Oposição e Centrão trabalham para aprovar proposta, mas Jornada de lutas mobiliza trabalhadores

Se encontra no Congresso Nacional nova investida para aprovar a reforma administrativa com vistas a atender a sanha mercantilista dos senhores do mercado. Diante desse novo ataque ao serviço público e a seus trabalhadores o movimento sindical colocou na rua uma jornada de lutas que se inicia em 2 de julho e culmina dia 14 de julho, quando os mentores da nova proposta de reforma pretendem apresentá-la no Congresso.

O Jornal do Sintufrj entrevistou o especialista em serviço público, Vladimir Nepomuceno, sobre essa nova investida com vistas a privatização do que é público.

O ex-diretor do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar) e Dieese /DF explica que agora não é o retorno da PEC 32/2020 e que a oposição, junto com o Centrão, está trabalhando de uma outra forma para aprovar a reforma aos moldes do empresariado. Ele alerta que para derrotar essa proposta há de se ter uma luta muito mais difícil do que a luta contra a PEC 32/2020.

“Inicialmente foi criado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), o Grupo de Trabalho, coordenado pelo deputado Pedro Paulo (PSD/RJ), que é um neoliberal, com o objetivo de apresentar em até 45 dias uma proposta de reforma administrativa”.

Segundo Vladimir Nepomuceno, o GT, composto por maioria da oposição + Centrão, já tem uma proposta pronta, construída por assessores da Câmara juntamente com instituições do setor privado e deve apresentar sua proposta no dia 14 de julho. E por sugestão que sejam editadas uma PEC, além de pelo menos três projetos de lei complementar, podendo também serem propostos projetos de lei ordinária.

“Como é um GT, o seu relatório não vai a voto, pois o GT não pode apresentar proposições legislativas (PECs, PLs), mas sugerir o que deve ser feito. Quanto ao conteúdo, a proposta vai além da PEC 32/2020, já que proporá uma PEC, nos moldes da PEC 32, e projetos de lei que já avançariam na regulamentação de vários pontos”.

Dentre esses pontos, estão em pauta os supersalários, o fim da paridade entre servidores ativos e inativos, a flexibilização de contratos de trabalho no serviço público, a regulamentação de contratações temporárias, regras para o teletrabalho, mudanças nos critérios de progressão nas carreiras e a criação de incentivos baseados em desempenho.

Vladimir ainda explica também que parte importante da PEC 32/2020 já estaria regulamentada como o fim do Regime Jurídico Único (RJU) com a possibilidade agora de criação de outros regimes jurídicos nos Poderes da União e nas esferas municipal, estadual e federal.

E Nepomuceno, ex-sindicalista e que foi diretor de Relações de Trabalho do Ministério do Planejamento, alerta: enfim, se quisermos derrotar essa proposta teremos uma luta muito mais difícil do que a luta contra a PEC 32/2020.

DEPUTADO PEDRO PAULO (PSD/RJ) coordena Grupo de Trabalho que elabora proposta de reforma administrativa que ataca trabalhadores

 

 

Em uma roda de conversa no Salão Nobre do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, na manhã desta segunda-feira, dia 30, integrantes da Comissão de Prevenção e Combate ao Assédio Moral e Sexual do IFCS apresentaram o novo protocolo de atuação (que ainda será submetido à Congregação) para institucionalizar as principais orientações para a prevenção e combate destas práticas na unidade.

Os coordenadores do Sintufrj Norma Santiago, de Políticas Sociais, e José Carlos Xavier, de Política Sindical, junto com as integrantes do Departamento de Enfrentamento ao Assédio Moral e Conflitos no Trabalho, as assistentes sociais Anaí Estrela e Aline Silveira, representaram a entidade. O evento foi prestigiado por representantes de outras unidades, como o IESC e instituições, como UERJ.

Impactos do programa federal

Ouvidora da UFRJ de 2022 a 2025, Luzia Araújo fez um resgate histórico do sofrimento imposto aos trabalhadores escravizados até os dias de hoje: “Com o  capitalismo isso não mudou”, disse ela, apontando que ainda há casos de humilhação no ambiente de trabalho e os impactos da violência que se estendem a vida pessoal, como estresses, transtorno e até suicídio.

