O coordenador do Laborat√≥rio de Virologia Molecular (LVM) da UFRJ, Amilcar Tanuri, informou que desde o dia 28 de junho a UFRJ em conv√™nio com a Secretaria Estadual de Sa√ļde, iniciou a coleta de materiais em 25 locais (10 na capital e 15 no interior), a cada 15 dias. O objetivo √© acompanhar a curva de casos nestas diferentes regi√Ķes para um estudo sobre a evolu√ß√£o da Covid-19 no Estado do Rio.

O estudo, coordenado por Tanuri, envolve v√°rios grupos de trabalho, al√©m do LVM e o Laborat√≥rio Central de Sa√ļde P√ļblica do Rio de Janeiro Noel Nutels (Lacen), da Secretaria de Estado de Sa√ļde, a Faculdade de Medicina e o Instituto Estadual de Hematologia Arthur de Siqueira Cavalcanti (Hemorio).

Testes
Est√° sendo colhido tanto material do nariz e garganta com swab (para o teste PCR ou molecular), quanto sangue (para sorologia ou teste r√°pido). A proposta √© repetir a testagem quinzenalmente para analisar a tend√™ncia e prev√™, numa primeira fase, seis ciclos quinzenais de testes. “Vamos ter uma ideia geral da preval√™ncia e da incid√™ncia da doen√ßa”, explica o virologista.

De acordo com Tanuri, no acompanhando feito at√© o momento, em conjunto com pesquisadores do Lacen e com base em testes PCR (molecular), os n√ļmeros apurados indicam que, na cidade do Rio, a epiidemia atingiu o pico na primeira semana de maio e vem caindo paulatinamente. ‚ÄúO problema‚ÄĚ, aponta, ‚Äú√© quando se analisa a situa√ß√£o usando testes r√°pidos (sorologia) e n√£o moleculares, o que pode refletir em estimativas diferentes, com n√ļmero de casos elevados.‚ÄĚ

Conclus√Ķes
A análise do material coletado (com swab) do nariz e da garganta, o PCR detecta se o vírus está presente no corpo. Já o exame de sorologia (ou teste rápido), com coleta de sangue, é capaz de detectar níveis de anticorpos no sangue e se a pessoa já teve contato com o vírus.

O teste r√°pido, informa Tanuri, aponta quem teve a doen√ßa, por exemplo, um m√™s atr√°s. Quanto se utiliza muitos destes pode inflar os n√ļmeros (numa regi√£o) com casos que aconteceram no passado. “Ent√£o, o PCR d√° uma vis√£o no tempo real da epidemia”, explica, informando que, com base nesse teste, o n√ļmero vem decrescendo, dados que casam com os n√ļmeros de interna√ß√£o (em leitos e em CTI) na cidade do Rio de Janeiro, embora haja, no interior, cidades em que h√° aumento do n√ļmero da Covid-19.

O virologista acredita que este pode ser o momento de ter algum n√≠vel de flexibiliza√ß√£o nas medidas de isolamento, mas tudo bem avaliado e testado com mais PCR. “A gente precisa ter um norte de retomada, com cuidado, mas precisa”, diz.

Mas, a avalia√ß√£o de que o pico da doen√ßa foi no in√≠cio de maio e os n√ļmeros v√™m decrescendo, n√£o √© a mesma do GT Multidisciplinar da UFRJ para Enfrentamento da Covid-19. Segundo Tanuri, parte desse grupo de trabalho avalia que a epidemia est√° em alto n√≠vel e n√£o atingiu o pico. Portanto, h√° uma discrep√Ęncia de pontos de vista.

 

 

Carlos Decotelli entrega carta de demissão a Bolsonaro cinco dias após ser nomeado

Redação

Brasil de Fato | Brasília (DF) |

 

 

Durou cinco dias a passagem do economista Carlos Alberto Decotelli como ministro da Educação de Jair Bolsonaro (sem partido). Ele entregou uma carta de demissão ao presidente nesta terça-feira (30), após uma série de fraudes sobre sua formação virem à tona. A confirmação foi feita pelo assessor especial do Ministério da Educação (MEC) Paulo Roberto.

O estopim para a sa√≠da teria sido uma nota divulgada pela Funda√ß√£o Get√ļlio Vargas (FGV) na noite desta segunda-feira (29), na qual a institui√ß√£o nega que o economista tenha sido professor ou pesquisador por l√°, como consta em seu curr√≠culo.

O comunicado da FGV diz que Decotelli ‚Äúatuou apenas nos cursos de educa√ß√£o continuada, nos programas de forma√ß√£o de executivos e n√£o como professor de qualquer das escolas da Funda√ß√£o”.

Pouco antes, na tarde de segunda-feira (29), o professor havia se reunido com o presidente para se explicar sobre os ‚Äúequ√≠vocos‚ÄĚ. Segundo fontes palacianas, por√©m, Decotelli n√£o citou o exagero sobre a FGV na reuni√£o, o que teria irritado Bolsonaro.

Antes disso, o ministro nomeado j√° havia sido desmentido por universidades estrangeiras, que informaram que ele n√£o tem as forma√ß√Ķes que afirma ter.

Ele registrou no currículo, por exemplo, um doutorado na Universidade Nacional de Rosario, da Argentina. Contudo, o reitor da instituição, Franco Bartolacci, negou que ele tenha obtido o título. O pós-doutorado que Decotelli diz ter feito na Universidade de Wuppertal, na Alemanha, também foi desmentido pela instituição.

Al√©m disso, segundo reportagem publicada pelo portal¬†UOL, ele √© acusado de copiar quatro trechos de outras disserta√ß√Ķes de mestrado e textos acad√™micos na introdu√ß√£o de seu trabalho de mestrado, apresentado em 2008 para a FGV Rio de Janeiro, com o t√≠tulo¬†Banrisul: do PROES ao IPO com governan√ßa corporativa.

Histórico de verdade

Decotelli, de 67 anos, é economista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), oficial da reserva de Segunda Classe da Marinha e ex-presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

Ele foi nomeado como o terceiro ministro da Educação de Bolsonaro para suceder a Abraham Weintraub, demitido por atacar o Supremo Tribunal Federal (STF) e causar desgaste entre os poderes.

