O coordenador do Laboratório de Virologia Molecular (LVM) da UFRJ, Amilcar Tanuri, informou que desde o dia 28 de junho a UFRJ em convênio com a Secretaria Estadual de Saúde, iniciou a coleta de materiais em 25 locais (10 na capital e 15 no interior), a cada 15 dias. O objetivo é acompanhar a curva de casos nestas diferentes regiões para um estudo sobre a evolução da Covid-19 no Estado do Rio.

O estudo, coordenado por Tanuri, envolve vários grupos de trabalho, além do LVM e o Laboratório Central de Saúde Pública do Rio de Janeiro Noel Nutels (Lacen), da Secretaria de Estado de Saúde, a Faculdade de Medicina e o Instituto Estadual de Hematologia Arthur de Siqueira Cavalcanti (Hemorio).

Testes
Está sendo colhido tanto material do nariz e garganta com swab (para o teste PCR ou molecular), quanto sangue (para sorologia ou teste rápido). A proposta é repetir a testagem quinzenalmente para analisar a tendência e prevê, numa primeira fase, seis ciclos quinzenais de testes. “Vamos ter uma ideia geral da prevalência e da incidência da doença”, explica o virologista.

De acordo com Tanuri, no acompanhando feito até o momento, em conjunto com pesquisadores do Lacen e com base em testes PCR (molecular), os números apurados indicam que, na cidade do Rio, a epiidemia atingiu o pico na primeira semana de maio e vem caindo paulatinamente. “O problema”, aponta, “é quando se analisa a situação usando testes rápidos (sorologia) e não moleculares, o que pode refletir em estimativas diferentes, com número de casos elevados.”

Conclusões
A análise do material coletado (com swab) do nariz e da garganta, o PCR detecta se o vírus está presente no corpo. Já o exame de sorologia (ou teste rápido), com coleta de sangue, é capaz de detectar níveis de anticorpos no sangue e se a pessoa já teve contato com o vírus.

O teste rápido, informa Tanuri, aponta quem teve a doença, por exemplo, um mês atrás. Quanto se utiliza muitos destes pode inflar os números (numa região) com casos que aconteceram no passado. “Então, o PCR dá uma visão no tempo real da epidemia”, explica, informando que, com base nesse teste, o número vem decrescendo, dados que casam com os números de internação (em leitos e em CTI) na cidade do Rio de Janeiro, embora haja, no interior, cidades em que há aumento do número da Covid-19.

O virologista acredita que este pode ser o momento de ter algum nível de flexibilização nas medidas de isolamento, mas tudo bem avaliado e testado com mais PCR. “A gente precisa ter um norte de retomada, com cuidado, mas precisa”, diz.

Mas, a avaliação de que o pico da doença foi no início de maio e os números vêm decrescendo, não é a mesma do GT Multidisciplinar da UFRJ para Enfrentamento da Covid-19. Segundo Tanuri, parte desse grupo de trabalho avalia que a epidemia está em alto nível e não atingiu o pico. Portanto, há uma discrepância de pontos de vista.

 

 

Carlos Decotelli entrega carta de demissão a Bolsonaro cinco dias após ser nomeado

Redação

Brasil de Fato | Brasília (DF) |

 

 

Durou cinco dias a passagem do economista Carlos Alberto Decotelli como ministro da Educação de Jair Bolsonaro (sem partido). Ele entregou uma carta de demissão ao presidente nesta terça-feira (30), após uma série de fraudes sobre sua formação virem à tona. A confirmação foi feita pelo assessor especial do Ministério da Educação (MEC) Paulo Roberto.

O estopim para a saída teria sido uma nota divulgada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) na noite desta segunda-feira (29), na qual a instituição nega que o economista tenha sido professor ou pesquisador por lá, como consta em seu currículo.

O comunicado da FGV diz que Decotelli “atuou apenas nos cursos de educação continuada, nos programas de formação de executivos e não como professor de qualquer das escolas da Fundação”.

Pouco antes, na tarde de segunda-feira (29), o professor havia se reunido com o presidente para se explicar sobre os “equívocos”. Segundo fontes palacianas, porém, Decotelli não citou o exagero sobre a FGV na reunião, o que teria irritado Bolsonaro.

Antes disso, o ministro nomeado já havia sido desmentido por universidades estrangeiras, que informaram que ele não tem as formações que afirma ter.

Ele registrou no currículo, por exemplo, um doutorado na Universidade Nacional de Rosario, da Argentina. Contudo, o reitor da instituição, Franco Bartolacci, negou que ele tenha obtido o título. O pós-doutorado que Decotelli diz ter feito na Universidade de Wuppertal, na Alemanha, também foi desmentido pela instituição.

Além disso, segundo reportagem publicada pelo portal UOL, ele é acusado de copiar quatro trechos de outras dissertações de mestrado e textos acadêmicos na introdução de seu trabalho de mestrado, apresentado em 2008 para a FGV Rio de Janeiro, com o título Banrisul: do PROES ao IPO com governança corporativa.

