A Coordenadora da Câmara de Políticas Raciais da UFRJ e militante do Movimento Negro Unificado (MNU) Denise Góes afirma que é preciso criar políticas internas de valorização dos técnico-administrativos negros da UFRJ. “Nós precisamos sair da invisibilidade. Romper a cortina do racismo institucional”. Nesta entrevista, Denise discorre sobre ações afirmativas, racismo e o pouco espaço ocupado pelo servidor negro na universidade. Confira os trechos principais.

 Chegamos a mais um mês da Consciência Negra. Qual a reflexão que você faz na conjuntura atual diante de um governo de extrema direita e racista?

Mais um 20 de Novembro e a reflexão é cada vez mais preocupante diante dessa conjuntura com a pandemia matando milhares de pessoas e entre elas a população negra. 

Não há o que se esperar no campo das políticas públicas que venham desse governo racista, homofóbico e misógino. Nós estamos diante do genocídio da população negra, nós estamos diante do feminicídio, nós estamos diante de uma fundação que é a Palmares comandada por um negro equivocado, que quer apagar nossa história dentro da fundação. 

 O quadro é caótico, mais no meio desse caos a nossa tarefa é lutar pela manutenção do que foi conquistado até aqui. As políticas públicas para a população negra se fortalecem, as cidades se mostram mais diversas e plurais. Então precisamos estar organizados para lutar para proteger os direitos até aqui conquistados.

O que se avançou e o que necessita ainda se conquistar no direito e no espaço da população negra na universidade?

Existe um avanço objetivo com as cotas raciais que abrangem as universidades públicas federais. Nós precisamos agora definir a resolução em relação às fraudes para que possamos ter um quadro mais límpido. É uma contradição você ter um processo onde existe uma heteroidentificação que consegue barrar as pessoas que não possui os critérios fenotípicos para a vaga da reserva de cotas e, por outro lado, você não ter uma sanção, não ter uma atitude para os que fraudaram no passado. E a universidade precisa resolver essa questão que traz uma ebulição muito grande dentro do meio acadêmico, principalmente entre os estudantes.

Precisamos criar políticas internas de valorização dos técnico-administrativos negros na universidade. Nós precisamos sair dessa invisibilidade, romper a cortina do racismo institucional. Estamos sempre fora dos cargos de chefia. Quantos diretores negros temos nos centros universitários? Então precisamos ter uma política objetiva nesse sentido para tirar esses técnicos que estão qualificados e vem se qualificando nos últimos anos da invisibilidade.

Na UFRJ há preconceito racial? Como ele se manifesta? 

Apesar de a universidade ter uma postura politicamente correta em relação a aplicabilidade da Lei 12.711 e da Lei 12.990 quando tivemos dois grandes concursos públicos e que pudemos aplicar a lei de cotas de 20% para vagas, ainda não podemos dizer que erradicamos o racismo na universidade que sofre os reflexos do racismo estrutural que está presente na construção da sociedade.

Internamente é só observar o que produz o racismo institucional através do número de docentes que temos. Agora com a recente votação no Conselho Universitário da reserva de vagas de 20% (para docentes) teremos uma maior representatividade, mas atualmente é infinitamente e lamentavelmente inexpressiva.

Claro que existe racismo na universidade. Onde nós estamos lotados dentro da esfera de decisão na universidade? Da esfera do poder? Dos cargos ditos de confiança? Não estou me referindo a questão monetária, estou falando de reconhecimento institucional, de valorização da capacidade profissional.

Se traçarmos hoje um retrato da universidade nós não temos essa representatividade. Se pegarmos a universidade há dois anos veremos que todas as pró-reitorias eram brancas e masculinas. Avançamos para uma reitora mulher, tivemos no passado uma pró-reitora negra, mas que não tinha essa identidade demarcada, e temos atualmente uma pró-reitora que tem essa identidade racial demarcada. No entanto é pouco. 

 Existe alguma política na universidade para combater o preconceito?

A universidade tem tomado algumas posturas interessantes em conjunto com os coletivos negros e a Câmara de Políticas Raciais. E isso é salutar. Quando a gente tem uma Administração Central que discute essas questões com as organizações e os coletivos e mais uma organização como a Câmara de Políticas Raciais, estamos dando passos largos para o combate ao racismo que não se dá por si só. Ele é fruto de uma luta que deve ser implementada e levada ao longo e dentro da UFRJ.

Qual ou quais os desafios a serem enfrentados?

