Visando ampliar a capacidade do centro cultural, grupo artístico realiza campanha online para manter o espaço e garantir o funcionamento das atividades

FONTE: Por Laís Monteiro, enviado ao Portal Geledés 7/11/2021

Divulgação

O grupo artístico ‘Confraria do Impossível’ realiza campanha online com o objetivo de captar recursos para a manutenção do “Terreiro Contemporâneo”, situado na Lapa, no Centro do Rio de Janeiro. Fundado  pelo bailarino e coreógrafo Rubens Barbot e o coreógrafo e diretor Gatto Larsen, criadores da ‘Cia Rubens Barbot’, primeira companhia de dança negra contemporanêa do Brasi,l que conta com 25 anos de carreira, o centro cultural funciona visando acolher, lapidar  talentos negros por meio da arte e manter o legado negro na cidade.

Sem investimento público, diante da pandemia de Covid-19, o espaço, que já vinha carecendo de uma rede de solidariedade há alguns anos, passou a sofrer ainda mais os reflexos negativos com a paralisação temporária de suas atividades, quase fechando suas portas. Hoje, com o avanço da vacinação contra o vírus acontecendo, o quilombo urbano almeja ampliar sua área em prol de uma missão: visibilizar e transformar vidas de artistas negros.

Segundo o ator, diretor e produtor cultural, Jeff Fagundes, a campanha é de suma importância para manter o espaço de resistência negro aberto e garantir o legado da ‘Cia Rubens Barbot’. “Ela possibilita que a sociedade civil participe desse local, já que não se mantém mais espaços abertos através de ingressos diante do cenário pandêmico, então, conseguiríamos uma sustentabilidade para que o mesmo resista até poder voltar às suas atividades, realize sua reforma e a construção do Teatro Chica Xavier, o primeiro teatro negro do Rio de Janeiro”, explicou.

De acordo com Jeff, essa contribuição proporciona ainda a possibilidade da curadoria investir em obras teatrais e artísticas de grupos negros independentes do estado. Neste sentido, a campanha será mensal, funcionando de modo recorrente, onde a colaboração quita as despesas mensalmente de seu funcionamento. Já os trabalhos apresentados no ambiente, terão seus ingressos vendidos por preços sociais e alguns gratuitos.

Além da ‘Confraria do Impossível’, o quilombo contou com outros grupos teatrais como ‘Emú’, ‘Corpo Cruzado’, ‘Cia Rubens Barbot’, ‘Segunda Black’, dentre outros. Nesse, diversas peças de teatro e dança já foram realizadas. O espetáculo “Mercedes” do Grupo Emú,  por exemplo, sobre a primeira bailarina negra do Teatro Municipal do RJ; é o maior realizador do Cineclube Atlântico Negro; a Mostra 2ª Black; o espetáculo Esperança na Revolta (vencedor do Prêmio Shell por melhor direção).

Espaço de captação e produção de potências negras, no ano passado foi ganhador do Prêmio Shell na categoria Inovação, mostrando sua referência no estado no segmento da cultura do país. Para colaborar com o elo voluntário e fortalecer a reconstrução do centro cultural “Terreiro Contemporâneo”, basta acessar o link: https://benfeitoria.com/assineoterreiro

 

 

Organizações internacionais citam “indícios e denúncias de que as vítimas possam ter sido executadas extrajudicialmente”

Corpos recolhidos por moradores após operação policial no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo – Foto: reprodução

Entidades civis cobraram explicações do governo e do Ministério Público do Rio de Janeiro sobre os pelo menos oito corpos localizados em um manguezal no bairro das Palmeiras, no complexo do Salgueiro, em São Gonçalo (RJ), nesta segunda-feira (22).

Moradores da região e entidades suspeitam que ocorreu uma chacina durante uma operação do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar no final de semana, supostamente como vingança após um sargento ter sido morto enquanto patrulhava a área na manhã de sábado. Houve confronto e troca de tiros durante a operação.