Histórico de verdade

Decotelli, de 67 anos, é economista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), oficial da reserva de Segunda Classe da Marinha e ex-presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

Ele foi nomeado como o terceiro ministro da Educação de Bolsonaro para suceder a Abraham Weintraub, demitido por atacar o Supremo Tribunal Federal (STF) e causar desgaste entre os poderes.

A indicação de Decotelli foi da cúpula militar do governo, especificamente dos almirantes. Ele também contou com a benção do ministro da Economia, Paulo Guedes, de quem foi colega no Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (IBMEC).

O economista esteve também na Secretaria de Modalidades Especializadas do Ministério da Educação, que atua em articulações de políticas para a educação do campo, para a educação especial de estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades.

 

 

A força da essência das flores para fortalecer o estado emocional e mental das pessoas abaladas pela pandemia viral foi um dos temas abordados em uma das atividades do projeto Luta e Saúde do Sintufrj, que oferece videoaulas diárias aos trabalhadores desde o início do isolamento social, pela equipe do Espaço Saúde Sintufrj.

A palestrante convidada foi a terapeuta floral com visão transdisciplinar, Rosimary Juventude. A especialista é pós-graduada na matéria e tem 20 anos de experiência na área.

Os florais de Bach são uma terapêutica desenvolvida pelo pesquisador e cientista inglês Eduardo Bach, e se baseia no uso de essências florais medicinais para promover o equilíbrio entre mente e corpo. As gotinhas têm o poder de transformar emoções e pensamentos negativos, atualmente aflorados pelo medo da Covid-19.

Dicas & Benefícios
“O dr. Bach criou um tipo de medicamento para qualquer pessoa se tratar emocional e mentalmente. O floral não tem efeito colateral e não faz mal. É um tratamento que traz equilíbrio para a pessoa. O floral trata a pessoa para que ela encontrar o autoconhecimento, se descobrir, se aceitar e assim ser feliz do seu jeito”, explica Rosimary.

Ela garante que o tratamento com florais de Bach tem sido de grande ajuda às pessoas neste momento de insegurança por conta do novo
Coronavírus, ajudando a afastar o medo e a resgatar o equilíbrio. A uma aluna que quis saber qual floral deveria levar para o hospital onde trabalha, Rosimary indicou o Five flower.

“Sugeri que ela adicionasse o floral na garrafa de água e avisasse o pessoal. O Five Flower resgata o equilíbrio e tem o poder de trazer a pessoa para o seu presente diante de qualquer desequilíbrio, acontecimentos ou perdas, que é o que temos mais visto nesta pandemia”, ensina a terapeuta.

Ao senhor de 60 anos que atendeu no consultório em pânico com medo de ser contaminado pelo vírus, Rosimary prescreveu outro floral. “O tratei com Walnut, que ajuda a dar proteção em relação a influências externas e pôr o medo de lado. É uma proteção mental”, orienta.

Outros florais que são importantes e tem ajudado muito as pessoas na pandemia é o Rock Rose e o Crab Apple. O primeiro é o floral do medo — “Ele traz a coragem para tomar atitudes diante do caos”–; o segundo, indica Rosimary,“é importantíssimo para esse momento atual”.“O Crab Apple trabalha a limpeza interior das pessoas. Limpa maus pensamentos e sentimentos, como a sensação de que vai se contaminar. As pessoas sentem-se mais tranquilas e fortalecidas”, complementa.

Missão dos florais

O objetivo dos florais é tratar a pessoa e não a doença ou seus sintomas. E todo tratamento tem a junção de quatro essências florais de acordo com a necessidade individual. Eles podem ser administrados junto com outros tratamentos e figuram entre os tratamentos alternativos reconhecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

“Os florais de Bach, que foram os primeiros a ser descobertos por volta de 1900, ajudam a trazer equilíbrio emocional. Trazem equilíbrio num momento de dúvida, trazem segurança, coragem e acalmam. Para se tratar com florais sempre tem dois caminhos: podem ser tomados pela pessoa de acordo com o seu estado emocional – as farmácias de manipulação têm a cartelinha — ou prescrito pelo terapeuta. No entanto, é muito importante a função do terapeuta, porque ele dá a orientação necessária”, alerta a especialista.

Além do terapeuta floral há psicólogos e médicos que trabalham com a terapia dos florais. Segundo Rosimary, que também trabalha o reiki (técnica japonesa que utiliza as mãos para transferir energia) nos seus atendimentos, a pessoa na terapia conta a sua história de vida, fala de seus medos, dúvidas, influências, etc. “O floral é um veículo para o despertar. Depois disso, eu ofereço as flores e a pessoa faz a sua escolha”, diz

Segundo Rosimary, o floral pode ser tomado em quatro gotas quatro vezes ao dia ou conforme a necessidade da pessoa. Pode ser pingado diretamente na boca ou misturado na água. São 38 os florais de Bach divididos em três grupos. O primeiro é composto de 12 flores, que tratam do temperamento pessoal. O segundo tem sete flores, as auxiliares, e o terceiro é composto de 19 flores, os complementares.

Videoaulas

As videoaulas do Espaço Saúde Sintufrj oferecem exercícios para o corpo e a mente, e estão à disposição de todos os servidores da UFRJ, de segunda a sexta-feira, pela manhã e à tarde.

