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“Os prédios estão caindo nas nossas cabeças na UFRJ”, denunciou Piccinini, lembrando o desabamento de parte do teto da Faculdade de Educação Física e Desportos ocorrido em setembro de 2023, por falta de manutenção.
Além dos problemas graves na infraestrutura e nas instalações hidráulicas e elétricas das unidades acadêmicas e administrativas, a vice-presidenta da Andes-RJ disse que falta recursos para pagamento de fornecedores, de água, energia elétrica e demais despesas, como salários de prestadores de serviços e terceirizados.
“É preciso ir às ruas para que essas pautas andem. A Mesa de Carreira é importante para os jovens professores como também para os demais. O processo de reconstrução da nossa unidade é importante para reforçar a luta que a Fasubra deflagrou em março. O movimento tem o apoio dos estudantes e nós, docentes, precisamos nos posicionar. Conclamo a Adufrj a realizar um debate e chamar uma assembleia para discussão com seriedade sobre a nossa adesão à greve”, propôs a sindicalista.
“Eu amo a UFRJ”
Uma faixa com a frase em destaque “Reajuste zero é desrespeito” cobriu os degraus no centro da escadaria da representação do Ministério da Fazenda no Rio de Janeiro, na Rua Primeiro de Março, e balões coloridos em formato de coração com reivindicando “Mais verbas”, “Condições dignas de trabalho” e “Por mais bolsas” completavam o cenário do ato de protesto da Adufrj. Botons com a palavra de ordem da campanha “Eu amo a UFRJ”, lançada pela entidade, foram amplamente distribuídos.
“Um ato de amor” foi como definiu a manifestação a presidenta da Adufrj, Mayra Goulart, falando no megafone. Segundo a dirigente sindical, o local foi escolhido para sensibilizar operadores e políticos para o projeto que a categoria defende, que é uma universidade inclusiva e de excelência”, que ofereça condições de trabalho, mas que para isso era preciso que “o Brasil cuidasse da gente”.
O estudante de História e coordenador do DCE Mário Prata, Andrei, defendeu que a mobilização era importante. “Vivemos um cenário na UFRJ, com a estrutura dos prédios, que todos percebem. E se a gente não lutar por orçamento, não teremos a UFRJ com a nossa cara”. Gabriel Batista, da Associação dos Pós-graduandos (APG), disse que “estavam ali para manter a unidade das categorias do funcionalismo para lutar por orçamento e mostrar ao Ministério da Fazenda que a UFRJ está agonizando”.
“Este é um ato de afirmação em prol da educação pública de qualidade, transformadora e até revolucionária. A educação precisa ser reconhecida. Nós precisamos mudar os rumos desse país com ensino, ciência e tecnologia”, afirmou o reitor Roberto Medronho, chamando a atenção para a existência da extrema direita que “está muito viva e quer destruir o Brasil”.
O reitor reconheceu que é fundamental a valorização da carreira dos técnicos-administrativos e dos professores e a recomposição salarial das duas categorias de servidores.
Rodrigo Fonseca Nunes, diretor da UFRJ-Macaé, manifestou-se contra a adesão à greve em curso. Segundo ele, a universidade tem problemas, mas é preciso ter responsabilidade com os alunos e manter a UFRJ aberta. E propôs que todos divulgassem a campanha “Eu amo a UFRJ” pelo Instagram.
Manifesto
O ato foi encerrado com a leitura do manifesto “Nós amamos a UFRJ” pela vice-diretora da Adufrj, Nadir do Espirito Santo. “Exigimos mais verbas, melhores salários, condições de trabalho dignas e mais bolsas para nossos estudantes”, diz o texto.
A proposta feita pelo governo aos trabalhadores da educação não foi aceita por nenhuma das entidades representativas – Fasubra, Sinasefe. Os representantes das categorias em greve saíram indignados da reunião realizada na manhã desta sexta-feira, 19 de abril, no Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI). A proposta feita pelo governo foi considerada muito aquém das reivindicações do movimento e será submetida para avaliação das bases.
Apesar de propor a reestruturação da carreira com reposição salarial, o governo manteve 0% de reajuste este ano, penalizando mais ainda os aposentados. Segundo o governo, a reestruturação com reposição seria em torno de 22,97% incluído o reajuste de 9% concedido ano passado. Somente em 2025 haveria 9% de reajuste e 3,5% em 2026. Algumas mudanças foram propostas na estrutura da carreira e serão detalhadas para a categoria.