A Comissão de Direitos Humanos da seção fluminense da Ordem dos Advogados do Brasil afirma que moradores relatam terem encontrado onze corpos. O portal G1 contabiliza nove corpos retirados do manguezal, dos quais oito já foram identificados. Moradores disseram a jornalistas que alguns deles apresentavam sinais de tortura.

A Polícia Militar comunicou a Polícia Civil sobre a operação somente na segunda-feira, no dia seguinte após ela ter terminado. Os corpos foram removidos do manguezal por moradores, o que modificou a cena do crime e pode dificultar a investigação.

Humans Right Watch: STF proibiu operações em favelas

A Human Rights Watch divulgou nota na qual destaca que muitas operações policiais que resultam em grande número de mortes no Rio de Janeiro ocorrem logo após o assassinato de membros da corporação, e que a ação ocorrida neste final de semana está “mal explicada e cheia de pontos de interrogação”.

A entidade questiona o motivo de a Polícia Civil ter chegado ao local apenas 15 horas após os tiroteios, e lembrou que uma decisão liminar do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, em vigor desde junho de 2020, determinou que as operações policiais no Rio de Janeiro só podem ser realizadas em caso de excepcionalidade. Na prática, porém, a polícia do Rio vem ignorando a determinação. Essa ação judicial, conhecida como ADPF das Favelas, começou a ser julgada pelo plenário do Supremo em 21 de maio, e sua análise pode ser retomada nesta semana.

O Ministério Público afirmou que recebeu uma comunicação da Polícia Militar sobre o início da operação no complexo do Salgueiro, e que instaurou um procedimento investigatório criminal para apurar o caso.

A Human Rights Watch insiste que a investigação sobre o caso deva ser conduzida pelo Ministério Público, em vez de pela Polícia Civil, e que a responsabilização sobre eventuais abusos é essencial “para coibir a violência policial, que tem consequências desastrosas para as comunidades do Rio, a segurança pública e a própria polícia”.

Anistia Internacional: indícios de execução extrajudicial

O escritório da Anistia Internacional no Brasil afirmou em nota que acionou o governo do estado do Rio de Janeiro, a secretaria de estado de Polícia Militar e o Ministério Público do Rio de Janeiro solicitando informações detalhadas sobre a operação, e que é “imperativo que a sociedade e os familiares das vítimas saibam a motivação legal da ação”.

“O Ministério Público, que tem a atribuição constitucional de exercer o controle externo da atividade policial, deve investigar com rigor, urgência e imparcialidade as circunstâncias que levaram às mortes das oito pessoas cujos corpos foram encontrados”, afirma a entidade.

A Anistia Internacional cita ainda “indícios e denúncias de que as vítimas possam ter sido executadas extrajudicialmente” e que o complexo do Salgueiro “é alvo sistemático de violência policial e graves violações de direitos humanos”, assim como outras comunidades periféricas no Rio de Janeiro. A entidade menciona que a chacina do Jacarezinho, que resultou na morte de 28 pessoas, ocorreu há seis meses e ainda não há responsáveis punidos.

“Operações policiais que terminam em mortes cujas circunstâncias indicam uso excessivo e desproporcional da força e conduta ilegal dos agentes de segurança pública são inaceitáveis e precisam ser esclarecidas à população e aos familiares das vítimas”, afirma a organização.

Federação das Associações de Favelas: Moradores temiam retaliação

A Federação das Associações de Favelas do Estado do Rio de Janeiro (Faferj) divulgou nota na qual relatou que, desde a morte do sargento da Polícia Militar na manhã de sábado, os moradores do complexo do Salgueiro “ficaram apreensivos, com medo de uma operação policial de retaliação, que apesar de ilegal, configura a forma de agir cotidiana das polícias no estado”.

A entidade participou de diligências na região da operação na segunda-feira, conduzida pela Defensoria Pública do Estado e por comissões da Assembleia Legislativa do Rio e representantes da Ordem dos Advogados do Brasil, e identificou “casas e comércios invadidos pela polícia”.

Segundo a federação, moradores relataram que alguns dos corpos tinham sinais de tortura e facadas.

