O #29M no Rio de Janeiro – Dia Nacional de Luta em Defesa do Orçamento para a Educação Pública Federal – uniu o vigor do movimento estudantil e a experiência dos trabalhadores da educação em prol de bandeiras comuns e específicas em manifestação no centro da cidade. A recomposição e a ampliação orçamentária das instituições de ensino estão na ordem do dia.

Aula Pública no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da UFRJ, Ato na Igreja da Candelária com Passeata até o Buraco do Lume marcou a mobilização em que se denunciou também a pauperização das universidades e institutos, fruto do desfinanciamento gradativo das instituições de ensino e da política de arcabouço fiscal do governo.

O Sintufrj, dirigentes e companheiros de base, mais uma vez fortaleceram a manifestação levando o exemplo de que a luta leva a vitória e mesmo com as conquistas de sua greve de mais de 100 dias de paralisação, se faz necessário novamente protestar e pressionar para defender a universidade e o cumprimento integral do acordo de greve por parte do governo federal. Devido a mobilização de trabalhadores, estudantes e reitores o governo voltou atrás no contingenciamento às universidades e anunciou recomposição parcial, mas não é suficiente.

“O recuo do governo nos cortes não muda a situação dramática que nós tínhamos desde que esse orçamento foi aprovado, com redução dos valores necessários ao funcionamento das instituições de ensino, das instituições federais, das universidades, dos institutos. O orçamento da UFRJ, por exemplo, é metade do que era em 2012. São muitos salários atrasados de trabalhadores terceirizados, muitos são demitidos por falta desses recursos e a universidade vive a penúria com teto desabando em faculdades como a de Educação Física ou então com estruturas precárias como no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais. Nós aqui do sindicato precisamos falar uma coisa que nunca é demais reforçar. O caminho é a luta nas ruas. Ano passado nós fizemos uma greve de 113 dias e nós conquistamos parte da nossa recomposição salarial. E teve mais orçamento para as universidades no ano passado porque teve greve. Então a luta é o caminho. É mobilização pelo fim do pagamento dos juros da dívida pública, da taxação das fortunas, pelo fim da escala 6x1por um, e é com luta na rua”, declarou o coordenador-geral do Sintufrj, Esteban Crescente.

Na aula pública no IFCS, promovida pelo DCE Mário Prata, e realizada antes do Ato na Candelária, Esteban Crescente, a dirigente do DCE Giovanna Almeida e a vereadora Maira do MST, trataram do orçamento da UFRJ e a política econômica do governo. Já no Ato na Candelária, estudantes, professores e dirigentes de sindicatos expuseram as mazelas e a realidade que enfrentam nas instituições de ensino defendendo a ampliação dos recursos.

“Prédios fechados, desabando e caindo. Essa situação se repete e se perpetua por todas as universidades. Tais dificuldades vêm dos constantes cortes orçamentários que a educação sofre. Há quem diga que estudante é vagabundo, mas desde que eu entrei na universidade o que ouço é um grito ecoar: queremos estrutura, estudar com dignidade. Até por que não existe um mundo sem educação. Lutamos para poder produzir uma ciência socialmente referenciada, que pode transformar a vida da classe trabalhadora. Para nossas universidades se recuperarem queremos 10% do PIB e a taxação das grandes fortunas para investir na educação”, anunciou uma representante da UNE.

“Por isso que mais uma vez estamos aqui nas ruas, professores, estudantes, organizados. Para reivindicar aquilo que produzimos nesse país. Nós queremos defender o orçamento, a ampliação real do orçamento das universidades públicas para que a gente possa ter expansão da pós-graduação, expansão da graduação, expansão dos serviços de qualidade para serem oferecidos à população do Rio de Janeiro e de todo o Brasil”, disse a dirigente do Andes, Cláudia Piccinini.

“Precisamos exigir o fim do arcabouço fiscal, que é o dinheiro destinado ao pagamento dos juros e da dívida pública desse país. Mas ainda companheiros, é preciso movimentar as nossas entidades nacionais por uma jornada de lutas e incorporar toda a educação pública por mais recursos para a saúde e educação, para nossas universidades e institutos federais. Por fim, é manter a nossa luta de defesa de 10% do PIB para a educação. Não podemos sair da rua enquanto o governo ataca nossas universidades e nossos institutos. Vamos à luta pessoal. A luta continua”, afirmou o coordenador do Sintuff, Wagner Peres.