“A proposta apresentada não foi aceita por nenhuma das entidades. Até porque as direções junto com os comandos de greve terão de debater e a proposta será enviada para avaliação nas assembleias de base. O governo propôs reestruturação da carreira com reposição salarial, que seria em torno de 22,97% incluído o reajuste emergencial de 9% concedido ano passado. Para esse ano 0% de reajuste, 9% em 2025 e 3,5% em 2026 o que não chega a 13%. Em relação a estruturação colocaram a tabela lateralizada com piso do nível superior”, informou a coordenadora-geral da Fasubra, Cristina del Papa.
“Não tem orçamento para 2024. A proposta está aquém e foi rebaixada. Não representa o tamanho da nossa greve”, afirmou a coordenadora-geral da Fasubra, Loiva Chansis.
“Para os aposentados é nada mesmo em 2024 já que eles estão excluídos do aumento dos benefícios. A proposta como um todo está muito aquém da valorização que precisamos. Não é possível um governo que vai para a mídia dizer que vai valorizar a educação não o faz na prática. Então continuamos em greve e vamos avaliar com a categoria”, ressaltou a coordenadora-geral da Fasubra, Ivanilda Reis.
“Mais uma vez o governo demonstra não conhece as especificidades do fazer dos trabalhadores técnico-administrativos em educação. Por isso é muito importante que a nossa greve tenha força para arrancar do governo os recursos que precisamos para deixarmos de ser a tabela mais baixa do serviço público federal”, observou o integrante da Comissão Nacional de Supervisão da Carreira, Marcelo Rosa
“Colocamos na mesa que a categoria do PCCTAE estrou em greve porque recebe a pior remuneração do serviço público. Na proposta apresentada pelo governo continuamos com o pior salário do serviço público. Vamos fortalecer essa luta para na próxima mesa exigir que o governo coloque mais dinheiro”, frisou o coordenador-geral do Sinasefe, David Lobão
O que fazer agora
O Comando Nacional de Greve iniciou o debate sobre os próximos passos do movimento para decidir o que será apresentado às bases em nova rodada de assembleias. Aqui na UFRJ, o Comando Local de Greve (CLG) se reúne na manhã de quarta-feira (24). A assembleia simultânea (Fundão (CT), Macaé (local a definir) e Praia Vermelha – auditório Manoel Maurício.) será às 14h.
ANDES
Os docentes vão discutir nas suas bases a proposta do governo apresentada em reunião em separado na tarde de sexta-feira. Da mesma forma do que foi proposto aos técnicos-administrativos, o governo insistiu nos 0% de reajuste para docentes do Magistério Federal em 2024. Como contrapartida, prometeu reajuste de 9% apenas em 2025 e 3,5% para 2026.
Com faixas, bandeiras e cartazes dezenas de estudantes da UFRJ marcharam da Faculdade de Letras até a Ponte do Saber que foi fechada por vários minutos na manhã desta sexta-feira(19) Representantes do Sintufrj e do Andes-SN participaram do ato.
A manifestação – deliberada em assembleia do DCE Mário Prata – tem um nome característico de campanha: SOS UFRJ: a Educação grita por verbas!
Foi um protesto ruidoso e colorido contra o sucateamento e a restrição progressiva de recursos da universidade, exigindo verbas para a sua sobrevivência. “Educação não é gasto, é investimento!”, dizia um dos cartazes.
“A nossa luta unificou. É o estudante junto com trabalhador!”
“Nas ruas, nas praças, quem disse que sumiu. Aqui está presente o movimento estudantil!”
Em uníssono nas palavras de ordem ou nas falas que se sucederam, os manifestantes denunciaram a gravidade da situação da UFRJ, exigindo recomposição orçamentária, na passeata que saiu da Faculdade de Letras, ocupando todas as pistas da Avenida Horácio Macedo (no sentido da Reitoria) e da Avenida Pedro Calmon até a ponte.
Olha pra cá!
“Queremos uma sociedade diferente, que não tenha ninguém que passe fome e que não tenha condições de estar aqui. Defendemos que a universidade deve estar aberta para todo mundo”, disse o representante do DCE Alex Borges, puxando uma palavra de ordem, acompanhado pelo enorme grupo: “Olha para cá! Estou na rua, para o seu filho estudar”.
Segundo ele, o DCE realizou nesta sexta-feira, 24 horas de paralisação com atividades políticas e ações descentralizadas e que o ato no Fundão contou com a participação de todos os centros.
Ele contou que, no dia anterior houve paralisação na Praia Vermelha, com o fechamento do Avenida Venceslau Brás, com o apoio dos Centros Acadêmicos (CAs). E que a unidade dos CAs com o DCE cresce cada vez mais. Os cursos estão realizando assembleia e em breve o DCE irá convocar assembleias gerais para debater sobre a mobilização e defesa da universidade.