A entidade também colheu relatos de que policiais invadiram uma casa de festas da comunidade no final de semana, onde realizaram um churrasco e tomaram bebidas alcoólicas que lá estavam, e deixaram na saída mensagens de “agradecimento” e desejando feliz Natal, “num misto de ilegalidade, ironia e sadismo”. Uma repórter do portal UOL foi ao local e confirmou as mensagens deixadas na casa.

 

 

 

Mobilização de estudantes e técnicos ocupou salão do colegiado sem uso há quase dois anos

A pressão do movimento contra a Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares) impediu que a sessão extraordinária do Conselho Universitário – convocada a toque de caixa pela reitoria – consumasse a autorização para abertura de negociações para adesão da UFRJ à empresa.

O pedido de vistas feito por alguns conselheiros do relatório de Walter Suemitsu, da Comissão de Desenvolvimento do Consuni,  acabou determinando o adiamento da votação do documento favorável à negociação com a Ebserh. A próxima sessão para discutir o tema ainda não tem data.

Anteriormente, a solicitação feita pelo conselheiro Roberto Gambini para que a reunião fosse suspensa e o assunto retornasse na quinta-feira, 2 de dezembro, com a apresentação de um relatório alternativo, havia sido rejeitada. 

Foi uma sessão tensionada pela convocação açodada feita pela reitora Denise Pires que pautou às pressas, em sessão extraordinária, a adesão à Ebserh. O impacto dessa convocação acabou estimulando a mobilização de vários setores que se opõe à entrega da rede de hospitais da UFRJ à empresa.

Ocupação

Desde o início da manhã, o salão do Conselho Universitário, vazio há quase dois anos, foi ocupado pelas bancadas de técnicos e estudantes como se a sessão fosse presencial. Foi de lá que eles participaram da sessão on-line do Consuni. Ao fundo, bandeiras, faixas e cartazes.

Joana de Angelis, dirigente do Sintufrj e da bancada dos técnicos, foi a primeira conselheira a se manifestar logo no início da sessão. Ela manifestou sua perplexidade diante da atitude da reitoria de pautar um assunto tão sensível para a comunidade universitária num momento tão atípico como o que estamos vivendo.

“Estamos discutindo as condições para o retorno presencial, enfrentando uma decisão judicial, num ambiente de pandemia e com a universidade sem recursos para a infraestrutura necessária para o funcionamento seguro”, observou. “Este não é o momento para se pautar a discussão da Ebserh”.

Gerly Micelli, coordenadora-geral do Sintufrj, a quem foi dada a palavra, lamentou o ambiente de divisão que o tema Ebserh trouxe para a universidade.

“Num momento tão difícil como esse, a universidade está dividida. Como investir na negociação com uma empresa, dirigida por um general bolsonarista de um governo que, claro, não merece nenhuma confiança?”, observou a dirigente, que defendeu a luta por mais verbas e investimento no Complexo Hospitalar.

A íntegra da sessão está disponível no perfil do Sintufrj no Facebook.

Confira as fotos de Renan Silva da mobilização dessa manhã e início da tarde:

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Isso sem contar os 73,2 milhões de informais, sem direitos trabalhistas

Publicado: 22 Novembro, 2021/ Escrito por: Redação CUT

Imagem: JOSÉ CRUZ/AGÊNCIA BRASIL

A taxa de desemprego no Brasil, de 13,2%, que atinge 13,7 milhões de trabalhadores e trabalhadoras, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é a quarta maior em uma lista que reúne as 44 principais economias do mundo, de acordo com estudo realizado pela agência de classificação de risco Austin Ratingm segundo reportagem publicada no UOL.

Se a pesquisa tivesse levado em consideração a precarização da mão de obra brasileira, o resultado teria sido ainda pior. O País tem hoje 73,2 milhões de trabalhadores sem direitos: 37 milhões são informais, 25,4 milhões trabalham por conta própria  10,8 milhões trabalham sem carteirta assinada.

