Longa dirigido por Ana Maria Magalhães e coproduzido pelo Metrópoles pode ser assistido no Itaú Cultural Play, após cadastro simples

Ranyelle Andrade -29/3/2022 

Divulgação

Depois de estrear nos principais festivais do país, Já que Ninguém Me Tira pra Dançar, documentário sobre Leila Diniz, chega ao Itaú Cultural Play, plataforma de streaming gratuita dedicada ao cinema e ao audiovisual brasileiro. O longa já está disponível no catálogo e, para assisti-lo, basta fazer um cadastro simples e concordar com a política de privacidade no site do serviço (clique aqui para ser redirecionado).

Produzido e dirigido por Ana Maria Magalhães e coproduzido pelo Metrópoles, o documentário é um registro da participação revolucionária de Leila Diniz na cultura brasileira, 50 anos após sua morte, aos 27 anos, em um desastre aéreo. Para traçar um perfil sobre a breve mas marcante vida da artista, Ana utilizou gravações inéditas e remasterizou entrevistas que personalidades deram sobre Leila.

Em conversa com o portal, a cineasta comemorou a oportunidade de apresentar o legado da artista e melhor amiga às novas gerações.

“É uma alegria enorme saber que Já que Ninguém Me Tira Pra Dançar está correndo pelo streaming, para que os jovens conheçam sua história e para que as gerações anteriores possam lembrá-la. Também estou muito contente por recuperar um filme que estava praticamente perdido justamente no cinquentenário da passagem de Leila. Ela era uma pessoa atual, com um pensamento contemporâneo e que levou as mulheres a questionarem sua liberdade”, frisa a cineasta.

Ana Maria Magalhães, cineasta e amiga de Leila Diniz/Aline Massuca/Metrópoles

Além dela, o trabalho contou com a coordenação de Fábio Fraccarolli, que esteve à frente da recuperação de obras como O Bandido da Luz Vermelha e Terra em Transe, e do produtor Lino Meireles, do Metrópoles, a quem Ana foi apresentada pelo saudoso fotógrafo Orlando Brito.

“O Orlando, que acabou de nos deixar, é um amigo muito querido. Foi ele que fez as fotos da Leila se divertindo no Hotel Nacional, em Brasília, nos anos 1970. Certo dia, ele me disse que eu tinha que conhecer o Lino, que na época estava produzindo um filme sobre o Festival de Cinema de Brasília, o Candango”, lembra.

“Quando retomei o documentário da Leila, procurei o Lino. Sabia que, além de fã da Leila, ele gostava de restauro. E foi uma decisão muito bacana, o Lino é uma pessoa ótima. Estou muito feliz com essa parceria.”

Único documentário sobre a atriz

Autêntica e espontânea, Leila Diniz foi porta-voz de uma geração censurada. Ao mesmo tempo que conquistou fãs, gerou hostilidade dos defensores da moral e dos bons costumes, principalmente após posar de biquíni para uma revista, aos oito meses de gravidez.

Morreu aos 27 anos, em um acidente de avião na Índia, quando voltava de um festival de cinema na Austrália, onde recebeu o prêmio de Melhor Atriz.

Dez anos após a tragédia, Ana Maria foi convidada a dirigir um documentário sobre a amiga.

“Relutei, porque não tinha o distanciamento necessário. Por outro lado, tinha consciência da importância de transmitir o legado de Leila, sabia que seus amigos poderiam expor cada uma de suas facetas, e aceitei a missão porque eu conhecia muito bem o seu modo de pensar, agir e se relacionar. E, até aqui, este é o único documentário que existe sobre ela”, lembra a cineasta carioca.

Leila Diniz e Ana Maria Magalhães

Os depoimentos foram colhidos quando a lembrança de Leila ainda estava fresca na memória de jornalistas, familiares e artistas de quem Leila era amiga — entre elas, Martha Alencar, Maria Gladys, Marieta Severo, Paulo José e outros.

Assim que as filmagens foram iniciadas, o Centro Cultural Cândido Mendes, que idealizou o projeto para ser exibido na Mostra Leila Diniz, desistiu de produzi-lo por falta de recursos. Ana Maria, então, seguiu investindo seu próprio dinheiro e trabalho.

Ela explica que o esforço visa não só homenagear a melhor amiga como retratar o modo de ser e viver dos artistas e das jovens brasileiras nos anos 1960, plenos de entusiasmo e ingenuidade.