Luzia apresentou os impactos do decreto nº  12.122 de 2024, que Institui o Programa Federal de Prevenção e Enfrentamento do Assédio e da Discriminação, no âmbito da administração pública federal.  Ela destacou o papel da instituição no acolhimento das pessoas, a garantia do sigilo, a efetivação da denúncia se for do desejo do trabalhador. Ela apontou a importância de as pessoas que veem um caso destes acontecer de não se calarem. A ouvidora listou ainda as muitas ações de sensibilização, campanhas, cartilhas e outras iniciativas da ouvidoria nos últimos anos.

Enfrentando o problema

O diretor do IFCS, Fernando Santoro, explicou que esta é uma das três comissões de atendimento à comunidade do IFCS criadas pela direção e a Congregação – as outras são Comissão Permanente de Prevenção e Combate ao Racismo e às Discriminações no IFCS e a Comissão de Acessibilidade – destacando que é importante que sejam compostas pela própria comunidade. “A gente está construindo um protocolo de ação que deverá ser aprovado pela congregação para enfrentar o problema de assédio moral e sexual e, principalmente, por meio da informação, evitar que as situações aconteçam”.

A roda de conversa, mediada por Andréa Gil, professora do Departamento de Ciência Política e integrante da comissão. A presidente,  Aparecida Moraes, do Departamento de Sociologia,  que apontou objetivos e protocolos da comissão.

Segundo Aparecida Moraes, o foco prioritário é as pessoas buscarem apoio e acolhimento. O tripé deste trabalho, aliás, é acolhimento, escuta e o bem-estar das pessoas.

O protocolo define o escopo da comissão, objetivos, procedimentos e modos de acolhimento. E o que cabe à unidade dentro do que dispõe o decreto que institui o programa de prevenção e enfrentamento do assédio na administração federal. “Esse é um trabalho coletivo”, faz questão de dizer a presidente, explicando que o objetivo do evento foi abrir debate sobre o protocola para a produção de uma versão final que será encaminhada à direção para aprovação na Congregação da Unidade.

Prevenção e combate

“Todas as pessoas têm que ser tratadas com cortesia e respeito” e “compromisso com justiça e igualdade”, são alguns dos elementos apontados pela presidente no protocolo que aponta ações como a efetivação de um canal aberto de informação e denúncia a toda comunidade. “A comissão recebe a todos que nos dirigem um pedido de ajuda”, diz ela, explicando que está também no seu escopo, direcionar esforços para a prevenção e o monitoramento de segmentos específicos mais vulneráveis, trabalhar em conjunto com as outras comissões da unidade e resguardar confidencialidade e sigilo.

Embora fundamental para prevenção e combate ao assédio, a comissão não tem possiblidade de apurar ou solucionar casos, segundo explicou.

Violência de gênero

Depois de Aparecida, Carolina Araújo, professora do Departamento de Filosofia, abordou o tema “Desigualdades e violência de gênero: o caso da Filosofia”. Ela abordou a questão sobre a ótica da carreira acadêmica, explicou que os dados falam por si no que toca a perda de mulheres das cadeiras da graduação até o doutorado e a carreira docentes : os homens têm o dobro de chances das mulheres de fazer todo esse trajeto. Situação de desigualdades que se manifesta ainda mais em cursos como os das engenharias. Ela apresentou ainda pesquisa com mulheres desta área acadêmica que mostra que 8% relataram violência de gênero, 45% foram silenciadas, 29% tiveram suas ideias apropriadas, 33% relataram desqualificação de nível, 37% relataram assédio moral e 36%, sexual.

Busca ativa

O professor do Departamento de Antropologia, Jean-François Véran, abordou o tema “Detecção ativa de casos de assédio: experiências e propostas a partir das Ciências Sociais aplicadas”. Segundo explica há uma diferença grande entre o número de notificações de caso de violência e a realidade e que a pesquisa de vitimização pode diminuir este número. Ele questiona como t0ornar visível o problema  e sugere uma busca ativa das pessoas que nunca falam.

Sintufrj integrado na luta

Fotos: Renan Silva

A presidente da comissão, Aparecida (sentada) ao lado da representação do Sintufrj: Aline, José Carlos, Anaí e Norma

Anaí Estrela contou que, em 2022 integrou a coordenação de Políticas Sociais da entidade e passou a entender as demandas de assédio moral e conflito (segundo ela é preciso separar os dois casos). E que agora, com a criação do departamento dedicado ao tema, ela atua como mediadora, acolhendo o técnico-administrativo e buscando a Ouvidoria, a Divisão de Atenção às Relações de Trabalho (DART) da Pró-Reitoria de Pessoal, e a Coordenação de Relações Institucionais. “A gente precisa acolher os servidores. E este departamento está pronto para somar”, disse ela, elogiando a iniciativa do IFCS.