Os desafios são muitos porque a UFRJ é uma universidade branca, elitista, excludente na sua formação. E a transformação disso, numa universidade plural, pluriétnica e diversa não se dá da noite para o dia.

Se não vemos muitos negros no poder é porque o racismo institucional é muito forte e tem mecanismos para nos afastar de ocupar esses cargos de poder. E o racismo estrutural da sociedade brasileira vem corroborar com aqueles lugares pré-determinados onde acham que os negros deveriam estar, mas eles não querem mais estar a reboque.

Então os desafios são imensos e eu como uma militante organizada do Movimento Negro Unificado (MNU) não vejo alternativa que não seja a organização dos negros em torno de entidades fortes como o MNU para que a gente possa combater sistematicamente o racismo. Foi assim nos EUA com os Panteras Negras e será aqui no Brasil com uma entidade forte onde possamos estar unificadamente nessa luta dessa pauta racial, compreendendo o racismo como um entrave para nossas vidas. 

Só a organização nos levará a vitória. Não adianta a indignação individual dos casos de racismo. A gente precisa se colocar e discutir política porque o racismo é uma política implementada para dizimar uma parcela da população. Por isso conclamo os servidores da universidade a nos organizarmos em torno da Câmara de Políticas Raciais para que a gente possa discutir todas as questões pertinentes ao racismo institucional que ainda existe na UFRJ.

 

 

 

O CVA/CPST/PR4, em parceria com o SESAT/DRH/HUCFF iniciou nesta terça-feira, 10 de novembro, a intensificação de vacinação da Pneumo 23.

A vacina está disponível para profissionais de saúde com idade igual ou superior a 50 anos e será realizada no prédio do CCS de segunda a sexta-feira das 8 às 13hs

É necessário documento profissional com foto e a Caderneta de Vacinação.

ATENÇÃO: Se você foi vacinado com a Pneumo 23 após novembro/2015 não precisa revacinar no momento, pois o reforço é feito a cada 5 anos.

Para mais informações, entre em contato através do e-mail: atendimentosesat@hucff.ufrj.br ou no local de vacinação.

CLIQUE AQUI PARA BAIXAR O PDF

“O Negro nas Eleições” foi a live que deu início aos eventos programados pelo Sintufrj para marcar o Novembro Negro, quando se celebra Zumbi dos Palmares e o Dia da Consciência Negra, na sexta-feira, 20. 

O debate desta segunda-feira, 9, foi transmitido pelo canais da entidade no Youtube e Facebook, e reuniu as candidatas à Câmara Municipal do Rio de Janeiro Tainá de Paula (PT) e Andrea Bak (PSOL), e Edson Santana (PCdoB), que também disputa uma vaga de vereador, e teve a participação do sociólogo Wescrey Pereira.

Segundo a coordenadora do Sintufrj, Noemi Andrade, que atuou como mediadora, os debatedores representavam todas as candidaturas negras e de esquerda no Rio de Janeiro. A live está disponível nas mídias do Sindicato.

O Sintufrj realizará várias atividades ao longo do mês com o objetivo de fomentar a discussão racial na comunidade universitária da UFRJ. 

Candidaturas negras

O sociólogo Wescrey Pereira destacou a importância da  representatividade negra nas instâncias de decisões políticas: “No país temos 54% de negros e negras, mas eles não chegam a 20% no parlamento”, disse ele.

Tainá de Paula e Andréa Bak são militantes negras de esquerda que, a exemplo de Marielle Franco, lutam contra a discriminação e o preconceito racial e pela conquista de melhores condições de vida para a população negra, principalmente para as mulheres negras, que são minoria na política institucional partidária. 

“A porteira se abriu e não há volta para a senzala. O Rio precisa refletir e responder a execução de Marielle Franco. Entendo que o voto em mulheres negras, o voto negro é essencial para reconstrução da crença na política e para a discussão da democracia que a gente quer”, afirmou Tainá. A candidata enfatizou ainda importância pedagógica de garantir a visibilidade das candidaturas negras nestas eleições. 

A Andréa Bak foi taxativa: “A gente tá na rua. Tá na hora de fazer a mudança acontecer. Tô junto com essa galera que tá aí, cheia de vontade de dar um baque nas estruturas. O ano 2020 é da pretitude. A gente botou fogo no engenho e não pode dar nenhum passo para trás. Precisamos dessa cadeira para colocar nossa cor lá dentro, para ter um projeto político efetivo pensado por e para nós”.