A indica√ß√£o de Decotelli foi da c√ļpula militar do governo, especificamente dos almirantes. Ele tamb√©m contou com a ben√ß√£o do ministro da Economia, Paulo Guedes, de quem foi colega no Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (IBMEC).

O economista esteve tamb√©m na Secretaria de Modalidades Especializadas do Minist√©rio da Educa√ß√£o, que atua em articula√ß√Ķes de pol√≠ticas para a educa√ß√£o do campo, para a educa√ß√£o especial de estudantes com defici√™ncia, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades.

 

 

A for√ßa da ess√™ncia das flores para fortalecer o estado emocional e mental das pessoas abaladas pela pandemia viral foi um dos temas abordados em uma das atividades do projeto Luta e Sa√ļde do Sintufrj, que oferece videoaulas di√°rias aos trabalhadores desde o in√≠cio do isolamento social, pela equipe do Espa√ßo Sa√ļde Sintufrj.

A palestrante convidada foi a terapeuta floral com visão transdisciplinar, Rosimary Juventude. A especialista é pós-graduada na matéria e tem 20 anos de experiência na área.

Os florais de Bach s√£o uma terap√™utica desenvolvida pelo pesquisador e cientista ingl√™s Eduardo Bach, e se baseia no uso de ess√™ncias florais medicinais para promover o equil√≠brio entre mente e corpo. As gotinhas t√™m o poder de transformar emo√ß√Ķes e pensamentos negativos, atualmente aflorados pelo medo da Covid-19.

Dicas & Benefícios
‚ÄúO dr. Bach criou um tipo de medicamento para qualquer pessoa se tratar emocional e mentalmente. O floral n√£o tem efeito colateral e n√£o faz mal. √Č um tratamento que traz equil√≠brio para a pessoa. O floral trata a pessoa para que ela encontrar o autoconhecimento, se descobrir, se aceitar e assim ser feliz do seu jeito‚ÄĚ, explica Rosimary.

Ela garante que o tratamento com florais de Bach tem sido de grande ajuda às pessoas neste momento de insegurança por conta do novo
Coronavírus, ajudando a afastar o medo e a resgatar o equilíbrio. A uma aluna que quis saber qual floral deveria levar para o hospital onde trabalha, Rosimary indicou o Five flower.

‚ÄúSugeri que ela adicionasse o floral na garrafa de √°gua e avisasse o pessoal. O Five Flower resgata o equil√≠brio e tem o poder de trazer a pessoa para o seu presente diante de qualquer desequil√≠brio, acontecimentos ou perdas, que √© o que temos mais visto nesta pandemia‚ÄĚ, ensina a terapeuta.

Ao senhor de 60 anos que atendeu no consult√≥rio em p√Ęnico com medo de ser contaminado pelo v√≠rus, Rosimary prescreveu outro floral. ‚ÄúO tratei com Walnut, que ajuda a dar prote√ß√£o em rela√ß√£o a influ√™ncias externas e p√īr o medo de lado. √Č uma prote√ß√£o mental‚ÄĚ, orienta.

Outros florais que s√£o importantes e tem ajudado muito as pessoas na pandemia √© o Rock Rose e o Crab Apple. O primeiro √© o floral do medo — ‚ÄúEle traz a coragem para tomar atitudes diante do caos‚ÄĚ–; o segundo, indica Rosimary,‚Äú√© important√≠ssimo para esse momento atual‚ÄĚ.‚ÄúO Crab Apple trabalha a limpeza interior das pessoas. Limpa maus pensamentos e sentimentos, como a sensa√ß√£o de que vai se contaminar. As pessoas sentem-se mais tranquilas e fortalecidas‚ÄĚ, complementa.

Miss√£o dos florais

O objetivo dos florais √© tratar a pessoa e n√£o a doen√ßa ou seus sintomas. E todo tratamento tem a jun√ß√£o de quatro ess√™ncias florais de acordo com a necessidade individual. Eles podem ser administrados junto com outros tratamentos e figuram entre os tratamentos alternativos reconhecidos pela Organiza√ß√£o Mundial de Sa√ļde (OMS).

‚ÄúOs florais de Bach, que foram os primeiros a ser descobertos por volta de 1900, ajudam a trazer equil√≠brio emocional. Trazem equil√≠brio num momento de d√ļvida, trazem seguran√ßa, coragem e acalmam. Para se tratar com florais sempre tem dois caminhos: podem ser tomados pela pessoa de acordo com o seu estado emocional ‚Äď as farm√°cias de manipula√ß√£o t√™m a cartelinha — ou prescrito pelo terapeuta. No entanto, √© muito importante a fun√ß√£o do terapeuta, porque ele d√° a orienta√ß√£o necess√°ria‚ÄĚ, alerta a especialista.

Al√©m do terapeuta floral h√° psic√≥logos e m√©dicos que trabalham com a terapia dos florais. Segundo Rosimary, que tamb√©m trabalha o reiki (t√©cnica japonesa que utiliza as m√£os para transferir energia) nos seus atendimentos, a pessoa na terapia conta a sua hist√≥ria de vida, fala de seus medos, d√ļvidas, influ√™ncias, etc. ‚ÄúO floral √© um ve√≠culo para o despertar. Depois disso, eu ofere√ßo as flores e a pessoa faz a sua escolha‚ÄĚ, diz

Segundo Rosimary, o floral pode ser tomado em quatro gotas quatro vezes ao dia ou conforme a necessidade da pessoa. Pode ser pingado diretamente na boca ou misturado na água. São 38 os florais de Bach divididos em três grupos. O primeiro é composto de 12 flores, que tratam do temperamento pessoal. O segundo tem sete flores, as auxiliares, e o terceiro é composto de 19 flores, os complementares.

Videoaulas

As videoaulas do Espa√ßo Sa√ļde Sintufrj oferecem exerc√≠cios para o corpo e a mente, e est√£o √† disposi√ß√£o de todos os servidores da UFRJ, de segunda a sexta-feira, pela manh√£ e √† tarde.

As aulas s√£o ministradas pelos profissionais do Espa√ßo Sa√ļde do Sintufrj ‚Äď professores de educa√ß√£o f√≠sica, fisioterapeutas, instrutores de ioga, capoeira e dan√ßa. S√£o ministradas pr√°ticas de gin√°stica, circuito, alongamento, medita√ß√£o e ioga.

