O Ministério da Gestão e Inovação publicou dia 3, um Projeto de Lei sobre o Reconhecimento de Saberes e Competências que, segundo a coordenadora-geral da Fasubra Cristina Del Papa é um “cavalo de troia” e a categoria precisa reagir.

Este é o assunto central que motivou a convocação desta reunião de emergência do GT Carreira convocada para as 9h desta segunda-feira, dia 8, no Espaço Cultural do Sintufrj

A questão também ganhou atenção na manifestação deste Dia Nacional de Lutas, 4 de dezembro, no ato dos técnicos-administrativos em frente ao Hospital Universitário. O decreto  apresentado, segundo as lideranças presentes ao ato, é a destruição do que foi acordado com os técnicos-administrativos pelo governo, depois da histórica greve da categoria em 2024. E já traz elementos que estão previstos na Reforma Administrativa. Por isso, os coordenadores conclamaram a categoria a se mobilizar nas mobilizações que virão pela frente, com a possível indicação de greve já no início do ano, pelo cumprimento integral do acordo de greve e contra a Reforma Administrativa que ataca a estabilidade e limita o investimento no serviço público e no servidor, prejudicando a população.

 

Mobilização continua esta tarde, às 14h, no Palácio Guanabara 

Na primeira atividade do Dia Nacional de Luta com paralisação, esta quinta-feira, 4 de dezembro, técnicos-administrativos em Educação da UFRJ realizaram ato em frente Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, no Fundão. No corpo-a-corpo , panfletando junto a trabalhadores e à população usuária do hospital, e através dos alto-falantes do carro de som do sindicato, coordenadores e militantes da base se revezavam para anunciar os motivos da paralisação: pelo cumprimento integral do acordo de greve, contra a reforma administrativa que retira direito dos trabalhadores do serviço público e que afeta também a população e ainda em defesa das mulheres, contra o feminicídio.

“Lutar e resistir, até o acordo cumprir”, bradaram juntos os manifestantes, chamando a todos para integrar o ato unificados com demais setores do serviço público este tarde, em mais um protesto contra a Reforma Administrativa, às 14h, em frente ao Palácio Guanabara.

Serviço público na luta

“Estamos no dia nacional de paralisação em defesa e serviço público. E dos direitos do servidor. Pelo comprimento integral do acordo de greve, pela implementação da jornada de 30 horas para os trabalhadores do Estado e redução da jornada de trabalho para toda a classe trabalhadora. Estamos lutando pelo comprimento do que foi acordado na mesa de negociação com o governo, pelo Reconhecimento de Saberes e Competências, uma ferramenta para valorizar os servidores e que infelizmente o governo está descumprindo. Nós estamos lutando também pelo reposicionamento dos aposentos, pela racionalização dos cargos”, disse o coordenador-geral Esteban Crescente, pedindo àqueles que circulavam no local que lessem o panfleto que os militantes distribuíam para entender mais sobre as questões em pauta.

“Nós temos que defender os serviços públicos para a população. O acesso à saúde, educação, habitação, segurança. Para isso é necessário investimento e valorizar os servidores e servidoras que precisam que haja recomposição das perdas salariais acumuladas”, ponderou o coordenador.

“Ato também em defesa dos pacientes”

O coordenador-geral Francisco de Assis ponderou que é importante mobilizar companheiros que, não podendo integrar o ato da manhã, se reunissem aos demais servidores no ato conjunto da Fasubra- Sindical e Forum das Entidades Nacional dos Servidores Públicos Federais (Fonasefe) no Palácio Guanabara à tarde, pelas pautas nacionais. No HU, o ato demarca uma pauta importante para  categoria: condições de trabalho do hospital.