Edson Santana, candidato pelo do PCdoB, disse que a sua candidatura representava o coletivo Malês, portanto, uma candidatura coletiva do movimento negro constituída por quatro ativistas. “Acreditamos que o mandato só pode estar a serviço da participação popular, sobretudo das populações negras, periféricas e em especial da população favelada”, concluiu.

CONFIRA A ÍNTEGRA DO DEBATE:

 

Em entrevista ao Portal CUT, especialistas comentam que longo dos anos houve modificações, mas ressaltam que as mudanças não foram tão profundas

Matéria retirada do site da CUT

Embora o povo negro represente mais da metade da população, 56,1% dos brasileiros são pretos e pardos, segundo o Instituto Brasileiro Geografia e Estatística (IBGE), apenas um décimo ocupa cadeiras no Poder Legislativo, formado pelo Senado, Câmara dos Deputados, assembleias legislativas e câmaras de vereadores.

Em 2016, em 2.512 (45%) cidades não foram registradas candiduras de  negros, Na Bahia, onde 80% da população se declara preta ou parda, em 33 das 417 cidades, apenas candidatos brancos disputaram cargos de prefeito, de acordo com o IBGE.

Os dados, que mostram um contraste entre o total de candidatos negros a cargos no Poder Legislativo em relação ao total da população que se declara negra ou parda,  evidenciam o racismo estrutural persistente em todas as relações de poder no país, mantendo o longo processo de desigualdade entre brancos e negros.

A explicação é simples e cruel: o racismo estrutural é a maneira como as sociedades se organizam para privilegiar com suas práticas e normas um grupo social ou étnico, excluindo completamente outros grupos da participação em instituições sociais.

Carlos Machado, doutor em Ciência Política pela Universidade Federal de Minas Gertais (UFMG) e professor de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), fala sobre o crescimento de candidaturas negras nas Eleições Municipais de  2020, mas ressaltou que as disparidades ainda são enormes.

Ele afirma que ao longo dos anos houve modificações que explicam o aumento das candidaturas este ano existem, mas não foram tão profundas.

“Mesmo que os números de candidaturas [negras] tenham crescido em 2020, a distância entre candidaturas eleitas ainda permanece bastante ampla. Uma das explicações para essa questão está no fato de que partidos de maior porte apresentam maior quantidade de candidaturas brancas”, afirma o professor, em um seminário nesta quarta-feira (4) sobre Raça e Política.

Para o senador Paulo Paim (PT-RS), é urgente aumentar as candidaturas de negros. Ele diz que, para isso, os partidos precisam criar ferramentas e alternativas de inclusão que realmente funcionem.

“Precisamos fomentar e fortalecer as candidaturas negras para todos os pleitos eleitorais, inclusive para cargos no executivo”, afirmou o senador, acrescentando que os partidos precisam promover a ampliação da presença das mulheres e negros nos espaços de poder de forma mais justa e igualitária.

“Vamos impulsionar essas ferramentas e alternativas para a inclusão das diversas maiorias em todos os espaços. Acredito no verbo ‘esperançar’, que Oxalá norteie a nossa sociedade, para a plena inclusão do povo negro em todos os espaços de poder no Brasil”, disse Paim.

Partidos excluem candidatos negros do repasse de verbas do fundo eleitoral

Mesmo com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que em outubro deste ano obrigou os partidos a destinar a candidatos autodeclarados negros valores equivalentes à sua participação no total de candidaturas nas eleições municipais, candidatos pretos e pardos em todo o país ainda não receberam de seus partidos qualquer quantia do fundo eleitoral.

Dados compilados pelo jornal Folha de S. Paulo com base na prestação de contas parcial dos candidatos entregue à Justiça Eleitoral, mostra que apesar de pretos e pardos somarem 50% do total de candidatos, a eles foram destinatários de cerca de 40% da verba dos fundos Eleitoral e Partidário. Os autodeclarados brancos reúnem 60% do dinheiro, apesar de representarem 48% dos candidatos.

Apesar de a legislação determinar, desde 2018, a distribuição dos recursos às mulheres na proporção das candidaturas lançadas (neste ano, 33,5%), a maior parte das siglas não cumpriu essa regra. Na média, homens foram beneficiários de 73% do dinheiro.