 

A  reitoria cancelou a reunião de instalação da Comissão Interna de Supervisão (CIS) prevista para a tarde desta sexta-feira. Por meio de comunicado enviado aos integrantes da comissão na manhã de hoje, a reitoria alegou “compromissos imprevistos e emergenciais” do reitor para justificar o cancelamento a poucas horas da reunião. A instalação da CIS havia sido marcada depois de muitas cobranças do Sintufrj. A reunião foi desmarcada sem que a reitoria indique outra data.

 

A crise financeira de unidades de saúde da UFRJ será tema de debates com gestores da área na live que o Sintufrj vai realizar às 19h de terça-feira, 3 de maio. O centro da discussão, o  Prhosus, o programa de financiamento dos hospitais universitários cujos recursos não são repassados. A crise se agrava nos institutos de psiquiatria e neurologia, no instituto de Ginecologia e no Hesfa, o Hospital Escola São Francisco Xavier.

Na manhã/tarde desta quinta-feira (29), com apoio do Sintufrj, técnicos, professores, estudantes e pacientes do Instituto de Psiquiatria da UFRJ (Ipub) fizeram nova manifestação no campus da Praia Vermelha e em um dos sinais de trânsito da Avenida Venceslau Braz. No dia anterior, o protesto foi da comunidade do Instituto de Ginecologia, com os manifestantes interditando uma das pistas da Avenida Getúlio Vargas.

A situação do Ipub é crítica. Hospital de referência no atendimento de pacientes na área de saúde mental, o Ipub corre o risco de parar por inanição financeira. A prometida verba do Prhosus (programa que substituiu o Rehuf) não chegou e não se tem previsão quando isto irá acontecer. A ausência de recursos tem impacto em várias áreas da unidade de saúde.

As prateleiras da farmácia estão vazias, sem medicamentos; vários aparelhos de ventilação estão quebrados; a alimentação de funcionários e pacientes está precarizada. Um cenário de devastação.

O Ipub atende duas mil consultas ambulatoriais por mês, assiste, com internação, 40 pacientes com transtornos mentais e sofrimento psíquico e é centro de formação de pesquisa e residência médica.

 

 

O instituto de Ginecologia da UFRJ, com 78 anos de existência, suspende, pela primeira vez, a realização de cirurgias. A perda de quase 40% do seu orçamento de 2023 para cá, levou a dívidas que engessam o dia-a-dia no atendimento à população. A comunidade reage: com apoio do Sintufrj, trabalhadores e trabalhadoras, estudantes e pacientes do IG, muitos vestidos de rosa, foram para as ruas nesta quarta-feira, 28, protestar contra a falta de recursos que está impedindo o funcionamento da unidade de saúde.

Denúncia em alto e bom som

O ato começou em frente à unidade, na Rua Moncorvo Filho, no Centro. Trabalhadores, estudantes e pacientes se revezavam com os coordenadores do Sintufrj ao microfone para denunciar, com apoio do carro de som do Sindicato, a asfixia orçamentária da unidade e reivindicar solução.

Em seguida, no sinal de trânsito próximo, abordavam o público, panfletavam e explicavam as razões do protesto. Dalí, saíram em passeata até a Avenida Presidente Vargas onde, com apoio de agendes de tráfego, fecharam uma das pistas, exibindo cartazes, bandeiras e faixas, anunciando ao público o motivo da manifestação. Na esquina seguinte, a passeata seguiu pela Rua Marechal Caldwell para retornar ao instituto.

 

Patrimônio do Brasil

   

O diretor do IG, Gutemberg Almeida denunciou a crise que afeta ensino, pesquisa e o atendimento à população. Ele contou que, embora as consultas se mantenham, 28 cirurgias foram suspensas desde 19 de maio. “Em 2024, nós realizamos 381 cirurgias, 17.191 consultas”, disse ele, explicando que não houve repasse de R$ 669 mil correspondentes a recursos do Rehuf (programa do governo de apoio aos hospitais, transformado em 2023, no ProSUS, mas que até hoje não mandou recursos).

O orçamento do Instituto, segundo ele, tem três fontes, uma o Orçamento Participativo, da universidade, (ano passado foi de R$250 mil); o contrato com a Secretaria Municipal de Saúde e a verba que viria do Rehuf. Só que desde janeiro de 2024 até hoje, nenhuma das unidade de saúde que dependem deste recurso (IG, Psiquiatria, Hesfa e Neurologia) viu um tostão. Isso representa, no caso do IG, em torno de 40% do orçamento.