Jogral na ponte
“Nós somos estudante e trabalhadores da UFRJ em defesa da educação pública, gratuita e de qualidade. O nosso futuro não será precarizado. Queremos dignidade para estudar e para trabalhar, e não seremos coagidos porque essa é primeira das muitas manifestações que a UFRJ vai protagonizar enquanto a gente não tiver uma recomposição orçamentária que de conta dos nossos sonhos,”, disse a representante do DCE e do CA de Engenharia Camile Gonçalves, repetida em jogral por dezenas de estudantes, em meio a aproximação de policiais em uma viatura e duas motos no intuito de desobstruir o acesso à Linha Vermelha.
Crescendo
Eles chegavam à Letras, local da concentração, em grandes grupos, e se juntavam aos demais, vindos de diferentes unidades do CCS, do HU, Educação Física, EBA, FAU. Seus representantes se revezavam no microfone, denunciando a precariedade dos prédios, como na EBA que teve o ateliê Pamplonão fechado por falta de condições, o do IFCS que contam estar sob risco de um incêndio pela fragilidade das instalações, unidades cujos terceirizados sofrem com atrasos de salários e estudantes sem acesso a bolsas fundamentais para sua permanência.
“A UFRJ vai parar”
Representante o Sintufrj, a coordenadora Marly Rodrigues lembrou que o futuro da universidade estava ali. “Os técnicos-administrativos estão em greve desde o dia 11 de maio, numa luta que é de vocês também. E dos professores que ainda não entenderam por que a gente tem que lutar. Mas vão entender. Se a gente não parar esta universidade, ela é que vai parar sem condições de manter seus alunos. Sem bandejões ou moradia. Hoje temos uma universidade sucateada, e o governo diminui o orçamento. Precisamos fazer este movimento para mostrar para a sociedade que não é um mar de rosas. Esta é a maior universidade federal do país, mas que esta ‘sendo sucateada a cada dia”.
Claudia Piccinini, representante da Regional do Andes, contou que o Sindicato em Nacional está em greve e, aplaudida pelos estudantes, que mais da metade das ifes estão na greve. “Vamos fazer uma grande greve da Educação neste país, porque o governo está nos empurrando para a greve. Estamos juntos nesta luta com a Fasubra e o Sinasefe”, afirmou.
Os dirigentes do Diretório Central dos Estudantes comemoravam o crescendo da mobilização.
O vice-presidente do CA de Engenharia, Samuel Carvalho apontou a redução de recursos para educação e saúde públicas para favorecer a privatização de serviços em que a população pobre não poderá ter acesso. Ele citou dados levantados pelo DCE: a UFRJ perdeu de 2012 a 2024 quase R$400 milhões e já tem esse ano um déficit que não permitirá nem o funcionamento adequado muito menos a expansão. Os orçamentos para as universidades sofreram uma redução de R$ R$310 milhões, enquanto a verba para pagamento da dívida pública é de R$2,5 trilhões e o previsto para as emendas parlamentares é de R$ 44,6 bilhões.
Os estudantes comemoraram o sucesso do ato que foi concluído em frente a escadaria da Reitoria.
A coordenadora do Sintufrj Marly Rodrigues na manifestação dos estudantes que percorreu as vias do Fundão e fechou a Ponte do Saber no dia 19 de abril
Abaixo, o trânsito parado no chegada à ponte. Policiais se aproximas mas os estudantes, em jogral, mandam seu recado: “Essa é primeira das muitas manifestações que a UFRJ vai protagonizar enquanto a gente não tiver uma recomposição orçamentária que de conta dos nossos sonhos!”
Com 239 votos favoráveis e 138 contrários, os professores da Universidade Federal Fluminense (UFF) decidiram entrar em greve a partir da segunda-feira, 29 de abril. Com isso já soma 24 instituições federais de ensino com professores que aderiram ao movimento. A greve na educação foi puxada inicialmente pelos trabalhadores técnico-administrativos.
FOTO: Luis Fernando Nabuco
A direção do Sintufrj manifesta sua consternação com o falecimento do professor Luiz Afonso Henriques Mariz. Médico formado pela UFRJ, atuou no Departamento de Pediatria e foi diretor do Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG). Como pró-reitor de Pessoal entre 2002 e 2011 durante os dois mandatos do reitor Aloísio Teixeira, integrou a equipe que respondeu naquela circunstância à necessidade de pacificação da universidade depois dos atropelos da gestão do “interventor” José Henrique Vilhena.