Para Rosana Fernandes, secretária-Adjunta de Combate ao Racismo da CUT, o fato de os partidos descumprirem a regra de repasse de verba eleitoral para negros explicita a dívidas históricas da escravidão no Brasil que ainda não foram reparadas.

”A resistência das legendas em observar a determinação do STF tem relação com o racismo estrutural no Brasil”, diz a dirigente.

O alijamento da política é reflexo de como a elite se apropria do espaço de poder. Ela impera no espaço econômico, isso vem da herança escravista, que não acabou com a abolição formal.

– Rosana Fernandes

A situação fez o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Luís Roberto Barroso, promover uma reunião com dirigentes partidários para discutir as eleições no dia 27 de outubro. O encontro, que foi virtual por conta da pandemia do novo coronavírus, foi pautado mais uma vez pelas reclamações das siglas sobre as cotas de gênero e racial. A principal crítica do encontro é a de que a Justiça adotou a regra em cima da hora, não possibilitando aos partidos se prepararem.

Sobre o projeto

A decisão do STF atendeu uma ação movida pela deputada federal, Benedita da Silva (PT-RJ), pelo Senador Paulo Paim (PT), pelo PSOL e pela ONG Educafro, que pediam a aplicação em 2020 da regra aprovada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A deputada Benedita da Silva, inclusive, apresentou o Projeto de Lei 4041/20202 propondo que os partidos políticos reservem cota mínima para candidaturas de afro-brasileiros nas eleições para o Poder Legislativo, incluindo os pleitos para a Câmara dos Deputados, a Câmara Legislativa, as Assembleias Legislativas e as Câmaras Municipais.⠀

O TSE aprovou a destinação proporcional aos candidatos negros dos recursos do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral recebidos pelos partidos, mas estabeleceu que a regra só valeria a partir da eleição de 2022.

Paim comenta que temia o que está ocorrendo e ressalta que os partidos precisam se responsabilizar diante da distribuição “isonômica dessas caras conquistas para o Brasil”.

“Acredito que seria importante a implantação de uma forma de fiscalização efetiva pelo TSE, para os partidos que não cumprirem essas determinações, responderem pelos seus atos”, finaliza o senador.

 

 

A data de 17 de novembro é dedicada mundialmente ao combate ao câncer de próstata. O objetivo é conscientizar a população masculina sobre os riscos e as maneiras de diagnosticar a doença, que já é o segundo câncer mais comum entre os homens. 

O movimento Novembro Azul é internacional, período em que são realizadas campanhas para alertar a sociedade para a necessidade de prevenção, principal arma de combate à doença. 

Doença silenciosa

No começo, explicam os especialistas, os pacientes não apresentam sintoma da doença ou, quando apresentam, são como dificuldade e necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite. Já na fase avançada, pode provocar dor óssea, problemas urinários ou agravamento com infecção generalizada, e até insuficiência renal. 

Por isso, a recomendação da Sociedade Brasileira de Urologia é que os homens, a partir de 50 anos e mesmo sem apresentar sintomas, procurem o médico para avaliação e diagnóstico precoce. Mas quem é do grupo de risco (fatores como além da idade, cor negra e história familiar de câncer prostático) devem fazer isso a partir dos 45 anos.

Estatísticas 

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), a estimativa é de 65.840  novos casos em 2020. Segundo o Atlas de Mortalidade por Câncer, com dados disponibilizados pelo Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde (MS), em 2018, no Brasil, 15.576 homens morreram em decorrência do avanço do câncer de próstata.

Ainda segundo o Inca, no Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens (atrás apenas do câncer de pele não-melanoma). Em valores absolutos e considerando ambos os sexos, é o segundo tipo mais comum. 

É considerado um câncer da terceira idade, já que cerca de 75% dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos e o aumento observado nas taxas de incidência no Brasil pode ser parcialmente justificado pela evolução dos métodos diagnósticos (exames), pela melhoria na qualidade dos sistemas de informação e pelo aumento na expectativa de vida.

Próstata

O presidente da Sociedade Brasileira de Urologia de Minas Gerais, Francisco de Assis Teixeira Guerra, em matéria para o site Associação Médica de MG, explica que a próstata é uma glândula que só o homem possui, localizada na parte baixa do abdômen (logo abaixo da bexiga e à frente do reto, parte final do intestino grosso). É do tamanho de uma noz, com peso de 20 a 25 gramas, responsável pela produção do líquido prostático, proteção e nutrição dos espermatozóides no sêmen.