As aulas são ministradas pelos profissionais do Espaço Saúde do Sintufrj – professores de educação física, fisioterapeutas, instrutores de ioga, capoeira e dança. São ministradas práticas de ginástica, circuito, alongamento, meditação e ioga.

Os interessados devem enviar mensagem para o whatsApp do Sintufrj 96549-2330, que será incluído na lista de transmissão da entidade. Não pode esquecer de salvar o número nos seus contatos.

Além do link diário para as atividades do Espaço Saúde, quem faz parte da lista de transmissão do Sintufrj a cada momento é atualizado com informações do interesse da categoria dos técnico-administrativos

 

 

Queda no valor das entregas e fim dos bloqueios indevidos estão entre as principais reivindicações. Consumidor pode ajudar boicotando os aplicativos

Matéria retirada do site Rede Brasil Atual.

Para barrar a sanha dos aplicativos que se alimentam da exploração, entregadores prometem parar as atividades nas principais cidades do Brasil nesta quarta-feira (1º). A greve deve alcançar outros países da América Latina, como Argentina, Chile e México, já que as mesmas empresas estão presentes em diversos locais.

As principais reivindicações são o aumento do valor mínimo das entregas e dos pagamentos recebidos por quilômetro rodado. Eles querem o fim dos bloqueios indevidos. Por outro lado, também consideram injustos os sistemas de pontuação das plataformas

Em meio à pandemia, pedem ainda o custeio pelas empresas dos equipamentos de proteção individual (EPIs) – luva, máscara, álcool em gel – e licença remunerada para os trabalhadores que foram contaminados. Além disso, os entregadores reivindicam benefícios, como vale-refeição e seguro contra roubo, acidente e de vida.

Em São Paulo, os entregadores marcaram pontos de encontro, às 9h, em cada zona da cidade, na região central, e também em Barueri, Osasco, Embu das Artes e no ABC. Primeiramente, devem percorrer as respectivas regiões, buscando a adesão dos demais colegas. Na sequência, se encontrarão às 14h, na Avenida Paulista, onde realizam uma manifestação.

Posteriormente, ainda na parte da tarde, os entregadores se dirigem até a Ponte Estaiada, na Marginal Pinheiros, zona sul da cidade. Além de “brecar” as entregas do jantar, eles querem que a TV Globo faça a cobertura da manifestação, no horário do jornal local.

Competição

Ifood, Rappi, James, Uber Eats, por exemplo, se definem como empresas de tecnologia, sem vínculos com os trabalhadores. Quando surgiram, as remunerações satisfatórias e a flexibilidade da jornada eram os principais atrativos. Contudo, com o aumento do desemprego e da informalidade, muitos encontraram o seu ganha pão nessa função. Por outro lado, com maior oferta de mão de obra, a concorrência aumentou. Consequentemente, o valor pago aos entregadores caiu.

Pesquisa on-line realizada pela Rede de Estudos e Monitoramento da Reforma Trabalhista (Remir Trabalho), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mostra que 68,9% dos entregadores tiveram queda nos ganhos durante a pandemia. Antes, 17% diziam ganhar em torno de um salário mínimo (R$ 1.045). Agora, são 34%, um terço do total. Por outro lado, caiu para 26,7% a proporção dos que afirmavam ganhar acima de dois salários mínimos. Antes da pandemia, eram mais da metade (51%).

Insatisfeitos

A reportagem ouviu relatos de três entregadores para saber mais sobre as condições que levaram à greve. As insatisfações não são recentes. Para além da inexistência de direitos, eles reclamam que não recebem qualquer tipo de apoio das plataformas. Agora, com o aumento dos riscos para a saúde e a queda nos rendimentos, a situação se tornou insustentável.

“Motoca”

O entregador conhecido como Mineiro (preferiu não se identificar para evitar eventuais punições) conta que eles se articulam por meio de grupos de WhatsApp. As conversas com vistas à paralisação começaram há cerca de um mês. Ele tem 30 anos, e trabalha há três como entregador de aplicativo. É morador do Parque Bristol, zona sul de São Paulo, mas se desloca fazendo entregas por toda a região metropolitana.

Na sua percepção, o número de “motocas” aumentou cerca de três vezes nos últimos anos. “Se você parar num semáforo aqui, em São Paulo, tem no mínimo 20 motos naquela área reservada. Dessas 20, 19 são entregadores, entendeu?”. Com o aumento da concorrência, o valor pago pelo quilômetro rodado caiu de cerca de R$ 1,5 para R$ 0,93. “Eles estão de brincadeira com a nossa cara. A gasolina aumentou de novo. E a gente não tem condições de ficar bancando.”

Ele também reclama dos bloqueios indevidos. “Quando você é mandado embora de uma empresa, tem que ter uma justificativa. Mas não, eles simplesmente te bloqueiam. Se a pessoa fica doente, eles te bloqueiam. Sofre um acidente, te bloqueiam. Se o cliente reclama, a gente não tem defesa nenhuma, porque simplesmente não tem como falar com os aplicativos.”

