, que ultrapassou 60% da população com esquema vacinal completo, além da continuidade de medidas protetivas como o uso de máscara facial.

Os índices de ocupação dos leitos de UTI (unidade de terapia intensiva) para Covid-19 no estado também caíram: atualmente, está em 31,5%, o menor desde 2020.

De acordo com a secretaria, foram registrados 3.765 novos casos e 143 √≥bitos pela doen√ßa nas √ļltimas 24 horas no estado.

 

 

Distribui√ß√£o √© parte do PL aprovado pelo Congresso, de Prote√ß√£o e Promo√ß√£o da Sa√ļde Menstrual. Alega√ß√£o de que texto n√£o aponta fonte de recursos para o custeio √© desmentida por dirigente da CUT

Publicado: 8 Outubro, 2021. Escrito por: Andre Accarini

ARTE: EDSON RIMONATTO/CUT

O veto de Jair Bolsonaro (ex-PSL) ao projeto de lei da deputada Mar√≠lia Arraes (PT-PE) √† distribui√ß√£o gratuita de absorventes menstruais a mulheres em situa√ß√£o de vulnerabilidade e estudantes de baixa renda gerou revolta na sociedade. Nas redes sociais o assunto √© um dos mais comentados desde a quinta-feira (7), dia em que o presidente mostrou mais uma vez que n√£o se importa com quest√Ķes que impactam diretamente as popula√ß√Ķes mais necessitadas de pol√≠ticas sociais.

‚Äú√Č uma quest√£o de sa√ļde p√ļblica e de prote√ß√£o √†s mulheres. E, com esse veto absurdo, Bolsonaro provou, de novo, que odeia as mulheres e n√£o se importa com a vida delas‚ÄĚ, diz a secret√°ria da Mulher Trabalhadora, Juneia Batista se referindo a Bolsonaro como mis√≥gino, machista e genocida.

Entre as justificativas, Bolsonaro alegou que os absorventes n√£o fazem parte da lista de medicamentos considerados essenciais do Sistema √önico de Sa√ļde (SUS) e que ao determinar que segmentos espec√≠ficos sejam beneficiados, o projeto fere a universalidade do sistema.

Também alegou que o projeto de Lei não especifica de onde seriam tirados os recursos para bancar a distribuição. Em uma live em suas redes sociais, nesta quinta-feira, Bolsonaro afirmou que seria enquadrado por crime de responsabilidade.

‚ÄúMais uma vez esse presidente distorce informa√ß√Ķes para enganar os brasileiros e alienar ainda mais o seu eleitorado‚ÄĚ, diz Juneia Batista. A afirma√ß√£o de Bolsonaro, ela explica, n√£o se sustenta. Primeiro porque o PL j√° prev√™ a defini√ß√£o or√ßament√°ria. E segundo, em projetos onde n√£o est√° definida, a fonte de recursos pode ser definida na regulamenta√ß√£o de uma lei aprovada.

Vergonha nacional

Juneia Batista refor√ßa que distribui√ß√£o dos absorventes √© uma quest√£o social latente e deveria ser encarada como uma pol√≠tica de garantia de direitos fundamentais, assim como medicamentos de uso cont√≠nuo para diabetes e press√£o e s√£o fornecidos pelo SUS. Cita ainda uma outra pol√≠tica social implementada para conter o avan√ßo de infec√ß√Ķes sexualmente transmiss√≠veis (DST¬īS), incluindo HIV, que √© a distribui√ß√£o gratuita de preservativos em v√°rios locais, em especial em unidades de sa√ļde.

‚ÄúUm absorvente pode custar menos do que um preservativo. O governo tem que garantir a dignidade e a sa√ļde dessas mulheres‚ÄĚ, ela diz.

S√£o mulheres que n√£o t√™m as m√≠nimas condi√ß√Ķes de comprar o produto. Um ciclo menstrual dura cerca de 5 dias. Mesmo custando em m√©dia R$ 10 um pacote com 30 unidades, esse valor que para parte da popula√ß√£o pode parecer √≠nfimo, para elas √© praticamente de pagar j√° que n√£o t√™m dinheiro nem para comer.

