Em nota publicada nesta terça-feira, dia 1º, o Gabinete Emergencial de Crise da UFRJ – que é presidido pela reitora da universidade – recomenda a intensificação das restrições de circulação nos campi e a manutenção das demais atividades (ensino, pesquisa e extensão) de forma remota.

O endurecimento das medidas de distanciamento social resulta da nova onda de casos de Covid-19. A nota orienta, ainda, os membros da comunidade em atividades presenciais que evitem ao máximo transporte coletivo e realização imediata de testes no caso de algum sintoma de contágio.

As recomendações foram definidas não somente em função da situação epidemiológica no estado, “mas também a partir da análise da capacidade de resposta da instituição, em termos de recursos humanos e materiais”.

A falta de recursos restringe, por exemplo, a distribuição de equipamentos de proteção individual (os EPIs) e de álcool 70% às unidades assistenciais do Complexo Hospitalar, ao Restaurante Universitário e aos estudantes residentes no Alojamento Estudantil e na Vila Residencial.

 

 

O Instituto de Psiquiatria (Ipub) da UFRJ, referência para internação em saúde mental no município e no estado do Rio de Janeiro, terá quase a metade de sua capacidade reduzida sem os profissionais que foram contratados emergencialmente para a pandemia.

A direção já foi informada que a partir desta quarta-feira, 2 de dezembro, os 21 técnicos de enfermagem contratados nesta modalidade não estarão mais na unidade. A situação que redunda no fechamento de leitos está atingindo as unidades de saúde da UFRJ como o IPPMG e o HUCFF.

“Ficaríamos reduzidos a quase metade da nossa capacidade que é de 105 leitos no total. Teríamos que operar com até 60 leitos”, declara o diretor clínico, Leonardo Lessa. Ele explica ainda que os profissionais trabalham também em outros setores não específicos para Covid-19.

Leonardo Lessa chama atenção para a característica especial do paciente do no Ipub.
“Trata-se de clientela psiquiátrica, que não atende às exigências de isolamento e etiqueta social tal qual pacientes de outras especialidades. Até o presente momento entre funcionários e pacientes tivemos algo em torno de 80 casos confirmados”, informa Lessa.

O diretor clínico alerta que as emergências psiquiátricas estão a cada dia mais lotadas e no Ipub a redução de pessoal, aliado aos afastamentos, é um problema crônico nesta pandemia.

“O nosso efetivo está e continuará reduzido devido aos servidores em situação de risco, mas a demanda populacional para atendimento em saúde mental cresce a cada dia”, constata.

 

 

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No dia 30 de novembro, o semestre 2020.1 deveria ter iniciado como todos os períodos, caso os docentes e técnico-administrativos tivessem tido o tempo necessário para realizar suas ações pedagógicas e administrativas.

Os representantes da bancada dos técnicos, tanto no CEG quanto no CONSUNI, entenderam a necessidade de rediscutir um novo calendário acadêmico devido à suspensão das aulas desde o início da pandemia em março. No entanto, o momento atípico que vivemos não justifica açodamentos e atropelos.

O trabalho do docente e do técnico pedagógico não pode ser reduzido a meras práticas mecanicistas de preenchimento de tabelas e formulários sem análises e reflexão, em um tempo tão curto; o planejamento acadêmico do estudante torna-se simplesmente inviável se ele inicia as aulas sem saber quais disciplinas terá que cursar!

O Sintufrj reivindicou que a universidade levasse em consideração a opinião dos servidores ligados à administração acadêmica da universidade, tais como coordenações, secretarias acadêmicas e departamentos, que se posicionaram de forma contrária ao calendário que foi proposto pela PR1.

Em reunião no Consuni, o Sintufrj reforçou a necessidade de ampliação do recesso entre os semestres por conta da sobrecarga de tarefas para as secretarias acadêmicas e coordenações durante este período.

Preferindo seguir a lógica comparativa e burocrática do MEC, com seus prazos inaplicáveis, os conselhos aprovaram uma proposta que foge à realidade. O resultado é que vários cursos estão anunciando o adiamento do início do semestre, enquanto algumas disciplinas do semestre passado ainda não conseguiram fechar avaliações e notas.