O diretor contou que o IG foi criado há 78 anos. “Nesse período até hoje, nós atendemos mais de 300 mil mulheres aqui nesse prédio, prestando uma assistência de qualidade. Formamos centenas de profissionais de qualidade. O ano passado, deixou de receber a verba do Rehuf. Com isso, fechamos, pela primeira vez em 78 anos, no vermelho. Não conseguimos honrar todos os nossos contratos. A empresa de lavanderia, com a empresa de esterilização, com outras empresas, e sobretudo com a empresa de alimentação, que rompeu o contrato conosco e deixou de fornecer a alimentação para os nossos pacientes, os seus acompanhantes e para os nossos residentes”, lamentou. “Nós não podemos deixar o Instituto de Ginecologia morrer. É um patrimônio no Brasil”, disse o diretor.

Por dignidade no atendimento

Esteban Crescente, coordenador-geral do SINTUFRJ alertou que essa situação implica nas condições de trabalho de trabalhadoras e trabalhadores. “Sem recursos, temos problemas infraestruturais e falta de insumos na unidade. Colegas das firmas terceirizadas, serviços de asseio, vigilância, alimentação, muitos estão com problemas para receber o salário e alguns já foram demitidos porque não há continuidade do contrato. Nosso sindicato tem consciência de que essa política de restrição orçamentária vem de muito tempo, de governos anteriores. E isso recai aqui no Instituto de Ginecologia. O que nós queremos é dignidade para a população, porque aqui se cuida de saúde da mulher. Por isso que nosso sindicato está aqui hoje, reivindicando que o governo se movimente e dê uma resposta para esse Instituto tão importante para a população do Rio”.

Francisco de Assis, coordenador da Fasubra e coordenador-geral do Sintufrj lembrou que o Congresso Nacional controla um grande percentual da verba do governo: “Ou seja, é o Parlamento querendo gerir os recursos do governo, o que é uma contradição no estado Democrático de Direito. Um Congresso extremamente difícil de mudar, que tem usado todos os instrumentos para impedir ações em favor dos trabalhadores e da sociedade. É importante a gente fazer essa leitura de conjuntura para que não erre o alvo”, disse ele, contando que esteve no Congresso recentemente, e viu a forma como determinados parlamentares atuam, impedindo projetos de interesse da sociedade em troca de anistia para quem participou do golpe em oito de janeiro. Ele aponta que é importante lutar para que na próxima legislatura haja parlamentares que atuem na defesa de serviço público e dos trabalhadores.

Marly Rodrigues, coordenadora do Sintufrj falou para a população lembrando que o IG pede socorro e que é preciso que o governo invista nos hospitais proque os doentes não podem esperar.  “Vamos fazer com que o governo entenda que precisamos de Saúde e Educação de Qualidade, que o IG continue funcionando porque os doentes não podem esperar. Não vai  ter corte, vai ter luta!”.

Estavam presentes ainda, além de apoiadores, coordenadores como José Carlos Xavier, Norma Santiago, Maria Lenilva, Selene Vaz e Selma Martins e o integrante de Departamento João Boró

Luigi Rizzo, representante do DCE Mário Prata , lembrou que em 12 anos o orçamento da UFRJ está reduzido a menos de 50% e que faltam insumos básicos. Isso, a seu ver é um projeto de privatização que favorece o setor privado.

Gibran Jordão, representante dos técnicos-administrativos no IG, apontou a importância da participação do Sintufrj e dos trabalhadores, pacientes e estudantes presentes e agradeceu a comissão que os TAE constituíram para organizar o ato. Mas lembrou que a luta não acaba ali e que é preciso organizar os próximos passos.

A crise no dia a dia

Eli Albana dos Santos, é paciente do IG desde 2022, tem cisto no ovário e precisa operar. Mas o equipamento necessário está quebrado há três anos. Foi remanejada para outra unidade de saúde e até fez um procedimento , mas o cisto continua lá e voltou a doer. E não é apenas o equipamento necessário a Eli que precisa de reparo.

A professora Lívia Migowiski explicou que, embora a crise hoje afete alimentação e lavanderia e, consequentemente, as cirurgias, a unidade vem passando por esses problemas há muito tempo. “A gente vem tendo dificuldade de repor o material que vai quebrando, de repor funcionário que se aposenta. Então existe uma crise de pessoal e uma crise de dinheiro mesmo para acompanhar a tecnologia, que foi se deteriorando e a gente não consegue repor”.

