O centenário da maior universidade federal do país, completados no dia 7 de setembro, foi comemorado com uma programação prá lá de especial, que incluiu música, documentário e depoimentos emocionantes. As festividades se prolongaram até a terça-feira, 8, com transmissão pelo canal do Fórum de Ciência e Cultura no YouTube.

A Orquestra Sinfônica da UFRJ abriu as celebrações com um concerto especial no fim da tarde da segunda-feira, apresentando peças de grandes compositores ligados à Escola de Música, como Villa Lobos e Pixinguinha, em seguida, a reitora Denise Pires de Carvalho deu início à cerimônia oficial, que contou com a participação de ilustres integrantes da comunidade universitária e convidados. A primeira técnica-administrativa emérita, Regina Loureiro, foi destaque no vídeo no qual servidores e seus filhos declararam seu amor à instituição.

Famílias Minerva

“A UFRJ é tudo na minha vida. Além do privilégio de ter sido sua aluna, sou técnica-administrativa em educação da instituição. Tenho uma grande gratidão e amor pela universidade”, falou emocionada a nossa Regininha, ao lado do filho Hugo Loureiro, doutor em Geografia pela instituição. Emocionado ele recordou do convívio em criança com os colegas da mãe no ambiente universitário. “(A UFRJ) tem um significado enorme na minha vida. Toda minha formação eu devo a ela, e as boas amizades também. Conhecer uma universidade como eu tive a oportunidade de conhecer na qualidade de filho de uma servidora, foi importante, porque aprendi a valorizar o fazer desses trabalhadores públicos setor por setor”, disse o jovem.

“A gente espera tê-la sempre viva, sempre pública e de qualidade”, concluiu Hugo. “E com mais 100 anos de muitas glórias”, complementou Regininha..

“Quem não está na UFRJ no dia a dia não sabe o que é defender o ensino público de qualidade”, afirmou Maria Eduarda Fernandes, estudante de graduação. Ela estava acompanhada do pai, o professor da Escola de Belas Artes há 40 anos, Amaury Fernandes. “Nossa família é Minerva”, brincou.

O vídeo é encerrado com uma declaração bem oportuna do pequeno Kavi Aquino, aluno do Colégio de Aplicação: “Quero que a universidade continue ótima e com mais colégios para mais crianças estudarem”.

História  

No documentário “Centenária: A Universidade do Brasil entre duas pandemias” historiadores e pesquisadores da instituição discorrem sobre a trajetória da instituição nos seus 100 anos de existência. Também lembra os momentos difíceis pelos quais a UFRJ passou por conta de intervenções e ações de governo que não respeitaram a sagrada autonomia universitária conquistada com muita luta. Entre os algozes de plantão no Planalto foi citado FHC, cuja intervenção institucional resultou no histórico movimento de ocupação da Reitoria por estudantes, técnicos-administrativos e docentes. Mas o vídeo mostra a construção de uma universidade inclusiva e democrática, fruto das  políticas públicas das últimas décadas. Assista em https://bit.ly/2DBezb5

Parabéns em grande estilo

Depois da apresentação do Hotsite criado pelo Fórum de Ciência e Cultura especialmente para o centenário ( https://100anos.ufrj.br), o evento de quatro horas culminou com o vídeo no qual artistas como Chico Chico, Jards Macalé, Martinho da Vila, Paulinho da Viola, Zeca Pagodinho entre tantos outras personalidades artísticas parabenizavam a instituição pelo seu centenário e a homenageavam com versos do samba antológica de Cartola e Carlos Cachaça “Ciência e Arte”: “Tu és meu Brasil em toda parte / Quer na ciência ou na arte / Portentoso e altaneiro / Os homens que escreveram tua história / Conquistaram tuas glórias / Epopeias triunfais”.

