Michel Temer mostra desapego √† verdade ao enumerar ‘conquistas’ das novas regras, dizem presidente da CUT e demais centrais em artigo publicado na Folha em que rebatem texto do ileg√≠timo

 Publicado: 12 Janeiro, 2022. Escrito por: Redação CUT

Foto: ROBERTO PARIZOTTI (SAPÃO)

Em artigo publicado na Folha de S. Paulo, o presidente da CUT, S√©rgio Nobre, e os presidentes das outras sete maiores centrais sindicais do pa√≠s ‚Äď veja lista abaixo ‚Äď rebateram com fortes argumentos e fatos texto publicado pelo ileg√≠timo Michel Temer (MDB-SP) defendendo a reforma trabalhista que acabou com mais de 100 itens da Consolida√ß√£o das Leis do Trabalho (CLT), legalizou o bico e condenou ao trabalho prec√°rio milh√Ķes de trabalhadores.

Confira a íntegra do artigo:

Reforma trabalhista retirou direitos e gerou desemprego

No artigo “Reforma trabalhista √© injustamente atacada” (9/1), publicado nesta Folha, Michel Temer afirma que “a campanha eleitoral n√£o pode pautar-se pelo desapego √† verdade”. Parece-nos contradit√≥ria essa preocupa√ß√£o com a verdade em um artigo recheado de mentiras.

Em primeiro lugar, n√£o √© verdade que o projeto da reforma trabalhista resultou de um “intenso di√°logo entre as for√ßas produtivas da na√ß√£o: empregados e empregadores”. As centrais sindicais propuseram ao ent√£o ministro do Trabalho que fosse criada uma mesa de di√°logo social tripartite para tratar da meia d√ļzia de propostas sobre negocia√ß√£o coletiva que o governo nos apresentava, o que, evidentemente, o governo n√£o criou. Conversa n√£o √© di√°logo social tripartite. Assim mesmo, fizemos propostas para o projeto que o Executivo encaminharia ao Congresso. Propostas que n√£o foram incorporadas.

O relator do projeto na C√Ęmara, deputado Rog√©rio Marinho (PSDB-RN), usou a iniciativa do governo para produzir o projeto da mais ampla mudan√ßa trabalhista e sindical da legisla√ß√£o laboral. Mais de tr√™s centenas de mudan√ßas, desconhecidas, foram aprovadas em poucos dias sem nenhum debate. A nova legisla√ß√£o traduziu na √≠ntegra as propostas patronais.

Por isso, em segundo lugar, √© uma grande mentira que nenhum direito trabalhista foi atingido. A reforma autorizou estender as jornadas e criou at√© contrato com jornada de zero hora sem sal√°rio (o intermitente); facilitou e incentivou a contrata√ß√£o com menos direitos; liberou o trabalho de mulheres gr√°vidas em ambientes considerados insalubres; desobrigou o pagamento do piso ou sal√°rio m√≠nimo na remunera√ß√£o por produ√ß√£o; autorizou a homologa√ß√£o sem a assist√™ncia sindical, sendo que a maior parte das a√ß√Ķes na Justi√ßa s√£o justamente questionando as verbas trabalhistas; eliminou a gratuidade da Justi√ßa do Trabalho e obrigou o trabalhador, no caso de perda da a√ß√£o, arcar com as custas do processo; determinou que acordos coletivos podem prevalecer sobre a legisla√ß√£o, determinou o fim da ultratividade das cl√°usulas de negocia√ß√Ķes coletivas; e alijou os sindicatos da prote√ß√£o dos trabalhadores, entre outras medidas nefastas.

Nada disso foi apresentado ou tratado com os representantes sindicais. Pelo contr√°rio: desde o advento da reforma, fazemos reiteradas den√ļncias contra ela. E n√£o fomos apenas n√≥s, sindicalistas, que nos indignamos com as descaradas distor√ß√Ķes da reforma. Ela tamb√©m foi, e continua sendo, muito criticada pelo Minist√©rio P√ļblico do Trabalho (MPT), pela Organiza√ß√£o Internacional do Trabalho (OIT) e por entidades de classe.

Em terceiro lugar, diferentemente do que afirma Michel Temer, desde o advento da reforma o Brasil vive em uma progressiva escalada de desemprego, de trabalhos precários e de falta de fiscalização, além de um assombroso rebaixamento da proteção laboral e social e aumento da miséria.