A doença evolui silenciosamente na fase inicial, mas alguns dos tumores podem crescer rapidamente, espalhando-se para outros órgãos, com risco de morte. Segundo o médico, no entanto, o acréscimo nas taxas no Brasil pode ser parcialmente explicado pelo progresso dos exames, acesso à informação e pelo aumento na expectativa de vida. Ele alerta, porém, que o público masculino precisa se informar e agendar consulta com um urologista.

Pandemia e ida ao médico

Segundo a Agência Brasil, um levantamento da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) mostra que 55% dos homens acima de 40 anos deixaram de fazer alguma consulta ou tratamento médico em função da pandemia da covid-19. A pesquisa abrangeu 499 participantes. Dos entrevistados, 75% tinham mais de 40 anos, 77% eram do sexo masculino, 2,18% já tiveram um diagnóstico de câncer de próstata e apenas 6% admitiram que habitualmente não cuidavam ou não se importavam com a saúde; 23% dos participantes relataram ter encontrado dificuldade de acesso ao procurar por consultas ou tratamentos médicos durante a pandemia e 40% disseram que não procuraram. 

Dos pacientes masculinos, 33% relataram ir regularmente ao urologista e 3% afirmaram que nunca consultaram esse especialista, demonstrando resistência aos cuidados com a saúde urogenital. Para a coordenadora da pesquisa, a urologista Karin Anzolch, esta mostra que o diagnóstico precoce de câncer de próstata, essencial para a cura, neste ano poderá ser afetado se não houver procura dos homens pelos serviços de saúde. “Mesmo com a crise sanitária em curso, a prevenção não pode ser deixada de lado”, disse em nota, segundo a Agência Brasil.

Outro motivo: tabu

No site do Instituto Oncoguia, a psico-oncologista Luciana Holtz de Camargo Barros, presidente da entidade, lamenta que alguns mitos, tabus e conceitos machistas ainda impedem que os homens cuidem da saúde e se submetam ao exame de toque retal. “Se há alguns anos o câncer era recebido como sentença de morte, hoje é uma doença que pode ser tratada e curada, em grande parte dos casos, graças ao diagnóstico precoce e aos constantes avanços científicos”, diz.

Fontes: Agência Brasil/ Associação Médica (MG) / Instituto Oncoguia

Informação é fundamental

O portal do INCA oferece uma cartilha (https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files//media/document//cartilha_cancer_prostata_2017.pdf) e traz informações sobre a doença, mas alerta que pretende apoiar e não substituir a consulta médica e indica: “Procure sempre uma avaliação pessoal com o Serviço de Saúde”. Veja mais:

O que aumenta o risco

– A idade é um fator de risco importante, uma vez que tanto a incidência quanto a mortalidade aumentam significativamente após os 50 anos.

– Pai ou irmão com câncer de próstata antes dos 60 anos, podendo refletir tanto fatores genéticos (hereditários) quanto hábitos alimentares ou estilo de vida de risco de algumas famílias.

– Excesso de gordura corporal aumenta o risco de câncer de próstata avançado.

– Exposições a aminas aromáticas, arsênio, produtos de petróleo, motor de escape de veículo, hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPA), fuligem e dioxinas estão associadas ao câncer de próstata.

Detecção precoce

– A detecção precoce do câncer é uma estratégia para encontrar o tumor em fase inicial e, assim, possibilitar melhor chance de tratamento.

– A detecção pode ser feita por meio da investigação, com exames clínicos, laboratoriais ou radiológicos, de pessoas com sinais e sintomas sugestivos da doença (diagnóstico precoce), ou com o uso de exames periódicos em pessoas sem sinais ou sintomas (rastreamento), mas pertencentes a grupos com maior chance de ter a doença. No caso do câncer de próstata, esses exames são o toque retal e o exame de sangue para avaliar a dosagem do PSA (antígeno prostático específico).

– Não há evidência científica de que o rastreamento do câncer de próstata traga mais benefícios do que riscos. Portanto, o Inca não recomenda a realização de exames de rotina com essa finalidade. 

– Já o diagnóstico precoce desse tipo de câncer possibilita melhores resultados no tratamento e deve ser buscado com a investigação de sinais e sintomas como:

– Dificuldade de urinar

– Diminuição do jato de urina

– Necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite

– Sangue na urina

– Na maior parte das vezes, esses sintomas não são causados por câncer, mas é importante que eles sejam investigados por um médico.