Os interessados devem enviar mensagem para o whatsApp do Sintufrj 96549-2330, que ser√° inclu√≠do na lista de transmiss√£o da entidade. N√£o pode esquecer de salvar o n√ļmero nos seus contatos.

Al√©m do link di√°rio para as atividades do Espa√ßo Sa√ļde, quem faz parte da lista de transmiss√£o do Sintufrj a cada momento √© atualizado com informa√ß√Ķes do interesse da categoria dos t√©cnico-administrativos

 

 

Queda no valor das entregas e fim dos bloqueios indevidos est√£o entre as principais reivindica√ß√Ķes. Consumidor pode ajudar boicotando os aplicativos

Matéria retirada do site Rede Brasil Atual.

Para barrar a sanha dos aplicativos que se alimentam da explora√ß√£o, entregadores prometem parar as atividades nas principais cidades do Brasil nesta quarta-feira (1¬ļ). A¬†greve¬†deve alcan√ßar outros pa√≠ses da Am√©rica Latina, como Argentina, Chile e M√©xico, j√° que as mesmas empresas est√£o presentes em diversos locais.

As principais reivindica√ß√Ķes s√£o o aumento do valor m√≠nimo das entregas e dos pagamentos recebidos por quil√īmetro rodado. Eles querem o fim dos bloqueios indevidos. Por outro lado, tamb√©m consideram injustos os sistemas de pontua√ß√£o das plataformas

Em meio √† pandemia, pedem ainda o custeio pelas empresas dos equipamentos de prote√ß√£o individual (EPIs) ‚Äď luva, m√°scara, √°lcool em gel ‚Äď e licen√ßa remunerada para os trabalhadores que foram contaminados. Al√©m disso, os entregadores reivindicam benef√≠cios, como vale-refei√ß√£o e seguro contra roubo, acidente e de vida.

Em S√£o Paulo, os entregadores marcaram pontos de encontro, √†s 9h, em cada zona da cidade, na regi√£o central, e tamb√©m em Barueri, Osasco, Embu das Artes e no ABC. Primeiramente, devem percorrer as respectivas regi√Ķes, buscando a ades√£o dos demais colegas. Na sequ√™ncia, se encontrar√£o √†s 14h, na Avenida Paulista, onde realizam uma manifesta√ß√£o.

Posteriormente, ainda na parte da tarde, os entregadores se dirigem at√© a Ponte Estaiada, na Marginal Pinheiros, zona sul da cidade. Al√©m de ‚Äúbrecar‚ÄĚ as entregas do jantar, eles querem que a TV Globo fa√ßa a cobertura da manifesta√ß√£o, no hor√°rio do jornal local.

Competição

Ifood, Rappi, James, Uber Eats, por exemplo, se definem como¬†empresas de tecnologia, sem v√≠nculos com os trabalhadores. Quando surgiram, as remunera√ß√Ķes satisfat√≥rias e a flexibilidade da jornada eram os principais atrativos. Contudo, com o aumento do desemprego e da informalidade, muitos encontraram o seu ganha p√£o nessa fun√ß√£o. Por outro lado, com maior oferta de m√£o de obra, a concorr√™ncia aumentou. Consequentemente, o valor pago aos entregadores caiu.

Pesquisa on-line realizada pela Rede de Estudos e Monitoramento da Reforma Trabalhista (Remir Trabalho), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mostra que 68,9% dos entregadores tiveram queda nos ganhos durante a pandemia. Antes, 17% diziam ganhar em torno de um salário mínimo (R$ 1.045). Agora, são 34%, um terço do total. Por outro lado, caiu para 26,7% a proporção dos que afirmavam ganhar acima de dois salários mínimos. Antes da pandemia, eram mais da metade (51%).

Insatisfeitos

A reportagem ouviu relatos de tr√™s entregadores para saber mais sobre as condi√ß√Ķes que levaram √† greve. As insatisfa√ß√Ķes n√£o s√£o recentes. Para al√©m da inexist√™ncia de direitos, eles reclamam que n√£o recebem qualquer tipo de apoio das plataformas. Agora, com o aumento dos riscos para a sa√ļde e a queda nos rendimentos, a situa√ß√£o se tornou¬†insustent√°vel.

‚ÄúMotoca‚ÄĚ

O entregador conhecido como Mineiro (preferiu n√£o se identificar para evitar eventuais puni√ß√Ķes) conta que eles se articulam por meio de grupos de WhatsApp. As conversas com vistas √† paralisa√ß√£o come√ßaram h√° cerca de um m√™s. Ele tem 30 anos, e trabalha h√° tr√™s como entregador de aplicativo. √Č morador do Parque Bristol, zona sul de S√£o Paulo, mas se desloca fazendo entregas por toda a regi√£o metropolitana.

Na sua percep√ß√£o, o n√ļmero de ‚Äúmotocas‚ÄĚ aumentou cerca de tr√™s vezes nos √ļltimos anos. ‚ÄúSe voc√™ parar num sem√°foro aqui, em S√£o Paulo, tem no m√≠nimo 20 motos naquela √°rea reservada. Dessas 20, 19 s√£o entregadores, entendeu?‚ÄĚ. Com o aumento da concorr√™ncia, o valor pago pelo quil√īmetro rodado caiu de cerca de R$ 1,5 para R$ 0,93. ‚ÄúEles est√£o de brincadeira com a nossa cara. A gasolina aumentou de novo. E a gente n√£o tem condi√ß√Ķes de ficar bancando.‚ÄĚ

Ele tamb√©m reclama dos bloqueios indevidos. ‚ÄúQuando voc√™ √© mandado embora de uma empresa, tem que ter uma justificativa. Mas n√£o, eles simplesmente te bloqueiam. Se a pessoa fica doente, eles te bloqueiam. Sofre um acidente, te bloqueiam. Se o cliente reclama, a gente n√£o tem defesa nenhuma, porque simplesmente n√£o tem como falar com os aplicativos.‚ÄĚ

Durante a pandemia, Mineiro diz que uma das empresas passou a oferecer m√°scaras e √°lcool em gel por apenas dois dias. Mesmo assim, s√≥ depois que cerca de 400 entregadores decidiram protestar. Sobre o aux√≠lio para os trabalhadores contaminados, ficou na promessa. ‚ÄúNunca foi repassado. At√© hoje, o √ļnico aux√≠lio que eles receberam foi um bloqueio na tela, sem justificativa.‚ÄĚ Por esses motivos, ele espera uma ades√£o √† paralisa√ß√£o de ‚Äúpelo menos 98%‚ÄĚ dos colegas.