Durante os governos de Michel Temer (2016 a 2018) e de Jair Bolsonaro (desde 2019), as taxas de desemprego bateram recordes, atingindo 12,7% em 2017, 12,2% em 2018, 11,9% em 2019, 13,5% em 2020 e 12,6% em 2021, segundo o IBGE (em 2014, o √≠ndice era de 4,8%). No per√≠odo, o n√ļmero de trabalhadores sem emprego formal (informais, desempregados e desalentados), ou seja, desamparados do artigo 7¬į da Constitui√ß√£o Federal, saltou de 52,3 milh√Ķes de pessoas para 61,3 milh√Ķes de brasileiros. Culminando com o desequil√≠brio da Previd√™ncia, o que mais tarde foi utilizado para a aprova√ß√£o da reforma previdenci√°ria.

Em quarto lugar √© mentira que “promulgada a reforma trabalhista n√£o houve nenhuma greve de trabalhadores”. Logo ap√≥s a reforma, em 2018 o Dieese registrou 1.453 greves, sendo que 82% delas eram pela manuten√ß√£o e contra o descumprimento de direitos.

Em quinto lugar, soa at√© estranha a insist√™ncia de Temer em relacionar a reforma, que foi na verdade um golpe de destrui√ß√£o de direitos laborais, sociais e sindicais, √† ideia de moderniza√ß√£o. Isso √© um grande desapego √† verdade. Se a ideia fosse modernizar o pa√≠s, primeiro deveria ser resultado do di√°logo social tripartite que tratasse de uma agenda transparente e p√ļblica; segundo, fortalecer a negocia√ß√£o e suas institui√ß√Ķes e instrumentos; terceiro, valorizar os sindicatos como sujeitos coletivos de representa√ß√£o; e, quarto, ser uma mudan√ßa correlacionada com um projeto de desenvolvimento produtivo para gerar empregos de qualidade, crescimento dos sal√°rios, fortalecimento da demanda que sustenta o crescimento econ√īmico.

Por fim o ex-presidente deixa claro que n√£o entende o papel das entidades sindicais, quando ao final do seu artigo insinua que o trabalhador √© contra o empregador. Uma grande fal√°cia. A chamada “reforma trabalhista”, al√©m de tudo o que j√° foi dito pretendeu, por meio de um “jabuti”, enfraquecer a negocia√ß√£o coletiva atrav√©s da asfixia financeira das entidades sindicais, j√° que, ao criar a cortina de fuma√ßa da extin√ß√£o da contribui√ß√£o sindical, aprovou dezenas de preju√≠zos nas rela√ß√Ķes de trabalho.

Em 2022 queremos que o processo eleitoral debata projetos para o país, para uma nação soberana e que é capaz de enfrentar seus problemas e de superar desafios. Como centrais sindicais, apostamos na mobilização social, no diálogo social e na negociação tripartite para pactuar compromissos entre todos. Lutamos para que a construção do nosso futuro não se paute em golpes e mentiras.

Sérgio Nobre РPresidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores)

Miguel Torres РPresidente da Força Sindical

Ricardo Patah – Presidente da UGT (Uni√£o Geral dos Trabalhadores)

Adilson Ara√ļjo – Presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil)

Osvaldo Augusto de Barros – Presidente da NCST (Nova Central Sindical de Trabalhadores)

Antonio Neto – Presidente da CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros)

Edson Carneiro √ćndio – Secret√°rio-geral da Intersindical (Central da Classe Trabalhadora)

Jos√© Gozze – Presidente da P√ļblica, Central do Servidor

 

 

 

Pelo terceiro ano seguido Bolsonaro reajusta o salário mínimo sem aumento real. Valor de 2022 valor ficou ainda mais baixo do que a inflação

Publicado: 12 Janeiro, 2022. Escrito por: Gabriela Moncau, do Brasil de Fato

MARCELLO CASAL JR/AGÊNCIA BRASIL

Pelo terceiro ano seguido, o governo de Jair Bolsonaro (PL) reajustou o valor do sal√°rio m√≠nimo sem aumento real, apenas rep√īs o √≠ndice da infla√ß√£o anual acumulada, medida pelo √ćndice Nacional de Pre√ßos ao Consumidor.