Leia mais em https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-prostata

 

 

Depois do golpe de estado, Brasil sai da lista das dez maiores economias do mundo onde havia chegado nos governos de Lula e Dilma

Matéria retirada do site da CUT

Com Jair Bolsonaro (ex-PSL) no comando do país e o banqueiro Paulo Guedes dando as cartas no Ministério da Economia, Brasil despenca e perde espaço entre as 10 maiores economias do mundo.

Segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) compilados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), em 2020, o país ficará em 12º lugar no ranking das maiores economias do mundo, atrás de Canadá, Coreia do Sul e Rússia, três países que ficaram na nona, na décima e na 11ª posição, respectivamente. A informação foi publicada pelo jornal Valor Econômico.

Em 2002, último ano do governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o Brasil ocupava a 13ª posição no ranking global de economias medido pelo PIB em dólar, segundo dados do Banco Mundial e FMI.

Nos governo dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, o país chegou, no fim de 2011, ao 6º lugar, desbancando a Grã-Bretanha, segundo projeções do Centro de Pesquisa Econômica e de Negócios (CEBR, na sigla em inglês), divulgadas na época pela BBC.

Em 2012, o Brasil caiu para o sétimo lugar, posição que ocupou até 2014, depois ficou em oitavo lugar entre 2015 e 2018, apesar da crise política e econômica provocada pelo golpe de estado que destituiu a presidenta Dilma, em 2016.

Em 2019, primeiro ano de Bolsonaro no poder, o Brasil caiu para nona posição entre as 10 maiores economias do mundo, atrás de EUA, China, Japão, Alemanha, Índia, Reino Unido, França e Itália. E este ano, deve cair mais três posições.

 

 

Nesta segunda-feira, 9, às 16h, temos como programação do Novembro Negro do Sintufrj o debate “O Negro nas Eleições”, com mediação da coordenadora do sindicato Noemi de Andrade e a participação do socíologo e militante Wescrey Porte, das candidatas Tainá de Paula e Andréa Bak e do candidato Edson Santana. COMPARTILHE.

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Pesquisa da Fiocruz mostra que 44,3% dos trabalhadores têm abusado de bebidas alcoólicas

Escrito por Ana Paula Evangelista-6 de Novembro de 2020 – site Brasil de Fato

O estudo também trouxe o aspecto das grandes mudanças de estilo de vida que pioraram a saúde mental – Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O estilo de vida das pessoas foi substancialmente afetado

Cerca de 47,3% dos trabalhadores de serviços essenciais foram afetados por sintomas de ansiedade e depressão, durante a pandemia de covid-19, no Brasil e na Espanha.

Do total, 44,3% têm abusado de bebidas alcoólicas e 42,9% tiveram mudanças nos hábitos de sono, de acordo com a pesquisa Depressão e Ansiedade Entre Trabalhadores Essenciais do Brasil e da Espanha Durante a Pandemia de Covid-19, realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Universidade de Valência (Espanha).

Entre os dois países, o Brasil é que apresenta dados mais elevados. Dos trabalhadores de serviços essenciais que tiveram sintomas de depressão e ansiedade, 55% deles são brasileiros e 23% são espanhóis. 

“Apesar de a pesquisa na Espanha ter sido feita durante a primeira onda, existia uma expectativa de que a epidemia viesse a terminar. Isso não aconteceu, mas foi posterior à pesquisa”, aponta o pesquisador Francisco Inácio Bastos, do Instituto de Comunicação e Informação em Saúde (Icict/Fiocruz), que participou do estudo.

“No Brasil, estamos ainda no que a gente poderia chamar de primeira onda, que não tem um limite. Não se sabe quando ela vai realmente arrefecer”, ressalta.

Ele também afirma que a rede de proteção social da União Europeia é mais estruturada do que no Brasil.

“Obviamente isso tem um impacto sobre ansiedade, medo de perder emprego, medo de uma crise mais global. Isso explicaria essas diferenças que a gente observou”, avalia.

De acordo com o pesquisador, o estudo também trouxe o aspecto das grandes mudanças de estilo de vida que pioraram a saúde mental, gerando problemas como depressão e ansiedade, além de dependência de álcool e outras drogas.“O estilo de vida das pessoas foi substancialmente afetado”, pontua Bastos.

Os dados mostraram um estilo de vida pouco saudável está associado a uma chance oito vezes maior de ter sintomas de depressão e ansiedade, durante o início da pandemia na Espanha e no Brasil.