“As novas gerações não sabem quem foi Leila, atriz que valorizou a verdade, a liberdade e o amor, porque acreditava que as pessoas podem realizar as suas melhores potencialidades e não as piores”, conclui a diretora.

 

 

 

Sintufrj enviou delegação para reforçar vigília para pressionar governo Bolsonaro pela recomposição de salários

Começou a Jornada de Lutas dos servidores públicos federais em Brasília. O objetivo é pressionar o governo Bolsonaro pela recomposição salarial emergencial de 19,99%. A jornada vai até o dia 1º de abril, quando o governo se comprometeu a dar uma resposta as entidades representativas dos servidores. Delegações de técnico-administrativos das universidades federais de diversas partes do país, entre elas a do Sintufrj, engrossam o movimento que reúne várias categorias.

No primeiro dia, 29, houve ato pela manhã em frente ao Ministério da Educação (MEC) junto com estudantes. Neste dia foi cobrada a investigação de Bolsonaro na farra de recursos do MEC. No ato, o coordenador-geral da Fasubra, Toninho Alves, destacou que não basta a demissão do 4º ministro da Educação nas denúncias de corrupção e do “gabinete paralelo”. Para ele, é necessário investigar Bolsonaro que foi citado nominalmente nos áudios do escândalo do #BolsolãodoMEC.

“As entidades do movimento sindical e estudantil estão aqui exigindo a apuração dos fatos, exigindo a punição dos culpados, exigindo que o STF apure as denúncias que envolvem o presidente da República, o ex-ministro da Educação e os pastores que negociavam a preço de ouro a Educação brasileira”, afirmou. “Nem ouro, nem prata. Chega de negociata no MEC”, criticou Toninho.

“Chegamos pela manhã em frente ao Ministério da Economia e fizemos protesto junto com outras categorias que fizeram reivindicações. Houve muitas manifestações contra o repasse ilegal de verbas do MEC para pastores associados ao governo. Mas a mobilização mesmo é pelo reajuste emergencial. Aqui estamos fazendo o máximo que podemos, tentando ser ouvidos e sermos vistos”, declarou Marcos Padilha, enfermeiro do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), integrante da delegação do Sintufrj.

O protesto faz parte da “Jornada de Lutas”, que acontece esta semana – dias 29, 30 e 31 de março, em Brasília, e é promovido pelas entidades do Fonasefe (Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais), Fórum Nacional das Carreiras Típicas do Estado (Fonacate) e Centrais Sindicais. Durante a tarde, os trabalhadores do serviço público seguiram com a vigília em frente ao Ministério da Economia pela campanha salarial.

 Confira a programação

 

30/3 – Quarta-feira

9h – Concentração no espaço do servidor

10h – Caminhada até o Ministério da Economia (bloco P);

 

31/3 – Quinta-feira

9h – Concentração no anexo II do Senado;

11h – Concentração Ministério da Economia (bloco P).

 

1/4 – Sexta-feira – Ato pela Liberdade democrática: ditadura nunca mais, convocado pelo ANDES-SN, na cidade de Porto Alegre.

7/4 – Quinta-feira – Dia Mundial da Saúde. Fortalecer atos que vão ocorrer em todo Brasil destacando a defesa do SUS.

9/4 – Sábado – Dia Nacional construído pelo Comando Nacional de Luta pelo FORA BOLSONARO.

 

*Com Fasubra Sindical/Facebook

Milton Ribeiro assumiu a pasta em julho de 2020 e abre espaço para o quinto ministro da Educação em quatro anos de governo Bolsonaro

Por Escrito en POLÍTICA el 
Créditos: Reprodução/Twitter Milton Ribeiro

O ministro da Educação, Milton Ribeiro, pediu exoneração nesta segunda-feira (28) diante das denúncias de um suposto esquema de corrupção montado no MEC em que um “gabinete paralelo” de pastores teria passado a controlar a distribuição de recursos da pastaO ministro havia colocado o cargo à disposição para evitar danos maiores à campanha de reeleição do presidente Jair Bolsonaro. A demissão já foi publicada em edição extra do Diário Oficial.

Em áudio vazado divulgado pela Folha de S. Paulo, Milton Ribeiro aparece assumindo que o presidente Jair Bolsonaro pediu que o MEC priorizasse os pedidos de destinação de verba feitos pelo pastor Gilmar Silva dos Santos, presidente da Convenção Nacional de Igrejas e Ministros das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB). Isso gerou irritação até mesmo na bancada evangélica.