Durante a pandemia, Mineiro diz que uma das empresas passou a oferecer máscaras e álcool em gel por apenas dois dias. Mesmo assim, só depois que cerca de 400 entregadores decidiram protestar. Sobre o auxílio para os trabalhadores contaminados, ficou na promessa. “Nunca foi repassado. Até hoje, o único auxílio que eles receberam foi um bloqueio na tela, sem justificativa.” Por esses motivos, ele espera uma adesão à paralisação de “pelo menos 98%” dos colegas.

Ex-empreendedor

Rafael Ferreira, de 33 anos, mora na região da Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro. Ele conta que começou a fazer entregas quando era sócio de um restaurante. Com o fim da sociedade, passou a se dedicar exclusivamente aos aplicativos. No início, há cerca de dois anos, trabalhava “no máximo seis horas por dia”, seis dias por semana. Era o suficiente para garantir o sustento da família.

“Agora, só saio da rua quando bato a minha meta em dinheiro. Pode ser 9 horas da noite, 10, 11. Num dia bom, acabo mais cedo. Não é uma coisa fixa. Mas, com certeza, é preciso trabalhar bem mais hoje para sobreviver do que antigamente.”

Rafael relata que trabalhava apenas com o Ifood. Hoje, está cadastrado em seis aplicativos de entrega. Em um deles, o Uber Eats, foi impedido de trabalhar. “Não me deram a menor justificativa. Simplesmente me bloquearam.”

O pagamento inferior a R$ 1 por quilômetro rodado torna a função praticamente inviável, segundo Rafael. Até porque as empresas não pagam pelo deslocamento até a coleta do produto. Também reclama da falta de infraestrutura para os entregadores, que não contam com elementos básicos, como banheiro e local para fazer as refeições.

Ele lembra que são empresas de entrega, mas que não têm uma única motocicleta. “Tomara que, no dia 1º, os entregadores consigam mostrar a sua força”, afirma. Mas ele teme que muitos colegas “furem a greve” para se beneficiar das melhores taxas oferecidas no dia.

Pedalando

Os jovens que fazem entregas com bicicletas recebem valores ainda menores. Adriano Negocek, de 23 anos, é estudante de Física na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Morador de Almirante Tamandaré, região metropolitana de Curitiba, ele pedala quase todos os dias cerca de 10 quilômetros até o centro da capital, na hora do almoço. Começou a trabalhar como entregador, no final de 2018, após ser demitido de seu emprego anterior. Apostou na flexibilidade da jornada para poder conciliar o trabalho com os estudos.

Ele conta que tirava, em média, R$ 60 por dia. Agora, durante a pandemia, o rendimento diário caiu para menos de R$ 20 reais. “O valor caiu muito, não só por conta da pandemia. Não sei se é menor o fluxo de pedidos, ou se é pela concorrência que aumentou.” Por conta das entregas, Adriano também revela o receio de contaminar a sua mãe, que é do grupo de risco.

Ele almoça no restaurante universitário, mas sabe que a alimentação é um problema para a maioria dos seus colegas entregadores. Seja pelo preço cobrado pelos restaurantes na região central, onde é maior a demanda por entregas, seja pela falta de um local adequado para aqueles que levam marmita. Adriano também teme que alguns colegas entregadores não participem da greve, com medo de sofrerem bloqueios posteriores.

O consumidor e a greve

Os consumidores também podem ajudar a luta dos entregadores. Acima de tudo, eles solicitam que as pessoas não peçam comida pelos aplicativos neste dia. Se não puderem cozinhar, que se dirigm diretamente aos restaurantes. Além disso, pedem que os consumidores avaliem com a menor nota esses aplicativos, nas lojas virtuais. E deixando também comentários para denunciar a exploração dos trabalhadores.

 

 

 

O Diretor da Divisão Médica do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da UFRJ, infectologista Alberto Chebabo, informa que o HUCFF voltou a registrar na semana passada aumento de pacientes com suspeita ou com a covid-19, embora os números atuais não se comparem ao volume de pacientes em maio.

“Foi a primeira semana em que não houve queda, desde então (maio)”, disse o especialista, lembrando que o repique de casos ocorre exatamente há duas ou três semanas de início do relaxamento do isolamento social. A ressalva é de que os números de apenas uma unidade hospitalar (HUCFF) não servem como indicador de uma tendência mais ampla.

Na avaliação de Chebabo, a flexibilização da pandemia no Rio “não poderia estar ocorrendo da maneira como estão fazendo”. Segundo ele, seria mais importante abrir serviços essenciais do que bares e restaurantes. E, embora exista uma programação da Prefeitura, ele observa que estão adiantando etapas sem a medição (as testagens) correta.

Para o infectologista, não faz sentido o retorno das aulas no dia 15 julho, se estamos no meio da epidemia e com novos casos aparecendo. “Agora não tem mais nada com sentido”, constata com pessimismo. A retomada do calendário escolar precisa, segundo o Chebabo, ser acompanhada de um planejamento que inclua a alternância dos estudantes em aulas para diminuir aglomerações em áreas comuns. O que ele acha difícil que tenha sido planejado.