 

 

A reforma administrativa encaminhada pelo governo Bolsonaro ao Congresso é a ameaça mais radical ao serviço público e ao Estado brasileiro. Servidores federais, estaduais e municipais se uniram para organizar o combate a esse ataque sem precedentes aos direitos dos trabalhadores e a prestação de serviços à população, principalmente a mais necessitada.

Plenárias estaduais estão sendo realizadas em todo país. No Rio de Janeiro, está marcada para quinta-feira, 17, a reunião dos servidores das três esferas de poder. Nesse dia também está prevista a realização da mobilização nacional da Educação contra os cortes no orçamento que inviabilizam instituições federais de ensino.

Retomar a luta

 Em 2019, milhares de estudantes e trabalhadores saíram às ruas nas principais capitais em grandes protestos chamando a atenção da sociedade para o projeto de Bolsonaro de destruição da educação pública e de qualidade. A mesma luta está sendo retomada agora e com muito mais vigor, porque o cerco à Educação pelo governo fascista de Jair Bolsonaro a cada dia piora. Além de novos e mais profundos cortes no orçamento da União para as instituições federais de ensino, o governo quer impor uma reforma administrativa com a intenção de destruir direitos de servidores e promover o desmonte do serviço público.

Não ter condições de prover a família é humilhante. E isso é o que o governo Bolsonaro está enfiando goela abaixo dos servidores ao decretar o congelamento de salários da categoria. Sua ira contra os serviços públicos e o povo pobre não tem limites. No dia 31 de agosto, Bolsonaro enviou ao Congresso Nacional  o Projeto de Lei Orçamentária (PLOA) para 2021, que retira recursos de áreas essenciais como saúde, educação, ciência e tecnologia. Serão R$ 1,4 bilhão a menos, por exemplo, para as instituições federais de ensino, o que equivale a uma redução de 18,2% em relação a 2020.

No dia 3 de setembro, Bolsonaro encaminhou sua proposta de reforma administrativa (PEC 32/2020), que irá promover a desestruturação de serviços públicos, principalmente aqueles que a população mais precisa. Sob o velho argumento de combater privilégios, a proposta traduz o ideário neoliberal e de privatização e foca apenas servidores do executivo dos três poderes, justo os que se dedicam a direitos como saúde e educação.

Todos juntos

Na primeira quinzena de setembro, os servidores federais, estaduais e municipais realizam plenárias virtuais em todos os estados com o objetivo de reagirem em conjunto contra os ataques de Bolsonaro: desmonte do Estado brasileiro e a Reforma Administrativa, além de construirrm o Dia Nacional de Lutas e a campanha unificada em defesa do funcionalismo público e dos serviços públicos.

A Fasubra Sindical orienta as entidades de base que fortaleçam os fóruns existentes e participem das plenárias estaduais. No Rio, a plenária será no dia 17, às 18h, em ambiente virtual. Nessa mesma data as entidades representativas dos trabalhadores da educação e estudantis promovem mobilizações em todo o país contra os cortes anunciados pelo governo na proposta de Orçamento de 2021. As frentes parlamentares em defesa da educação, Fasubra Sindical, Sinasefe, UNE, Andifes, SBPC, estarão juntas num grande ato nacional.

O ato será virtual com o lançamento de um manifesto conjunto, dando início a uma ampla campanha em defesa dos recursos para a educação.

A Fasubra reforçará essa luta. Nos dias 17 e 18 de agosto, a direção nacional da federação aprovou agenda e plano de lutas contra os ataques do governo à educação e ao serviço público. Além dos cortes, a Federação defende a imediata revogação da EC 95, a derrota da reforma administrativa e a luta contra o retorno ao trabalho presencial, sem segurança. Rodada de assembleias na discutirá os rumos da mobilização.

 

 

Na comemoração dos 100 anos da UFRJ, o Museu Nacional também mostra a sua “volta por cima”, com o engajamento de seu corpo social, superando o trágico incêndio de 2018.