Vera Lúcia Amaral trabalhou 30 anos na unidade, técnica de enfermagem da Secretaria de Reprodução Humana. Extraquadro, foi avisada em dezembro que a universidade não tinha mais condições de pagar extraquadros e que ela não podia mais ficar. Todos os extraquadros foram dispensados. “Foi um baque. Trinta anos. Não estou trabalhando ainda. Não queria sair porque eu amo muito o que fazia. Os pacientes, médicos..”, disse ela que, de fato, era cumprimentada com abraços e muito carinho por onde passava.

Silmara Nascimento é diretora adjunta conta que a unidade estava sobrevivendo do Orçamento Participativo, que é pouco, e da contratualização com o SUS, que chega de acordo com a produção do hospital. “Quanto mais você produz mais você ganha. Só que se há poucos insumos, produz menos. E consequentemente recebe menos. Num ciclo vicioso. A gente costumava fazer de 10 a 15 cirurgias por semana, mas está com as cirurgias suspensas por causa da empresa de alimentação. Quando juntou quatro meses de notas, esta suspendeu o serviço, dentro do direito dela”, disse ela, explicando que a unidade está mantendo os ambulatórios funcionando, mesmo com todas as dificuldades.

     

 

. Pelo desprezível, vergonhoso e repugnante ataque machista e misógino à ministra Marina Silva?!

No dia 21 de maio, o Senado aprovou o Projeto de Lei (PL) 2.159/2021, que cria a Lei Geral do Licenciamento Ambiental (LGLA), conhecido como o PL da Devastação. A proposta é considerada um retrocesso por organizações ambientalistas, pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e por outros órgãos públicos. Especialistas questionam a possibilidade de auto licenciamento por empresas para obras de pequeno e médio portes, além da isenção de licença para determinadas atividades agropecuárias. A matéria é apoiada pela bancada ruralista e pelo

Na terça-feira, 27, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, que contesta veementemente o PL da Devastação, foi alvo de ataques machistas e de teor misógino, em sessão da Comissão de Infraestrutura do Senado pelos parlamentares Plínio Valério (PSDB-AM), Omar Aziz (PSD-AM) e pelo presidente da comissão, senador Marcos Rogério (PL-RO). As cenas grotescas e as falas chocantes de senadores da extrema direita e do extremo Centrão mais uma vez mostraram.

Segundo o deputado federal Reimont (PT-RJ), “a arrogância misógina faz parte da rotina do atual Congresso Nacional, onde as mulheres são diariamente desrespeitadas, onde diariamente enfrentam tentativas de silenciamento. Isso acontece com todas as parlamentares do campo progressista e com ministras de Estado”.

“Quiseram que ela se calasse! Marina Silva não se calou! O trio repetiu uma prática instalada no Congresso pelo então parlamentar Jair Bolsonaro, que por três vezes agrediu e atacou a deputada federal Maria do Rosário, chegando ao absurdo de dizer “não estupro você, porque não merece”. A frase criminosa, dita pela primeira vez em 2003, no Salão Verde da Câmara, propagou uma cultura de violência contra as mulheres e corrompe que hoje invade as redes sociais, as escolas e contamina e corrompe parte da nossa juventude”, acrescentou o deputado.

Atuação do GT Mulher Sintufrj

Machismo, misogenia, assédio moral, assédio sexual são temas que não faltam às reuniões mensais do Grupo de Trabalho (GT) Mulher do Sintufrj, na maioria das vezes motivadas por denúncias de trabalhadoras e estudantes da universidade contra chefes e professores. O GT é aberto à participação de todas as companheiras servidoras (técnicas-administrativas e docentes), terceirizadas, prestadores de serviços e alunas da instituição. Um espaço que abraça e acolhe todes. Fiquem atentas às convocatórias das reuniões.

Saiba mais sobre o PL da Devastação

Uma das alterações aprovadas pelo Senado é a criação da Licença Especial (LAE), destinada a empreendimentos considerados “estratégicos” pelo Conselho de Governo. Essa licença permite uma aprovação simplificada, mesmo para projetos que causem impactos ambientais relevantes. A expectativa de algumas e alguns parlamentares é de que essa licença, com rito simplificado e dispensa de etapas, possibilite a exploração de petróleo na Amazônia.