Chebabo pondera que o fato de haver vagas nos hospitais não significa que se possa expor as pessoas. “A doença continua existindo. Na realidade, não é que não esteja na hora de algum tipo de liberação, só que isso deve ser feito de forma controlada. Não tem porque liberar presença de público em jogo de futebol”, adverte. A Prefeitura do Rio de Janeiro autorizou a volta do público aos estádios de futebol a partir do dia 10 de julho.

Esse tipo de abertura, segundo o infectologista, tem consequências que afetam os demais, porque provocam, por exemplo, o aumento do número de pessoas nos transportes públicos.

Pandemia avança e o Brasil registra das 10% das mortes
“A pandemia está longe de ter terminado.” O alerta é do diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, que teme que o pior ainda esteja por vir. No domingo, 28 de junho, o número de infectados ultrapassou 10 milhões e 500 mil morreram, segundo levantamento da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos.

 

Adhanom disse que entende que todos queiram continuar com suas vidas, mas a realidade é que “isto (a pandemia) não está nem perto de terminar”. Segundo ele, embora alguns países tenham feito algum progresso, a pandemia está acelerando, a maioria permanece suscetível e o vírus tem muito espaço para se movimentar.

Triste ranking brasileiro
Nestas tristes estatísticas, o Brasil está em segundo lugar com 10% dos óbitos e com um presidente que reclamou de excesso de preocupação de governadores e prefeitos. Na Europa, na semana passada, houve aumento do número de casos e países recuaram na flexibilização do isolamento, como, por exemplo, Portugal em alguns bairros de Lisboa.

No Brasil, onde cerca de 90% dos municípios já foram atingidos pela pandemia, cidades tiveram que retroceder na flexibilização para conter o aumento de casos. Se for um jogo de tentativa e erro, este jogo está custando vidas. Muita gente, infelizmente, não segue as orientações de especialistas.

Antecipando fases
No Rio de Janeiro, já são quase 10 mil mortes e 111.883 casos confirmados até segunda-feira, 29 de junho. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES), nas 24 horas anteriores foram registrados 29 novos óbitos e 585 novos casos. Mas, alheio a esses números, o prefeito Marcelo Crivella se reuniu com os donos de escolas particulares para definir se o ano letivo será retomado no dia 15 de julho.

No sábado, 27, a Prefeitura do Rio antecipou a reabertura do comércio de rua na cidade (incluindo salões de barbeiros), previsto para ser incluído somente na terceira fase da flexibilização, no dia 2 de julho, deixando as ruas movimentadas.

Não é hora de voltar
Dezenas de entidades representativas de trabalhadores das áreas de educação e saúde e assistência social, entre elas CUT, Sintufrj, Adufrj e Sindicato dos Médicos, e o movimento estudantil, assinaram o manifesto Defender a vida na pandemia: porque não é hora de voltar, no qual afirmam que tomaram como base orientações da Organização Mundial de Saúde e pareceres da Fiocruz para apresentar um conjunto de condições de segurança essenciais, sem as quais não será possível o retorno às atividades escolares presenciais na educação básica.

O documento cobra o compromisso das prefeituras, do governo do estado e da União de apresentar concretamente o valor dos investimentos que serão feitos para a retomada da educação no pós-pandemia e o atendimento de itens, tais como: fornecimento de produtos de higiene e limpeza, equipamentos de proteção individual e coletiva, desinfecção de materiais didáticos, redução do número de estudantes por turma, reorganização da estrutura física das escolas, com ampliação do número de salas e espaços com ventilação, ambientes seguros para alimentação, condições sanitárias no deslocamento até a escola, retorno das aulas escalonado e testagem permanente do vírus nos estudantes e trabalhadores.

Segundo a pesquisa da Datafolha divulgada semana passada, 76% dos brasileiros acreditam que as escolas deveriam continuar fechadas nos próximos dois meses por causa da pandemia.

 

 

 

Todos os profissionais que integram as unidades de saúde da UFRJ (médicos, enfermeiros, equipe administrativa, entre outros) estão convidados a participar da ação solidária “Cure o Mundo”. Com as suas vozes no coral virtual, levarão otimismo aos colegas da linha de frente do combate a Covid-19 em outros hospitais e também aos pacientes virais e seus familiares.

A campanha “Cure o Mundo” é fruto da parceria entre a Fundação Nacional de Artes (Funarte) e a UFRJ, com curadoria da Escola de Música da UFRJ, e consiste na realização de um vído com a versão em português de Heal The World, de Michael Jackson. O coral será composto de 50 cantores e os interessados devem se inscrever até o dia 2 de julho.

Providencias
Mais Informações pelo e-mail elaine@indc.ufrj.br Até o dia 10 de julho, os vídeos devem ser enviados para serem editados. “Estamos solicitando a inscrição de 50 pessoas que enviarão vídeos para serem editados e reunidos”, explica Elaine de Souza Barros, diretora administrativa do Instituto de Neurologia Deolindo Couto, que coordena a ação.

A expectativa de Elaine é ainda em julho concluir o vídeo da campanha “Cure o Mundo”.

Motivação
A ideia do coral virtual Elaine teve enquanto se recuperava da Covid-19, mas apoiada nas experiências que vivenciou enquanto estava envolvida com ações junto ao Complexo Hospitalar da UFRJ durante a pandemia. Período em que presenciou muitas situações adversas, tanto por parte de pacientes e seus familiares, como também dos profissionais de saúde. O passo segundo foi levar a inspiração para à Escola de Música, que prontamente a abraçou.