É fundamental que as aulas possam começar na semana que vem sem prejuízos aos técnicos, estudantes e professores. As Secretarias dos cursos precisam finalizar seus trabalhos e é urgente garantir que os estudantes não tenham diminuição da quantidade de semanas do semestre letivo.

A realidade provou que o calendário apresentado pela PR-1 não tinha como dar certo. É necessário que aconteça uma discussão aprofundada sobre a organização e o calendário dos próximos períodos e que a posição dos TAEs e estudantes seja levada em consideração para que esses problemas não se repitam.

Sintufrj – Gestão Ressignificar

 

Presidente diz em redes sociais que não pode fazer nada se salário mínimo está baixo. Economista da Unicamp diz que nada o impede de retomar a política de valorização do mínimo do governo Lula

Matéria retirada do site da CUT. 

Em mais um desatino mostrando que nada entende de economia, o presidente da República, Jair Bolsonaro (ex-PSL), disse num vídeo em suas redes socais que reconhece que o salário mínimo está baixo (R$ 1.045,00), mas que nada pode fazer para resolver isso.

“Muita gente reclama: ‘Ah, o salário mínimo tá baixo’. Reconheço que tá baixo. Mas a gente não tem como aumentar”, disse Bolsonaro.

O presidente não faz nada para dar aumento real para o salário mínimo porque não quer, afirma a economista da Unicamp, Marilane Teixeira, rebatendo a declaração de Bolsonaro.

Segundo ela, não há nada que o impeça de encaminhar no orçamento de 2021 uma proposta de reajuste do salário mínimo, acima da inflação. Só depende de vontade política, como fez Lula, diz se referindo ao ex-presidente que implementou a Política de Valorização do Salário Mínimo, uma conquista da CUT e demais centrais, que Bolsonaro decidiu acabar, prejudicando aposentados, pensionistas e trabalhadores que ganham os mais baixos salários do país.

“A desculpa deste governo é a de sempre, de que o aumento do salário mínimo vai elevar os gastos com aposentadorias. O que ele quer na verdade é ter dinheiro para pagar o eleitoreiro programa renda cidadã e de alguma forma manter o auxílio emergencial”, diz a economista.

Impacto do salário mínimo nos rendimentos menores

Marilane critica ainda a obediência de Bolsonaro no campo econômico ao ministro da Economia, o banqueiro Paulo Guedes, que quer atender somente ao rentismo, mantendo uma política de austeridade fiscal, esquecendo que esse dinheiro, injetado direto na economia retorna para o governo em forma de receita tributária.

“Qualquer elevação do salário mínimo tem um impacto muito grande sobre os rendimentos menores, e as pessoas que ganham o mínimo gastam tudo consumindo alimentos, pagando contas. Do ponto de vista econômico tem um efeito muito importante”, afirma.

A técnica do Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Socioeconômicas (Dieese), Adriana Marcolino também discorda do presidente Bolsonaro. Para ela, o impacto do aumento do salário mínimo é positivo porque  vai ter mais dinheiro circulando, para o consumo das famílias.

“Do ponto de vista social, principalmente neste período de crise, agravada pela pandemia , uma renda mais condizente ajuda numa alimentação mais saudável, ajuda a pagar ,inclusive, tarifas de serviços públicos”, diz Adriana.

Ao olhar para o número friamente, como gasto, e não como valor que beneficia a população e ajuda a retomar a economia, Bolsonaro demonstra ter uma visão míope e limitada do que é finança pública e desenvolvimento econômico e social

– Adriana Marcolino

Na mesma “live’, na noite da última quinta-feira (26), Bolsonaro disse que “ o governo não suporta um aumento real”, se referindo ao efeito do reajuste do mínimo sobre outros benefícios pagos pela União.

De fato, o reajuste do salário mínimo se reflete nos pagamentos da aposentadoria, auxílio-doença, salário maternidade, pensões, Benefício de Prestação Continuada (BPC), abono salarial e os pisos salariais de diversas categorias profissionais que utilizam o salário mínimo como parâmetro para suas reivindicações em acordos coletivos de trabalho.