O valor, que passou de R$ 1.100 para R$ 1.212, ficou, na verdade ainda mais baixo do que a inflação. O cálculo do governo, feito a partir de estimativas traçadas em dezembro, foi em cima de um índice menor do que o resultado oficial do INPC divulgado nesta terça-feira (11). Por causa disso, o reajuste do salário mínimo está, na verdade, 0,14 ponto percentual abaixo da inflação.

Isso porque, embora o reajuste nominal do mínimo tenha sido de 10,19%, contra uma inflação de 10,16%, conforme nota técnica do IBGE publicada quando o novo salário foi anunciado, este índice de reajuste incluía um valor residual que não havia sido reposto quando o mínimo tinha sido reajustado, no início de 2021. Para efetivamente repor a inflação, o valor para 2022 deveria ser de R$ 1.213,54.

Questionado sobre essa defasagem, o Minist√©rio da Economia afirmou ao Brasil de Fato que “h√° incerteza inerente √†s estima√ß√Ķes” e que essa corre√ß√£o vir√° apenas no reajuste do ano que vem. √Č a segunda vez consecutiva que isto ocorre.

Antes desses dois anos em que o aumento real foi exatamente 0%, em fevereiro de 2020 o governo reajustou a remuneração mínima com pífios 0,3% acima da inflação.  

E assim, em compara√ß√£o com os 35 pa√≠ses membros da Organiza√ß√£o para a Coopera√ß√£o e Desenvolvimento Econ√īmico (OCDE), o Brasil figura como o segundo pa√≠s com o menor sal√°rio m√≠nimo.¬†

O estudo divulgado pela plataforma CupomValido a partir de dados do OCDE e do World Bank sobre a remuneração de trabalhadores no mundo mostra que a Austrália é a que oferece o melhor salário mínimo e o México, o pior, com o Brasil vindo logo em seguida.

Política de desvalorização do salário mínimo

Desde que assumiu, Bolsonaro vem seguindo à risca o abandono da política de valorização real do salário mínimo, criada nos governos de Lula e Dilma Rousseff. 

Em setembro de 2020, o ministro da Economia, Paulo Guedes, cuja pol√≠tica econ√īmica fez engordar suas contas em para√≠so fiscal nas Ilhas Virgens – chegou a afirmar que √© preciso ter ‚Äúcuidado‚ÄĚ ao fazer esse tipo de ajuste, j√° que o aumento do sal√°rio m√≠nimo poderia condenar pessoas ao desemprego.¬†

Conforme explica a economista e doutora em Desenvolvimento Econ√īmico pela Unicamp, Juliane Furno, a ideia vocalizada por Guedes √© a de uma perspectiva liberal econ√īmica.

“Por exemplo, em per√≠odos de crise como o que a gente est√° vivendo, a exist√™ncia de um sal√°rio m√≠nimo seria um impeditivo para que mais pessoas adentrassem no mercado de trabalho, porque existem pessoas dispostas a trabalhar e a contratar, mas essas dispostas a contratar n√£o poderiam pagar o m√≠nimo, e as que est√£o dispostas a trabalhar se disporiam a trabalhar por menos que o m√≠nimo”, ilustra Furno.

Para a economista, no entanto, essa correla√ß√£o “√© um mito”: “No per√≠odo em que vigorou a pol√≠tica de valoriza√ß√£o do sal√°rio m√≠nimo o desemprego chegou em sua menor marca hist√≥rica. E a informalidade cedeu tamb√©m”.

O atual cen√°rio brasileiro, em que o sal√°rio m√≠nimo tem o poder de comprar apenas 1,73 cesta b√°sica, √© resultado de escolhas pol√≠ticas e econ√īmicas que se arrastam h√° anos.

Antes de Bolsonaro, o governo de Michel Temer (MDB) ‚Äď se somarmos os reajustes de janeiro de 2017, 2018 e tamb√©m de 2019 (j√° que este foi definido ainda na gest√£o do emedebista) – aumentou o sal√°rio m√≠nimo em 0,79% acima da infla√ß√£o.