“Museu nacional vive” foi o tema da live apresentada nesta terça-feira, dia 8,com a participação do diretor da unidade, Alexander Kellner, do antropólogo e ex-diretor do Museu, Luiz Fernando Dias Duarte, também presidente da Associação Amigos do Museu Nacional.

A museóloga Amanda Cavalcanti, integrante da Coordenação de Novas Exposições, apresentou iniciativas para superação dos desafios que o Museu enfrenta para sua recomposição.

Amigos do Museu
Dias Duarte traçou o histórico da Sociedade dos Amigos do Museu Nacional, instituição privada fundada em 1937, quando a Universidade do Brasil incorporou o Museu Nacional, que em 2006 a entidade foi renomeada Associação de Amigos, e que a partir daí angariou importantes recursos para o Museu, antes mesmo do incêndio.

Ele mencionou as ações que entidade realizou, como a gestão de 57 projetos, com captação de R$ 67 milhões, com parceiros como Petrobras, e os governos alemão e britânico e doações.

Informou ainda que a entidade gerencia três emendas parlamentares na ordem de R$ 1,7 milhão, e que em 2020 foi chamada para gerir o projeto para reconstrução do Palácio de São Cristóvão (com teto de R$ 23 milhões) e o termo de doação assinado com Alerj para reconstrução da sede (da ordem de R$ 20 milhões).

Neste momento, a associação faz gestão de obras em curso para o novo Museu, como o prédio administrativo em construção no novo campus, vizinho ao Horto Botânico, e a reforma do prédio da Biblioteca, ambos com recursos do BNDES.

Museu será referência em exposições
Depois do incêndio, segundo Amanda Cavalcanti, chegaram inúmeras cartas, fotos, desenhos de crianças que visitavam as exposições, refletindo o carinho do público e a certeza de que é preciso devolver a ele o espaço expositivo.

Logo após o incêndio, segundo Amanda, os funcionários do Museu se organizaram para pensar na retomada, como museólogos e arquitetos, alguns dos quais, como ela, estão à frente da Coordenação das Novas Exposições.

A coordenação reuniu técnicos-administrativos, docentes e alunos para definir objetivos e estratégias do projeto de novas exposições para criar circuitos que prometem não ser apenas expositivos: “A gente quer que a UFRJ se torne referência como essa nova exposição”, diz, empolgada.

Mas lembra de que não se pode falar em exposição sem a reconstrução do Paço de São Cristóvão: “Agora vai ser possível. O o Paço vai ser completamente dedicado ao público”.

Antes do incêndio, além das exposições, o palácio abrigava escritório, reserva técnica, laboratórios e salas de aula. Agora, essas atividades vão para o novo campus, em terreno próximo à Quinta da Boa Vista.

No palácio fica apenas a exposição, que terá agora área bem maior, e outros espaços de uso do público, com áreas temáticas, novos acervos e atividades para os visitantes. A equipe planeja acessibilidade universal como um dos princípios da exposição, para que os espaços possam ser vivenciados por todos.

O conteúdo da nova exposição também espera refletir o que é a instituição de 202 anos que agrega história natural e antropologia, porém mais moderna, com novos recursos, transmitindo a conexão que há entre todos os assuntos, de formigas ao meteorito, passando por diversas culturas humanas.

Segundo Amanda, seria importante aproximar o público desta faceta do Museu que antes não ficava tão evidente: a integração entre as diferentes áreas para que o público reflita sobre o fato de graças a vontade de conhecimento, o fazer científico se desenvolveu. Assim, os temas deverão abranger questões históricas, diversidade cultural, evolução da vida, geo e biodiversidade, impacto sobre o ser humano e a conservação ambiental. “Assuntos que ajudam a entender o mundo e nosso papel nele”.

Para criar essa exposição, a equipe planeja uma consulta pública e até grupos focais com visitantes, professores e coletivos sociais, como indígenas e afro-brasileiros. E ela convida todos a seguirem o Museu nas redes e a participarem da consulta, quando for lançada.