Num dia marcante para o calendário da luta do funcionalismo federal da educação, técnicos-administrativos da UFRJ se destacaram com presença relevante na marcha pela Esplanada dos Ministérios na quarta-feira 17. A mobilização é resultado da jornada de atividades que tem modificado a rotina da universidade desde o 11 de março, quando a greve dos técnicos foi deflagrada. Um movimento a favor da universidade pública, da sociedade e de dignidade de trabaho para milhares de trabalhadores: reestruturação da Carreira, reajuste salarial e recomposição orçamento para as instituições federais de ensino.
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Milhares de trabalhadores públicos federais da educação ocuparam Brasília na manhã desta quarta-feira, 17, vindos em caravanas de todo o país para a jornada de lutas por Carreira, reajuste salarial e recomposição orçamentária de universidades e institutos. O movimento é apoiado por estudantes engajados na luta por recursos para instituições que enfrentam colapso financeiro.
Pela manhã servidores e estudantes realizaram uma grande marcha sob um sol escaldante pela Esplanada dos Ministérios e ato em frente ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), pasta que está à frente das negociações. No início da tarde teve aula pública em frente ao MEC.
Os trabalhadores da educação, aliás, mostraram a força de sua mobilização – técnico-administrativos em educação estão em greve em 67 instituições de ensino superior há 37 dias, sendo seguidos pelos servidores da Rede Federal de Educação Básica, Profissional e Tecnológica que deflagraram greve em 3 de abril e pelos professores de universidades e institutos federais que se somaram ao movimento no dia 15 de abril. A expectativa do Sinasefe e do Andes é que o movimento nas suas bases cresça ainda mais até sexta-feira, 19.
Pressão
O objetivo da jornada é pressionar o governo a apresentar proposta concreta às reinvindicações e encontrar orçamento para reajuste ainda esse ano. A pressão acontece há dois dias de reunião marcada para sexta, 19 de abril, que promete ser momento decisivo nas negociações com o setor da educação. O governo promete apresentar sua proposta e diz que os técnico-administrativos em educação têm relevância para o atendimento de suas reivindicações.
A Fasubra e sua base, a categoria dos técnico-administrativos em educação, todos de colete azul, fizeram diferença nos atos deste dia 17. A categoria permanecerá três dias em Brasília acampada participando dos atos e estará em vigília durante a negociação dia 19.
O Sintufrj, por sua vez, foi a capital federal com uma das maiores delegações da federação, integrada por companheiros aposentados e companheiros dos campi do Fundão, Praia Vermelha, Macaé e Caxias.
“Vieram vários ônibus trazendo companheiros de todo o país. Esse é um ato vitorioso. Tivemos mais de 15 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios. Estamos aqui no MGI para dizer que não aceitamos reajuste zero”, falou entusiasmado o coordenador de Comunicação Sindical do Sintufrj, Cícero Rabelo.
Em frente ao MGI os representantes das entidades do Fonasefe, fórum que reúne as entidades nacionais do funcionalismo, organizadora da Jornada de Lutas, fizeram falas. Os representantes da Fasubra anunciaram o protagonismo dos técnico-administrativos em educação na deflagração do movimento paredista, falaram da força da greve da categoria e afirmaram que a federação não aceitará nenhuma proposta que divida a categoria e exclua aposentados e pensionistas.
“Não aceitaremos divisão na nossa categoria. Nossa carreira é dividida em classes e não aceitaremos que uma ganhe mais que a outra. Queremos reajuste para toda a categoria, independente de classes, ativos, aposentados e pensionistas. Nossa greve é fortíssima no Brasil inteiro. Somos a única categoria que saiu em greve dia 11 de março e hoje dia 17 de abril está fazendo 37 dias de greve que está nas ruas – 37 dias que fez com que o Sinasefe viesse para a greve, o Andes e outros da educação. A Fasubra está de parabéns porque unificou a educação”, declarou a coordenadora geral da Fasubra, Cristina del Papa.
Aos aposentados, eles foram em peso a Brasília, a coordenadora-geral da Fasubra, Ivanilda Reis, garantiu. “Estamos aqui mobilizados para dizer, reestruturação da carreira para todos. Não aceitaremos ninguém fora da reestruturação. Viemos aqui buscar a valorização para os técnico-administrativos e para o conjunto dos servidores públicos. Não sairemos da greve sem nossa valorização. Só sairemos da greve com uma boa proposta. Vamos mostrar a força da nossa greve, da greve unificada. Nós conseguimos unificar a greve da educação”, afirmou.
O coordenador-geral do Sinasefe, David Lobão, afirmou que Andes, Fasubra e Sinasefe reunidas estão realizando a maior greve da educação federal do país e isso não pode ser desprezado pelo governo. O Sinasefe está junto com a Fasubra numa proposta única de carreira para as duas categorias.