Durante as gest√Ķes petistas que o antecederam, somando os governos de Dilma Rousseff e de Lula¬† (entre abril de 2003 e janeiro de 2016), o √≠ndice teve um aumento real de 59,21%.¬†

Evolução do aumento real (acima da inflação) do salário mínimo no Brasil ao longo dos anos / Dieese / IBGE

Essa política foi fruto de acordo firmado entre o Executivo e centrais sindicais, que realizaram uma campanha reivindicando aumento real do índice, com três marchas até Brasília em 2004. 

Como resultado se estabeleceu que, para al√©m da corre√ß√£o de acordo com a infla√ß√£o, o reajuste da remunera√ß√£o m√≠nima no pa√≠s teria anualmente um crescimento real. O seu c√°lculo levava em conta o PIB (Produto Interno Bruto) do pa√≠s e a antecipa√ß√£o da data-base (revis√£o salarial e das condi√ß√Ķes de trabalho fixadas em acordos, conven√ß√Ķes ou diss√≠dios coletivos).¬†

O modelo para calcular o reajuste do salário mínimo com essa valorização foi transformado em lei pela gestão de Rousseff, com vigência entre 2015 e 2018. Em seguida, foi abandonado. 

“Foi muito importante essa pol√≠tica de valoriza√ß√£o do sal√°rio”, avalia Furno, ao argumentar que entre 2003 e 2014 o ganho real na remunera√ß√£o m√≠nima foi de 74%. “Se levava em considera√ß√£o que, para al√©m de n√£o terem perda pelo processo inflacion√°rio, os trabalhadores – como s√£o quem produz a riqueza social – deveriam se beneficiar do ganho econ√īmico”, descreve.¬†

Na vis√£o de Furno, essa foi “a principal pol√≠tica social dos governos Lula e Dilma”, pois em sua opini√£o “reduziu n√£o s√≥ a desigualdade funcional da renda, mas tamb√©m as desigualdades de ra√ßa e g√™nero, j√° que a maioria dos trabalhadores que recebem sal√°rio m√≠nimo s√£o os mais pobres. E a pobreza no Brasil √© essencialmente negra e feminina”.

“O sal√°rio m√≠nimo √© tamb√©m o piso de refer√™ncia dos benef√≠cios da seguridade social, al√©m de ser um instrumento importante de regula√ß√£o macro-econ√īmica”, elenca Juliane Furno, ao destacar que o cen√°rio atual estaria ainda pior caso a pol√≠tica de valoriza√ß√£o do sal√°rio m√≠nimo n√£o tivesse existido. “Infelizmente est√° sendo desmontada”, aponta.

Atualmente, conforme mostra o Dieese, esse poder de compra que permite a um trabalhador que recebe R$1.212 por mês adquirir menos que duas cestas básicas é o menor da média entre 2008 e 2020.

* Com colaboração de Lucas Pará.

 

 

 

Pesquisa Quaest/Genial mostram também que 50% dos brasileiros reprovam o governo Bolsonaro

Publicado: 12 Janeiro, 2022 РEscrito por: Redação CUT

Imagem: LULA MARQUES

Para 55% dos brasileiros, o governo de Jair Bolsonaro (PL) está pior do que esperavam, revela a primeira pesquisa de 2022 realizada pela Quaest Consultoria e Pesquisa e paga pela Genial Investimentos, divulgada nesta quarta-feira (12).  

A pesquisa também mostra que 50% reprovam o governo Bolsonaro, mesmo percentual registrado em dezembro do ano passado, mas cinco pontos maior que o apontado em julho do ano passado.

Os que consideram a atual gestão como regular somam 25% em janeiro deste ano, contra 26% do levantamento realizado em dezembro, ficando dentro da margem de erro de dois pontos para mais ou para menos. Em julho de 2021, este índice era de 27%.

Em julho passado, os que consideravam o desempenho do governo como bom somavam 26%. Este índice caiu para 21% em dezembro e oscilou um ponto no levantamento atual.

Tamb√©m em julho do ano passado, o √≠ndice dos que consideravam que o governo estava “pior que o esperado” chegava a 48%. Outros 28% avaliam que a gest√£o ‚Äún√£o est√° melhor nem pior‚ÄĚ, contra 31% do levantamento anterior. Apenas 15% afirmaram que a situa√ß√£o ‚Äúest√° melhor‚ÄĚ, ante 19% da pesquisa de julho de 2021. Outros 2% n√£o souberam ou n√£o quiseram responder ao questionamento.