Ex-empreendedor

Rafael Ferreira, de 33 anos, mora na regi√£o da Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro. Ele conta que come√ßou a fazer entregas quando era s√≥cio de um restaurante. Com o fim da sociedade, passou a se dedicar exclusivamente aos aplicativos. No in√≠cio, h√° cerca de dois anos, trabalhava ‚Äúno m√°ximo seis horas por dia‚ÄĚ, seis dias por semana. Era o suficiente para garantir o sustento da fam√≠lia.

‚ÄúAgora, s√≥ saio da rua quando bato a minha meta em dinheiro. Pode ser 9 horas da noite, 10, 11. Num dia bom, acabo mais cedo. N√£o √© uma coisa fixa. Mas, com certeza, √© preciso trabalhar bem mais hoje para sobreviver do que antigamente.‚ÄĚ

Rafael relata que trabalhava apenas com o Ifood. Hoje, est√° cadastrado em seis aplicativos de entrega. Em um deles, o Uber Eats, foi impedido de trabalhar. ‚ÄúN√£o me deram a menor justificativa. Simplesmente me bloquearam.‚ÄĚ

O pagamento inferior a R$ 1 por quil√īmetro rodado torna a fun√ß√£o praticamente invi√°vel, segundo Rafael. At√© porque as empresas n√£o pagam pelo deslocamento at√© a coleta do produto. Tamb√©m reclama da falta de infraestrutura para os entregadores, que n√£o contam com elementos b√°sicos, como banheiro e local para fazer as refei√ß√Ķes.

Ele lembra que s√£o empresas de entrega, mas que n√£o t√™m uma √ļnica motocicleta. ‚ÄúTomara que, no dia 1¬ļ, os entregadores consigam mostrar a sua for√ßa‚ÄĚ, afirma. Mas ele teme que muitos colegas ‚Äúfurem a greve‚ÄĚ para se beneficiar das melhores taxas oferecidas no dia.

Pedalando

Os jovens que fazem entregas com bicicletas recebem valores ainda menores. Adriano Negocek, de 23 anos, √© estudante de F√≠sica na Universidade Federal do Paran√° (UFPR). Morador de Almirante Tamandar√©, regi√£o metropolitana de Curitiba, ele pedala quase todos os dias cerca de 10 quil√īmetros at√© o centro da capital, na hora do almo√ßo. Come√ßou a trabalhar como entregador, no final de 2018, ap√≥s ser demitido de seu emprego anterior. Apostou na flexibilidade da jornada para poder conciliar o trabalho com os estudos.

Ele conta que tirava, em m√©dia, R$ 60 por dia. Agora, durante a pandemia, o rendimento di√°rio caiu para menos de R$ 20 reais. ‚ÄúO valor caiu muito, n√£o s√≥ por conta da pandemia. N√£o sei se √© menor o fluxo de pedidos, ou se √© pela concorr√™ncia que aumentou.‚ÄĚ Por conta das entregas, Adriano tamb√©m revela o receio de contaminar a sua m√£e, que √© do grupo de risco.

Ele almoça no restaurante universitário, mas sabe que a alimentação é um problema para a maioria dos seus colegas entregadores. Seja pelo preço cobrado pelos restaurantes na região central, onde é maior a demanda por entregas, seja pela falta de um local adequado para aqueles que levam marmita. Adriano também teme que alguns colegas entregadores não participem da greve, com medo de sofrerem bloqueios posteriores.

O consumidor e a greve

Os consumidores também podem ajudar a luta dos entregadores. Acima de tudo, eles solicitam que as pessoas não peçam comida pelos aplicativos neste dia. Se não puderem cozinhar, que se dirigm diretamente aos restaurantes. Além disso, pedem que os consumidores avaliem com a menor nota esses aplicativos, nas lojas virtuais. E deixando também comentários para denunciar a exploração dos trabalhadores.

 

 

 

O Diretor da Divis√£o M√©dica do Hospital Universit√°rio Clementino Fraga Filho, da UFRJ, infectologista Alberto Chebabo, informa que o HUCFF voltou a registrar na semana passada aumento de pacientes com suspeita ou com a covid-19, embora os n√ļmeros atuais n√£o se comparem ao volume de pacientes em maio.

“Foi a primeira semana em que n√£o houve queda, desde ent√£o (maio)”, disse o especialista, lembrando que o repique de casos ocorre exatamente h√° duas ou tr√™s semanas de in√≠cio do relaxamento do isolamento social. A ressalva √© de que os n√ļmeros de apenas uma unidade hospitalar (HUCFF) n√£o servem como indicador de uma tend√™ncia mais ampla.

Na avalia√ß√£o de Chebabo, a flexibiliza√ß√£o da pandemia no Rio ‚Äún√£o poderia estar ocorrendo da maneira como est√£o fazendo‚ÄĚ. Segundo ele, seria mais importante abrir servi√ßos essenciais do que bares e restaurantes. E, embora exista uma programa√ß√£o da Prefeitura, ele observa que est√£o adiantando etapas sem a medi√ß√£o (as testagens) correta.

Para o infectologista, n√£o faz sentido o retorno das aulas no dia 15 julho, se estamos no meio da epidemia e com novos casos aparecendo. “Agora n√£o tem mais nada com sentido‚ÄĚ, constata com pessimismo. A retomada do calend√°rio escolar precisa, segundo o Chebabo, ser acompanhada de um planejamento que inclua a altern√Ęncia dos estudantes em aulas para diminuir aglomera√ß√Ķes em √°reas comuns. O que ele acha dif√≠cil que tenha sido planejado.

Chebabo pondera que o fato de haver vagas nos hospitais n√£o significa que se possa expor as pessoas. ‚ÄúA doen√ßa continua existindo. Na realidade, n√£o √© que n√£o esteja na hora de algum tipo de libera√ß√£o, s√≥ que isso deve ser feito de forma controlada. N√£o tem porque liberar presen√ßa de p√ļblico em jogo de futebol”, adverte. A Prefeitura do Rio de Janeiro autorizou a volta do p√ļblico aos est√°dios de futebol a partir do dia 10 de julho.