A assistente social Aline conta que trabalha na Coordenação de Políticas de Saúde e do Trabalhador, que recebe também demandas importantes, e nessa caminhada, trocando ideias com coordenadores do Sindicato, e diante da intenção da entidade de dar visibilidade a questão do assédio e do conflito, atendeu ao convite para somar iniciativas.

A coordenadora Norma Santiago questionou o caso do servidor que adoece ao sofrer assédio e que cai num protocolo, perguntando se ele precisa passar pelo mecanismo de permuta e se esse modelo burocrático pode ser resolvido. “E o que acontece com o chefe que causa todo esse sofrimento? Geralmente o servidor é transferido e o chefe continua assediando”, lamentou. Ela convidou os participantes para a reunião (que será híbrida), do GT Mulher do Sintufrj  dia 10 de julho.

O coordenador José Carlos relatou o caso de um conhecido submetido a situação de assédio que ele levou ao Sindicato e hoje está sendo assessorado. “Acho que temos que olhar para os colegas no setor . Hoje este colega está consegui resolver a situação. Temos que buscar a pessoa que está no anonimato e ajudá-la a refletir sobre sua situação”.

“Nós precisamos enfrentar esse assunto”

A representantes técnico-administrativa na comissão, da Secretaria de Graduação, Sônia Reis abordou o tema “Prevenção e divulgação de informações junto ao corpo técnico e administrativo do IFCS” .

Segundo ela, é um prazer trabalhar na Comissão. “Amanhã, tanto eu quanto a Ana Tereza, a outra representante dos técnicos na Comissão, fazemos 38 anos de UFRJ. E nessa caminhada, nós presenciamos e sofremos assédio. Agora, ainda que recente, ainda que no início, nós termos comissões que não só combatem, mas que previnem, que conscientizem. Que a gente tenha a coragem de conversar sobre esse assunto, de cortar na carne, porque não é fácil, é um assunto que causa muita dor, muito sofrimento. Então, para mim, é revigorante”, disse ela.

Sônia (de camisa listrada) ao lado dos demais integrantes da comissão.

Não somos o castelo da Cinderela

“Nós não somos um castelo da cinderela e aqui acontecem casos terríveis de assédio que causam muito sofrimento às pessoas. Então, o pouco que eu puder ajudar traz satisfação”, conclui..

As estudantes de graduação Vitoria Prado, Myllena Marques e , Isabella Marques, abordaram junto a Prevenção e divulgação de informações junto aos discentes do IFCS, com vistas a tornar a comunidade acadêmica um lugar mais asseguro. Elas reconhecem a importância do protocolo mas esperam que o esforço se estenda ais estudantes e terceirizados.

 

O diretor do IFCS, Fernando Santoro (de vermelho, à esquerda) observa a explanação de Luzia Araújo

O movimento sindical empreende uma jornada de Lutas contra a tentativa no Congresso Nacional de colocar em votação a PEC nº32/2020, a reforma administrativa proposta pelo ex-ministro da Economia Paulo Guedes. A mobilização será realizada de  30 de junho a 10 de julho.

O Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores (Fonasefe), o qual a Fasubra participa, alerta que com essa reforma está por vir um grande ataque aos direitos sociais, sob o discurso de eficiência, modernidade e combate aos privilégios, colocando em risco a garantia de políticas públicas que só são possíveis devido aos serviços públicos.

O Grupo de Trabalho, criado pelo presidente da Câmara Federal, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem a tarefa de apresentar um relatório final até 14 de julho. O GT é coordenado pelo deputado Pedro Paulo (PSD-RJ) e em recente declaração à imprensa o deputado declarou que pretende incluir no relatório propostas como a “desvinculação do salário-mínimo dos benefícios previdenciários e das despesas de Educação e Saúde”.

O GT da reforma administrativa trabalha na formulação de um pacote de medidas legislativas, que deverá incluir uma proposta de emenda à Constituição (PEC), dois projetos de lei complementar (PLPs) e vários projetos de lei ordinária (PLs).

Entre os temas em análise estão o combate aos supersalários, o fim da paridade entre servidores ativos e inativos, a flexibilização de contratos de trabalho no serviço público, a regulamentação de contratações temporárias, regras para o teletrabalho, mudanças nos critérios de progressão nas carreiras e a criação de incentivos baseados em desempenho.