“A gente tem conversado com os trabalhadores diariamente. É importante que os companheiros se mobilizem, porque a situação está ficando crítica, tanto do ponto de vista das condições de trabalho, quanto para o paciente que está tendo dificuldade de ser atendido. Esse ato  é em defesa dos trabalhadores mas, com certeza, também em defesa dos pacientes que estão sofrendo com a precariedade do serviço, cuja solução foi prometida lá atrás, com aquela narrativa de que haveria recursos com a entrada da Ebserh. E agora a gente vê que a precariedade continua e até em alguns casos está pior. Isso tá afetando também os demais hospitais, como o IPPMG e a Maternidade Escola e, principalmente, os companheiros dos hospitais que não fizeram adesão à Ebserh, que estão sofrendo por inanição. Então a gente precisa ter consciência do que tá acontecendo e nos mobilizar e construir uma grande mobilização dentro no hospital”, contou, explicando a intenção da direção de promover uma grande reunião geral dos trabalhadores do hospital em janeiro para o debate de todas essas questões. O Sintufrj enviou ofício à direção relatando os problemas até hoje sem resposta, mais uma pauta deste dia de luta e que será levada também ao Conselho Universitário ainda este ano.

Vamos nos mobilizar

“Nós estamos aqui para exigir do governo o cumprimento integral do acordo de greve. Queremos as 30 horas já, o RSC e a valorização dos nossos aposentados, que a cada dia que passa estão fora do planejamento do governo. Estamos aqui também para lutar por melhores condições de prestação de serviço para nossos pacientes. A gente sabe a dificuldade que a população tem enfrentado. Então estamos aqui para lutar por vocês também, contra a Reforma Administrativa que atinge todos nós”, disse a coordenadora da Comunicação Luciano Borges, chamando os colegas do hospital: “Vamos descer, vamos nos mobilizar, vamos nos juntar para que a gente possa fazer um ato bonito e impressionar o governo pelo cumprimento do acordo de greve. Precisamos de melhores condições de trabalho, para que a gente possa oferecer dignidade ao serviço prestado à população. Desça, companheiro. Só reclamar não adianta. Vamos, coletivamente, pressionar o governo para conquistar os nossos direitos”, conclamou, lembrando também a pauta em defesa dos direitos da mulher, contra o feminicídio e toda forma de violência.

RSC em risco e greve no horizonte 

O Ministério da Gestão e Inovação publicou dia 3, um decreto sobre o Reconhecimento de Saberes e Competências que, segundo a coordenadora-geral da Fasubra Cristina Del Papa é um “cavalo de troia” e a categoria precisa reagir.

A questão também ganhou atenção das lideranças na manifestação, para quem o decreto apresentado é a destruição do que foi acordado com os técnicos-administrativos e já traz elementos que estão na Reforma Administrativa. Por isso, os coordenadores conclamaram a categoria a se mobilizar, ocupando as ruas hoje à tarde, mas também nas demais mobilizações à frente, com a possível indicação de greve já no início do ano, pelo cumprimento integral do acordo de greve e contra a Reforma Administrativa que ataca a estabilidade e limita o investimento no serviço público e no servidor, prejudicando a população.

 

 

 

FOTOS: RENAN SILVA

Nesta terça-feira, 2 de dezembro, foi inaugurada a nova sede da Coordenação de Políticas de Saúde do Trabalhador (CPST), uma área de 281 metros quadrados no Polo de Biotecnologia, numa cerimônia concorrida com a presença de gestores das unidades da UFRJ, do Centro de Ciências da Saúde e servidores da CPST.

A nova sede, segundo o reitor Roberto Medronho, reflete o compromisso da gestão em melhorar a saúde do trabalhador e do corpo social da UFRJ. “Com a nova sede e instalações novas estamos promovendo mais bem-estar aos trabalhadores da CPST e para os nossos servidores”. Na oportunidade, Medronho anunciou a retomada dos exames periódicos na UFRJ.

A  coordenadora da CPST, Angela Grey, celebrou a inauguração do espaço e agradeceu os profissionais que se dedicaram à construção do projeto, aos gestores, a equipe técnica, aos servidores e aos trabalhadores da saúde.

“Hoje, inauguramos não apenas uma unidade, mas o compromisso permanente de cuidar, proteger e valorizar. E fortalecer a saúde de cada trabalhador da nossa universidade”, afirmou.

Sindicato observa

Como denunciado pelo Sintufrj, a CPST viveu uma crise provocada por decisões equivocadas da antiga gestora vindo a prejudicar o atendimento, o relacionamento com os funcionários e o diálogo com o Sintufrj.

O coordenador-geral da entidade, Francisco de Assis, disse esperar que “o processo histórico de ter conquistado o espaço inaugurado hoje se reflita numa relação humanizada com os trabalhadores e no atendimento externo”.