Nesta segunda-feira foi revelada a confecção e distribuição pelo MEC de bíblias com fotos de Milton Ribeiro e dos pastores envolvidos no esquema que ficou conhecido como “Bolsolão do MEC”.

Revelações feitas por prefeitos à imprensa apontam que Gilmar e seu assessor, o pastor Arilton Moura, cobravam propina de prefeitos para conseguir a liberação de verbas do MEC. Houve proposta de propina até mesmo na compra de bíblias. Um outro prefeito revelou também que Ariltou chegou a pedir 1kg de ouro – equivalente a R$ 300 mil – em troca da liberação de recursos.

Ribeiro negou envolvimento no esquema e disse que acionou a Controladoria-Geral da União quando prefeitos denunciaram a situação. Isso, no entanto, só veio à tona através de reportagem publicada no Estado de S. Paulo.

Na última quinta-feira, Bolsonaro fez um defesa enfática do ministro durante sua live semanal. O presidente disse que colocaria sua “cara no fogo” pelo pastor. “O Milton, coisa rara de eu falar aqui: eu boto minha cara toda no fogo pelo Milton. Estão fazendo uma covardia contra ele”, disse.

Segundo juristas, o suposto esquema em que o ministro é acusado de fazer parte pode incorrer em corrupção passiva, corrupção privilegiada, improbidade administrativa, prevaricação, advocacia administrativa e tráfico de influência. No mesmo dia, a ministra Cármen Lúcia, do STF, determinou a abertura de um inquérito contra o ministro, atendendo a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).

 

 

 

 

50% dos brasileiros esperam piora na economia, 75% culpam Bolsonaro pela inflação alta que corrói o poder de compra e 50% apostam no crescimento do desemprego, diz Datafolha

Publicado: 28 Março, 2022 – Escrito por: Redação CUT

SINPRO-DF

Mais inflação, desemprego e piora da economia é o que esperam os brasileiros, que culpam o presidente Jair Bolsonaro (PL) pela carestia, esperam para os próximos meses, segundo pesquisa Datafolha, realizada na terça (22) e na quarta-feira (23) com 2.556 eleitores em 181 cidades de todo o país.

Entre dezembro do ano passado e março, aumentou de 20% para 40% o número de brasileiros que espera piora na economia.  

Preços altos, culpa de Bolsonaro

Para 75% dos brasileiros, Bolsonaro é o culpado pela disparada da inflação, diz o Datafolha.

Nem os eleitores de Bolsonaro acreditam no discurso do governo de que a culpa é da guerra da Rússia contra a Ucrânia, pandemia ou crise mundial. O presidente é o culpado pela carestia por 72% dos evangélicos, 75% dos moradores do Centro-Oeste e 79% dos moradores da região Sul, que votaram em peso para  elegê-lo.

Entre dezembro e março, aumentou de 46% para 74% o número de brasileiros que esperam inflação ainda mais alta nos próximos meses.

Desemprego

O Datafolha também ouviu os brasileiros sobre suas expectativas de geração de emprego e descobriu que, entre dezembro e março, aumentou de 35% para 50% o número dos que acreditam que o desemprego vai aumentar.

Em dezembro, o contingente (35%) que previa alta na desocupação chegou a empatar com a parcela que projetava melhora na oferta de empregos. Agora, 20% ainda acreditam que pode haver melhora.

 

 

A pandemia agravou a situação, mas a queda da renda é efeito da desregulamentação da legislação, do baixo crescimento e da falta de políticas públicas para  gerar empregos de qualidade, diz técnica do Dieese

 Publicado: 28 Março, 2022 – Escrito por: Marize Muniz

MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL

Lucros e juros ganharam espaço no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro nos últimos dois anos, período em que a crise econômica derrubou os salários dos dos 95 milhões de trabalhadores do país.

Segundo o jornal O Globo, a fatia de rendimentos do trabalho correspondia a 35,4% do PIB em fevereiro de 2020, antes da pandemia. No auge do registro de casos de Covid-19, em abril de 2021, o percentual caiu para 30,2%.