O levantamento foi realizado entre 6 e 9 de janeiro e ouviu 2.000 pessoas presencialmente. A pesquisa foi registrada nos sistemas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pode ser encontrada pelo n√ļmero de identifica√ß√£o: BR-00075/2022. A margem de erro √© de 2 pontos percentuais e o n√≠vel de confian√ßa √© de 95%.

Com informa√ß√Ķes do Brasil247

 

 

O ex-presidente segue na lideran√ßa na corrida pelo Pal√°cio do Planalto. No primeiro turno, ele tem quase o dobro das inten√ß√Ķes de voto de Bolsonaro

Publicado: 12 Janeiro, 2022 – Escrito por: Brasil247

FOTO: RICARDO STUCKERT

A primeira pesquisa de 2022, realizada pela Quaest Consultoria e Pesquisa e paga pela Genial Investimentos, mostra que o ex-presidente Lula (PT) mantém a liderança na corrida pelo Palácio do Planalto e tem chances de vencer o pleito já no primeiro turno.

Os dados da pesquisa estimulada mostram que o petista tem 45% das inten√ß√Ķes de voto, seguido de longe por Jair Bolsonaro (PL), que tem 23%. Na sequ√™ncia aparecem Sergio Moro (Podemos) com 9%, Ciro Gomes (PDT) com 5% e Jo√£o Doria (PSDB) com 3%.

No segundo turno contra Bolsonaro, Lula tem 54%, enquanto o atual chefe do governo federal tem apenas 30%.

Contra Moro, Lula tem 50% e o ex-juiz, declarado parcial pelo Supremo Tribunal Federal (STF), tem 30%.

O petista vence em todos os cen√°rios.

O levantamento foi realizado entre 6 e 9 de janeiro e ouviu 2.000 pessoas presencialmente. A pesquisa foi registrada nos sistemas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pode ser encontrada pelo n√ļmero de identifica√ß√£o: BR-00075/2022. A margem de erro √© de 2 pontos percentuais e o n√≠vel de confian√ßa √© de 95%.

 

 

 

 

Especialistas apontam que mudanças nos hábitos alimentares podem estar relacionadas ao aumento da obesidade

Anelize Moreira/11 de Janeiro de 2022 | Brasil de Fato

Idosos têm consumido mais ultraprocessados e alimentos de fácil preparo РAgência Brasil

A predomin√Ęncia √© de alimentos mais f√°ceis de serem consumidos e que exigem o m√≠nimo de preparo

Com o aumento da expectativa de vida no pa√≠s uma das preocupa√ß√Ķes √© o envelhecimento saud√°vel. Por√©m, √© preciso compreender a sa√ļde dessa popula√ß√£o de uma maneira integral que abrange desde as doen√ßas pr√©-existentes at√© a sua condi√ß√£o f√≠sica atual.¬†

O idoso não pode ser visto apenas como um adulto mais velho, porque há uma série de peculiaridades desta fase da vida que precisam ser levadas em conta, é o que explica Marcelle Saldanha, nutricionista especializada na terceira idade. 

Ela ressalta que um dos desafios s√£o os h√°bitos alimentares, porque apesar desse p√ļblico na pandemia n√£o ter aderido aos fast foods e as comidas prontas por delivery, ao longo √ļltimos anos houve uma piora na qualidade da alimenta√ß√£o com a inser√ß√£o de ultraprocessados e alimentos de f√°cil preparo.¬†

‚ÄúA predomin√Ęncia √© de alimentos mais f√°ceis de serem consumidos e que exigem o m√≠nimo de preparo. Ent√£o o macarr√£o instant√Ęneo, biscoito e p√£es √© muito presente na alimenta√ß√£o dos idosos e v√£o ficando de lado aqueles alimentos que exigem maior tempo de preparo. E a√≠ esbarra em uma s√©rie de quest√Ķes que podem influenciar. Seja porque eles t√™m mesmo dificuldade de permanecer em p√© por muito tempo lavando algum alimento, seja porque t√™m dificuldade de ir comprar alimentos frescos ou por quest√£o financeira.‚ÄĚ, ressalta Saldanha.