O dirigente disse, ainda, que as novas instalações ainda não comportam todos os servidores e que é necessário avançar na política de saúde para os trabalhadores e enfrentar, por exemplo, o problema das perícias”, ainda não comporta todos os trabalhadores.

Coordenadora cita dois pilares

Angela Grey anunciou que a nova sede da CPST nasce sob dois pilares que serão inegociáveis: humanização e qualidade de vida no trabalho.

“Humanizar para nós significa reconhecer que cada trabalhador tem uma história que merece respeito, com um contexto que precisa ser considerado e uma trajetória que deve ser acolhida. Isso significa olhar para além do trabalho, compreender o ambiente de trabalho, suas exigências, riscos, pressões e desafios. Atuar com empatia, sensibilidade e responsabilidade. Promover qualidade de vida no trabalho é garantir que a UFRJ seja também o espaço de bem-estar, saúde, segurança e desenvolvimento. Isso inclui práticas de prevenção, acompanhamento, especializado, suporte às equipes, promoção de ambientes saudáveis. Inclui a construção de uma cultura institucional que compreenda o trabalho ou espaço de dignidade, de pertencimento e realização. Esta coordenação vem para integrar ações, fortalecer vínculos, ampliar o cuidado e desenvolver políticas efetivas que de promoção a saúde do trabalhador. Aqui teremos o espaço para a escuta qualificada, para análise das condições laborais, para o atendimento interdisciplinar e para a acumulação de estratégias que possam reduzir riscos e previnam o adoecimento e favoreçam a proteção de todos que constroem a certa universidade”, disse.

A pró-reitora de Pessoal, Neuza Luzia, expressou profunda gratidão pela presença de todos, destacando o significado simbólico do evento: resistência, luta, coragem e determinação. Ela celebrou a realização de algo desejado por muitos afirmando que a nova sede não é só de fora para dentro, mais também de dentro para fora. Segundo Neuza, a nova sede representa uma união de gerações, combinando a experiência dos mais antigos com a energia dos mais jovens, visando o melhor atendimento social na universidade.  Ela destacou também a retomada dos exames periódicos e falou sobre planos para futuros programas e pesquisas em saúde do trabalhador, com a colaboração da comunidade universitária.

A cerimônia contou também com a participação da vice-reitora, Cássia Turci e o decano do Centro de Ciências da Saúde, Luiz Eurico Nasciutti.

 

 

A sequência de eventos envolvendo a violência contra mulheres nos últimos dias com finais trágicos tem provocado perplexidade e indignação  nos setores da sociedade comprometidos com a luta por justiça e com o repúdio à opressão da cultura machista. Essa situação exige que o movimento social e os trabalhadores organizados chamem atenção para o problema que é expressão de preconceito e barbárie. Por isso, neste 4 de dezembro, incorporamos a defesa das mulheres no rol dos objetivos de nossa mobilização. Venha com a gente.

Dia Nacional de Luta contra a Reforma Administrativa e pelo cumprimento do Acordo de Greve

PARALISAMOS TAMBÉM EM DEFESA DAS MULHERES

4 de dezembro – quarta-feira

9h: ati en frente ao HUCFF

14h: Ato Unificado em frente ao Palácio Guanabara

convocado pelo Fórum dos Servidores do Rio de Janeiro

O Sintufrj tem intensificado a mobilização para o Dia Nacional de Luta contra a Reforma Administrativa e pelo cumprimento do acordo de greve.

Diante da sucessão de episódios trágicos de feminicídios ocorridos nos últimos dias, a defesa das mulheres contra a violência foi incorporada à pauta.

Nas imagens, dirigentes do Sintufrj entregando jornal no SIARQ e convocando para paralisação e ato no HU dia 04/12.

 

Fundador do PT, Ex-ministro da Casa Civil e ex-parlamentar  enfatizou a importância da participação de partidos, sindicatos e movimentos sociais nesse processo

Um importante encontro de análise de conjuntura com o ex-ministro José Dirceu foi realizado na sede da AEEL – Associação dos Empregados da Eletrobras, no Rio de Janeiro, em uma atividade organizada pela entidade, com apoio da CUT-Rio.

O objetivo foi debater os rumos do país, especialmente em um momento pré-eleitoral, no qual a extrema-direita se apresenta em busca de protagonismo.