“O governo tem que presentar propostas concretas e decentes que dialoguem com o que reivindicamos. A maior greve da educação federal desse país não pode ser desprezada. Queremos reestruturação de carreira. Não queremos congelamento de salários agora em 2024”,
O presidente do Andes, Gustavo Seferian, ressaltou a força da educação de todo país reunida na greve a qual soma-se agora os professores das universidades e institutos federais. Ele disse que é um movimento contra o reajuste zero e por orçamento.
“O zero por cento é uma vergonha. Vergonha na medida que há sim espaço no orçamento para o serviço público e para investimento na educação e na saúde. É fundamental apontarmos a falta de disposição política hoje colocada de destinar os fundos públicos aos servidores, entregando para o Centrão, rentistas e capital financeiro”, disse.
A deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP), que fez o requerimento para a audiência, no ato em frente ao MGI reafirmou que há dinheiro.
“Há uma margem de 15 bi com a votação do DPVAT. Então é a brecha que precisávamos para disputar recursos para o reajuste. O movimento tem que caminhar com firmeza por que que os abutres do Centrão querem abocanhar essa verba em ano eleitoral”, disse.
A presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Manuella Mirella, defendeu a unificação da pauta de toda a educação em torno da recomposição orçamentária e de uma reforma universitária.
“Trabalhadores e estudantes estão aqui hoje para defender a educação e a universidade dos nossos sonhos. Viemos nós da Une junto com vocês para defender a unificação da pauta da educação. Nos solidarizamos com a pauta do reajuste salarial, da valorização da carreira e dos profissionais da educação, mas queremos também a recomposição orçamentária das universidades já. Queremos a retomada de obras paradas, a aprovação da lei nacional de assistência estudantil e reajuste de bolsas. Queremos uma reforma universitária do tamanho dos desafios do nosso país.
Pode ser que a UFRJ não faça uma solenidade oficial de fechamento de seus campi, em junho, mas pouco a pouco a universidade vem interrompendo suas atividades, cortando despesas mínimas, reduzindo visivelmente o seu ritmo. Uma triste realidade cuja causa é a falta de dinheiro. A UFRJ não sobrevive sem recursos. A comunidade universitária tem se mobilizado e denunciado a situação caótica em que se encontra a instituição.
A greve dos técnicos-administrativos em educação de todas as instituições federais de ensino, que na UFRJ começou no dia 11 de março, não é apenas pela reestruturação da carreira e a recomposição salarial da categoria. O movimento reivindica também recursos para as universidades, institutos e colégios federais. Uma luta, como não poderia ser diferente, que tem o apoio dos estudantes.
Caos absoluto
A falta de dinheiro nas universidades é grave. Nas sessões do Conselho Universitário (Consuni) da UFRJ problemas são expostos pelos três segmentos e de todos os campi. Estudantes, técnicos-administrativos e docentes, inclusive dirigente de unidades acadêmicas apontam a falta de condições de estudo e trabalho. Os prédios apresentam problemas graves por falta de manutenção e de obras de infraestrutura, principalmente os mais antigos. Além disso, os trabalhadores terceirizados da limpeza, vigilância e portaria padecem com o atraso do pagamento de salários e benefícios. Constantemente eles são obrigados a parar para terem seus direitos respeitados. Muitas vezes as aulas são suspensas por falta de limpeza nas salas.
Recentemente alunos e servidores da Escola de Belas Artes (EBA) e da Faculdade de Letras realizaram protestos pelas condições precárias dos prédios. Na sessão do Consuni do dia 28 de março, a diretora do campus Duque de Caxias, emocionada, contou que lá a comunidade universitária enfrenta sérios problemas de infraestrutura. As atividades são interrompidas até por goteiras nas salas.
Protestos
Manifestações de estudantes e servidores de Duque de Caxias
]
Protesto da EBA e ocupação do Salão Nobre da Reitoria
No Consuni
Protesto de estudantes de Duque de Caxias e da Faculdade de Letras no Conselho Universitário de 28 março.
Fechando aos poucos
A representante estudantil no Consuni Camile Paiva, na sessão do dia 11 de abril, defendeu mais visibilidade por parte da UFRJ da greve dos técnicos-administrativos em educação. “A greve tem que estar em todos os espaços da universidade. Hoje temos um país em luta e precisamos pensar como a UFRJ pode e deve se adequar a esse cenário. Não vai chegar alguém e falar ‘Vou trancar as portas da universidade. Acabou a maior universidade federal do Brasil’. Mas a gente vem fechando aos poucos, não é? Quantas coisas a gente fazia e não fazemos mais? Quanta coisa a gente quer fazer e não temos condições?, disse a líder estudantil.