E os dados refletem essa piora nos hábitos dos idosos. De 2006 a 2019, houve crescimento nos índices de obesidade e sobrepeso entre os idosos brasileiros, segundo estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).  A pesquisa revelou que a prevalência de sobrepeso aumentou de 53% para 61,4%, e a prevalência de obesidade, de 16,1% para 23%. o que significa um crescimento de 2,8% ao ano.

O estudo foi conduzido por Laura Rodrigues, que utilizou dados do sistema de vigil√Ęncia de fatores de risco e prote√ß√£o para doen√ßas cr√īnicas por inqu√©rito telef√īnico, o Vigitel, coletados pelo Minist√©rio da Sa√ļde. Participaram mais de 200 mil indiv√≠duos com 60 anos ou mais, das 26 capitais e do distrito federal.¬†

¬†‚ÄúA pesquisa mostra que tanto sobrepeso quanto a obesidade aumentaram em todos os grupos. O crescimento tem sido superior entre homens entre idosos de 70 a 79 anos entre os idosos com 9 a 11 anos de escolaridade e entre aqueles residentes da regi√£o menos desenvolvida do pa√≠s‚ÄĚ.

A pesquisadora explica que apesar do estudo não identificar as causas desse crescimento da obesidade e do sobrepeso nessa população, outros estudos nacionais e internacionais evidenciam que essa elevação está associada ao consumo alimentar e a ausência de atividade física entre idosos. 

Rodrigues explica¬† que estudos como esse permitem analisar o cen√°rio nacional e s√£o capazes de subsidiar pol√≠ticas p√ļblicas.¬†

‚ÄúN√≥s temos que pensar na qualifica√ß√£o dos profissionais que atendem essa popula√ß√£o, sensibilizando esses profissionais a criar o h√°bito de investigar sobrepeso e a obesidade; o incentivo a pr√°tica de atividade f√≠sica e pol√≠ticas de incentivo √† alimenta√ß√£o adequada e saud√°vel; incentivo √† produ√ß√£o e a comercializa√ß√£o de alimentos in natura e minimamente processados, o acesso relacionado ao pre√ßo desses alimentos, para que possamos promover o envelhecimento saud√°vel.‚ÄĚ, conclui a pesquisadora.¬†

A obesidade nos idosos cresce e piora a mobilidade, autoestima e o risco do surgimento de outras doen√ßas cr√īnicas ou agravamento de doen√ßas cardiovasculares, diabetes e hipertens√£o. Segundo a nutricionista, um dos pilares para reduzir a obesidade entre idosos √© a reeduca√ß√£o alimentar .¬†

Saldanha dá três dicas para melhorar os hábitos alimentares nesta fase da vida.

‚ÄúA primeira dica √© procurar alimentos frescos como os alimentos in natura ou minimamente processados, eles s√£o indicados no Guia Alimentar para Popula√ß√£o Brasileira e servem como uma diretriz para alimenta√ß√£o saud√°vel. A segunda dica √© consumir menos a√ß√ļcar, que √© importante para prevenir a obesidade e outras doen√ßas relacionadas com o consumo de a√ß√ļcar e a terceira dica √© cozinhar mais em casa, porque quando a gente cozinha em casa tende a planejar as nossas refei√ß√Ķes‚ÄĚ, ressalta a especialista em nutri√ß√£o em idosos.¬†

Al√©m de alimentos in natura, a nutricionista recomenda alguns alimentos que podem ser priorizados na dieta dos idosos, como feij√Ķes, ovos, carnes e leite e derivados.¬†

A pesquisa da UFMG é a primeira no país a estabelecer uma tendência temporal de sobrepeso e obesidade em idosos com mais de dez anos de análise.

Edição: Douglas Matos

 

 

Um dos maiores pensadores da comunica√ß√£o do pa√≠s, ele diz que redes, que s√£o empresas, devem virar institui√ß√£o: ‚ÄėMas n√£o sei como isso vai se dar. Se soubesse, reivindicaria o cargo de CEO do Google‚Äô

FONTE: Por Ruan de Sousa Gabriel, do O Globo/12/01/2022. Site Geledés

O professor Muniz Sodre, um dos maiores pensadores da comunica√ß√£o do pa√≠s, autor de livros como “A sociedade incivil” e “Pensar nag√ī”, entre outros Foto: Ana Branco / Ag√™ncia O Globo

Poucas horas antes de conversar com o GLOBO, na √ļltima segunda-feira (10), Muniz Sodr√© treinou carat√™. Aos 80 anos, que completa nesta quarta (12), Muniz, um dos maiores pensadores da comunica√ß√£o do pa√≠s, n√£o descuida da sa√ļde. A boa forma f√≠sica ajudou a salv√°-lo da Covid-19. Entre maio e junho de 2020, ele atravessou 40 dias internado. Foi intubado duas vezes e passou pelo CTI. Recuperou-se e j√° est√° ‚Äútrivacinado‚ÄĚ.