O motivo central do arrocho, diz  o jornal, seria a pandemia, mas não é bem isso, afirma a técnica da subseção do Dieese da CUT Nacional, Adriana Marcolino, que reconhece: “A pandemia, de fato, provocou um grande impacto negativo no mercado de trabalho, mas no período de reabertura da economia a regra para novas contratações tem sido aprofundar a precarização e informalidade e reduzir salários, facilitadas pela falta de uma ação governamental que procurasse resolver esses problemas”.

“A queda dos rendimentos do trabalho é anterior à pandemia, começou com a retirada de direitos dos trabalhadores em 2017”, diz a técnica se referindo a reforma Trabalhista do ilegítimo Michel Temer (MDB-SP), que acabou com mais de 100 itens da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

“Essa queda vem do aumento da desregulamentação da legislação trabalhista, do baixo crescimento, da falta de fiscalização do trabalho, da falta de políticas públicas para  gerar empregos de qualidade, do abandono da política de valorização do salário mínimo, é uma lista grande de problemas que o governo brasileiro não está atuando devidamente”, pontua Adriana Marcolino.

Os números divulgados pelo Globo nesta segunda-feira, obtidos por meio de cruzamentos de informações das pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) feito pela Corretora Tullet Prebom Brasil, usam dados do período da pandemia, mas ignoram as outra causas do arrocho citadas pela técnica do Dieese.

Segundo a pesquisa, mesmo com a queda da taxa de desemprego – de 14,8% em abril de 2021 para 11,2% – a participação dos salários subiu apenas para 30,9% em janeiro deste ano.

Ao mesmo tempo em que a inflação dispara, a massa de salários mensal cai – R$ 18 bilhões nesses dois anos -, de R$ 250,5 bilhões em fevereiro de 2020 para R$ 232,6 bilhões em janeiro deste ano, derrubando ainda mais o poder de compra de trabalhadores e trabalhadoras.

As empresas aproveitam as altas taxas de desemprego e informalidade para garantir os lucros pagando menos aos  novos contratados e arrochando os salários dos que já estão trabalhando, como mostra pesquisa do Dieese.

Dos 119 reajustes com data-base em fevereiro analisados pelo Dieese, 60,5% ficaram abaixo da variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor, o INPC do IBGE. Esse dado, somado à alta rotatividade, tem achatado os salários, explica Adriana Marcolino.

E com o fim da Política de Valorização do Salário Mínimo, criada pelo ex-presidente Lula e extinga pelo governo de Jair Bolsonaro (PL), há três anos aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) também não tem aumento real, que era garantido para os beneficiários que ganham até um salário mínimo. O que contribui para reduzir ainda mais a massa de rendimentos da população, que contribui para o aquecimento do mercado interno.

35,3% ganham até 1 mínimo

Segundo a pesquisa do Globo, de março de 2020, até dezembro do ano passado, mais 6,5 milhões de trabalhadores engrossaram o grupo que ganha até um salário mínimo. “O que reforça que o problema não começou com a pandemia, foi aprofundado por ela”, afirma Adriana Marcolino.

O maior patamar de toda a série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE, que começou em 2012. De acordo com o cruzamento feito pela LCA Consultores, atualmente, são 33,8 milhões com esses baixos salários, 35,3% dos ocupados. Em março de 2020, eram 29,2%.

Como é calculado o PIB

O PIB é calculado a partir da soma soma de tudo que é gasto no país, seja o consumo das família, os investimentos e gastos do governo, além do saldo de exportações e importações.

 

 

Em 2/3/2022. Site Geledés

 

Quebranto, cobreiro, aguamento, ventre-virado são males vinculados à ação de cura das benzedeiras e dos benzedores. Suas orações ingressam em um universo simbólico de práticas curativas que fazem parte das crenças populares e penetram a memória coletiva.
Uma tradição cuja origem se perde no tempo, a benzedura se mantém em uma trilha que ecoa através das gerações. A tradição oral apresentada nos benzimentos tem como base difusora as redes familiares e de convivência. A partir delas os conhecimentos são transmitidos de forma direta ou indireta para a geração seguinte, o que garante de certa forma uma herança simbólica. De acordo com Myriam Lins de Barros, a transmissão de valores e bens simbólicos para os descendentes confere à família o lugar de passagem e evidencia a noção de tempo cíclico. Sendo a família o lugar em que os processos cíclicos identitários são elaborados, a oralidade tem um papel essencial na transmissão desses valores e conhecimentos, pois corresponde ao caminho pelo qual os benzedores ingressam por esse ofício de cura.