Com longa trajetória no debate político nacional, Dirceu ofereceu uma leitura ampla dos desafios atuais e das perspectivas para os próximos meses, contribuindo para a reflexão crítica do movimento sindical.

O encontro reuniu dirigentes, trabalhadores do ramo urbanitário e de diversas entidades cutistas, que acompanharam presencialmente ou de forma virtual pelos canais da Federação Nacional dos Urbanitários (FNU) – live disponível no perfil do Facebook.

Dirceu foi claro ao defender a eleição de Lula com vistas a impedir a destruição do programa popular de governo e o avanço do projeto liberal, mas alertou para a necessidade de um debate crítico e propositivo para avançar.

Ele enfatizou a importância da participação de partidos, sindicatos e movimentos sociais nesse processo.

O diretor da AEEL e da FNU, Emanuel Mendes, destacou a importância de se eleger uma bancada comprometida com as causas dos trabalhadores. “A Eletrobras foi privatizada mesmo com toda luta das entidades, mas essa situação poderia ter sido evitada se tivéssemos um perfil de Congresso diferente do atual. Por isso, vamos atuar para mudar esse quadro para a eleição de 2026.”

Prejuízos

A privatização da maior empresa de energia da América Latina no governo Jair Bolsonaro, a Eletrobras, e as consequências para os trabalhadores foi ressalvada na mesa de abertura do evento.

“Falo em nome daqueles que tiveram as suas vidas prejudicadas e que foram desligadas injustamente da Eletrobras com a privatização. Hoje José Dirceu somamos 20 mil trabalhadores demitidos que estão em situação de prejuízo à sua dignidade, dependendo de familiares, dependendo da ajuda de colegas. E é o nome, as dores e a voz dessas pessoas que vêm hoje aqui trazer para pedir apoio ao PT e a base do governo”, disse uma das representantes dos trabalhadores demitidos

Houve muitas cobranças dos dirigentes sobre a postura do governo em relação a classe trabalhadora, como feita pela dirigente da CUT-Rio, Cássia Liberatori.

“O que estamos precisando José Dirceu, além de interlocução, é que a Casa Civil precise ver o trabalhador porque a casa do governo é do trabalhador. Nós estamos precisando de deputados e senadores que tenham força para chegar também ao judiciário e que também se coloquem na defesa da entidades sindicais. Não podemos continuar vivendo a reboque dos reveses políticos.”

Olhar apurado

José Dirceu foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT) do qual foi presidente; foi deputado estadual e federal e Ministro-Chefe da Casa Civil no governo Lula (2003). Integrante do Diretório Nacional do PT, Dirceu vem atuando como articulador político e tem viajado pelo país para debater conjuntura, falar sobre o governo Lula e colocar sua avaliação sobre as perspectivas para as próximas eleição.

O ex-ministro José Dirceu afirmou que o processo eleitoral que se aproxima vai ser tão difícil quanto o de 2022. “Não podemos ter ilusão, mesmo com a prisão de Bolsonaro, a extrema-direita tem conseguido conquistar eleitores, mesmo nas classes populares. É dever do campo democrático retomar a narrativa das conquistas populares. Temos um discurso efetivo, que é o fim da escala 6×1, e a isenção do imposto de renda para a classe média. Dialogar e ouvir  o povo deve ser a nossa tarefa diária”, alertou.

Dirceu depois de fazer uma retrospectiva histórica da política no país, abordou pontos decisivos do cenário político brasileiro. Discorreu sobre a relação entre governo e Congresso; falou do desafios das eleições; as disputas estratégicas no campo progressista; a importância da defesa permanente da democracia diante das ameaças antidemocráticas recentes; e os rumos da economia e seus impactos no mundo do trabalho.

Ele finalizou sua participação ratificando os desafios colocados para os trabalhadores e das tarefas a serem levadas.

“Nós vamos eleger o presidente Lula, porque já é hora, e já começou o processo de destruição do programa de governo. No caso do PT e de outros partidos também é óbvio ocorrer o mesmo processo. Nós temos que construir um programa, construir propostas a partir de diagnósticos e críticas. Como podemos avançar? Nós temos que participar desse processo, nos nossos partidos e nos nossos sindicatos. O meio sindical assim como os movimentos em geral começem a se mobilizar para a disputa eleitoral, não só para a campanha, mas também para o debate de balanço do governo”.