O secretário-adjunto de Relações de Trabalho da CUT nacional, Pedro Armengol, critica como o GT da Câmara tem atuado, pois nem sequer convidaram a CUT, as demais centrais ou os sindicatos dos servidores para serem ouvidos nas audiências convocadas pela Casa.

A volta à pauta da Reforma Administrativa vem para atender à pressão dos empresários que visam a privatização dos serviços públicos. O que está em jogo é a fragilização dos serviços prestados à população com a quebra da estabilidade dos servidores, o fim dos concursos públicos e a prestação dos serviços pela iniciativa privada àqueles que tenham condições de pagar.

A direção do Sintufrj deu boas-vindas a 17 recém-concursados que vão ocupar cargos em unidades da UFRJ. Os novos técnicos-administrativos ouviram de dirigentes da entidade o porquê que uma entidade sindical pode mudar a vida de um trabalhador, lutando de forma organizada pelos seus direitos e desenvolvendo massa crítica em relação à exploração.

Esteban Crescente, Ana Célia e Nivaldo Holmes, coordenadores do Sintufrj, descreveram a trajetória da entidade com seu histórico de lutas, com destaque para o evento mais recente: a greve de 113 dias de 2024 que resultou em reajuste salarial e reestruturação de pontos da carreira da categoria que, no país todo, soma 250 mil servidores.

Na sua manifestação, Esteban Crescente disse que organizado em seus sindicatos, os trabalhadores ganham fôlego para a participação nos movimentos de mudança da sociedade, na jornada pelos interesses dos trabalhadores assalariados em geral e em defesa das instituições públicas de ensino e saúde, com a prestação de serviços de qualidade à população.

A recepção institucional aos novos trabalhadores foi organizada pela Pró-Reitoria de Pessoal (PR-4) e foi realizada no auditório da Escola do Trabalho (ao lado da sede da prefeitura universitária), programa que está sendo implantado pela reitoria. Ao se manifestar, Joana de Angelis, diretora de Desenvolvimento da PR-4, cumprimentou o novos trabalhadores e lembrou que eles estão ingressando na melhor universidade da rede federal do país.

 

NIVALDO HOLMES entrega pasta com informações sobre o Sintufrj a novos servidores

 

 

 

NIVALDO, ANA CÉLIA E ESTEBAN CRESCENTE falam da importância do sindicato na vida de trabalhadores

Foto Renan Silva

O Sintufrj marcou presença no ato desta quinta-feira (27/06), na Cinelândia, em defesa do mandato do deputado federal  Glauber Braga (Psol-RJ) na Câmara dos Deputados.
O ato também foi em solidariedade ao povo palestino, alvo da ação genocida do governo de Israel.
A manifestação encerra a caravana liderada pelo parlamentar que percorreu 26 estados na resistência à tentativa de cassação do mandato de um dos deputados mais combativos.
Isso não é pouca coisa, num Congresso dominado pelo reacionarismo que sequestra o orçamento públicos pra favorecer os ricos.
A data prevista para a votação que pode abater o mandato de Glauber Braga é a próxima terça-feira, 1 de julho.
Em unidade com movimentos sociais, sindicatos e a sociedade civil, reafirmamos: não abriremos mão de parlamentares comprometidos com a educação pública, os direitos trabalhistas e a luta do povo! ✊🏽

#GlauberFica #SintufrjNaLuta #Democracia #EducaçãoPública #Resistência

Derrubada do decreto do IOF revela pressão do Congresso por agenda de retrocessos e ameaça a justiça tributária

Do Brasil de Fato

A derrubada do decreto do governo Lula (PT) que aumentava o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), aprovada de forma relâmpago pelo Congresso nesta quarta-feira (25), representa mais do que uma derrota pontual do Planalto. Para o jornalista e analista político Igor Felippe Santos, a votação mostra a resistência do Legislativo em aceitar medidas de justiça tributária e indica a tentativa de impor uma agenda de cortes sociais.

“O Congresso está dizendo que não aceita a saída apresentada pelo governo para garantir o cumprimento do arcabouço fiscal. […] Na verdade, o Congresso quer é que o governo corte os investimentos em saúde e educação, e não admite que os mais ricos, privilegiados pelo sistema tributário, paguem mais impostos”, avalia. Ele destaca que os decretos anulados não afetavam a maioria da população, pois incidiam sobre operações financeiras como câmbio, seguros e investimentos – atividades realizadas principalmente por setores de renda alta e que afetariam apenas 1% dos mais ricos.