√Č a situa√ß√£o definida pelo Unicef como ‚Äúpobreza menstrual‚ÄĚ, que inclui a falta de recursos informa√ß√£o e infraestrutura para garantir cuidados com a menstrua√ß√£o.

O projeto beneficiaria cerca de 4 milh√Ķes de estudantes em situa√ß√£o e vulnerabilidade no Brasil. Ainda de acordo com o Unicef, 51,5 milh√Ķes de mulheres est√£o abaixo da linha da pobreza e 13,6 milh√Ķes est√£o em condi√ß√Ķes de extrema pobreza.

‚ÄúO Estado precisa cumprir com seu papel fundamental, que √© cuidar da sa√ļde das pessoas. As meninas de baixa renda deixam de ir √† escola por vergonha de terem a menstrua√ß√£o na sala de aula e passarem por constrangimento. Mexe com a dignidade delas. Mexe com o rendimento escolar. Em m√©dia, elas ficam 45 dias por ano fora da escola por causa disso‚ÄĚ, afirma Juneia.

Dados da Organiza√ß√£o das Na√ß√Ķes Unidas (ONU) mostram que 25% das meninas entre 12 e 19 anos j√° deixaram de ir √† escola por causa da falta de absorventes.

Reportagem da TV Globo denunciou ainda que mulheres chegam a usar miolo de p√£o para absorver a menstrua√ß√£o. ‚ÄúTem mulheres que t√™m de se virar arranjando solu√ß√Ķes arriscadas como o miolo de p√£o, paninhos, pap√©is. H√° risco grande de infec√ß√Ķes‚ÄĚ, diz Juneia

Para ela, a situação revela o grau de perversidade do atual governo federal que já na pandemia provou que preservar a vida de seres humanos não é prioridade alguma.

Vetos

Al√©m de vetar os trechos da Lei 14.214/2021, que cria o Programa de Prote√ß√£o e Promo√ß√£o da Sa√ļde Menstrual, cujo texto prev√™ a distribui√ß√£o de absorventes higi√™nicos para estudantes de baixa renda, mulheres em situa√ß√£o de rua ou de vulnerabilidade extrema e presidi√°rias, Bolsonaro vetou a inclus√£o do produto nas cestas b√°sicas de Seguran√ßa Alimentar e Nutricional.

A expectativa √© de que o Congresso derrube o veto e, conforme afirma Juneia, obrigue o presidente a cumprir o que a Lei estabelece. ‚ÄúEle tem que se virar‚ÄĚ, diz a dirigente. Juneia cita exemplos de estados que mant√™m programas que garantem a distribui√ß√£o.

S√£o Paulo, Para√≠ba, Minas Gerais, Cear√° e outros estados e cidades t√™m olhar de aten√ß√£o para o problema. ‚ÄúMas Bolsonaro s√≥ se preocupa com o que diz respeito √† sua vontade de poder e de sua fam√≠lia‚ÄĚ, diz a dirigente.

Essa atitude √© mais uma que se soma √†s v√°rias atrocidades que far√£o ele ser lembrado como um dos grandes vil√Ķes da humanidade. Ser√° comparado a Hitler e outros ditadores genocidas

– Juneia Batista

 

 

Há 54 anos, no dia 8 de outubro, Che Guevara foi preso e, no dia seguinte, 9, assassinado. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) homenageia esse grande líder que se tornou exemplo para todos que lutam por uma sociedade mais justa e igualitária, e que tombou lutando pelo socialismo, disponibilizando em seu site (mst.org.br) uma lista com sete discursos, entrevistas e documentos históricos do Comandante Ernesto Che Guevara. Confira AQUI. 

Em 1967, em cerim√īnia solene de tributo p√≥stumo ao comandante Che Guevara, na Plaza de la Revoluci√≥n, Fidel Castro cunhou a express√£o que seria o princ√≠pio norteador de gera√ß√Ķes revolucion√°rias latinoamericanas: seremos como o Che!