JOSÉ DIRCEU, DE TERNO, faz análise de conjuntura na sede da Aeel

 

As eleições 2026 e o futuro da democracia no país foram temas que estiveram no centro do debate organizado pelo Sintufrj no dia 1º de dezembro, no Salão Nobre do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) e que reuniu João Pedro Stédile (MST), Leo Péricles (Unidade Popular), a deputada estadual Renata Souza (Psol) e Heitor César, membro do Comitê Central do PCB e da Coordenação Nacional da Unidade Classista.

Fotos: Renan Silva

 

A mesa de abertura com os coordenadores gerais do Sintufrj Esteban Crescente, Francisco de Assis e Sharon Stèfani e do diretor do IFCS Fernando Santoro. Seguida da mesa de debate: Renata Souza, Léo Péricles, Francisco ao centro, João Pedro Stédile e Heitor César

Parte da programação organizada pelo Sintufrj para comemoração aos 40 anos do Jornal do Sintufrj, o evento que reuniu nomes de peso dos movimentos sociais num debate denso, acompanhado por uma plateia expressiva presente no Salão Nobre e através das redes sociais da entidade, o que coroou de êxito a iniciativa com que a entidade reitera sua tradição de estimular pra a comunidade universitária e para a sociedade o debate dos grandes temas sobre a realidade do país.

Além das eleições gerais de 2026 – a sucessão presidencial, para a Câmara dos Deputados e para a renovação de dois terços do Senado, para governadores e assembleias legislativas -, a discussão da democracia – que depende do resultado das urnas – foi o tema subjacente.

Que projeto sairá vencedor diante de forças autoritárias que procuram debilitar a democracia? Que peso terão movimentos social e dos trabalhadores organizados em sindicatos nos destinos do Brasil? Qual a importância da unidade das forças políticas para derrotar a extrema direita que, no parlamento, pretende sequestrar a governabilidade do país em detrimento dos necessários avanços sociais? Entre alguns dos pontos comuns nas falas dos debatedores, para o enfrentamento desta conjuntura, a necessidade de mobilização das massas em torno de pautas que esteja no centro da preocupação popular e de o povo voltar às ruas para pressionar por mudanças no parlamento.

Não deixe de assistir o vídeo (a seguir). que ficará disponível no YouTube do Sintufrj

 

Momentos do debate

João Pedro Stédile

Renata Souza

Léo Pantoja

Heitor César

 

Estebam, Francisco e Sharon

             

Coordenadores do Sintufrj, colaboradores e convidados e, ao lado, com parte da equipe do Departamento de Comunicação do Sintufrj

O intenso tiroteio que atingiu a comunidade da Maré na manhã do dia 26, em mais operação da Polícia Civil,  que levou a morte de três pessoas e ao ferimento à bala de uma criança, chegou também – direta e indiretamente – ao Fundão. Projéteis atingiram a parede de sala de aula do CCMN; um helicóptero alvejado fez um pouso atrás do antigo prédio da Reitoria; o acesso pela Linha Amarela foi suspenso algumas vezes. Registradas pelos celulares dos estudantes assustados com o conflito, as imagens viralizaram. No dia seguinte, em uma nova operação, desta vez na Cidade Alta, o tiroteio chegou a interditar a Avenida Brasil de manhã.

Como não poderia deixar de ser, a situação refletiu na sessão do Conselho Universitário desta quinta-feira, dia 27, aberta com a denúncia dos efeitos terríveis para a população e, naturalmente, a comunidade universitária, da política de confronto adotada pelo governador Claudio Castro, com a reivindicação expressa por parte de estudantes, técnicos administrativos e docentes, de que o Colegiado aprove o Protocolo de Segurança para situações de risco.