Ela propôs que na sexta-feira, 19, toda a universidade aderisse a paralisação. “Precisamos parar de viver como se a universidade estivesse na normalidade. Precisamos mobilizar e mostrar que não está nada bom”, afirmou.
Camile Paiva, no Consuni do dia 11
Manifestações
“Eu sou estudante de Belas Artes e meu prédio é um cenário de Silent Hill (game e filme de terror psicológico)”, denunciou uma estudante. “Eu estudo na Belas Artes e eu já fiquei presa uma hora no elevador aguardando o resgate dos bombeiros”, falou outra no vídeo produzido coletivamente para divulgar a situação precária da unidade.
No dia 9 de abril, trabalhadores do serviço de limpeza do Centro de Tecnologia (CT) da JB Soluções, pararam durante toda a tarde e se reuniram no hall da unidade. Eles protestaram pelo atraso do pagamento dos salários. Segundo a Reitoria, naquela noite mesmo o dinheiro entrou na conta.
Sem internet
No início da tarde do dia 10 de abril, a rede de internet e o acesso aos sistemas da UFRJ foram interrompidos. A Superintendência Geral de Tecnologia da Informação e Comunicação (SGTIC) informou que a interrupção do fornecimento de energia no Fundão, seguido de picos de tensão, havia afetado um quadro de transmissão no Instituto Tércio Parcitti (Núcleo de Computação Eletrônica), equipamento responsável pela transmissão da energia (inclusive do gerador em caso de pane) para os equipamentos. Segundo a SGTIC, as medidas para tentar sanar as precárias condições em que a área de TIC da UFRJ se encontra estão sendo tomadas pela Reitoria. No dia 11, uma empresa de manutenção foi chamada e no dia seguinte o sistema foi normalizado.
“Deixaremos de atender a demandas”
A Pró-Reitoria de Planejamento, Orçamento e Finanças (PR3) apresentou a situação orçamentária da UFRJ em informe de 17 de abril:
Despesas previstas para 2024 | R$ 524.772.609,94 |
A UFRJ já pagou | R$ 96.143.400,65 |
Resta pagar | R$ 428.629.209,29 |
Do orçamento de 2024 (R$ 283.470.914,00) restam apenas | R$ 187.327.513,35 |
Déficit pode atingir R$ 392 milhões
“De nosso orçamento de nos restam apenas R$187.327.513,35 para fazer frente a essas despesas e, portanto, boa parte delas não serão honradas. Se for mantido o ritmo das despesas, concluiremos maio com apenas R$ 12.757.499,03 disponíveis em nosso orçamento e a partir de junho não teremos como atender a nossas obrigações, que totalizam atualmente R$ R$ 39.758.265,50”, diz o informe. Entretanto, garante a PR-3, a Universidade não irá parar em junho, “pois deixaremos de atender a demandas, via critérios a serem acordados com a Reitoria”.
De 2023 para 2024 foi repassado o déficit de R$ 107.732.167,56 e um elevado déficit de serviços não realizados. No início do ano, o déficit estimado para 2024 era de mais de R$354 milhões. Atualmente esse valor atinge R$ 392 milhões.
Um exemplo
No dia 15 de abril, a PR3 apresentou um quadro com as contas críticas que podem paralisar as demais atividades. No item Alimentação, por exemplo, para que se possa compreender o que o quadro mostra, a situação é a seguinte: O total anual previsto das necessidades de alimentação é de R$ 41 milhões. “Mas esse valor está subestimado, porque abrimos o RU2CT (o novo bandejão do CT) e estamos em vias de atender amplamente as demandas justas dos estudantes, com café da manhã e jantar”, explicou o pró-reitor, Helios Malebranche. Porém, o orçamento aprovado no Consuni para este item é de R$ 26 milhões, portanto, o déficit é de R$ 15 milhões.
O orçamento aprovado pelo Consuni foi calculado sobre os limites da Lei Orçamentária Anual. Nesse item da Alimentação (como nos demais em vermelho na tabela), não poderá haver déficit – o déficit será distribuído proporcionalmente entre os demais itens não grifados em vermelho. Essa distribuição, segundo explicou o pró-reitor, será feita na próxima divulgação das contas pela PR-3.
RUs
A paralisação dos terceirizados dos Restaurantes Universitários, segundo Helios Malebranche, não foi por falta de pagamento pela UFRJ às empresas prestadoras de serviços. O que ocorreu foi que as contratadoras não pagaram seus empregados. No Consuni do dia 11 de abril, ele informou que o pagamento foi feito pela universidade no dia 5.