“Problemas em manter uma alimentação saudável, realizar exercício, interação face a face especialmente com famílias e amigos. Para profissionais de saúde, dificuldade de retornar para casa com medo de infectar a própria família. Isso não esgota a questão, mas oferece uma perspectiva”, afirma . 

A pesquisa foi realizada entre os dias 15 de abril e 15 de maio na Espanha e entre 20 de abril e 20 de maio no Brasil. No total, os questionários foram respondidos por 2.842 brasileiros (76%) e 903 espanhóis (24%).

Esses 3.745 responderam “sim” à pergunta: “Você está atualmente trabalhando como profissional de saúde ou de outros serviços essenciais (transportes, alimentação, limpeza)?”. Dos respondentes brasileiros, o perfil atingido foi de mulheres (72,2%), com idade média de 39 anos e curso universitário (56,5%) ou mestrado/doutorado (28,5%).

 

 

A falta de oportunidades de empregos com direitos faz Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e Organização Internacional do Trabalho (OIT) lançarem plataforma digital com 1 milhão de oportunidades

 Publicado: 6 Novembro, 2020 Escrito por: Rosely Rocha/Site CUT Nacional

 FERNANDO FRAZÃO / AGÊNCIA BRASIL

 

Mais de 48 milhões de jovens brasileiros de 10 a 24 anos vivem em situação de vulnerabilidade social, com pouco ou nenhum acesso à educação, ao mundo digital e a empregos de qualidade. E é este público que o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) quer atingir oferecendo oportunidades de emprego, com direitos, e educação.

Em parceria com outras entidades e empresas, a Unicef e a OIT lançaram na semana passada, a plataforma digital  “ 1mio” para os jovens, especialmente os da periferia, como parte de uma estratégia global, intitulada no Brasil  “1 milhão de oportunidades”.

Segundo o chefe do setor de educação da Unicef Brasil, Italo Dutra , mais do que oferecer empregos de acordo com a legislação trabalhista brasileira, a plataforma está inserida em quatro pilares: vida, cidadania, empregabilidade e meios digitais. Por isso, oferece também cursos on-line de formação para o trabalho e conteúdos digitais.

“Temos o objetivo de oferecer em dois anos, um milhão de oportunidades aos jovens vulneráveis do Brasil. Não são exatamente um milhão de empregos, mas oportunidades que promovam os quatro pilares que se complementam”, diz Italo.

É preciso ir atrás de quem está fora da escola para que esses jovens possam se desenvolver e ter uma vida mais digna, diz Italo, que se baseia em números da evasão escolar que demonstram os prejuízos financeiros às famílias e ao país com a falta de educação básica.

“A evasão escolar custa ao país R$ 214 bilhões ao ano. Só no ano passado, 1,5 milhão de crianças e adolescentes ficaram de fora da escola. Outros 6,5 milhões estão com um ou dois anos de atraso na escola. Em 2018, 460 mil adolescentes abandonaram os estudos no ensino fundamental. Esta taxa de abandono duplica e até triplica em relação aos negros, indígenas e crianças com deficiência”, alerta Italo.

Em relação à oferta de empregos, o dirigente da Unicef diz que na plataforma é possível encontrar vagas em aprendizagem, estágios e emprego formal, mas para que jovem tenha acesso cada vez mais à vagas de qualidade é preciso que ele se capacite e estude. Nesta quinta-feira (5) havia 48 vagas de empregos oferecidas.

“Os adolescentes que não se formaram na educação básica ganham em média 20% a 25% dos salários de quem se formou. Cada adolescente deixa de receber ao ano R$ 160 mil por falta de conclusão no ensino básico. Isto é muito para este grupo que representa 23% da população brasileira”, afirma o chefe da educação da Unicef.

Presente em outros 26 países, a plataforma “1mio” não se encerra se as 1 milhão de oportunidades forem atingidas no prazo previsto. “ Na verdade, queremos atingir 10 milhões e quantos forem possíveis”, diz confiante o chefe de Educação da Unicef Brasil.

O jovem no mercado de trabalho: comparativo

O momento escolhido pela Unicef e a Organização Mundial do Trabalho para atender a população jovem vulnerável se torna ainda mais urgente ao depararmos com o aspecto mais global dos índices de desemprego no país.

O dado mais recente da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),  embora análise faixas etárias diferentes, entre 18 e 24 anos, , mas ainda assim jovem, reforça que o desemprego tem aumentado para essa população.  Entre abril e junho deste ano, o índice atingiu 29,7% contra 13,3% para a média da população ativa.