A conselheira e coordenadora de Comunicação do Sintufrj Luciana Borges, enfermeira do IPPMG, reiterou o pedido dos estudantes. Ela relatou que na sessão anterior foram recolhidas assinaturas entre os conselheiros para pedido de urgência na apreciação do documento elaborado por um grupo de trabalho (já pronto e em análise da Comissão de Legislação e Normas). “Nós fizemos o trabalho de coletar assinaturas. Achamos que ia ser pautado hoje. Mais uma vez não foi. Gostaríamos que houvesse sensibilidade para o tema com o pedido de uma sessão extraordinária para discutir o assunto que já está sendo trabalhado pelo grupo de trabalho deste 2023”. Veja no vídeo a seguir:

Ela reivindicou que o protocolo abrangesse toda comunidade porque, muitas vezes se esquece dos profissionais que trabalham em atividades essenciais, como os dos hospitais, que ficam presos porque não conseguem sair depois de seus plantões em situações de conflito, enquanto outros que os renderiam não conseguem chegar. “Colegas que não conseguiram sair, dobraram o serviço”, contou, pedindo que o colegiado, além dos abonos de faltas e provas dos estudantes também possa discutir o abono no caso dos técnicos administrativos. Ela lembrou que, quando a Reitoria publica nota para a comunidade sobre o abono de falta dos alunos, não se fala a respeito dos trabalhadores.

Luciana anunciou ainda a aprovação, pela assembleia, da paralisação no dia 4 pela continuidade da luta pelo cumprimento do acordo de greve e para que a tramitação da Reforma Administrativa seja suspensa. E convidou os presentes para o debate organizado pelo Sintufrj no dia 1º de dezembro, segunda-feira, às 18h, no IFCS sobre Soberania e Democracia, com João Pedro Stedile (MST), Léo Péricles (UP), Heitor César (Unidade Classista) e Renata Souza (PSOL)

A conselheira técnica administrativa Gerly denunciou a operação desastrosa do governo Claudio Castro que matou três pessoas e baleou uma criança. Denunciou ainda que o pior Congresso da história tenta passar a PEC da Anistia sob ameaçando não trabalhar até que seja aprovada. “inteiro repúdio aos golpistas hoje no Congresso”.

Vidas afetadas

O representante do DCE Mário Prata Henderson Ramon, apontou como as operações policiais afetam toda comunica e os estudantes  que convivem todos os dias com a ansiedade de pensar como chegar à aula diante da realidade de constantes confrontos no Rio de Janeiro, que seria uma tática do governo Claudio Castro para se reeleger. Ele lembrou que os estudantes apresentaram carta no conselho passado pedindo urgência na aprovação do Protocolo de Segurança e mais uma vez não entrou em pauta.

“Ontem balas atravessaram vidraças e paredes, enquanto um helicóptero sobrevoava o campus. E isso é só mais um dia no Rio de Janeiro. Há menos de um mês da maios chacina da história (operação na Penha em 28 de outubro que deixou mais de 130 mortos)”, lembrou ela, lembrando que estudantes das comunidades atingidas tiveram que passar por corpos estendidos no chão para irem para a aula. E falou do risco a que estão expostos não só estudantes como técnicos, professores, terceirizados. “Estamos há mais de dois anos pedindo isso!”, disse ela reiterando a entrega da carta com pedido de urgência assinada pela maior parte do plenário.

Urgência entrou em debate

Uma intensa discussão se estabeleceu com diversas intervenções de conselheiros reiterando a urgência da discussão e a inclusão do ponto na ordem do dia. A carta dos estudantes pedia a inclusão ainda em novembro. Segundo a carta, o documento do grupo de trabalho está pronto e falta  apenas a deliberação, urgente diante da gravidade da situação.

Segundo a vice-reitoria Cássia Turci que presidia a sessão, no grupo e Trabalho foi produzido um documento de 300 páginas, depois reduzido a 45 e agora, para 16 páginas. Ela lembrou que só deverá haver mais uma sessão do Consuni este ano, dia 11 de dezembro, mas que seria importante que demais atores, como a Prefeitura, a Pró-Reitoria de Pessoal e trabalhadores da Diseg participassem do debate em função dos desdobramentos do protocolo para estudantes, técnicos administrativos, professores e terceirizados. A vice-reitora lembrou, inclusive do destaque da conselheira Luciana quanto aos profissionais dos serviços essenciais e terceirizados que moram em área de risco. Disse que o tema é complexo para ser discutido em apenas uma reunião e se comprometeu a colocar o ponto em fevereiro, depois do recesso em janeiro.

Apesar do protesto dos estudantes, levado a voto, o pedido de regime de urgência foi rejeitado. Mas a Reitoria reiterou o compromisso com a pauta na primeira sessão de 2026.