O projeto também amplia a Licença Ambiental por Adesão e Compromisso (LAC), ao permitir que empreendimentos – inclusive de médio porte e com potencial poluidor – obtenham a licença automaticamente, apenas ao preencher um formulário online, sem análise prévia dos órgãos ambientais.

De acordo com o Instituto Socioambiental (ISA), a aprovação do projeto coloca em risco mais de 3 mil áreas protegidas, incluindo Terras Indígenas e Territórios Quilombolas, e pode resultar no desmatamento de uma área equivalente ao tamanho do estado do Paraná. O PL ainda prevê a dispensa automática de licenciamento para 13 atividades e empreendimentos, como agricultura, pecuária, melhorias em instalações preexistentes e estações de tratamento de água e esgoto.

Outro ponto crítico apontado pelo ISA é a descentralização excessiva, que permite a estados e municípios criarem suas próprias listas de isenções. Isso pode gerar insegurança jurídica, conflitos de normas e uma competição predatória para atrair investimentos.

O PL também afeta áreas protegidas, ao excluir do licenciamento as Terras Indígenas e Quilombolas ainda não regularizadas e ao considerar Unidades de Conservação apenas em caso de impacto direto. Essa mudança pode deixar desprotegidos cerca de 40% dos territórios indígenas e mais de 96% das comunidades quilombolas sem titulação, informou a organização não governamental. O projeto ainda exclui os bancos de responsabilidade por crimes e danos ambientais cometidos por empreendimentos que financiam, colocando em risco regras atuais que proíbem o crédito a desmatadores, entre outros ataques.

MINISTRA MARINA SILVA, enfrentou reacionários agrotoscos no Senado

 

 

MEC fará recomposição de R$ 400 milhões do orçamento das universidades, segundo ministros. Anuncio do governo é feito na véspera de uma grande manifestação nacional em defesa da educação que aqui no Rio tem concentração marcada para as 16h na Candelária na quinta-feira, dia 29

COM AGÊNCIA BRASIL

O pró-reitor de Planejamento e Finanças da UFRJ, Helios Malebranche, disse que a recomposição orçamentária das universidades e institutos federais anunciada na manhã desta terça-feira (27) não acaba com o contingenciamento, mas representa uma melhora: fica sem efeito o decreto 12.448 de 30 de abril que determinava a liberação mensal de apenas 1/18 do orçamento e é retomado a liberação de 1/12 mensalmente.

A alteração no orçamento das instituições federais de ensino foi anunciada numa reunião no Palácio do Planalto  sem a presença do presidente Lula — que foi diagnosticado com labirintite.

O anúncio da recomposição de R$ 400 milhões no orçamento de 2025 foi feito a reitores pelos ministros da Educação, Camilo Santana, e da Fazenda, Fernando Haddad. Além disso, R$ 300 milhões que estavam retidos por decreto serão liberados.

De acordo com o ministro da Educação, ao passar pelo Congresso Nacional, o orçamento dessas instituições sofreu um corte de R$ 340 milhões em relação ao que foi encaminhado pelo governo.

Além disso, segundo Santana, o congelamento de R$ 31,3 bilhões de gastos não obrigatórios do Orçamento de 2025, anunciado na semana passada, não afetará as instituições federais de ensino.

MINISTRO CAMILO SANTANA anuncia “recomposição orçamentária” para instituições federais de ensino.

 

Cinco milhões de africanos sequestrados no Brasil, o último país do continente a abolir a escravidão

“O Brasil foi o principal destino dos africanos escravizados para as Américas e o último país do continente a abolir a escravidão, em 13 de maio de 1888, dois anos depois de Cuba e mais de 20 anos depois dos vizinhos”. Com essa informação o intelectual e militante Carlos Alberto Medeiros, iniciou a sucinta retrospectiva sobre a trajetória dos negros sequestrados da África nas terras brasileiras, e transformou a rotineira reunião híbrida do GT Antirracismo da entidade, na quarta-feira, 21 de maio, em uma profícua aula de história. O palestrante falou via internet.

 

“Estimativas indicam que teriam vindo 10 milhões de escravizados para as Américas, destes, 5 milhões para o Brasil. Portanto, a escravidão é um fenômeno muito presente em todas as regiões do país, principalmente acompanhando os ciclos da economia brasileira, como do ouro, da cana de açúcar e do café. Todos esses ciclos se basearam na escravidão de africanos”, acrescentou o estudioso.