¬†‚ÄúSe queremos expressar como desejamos que sejam nossos filhos, devemos dizer com todo o cora√ß√£o de veementes revolucion√°rios: queremos que sejam como o Che!‚ÄĚ.¬†

— Fidel Castro em 1967, na cerim√īnia de tributo p√≥stumo ao comandante Che Guevara, na Plaza de la Revoluci√≥n, quando ro cunhou a express√£o que seria o princ√≠pio norteador de gera√ß√Ķes revolucion√°rias latinoamericanas: seremos como o Che! Ser como o Che significa se comprometer de corpo e mente para a liberta√ß√£o dos povos da Am√©rica Latina.

Vida de militante 

Em 2019, quando Che Guevara estaria completando 91 anos, Pablo Neri, do Coletivo de Juventude do MST, contou um pouco da história do médico argentino que se tornou um revolucionário e, ao lado de Fidel Castro e outros guerrilheiros, mudou a vida dos cubanos e sonhou em libertar dos exploradores toda a América Latina. 

‚ÄúEm 1959, nos anos de tens√£o e ‚ÄúGuerra Fria‚ÄĚ entre as pot√™ncias URSS e Estados Unidos, a Am√©rica Latina e o mundo √© balan√ßado pela not√≠cia da Revolu√ß√£o cubana. A import√Ęncia desse momento inaugura um ciclo de tens√£o e contesta√ß√£o entre a superpot√™ncia ianque e os pa√≠ses da Am√©rica criam uma nova perspectiva para a atua√ß√£o da esquerda nas guerras de descoloniza√ß√£o africana, al√©m da vantagem militar mais temida pelos EUA contra sua inimiga URSS e lan√ßa para o mundo o aroma de transforma√ß√£o que as revolu√ß√Ķes trazem para a atmosfera.

E junto com isso o mundo passa a conhecer os homens e mulheres que derrubaram a Ditadura de Fulgencio Batista e uma dos rostos mais conhecidos e que passaria a ser uma das figuras mais conhecidas do mundo, figuras mais difundidas durante o século XX é a de Ernesto Che Guevara.

O triunfo revolucion√°rio de Cuba passou a ser o sopro de esperan√ßa que chegava a todos os cantos do mundo e tinha como um dos principais mensageiros o Comandante Che Guevara, que dali em diante faria parte do Horizonte da milit√Ęncia de esquerda e de admiradores em todo o mundo.

√Č quase imposs√≠vel achar algu√©m em alguma parte do planeta que n√£o reconhe√ßa a imagem do l√≠der cubano que hoje, emoldurado ou fixo por meios prec√°rios na parede, povoa o imagin√°rio pol√≠tico as paix√Ķes e os sonhos de toda uma gera√ß√£o de militantes Sem Terra. Essa propor√ß√£o de Che n√£o √© apenas pelo seu desempenho na guerra e por ser um dos mais imponentes contestadores do poder colonial ianque, mas por ser um dos rivais mais fulgores do capitalismo por encarnar em si mesmo, ar dar carne e osso a dignidade humana que se liberta do capitalismo e constr√≥i um legado de militante socialista para o s√©culo XXI.

O começo

Ernesto Rafael Guevara de la Serna nasceu em 14 de junho de 1928, em Rosário, na Argentina. Primogênito de 5 irmãos, Che cresceu e tornou-se médico. Ainda na juventude jovem Ernesto viajou pela América do Sul na companhia do amigo Alberto Grando para conhecer as doenças que assolavam o continente e entendeu que não bastava combater as mazelas, era preciso destruir o sistema que as fazia existir.

Conheceu Fidel e Raul Castro, outros dois importantes líderes da Revolução Cubana, em julho de 1955, durante o exílio dos irmãos no México. Foi durante esse encontro que se juntou ao Movimento 26 de Julho e partiu para Cuba a bordo do iate Granma com o objetivo de derrubar o ditador Fulgencio Batista, autocrata que governava a ilha com o apoio dos Estados Unidos.

Médico, jornalista, escritor, diplomata, Che logo ganhou destaque no comando do exército revolucionário pelos valores que acreditava serem necessários para conquistar o apoio dos povos e o respeito da nação: Humildade, trabalho voluntário, o amor, dedicação na luta pela libertação. Como segundo General do exército Che ajudou a desenvolver a tática de guerrilha, deu significado para o foquismo que sairia vitorioso em janeiro de 1959.