Esse tipo de abertura, segundo o infectologista, tem consequ√™ncias que afetam os demais, porque provocam, por exemplo, o aumento do n√ļmero de pessoas nos transportes p√ļblicos.

Pandemia avança e o Brasil registra das 10% das mortes
‚ÄúA pandemia est√° longe de ter terminado.‚ÄĚ O alerta √© do diretor-geral da Organiza√ß√£o Mundial da Sa√ļde (OMS), Tedros Adhanom, que teme que o pior ainda esteja por vir. No domingo, 28 de junho, o n√ļmero de infectados ultrapassou 10 milh√Ķes e 500 mil morreram, segundo levantamento da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos.

 

Adhanom disse que entende que todos queiram continuar com suas vidas, mas a realidade √© que “isto (a pandemia) n√£o est√° nem perto de terminar”. Segundo ele, embora alguns pa√≠ses tenham feito algum progresso, a pandemia est√° acelerando, a maioria permanece suscet√≠vel e o v√≠rus tem muito espa√ßo para se movimentar.

Triste ranking brasileiro
Nestas tristes estat√≠sticas, o Brasil est√° em segundo lugar com 10% dos √≥bitos e com um presidente que reclamou de excesso de preocupa√ß√£o de governadores e prefeitos. Na Europa, na semana passada, houve aumento do n√ļmero de casos e pa√≠ses recuaram na flexibiliza√ß√£o do isolamento, como, por exemplo, Portugal em alguns bairros de Lisboa.

No Brasil, onde cerca de 90% dos munic√≠pios j√° foram atingidos pela pandemia, cidades tiveram que retroceder na flexibiliza√ß√£o para conter o aumento de casos. Se for um jogo de tentativa e erro, este jogo est√° custando vidas. Muita gente, infelizmente, n√£o segue as orienta√ß√Ķes de especialistas.

Antecipando fases
No Rio de Janeiro, j√° s√£o quase 10 mil mortes e 111.883 casos confirmados at√© segunda-feira, 29 de junho. Segundo a Secretaria de Estado de Sa√ļde (SES), nas 24 horas anteriores foram registrados 29 novos √≥bitos e 585 novos casos. Mas, alheio a esses n√ļmeros, o prefeito Marcelo Crivella se reuniu com os donos de escolas particulares para definir se o ano letivo ser√° retomado no dia 15 de julho.

No s√°bado, 27, a Prefeitura do Rio antecipou a reabertura do com√©rcio de rua na cidade (incluindo sal√Ķes de barbeiros), previsto para ser inclu√≠do somente na terceira fase da flexibiliza√ß√£o, no dia 2 de julho, deixando as ruas movimentadas.

Não é hora de voltar
Dezenas de entidades representativas de trabalhadores das √°reas de educa√ß√£o e sa√ļde e assist√™ncia social, entre elas CUT, Sintufrj, Adufrj e Sindicato dos M√©dicos, e o movimento estudantil, assinaram o manifesto Defender a vida na pandemia: porque n√£o √© hora de voltar, no qual afirmam que tomaram como base orienta√ß√Ķes da Organiza√ß√£o Mundial de Sa√ļde e pareceres da Fiocruz para apresentar um conjunto de condi√ß√Ķes de seguran√ßa essenciais, sem as quais n√£o ser√° poss√≠vel o retorno √†s atividades escolares presenciais na educa√ß√£o b√°sica.

O documento cobra o compromisso das prefeituras, do governo do estado e da Uni√£o de apresentar concretamente o valor dos investimentos que ser√£o feitos para a retomada da educa√ß√£o no p√≥s-pandemia e o atendimento de itens, tais como: fornecimento de produtos de higiene e limpeza, equipamentos de prote√ß√£o individual e coletiva, desinfec√ß√£o de materiais did√°ticos, redu√ß√£o do n√ļmero de estudantes por turma, reorganiza√ß√£o da estrutura f√≠sica das escolas, com amplia√ß√£o do n√ļmero de salas e espa√ßos com ventila√ß√£o, ambientes seguros para alimenta√ß√£o, condi√ß√Ķes sanit√°rias no deslocamento at√© a escola, retorno das aulas escalonado e testagem permanente do v√≠rus nos estudantes e trabalhadores.

Segundo a pesquisa da Datafolha divulgada semana passada, 76% dos brasileiros acreditam que as escolas deveriam continuar fechadas nos próximos dois meses por causa da pandemia.

 

 

 

Todos os profissionais que integram as unidades de sa√ļde da UFRJ (m√©dicos, enfermeiros, equipe administrativa, entre outros) est√£o convidados a participar da a√ß√£o solid√°ria “Cure o Mundo”. Com as suas vozes no coral virtual, levar√£o otimismo aos colegas da linha de frente do combate a Covid-19 em outros hospitais e tamb√©m aos pacientes virais e seus familiares.

A campanha “Cure o Mundo” √© fruto da parceria entre a Funda√ß√£o Nacional de Artes (Funarte) e a UFRJ, com curadoria da Escola de M√ļsica da UFRJ, e consiste na realiza√ß√£o de um v√≠do com a vers√£o em portugu√™s de Heal The World, de Michael Jackson. O coral ser√° composto de 50 cantores e os interessados devem se inscrever at√© o dia 2 de julho.

Providencias
Mais Informa√ß√Ķes pelo e-mail elaine@indc.ufrj.br At√© o dia 10 de julho, os v√≠deos devem ser enviados para serem editados. “Estamos solicitando a inscri√ß√£o de 50 pessoas que enviar√£o v√≠deos para serem editados e reunidos”, explica Elaine de Souza Barros, diretora administrativa do Instituto de Neurologia Deolindo Couto, que coordena a a√ß√£o.

A expectativa de Elaine √© ainda em julho concluir o v√≠deo da campanha ‚ÄúCure o Mundo‚ÄĚ.