Vó Ana e tia-avó Geralda: irmãs e benzedeiras. Coronel Xavier Chaves. 2015. (Foto: Acervo pessoal)

 

A tradição oral empregada na prática de benzedura representa um vínculo afetivo com a pessoa que ensinou aos benzedores o ofício da cura. Representa o vínculo com o passado, com os costumes, mas também com sua identidade. A forma de transmitir a prática da benzedura reflete na relação que os benzedores têm com o passado, com seus instrutores e com sua forma de ser e vivenciar a prática da benzedura. 

 Além das orações repassadas, os benzedores carregam consigo devoções e religiosidades que se manifestam a partir das vivências e visões de mundo desses sujeitos. Joël Candau mostra que “transmitir uma memória e fazer viver, assim, uma identidade não consiste, portanto, em apenas legar algo, e sim uma maneira de estar no mundo”. A forma como cada benzedeira ou benzedor manifesta seu exercício de fé e cura no presente representa o modo como se conecta com seu passado.

A partir das trajetórias dos benzedores, no qual incluo também a trajetória de minha avó, Ana de Jesus Rodrigues, proponho uma investigação sobre as práticas religiosas e o processo de formação de suas identidades através de suas memórias. O estudo é realizado na cidade de São João del-Rei, em Minas Gerais. Através da História Oral estabelecemos um vínculo de construção de memórias por meio da relação do passado e do presente. Ao lidar com memórias individuais, constituímos um terreno rico para trabalhar a subjetividade, as vivências e emoções desses sujeitos.

As enfermidades vinculadas à prática da benzedura adquirem um sentido próprio que estabelece uma ligação entre o benzedor e o consulente, que busca uma resolução dos males que o afligem. Para Alberto Manuel Quintana, a ligação da doença com o social se verifica pela busca de uma explicação para a doença que consiga dar conta dos componentes biológicos e, principalmente, dos elementos socioculturais. 

A doença não pode ser vista como um processo isolado do seu contexto social. Há sempre uma necessidade de conhecer a causa do mal, e fundamentalmente, as circunstâncias que possibilitaram sua existência. O corpo não é percebido apenas na sua dimensão biológica; ele possui uma dimensão simbólica, pois o corpo é uma construção social. Dessa forma, as doenças que afligem o corpo, assim como as práticas de cura destinadas a combatê-las, também apresentam caráter social. 

As enfermidades vinculadas à prática de benzedura adquirem um sentido próprio entre os benzedores e os consulentes. Se não há esse compartilhamento de crenças, de sentido, de fé, não há como promover a cura.

Aviso informando sobre a suspensão por tempo indeterminado dos benzimentos de dona Teresa por conta da pandemia do coronavírus. São João del-Rei, 29/08/2020. (Foto: Soraia Geralda Santos)

De acordo com Alberto Manuel Quintana, o processo ritual da prática de benzedura é formado basicamente em três momentos. O primeiro seria o diálogo; o processo inicia com a chegada do consulente que solicita a intervenção do benzedor. O segundo, seria a bênção; é a benzedura propriamente dita. Esse momento costuma ser acompanhado com orações católicas como Pai-Nosso, Ave-Maria, Credo e Salve Rainha. E, o último momento, a prescrição, que são condutas de como os consulentes devem agir depois da benzedura para  que o tratamento surta efeito. Alguns benzedores, por exemplo, recomendam que o benzimento seja realizado durante três dias consecutivos, ou indicam tomar um banho de alguma erva medicinal para reforçar o processo de cura. 

Durante a benzeção, alguns recursos e instrumentos são utilizados para auxiliar no processo de cura. A voz, por exemplo, exerce um papel fundamental nos benzimentos, pois aciona os comandos nas orações para que o mal saia do corpo do consulente. O terço é um objeto muito utilizado nas benzeções, assim como o talo da mamona nos benzimentos para cobreiro. Ervas como alecrim e arruda costumam ser usadas nas benzeções de quebranto e mau-olhado. A agulha, linha e um pedaço de pano são utilizados nas orações de jeito e de coser. 

Alguns desses objetos servem como metáfora do corpo intermediário, como sugerem Edimilson Pereira e Núbia Gomes. Para a extinção do mal e o restabelecimento do equilíbrio, as benzeções necessitam de um corpo intermediário, para o qual a doença e o sofrimento possam ser transferidos e anulados. 