“O salário mínimo funciona como uma bússola de referência. Mesmo quem está na informalidade, ou por conta própria, avalia seus ganhos pelo valor do mínimo”, explica Marilane Teixeira.

Outro ponto, destaca a economista, é que 29% da força de trabalho ocupada no país (a partir de 14 anos, em idade de trabalhar, sejam formais ou informais), ganham um salário mínimo. Esse contingente é de 30 milhões de pessoas. Se somarmos o número de aposentados e pensionistas são 50 milhões de pessoas recebendo R$ 1.045. Por isso que cada real de reajuste impacta na diminuição da desigualdade salarial e social.

Bolsonaro quer dar R$ 22,00 de reajuste do salário mínimo 

O novo valor do salário mínimo foi encaminhado ao Congresso Nacional, no final de agosto deste ano. A princípio o governo estimou seu valor em R$ 1.067,00 (+ R$ 22,00). Mas, com a inflação batendo acima de 4%, a expectativa é que ele suba para R$ 1.088,00. A legislação permite ajustes no índice que deve ser analisado e votado ainda este ano pelo Congresso, bem como toda a peça orçamentária de 2021,a partir do índice da inflação.

O salário mínimo de 2021, se aplicada a política de valorização do governo Lula, seria reajustado em mais 1% tendo em vista que o PIB do ano passado foi pouco acima disso. Mesmo assim seriam R$ 10,45 a mais. Ou seja, o índice da inflação somado ao crescimento do PIB, valorizaria o salário mínimo, de 2021, em pelo menos R$ 53,45.

“Isto significa comprar mais litros de leite, mais quilos de arroz e feijão. Mas este governo só pensa em arrochar e ampliar as condições de pobreza e  estimular a concentração de renda,  porque este dinheiro está indo para o rentismo, que está no topo da cadeia”, conclui Marilane.

 

 

Nova onda de Covid-19 foi constatada pelos cientistas que atuam no Centro de Testagem e Diagnóstico (CTD) da UFRJ. Instalado no bloco N do Centro de Ciências da Saúde (CCS), houve aumento da demanda e dos resultados positivos dos testes realizados. Diante da possibilidade de agravamento desse quadro, os pesquisadores do CTD recomendam recomendam a redução das atividades presenciais na UFRJ.

LEIA: UFRJ alerta sobre ondas da pandemia de COVID-19 se sobrepondo

A informação sobre o recrudescimento da propagação do novo coronavírus foi levada ao Grupo de Trabalho Pós-Pandemia da universidade na última semana pela chefe do Departamento de Doenças Infecciosas da Faculdade de Medicina e integrante do GT-Coronavírus da UFRJ, Terezinha Marta Castiñeiras.

Segundo a infectologista, no CTD Covid-19 da UFRJ, após período de relativa estabilidade que marcou os meses de julho, agosto e setembro, os pesquisadores observaram um aumento do atendimento a partir de meados de outubro. “Nas várias semanas esta demanda de testagem aumentou substancialmente, assim como a positividade dos testes realizados (37% contra 15% a 20% nos meses anteriores)”, disse.

Previsão é de piora. Veja as recomendações:  

Terezinha faz um alerta: “É necessário considerar a possibilidade de piora nas próximas semanas com a proximidade das festas de final de ano, que representam potencial de aglomeração explosivo ao qual se acrescenta a desmobilização geral, o descompromisso e a falta de recursos”.

Os pesquisadores do CTD recomendam a redução das atividades presenciais na universidade indicando que devem ser limitadas, rigorosamente, àquelas consideradas assistenciais de enfrentamento da pandemia, com algumas atividades adicionais de suporte e estágios de conclusão de curso, mesmo assim se as tarefas estiverem inseridas no combate à Covid-19.

Os pesquisadores também recomendam que a UFRJ retome efetivamente a dianteira no aconselhamento aos gestores externos (município/estado), visando maior impacto nas medidas de contenção da epidemia no âmbito coletivo.