Ap√≥s o triunfo revolucion√°rio, Che assumiu uma s√©rie de cargos no novo governo. Entre outras fun√ß√Ķes, foi ministro das Ind√ļstrias, embaixador e presidente do Banco Central de Cuba. Che tamb√©m foi pai, casou-se duas vezes, mas abandonou tudo isso para se dedicar √† tarefa de levar a Revolu√ß√£o para os demais continentes. Acompanhou as tropas de Cuba em campanhas militares em apoio √†s na√ß√Ķes africanas na luta contra a domina√ß√£o colonial, recrutou profissionais cubanos de v√°rios setores, especialmente da sa√ļde, trabalhando em muitas na√ß√Ķes mergulhadas na pobreza, no analfabetismo e na insalubridade.

Legado

Seguiu convicto de seu papel na luta revolucion√°ria at√© o dia do seu assassinato em outubro de 1967, na Bol√≠via. Por isso, o MST como organiza√ß√£o pol√≠tica estimula que a base a milit√Ęncia, em especial os mais jovens, conhe√ßam a hist√≥ria e o legado de Che organizando como processo de forma√ß√£o a Semana internacional de Trabalho Volunt√°rio Ernesto Che Guevara. Ele est√° presente nas m√ļsicas, nas poesias, nas m√≠sticas, neste momento de desesperan√ßa e de desencantamento com as causas coletivas Che segue sendo o farol que guia aquelas e aqueles que buscam a luta por uma sociedade justa, livre e emancipada. Em 2017 constru√≠mos a Brigada de Jovens que foram at√© a Bol√≠via n√≥s 50 anos do assassinato de seu assassinato prestar a homenagem ao Comandante Che e escutar dos camponeses daquelas imedia√ß√Ķes que guardaram seus restos mortais por mais de 30 anos.

Mesmo tendo tantas dimens√Ķes, a direita brasileira, seus ‚Äúintelectuais‚ÄĚ e seu mau jornalismo vem trabalhando para tentar reduzir Che a um ‚Äúassassino frio‚ÄĚ. Como exemplo a editora Abril, que lan√ßou o Manual Politicamente Incorreto que ‚Äúbusca destruir o mito‚ÄĚ, retirando o contexto da revolu√ß√£o e acusando Che de matar seus inimigos por regozijo.

Mas qual o interesse desses detratores em atacar a memória e o legado de Che Guevara? De certeza temos que do lado de lá não tem nenhum ídolo que sirva de modelo aos jovens a não ser torturadores, generais ditadores e exploradores da miséria do mundo.

E para quem quiser se aprofundar mais na história e no legado de Che Guevara e a Revolução cubana atualmente temos uma série de filmes disponíveis, como o lendário filme Diário de Motocicleta (2004) dirigido pelo brasileiro Walter Salles e baseado nos diários de Che e Grando de sua viagem de juventude. Também tem o filme Che: O Argentino (2009), já mais velho e em meio ao contexto da revolução.

Tamb√©m a Editora Express√£o Popular tem t√≠tulos importantes e de f√°cil acesso para todos como o livro de Michael Lowy, Pensamentos de Che Guevara (1969) e Che Guevara ‚Äď Pol√≠tica de Eder Sader (org.) Esta antologia apresenta a parte mais significativa das suas contribui√ß√Ķes te√≥ricas para decifrar os caminhos da vida, da pr√°tica revolucion√°ria e da √©tica.

Poucos lutadores ter√£o influenciado os acontecimentos e as id√©ias pol√≠ticas revolucion√°rias do s√©culo XXI como Ernesto ‚ÄúChe‚ÄĚ Guevara. Seu legado e sua hist√≥ria permanecer√£o como o chamado para a luta para o enfrentamento. Como disse Eduardo Galeano, ‚ÄúChe √© o mais renascedor de todos‚ÄĚ e o MST seguir√° prestando as homenagem que esse grande ser humano merece‚ÄĚ.