A proposta foi incorporada como projeto de extensão e a Escola de Música foi atrás de parceiros, conseguindo uma produtora para edição dos vídeos e técnicos para realizar o trabalho. “Conseguiram até apoio da Funarte. “Será uma linda mensagem de amor e esperança dos hospitais da UFRJ para toda população”, define a iniciativa a sua autora.

 

 

Entidades expõem condições necessários para o retorno com segurança das atividades escolares

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Ação acontecerá na próxima quarta ( 1º) e trabalhadores solicitam que usuários boicotem as empresas no dia

Matéria retirada do site Brasil de Fato.

Sem direito à quarentena e sujeitos à informalidade, os entregadores de aplicativos organizam uma paralisação nacional marcada para a próxima quarta-feira, dia 1º de julho. Os trabalhadores exigem melhores condições de trabalho e a suspensão de bloqueios arbitrários realizados frequentemente pelas empresas como Rappi, Ifood, Loggi e UberEats.

Segundo explica um entregador que se identifica como Mineiro e é um dos organizadores da greve, para além da interrupção imediata dos bloqueios e desligamentos sem justificativas, também estão na lista de reivindicações uma taxa mínima de R$2 por quilômetro percorrido.

“As outras reivindicações são um auxílio-lanche porque nem todos os dias temos o que comer. Um auxílio oficina e borracharia, que desconte do nosso próprio cartão em que recebemos. Nem todo dia temos dinheiro pra sair de casa. Tem vez que deixamos de comer para abastecer”, declara o entregador da zona Sul de São Paulo, que há 3 anos atua com aplicativos.

Medidas protetivas contra roubos e acidentes, assim como o pagamento adequado por quilometragem percorrida são outras demandas apresentadas.

Uma estudo recente feito pela Rede de Estudos e Monitoramento da Reforma Trabalhista (Remir Trabalho) da Unicamp mostrou que a pandemia do coronavírus precarizou ainda mais o trabalho dos profissionais.

Com o aumento da demanda de entrega por delivery, eles passaram a trabalhar mais horas. Custos com equipamentos e materiais de prevenção à contaminação pela covid-19 também pesaram ainda mais no bolso dos trabalhadores informais.

Neste contexto, Mineiro comemora a estimativa de que 98% dos entregadores integrem a paralisação da próxima semana. Mas, ainda assim, ele ressalta que o apoio da população é essencial.

“
O pessoal tem que aderir porque ao não fazer o pedido, eles nos ajudam. Não terá muito pedido no dia e os motoboy não farão as entregas. Estamos pedindo o apoio de todo mundo. Nossa reivindicação de sempre vai ser essa: Mais respeito com os motoboys e pedir aos usuários dos apps que nos dias não façam pedidos.”

E os usuários?

Por meio das redes sociais, os entregadores estão usando a #ApoieoBrequedosApps para orientar a população sobre como se solidarizar ao movimento por condições mais dignas de trabalho. Confira as dicas dos motoboys:

1) Não peça comida pelos aplicativos

Os trabalhadores indicam que os usuários aproveitem o dia de paralisação para cozinhar e priorizar a comida caseira. De acordo com eles, as empresas costumam liberar cupons de desconto nos dias de mobilizações, com o objetivo de enfraquecê-las.

A campanha pede que no dia 1º de junho, as pessoas cozinhem sua própria comida e compartilhem uma foto com a #ApoioBrequedosApps. Se for mesmo necessário, a orientação é que a refeição seja comprada direto no restaurante escolhido.

 

2) Avalie os apps negativamente

A segunda forma de ajudar a mobilização é acessar as lojas de aplicativos do seu smartphone, como Google Play e Apple Store, e avaliar as apps das empresas de delivery com a menor nota possível. Os entregadores também sugerem postagem de comentários em apoio à paralisação nas lojas de apps para chamar atenção de outros usuários.

3) Ajude na divulgação

Os motoboys apontam que um outro modo essencial para ajudá-los é compartilhar materiais sobre a paralisação o máximo possível.

Solidariedade

Um motorista que trabalha com a Uber há quase um ano, e que preferiu não se identificar por receio de retaliação, presta apoio à paralisação dos entregadores. Ele acredita que, mesmo em funções diferentes, a precarização atinge a todos.

“Somos categorias e serviços diferentes, porém todos buscamos os mesmos objetivos. Autonomia econômica, garantia de segurança e saúde. Voltar para casa bem. São princípios e direitos fundamentais pra manter as coisas funcionando, inclusive no trabalho. E se os serviços vinculados aos apps, todos eles, não oferecem o mínimo a quem trabalha neles, então devemos cobrar e é nas ruas que isso precisa ser feito”, diz.

Para o motorista, é essencial que a sociedade se sensibilize com a paralisação e demonstre apoio em defesa de uma maior qualidade de vida dos trabalhadores de app.