Igor Felippe lembra que o governo Lula tem apostado em aumentar a arrecadação ao propor a taxação de grandes fortunas, milionários e bilionários, em vez de reduzir gastos em áreas essenciais. Na avaliação dele, os parlamentares da oposição usam uma falsa premissa do corte de gastos, uma vez que não aplicam a mesma ideia para projetos que julgam interessantes para eles. “O próprio Congresso aprovou um projeto nessa mesma noite que aumenta o número de deputados, ou seja, vai ter aumento de gastos”, critica.

Ele também rebate a ideia de que todos pagam muitos impostos no Brasil. “Os trabalhadores, os setores médios pagam muitos impostos, mas os mais ricos — grandes empresários, banqueiros, grandes investidores do capital financeiro — não pagam impostos O que o governo está apresentando à população é que se os de cima pagarem mais, quem está embaixo pode pagar menos”, diz.

Sem mobilização popular, Lula seguirá refém do Congresso

Sobre o impacto político, Igor Felippe relativiza o suposto enfraquecimento do governo Lula. Ele afirma que a maioria do Congresso é de direita e que há um pacto implícito. “O governo pode manter a sua base se ele aplicar o programa da direita. Então é isso que [o presidente da Câmara] Hugo Motta e o [do Senado] Davi Alcolumbre estão dizendo”. Para mudar esse quadro, defende, o Executivo precisa mobilizar a sociedade.

Reitor encerra Consuni e impede Grêmio do CAp de falar. Estudantes continuam sem aula

“Deixaram o muro cair!”. Com manifestações como esta, dezenas de estudantes, professores e técnicos administrativos do Colégio de Aplicação (CAp) ocuparam a sessão do Conselho Universitário (Consuni), nesta quinta-feira, 26, em protesto contra o descaso que culminou com a queda de parte do muro da unidade, no dia 21 de julho.

O que sobrou da construção ameaça desabar a qualquer momento. A unidade fica na Lagoa e lá estudam 780 crianças e adolescentes, que continuam sem aulas por falta de segurança.

Os manifestantes levaram para o Consuni entulhos do desabamento e pedaços do muro mostrando destroços do muro que desabou. Esses objetos foram colocados na bancada onde ficam reitor e pró-reitores, com cartazes em que denunciam os problemas da unidade.

A conselheira Maria Coelho, representante dos professores do Ensino Básico, falou pela comunidade do CAP: “Por sorte, a queda do muro não feriu ou matou estudantes e funcionários, mas ele caiu sobre todos nós. Durante seis meses, nós, servidores e estudantes do CAP, trabalhamos com medo, em um local condenado por um laudo do ETU (Escritório Técnico Universitário) que apontava risco iminente de queda. Mas a reitoria sequer enviou profissionais para realizar o isolamento do local. Seis meses de morosidade no processo que pediu urgência e prioridade máxima. Por isso, todos nós hoje dizemos: deixaram o muro cair”, disse ela.

Resposta imediata

A conselheira apontou os pedaços do muro, “escombros e ruínas de uma escola que, assim como tantos outros espaços dessa universidade, vem sofrendo com condições insalubres de trabalho. Esse não é o único muro que desabou na UFRJ. Muitos muros vêm desmoronando sistematicamente”, lamentou, relacionando várias situações em que a comunidade “deu um jeitinho” a cada problema: “Até quando?”, perguntou, colocando a reivindicação do coletivo: “Exigimos uma resposta imediata da reitoria em relação à situação no Colégio de Aplicação, um calendário efetivo da obra do muro, segurança para a comunidade escolar, atualização e transparência no processo”.

O grupo cobra também atenção para os demais problemas do tradicional colégio da Lagoa, como infiltrações, rachaduras, a falta de destino para dezenas de crianças da Educação Infantil (cuja sede no Fundão foi interditada há três anos) amontoadas em apenas duas salas do CAP. Além, é claro, que se garanta a integridade do restante do muro.

Grêmio do CAP  

Representantes da bancada estudantil pediram a palavra a dirigentes do grêmio do CAP. Mas fala foi negada sob o argumento burocrático de esgotamento do tempo regimental.