Mesmo assim, o quadro traçado pela pesquisa da Austin Ratingm é tragico. O Brasil, diz a reportagem, supera em mais de duas vezes a média da mundial. A taxa de brasileiros sem trabalho é ainda a mais alta no grupo das 20 maiores economias do planeta.

E o economista da Austin Rating Alex Agostini diz que a situação do Brasil deve piorar se o país desacelerar o Produto Interno Bruto (PIB) ano que vem, ou mesmo entrar em recessão, como já preveem alguns bancos.

“O que gera emprego é crescimento econômico”, afirma o vice-presidente da CUT, Vagner Freitas, lembrando que desde o golpe de 2016 a economia brasileira anda para trás e, na gestão de Jair

Bolsonaro (ex-PSL), que só tem propostas para atacar direitos do trabalhadores, desandou.

“A economia do Brasil só vai voltar a crescer quando tiver aumento dos investimentos público e privado, e do consumo. E o que favorece isso é o aumento do crédito, do gasto público e dos salários, jamais o contrário, como está ocorrendo atualmente”, diz Vagner.

Sem investimentos em máquinas, ciência, tecnologia e educação o país não voltará a crescer, muito menos gerar emprego decente e renda. Estaremos sempre entre os primeiros colocados em taxa de desemprego.

– Vagner Freitas

Confira o ranking de desemprego no mundo, que levou em consideração dados de agosto:

1º – Costa Rica: 15,2%

2º – Espanha: 14,6%

3º – Grécia: 13,8%

4º – Brasil: 13,2%

5º – Colômbia: 12,7%

6º Turquia: 12,1%

7º – Itália: 9,3%

8º – Suécia: 8,8%

9º – Índia: 8,3%

10º – Chile: 8,2%

11º – França: 8%

12º – Zona do euro: 7,5%

13º – Finlândia: 7,2%

14º – Lituânia: 7,2%

15º – Canadá: 7,1%

16º – Letônia: 7,1%

17º – Eslováquia: 6,5%

18º – Irlanda: 6,5%

19º – Bélgica: 6,4%

20º- Portugal: 6,3%

21º – Indonésia: 6,3%

22º – Estônia: 6,0%

23º – Áustria: 5,9%

24º – Luxemburgo: 5,5%

25º – Islândia: 5,4%

26º – Estados Unidos: 5,2%

27º – China: 5,1%

28º – Israel: 5,0%

29º – Austrália: 4,5%

30º  – Dinamarca: 4,5%

31º – Reino Unido: 4,5%

32º – Rússia: 4,4%

33º – Hungria: 4,1%

34º – México: 4,1%

35º – Noruega: 4,0%

36º – Eslovênia: 3,9%

37º – Alemanha: 3,4%

38º – Polônia: 3,4%

39º- Holanda: 3,2%

40º – Coreia do Sul: 2,8%

41º – Japão: 2,8%

42º – República Tcheca: 2,8%

43º – Suíça: 2,7%

44º – Singapura: 2,6%

 

 

Fetamce orienta a categoria a aumentar a pressão nos senadores para que, finalmente, aprovem os pisos salariais de enfermeiros, técnicos, auxiliares de enfermagem e parteiras

Publicado: 22 Novembro, 2021. Escrito por: Redação CUT

Imagem: FETAMCE

Depois de sete meses na gaveta do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), o Projeto de Lei (PL) nº 2564/2020, conhecido como PL da Enfermagem, aprovado por mais de um milhão de pessoas que votaram na consulta pública da Casa, deve ser votado nesta quarta-feira (24), de acordo com informações do autor da proposta, senador Fabiano Contarato (Rede).

O texto original do PL da Enfermagem, que teve parecer favorável aprovado em abril pela relatora senadora Zenaide Maia (PRO-RN), previa piso salarial de R$ 7,3 mil mensais para enfermeiros, de R$ 5,1 mil para técnicos de enfermagem, e de R$ 3,6 mil para auxiliares de enfermagem e parteiras.

No caso dos enfermeiros, o valor estabelecido pelo projeto era para jornada de 30 horas semanais. Já em caso de jornadas superiores a 30 horas, o piso salarial nacional seria proporcional.

