Faz um Faz um anoBolsonaro deu 69% para si mesmo e ministros (*)

Há exatamente um ano, neste mesmo mês de maio, o presidente Jair Bolsonaro e seus ministros passaram a receber salários com um aumento de até 69%. O aumento foi dado pelo próprio Bolsonaro por meio de uma portaria editada em abril de 2021 e, em maio, a diferença salarial já havia sido implantada. A mudança permitiu que o presidente, o vice-presidente, Hamilton Mourão, ministros e assessores passassem a receber acima do teto constitucional de R$ 39,2 mil. Na prática, o teto total para essas pessoas passou a ser de R$ 78.586,64 por mês.

Antes da medida, Bolsonaro recebia R$ 30,9 mil pela função de presidente e mais R$ 10,7 mil em outros benefícios. Mas o seu salário final tinha um corte de R$ 2.300 para que o teto fosse obedecido. Com a norma aplicada no ano passado, a remuneração bruta do presidente passou de R$ 39,3 mil para R$ 41,6 mil. Já o general da reserva, Hamilton Mourão, passou a receber R$ 63,5 mil, diferença de 62%. Entre os ministros militares, o maior salto no salário foi o do então chefe da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos. A sua remuneração passou a ser de R$ 66,4 mil, em uma alta de 69%.

Mas além do aumento salarial, Jair Bolsonaro coleciona regalias de um milionário. Apenas entre os últimos dias 1º de abril e 5 de maio, a conta do seu cartão corporativo foi de R$ 4,2 milhões.

E os servidores?

Enquanto isso, a massa dos servidores federais está há mais de cinco anos sem nenhum tipo de reposição salarial e o governo se nega a negociar com seus representantes. Desde janeiro de 2022 que os trabalhadores iniciaram a sua campanha salarial e passaram a reivindicar uma recomposição salarial emergencial de 19,99%, percentual referente apenas às perdas inflacionárias do período de três anos de governo Bolsonaro.

Integrantes da equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, receberam os representantes dos servidores em apenas dois momentos. Um deles para dizer que não teria reposição salarial e no outro para afirmar que não haveria negociação com os servidores.

*Sindsep-PE

 

 

 

Esta é a palavra de ordem da nova Agenda de Lutas da campanha salarial dos servidores públicos federais. O governo insiste em não negociar com os trabalhadores e segue com anúncios via mídia sobre a sua proposta de míseros 5% linear para todo o funcionalismo e ou propostas diferenciadas para categorias específicas, como a da Segurança, divulgando ainda que sua decisão deverá ser oficializada até o fim desse mês de maio.

Quinta-feira, 19, é Dia Nacional de Mobilização pelo Reajuste Salarial. Atos em defesa do Reajuste Já! serão realizados em todo o Brasil. Diante da falta de diálogo, os servidores seguem ampliando a pressão por negociações e uma reposição emergencial justa para todo o funcionalismo. Não dá para conviver com o aumento da inflação e do custo de vida, a falta de investimentos no setor público, o congelamento salarial de mais de cinco anos e o arrocho salarial com perdas de 19,99% em três anos impostos por esse governo.

Por isso, o Fonasefe (Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais), do qual a Fasubra nossa federação paz parte, joga peso para intensificar a mobilização pela abertura imediata de negociação salarial. A agenda está pegando fogo com ato nacional dia 19 de maio, reunião ampliada da educação federal dia 21 de maio e novo #OcupaBrasília dias 31de maio e 1º de junho.

A assembleia simultânea do Sintufrj em três campi (Fundão, Praia Vermelha e Macaé), nesta quarta-feira, 18 de maio, 14h, irá discutir nossa campanha salarial – Especial da Campanha Salarial está disponível no site – e a pauta interna de reivindicações da categoria. Para tanto diversas reuniões de base foram realizadas. Antecedendo a assembleia foi realizada nessa terça-feira, 18, reuniões na Faculdade de Letras, Centro Cirúrgico do HUCFF, CAP e Escola de Serviço Social.

 

Sem garantias

Um possível reajuste de 5% que seria a partir de 1º julho, é o que vem sendo veiculado, e caso isso se oficialize, o índice não superaria nem a inflação do ano de 2022 – que tem uma estimativa média de 7,65%. Muito menos a nossa perda acumulada destes últimos anos (19,99%). O prazo final para concessão de qualquer aumento de despesa com pessoal por força da legislação se encerra dia 4 de julho.

Mais nada está oficializado. Nos últimos dias, rumores voltaram a circular de que o governo Bolsonaro está debatendo a possibilidade de enviar ao Congresso Nacional propostas diferenciadas para categorias específicas “insatisfeitas”. A decisão, ainda segundo informações vindas da imprensa, seria divulgada por Bolsonaro até o dia 22 de maio “para ter segurança jurídica”.

A tática de Bolsonaro vem sendo a de empurrar a crise com o funcionalismo enquanto seu governo ganha tempo usando a mídia para testar a reação dos servidores a propostas que vão sendo ventiladas sem nenhum respaldo formal. Um “bônus” de R$ 400 nos tickets alimentação foi outra possibilidade jogada na mídia. Bolsonaro pode também não dar nada, mesmo precisando de votos para a eleição de outubro. Deste governo pode-se esperar tudo!

 

Mobilização cresce enquanto o governo se recusa em negociar

Os servidores do Banco Central chegaram a suspender a paralisação na tentativa do diálogo, mas o silêncio do governo permaneceu e no dia 3 de maio voltaram ao estado de greve por tempo indeterminado. Os companheiros do INSS e Ministério do Trabalho e Previdência também seguem em greve.

Na segunda-feira, 16, a categoria dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe) deflagou greve. O Comando Nacional de Greve foi instalado em Brasília e servidores do IFBA, do IFMG, do IFPE e do IF Sul-RS estão paralisando suas atividades, com greve deflagrada por aprovações em assembleias de base. Além das greves já iniciadas, diversas categorias estão participando das mobilizações pelo reajuste.

 

Reunião ampliada debaterá Greve Unificada da Educação

Entidades Nacionais da Educação – Fasubra Sindical, Andes-SN e Sinasefe – realizarão no dia 21, a partir das 14h, Reunião Ampliada Unificada da Educação. O objetivo é consolidar o chamamento da Greve da Educação de forma unificada e articular a construção de uma pauta de reivindicações da Educação Federal. O governo insiste em não negociar com as categorias e a mobilização será intensificada.

A reunião ocorrerá de modo híbrido, virtual pelo Zoom e presencial em Brasília-DF, no San Marco Hotel. Para acompanhar a reunião virtualmente, acesse o link no dia 21/5, a partir das 13h30min: https://us02web.zoom.us/j/83627390866?pwd=MmRzbUN6RXpoZURKWDFzZnY1aFBCdz09