Motivação
A ideia do coral virtual Elaine teve enquanto se recuperava da Covid-19, mas apoiada nas experi√™ncias que vivenciou enquanto estava envolvida com a√ß√Ķes junto ao Complexo Hospitalar da UFRJ durante a pandemia. Per√≠odo em que presenciou muitas situa√ß√Ķes adversas, tanto por parte de pacientes e seus familiares, como tamb√©m dos profissionais de sa√ļde. O passo segundo foi levar a inspira√ß√£o para √† Escola de M√ļsica, que prontamente a abra√ßou.

A proposta foi incorporada como projeto de extens√£o e a Escola de M√ļsica foi atr√°s de parceiros, conseguindo uma produtora para edi√ß√£o dos v√≠deos e t√©cnicos para realizar o trabalho. ‚ÄúConseguiram at√© apoio da Funarte. “Ser√° uma linda mensagem de amor e esperan√ßa dos hospitais da UFRJ para toda popula√ß√£o‚ÄĚ, define a iniciativa a sua autora.

 

 

Entidades exp√Ķem condi√ß√Ķes necess√°rios para o retorno com seguran√ßa das atividades escolares

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A√ß√£o acontecer√° na pr√≥xima quarta ( 1¬ļ) e trabalhadores solicitam que usu√°rios boicotem as empresas no dia

Matéria retirada do site Brasil de Fato.

Sem direito √† quarentena e sujeitos √† informalidade, os entregadores de aplicativos organizam uma¬†paralisa√ß√£o nacional¬†marcada para a pr√≥xima quarta-feira, dia 1¬ļ de julho. Os trabalhadores exigem melhores condi√ß√Ķes de trabalho e a suspens√£o de bloqueios arbitr√°rios realizados frequentemente pelas empresas como Rappi, Ifood, Loggi e UberEats.

Segundo explica um entregador que se identifica como Mineiro e √© um dos organizadores da greve,¬†para al√©m da interrup√ß√£o imediata dos bloqueios e desligamentos sem justificativas, tamb√©m est√£o na¬†lista de reivindica√ß√Ķes¬†uma taxa m√≠nima de R$2 por quil√īmetro percorrido.

‚ÄúAs outras reivindica√ß√Ķes s√£o um aux√≠lio-lanche porque nem todos os dias temos o que comer. Um aux√≠lio oficina e borracharia, que desconte do nosso pr√≥prio cart√£o em que recebemos. Nem todo dia temos dinheiro pra sair de casa. Tem vez que deixamos de comer para abastecer‚ÄĚ, declara o entregador da zona Sul de S√£o Paulo,¬†que h√° 3 anos atua com¬†aplicativos.

Medidas protetivas contra roubos e acidentes, assim como o pagamento adequado por quilometragem percorrida s√£o outras demandas apresentadas.

Uma estudo recente feito pela Rede de Estudos e Monitoramento da Reforma Trabalhista (Remir Trabalho) da Unicamp mostrou que a pandemia do coronavírus precarizou ainda mais o trabalho dos profissionais.

Com o aumento da demanda de entrega por delivery, eles passaram a trabalhar mais horas. Custos com equipamentos e materiais de prevenção à contaminação pela covid-19 também pesaram ainda mais no bolso dos trabalhadores informais.

Neste contexto, Mineiro comemora a estimativa de que 98% dos entregadores integrem a paralisação da próxima semana. Mas, ainda assim, ele ressalta que o apoio da população é essencial.

“
O pessoal tem que aderir porque ao n√£o fazer o pedido, eles nos ajudam. N√£o ter√° muito pedido no dia e os motoboy n√£o far√£o as entregas. Estamos pedindo o apoio de todo mundo. Nossa reivindica√ß√£o de sempre vai ser essa:¬†Mais respeito com os motoboys¬†e pedir aos usu√°rios dos apps que nos dias n√£o fa√ßam pedidos.‚ÄĚ

E os usu√°rios?

Por meio das redes sociais, os entregadores est√£o usando a¬†#ApoieoBrequedosApps¬†para orientar a popula√ß√£o sobre como se solidarizar ao movimento por condi√ß√Ķes mais dignas de trabalho. Confira as dicas dos motoboys:

1) Não peça comida pelos aplicativos

Os trabalhadores indicam que os usu√°rios aproveitem o dia de paralisa√ß√£o para cozinhar e priorizar a comida caseira. De acordo com eles, as empresas costumam liberar cupons de desconto nos dias de mobiliza√ß√Ķes, com o objetivo de enfraquec√™-las.

A campanha pede que no dia 1¬ļ de junho, as pessoas cozinhem sua pr√≥pria comida e compartilhem uma foto com a #ApoioBrequedosApps. Se for mesmo necess√°rio, a orienta√ß√£o √© que a refei√ß√£o seja comprada direto no restaurante escolhido.

 

2) Avalie os apps negativamente

A segunda forma de ajudar a mobilização é acessar as lojas de aplicativos do seu smartphone, como Google Play e Apple Store, e avaliar as apps das empresas de delivery com a menor nota possível. Os entregadores também sugerem postagem de comentários em apoio à paralisação nas lojas de apps para chamar atenção de outros usuários.

3) Ajude na divulgação

Os motoboys apontam que um outro modo essencial para ajudá-los é compartilhar materiais sobre a paralisação o máximo possível.

Solidariedade

Um motorista que trabalha com a Uber h√° quase um ano, e que preferiu n√£o se identificar por receio de retalia√ß√£o, presta apoio √† paralisa√ß√£o dos entregadores. Ele acredita que, mesmo em fun√ß√Ķes diferentes, a¬†precariza√ß√£o atinge a todos.

‚ÄúSomos categorias e servi√ßos diferentes, por√©m todos buscamos os mesmos objetivos.¬†Autonomia econ√īmica, garantia de seguran√ßa e sa√ļde. Voltar para casa bem. S√£o princ√≠pios e direitos fundamentais pra manter as coisas funcionando, inclusive no trabalho. E se os servi√ßos vinculados aos apps, todos eles, n√£o oferecem o m√≠nimo a quem trabalha neles, ent√£o devemos cobrar e √© nas ruas que isso precisa ser feito”, diz.

Para o motorista, é essencial que a sociedade se sensibilize com a paralisação e demonstre apoio em defesa de uma maior qualidade de vida dos trabalhadores de app.