 

Carlos Alberto Medeiros é ex-aluno de graduação da Escola de Comunicação da UFRJ (ECO) e de doutorado em História Comparada no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS). É mestre pela UFF em Ciências Jurídicas e Sociais, tradutor e autor do livro “Na lei e na raça: relações sociais Brasil-Estados Unidos”. Seu campo de atuação preferencial é com os temas preconceito, discriminação e racismo no Brasil e no mundo.

“Não tive professores negros na ECO/UFRJ. Havia um na faculdade, Muniz Sodré, mas não tive aulas com ele. Na verdade, não tive professores negros no primário e no ginásio. Curiosamente, isso só ocorreu na Escola de Aeronáutica, quando fui cadete, e em plena ditadura. Na universidade, isso só viria a ocorrer no doutorado em História Comparada no IFCS, e que se tornaram meus orientadores: Wallace de Moraes e Flávio Gomes”, disse. Medeiros foi aluno da ECO de 1969 a 1972.

 Plateia

Nesse dia, além das trabalhadoras e trabalhadores, a plateia no Espaço Cultural da entidade foi composta pelos alunos da disciplina Fundamentos da Capoeira, da Escola de Educação Física e Desportos  da UFRJ, por orientação da professora e pesquisadora do Departamento de Lutas, Livia Pasqua.

O convite foi feito pela técnica-administrativa da Secretaria de Extensão do Instituto de Geociências (IGEO) e mestranda do Programa História da Ciência e das Técnicas Epistemológicas, Rosi da Cruz.

Um histórico de revoltas (box)

Segundo Medeiros, houve muitas revoltas dos escravos país afora, especialmente nas regiões onde era mais intensivo o uso da mão de obra escravizada, surgindo os quilombos (comunidades de escravos fugitivos que se estabeleciam em áreas isoladas e criavam suas próprias sociedades), que em outros países da América Latina são chamados de palenques e marrons. O mais importante quilombo brasileiro foi o de Palmares, que durou cerca de cem anos, localizado na Serra da Barriga, atualmente estado de Alagoa, construído em 1655. Contava com o maior exército antes das guerras da independência – 5 mil a 9 mil homens –, e uma população de 20 mil pessoas. “Zumbi dos Palmares foi o grande líder e a data da sua morte, 20 de novembro, se transformou em feriado nacional: o Dia da Consciência Negra”, destacou o palestrante.

Apesar das lutas de resistência, o principal fator da abolição da escravidão chegar ao Brasil foi a Revolução Industrial, que começou na Inglaterra na metade do século XVIII, a partir da máquina a vapor. “A máquina a vapor não apenas substitui o trabalho humano, como aumenta, exponencialmente, o número de artigos colocados no mercado e em função disso a necessidade de expandir os mercados consumidores para que esses produtos não ficassem condenados a prateleiras dos estabelecimentos. Por isso a Inglaterra exerce pressão sobre o governo do Brasil para primeiro, abolir o tráfico de escravizados e depois a escravatura”, explica.

Surgimento dos movimentos

 

Foram tempos de muitas tensões e injustiças. “Pessoas que não podiam mostrar vínculo de emprego eram presas, e essa era exatamente a condição de ex-escravizados que não encontravam espaço no mercado de trabalho. A partir disso, tem início uma nova fase da luta dos negros para melhorar a sua posição na sociedade, para eliminar a discriminação. Começam a surgir os movimentos, organizações e entidades, também uma imprensa negra, e os clubes de negros, que eram associações criadas para os negros pudessem ter seus espaços de lazer, divertimento e de encontro”.

 

Na avaliação de Medeiros, a Frente Negra Brasileira, fundada em São Paulo em 1931, foi a principal organização pós-escravidão por oferecer multiplicidade de atividades. A FNB tinha e filiais em outras cidades e estados, e chegou a ter 8 mil membros. “Ali se fazia não apenas atividades político e ideológico, mas de clube de dança, grupos de teatro, jovens iam lá para se encontrar e também havia  prestação de atendimento médico-odontológico. As pessoas eram estimuladas a se inscreverem como eleitores – nessa época o voto não era obrigatório”.