Apoio
O diretor abordou a importância da ajuda externa, comentando que o Museu não vai recompor sua coleção “no esplendor que tinha antes, e ir além”, sem apoio, citando o exemplo de instituições da Alemanha que pode auxiliar em todas as fases, “inclusive na abordagem difícil que é a questão dos acervos originais”. Mas, segundo ele, será preciso merecer o novo acervo e reconstruir o palácio com todas as normas de segurança, não só para visitantes como para o pessoal das áreas técnicas. “O Brasil aprendeu com esta enorme tragédia”, disse ele, lembrou que todos podem contribuir, reforçando o apoio da Associação.

 

Sintufrj exibiu vídeo que mostra técnicos-administrativos em diversos ambientes de trabalho

Na comemoração dos 100 anos da UFRJ não poderiam faltar as organizações representativas de trabalhadores e estudantes que participaram de sua construção e fazem parte de sua biografia.

“Uma história de luta e muitas mãos na construção dos 100 anos da UFRJ” reuniu virtualmente, na tarde desta terça-feira 8, Sintufrj, Adufrj, DCE, APG e Attufrj – entidades que constroem o FORMAS (Fórum de Mobilização e Ação Solidária). A live foi transmitida pelo canal do Fórum de Ciência e Cultura no YouTube.

O Sintufrj inovou na homenagem aos técnico-administrativos em educação da universidade ao exibir o vídeo “Retrato do Trabalho na UFRJ” com imagens, acompanhadas de depoimentos, dos trabalhadores em seus variados locais de trabalho.

“Fizemos esse vídeo para mostrar o que é a universidade pública, gratuita de qualidade com a participação dos técnico-administrativos, como atores na sua construção”, declarou a coordenadora do Sintufrj, Noemi Andrade.

A frase da técnica Jaciara Roberta resume tudo: “A gente produz o que se chama o conhecimento. Nós damos o suporte”.

A presidente da Adufrj, Eleonora Ziller, alertou para as ameaças que estão por vir relacionadas ao orçamento e a reforma administrativa. Ela enalteceu a participação da comunidade universitária para a construção da UFRJ e a da Adufrj, em seus 42 anos de existência.

Eleonora destacou a força da coletividade da UFRJ. “Essa universidade é nossa. É construída por nós. Cada um pode afirmar essa relação numa ação efetiva e solidária. Viva a UFRJ plural, gratuita, autônoma, democrática e inclusiva”.

“Os terceirizados chegaram para somar”, anunciou Néa Nascimento, da Associação dos Trabalhadores Terceirizados da UFRJ – Attufrj.

Rafaela Corrêa, dirigente do Diretório Central dos Estudantes da UFRJ – Mário Prata, informou que o DCE esse ano fez 90 anos para mostrar como a organização dos estudantes tem história na centenária UFRJ.

“O DCE da UFRJ participou da fundação da Une e de diversas lutas. Nossa principal luta é pela autonomia universitária, hoje um tema central nesse governo que a ataca”, sublinhou Rafaela.

O secretário geral da Associação de Pós-Graduandos -APG/UFRJ, Igor Alves, falou da campanha da entidade que defende ações afirmativas obrigatórias para a pós-graduação, uma política de bolsas para alunos em situação de vulnerabilidade e uma política para a representação discente nos colegiados.

Igor denunciou a possibilidade de corte de 30% nas bolsas da Capes e apontou para o futuro ao fim de sua fala. “Somos capazes juntos. Façamos história agora para que nos próximos anos a universidade seja mais plural, inclusiva e colorida”, conclamou.

Embates
Em suas falas os representantes das entidades lembraram de importantes batalhas e lutas travadas através dos anos e a necessidade de mais um novo embate diante das ameaças do governo Bolsonaro como perda maior da autonomia, corte de verbas e fim da estabilidade do servidor com a reforma administrativa. Para reforçar a importância da unidade das entidades foi enaltecida iniciativa do Fórum de Mobilização e Ação Solidária.