No entanto, a bancada técnico administrativa insistiu na solicitação de que haja também quanto a este segmento, orientação em caso de conflitos assim, particularmente quanto a unidades hospitalares, para que a comunidade não seja exposta a risco. A vice-reitora comprometeu-se também a conversar com o reitor sobre medidas para ampliar a rede de comunicação, no que toca por exemplo ao abono.

Denúncia de assédio será apurada

O Coletivo de Mulheres da Faculdade Nacional de Direito ganhou fala no colegiado para denunciar situação de assédio envolvendo um docente contra alunas da unidade. A vice-reitora Cássia Turci reafirmou a gravidade da denúncia informou que providências já estão sendo tomadas.

Segundo contou,  houve reunião longa da Ouvidoria, de representantes da direção, docentes, Centro Acadêmico e o Coletivo e que, além da abertura de um processo Administrativo Disciplinar no caso da acusação de assédio, será formado um grupo de trabalho com mulheres profissionais da casa e coletivos femininos. “Se ainda não foi, isso tem que ser feito. Vamos pedir que a direção cumpra o que foi determinado na reunião e manteremos contato com vocês”.

 

 

 

Organizadoras cobram Estado: é “dever e direito olhar para povo negro”

Daniella Almeida – Repórter da Agência Brasil
Brasília

 

Uma enorme mulher negra inflável, de 14 metros, com uma faixa presidencial onde se lê “Mulheres Negras Decidem” foi o ponto de partida de centenas de caravanas que integraram a 2ª Marcha Nacional das Mulheres Negras por Reparação e Bem-Viver, nessa terça-feira (25), rumo à Esplanada dos Ministérios. A estimativa é de que cerca de 300 mil pessoas ocuparam as laterais do gramado da área central de Brasília.

Cláudia Vieira, representante do Comitê Nacional da Marcha das Mulheres Negras, responsável pela organização do movimento, explicou que não foi fácil chegar até esse dia e quer que a marcha deixe um legado. “A partir desse mosaico, a gente apresenta para o país, para o mundo e para o Estado brasileiro, para que entendam, de uma vez por todas, que é importante, necessário, é dever e direito olhar para a população negra.”

“Nós, mulheres negras, não merecemos ficar o tempo inteiro no final da fila e sermos tratadas, nessa sociedade, como segmento que pode esperar, que tudo para a gente fique para depois. Temos pressa, temos urgência!”

Pelo governo federal, a ministra da Igualdade Racial (MIR), Anielle Franco, chegou à marcha cercada, de um lado, pela deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ), do outro pela também deputada Benedita da Silva (PT-RJ), exaltada por ser a primeira mulher negra a se tornar deputada federal (1987) e também senadora (1995) no Brasil.

Do alto de um dos carros de som, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, declarou que a presença do ministério simbolizava uma ponte entre movimento e Estado.

“Permaneceremos avançando, marchando por bem-viver e por reparação. Por todas as mães que perderam seus filhos e por todas aquelas que vieram antes de nós. Seguimos juntas em marcha, na positividade, hoje e sempre.”

Do luto à luta

Durante o ato, a ministra lembrou da irmã, a vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco, assassinada em 2000 junto com o motorista dela, Anderson Gomes. Uma das palavras de ordem era “Marielle, presente. Marielle vive.”

O Instituto Marielle Franco esteve presente na Marcha Nacional das Mulheres Negras. A filha de Marielle, Luyara Franco, diretora executiva do instituto, reafirmou que não há democracia sem mulheres negras.

“Cada passo que damos aqui carrega a força de todas as mulheres negras que nos antecederam. Essa marcha é o nosso grito coletivo por justiça e dignidade, a prova viva de que a memória da minha mãe segue florescendo em cada uma de nós.”

A mãe de Anielle e Marielle, avó de Luyara e cofundadora do Instituto Marielle Franco, a advogada Marinete Silva, afirmou que marchar hoje é dizer ao Brasil que esse segmento não aceita mais ser silenciado.

 “Cada mulher negra aqui reivindica o direito de viver sem medo, de ter seu luto respeitado e sua voz reconhecida. Democracia só existe quando nossas vidas importam.