Enquanto as autoridades não agem, cabe a cada um redobrar a atenção com os cuidados: máscaras, higiene das mãos, distanciamento. Há quem recomende o uso de duas máscaras em lugares como bancos ou supermercados.

GT indica ações emergenciais

Com o recrudescimento da pandemia no Rio de Janeiro e com as informações debatidas no GT-Pós-Pandemia, o GT-Multidisciplinar para Enfrentamento da Coivd-19 (GT-Coronavírus) reuniu-se na segunda-feira, dia 30 de novembro, e emitiu uma nota que deverá ser publicada nas próximas horas no site da UFRJ.

Segundo o coordenador do GT Multidisciplinar para Enfrentamento da Covid-19, Roberto Medronho, os dados do Centro de Testagem e Diagnóstico corroboram com o que se vê no município e nas várias regiões do estado: uma elevação sustentada no número de casos (o que significa que não é uma mera flutuação), e que ao longo das semanas vem acontecendo, cujos resultados já impactam os serviços de saúde.

O infectologista citou dados divulgados um dia antes pela Prefeitura: 93,5% dos leitos de UTI estão ocupados. “Esse número quer dizer que praticamente não há leitos disponíveis, e os leitos para internação hospitalar no município do Rio de Janeiro atingiram 100% de ocupação. Os pacientes estão nas Upas (unidades de pronto atendimento) sem poder ir para o hospital”, disse. Medronho também chamou a atenção para o aumento de casos de óbitos domiciliares por doenças como câncer, entre outras, que necessariamente não aconteceriam, mas estão ocorrendo em pessoas que tiveram a Covid-19.

O médico e pesquisador está preocupado com o possível colapso da rede hospitalar municipal, estadual e federal, e por isso alerta os governos para a necessidade de ações imediatas, como ampla testagem e campanhas, abertura de leitos, contratação de pessoal, suspensão de eventos presenciais, fechamento de praias, e que considerem até a possibilidade de lockdown, caso a situação se mantenha ou se agrave.

Covidímetro

De acordo com os números do Covidímetro (ferramenta desenvolvida por pesquisadores da UFRJ que mostra o índice de contágio no estado), a taxa está estacionada há algum tempo, mas segundo Medronho isso na verdade pode significar perspectiva de elevação. Dados mais recentes devem ser lançados na terça-feira, 1º de dezembro.

Esta frase marcou a cerimônia de lançamento da Liga Acadêmica de Enfermagem em Saúde da População Negra (Laespne) da UFRJ, e seu autor foi o professor Richarlls Martins, do Núcleo de Estudos de Políticas Públicas em Direitos Humanos (NEPP-DH/UFRJ), na sexta-feira, 27 de novembro, com transmissão pelo canal da Liga no YouTube.

“Dentro de uma sociedade racista, tornar-se negro é um ato de coragem. Amar a cor da sua pele, a textura do seu cabelo, o tamanho da sua boca, o nariz é uma cura, e celebra a ancestralidade. Nessa perspectiva, a Laespne/UFRJ não é apenas uma Liga Acadêmica, ela é fruto de um aquilombamento com atividades afrorreferenciadas que visam propagar de forma integral a saúde da população negra. E ser uma mulher negra e favelada, e a primeira da família a cursar uma universidade, abala as estruturas da sociedade”, pontuou a vice-presidente da Liga, Renata Laurindo.

A importância da criação da Liga foi destacada também pela sua presidenta, Giselle Natalina, e pelas professoras orientadoras Cecília Izidoro e Maria Soledade Simeão.

Conhecer a realidade

 para mudá-la

O evento debateu três temáticas importantes para a população afro- brasileira: “Racismo como Determinante Social em Saúde”, com a assistente social do Inca, Eliane Assis; “A Política de Saúde da População Negra”, com a enfermeira de Estratégias de Saúde da Família da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Débora Carvalho, e “A Saúde da População Negra como Direito Humano”, com o professor Richarlls Martins.