‚ÄúN√£o acredito que algu√©m n√£o saiba o quanto est√° dif√≠cil para os mais pobres e os mais humildes. Se colocar na situa√ß√£o do outro n√£o √© dif√≠cil pra ningu√©m, est√° dif√≠cil pra todo mundo ainda mais nesse momento, no auge de uma pandemia. Ent√£o o apoio, e principalmente conhecer a causa do outro, √© fundamental”, defende.

 

COM A UNIVERSIDADE EM ISOLAMENTO SOCIAL, estudantes fazem exigências para o ensino remoto

Um Conselho Universit√°rio (Consuni) extraordin√°rio com pauta √ļnica ser√° agendado pela Reitoria para os pr√≥ximos dias para tratar exclusivamente do ensino remoto na UFRJ durante a pandemia do novo coronav√≠rus. Este foi o compromisso assumido pela reitora Denise Pires com a bancada estudantil, na sess√£o do Consuni desta quinta-feira, 25.

Durante a reuni√£o virtual do colegiado, os estudantes conselheiros leram a Carta √† Reitoria, na qual elencam cinco exig√™ncias que acreditam garantir√£o o acesso de todos os alunos da gradua√ß√£o da UFRJ ao ensino remoto emergencial, como inclus√£o digital, edital para aux√≠lio emergencial, entre outras a√ß√Ķes a serem promovidas pela assist√™ncia estudantil. Eles reivindicam que a reitora assine o documento.

Denise Pires afirmou que somente ap√≥s a leitura na √≠ntegra da carta — que os estudantes enviariam para o seu e-mail –, tomaria uma decis√£o. Mas, antecipou que n√£o havia nenhum posicionamento contr√°rio da Reitoria aos cinco itens listados no texto. Ela dir√° se assina ou n√£o o documento formulado pelo DCE M√°rio Prata e a bancada estudantil no Consuni na reuni√£o extraordin√°rio do √≥rg√£o para tratar sobre o tema ensino remoto.

Reivindica√ß√Ķes dos estudantes
‚ÄúTendo em vista a aprova√ß√£o da resolu√ß√£o pelo CEG que regulariza o ensino remoto na UFRJ para toda gradua√ß√£o, o DCE da UFRJ vem ao Consuni cobrar da magn√≠fica reitora, Denise Pires, bem com de toda sua equipe, o compromisso com a garantia de condi√ß√Ķes m√≠nimas para a implementa√ß√£o dessa modalidade de ensino. Vemos com muita preocupa√ß√£o um ponto em especial que, para todo o Movimento Estudantil, √© muito central: a assist√™ncia estudantil.

‚Äú …A UFRJ tem cumprido um papel fundamental na defesa do isolamento social e no enfrentamento √† Covid-19, atendendo pacientes contaminados em seu hospital, produzindo √°lcool em gel em grande escala e contribuindo com a pesquisa no combate ao v√≠rus. Essa mesma responsabilidade precisa guiar os rumos da decis√£o da nossa Universidade ao aderir as atividades remotas. Assim, acreditamos que as pol√≠ticas adotadas pela universidade n√£o podem ser formuladas e aplicadas de forma descolada da realidade de vida de sua comunidade acad√™mica. Em uma sociedade com tanta concentra√ß√£o de renda como a nossa, a entrada no ensino superior normalmente j√° acontece de forma desigual e, durante a pandemia, a ado√ß√£o emergencial das atividades remotas pode aprofundar essa desigualdade se n√£o for adotada de forma correta e com garantias justas. Por isso, a universidade precisa se preocupar centralmente com a perman√™ncia de seus estudantes pobres e trabalhar ao m√°ximo para diminuir as desigualdades acentuadas pelo momento que vivemos e para garantir o acesso de todos e todas √†s pol√≠ticas acad√™micas adotadas.

Nesse sentido, trazemos nessa carta de compromisso, para ser assinada pela magn√≠fica reitora Denise Pires, representando um compromisso de toda universidade, cinco exig√™ncias m√≠nimas relacionados ao acesso e ao campo da assist√™ncia estudantil que v√£o no sentido de garantir condi√ß√Ķes m√≠nimas para a aplica√ß√£o das aulas remotas a todos os estudante. A reitoria, portanto, se compromete com:
1. A oferta de aux√≠lios para inclus√£o digital de TODOS os estudantes que n√£o disp√Ķe desses recursos, sejam eles na forma de bolsas, chips de internet, modens e/ou aparelhos eletr√īnicos.
1.1. A adaptação dos aparelhos para estudantes PCDs de acordo com as suas necessidades.
1.2 Abertura de edital de bolsas para que alunos de Letras/Libras possam atuar como intérpretes nas turmas que apresentem essa demanda.
2. A abertura do edital de auxílio emergencial.
3. Que essas medidas sejam condicionantes para o início de qualquer aula e que esses auxílios possam ser cumulativos.
4. A orientação e sensibilização para que as aulas sejam gravadas.
5. A indica√ß√£o para que haja um esfor√ßo na oferta das disciplinas necess√°rias para a conclus√£o de curso pelos estudantes concluintes‚ÄĚ.

Resolução do CEG é respeitada
Uma das preocupa√ß√Ķes do DCE M√°rio Prata, segundo a dirigente Juliana e representante do segmento no Consuni, foi produzir um documento que ‚Äún√£o passasse por cima das discuss√Ķes do Conselho de Ensino de Gradua√ß√£o (CEG) para que n√£o houvesse o argumento de que a Reitoria n√£o assinaria por isso.‚ÄĚ Por essa raz√£o, acrescentou, ‚Äúa carta n√£o cont√©m todas as nossas demandas‚ÄĚ.