Para ir ao plenário, o projeto sofreu algumas “concessões”. O valor do piso para enfermeiros ficou em R$ 4,75 mil para carga horária de 40 ou 44 horas, conforme o contrato de trabalho. Portanto, quem faz carga horária de 30 horas receberá valor inferior ao piso. A remuneração para os técnicos ficou em R$ 3,29 mil ou seja, 70% do valor previsto para os enfermeiros. Já o salário dos auxiliares e parteiras, 50% do que será pago para os enfermeiros, totalizando R$ 2,35 mil.

Fetamce convoca a categoria pressionar senadores para aprovar PL da Enfermagem

Na avaliação da direção da Federação dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal do Estado do Ceará (Fetamce), são grandes as expectativas de que  o projeto seja aprovado nesta semana, mas mobiização da categoria deve ser ampliada. 

“É hora de sensibilizar os senadores pela aprovação desse projeto com as melhorias que lhe foram inseridas na discussão. Piso e jornada de 30 horas, já!”, afirma Enedina Soares, presidenta da Federação.

“Conversem com todos os líderes de partido, senadores de todos os estados e vamos à luta”, convocou a dirigente, que orientou os sindicatos filiados, assim como os trabalhadores e trabalhadoras da enfermagem a intensificarem a pressão nos senadores para que aprovem o PL da Enfermagem.

Imagem: CONFETAM

( Legenda): PL beneficia milhões de trabalhadores e seus dependentes

O Brasil tem 2,5 milhões de profissionais de enfermagem, a maioria atua nas Prefeituras como enfermeiros, auxiliares técnicos e parteiras. Do total, 89% são mulheres que têm dupla e tripla jornada, ou seja, mais de um emprego, além da jornada doméstica. 

Cerca de 2 milhões do total de trabalhadores da área são técnicos e auxiliares, que estão especialmente vulneráveis aos subsalários, como demonstram os dados da Pesquisa Perfil da Enfermagem no Brasil (FIOCRUZ, 2015). Quase metade dos profissionais (45%) recebiam salários abaixo de R$ 2 mil. Somente 4 em cada 100 recebiam mais de R$ 5 mil.

Apesar disso, a proposta foi travada pela pressão e lobby de setores contrários ao reconhecimento da categoria, que são os donos de hospitais e prefeitos. O próprio Pacheco agiu age contra a aprovação do projeto, atendendo aos interesses do setor privado e de prefeitos que argumentam falta de recursos para bancar o piso salarial proposto no PL.

Dinheiro tem, rebateram sindicalistas e senadores que apoiam a proposta.

Com informações da Fetamce

 

 

Procuradores reagem a notícia veiculada pelo Brasil 247, que denunciou a criminalização de organizações como o MST

Redação Brasil de Fato | São Paulo (SP) | 22 de Novembro/2021 

Presidente Jair Bolsonaro (sem partido) com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM): aliados em 2018, estão rompidos desde 2020 – Alan Santos/PR/Agência Brasil

Cinco procuradores do Ministério Público Federal (MPF) em Goiás reagiram, na última sexta-feira (19), à denúncia veiculada pelo portal Brasil 247 de que o governo Ronaldo Caiado (DEM-GO) teria montado uma “central de espionagem de movimentos sociais”, especialmente o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). 

Julio José Araujo Junior, Márcia Brandão Zollinger, Matheus de Andrade Bueno, Raphael Luis Pereira Bevilaqua e Sadi Flores Machado ressaltaram a gravidade da denúncia e encaminharam pedido para que Caiado e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se manifestem sobre o caso.

A reportagem do Brasil 247 cita o Despacho 595/2021-4º CRPM 06300, subscrito por Ênio José Carlos Hans, Comandante do 4º CRPM, na semana passada.

O documento pedia o mapeamento dos assentamentos e acampamentos inseridos na área da respectiva unidade, a identificação das lideranças locais desses movimentos e quantos vivem em cada área, além de levantar o histórico de invasões, conflitos, ou qualquer assunto de interesse da segurança pública na região.