“Uma fábula que nos foi contada é a que somos todos iguais, calcada na ideia de democracia racial que não existe. O racismo é parte da estrutura social. Ele existe e está aí. O racismo é o componente ideológico do capitalismo, que precisa dele para sobreviver”, afirmou Eliane Assis. “Não se pode pensar em desenvolver os cuidados em saúde isento desta realidade racista existente na nossa sociedade”, acrescentou.

A enfermeira Débora Carvalho fez um relato sobre o que existe em termos de políticas de saúde para a população negra no país como consequência das lutas dos movimentos negros, mas que na prática precisam do envolvimento dos profissionais de saúde.

“Ao traçar o perfil da população negra, eu consigo estabelecer um plano de cuidados de qualidade que vai se adequar às necessidades desses cidadãos. É assim que tem que se estruturar o cuidado do enfermeiro. Os negros estão em todo o lugar, e eu preciso saber quem são eles. Quando a gente entende e conhece essa população, começamos a entender a importância da implantação dessa política e a entender nosso compromisso enquanto enfermeiro para sua implantação. É o nosso compromisso e a nossa missão implantar essa política e fazer a diferença na vida do nosso povo”, disse Débora.

“De acordo com a Síntese do IBGE, podemos reafirmar quem é a população pobre no Brasil. A pobreza no Brasil tem cor, e ela é hegemonicamente negra”, afirmou o professor Richarlls Martins, que apresentou números: “Do total de pessoas pobres no Brasil, 73% são pessoas negras, sendo 38% mulheres pretas e pardas e 35% homens pretos e pardos. Na extrema pobreza, é ainda maior a população negra. Os últimos dados oficiais do governo brasileiro indicam: 77% extremamente pobres no Brasil são negros; destes, 40% são mulheres negras e 37% homens negros.”

Richarlls sustenta que a pobreza no Brasil é um componente racial, o que demanda desafios: “Isso nos coloca um enorme desafio: que é o de pensar efetivamente quais são as estratégias enquanto sujeitos que estamos nesse lugar de produção do saber, de disputa acadêmica para o enfrentamento do racismo e a promoção da igualdade racial num contexto altamente racializado como o brasileiro”.

Para ele, iniciativas como a Liga têm um “papel central de possibilitar um movimento disruptivo de disputa”. E finaliza sua apresentação citando desafios colocados para a Liga Acadêmica de Enfermagem em Saúde da População Negra/UFRJ, como despertar na categoria de enfermeiros da universidade a discussão racial que os leve a realizar uma missão social externa, que é auxiliar na defesa dos postulados no campo da saúde da população negra e na defesa e implantação de uma Política Nacional de Saúde da População Negra.

Intensificar a luta contra a reforma administrativa proposta pelo governo federal, que reduz o tamanho do Estado brasileiro e acaba com os serviços públicos e os servidores, e retomar a mobilização contra a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) que voltou à pauta da UFRJ, em nível local e nacional, foram as duas principais resoluções contidas no Plano de Lutas aprovado pela categoria, na assembleia desta segunda-feira, 30 de novembro, após o debate sobre a conjuntura.

O Plano de Lutas também será levado à plenária nacional da Fasubra, que ocorrerá nos dias 12 e 13 de dezembro, pelos sete delegados eleitos na assembleia. Outra deliberação da categoria foi em relação à proposta da direção sindical de encerrar 2020 homenageando com um culto ecumênico os colegas de trabalho que faleceram durante o ano e de reverter o que seria gasto com a live artístico-cultural em investimentos nas lutas aprovadas pela categoria e também em auxílio às famílias dos sindicalizados que perderam a vida com a Covid-19.

Plano de Lutas na íntegra

A DEFESA dos hospitais universitários públicos e contra a adesão à Ebserh

O fantasma da Ebserh ronda a UFRJ. Em função disso, é fundamental que os trabalhadores e trabalhadoras se organizem e que o Sintufrj e a Fasubra encaminhem:

1) A realização de um forte movimento unificado da UFRJ para barrar a Ebserh, organizando a luta através do Fórum de Mobilização e Ação Solidária (Formas), composto pelas entidades representativas dos trabalhadores e estudantes da UFRJ – Sintufrj, Adufrj, DCE Mário Prata, Associação dos Pós-Graduandos (APG) e Associação dos Trabalhadores Terceirizados da UFRJ (Attufrj).