“Não acredito que alguém não saiba o quanto está difícil para os mais pobres e os mais humildes. Se colocar na situação do outro não é difícil pra ninguém, está difícil pra todo mundo ainda mais nesse momento, no auge de uma pandemia. Então o apoio, e principalmente conhecer a causa do outro, é fundamental”, defende.

 

COM A UNIVERSIDADE EM ISOLAMENTO SOCIAL, estudantes fazem exigências para o ensino remoto

Um Conselho Universitário (Consuni) extraordinário com pauta única será agendado pela Reitoria para os próximos dias para tratar exclusivamente do ensino remoto na UFRJ durante a pandemia do novo coronavírus. Este foi o compromisso assumido pela reitora Denise Pires com a bancada estudantil, na sessão do Consuni desta quinta-feira, 25.

Durante a reunião virtual do colegiado, os estudantes conselheiros leram a Carta à Reitoria, na qual elencam cinco exigências que acreditam garantirão o acesso de todos os alunos da graduação da UFRJ ao ensino remoto emergencial, como inclusão digital, edital para auxílio emergencial, entre outras ações a serem promovidas pela assistência estudantil. Eles reivindicam que a reitora assine o documento.

Denise Pires afirmou que somente após a leitura na íntegra da carta — que os estudantes enviariam para o seu e-mail –, tomaria uma decisão. Mas, antecipou que não havia nenhum posicionamento contrário da Reitoria aos cinco itens listados no texto. Ela dirá se assina ou não o documento formulado pelo DCE Mário Prata e a bancada estudantil no Consuni na reunião extraordinário do órgão para tratar sobre o tema ensino remoto.

Reivindicações dos estudantes
“Tendo em vista a aprovação da resolução pelo CEG que regulariza o ensino remoto na UFRJ para toda graduação, o DCE da UFRJ vem ao Consuni cobrar da magnífica reitora, Denise Pires, bem com de toda sua equipe, o compromisso com a garantia de condições mínimas para a implementação dessa modalidade de ensino. Vemos com muita preocupação um ponto em especial que, para todo o Movimento Estudantil, é muito central: a assistência estudantil.

“ …A UFRJ tem cumprido um papel fundamental na defesa do isolamento social e no enfrentamento à Covid-19, atendendo pacientes contaminados em seu hospital, produzindo álcool em gel em grande escala e contribuindo com a pesquisa no combate ao vírus. Essa mesma responsabilidade precisa guiar os rumos da decisão da nossa Universidade ao aderir as atividades remotas. Assim, acreditamos que as políticas adotadas pela universidade não podem ser formuladas e aplicadas de forma descolada da realidade de vida de sua comunidade acadêmica. Em uma sociedade com tanta concentração de renda como a nossa, a entrada no ensino superior normalmente já acontece de forma desigual e, durante a pandemia, a adoção emergencial das atividades remotas pode aprofundar essa desigualdade se não for adotada de forma correta e com garantias justas. Por isso, a universidade precisa se preocupar centralmente com a permanência de seus estudantes pobres e trabalhar ao máximo para diminuir as desigualdades acentuadas pelo momento que vivemos e para garantir o acesso de todos e todas às políticas acadêmicas adotadas.

Nesse sentido, trazemos nessa carta de compromisso, para ser assinada pela magnífica reitora Denise Pires, representando um compromisso de toda universidade, cinco exigências mínimas relacionados ao acesso e ao campo da assistência estudantil que vão no sentido de garantir condições mínimas para a aplicação das aulas remotas a todos os estudante. A reitoria, portanto, se compromete com:
1. A oferta de auxílios para inclusão digital de TODOS os estudantes que não dispõe desses recursos, sejam eles na forma de bolsas, chips de internet, modens e/ou aparelhos eletrônicos.
1.1. A adaptação dos aparelhos para estudantes PCDs de acordo com as suas necessidades.
1.2 Abertura de edital de bolsas para que alunos de Letras/Libras possam atuar como intérpretes nas turmas que apresentem essa demanda.
2. A abertura do edital de auxílio emergencial.
3. Que essas medidas sejam condicionantes para o início de qualquer aula e que esses auxílios possam ser cumulativos.
4. A orientação e sensibilização para que as aulas sejam gravadas.
5. A indicação para que haja um esforço na oferta das disciplinas necessárias para a conclusão de curso pelos estudantes concluintes”.

Resolução do CEG é respeitada
Uma das preocupações do DCE Mário Prata, segundo a dirigente Juliana e representante do segmento no Consuni, foi produzir um documento que “não passasse por cima das discussões do Conselho de Ensino de Graduação (CEG) para que não houvesse o argumento de que a Reitoria não assinaria por isso.” Por essa razão, acrescentou, “a carta não contém todas as nossas demandas”.

O documento inicia contemplando essa preocupação dos estudantes: “Tendo em vista a aprovação da resolução pelo CEG que regulariza o ensino remoto na UFRJ para toda graduação, o DCE da UFRJ vem ao Consuni cobrar da magnífica reitora, Denise Pires, bem com de toda sua equipe, o compromisso com a garantia de condições mínimas para a implementação dessa modalidade de ensino. Vemos com muita preocupação um ponto em especial que, para todo o Movimento Estudantil, é muito central: a assistência estudantil.”