Autor de uma vasta obra que vai do ensaio √† fic√ß√£o ‚ÄĒ com destaque para t√≠tulos como ‚ÄúMonop√≥lio da fala‚ÄĚ, ‚ÄúPensar nag√ī‚ÄĚ e as aventuras do detetive Tim√≥teo Sete, entre outros ‚ÄĒ, Muniz tamb√©m est√° em √≥tima forma intelectual. No ano passado, lan√ßou ‚ÄúSociedade incivil: m√≠dia, iliberalismo e finan√ßas‚ÄĚ, no qual afirma que os algoritmos, em alian√ßa com elites predat√≥rias, dilapidaram as institui√ß√Ķes democr√°ticas e vitimaram verdade factual, discernimento cr√≠tico, respeito √†s diferen√ßas e solidariedade. Professor em√©rito da UFRJ que se define como ‚Äúum nego moderno‚ÄĚ, Muniz diz que os terreiros de candombl√©, institui√ß√Ķes populares que resistem √† incivilidade, podem ensinar a negociar as diferen√ßas.

Como é fazer 80 anos depois de enfrentar uma infecção grave por coronavírus em 2020?

Fazer 80 anos √© celebrar a senectude. Minha vida √© uma travessia amorosa compartilhada com minha mulher, minhas filhas e meus netos. Sou baiano do candombl√© nag√ī, do terreiro Ax√© Ap√ī Afonj√°, em Salvador. Aprendi a ser resiliente, que √© aceitar o real como ele √© para transform√°-lo. O real que me cerca √© catastr√≥fico. Percebi que desconhecia a parcela do povo brasileiro que elegeu o atual governo. √Č uma parcela protofascista, etnocida, que sofre pra burro, mas pactua com os detentores de privil√©gios. √Č um choque muito grande. O Brasil se revelou para mim ainda mais brutal do que na ditadura militar. Depois do golpe de 1964, eu sentia que um elefante tinha sentado na minha cabe√ßa. Agora, a opress√£o militarista vem com coisa pior, que √© rebaixamento moral, √©tico e pol√≠tico da vida nacional. √Č escandaloso. Talvez devesse voltar a fazer psican√°lise, porque esse choque tem me abalado.

No livro recente ‚ÄúA sociedade incivil‚ÄĚ, o senhor aborda a degenera√ß√£o das institui√ß√Ķes democr√°ticas. O Brasil foi fundado na viol√™ncia. J√° tivemos sociedade civil aqui?

Curiosamente, tivemos um esbo√ßo de sociedade civil quando a viol√™ncia era maior. No Imp√©rio, quatro quintos da popula√ß√£o brasileira eram escravizados, mas pretos e pardos ascendiam socialmente. Parte da elite era negra e mulata. Francisco J√™ Acaiaba de Montezuma, um neg√£o baiano, foi diplomata na Inglaterra. Ningu√©m sabe disso, mas est√° no Google! Depois da aboli√ß√£o, o racismo constituiu uma forma escravista, vigente at√© hoje na sociedade brasileira, que passou a impedir que isso acontecesse. Depois da ditadura militar, a sociedade civil ainda tinha alguma for√ßa. As for√ßas pol√≠ticas se recompuseram e fizeram a Constitui√ß√£o de 1988, que √© de extrema import√Ęncia.

Quando come√ßou a degrada√ß√£o das institui√ß√Ķes?