A figura dos benzedores está vinculada ao imaginário popular, suas orações e rituais permeiam um universo representativo criado por diversas influências culturais. A imagem formada de um benzedor fomenta uma identidade que os representa diante de sua comunidade. Através da prática, o benzedor representa uma figura intermediária que recebe o poder divino para aplicá-lo nas pessoas que o procuram a fim de se curar. 

Benzedeira Dona Teresa Augusta dos Reis. São João del-Rei, 29/8/2020. (Foto: Soraia Geralda Santos)

No repertório de rezas dos benzedores são recorrentes as orações de quebranto, cobreiro, ventre-virado, entre outras. Esse compartilhamento de orações é comum a esse grupo. A apropriação dessas rezas resulta na ressignificação das práticas de benzedura, ou seja, os benzedores, mesmo com o repertório de orações semelhantes, estabelecem novas leituras por meio de devoções particulares e religiosidades em sua prática de cura. Dessa forma, acreditamos que a prática da benzedura apresenta-se através da relação particular, da leitura que cada benzedor tem com o catolicismo, com outras religiões e crenças.

O ofício da benzedura desenvolvido por esses benzedores e benzedeiras carrega uma força ancestral que se perde no fio do tempo. Suas vozes ecoam saberes, expulsam o mal, promovem a cura, harmonizam o espírito. Fazer o bem é o que move suas trajetórias de vida. 

Tayane Aparecida Rodrigues Oliveira

Historiadora, Mestranda pela Universidade Federal de São João Del-Rei (PGHIS-UFSJ); integrante do Grupo Emancipações e Pós-Abolição em Minas Gerais; e-mail:tayanearo@gmail.com

 

 

Há duas semanas, pastor Gilmar Santos, alvo da PGR e da PF, investiu R$ 450 mil em negócios; filha trabalha na Câmara

Eduardo Barretto-25/3/2022 

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A mulher e uma filha do pastor Gilmar Santos, investigado por cobrar propina para destravar recursos no Ministério da Educação, receberam cerca de R$ 10 mil em auxílio emergencial do governo federal até o ano passado. Há duas semanas, o pastor investiu R$ 450 mil para fundar uma faculdade e uma editora.

Filha do pastor, Quézia dos Santos obteve R$ 5,2 mil de auxílio do governo federal, entre abril de 2020 até julho de 2021. Desde junho do ano passado, Quézia tem um cargo de confiança na Câmara dos Deputados e recebe R$ 4,2 mil mensais, como mostrou o repórter Bruno Abbud. Ela foi nomeada no gabinete do deputado João Campos, do Republicanos de Goiás, integrante da bancada evangélica e próximo a Gilmar Santos.

A pastora Raimunda dos Santos, casada com Gilmar, recebeu R$ 4.650 de auxílio durante a pandemia, de junho de 2020 até outubro do ano passado. Uma das exigências para obter o socorro financeiro do governo federal é ter uma renda familiar mensal de até R$ 3,3 mil.

No início deste mês, Gilmar Santos investiu R$ 450 mil para criar uma faculdade e uma editora em Goiás, como informaram os repórteres Dimitrius Dantas e Daniel Gullino. Apesar do pagamento, o líder religioso deve R$ 204 mil à União.

Atualmente, Gilmar Santos é investigado na PGR e na PF por pedir propina para vender facilidades no Ministério da Educação, comandado pelo pastor Milton Ribeiro. Um prefeito acusou Santos de pedir o dinheiro ilegal por meio de venda de Bíblias.

 

 

Com músicas e intervenção artística, movimento protesta contra caso que ficou conhecido como “Bolsolão do MEC”

Paulo Motoryn- Brasil de Fato | Brasília (DF) | 25 de Março de 2022 

Intervenção do MST em Brasília teve militantes fantasiados de ministro da Educação e presidente da República, com referências a propina – Matheus Alves/MST

Militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realizaram um protesto em frente ao Ministério da Educação, em Brasília (DF), na manhã desta sexta-feira (25).

A ação denunciou a existência de um “gabinete paralelo” no Ministério da Educação, formado por pastores lobistas próximos ao ministro Milton Ribeiro e ao presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em comunicado, o movimento afirma que o caso que ficou conhecido como Bolsolão do MEC “evidencia como o Ministério da Educação se tornou um balcão de negócios voltado a atender os interesses escusos do governo”.