Ao reagir a esse despacho, o MPF enfatizou “a necessidade urgente de esclarecimentos e da prevenção de medidas que possam acarretar a criminalização dos movimentos sociais que atuam na luta pela terra.”

Caiado e Bolsonaro foram aliados nas eleições de 2018, mas romperam relações há mais de um ano, no contexto da pandemia.

Apoiado por ruralistas, o governador de Goiás integrou a União Democrática Ruralista (UDR), fundada para coibir a atuação de organizações como o MST no final da ditadura militar (1964-1985).

O MST é o maior movimento social da América Latina e, durante a pandemia, se notabilizou pelas doações de mais de 5 mil toneladas de alimentos saudáveis e 1 milhão de marmitas nas periferias urbanas e rurais do país.

Edição: Leandro Melito

 

 

Em tempos de negacionismo e governo Bolsonaro, a série Incontáveis, produzida pela Comissão da Memória e Verdade da UFRJ, ganha importante dimensão. Dividida em seis partes, tematiza a violência da ditadura contra as mulheres, a população LGBTQIA+, a população negra e moradora de favelas, os povos indígenas, os estudantes e educadores e os trabalhadores do campo e da cidade. Cada episódio de até 15 minutos é narrado por uma pessoa que viveu os impactos da ditadura, representando os incontáveis sujeitos coletivos atingidos, mas nem sempre lembrados nas narrativas tradicionais.

“Oficialmente a Comissão Nacional da Verdade levantou 434 vítimas da ditadura, mas outras violações foram sofridas por sobreviventes no período, desde as prisões, as torturas, as demissões no trabalho, a censura, os projetos interrompidos. E setores específicos da população que sofreram violências coletivas que são difíceis individualizar”, declara o diretor da série, José Sergio Leite Lopes.

“Esse trabalho se torna mais premente nesse período em que o governo atual ganhou as eleições fazendo apologia da ditadura, da tortura, da disseminação de armas e da prática miliciana. Os seis episódios são todos precedidos de uma introdução comum que apresenta essa situação atual de negacionismo e faz a ponte para o que é tratado nos vídeos”, ressalta José Sergio.

“A expectativa da equipe é sair do lugar comum sobre a ditadura e fazer o enfrentamento no terreno onde as fakes news e o negacionismo têm ganhado mais espaço que são as redes sociais numa linguagem simples. Você pode mandar para o seu amigo que não entende nada de história, mas fica repetindo qualquer coisa que ouviu por aí. É oferecer um instrumento para que esse debate possa ganhar a esfera pública”, explica uma das roteiristas, Luciana Lombardo, historiadora e assessora da Comissão de Memória e Verdade da UFRJ.

Essa disputa, para Luciana, deve ultrapassar os muros da universidade.

“Os relatórios das comissões da verdade trouxeram novidades e importantes revisões do que tradicionalmente se falava da ditadura, mas foram pouco divulgados e não chegaram ao senso comum. Não saiu da universidade e estamos tentando fazer com que essas narrativas entrem na batalha das ideias”.

Segundo ela, o objetivo é falar dos muitos dos sujeitos coletivos atingidos pela ditadura, daqueles que não foram contabilizados nos relatórios das comissões da verdade e nem nas comissões de anistia e que são anônimos. “Embora tenham nome e sobrenome eles não são lembrados na história como personagens significativos. Então nosso objetivo era recuperar essas histórias não contadas dos sujeitos não contabilizados e mostrar que eles contam. O nome Incontáveis vem exatamente dos inumeráveis da violência da ditadura”, declara a historiadora.

Luciana cita como exemplo um dos episódios que marcou o regime que é a foto de Evandro Teixeira com os policiais agredindo um estudante. 