Os partidos se desintegram e hoje s√≥ representam o interesse de fam√≠lias. Giram ao redor de si pr√≥prios e das verbas do fundo eleitoral. Isso est√° acontecendo no mundo todo. Nos anos 1920, Carl Schmidt, te√≥rico pol√≠tico alem√£o, j√° dizia que a democracia parlamentar estava condenada ao centro e √† corrup√ß√£o. O centro que temos hoje no Brasil come√ßou com Fernando Henrique Cardoso, que quebrou a espinha dorsal do movimento sindical ao derrotar a greve dos petroleiros, em 1995. E, como que por irradia√ß√£o, as demais institui√ß√Ķes se abalaram. Mas FHC ainda fez um governo c√≠vel. J√° a extrema-direita brasileira √© suicida. √Č um capitalismo de destrui√ß√£o, de aniquilamento dos recursos naturais e humanos. √Č preda√ß√£o de valores e de gente.

Alguma instituição brasileira ainda resiste?

As institui√ß√Ķes populares, como o carnaval, que eu defendo que n√£o aconte√ßa este ano, e os terreiros, s√£o fortalezas. A dire√ß√£o do carnaval tem bicheiro e matador? Tem, mas √© uma institui√ß√£o popular forte independentemente do Estado. Assim como a congada e o maracatu. Os cultos afro s√£o institui√ß√Ķes lit√ļrgicas e populares fort√≠ssimas, de onde n√£o sai nenhum maluco fundamentalista. E popular n√£o √© o contr√°rio de erudito, porque eu estou h√° 40 anos no candombl√© e ainda sou ne√≥fito. √Č a religi√£o mais p√≥s-moderna que existe. No meu terreiro, na Bahia, tem at√© padre e rabino. O candombl√© √© uma institui√ß√£o do povo, uma vacina.

E a imprensa, resiste?

Há dez anos, eu era cético em relação ao futuro da imprensa, achava que estava acabado. O impresso entrou em crise, mas o jornalismo talvez esteja mais forte do que nunca, alimentado pela crise. Talvez os próprios jornalistas não percebam isso, porque é muito difícil trabalhar em redação. A sociedade incivil se organiza para destruir o jornalismo por meio das redes, que não são instituição, são empresas. Embora eu acredite que as redes vão se institucionalizar, porque ou é isso ou o suicídio da sociedade. Mas não sei como essa institucionalização vai se dar. Se soubesse, reivindicaria o cargo de CEO do Google (risos).

Em que medida suas pesquisas sobre comunicação, pelas quais é reconhecido na academia, e seu interesse pelas culturas afro-brasileiras convergem?

Isso vem da minha condi√ß√£o de negro de terreiro. Os nag√īs eram grandes negociadores. Negociar n√£o √© s√≥ com√©rcio, √© negociar as diferen√ßas. Z√© Limeira, cantador nordestino, um dos maiores versejadores do cordel, disse o seguinte: ‚ÄúEu sou um nego moderno / Foi n√£o foi, estou pensando‚Ķ‚ÄĚ S√£o versos de g√™nio! Eu sou um nego moderno. Sou m√ļltiplo de nascimento. Minha av√≥ paterna era nag√ī. A materna, cigana. Meu av√ī materno, ind√≠gena tupinamb√°. Eu n√£o acredito em fechamento disciplinar. A comunica√ß√£o √© ponte, √© uma disciplina que apaga fronteiras e negocia diferen√ßas.

A negocia√ß√£o das diferen√ßas pode ajudar a combater o ‚Äú√≥dio como forma social‚ÄĚ a que o senhor se refere em ‚ÄúA sociedade incivil‚ÄĚ?

Temos que come√ßar pelo reconhecimento da diversidade. O Brasil √© heterog√™neo: ind√≠gena, sertanejo, ribeirinho, suburbano. Mas n√£o √© s√≥ reconhecimento intelectual, √© aproxima√ß√£o. S√≥ isso combate os discursos de √≥dio que passaram a reger a sociedade. O √≥dio √© aprendido. Assim como o amor. O √ļnico sujeito que nasce amando √© o cachorro. N√≥s aprendemos a amar.

O senhor continua lutando capoeira e caratê?

Capoeira j√° n√£o jogo h√° muito tempo, mas carat√™ eu treino duas vezes por semana on-line. Treinei hoje! Cheguei a voltar a treinar presencialmente, mas a√≠ vieram a √Ēmicron e a influenza‚Ķ Tamb√©m fa√ßo muscula√ß√£o. J√° sou coroa, tenho que manter a forma. Os m√©dicos acham que recuperei bem da Covid porque tenho boa forma f√≠sica.