Acorda, Alice!
Como a UFRJ vai se manter é a pergunta que os técnicos-administrativos em greve têm feito nos protestos. Como ocorreu no ato na UFRJ-Duque de Caxias, dia 4 de abril, em solidariedade aos terceirizados e por recursos e condições para o campus. Quando estudantes e docentes foram convocados a se unirem à luta e deixarem de agir como se a UFRJ estivesse “no país das maravilhas”, conforme definiu a técnica-administrativa Mariana Magaldi.
Cada dia pior
“Com o passar das décadas sem reformas, o que era ruim e arriscado se tornou terrível e perigoso, como é o caso do Pamplonão (oficina de artes) da Escola de Belas Artes — atualmente interditado por problemas estruturais –, e do prédio do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais e do Instituto de História, que necessita de reforma elétrica e estrutural. Em 2023, um ventilador caiu no meio do teto durante uma aula e um princípio de incêndio ocorreu em outra sala. Seguimos sem qualquer perspectiva de uma real recomposição orçamentária”, pontua o artigo do coordenador do DCE Mário Prata Thiago Braile.
Fuga de quadros
A Pró-Reitoria de Gestão e Governança (PR-6), responsável pelos contratos e licitações das empresas prestadoras de serviços, apontou um outro tipo de restrição, além da orçamentária, que é a de pessoal na quantidade adequada para a agilidade que os processos de pagamento exigem (são cerca de 120 contratos, totalizando 2.400 trabalhadores). Faltam, por exemplo, fiscais para informar à PR-6 que providencie o pagamento pela realização das empreitadas.
Este, entre outros setores da universidade, está perdendo servidores que buscam concursos em outras carreiras mais atrativas do ponto de vista da remuneração. “Os assistentes em administração saem porque o salário é muito baixo”, lamentam integrantes da equipe da PR6 – hoje com 44 pessoas, a metade do que seria necessário. O setor, que havia enviado solicitação de pessoal à Pró-Reitoria de Pessoal (PR-4), aguarda para breve a integração de 22 novos concursados. Mas sem muita esperança de que fiquem muito tempo na universidade: “Eles logo vão embora”.
“Dinheiro tem, mas é preciso pressionar”
“A UPRJ precisa de R$ 780 milhões para poder funcionar. O orçamento atual é o mesmo de 2011, de mais de 10 anos atrás. Isso é um absurdo, porque a universidade tem que ser prioridade. Atualmente mais ainda, porque a instituição abriu as portas para estudantes de baixa renda, que é a maioria do povo brasileiro”, afirmou o coordenador-geral do Sintufrj Esteban Crescente.
“E o que a gente vê”, acrescentou o dirigente, “é o orçamento público sendo abocanhado por meia dúzia de pessoas com interesses inescrupulosos. Esse ano teve recorde de verba para orçamento para emendas de comissão, emenda para parlamentar. São R$50 bilhões em emendas parlamentares. A educação federal toda precisa de mais R$9 bilhões e não recebe, mas os deputados foram de R$ 20 para R$ 50 bilhões em emendas. Recursos tem, só que a prioridade não está nos trabalhadores e nas trabalhadoras. Então, se a gente não faz greve, se a gente não faz barulho, a gente não consegue arrancar o que é nosso por direito. Por isso a nossa luta é para melhorar a carreira e reter quadros de qualidade na universidade e por recursos para a instituição”.
Fotos de Elisângela Leite, renan Silva e Isabela Cunha
Assim como em Brasília, nesta quarta-feira, dia 17, onde em uma grande marcha nacional unificada, servidores federais, em especial da Educação, em greve que rumaram à capital federal em caravanas de todo país, reivindicaram atendimento às categorias nas mesas específicas e protestavam contra a falta de reajuste, atos locais unificados se repetiam em outros estados.
No Rio, contando com a presença das coordenadoras do Sintufrj Laura Gomes (Geral) e Marly Rodrigues (Comunicação), de membros do Comando Local de Greve e da base da UFRJ, com apoio do carro de som do Sintufrj, o ato unificado chamado pela Confederação dos Trabalhadores do Serviço Público Federal e pelo Sindicato Intermunicipal dos Servidores Públicos Federais dos Municípios do Rio de Janeiro, Sindisep-RJ, foi em frente ao Museu da República, no Palácio do Catete, categorias diversas categorias.