Mais homenagens
A UFRJ também homenageou os servidores através de dois representantes da categoria, Roseli Frochgarten (Sibi) e Ivan Hidalgo (Secretaria de Órgãos Colegiados). Não houve como não conter a emoção.

“É uma honra e um privilégio fazer parte da UFRJ”, declarou Roseli com voz embargada.

“Esta homenagem é para muitos Ivans na UFRJ. Para aqueles que já tivemos, temos e teremos”, disse com lágrimas nos olhos o funcionário que em junho do ano que vem completará 50 anos de UFRJ.

“Sem todos nós unidos seríamos mais fracos”, declarou a reitora Denise Pires.

A escolha dos três melhores trabalhos apresentados no 1º Fórum Técnico-Administrativo da UFRJ encerrado na quinta-feira 3 será anunciada numa live nesta quarta-feira 9, às 16h30 – e não às 14h como anunciamos anteriormente.

A banca está avaliando os 27 trabalhos apresentados durante o fórum – entre os quais, três no formato de vídeo. O Sintufrj premiará com notebooks os trabalhos escolhidos.

Vitor Matos, Marisa Gaspary, Iris Guardatti, Simone Silva e Rogério Cruz integram a banca que avaliou os trabalhos e tem a responsabilidade de eleger os melhores conteúdos.

Ao final da live será reproduzida o programa apresentado no domingo, 31 de agosto, com o bloco Minerva Assanhada em homenagem aos 100 anos da UFRJ.

O êxito do fórum virtual com a presença de 15 convidados, apresentação de trabalhos de técnicos-administrativos com pauta diversa e audiência de milhares de acessos por meio da internet está sendo celebrado pela direção do Sintufrj – gestão Ressignificar.

A pauta do fórum foi certeira, ao qualificar o debate que teve como centro a precarização do trabalho em geral e do servidor público em particular no momento em que o governo de ultradireita apresenta uma reforma administrativa que desfigura o serviço público.

Veja, neste vídeo, o balanço do 1º Fórum TAE da UFRJ:

 

PEC de Paulo Guedes preserva parlamentares, ministros de tribunais superiores, promotores, juízes e militares, e ameaça servidores menos privilegiados

Matéria retirada do site Rede Brasil Atual.

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da reforma administrativa encaminhada ao Congresso pelo governo Jair Bolsonaro, nesta quinta-feira (3), em nada impacta os rendimentos e a carreira de parlamentares, ministros de tribunais superiores, promotores, juízes e militares. O economista Amir Khair, que foi secretário municipal de Finanças de São Paulo na gestão de Luiza Erundina, defende que haja uma discussão ampla sobre o que deve ocorrer em relação ao serviço público e o aprofundamento do debate.

Esse debate, diz Amir, deveria ser amplamente levado à sociedade, que é quem, em última análise, vai sofrer os impactos da reforma, como no caso da reforma da Previdência. Para o economista, porém, essa discussão profunda não vai ocorrer, porque o ritmo que se impõe no Congresso “é burocrático, para não deixar haver discussão”.

“Não é todo mundo igual. Não só na escala salarial, como também no tipo de trabalho. Não vejo necessidade alguma de reduzir funcionários nas áreas carentes. E as áreas carentes são educação, saúde etc.”, diz.

“Por outro lado, é preciso que não haja tantos funcionários na área burocrática e nem se permitam tantos cargos de confiança como hoje”, continua. Segundo Khair, a situação chega a ser esdrúxula. “Por exemplo, se você vê a folha de pagamento de servidores e localiza onde estão fisicamente, leva um choque. Funcionários do Executivo são emprestados para cá e para lá, inclusive para o Legislativo. É impressionante.”

Demonização do servidor

A reforma de Paulo Guedes não pretende modernizar e reorganizar o serviço público brasileiro, mas vai no sentido que tem orientado as reformas no país desde o governo Michel Temer. Os princípios são os da demonização do servidor e da diminuição do Estado, de maneira generalizada. “Sem dúvida”, constata Khair.