O documento inicia contemplando essa preocupa√ß√£o dos estudantes: ‚ÄúTendo em vista a aprova√ß√£o da resolu√ß√£o pelo CEG que regulariza o ensino remoto na UFRJ para toda gradua√ß√£o, o DCE da UFRJ vem ao Consuni cobrar da magn√≠fica reitora, Denise Pires, bem com de toda sua equipe, o compromisso com a garantia de condi√ß√Ķes m√≠nimas para a implementa√ß√£o dessa modalidade de ensino. Vemos com muita preocupa√ß√£o um ponto em especial que, para todo o Movimento Estudantil, √© muito central: a assist√™ncia estudantil.‚ÄĚ

 

N√£o √© nenhuma novidade para a comunidade universit√°ria as agruras pelas quais passam os trabalhadores terceirizados na UFRJ, que sequer t√™m os m√≠nimos direitos trabalhistas respeitados pelas empresas contratantes. Agora, em meio a pandemia viral e o consequente aumento do desemprego no pa√≠s, a Associa√ß√£o dos Trabalhadores Terceirizados da UFRJ (Attufrj) vem a p√ļblico denunciar demiss√Ķes de trabalhadores por persegui√ß√£o pol√≠tica. De acordo com a Attufrj, nos √ļltimos 15 dias, cinco trabalhadores da limpeza da empresa Ara√ļna ‚Äď prestadora de servi√ßo no campus da Praia Vermelha ‚Äď foram demitidos sem motivo. Um deles √© o diretor da entidade, Robson Carvalho, o Robinho, que trabalhava h√° 11 na universidade como servente de limpeza terceirizado.

A reitora Denise Pires prometeu providenciar a apura√ß√£o dos fatos durante a sess√£o do Conselho Universit√°rio de quinta-feira, 25, quando integrantes do colegiado repercutiram a den√ļncia da associa√ß√£o.¬† A expectativa da Attufrj √© que desta vez a UFRJ aja em favor dos terceirizados, porque a Pr√≥-Reitoria de Governan√ßa, segundo a entidade, diz que ‚Äún√£o √© responsabilidade dela‚ÄĚ, quando solicitada para intermediar di√°logo para evitar, por exemplo, demiss√Ķes em massa no bandej√£o conforme vem ocorrendo.

Perseguição

‚ÄúSou do grupo de risco, me colocaram de f√©rias e depois fiquei afastado por indica√ß√£o m√©dica. Ent√£o fui chamado pela empresa e informado que estava de aviso pr√©vio. N√£o h√° justificativa para isso. Os funcion√°rios da UFRJ encarregados de fiscalizar o nosso trabalho e os superintendentes das unidades onde trabalhei s√≥ t√™m elogios a me fazer‚ÄĚ, disse Robinho.

Segundo o terceirizado, h√° anos a encarregada da Ara√ļna o perseguia pela sua atua√ß√£o em defesa dos direitos de todos os terceirizados. Desde 2015 ele atual na linha de frente do movimento na UFRJ.

‚ÄúCom essas cinco demiss√Ķes, j√° passam de uma centena a quantidade de demitidos durante a pandemia. Mas esta √© a primeira vez que vemos demiss√Ķes acontecer por motivos pol√≠ticos. Antes, as empresas se utilizavam do argumento do corte de custos, de pessoal ou defici√™ncia de caixa para demitir. Agora, demitem por que os trabalhadores querem lutar‚ÄĚ, diz a nota p√ļblica da Attufrj.

‚Äú√Č not√≥rio que √© uma demiss√£o pol√≠tica, porque n√£o existe nenhuma reclama√ß√£o quanto ao trabalho do funcion√°rio Robinho. Pelo contr√°rio, s√≥ elogios. Mais estamos felizes porque nossa den√ļncia surtiu efeito. A reitora est√° pedindo para apurar o que aconteceu‚ÄĚ, afirmou a dirigente da Attufrj, Luciana Calixto.

Segundo a dirigente, foram feitas in√ļmeras den√ļncias contra a encarregada da Ara√ļna, que n√£o aceitava o trabalho de conscientiza√ß√£o que Robson fazia com os terceirizados em rela√ß√£o a seus direitos. A empresa demitiu o sindicalista mesmo contra a vontade dos chefes e administradores do contrato na UFRJ, disse Luciana.

‚ÄúO terceirizado tem o direito de reivindicar o m√≠nimo, que √© o pagamento do sal√°rio e dos benef√≠cios em dia. Aonde vamos parar? Tenho a sensa√ß√£o de que estamos voltando √† escravid√£o, quando era normal trabalhar sem direito a nada. Se reclamar, t√° na rua. Assim como foi com Robinho pode ser com qualquer um de n√≥s da associa√ß√£o. Fico indignada com isso, porque eu e Robinho j√° somos perseguidos h√° tempos. V√°rias vezes¬† quase fui demitida por trabalhar na luta. Infelizmente aconteceu agora com Robinho. N√≥s, terceirizados, estamos muito indignados e pedimos √†s entidades que abracem a nossa causa. Essa demiss√£o do Robinho √© muito injusta‚ÄĚ, reafirmou indignada a diretora da Attufrj.

Eficiência

Robson trabalhava como terceirizado em servi√ßos gerais na UFRJ desde 2009. Durante seis anos prestou servi√ßos no F√≥rum de Ci√™ncia e Cultura (FCC) e sua atua√ß√£o foi muito elogiada. Mas desde que passou a participar do movimento por direitos disse que as persegui√ß√Ķes come√ßaram.

‚ÄúA encarregada da Ara√ļna me tirou de l√° (do F√≥rum) sem motivo profissional algum‚ÄĚ, garante Robson. De l√°, ele foi para o Condom√≠nio de Salas na Praia Vermelha, onde novamente teve seu trabalho elogiado.

‚ÄúRobinho junto com o Alonso, outro terceirizado da Ara√ļna, sempre foi o nosso bra√ßo direito no FCC. Tiraram ele contra nossa vontade, o que resultou em descontentamento de todos no FCC e gerou muita briga e reuni√Ķes pedindo para ele voltar, sem resultado. Ele sem d√ļvida alguma √© um funcion√°rio diferenciado, que todos querem ter. Muito nos estranha esse atitude da Ara√ļna. S√≥ n√£o estranho mais pelo que j√° foi feito conosco quando tiraram ele do nosso setor, nos deixando super insatisfeitos‚ÄĚ, afirma Marcos Rodrigues dos Santos, administrador de edif√≠cio do FCC.

‚ÄúO ass√©dio moral √© fato conhecido at√© mesmo pelas inst√Ęncias superiores, como a Decania e a Reitoria. O que tenho a dizer sobre o Robson √© que ele √© um excelente profissional‚ÄĚ, atesta o administrador da sede do Condom√≠nio de Salas e fiscal do contrato de servi√ßos de limpeza da Praia Vermelha, Leonardo Fernandes da Rocha.

GRUPO de terceirizados em a√ß√£o nos corredores no Centro de Ci√™ncias da Sa√ļde