Os levantamentos de anos anteriores mostram que a situação é ainda mais grave para os jovens de diferentes idades. Em apenas seis anos o índice de desemprego entre os que tinham  de 14 e 19 anos cresceu 107,5%, e entre os que têm idade, de 20 a 29 anos, chegou a 99,7%, na comparação do segundo trimestre de 2014 com o mesmo período de 2020, segundo a economista e professora Unicamp, Marilane Teixeira.

Apesar da variação de índices nos períodos analisados, essas faixas etárias são as que mais têm sentido a falta de oportunidades.  Ao analisar o mercado de trabalho, a partir da Pnad Contínua , Marilane Teixeira reforça que na década de 2000, o número de jovens que buscavam trabalho era menor, em função até do período de níveis de emprego positivos que o Brasil passava, com as famílias tendo mais condições de manter seus filhos e netos na escola, sem precisar trabalhar.

“Havia menos pressão da força de trabalho pelas próprias condições financeiras das famílias. A pressão começou em 2014 e se estabeleceu a partir de 2016, quando o aumento do desemprego fez os jovens saírem de casa à procura de uma vaga para ajudar no orçamento familiar”, diz.

Para se ter uma ideia do aumento do desemprego entre os jovens, Marilane fez um comparativo entre períodos distintos com início em 2012 até este ano de 2020.

Em 2012, no quarto trimestre, o total de pessoas ocupadas no mercado de trabalho mostrava que de cada 100 trabalhadores, 6,5% tinham de 14 a 19 anos e 23,9% tinham de 20 a 29 anos. Juntos, esses jovens somavam mais de  30,4% do número de pessoas ocupadas.

Já o desemprego atingia, no mesmo período, 19,5%, entre os jovens de 14 e 19 anos, e chegou a 10% para quem tinha de 20 a 29 anos. Ou seja, o índice de desemprego nas duas faixas somava (29,5%) – abaixo do índice de emprego.

Após o golpe contra a ex-presidenta Dilma Roussef, no segundo trimestre de 2016, o desemprego chegou a 37,5% para quem tinha idade entre 14 e 19 anos. Dos 20 anos aos 29 anos, o índice foi de 18,2%.

Em 2019, já com Jair Bolsonaro na Presidência da República, o segundo trimestre fechou com 42% dos jovens entre 14 e 19 anos desempregados. O índice chegou a 21% entre os que tinham de 20 anos a 29 anos.

No último trimestre de 2019, o índice de desemprego entre os jovens teve ligeira retração, mas ainda assim se manteve em níveis elevados. O desemprego atingiu 35,4% entre os jovens de 14 a 19 anos, e foi de 17% para os que estavam com idades entre 20 e 29 anos.

Para Marilane Teixeira, a pequena recuperação no nível de emprego entre o segundo e o quarto trimestre de 2019, ainda é mínima para atender as necessidades dos jovens brasileiros. Segundo ela, o governo federal precisa criar uma dinâmica econômica de estímulo ao emprego para todas as faixas etárias.

“ Veja o exemplo da Carteira Verde e Amarela que reduziu os encargos pagos pelos patrões que admitissem trabalhadores jovens até 29 anos. Embora seu período de vigência tenha sido curto, era mais fácil para as empresas trocarem um adulto de 30 anos, com direitos por um jovem de 20 anos., sem direitos. Ainda bem que a rejeição foi tão grande que a MP que a criou caducou”, diz a economista.

No período da sua vigência, de janeiro a abril deste ano, a MP 905/ 2029 que criou a Carteira Verde e Amarela, foi  responsável pela contratação de 13 mil pessoas, representando apenas 0,25% dos trabalhadores e trabalhadoras contratados no período.

Outro ponto que a economista da Unicamp destaca, é que a falta de benefícios previdenciários e os cortes no valor e o aumento do tempo de contribuição para a aposentadoria a partir da reforma da Previdência, que fizeram os trabalhadores mais velhos estender o seu tempo no mercado de trabalho, prejudicando a inserção do jovem na disputa de uma vaga.

“O mercado de trabalho se estreitou ainda mais, e o único estímulo ao emprego que o governo federal pensa é na redução de custos para as empresas, precarizando ainda mais as relações de trabalho do jovem que precisa se inserir no mercado”, critica Marilane Teixeira.