O expediente é a parte inicial da sessão em que são apresentadas demandas gerais), antes da ordem do dia (onde os itens da pauta são apreciados e votados) e tem a duração de meia hora.

A fala de cada conselheiro inscrito é de 3 minutos, mas neste mesmo Consuni, houve intervenções que ultrapassaram o tempo e o próprio reitor, que de forma geral responde a algumas das demandas após as falas, o fez durante o expediente. Conclusão, os 30 minutos se encerraram.

Conflito

O reitor Roberto Medronho informou que o Conselho Universitário tem um regimento que precisa ser seguido para garantia da institucionalidade.

“Três minutos para o Grêmio falar!”, “Três minutos para o Grêmio falar!”, pediam os presentes.

“Peço que deixem a reunião continuar. É preciso manter a institucionalidade!”, insistia o reitor que, súbito, decretou “Está encerrada a sessão!”.

“A Reitoria deixou o muro cair!” e “Democracia é ouvir os estudantes e não só a Reitoria”, respondeu o público. No conselho, embora desfeito, permaneceram ainda conselheiros com expressão surpresa para escutar as palavras das jovens do Grêmio do CAP.

Estudantes e trabalhadores falam

“Com reitoria, sem reitoria. Com microfone ou sem microfone, a gente precisa falar sobre a situação de nosso colégio que está caindo aos pedaços há anos” disseram, numa espécie de jogral, as estudantes Sofia Mayumi e Alice Reis, dirigentes do grêmio,

“Até quando as pessoas vão esperar que uma parede caia na cabeça de alguém para que seja feito o que deveria desde início. Nossa escola sofre com esse, sem água, com salas alagadas infiltração, rachaduras por todo prédio”, alertaram.

Edmilson Pereira, coordenador de Educação, Cultura e Formação Sindical do Sintufrj, é técnico-administrativo do CAP há 46 anos. Ele disse que nunca viu algo semelhante acontecer no colégio. “O que mais preocupa é que durante seis meses a escola colocou uma fitinha, pedindo às autoridades que isolassem o espaço, porque é nossa responsabilidade cuidar destas crianças postas em risco durante esses meses com aula normal. Esse problema não é apenas do Colégio da Aplicação, mas de toda universidade”, observou ele, lembrando que a extrema direita vem cada vez atacando a educação para que o setor privado cresça e tome toda educação do país favorecendo a elite.

O conselheiro Milton Madeira reiterou que a educação vem sofrendo ataques da extrema direita, lembrando que as eleições estão próximas. “Educação é um direito constitucional e nesse momento deixar de ouvir o CAP é lamentável, é contra a democracia institucional. Hoje toda a bancada (da reitoria) se levanta para não ouvir o seu corpo social isso é antidemocrático e precisamos corrigir. Depois de um acidente grave, o mínimo é ouvir sua comunidade”, disse ele, propondo que a Reitoria peça desculpas a todas as pessoas que estavam ali. “A democracia morre a cada momento em que a gente deixa de reconhecer a representatividade do movimento democrático institucional”, lembrou.

O coordenador-geral do Sintufrj, Francisco de Assis, lembrou que o reitor quebrou várias vezes o protocolo, inclusive usou o tempo do expediente para respostas que poderia dar depois. Ele criticou também a informação anunciada pela representação estudantil de que o apoio da UFRJ para viabilizar a ida de uma delegação de 56 estudante ao congresso nacional em Goiás poderia estar em xeque diante da manifestação no colegiado. Criticou também a possibilidade de que processos que tratam da insalubridade e do tempo especial estão travados por conta da nossa luta contra a assediadora que está na CPST.” É muito ruim o que a Reitoria está fazendo, criando uma ilha em torno de si, quando precisamos fortalecer nossa universidade”, afirmou o dirigente.

A Reitoria informou que a viagem está mantida. “O reitor já havia autorizado e fiz o agendamento. Está garantido”, informou o prefeito Marcos Maldonado. Segundo ele, em nenhum momento o reitor voltou atrás.

A manifestação saiu do salão do Consuni, no Bloco E percorreu os corredores do Centro de Tecnologia até o bloco A, onde houve mais intervenções e protestos denunciando os problemas de o Colégio de Aplicação, como toda universidade vem enfrentando.

O Grupo de Trabalho de Saúde do Sintufrj se reuniu na tarde desta quarta-feira, 25, com uma pauta ampla: temas como enfrentamento ao Assédio e Conflitos, direito de greve, violências local de trabalho, hora ficta, e os primeiro resultados do questionário sobre saúde e qualidade de vida promovido pelo Sintufrj. O encontro, na sala de reuniões da entidade, contou com representantes da maioria das coordenações, colaboradores e integrantes da base que participaram ativamente das discussões.