2) A realização de uma campanha utilizando todas as formas de divulgação dessa luta (notas, vídeos, panfletos, faixas, entre outros meios).

3) Que essa luta seja organizada interna e externamente (aproveitando os fóruns de servidores contra a reforma administrativa, manifestações dos diversos movimentos sociais e campanhas das federações e centrais sindicais).

4) Que o Sintufrj leve à plenária da Fasubra a necessidade de realização de uma campanha nacional contra a Ebserh e a unidade com os fóruns nacionais e estaduais contra a privatização da saúde.

5) Que seja feito aos parlamentares do Rio e de outros estados um pedido de audiência pública para tratar da questão da Ebserh.

6) Buscar apoio para essa pauta durante o encontro de trabalhadoras e trabalhadores dos HUs a ser realizado no dia 5 de dezembro pela Fasubra.

7) Que o Sintufrj se posicione frente à Reitoria sobre a Ebserh e dê ampla publicidade sobre essa posição.

Resolução 1

A direção sindical já havia anunciado o cancelamento da live artístico-cultural, e a assembleia optou por utilizar os recursos que custeariam a atividade (80 mil reais) para financiar a campanha de lutas aprovada no ponto de conjuntura e destinar uma cesta de Natal ou um vale para as famílias dos servidores mortos pela Covid-19.

VEJA A ÍNTEGRA DA ASSEMBLEIA:

 

Os trabalhadores da área de saúde da UFRJ estão preocupados com agravamento da pandemia da Covid-19, no Rio de Janeiro, devido à redução do número de profissionais nas unidades hospitalares da universidade com o fim dos contratos temporários emergenciais até a primeira semana de dezembro.

O pró-reitor de Planejamento, Desenvolvimento e Finanças, Eduardo Raupp, disse que as contratações para os hospitais foram condicionadas a recursos emergenciais de caráter temporário. “Temos buscado novos recursos, mas até aqui não há sinalização do governo de que vá disponibilizar (mais recursos extras)”, informou, acrescentando que a UFRJ continuará reivindicando.

Leôncio Feitosa, diretor do Complexo Hospitalar da UFRJ, também informou que solicitou ao governo recursos para enfrentar a nova onda da Covid-19, mas não houve respostas e o último contrato de profissionais temporários se encerra em dezembro, “quando os leitos terão mesmo que ser fechados”, admitiu. 

A Câmara dos Deputados, segundo Feitosa, aprovou um repasse de R$ 6 bilhões e 800 milhões em recursos para a Covid-19 que não foram distribuídos. “É um dinheiro que está estocado para isso, já foi aprovado, está lá e a gente sofrendo”, afirmou. 

O diretor lamentou que o governo tenha proibido a realização de concurso para suprir a carência das unidades hospitalares da UFRJ na pandemia, apenas liberando recursos para contratações temporárias por um determinado período. “Claro que a gente continua pressionando, mas não há sensibilidade para isso Opor parte do governo)”, lamentou. 

Toda emergência para a Covid-19

Apesar de estar com sua taxa de ocupação alta, o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF) mantém sua rotina de cirurgias eletivas e de atendimentos ambulatoriais, mas por falta de leitos as internações clínicas eletivas foram suspensas. 

Porém, a situação na unidade se agrava com o aumento de pacientes com a Covid-19 e a falta de pessoal. Em novembro, o Hospital Universitário fechou 60 leitos – a oferta era de 320 e caiu para 260 leitos –, por conta da redução de profissionais. .  

Segundo o diretor geral, Marcos Freire, os casos de Covid-19 aumentaram a tal ponto que a emergência do hospital está lotada e desde o dia 27 de novembro só atende a vítimas do coronavírus referenciados pela unidade. A direção está definindo um espaço para acomodar a emergência-não covid.