 

Um partido negro

 

Em 1936, a frente vira um partido. “Nós tivemos um partido político negro no Brasil até 1937, quando houve o golpe do Estado Novo, que durou até 1945, e fechou a frente e todos os partidos políticos. Na década de 1940, foi fundada uma grande organização, o Teatro Experimental do Negro, em 1945, sob liderança do grande intelectual, militante do movimento negro no século XX, talvez um dos grandes e todos os tempos, o Abdias Nascimento. O objetivo era, ao mesmo tempo, proporcionar a atores negros a possibilidade de exercer os papéis principais, que era absolutamente impossível na época, e também contribuir para conscientizar a sociedade brasileira, particularmente a população negra, sobre a questão racial”.

 

OLHO

“Até essa época, o grande inimigo — e continuou sendo por algum tempo –, o grande obstáculo a qualquer avanço na área da questão racial no Brasil não era uma força armada, uma polícia; era uma ideologia, que depois foi denunciado como farsa da democracia racial. A ideia de que nós não tínhamos um problema racial no Brasil. Pessoas falavam que não havia preconceitos de cor, mas elas eram exceções, não representavam a alma da sociedade brasileira”.

 

 

Pesquisa da Unesco

 

Essa realidade começou a melhorar um pouquinho no início da década de 50, lembra o especialista no tema, em função de uma pesquisa da Unesco encomendada com o objetivo de mostrar a realidade racial brasileira. Trabalho que envolveu alguns dos principais sociólogos da época, como Florestan Fernandes, Otávio Ianno, Alberto Guerreiro Ramos, Darcy Ribeiro, Fernando Henrique. Segundo Medeiros, também contribuiu para o despertar de uma consciência os crimes raciais praticados na Segunda Guerra Mundial.

 

“O resultado da pesquisa confirmou a ideia de que os negros no Brasil tinham sim problemas, não no nível do que havia nos EUA ou na África do Sul, que recentemente adotara o regime Apartheid. Na década seguinte, a gente tem o golpe de 64, que logo nas suas primeiras ações colocou o problema racial entre as questões de segurança nacional.

 

Políticas afirmativas

mudam o cenário

“Digo que o grande avanço que obtivemos quanto à questão racial foram as políticas de ação afirmativa, que não só mudaram significativamente a paisagem humana de nossas universidades públicas, mas — o que considero ainda mais importante — obrigaram a sociedade brasileira a discutir esse tema, tradicionalmente rejeitado tanto à direita quanto à esquerda do espectro político. Hoje ele está quase que diariamente presente em nossa imprensa escrita e televisada, com reflexos que incluem desde a agora frequente punição aos perpetradores de atos racistas até o aumento do número de repórteres e âncoras negros, e da presença de personagens negros como protagonistas na publicidade e nas novelas”, conclui Medeiros.

. Veja no Youtube do Sintufrj a palestra completa do especialista

IMAGEM DO CAIS DO VALONGO, onde escravizados desembarcavam

 

 

Em abril de 1997, há 28 anos, Sebastião Salgado – que morreu nesta sexta-feira (23) – foi personagem central de um evento inédito organizado pelo Sintufrj no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS): durante 7 dias, a exposição Terra/Sebastião Salgado/MST reuniu além do grande fotógrafo, personalidades como o escritor José Saramago, Celso Furtado, Herbert de Souza (o Betinho), Plínio de Arruda Sampaio e Gilmar Mauro, dirigente nacional do Movimento dos Sem Terra. O evento foi abrigado no IFCS: exposição no pátio interno, debates nas escadarias em frente ao Largo de São Francisco.

Além das imagens expostas, Sebastião Salgado lançou seu livro-catálogo, com texto de apresentação de Saramago. O livro foi descrito como “uma crônica visual do MST”. Foi um outono diferente para o Sintufrj num evento que teve a marca da adesão do sindicato ao projeto de solidariedade ao MST subscrito por Salgado, Saramago e Chico Buarque de Holanda na luta pela reforma agrária: terra para todos: plantar, viver e colher. Reforma Agrária que até hoje não chegou. Essa atmosfera de busca por justiça envolveu centenas de pessoas atraídas pela exposição e pelos debates.

“JÁ FOTOGRAFEI MAIS DE 100 PAÍSES. E DIGO A VOCÊS QUE CERTOS CAMPOS DE REFUGIADOS SÃO MAIS CONFORTÁVEIS DO QUE VÁRIOS ACAMPAMENTOS DOS SEM-TERRA QUE CONHECI NO BRASIL”, Sebastião Salgado.