A coordenadora de Administração e Finanças Laura Barreto abriu a reunião anunciando a palestra do advogado do Departamento Jurídico do Sindicato Alexandre Fecher sobre o direito de greve e violência no trabalho.

O advogado informou normativas, atividades essenciais e a importância da entidades sindical na organização da luta dos trabalhadores em nível local e nacional. Fecher abordou também o crescimento de casos de intimidação e violência de usuários contra profissionais das unidades de saúde e como reagir. Ele lembrou que isso afeta não apenas a vida profissional, mas pessoal do trabalhador, situação que não se deve naturalizar e que tem que ser enfrentada. E elencou possibilidades como a paralisação imediata do serviço, aviso à direção e acionamento da CPST, porque é uma situação com a qual a UFRJ não pode compactuar.

A coordenadora de Comunicação do Sintufrj, trabalhadora do IPPMG, lembrou a reivindicação que fez à Reitoria, no último Conselho Universitário, por apoio aos profissionais das unidades de saúde vítimas desta forma de violência. Segundo ela, é uma situação de vulnerabilidade e sem apoio jurídico. “É abandono”, completou o advogado, alertando que é preciso criar um código na CPST de forma que haja registro dos casos e se possa evidenciar a incidência de casos.

O grupo discutiu também a ocorrência de assédio moral e conflitos no trabalho, maneiras de enfrentar e a importância da criação do Departamento de Enfrentamento ao Assédio Moral e Conflitos, com a participação de Anaí Estrela e Aline Silveira e Fabiane Marcondes (da Coordenação de Políticas Sociais). Fabiane anunciou que começa na próxima semana o atendimento da Coordenação na sub-sede da Praia Vermelha.

Nível hard de adoecimento

Segundo Aline social vêm se agravando os casos de adoecimento que chegam à Coordenação de Políticas de Saúde do Trabalhador. num nível “hard” (severo) , com muitos casos precisando de atendimento clínico.

A respeito disso, aliás, a assistente social informou o resultado de um importante questionário feito entre profissionais das unidades de saúde no início deste ano, ainda na gestão passada. Na avaliação dos questionários WHOQOL-Bref e Cohen (da Organização Mundial da Saúde, sobre qualidade vida em aspectos como como saúde, trabalho e ambiente) feito com 244 profissionais, a maioria do HUCFF, IPPMG, IPUB e INDC), pessoal do RJU, de natureza especial e extraquadro. Profissionais das mais diversas áreas, como enfermeiros e técnicos, assistentes em administração etc. e com mais de 10 anos de vínculo. E os números servem de alerta: a maior parte (61%) destas pessoas reportam níveis de estresse alto, com sobrecarga de tarefas, nervosismo. Ou seja, sofrimento

Hora Ficta

Laura Barreto e Alexandre abordaram detalhes sobre os caminhos possíveis para a implantação de um direito conquistado no acordo da greve de 2024, a hora ficta (ou hora noturna reduzida, que garante aos trabalhadores que atuam no período noturno, entre 22h e 5h, a contabilização de sua jornada de forma diferenciada: a hora ficta tem 52 minutos e 30 segundos, ou seja, menor tempo de trabalho efetivo para cada hora trabalhada). 

O advogado Alexandre Fecher (abaixo) aborda direito de greve e mecanismos para enfrentar situações de violência no local de Trabalho

Houve também uma ação de bem estar, um momento de relaxamento pelo método da Reflexologia Podal, ministrado por Guilherme Souza.

Com a participação presencial da categoria no Fundão, Praia Vermelha e Macaé, a assembleia geral do Sintufrj simultânea e transmitida pelas redes sociais da entidade nesta quarta-feira, 25 de junho, elegeu 14 delegados à 13ª Plenária Estadual da Central Única dos Trabalhadores, que será realizada dias 29 e 30 de agosto. O líder petroleiro e secretário de Organização Política da CUT-RJ, Alessandro Trindade, fez parte da mesa, que foi dirigida pelos coordenadores-gerais Francisco de Assis e Esteban Crescente, e a coordenadora de Aposentados(as) e Pensionistas, Selene Vaz.