“Mas estão fazendo isso com o Estado não só nessa reforma, como em todas.  Principalmente a que mais sacrificou o povo, a reforma da Previdência, que tira 100 bilhões de reais por ano (do sistema previdenciário). O que pega inclusive quem ganha até dois ou três salários mínimos.”

Em relação à reforma administrativa, para o economista, a enorme quantidade de dinheiro destinada à burocracia deveria ir pra “funções-fim”. “Para melhorar salário de professores, profissionais da saúde, assistência social e outros. A turma que se sacrifica, que põe a mão na massa e é sempre cobrada.”

Na mídia tradicional, analistas afirmam considerar a proposta como importante para o “equilíbrio das contas públicas”, mas alguns ressalvem que ainda não é o “ideal”. Isso porque, afirmam, esse resultado só virá a longo prazo, dado que a PEC não atinge os atuais servidores, só os que vierem a ser contratados. Redução do salário inicial e flexibilização da estabilidade no emprego só devem ser aplicadas em futuras contratações. Para estes comentaristas, a reforma “sinaliza” positivamente ao mercado, mas o “enxugamento” do Estado deveria ser mais rápido.

Estabilidade ameaçada

A PEC prevê que servidores concursados com contratos de duração indeterminada não terão mais estabilidade e poderão ser demitidos. Por exemplo, se o governo necessitar promover cortes de gastos.

Em postagem nas redes sociais, o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) afirmou que a PEC do governo “pretende redefinir as carreiras e os direitos do servidor público brasileiro”. “É uma vergonha. A primeira declaração de Bolsonaro é a seguinte: militares, juízes, promotores e parlamentares estão fora (da reforma). Aqueles que têm privilégios, salários e pensões, milionários”, disse. Segundo ele, as distorções do serviço público estão justamente no Judiciário, no Ministério Público, entre servidores do Legislativo e  militares.

“Ele quer atingir o servidor que ganha mil, 2 mil, 3 mil, (o trabalhador) das universidades, que dá a vida para garantir atendimento à população na educação, na saúde, na agricultura. São esses que quer perseguir”, questiona o parlamentar. “É covarde!”, protesta.

Reforma de Estado

Para Fausto Augusto Júnior, diretor técnico do Dieese,  a reforma administrativa pode ser, na prática, uma “reforma de Estado”.  Em entrevista a Glauco Faria, no Jornal Brasil Atual, ele destacou que a proposta “deve avançar para cima de uma parte importante do patrimônio público de todos os brasileiros”.

A ideia do governo seria a de que, com o enfraquecimento do setor público e das estatais, as privatizações sejam facilitadas.  “Então, de certo modo, ele vai entregar boa parte das nossas empresas. Ou de um jeito efetivo, ou em pedaços, como está fazendo com a Petrobras, em especial para os grupos internacionais”, observa.

Embora o governo argumente que as novas regras irão abarcar apenas os novos servidores, Fausto avalia que, “a proposta vai acabar atingindo todo mundo”. Isso porque a PEC prevê o fim do Regime Jurídico Único, que garante a estabilidade dos servidores. A medida, para o diretor do Dieese, deve paulatinamente diminuir o número de trabalhadores estáveis e estatutários promovidos por concurso público. “E eles vão passar a ingressar (no serviço público) por meio da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) que está em desconstrução por esse próprio governo”, conclui.

 

 

O Projeto Universidade para os Trabalhadores, uma proposta pedagógica e política do Sintufrj que já existe há 34 anos, foi tema de uma das oficinas do 1º Fórum TAE da UFRJ.

A trajetória da proposta que se consolidou foi iniciada em 1986. Sua estrutura, reformulações para atender as necessidades da categoria e momento atual, foram apresentados pela coordenadora Pedagógica, Danielle São Bento.