SINTUFRJ, CLG e base: UFRJ marcou presença
Laura Gomes apontou que servidores das universidades estão na luta pela reestruturação da Carreira: “Queremos melhores salários, a recomposição do orçamento, queremos uma universidade pública de qualidade. Nossos prédios estão caindo aos pedaços. Precisamos de orçamento para reconstruir nossas unidades”, disse, convocando a sociedade a apoiar a luta em defesa da Educação e do serviço público que, afinal, é em defesa dos direitos da população: “Na pandemia, os servidores não largaram a mão de ninguém. Agora pedimos que não larguem nossa mão. Venha lutar conosco!”
“Nós amamos a universidade e por isso é que estamos na rua e é por isso que essa greve vai crescer. Os benefícios não estão atrelados a nossa greve. É uma reivindicação de paridade com aqueles que ganham auxílios maiores. Nossa categoria é pior paga (no Executivo), por isso estamos nesta luta. Vamos fortalecer essa greve e dizer para o governo que só sairemos quando tivermos nossa pauta atendida. Brasília está fervilhando, é precisamos que na base fortaleçamos a greve, chamando a companheirada que ainda não se convenceu”, disse Marly Rodrigues
.O servidor da UFRJ Roberto Gambine chamou atenção que o ato, além da exposição das reivindicações é um momento de diálogo com a população: “O que é um serviço público? É aquilo que a gente organiza para disponibilizar para todos os cidadãos, selecionadas por concurso público, para trazer o que tem de melhor para servir ao povo. Por que é importante o servidor ter Carreira? É importante que as pessoas possam servir ao público por muitos anos, utilizando a qualidade do seu trab publicamente. Por isso tem que ter carreira digna. Privatização é expressão da falta de democracia, do aprofundamento das desigualdades. Defender o serviço público é defender uma sociedade democrática e cidadã”.
Diversas categorias contra o reajuste zero
Além do Sintufrj, servidores da UFRJ e do Sindsep-RJ, estavam lá representantes de técnicos-administrativos e docentes Uni-Rio, da UFF, da Associação Nacional dos Docentes, do Instituto Brasileiro de Museu (Ibram), Funai, Funarte, Biblioteca Nacional, Museu Histórico Nacional. O Fórum das associações de servidores da Cultura reivindica a efetivação da mesa específica em que esperam a Carreira que reivindicam há 25 anos.
“Reajuste zero eu não aceito”, disse o secretário geral do Sindsep-RJ, Raul Bittencourt criticando a tática do governo de negociar com cada categoria nas mesas específicas, ponderando sobre a inviabilidade de uma negociação com 242 carreiras do serviço público demandaria a mesma quantidade de projetos de lei no Congresso Nacional para efetivação de cada reajuste.
Marcos de Brum, do Instituto Brasileiro de Museus, do Ministério da Cultura e explica “A gente está brigando já há muitos anos por um plano de carreira que nunca chegou, então a gente tem um quadro de evasão extremamente elevado. Por exemplo, no Instituto Brasileiro de Museus, onde eu trabalho, a gente teve 56% de evasão nos últimos 15 anos, e a gente está trabalhando com 44% da força que a gente já teve. A projeção é que nos próximos cinco anos tenhamos apenas 6 servidores para cada museu federal vinculado ao Instituto Brasileiro de Museus. Então, o quadro de evasão é muito grande. A gente tem um pessoal extremamente qualificado, com mestrado, com doutorado. Pessoas que investiram na sua própria carreira e que não são remuneradas pela qualificação que tem”. Então os dois motivos desse ato de hoje são: a campanha salarial unificada do Serviço Federal como um todo, mas também a nossa. específica.
Claudia, do Andes-SN, contou que a estudantes estão com o movimento e que planejam um ato no dia 9 de maio. “Vamos tentar fazer um gigantesco ato aqui no Rio de Janeiro e no Brasil, colocando a população na rua junto conosco para que a gente possa avançar. Sem isso, a gente não vai conseguir convencer o governo a colocar os servidores públicos no orçamento e colocar os servidores e os serviços públicos na centralidade da pauta do governo”.
Estudante apoia movimento
Filha da servidora Luciana Borges, da UFRJ, Giovana, que estuda no Colégio Pedro II (em que técnicos-administrativos e docentes estão em greve), estava lá não apenas pela mãe, mas também em apoio ao movimento. Ela acha que, se a paralisação pode dificultar o estudo, como tem ouvido argumentarem, por outro lado, é importante porque é preciso lutar pelo “que a gente tem direito” porque não se trata só de alunos, se trata da população. As pessoas precisam ser valorizadas pelo que fazer, eu acho que isso é importante. Eu vejo muita perguntando ‘por que a greve?’ porque é importante para a sociedade, para o país. Tem que lutar, são direitos!”
Ato Unificado Servidores no Palácio do Catete.
Rio, 17/04/24
Foto de Elisângela LeiteVídeos; Regina Rocha