O Dia Nacional de Luta, nesta quinta-feira, 26, foi também assunto na assembleia. O Sintufrj convocou a categoria para participar das ações organizadas pela entidade. São elas: às 9h30, manifestação na sessão do Conselho Universitário (Consuni) de pressão pela concessão da aceleração aos aposentados e de cobrança para adoção de medidas urgentes contra a precarização do prédio do Colégio de Aplicação. Desde segunda-feira, 23, os  alunos estão sem aulas devido à queda de parte do muro da unidade. Às 17h, na Cinelândia, ato final da Caravana Glauber Fica –movimento de luta contra a cassação do mandato do parlamentar pela direita e extrema direita no Congresso.

Plenária cutista

O Sintufrj é filiado à CUT desde que foi fundado, em 1987, e deixou de ser Associação dos Servidores da UFRJ (Asufrj), criada no dia 11 de junho de 1960. A Central Única dos Trabalhadores continua sendo considerada a maior central sindical da América Latina e a quinta maior do mundo de acordo com a própria CUT. Além de representar milhares de trabalhadores e trabalhadoras em diversos setores da economia, a central sindical é reconhecida pela sua influência no cenário político e social brasileiro.

Delegação

 A assembleia aprovou a proposta de chapa única — “Unidade na Luta” –, composta pelas forças políticas Unir, Movimento Luta de Classes e Ressignificar, e independentes. “Temos que ter consciência da importância da luta de classes, da luta sindical e da Central Única dos Trabalhadores”, afirmou o representante da CUT. Segundo o dirigente, o Congresso é atualmente quem mais ataca os trabalhadores e o principal inimigo da sociedade brasileira.

Alessandro fez uma lista do patrimônio da Petrobrás vendidos, e a baixo custo, nos governos do golpista Temer e do fascista Bolsonaro –refinarias, oleodutos, canais de passagem de gás, entre outros bens, como a BR Distribuidora (“Somos a única

Propostas aprovadas na assembleia

. Adesão às paralisações de 48 horas nas datas indicadas pela Fasubra.

. Convocação pelo Sintufrj do Fórum de Servidores Federais do Rio de Janeiro para pautar a organização da luta contra a reforma administrativa.

. Sintufrj deve levar à 13ª Plenária Estadual da CUT e à 17ª Plenária Nacional da CUT, a pauta de reivindicações e as deliberações da Fasubra.

Avaliações

O coordenador-geral do Sintufrj e coordenador de comunicação da Fasubra, Francisco de Assis, fez uma síntese do resultado da plenária nacional da federação, realizada de 13 a 15 de junho, em Brasília. “Foi aprovado paralisação de 48 horas pelo cumprimento do acordo de greve; plenária emergencial virtual em junho e plenária presencial na primeira quinzena de agosto para debater a conjuntura nacional e o indicativo de greve; redução da jornada semanal de trabalho também para os terceirizados, entre outras deliberações”. (Veja o ID 16/2025 da Fasubra).

Como dirigente da Fasubra, Assis destacou o papel da CUT nas conquistas da greve da categoria: “Se não fosse a Central Única dos Trabalhadores nós teríamos ficado na negociação inicial com o governo, que apontava R$ 1,8 bolhão de recursos para atender nossas reivindicações. E foi o campo cutista que a gente buscou para ter acesso ao Congresso, porque uma parte do PT não queria abrir o diálogo com os trabalhadores, achando que que isso desgastaria o governo. Mas nós tivemos diálogo e arrancamos do Congresso e da base do PT, o compromisso que chegou a R$ 4,2 bilhões para o nosso termo de acordo que foi assinado e que deu as acelerações para quase todo mundo”.

Ao fazer uma avaliação da plenária da Fasubra, Esteban Crescente, coordenador-geral do Sintufrj e militante do movimento Luta de Classes, considerou um equívoco a não aprovação da proposta de deflagração de greve pela categoria em julho, para exigir que o governo cumprisse integralmente o acordo assinado.

“Foi avaliado que se deveria acumular mais forças até uma nova plenária em agosto. Nesse sentido, a agenda de lutas aprovada é fundamental e foi tirado 48 horas de paralisação na primeira e segunda quinzenas de julho. Temos que trabalhar para isso. Peguem o jornal do sindicato e leve nos setores. Chame para a mobilização de rua desta quinta-feira e no Consuni para reivindicar que seja implementado pela UFRJ o que está no acordo e já foi cumprido por outras universidades”, orientou Esteban.