“A emergência está superlotada, porque foram fechados leitos por falta de pessoal. Perdemos profissionais agora, daqui a uma semana vamos perder mais 50 da enfermagem e até o dia 31 de dezembro terão sido mais de 300, todos contratos da Rio Saúde. Por outro lado está aumentando o número de casos de Covid-19 e a gente não consegue dar vazão”, disse Marcos Freire em tom de desabafo.

Segundo Freire, já há casos na emergência de famílias inteiras, como pais e filho juntos, com a Covid-19 e na avaliação dele o aumento da disseminação do vírus começou a ser mais evidente nas duas últimas semanas. Ele acredita que seja resultado do afrouxamento do distanciamento e dos cuidados básicos, como o uso de máscaras e as regras de higiene. “A maioria dos que chegam ao hospital não tem alta logo, precisam às vezes de oxigênio e/ou são entubados na emergência”, relatou o diretor. 

Ele aguarda que ocorrerão novas contratações emergenciais de profissionais da saúde, conforme o Ministério da Saúde divulgou após o crescimento do número de contaminados em todo o país pelo novo cornavírus. Com isso, a expectativa é que o Hospital Universitário reabra 40 leitos de CTI e 22 de enfermagem para pacientes da Covid-19. Agora, segundo o diretor, é esperar o pessoal que deve ser contratado pela Fiotec (Fundação do Instituto Oswaldo Cruz). 

Marcos Freire lembra que recursos humanos no HUCFF não são necessários apenas para atender aos pacientes da Covid-19, mas a todos os que procuram a unidade.  

Rotina dramática

O técnico de enfermagem do Hospital Universitário, Marcos Padilha, disse que a falta de profissionais de saúde obriga que haja muito remanejamento de pessoal de local de trabalho e alguns setores chegaram a fechar por conta disso. Outra situação que segundo ele assusta é a distribuição de pacientes pelas enfermarias por motivo do aumento de casos de Covid-19 e a redução de leitos. 

“Antes eram dois CTs, agora, por falta de pessoal, temos somente um funcionando. Num plantão, uma baixa de mais de cem profissionais de enfermagem é um desfalque muito grande. O hospital também precisa de médicos e outros trabalhadores da área de saúde”, contabilizou Marcos.

Segundo o servidor, além da dispensa dos contratados emergencialmente, muita gente está de licença médica. Ao todo, incluindo extraquadros, ele calcula que chegam a 200 técnicos de enfermagem. Cada plantão de 12 x 60 (escala especial para evitar muito tempo de exposição dos servidores ao vírus, em conduções, por exemplo) demanda seis equipes de enfermagem (técnicos e um enfermeiro ou enfermeira). A maioria desses trabalhadores estão fazendo horas extras (PHs)..   

IPPMG se prepara para fechar leitos 

No Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG), o diretor Bruno Leite informou que com a saída dos temporários terá que fechar oito leitos de pediatria clínica e dois de CTI. O cenário na unidade, explicou, continua misto, entre casos de Covid-19 e outras doenças . 

“A perda de pessoal é muito complicada. Estamos fazendo um plano de contingência. Vamos ter que mudar vários setores. A partir do dia 2 de dezembro, quando se dá o fim dos contratos, vamos sofrer bastante”, disse Bruno. 

Ele espera que esse problema seja amplamente divulgado e mostrado aos órgãos do governo que os hospitais estão com alta atividade e cumprindo um importante papel no atendimento à população durante a pandemia. Segundo o diretor, é preciso lutar por recursos humanos junto as instâncias internas e externas à universidade e defender as unidades de saúde que estão enfrentando a Covid-19 com a mesma garra. 

Opinião do Sintufrj

Pressionar o governo para a liberação de recursos tendo a sociedade como aliada é o que defende a direção do Sintufrj para enfrentar a carência de verbas e de recursos humanos nas unidades hospitalares.

O problema dos hospitais da UFRJ não é de gestão, portanto não precisamos de soluções externas que comprometam a autonomia universitária e a preservação da saúde pública e gratuita.

 

 

 

 

 

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