Ela diz que o projeto vai além de aulas e cursos. “ É uma contribuição para a reflexão da universidade pública, através da participação democrática nos seus espaços, com vistas a participação efetiva dos técnico-administrativos para a construção da universidade”.

A proposta ajudou muita gente a se formar e alçar voos maiores na sua vida profissional e até pessoal. E está no coração de muito técnico-administrativo como Valquíria Felix, que fez o projeto em 1990.

“Trabalhava na Creche da UFRJ durante o dia e estudava à noite, no IFCS. Fui aprovada para o curso de Graduação em Pedagogia da UFF”, lembra com satisfação Valquíria.

Perspectivas e futuro do projeto estão na reflexão de Camila Baz, integrante do Grupo Universidade para os Trabalhadores que discute o papel dos técnicos-administrativos como sujeitos ativos na construção da universidade e protagonistas de suas decisões.

Memórias afetivas e propostas concretas desse projeto podem ser vistas nesta live que permanece nas plataformas do Sintufrj, em sua página e no YouTube. A mediação foi da coordenadora Damires França.

VOCÊ CONFERE A ÍNTEGRA DESSA OFICINA 

 

A terceira oficina e última atividade do primeiro dia do Fórum do Sintufrj nesta terça-feira, 1º de setembro, reuniu a técnica em assuntos educacionais e ex-dirigente do Sintufrj, Ana Maria Ribeiro, e o ex-pró-reitor de Pessoal e também ex-coordenador do Sintufrj e atual superintendente do CT, Agnaldo Fernandes, para debaterem a Instrução Normativa 65 (IN) baixada pelo governo para regular o teletrabalho.

“O debate sobre a IN 65 só está começando e a questão não é ser contra ou favor do teletrabalho, do home office, do trabalho remoto, mas de não aceitar qualquer controle policialesco. O nosso atendimento tem que ser humano, não pode ser de telemarketing”, disse Ana Maria. “Os técnicos-administrativos”, afirmou, “tem condições de normatizar o seu fazer”, e essa discussão, acrescentou, não é exclusiva da categoria, mas também dos docentes.

Segundo Agnaldo Fernandes, o teletrabalho é diferente do trabalho remoto, e vem para regular e transpor para o serviço público a reforma trabalhista. “Pelo bem do conjunto da universidade e do ensino público, não podemos deixar que a Administração Central decida por nós”. Para o superintendente do CT, são ações casadas do governo com a intenção de eliminar o inimigo: orçamento (corte) que se encaixa com a IN 65 e a reforma administrativa.

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“O trabalho remoto pode agravar sim o assédio moral”, atesta Alzira Guarany na Oficina de Assédio Moral do primeiro dia do Fórum Técnico-Administrativo do Sintufrj.

A oficina vem bem a calhar neste momento de pandemia, em que a maioria dos trabalhadores da universidade estão em trabalho remoto e este modo de atuação profissional se expande e veio para ficar.

O que é o assédio moral, como se manifesta, suas implicações e formas de combate são explicados por Alzira Guarany. Ela vem apresentando a temática em atividades promovidas pelo Sindicato.

A prática do assédio, segundo Alzira, se estabelece através do comportamento abusivo e desrespeitoso e que pode causar danos físico e moral aos trabalhadores.

A professora da Escola de Serviço Social (ESS/UFRJ) e coordenadora do LEPPTraS (Laboratório de Estudos em Políticas Públicas, Trabalho e Sociabilidade) afirma ainda que “o assédio moral aumentou com as reformas e a precarização do trabalho”.

A mediação da live coube a coordenadora do Sintufrj, Noemi de Andrade, que destaca o esforço realizado pela gestão de combate ao assédio moral na UFRJ.

“O assédio moral na UFRJ é um problema em que temos nos dedicado. Alzira tem nos auxiliado. Temos promovido reuniões, nosso jurídico está pronto para atender a quem precisar, elaboramos uma cartilha explicativa para explicar e informar a categoria. Temos de ter uma política institucional”, afirmou a dirigente sindical.

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