“Esse é um dos que não entraram na contagem das 434 vítimas oficialmente reconhecidas. Ninguém sabe o nome do estudante de medicina que tombou nessa passeata. Então fomos atrás de documentos. Essa é uma foto clichê que todos conhecem, mas poucos sabem que esse estudante morre ali com a cabeça na calçada e essa morte é dada como acidente. Quando está dada claramente a covardia policial. Essa queda do estudante é um dos motivos deles terem entrado no documentário como sujeitos atingidos pela ditadura, poque não temos os registros de todos que tiveram suas vidas destruídas pela ditadura na universidade”, explica.

Luciana revela também que a foto se tornou um caso emblemático de fake News. “Como as pessoas sabem pouco ou nada sobre a ditadura, muitos acreditam na montagem. A foto foi divulgada nos círculos bolsonaristas com o rosto do Lula como se fosse o estudante. Como muitos não conhecem a história, vão acreditar que foi o Lula”.

A série ficará disponível no canal YouTube do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ. São dois episódios por mês, sempre no horário das 14h. Em novembro, dia 9, a estreia foi o tema “Educação na ditadura” tendo como narradora a historiadora Dulce Pandolfi, torturada no DOI-Codi da Tijuca. No dia 16, o tema foi “Trabalhadores na ditadura, com narração de Jardel Leal, ex operário naval e estudante no Congresso de Ibiúna em 1968.

A direção é de José Sergio Leite Lopes, a edição de Rubens Takamine e o roteiro de cada episódio foi feito pelos pesquisadores Felipe Magaldi, Lucas Pedretti, Luciana Lombardo e Virna Plastino.

Em dezembro teremos:

Dia 7 – População negra e moradores de favelas na ditadura | Narração: Dom Filó

Dia 14 – População LGBTQIA+ na ditadura | Narração: Hércules Quintanilha

Em janeiro:

Dia 11 – Mulheres na ditadura | Narração: Lúcia Murat

Dia 25 – Povos indígenas na ditadura | Narração: Douglas Krenak

 

 

 

Fotos do 20N no Rio de Janeiro, em Madureira, no último sábado. Imagens capturadas pelo repórter fotográfico do Sintufrj, Renan Silva. FORA BOLSONARO RACISTA!

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Pretos e pardos foram os mais atingidos pela crise econômica

19/11/2021. Estadão conteúdo 

Imagem: Getty Images

Ao atingir em cheio o mercado de trabalho, a covid-19 afetou sobretudo as pessoas de pele preta e parda. Sob o choque da pandemia, 8,064 milhões de brasileiros deixaram de ter renda proveniente do mercado do trabalho em 2020, indicando que, na média do ano e já considerando as recolocações em meio à recuperação da economia no segundo semestre, esse contingente perdeu o emprego, incluindo formais e informais. Nesse grupo, 66% dos trabalhadores declaram ter a pele de cor preta ou parda.

Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) 2020 – Rendimento de todas as fontes, divulgada nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No total do mercado de trabalho, a queda no total de brasileiros que têm algum rendimento do trabalho foi de 8,7% na passagem de 2019 para 2020. Considerando apenas os trabalhadores de pele preta, o contingente com rendimento de algum trabalho tombou 16,8%, o dobro do total. Entre os trabalhadores de pele parda, a queda no número de pessoas com renda de algum trabalho foi de 9,0% em 2020 ante 2019.

Além disso, entre os trabalhadores que continuaram ocupados, em trabalhos formais ou informais, a discrepância de rendimentos entre brancos e pretos se manteve. O rendimento médio mensal de todos os trabalhos foi de R$ 2.447 em 2020, no agregado nacional. 

Só que os trabalhadores de pele preta receberam em média R$ 1.781 por mês, enquanto os trabalhadores de pele branca receberam em média R$ 3.166 por mês. É quase o dobro (1,8 vez a mais) da média dos pretos. Já os trabalhadores que declararam ter a pele parda receberam em média R$ 1.815 por mês.

Desde o início da série histórica da Pnad Contínua, em 2012, essa discrepância a mais no rendimento do trabalho das pessoas de pele branca se mantém no mesmo nível, praticamente inalterada entre 1,7 e 1,8 vez acima da renda das pessoas de pele preta e parda.