 

Não é nenhuma novidade para a comunidade universitária as agruras pelas quais passam os trabalhadores terceirizados na UFRJ, que sequer têm os mínimos direitos trabalhistas respeitados pelas empresas contratantes. Agora, em meio a pandemia viral e o consequente aumento do desemprego no país, a Associação dos Trabalhadores Terceirizados da UFRJ (Attufrj) vem a público denunciar demissões de trabalhadores por perseguição política. De acordo com a Attufrj, nos últimos 15 dias, cinco trabalhadores da limpeza da empresa Araúna – prestadora de serviço no campus da Praia Vermelha – foram demitidos sem motivo. Um deles é o diretor da entidade, Robson Carvalho, o Robinho, que trabalhava há 11 na universidade como servente de limpeza terceirizado.

A reitora Denise Pires prometeu providenciar a apuração dos fatos durante a sessão do Conselho Universitário de quinta-feira, 25, quando integrantes do colegiado repercutiram a denúncia da associação.  A expectativa da Attufrj é que desta vez a UFRJ aja em favor dos terceirizados, porque a Pró-Reitoria de Governança, segundo a entidade, diz que “não é responsabilidade dela”, quando solicitada para intermediar diálogo para evitar, por exemplo, demissões em massa no bandejão conforme vem ocorrendo.

Perseguição

“Sou do grupo de risco, me colocaram de férias e depois fiquei afastado por indicação médica. Então fui chamado pela empresa e informado que estava de aviso prévio. Não há justificativa para isso. Os funcionários da UFRJ encarregados de fiscalizar o nosso trabalho e os superintendentes das unidades onde trabalhei só têm elogios a me fazer”, disse Robinho.

Segundo o terceirizado, há anos a encarregada da Araúna o perseguia pela sua atuação em defesa dos direitos de todos os terceirizados. Desde 2015 ele atual na linha de frente do movimento na UFRJ.

“Com essas cinco demissões, já passam de uma centena a quantidade de demitidos durante a pandemia. Mas esta é a primeira vez que vemos demissões acontecer por motivos políticos. Antes, as empresas se utilizavam do argumento do corte de custos, de pessoal ou deficiência de caixa para demitir. Agora, demitem por que os trabalhadores querem lutar”, diz a nota pública da Attufrj.

“É notório que é uma demissão política, porque não existe nenhuma reclamação quanto ao trabalho do funcionário Robinho. Pelo contrário, só elogios. Mais estamos felizes porque nossa denúncia surtiu efeito. A reitora está pedindo para apurar o que aconteceu”, afirmou a dirigente da Attufrj, Luciana Calixto.

Segundo a dirigente, foram feitas inúmeras denúncias contra a encarregada da Araúna, que não aceitava o trabalho de conscientização que Robson fazia com os terceirizados em relação a seus direitos. A empresa demitiu o sindicalista mesmo contra a vontade dos chefes e administradores do contrato na UFRJ, disse Luciana.

“O terceirizado tem o direito de reivindicar o mínimo, que é o pagamento do salário e dos benefícios em dia. Aonde vamos parar? Tenho a sensação de que estamos voltando à escravidão, quando era normal trabalhar sem direito a nada. Se reclamar, tá na rua. Assim como foi com Robinho pode ser com qualquer um de nós da associação. Fico indignada com isso, porque eu e Robinho já somos perseguidos há tempos. Várias vezes  quase fui demitida por trabalhar na luta. Infelizmente aconteceu agora com Robinho. Nós, terceirizados, estamos muito indignados e pedimos às entidades que abracem a nossa causa. Essa demissão do Robinho é muito injusta”, reafirmou indignada a diretora da Attufrj.

Eficiência

Robson trabalhava como terceirizado em serviços gerais na UFRJ desde 2009. Durante seis anos prestou serviços no Fórum de Ciência e Cultura (FCC) e sua atuação foi muito elogiada. Mas desde que passou a participar do movimento por direitos disse que as perseguições começaram.

“A encarregada da Araúna me tirou de lá (do Fórum) sem motivo profissional algum”, garante Robson. De lá, ele foi para o Condomínio de Salas na Praia Vermelha, onde novamente teve seu trabalho elogiado.

“Robinho junto com o Alonso, outro terceirizado da Araúna, sempre foi o nosso braço direito no FCC. Tiraram ele contra nossa vontade, o que resultou em descontentamento de todos no FCC e gerou muita briga e reuniões pedindo para ele voltar, sem resultado. Ele sem dúvida alguma é um funcionário diferenciado, que todos querem ter. Muito nos estranha esse atitude da Araúna. Só não estranho mais pelo que já foi feito conosco quando tiraram ele do nosso setor, nos deixando super insatisfeitos”, afirma Marcos Rodrigues dos Santos, administrador de edifício do FCC.

“O assédio moral é fato conhecido até mesmo pelas instâncias superiores, como a Decania e a Reitoria. O que tenho a dizer sobre o Robson é que ele é um excelente profissional”, atesta o administrador da sede do Condomínio de Salas e fiscal do contrato de serviços de limpeza da Praia Vermelha, Leonardo Fernandes da Rocha.

GRUPO de terceirizados em ação nos corredores no Centro de Ciências da Saúde