“Enquanto isso, diversas políticas públicas são desmontadas, como é, por exemplo, o caso do Programa Nacional de Educação da Reforma Agrária (Pronera)”, afirma o MST, em nota divulgada à imprensa logo após a ação.

Com os corpos pintados de tinta dourada, os militantes protestaram contra Ribeiro e Bolsonaro. “Ei, você aí, me dá propina aí, um quilo de ouro aí”, cantaram os integrantes do grupo.

 

 

A sessão do Conselho Universitário desta quinta-feira, 24 de março, aprovou resolução que estabelece as condições para o imediato retorno de todas as atividades presenciais administrativas e acadêmicas para os servidores docentes e técnico-administrativos em educação da UFRJ, no dia 11 de abril.

A representante da categoria no colegiado e coordenador do Sintufrj, Joana de Angelis, avaliou a decisão. Ouça o áudio:

A UFRJ ultima os preparativos para a volta presencial plena. As Diretrizes para o Retorno Seguro e o Guia de Biossegurança, revisados e adaptados para a realidade atual já foram divulgados, assim como as resoluções sobre o trabalho remoto e híbrido durante a pandemia. 

O cenário é outro, afirmam os especialistas da universidade. Inclusive os dos Grupos de Trabalho (GT) – Coronavírus e Pós-Covid, que recomendaram em nota técnica no dia 18 de fevereiro, a retomada das atividades presenciais no primeiro período letivo de 2022, que se inicia dia 11 de abril.

Máscaras — A obrigatoriedade do uso de máscaras está sendo flexibilizada em ambientes abertos e fechados por autoridades de saúde em muitas cidades. O Comitê Especial de Enfrentamento à Covid-19, que auxilia o município do Rio de Janeiro na tomada de decisões sobre a pandemia, recomendou o fim do seu uso obrigatório.  

Tudo isso leva a crer que a pandemia acabou. Mas não é bem assim, alerta Alberto Chebabo, diretor da Divisão Médica do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia e membro do Comitê Científico do Rio. Ele compõe o GT da UFRJ que recomenda o uso de máscaras em locais fechados e a cobrança do certificado de vacina.

Alerta — “A epidemia não acabou ainda”, disse ele, apontando que ainda há casos no mundo inteiro e que em alguns países houve até aumento deles. Mas neste momento, no Brasil, está havendo uma redução de infectados pelo vírus — fase que não se sabe por quanto tempo se manterá. Segue estável o número de hospitalizações e mortes no país inteiro, o que não garante que em algum tempo não haja nova onda.

Volta ao trabalho — Chebabo explica que não se justifica mais qualquer tipo de afastamento neste cenário.  A Cidade do Rio de Janeiro, diz ele, tem uma população com cobertura vacinal muito boa, e mesmo que tenha aumento da circulação do vírus, o risco de complicação, internação e morte cai para a maior parte das pessoas. A exceção dos grupos mais vulneráveis, como os imunodeprimidos e idosos, que a ainda podem sofrer algum risco.

Ele lembra que as atividades de retorno acontecem no mundo todo, e a maior parte dos países retirou as limitações da pandemia. O especialista avalia que não tem mais necessidade de distanciamento, mas, embora o uso de máscara na área externa não seja obrigatório, ainda se mantém nas salas de aula e nas áreas internas, além da necessidade de comprovante vacinal.

Recomendação 

Segundo Chebabo, no dia 21 de março a Sociedade Brasileira de Infectologia (SIB) divulgou nota orientando as pessoas a respeito do uso de máscaras, como locais e situações onde não devem manter a proteção, embora não seja obrigatoriedade

A SIB aponta, por exemplo, risco de transmissão e recomenda manutenção do uso de máscaras por todas as pessoas em locais fechados com aglomeração frequente: transporte público (trens, metrô, ônibus e correlatos), em horários de pico, como nas agências bancárias, repartições públicas, lotéricas e instituições de ensino entre outros. E mesmo em locais abertos quando houver aglomeração.

Veja a íntegra da nota: https://infectologia.org.br/wp-content/uploads/2022/03/recomendacaoes-sobre-o-uso-de-mascaras-no-atual-cenario-epidemiologico-quem-quando-e-qual-mascara-utilizar-21-03-22.pdf

(Coordcom/UFRJ)