Violência de corpos negros

A dor das mulheres dessa família é compartilhada por outras mulheres negras. Um tapete, com incontáveis fotos de vítimas da violência em favelas do Rio de Janeiro nos últimos anos, ocupou metros do chão da concentração da marcha. Cada rosto uma história, um caso de violência.

Outra participante da marcha, Daniela Augusto, representa o Movimento Mães de Maio na Baixada Santista, em São Paulo. O grupo foi criado a partir de uma série de chacinas e assassinatos, em 2006.

As vítimas eram, em sua maioria, jovens negros, pobres e moradores de periferias. Estima-se que entre 450 e 600 pessoas tenham sido mortas.

Para Daniela, o Estado brasileiro é o primeiro violador dos jovens negros.

“Historicamente, no Brasil, a herança do processo de escravização é a perseguição, o controle e a eliminação de corpos negros.”

Ela pediu o fim da execução dos filhos que as mulheres negras amam. Para a militante, a violência e, pior, o feminicídio são ainda em maior número contra as mulheres negras, porque é agregado a esse contexto o machismo estrutural.

“Homens negros, indígenas, brancos, historicamente, entendem que o corpo da mulher é uma propriedade. Então, o machismo é muito introjetado a partir dessa lógica eurocêntrica de que a mulher deve servir, de que é um objeto.

“Aqui na marcha, em todos os espaços que a gente ocupa, lutamos contra a ideia de que nossos corpos são rentáveis, são utilizáveis ou são objetos de violência, do Estado, ou seja, do machismo, perpetrado especialmente pelos homens”, afirma Daniela Augusto, do Movimento Mães de Maio na Baixada Santista.

Negras em espaços de poder

A alguns quilômetros, era possível ver uma grande bandeira do Brasil levada pelas participantes da marcha pedindo a indicação de uma mulher negra para a vaga de ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) deixada pela aposentadoria antecipada do ex-ministro Luís Roberto Barroso. Porém, a sabatina do advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, indicado à vaga pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está marcada para o dia 10 de dezembro, no Senado.

A deputada Erika Kokay (PT-DF) relatou que esteve na primeira Marcha Nacional das Mulheres Negras, em 2015.

“Ela veio como lufada dos ventos dos quilombos, porque se esse país é de casas grandes, senzalas, é também de quilombos”.

Dez anos depois, a parlamentar vê a necessidade de políticas públicas para esse importante segmento da população brasileira e a ocupação de espaços de poder pelas mulheres.

“É uma marcha que deixará as suas marcas na Esplanada dos Ministérios e que traz a voz, o canto, a dança, a consciência negra para a capital da República.”

A ampla maioria dos presentes na assembleia do Sintufrj nesta quarta-feira, 26 de novembro, no Espaço Cultural da entidade, no Fundão, e nos campi da Praia Vermelha e Macaé, aprovaram paralisação com realização de atos em 4 de dezembro: Dia Nacional de Luta contra a Reforma Administrativa e pelo cumprimento integral do Acordo de Greve. A proposta faz parte das ações de mobilizações aprovadas na plenária nacional da Fasubra 15 e 16 deste mês.

Por unanimidade, a assembleia acatou a proposta da direção sindical de marcar o Dia Nacional de Luta na UFRJ realizando, às 9h, uma manifestação em frente ao Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF). Para denunciar as consequências da má-gestão da unidade pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) para os profissionais de saúde e os pacientes. À tarde, a categoria participará do ato unitário no centro da cidade. O horário e o local seriam definidos na reunião do Fórum Estadual dos Servidores Federais do Rio. às 18h desta quarta-feira.

Uma dezena de companheiras e companheiros acompanharam a assembleia pelas mídias sociais do sindicato.

Delegação à plenária

No dia 19 de dezembro, a Fasubra realizará uma plenária virtual para deliberar sobre o XXV Confasubra. A base do Sintufrj será representada por uma delegação de sete companheiras e companheiros, incluindo um dirigente sindical. A mesa da assembleia propôs uma chapa unitária que foi aceita por todos os presentes.

Companheiros sempre presentes!

A assembleia foi iniciada com os presentes fazendo um minuto de silêncio em homenagem aos dois companheiros mortos na última semana: Ricardo José Jesus (vigilante) e Miguel Vieira de Araujo (servidor do HUCFF).