SEBASTIÃO SALGADO, HERBERT DE SOUZA E JOSÉ SARAMAGO no debate organizado pelo Sintufrj. Imagem da Revista Projeto Memória, de 2014, que registra a exposição

Instituto Terra anunciou morte do fotógrafo em Paris

Fotos: Agência Brasil e Sintufrj

   

“Com imenso pesar, comunicamos o falecimento de Sebastião Salgado (aos 81 anos), nosso fundador, mestre e eterno inspirador”, informo nesta sexta-feira, 23, o Instituto Terra, fundado por ele e sua esposa. Salgado foi, como lembra a nota do instituto, “muito mais do que um dos maiores fotógrafos de nosso tempo. Ao lado de sua companheira de vida, Lélia Deluiz Wanick Salgado, semeou esperança onde havia devastação e fez florescer a ideia de que a restauração ambiental é também um gesto profundo de amor pela humanidade. Sua lente revelou o mundo e suas contradições; sua vida, o poder da ação transformadora”.

Segundo o site Brasil de Fato (BdF) o fotógrafo, que morava em Paris, na França, deixa dois filhos, Juliano e Rodrigo, e dois netos, Flávio e Nara e enfrentava complicações de saúde decorrentes de uma malária contraída nos anos 1990.O fotógrafo iniciou sua carreira em 1973 e desenvolveu projetos em mais de 100 países. Uma de suas obras mais conhecidas e importantes foi uma série de imagens em preto e branco de Serra Pelada, local de mineração de ouro na Amazônia, na década de 1980.

“Ao longo da carreira, Salgado demarcou posição ao lado da luta por dignidade das trabalhadoras e trabalhadores. Com sua câmera consagrada, documentou a luta do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em diversos momentos diferentes, como na ocupação da fazenda Giacomet-Marodin, no Paraná, e no triste episódio do massacre de Eldorado de Carajás, no Pará. Em diferentes oportunidades, manifestou seu apoio e solidariedade ao movimento”, registrou o BdF, .

“O MST é um movimento de ocupação desse espaço vazio, para dar vida e sentido a essa terra. Eu o vejo como um elemento necessário tanto para a ecologia como para o lado social, da redistribuição de renda”, afirmou, à época do lançamento de seu livro Terra, que retrata a luta pela reforma agrária no Brasil nos anos 1990.

Sintufrj organiza, em 1997 Exposição Terra, no IFCS

 

Essa foi uma das fotos cedidas por Saramago para a exposição do Sintufrj. Ao lado dela, imagem da Revista Projeto Memória, de 2014, que regista a exposição organizada pelo Sindicato no IFCS em 1997.

“Terra”, livro com fotos de Sebastião Salgado, prefácio do escritor português José Saramago e o CD com músicas de Chico Buarque de Holanda foi lançado em 1997.  Houve exposições de fotos em todos os estados do Brasil e em mais de 40 países. As fotos, o livro e o CD tiveram seus direitos autorais doados para o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). No Rio, o Sintufrj organizou o lançamento que foi no IFCS.
Lula exalta inconformismo do ativista

Em nota, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou a morte do fotógrafo e disse se sentir profundamente triste. “Seu inconformismo com o fato de o mundo ser tão desigual e seu talento obstinado em retratar a realidade dos oprimidos serviu, sempre, como um alerta para a consciência de toda a humanidade”, afirmou, conforme registrou a Agência Brasil. “Sua obra continuará sendo um clamor pela solidariedade. E o lembrete de que somos todos iguais em nossa diversidade”, completou Lula.

 

 

O governo respondeu um NÃO para todas as pautas colocadas relacionadas ao cumprimento do Acordo de Greve na reunião de agora há pouco em Brasília. Dirigentes da Fasubra deixaram o MGI indignados e fizeram o relato para a massa de servidores que está em Brasília para justamente pressionar o governo. O único ponto que o MGI aceitou, de acordo com a Fasubra, foram as regras de transição, um ganho da categoria que pressionou os reitores. Trabalhadores da UFRJ estão em Brasília integrando a caravana organizada pelo Sintufrj. Esses companheiros estão na capital federal com trabalhadores de outros estados para mostrar a disposição de luta dos técnicos-administrativos em defender o Acordo de Greve.

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MANIFESTAÇÃO DIANTE DO MGI, EM BRASÍLIA. Trabalhadores da UFRJ presente