“Segurança Psicológica e Mediação de Conflitos no Serviço Público” foi a Roda de Conversa realizada dia 4 de novembro pelos servidores do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ tendo como convidados o Sintufrj e o recém-criado Departamento de Enfrentamento ao Assédio Moral e Conflito no Ambiente de Trabalho. A atividade fez parte da programação da semana do servidor público da unidade.

Segundo a organizadora da roda, a psicóloga Catharine Varella, há a necessidade de tirar a discussão sobre assédio de um “lugar de batalha” e focar em soluções, como a segurança psicológica no ambiente de trabalho. A psicóloga compartilhou sua experiência, mencionando conflitos passados e a dificuldade de abordar o tema em um espaço público.

Catharine falou sobre a importância da segurança psicológica no ambiente de trabalho e como ela influencia o engajamento e a participação das pessoas. Ela enfatizou a necessidade de discutir problemas, buscar soluções em conjunto e focar em questões profissionais em vez de pessoais.

“A segurança psicológica permite que as pessoas se sintam à vontade para expressar suas opiniões e ideias sem medo de retaliação. Ela é construída por todo o grupo, não apenas pelo chefe, e envolve criar um ambiente de confiança, parceria e diálogo. A comunicação e a forma como ela é feita são cruciais para promover essa segurança”, destacou.

 

Mediação

Adriana Rosalba, advogada do Sintufrj, explicou a mudança na abordagem da pessoa em relação a conflitos, buscando soluções além de ações judiciais, que considera longas e traumáticas(que acabam por não atingir o objetivo de reparação e disciplinar). Ela se formou em mediação de conflitos em 2019, encontrando na mediação uma forma mais humanizada de lidar com as demandas, especialmente em ambientes de trabalho. A advogada, apesar de não atuar como mediadora no sindicato, afirmou que a formação em mediação transformou sua forma de atendimento, priorizando a escuta, o acolhimento e a compreensão dos sentimentos das pessoas, em um contexto de crescente diversidade nos ambientes de trabalho.

Ela defendeu a mediação como método para solucionar conflitos, especialmente no ambiente de trabalho, focando na UFRJ e no combate ao assédio. Acredita na mediação como uma forma de promover o diálogo, a empatia e a conscientização, em vez da punição. Ela criticou a terceirização da resolução de conflitos e destacou a importância de entender as histórias e crenças individuais (que afloram nos conflitos ou demandas) para melhorar as relações e o bem-estar dos trabalhadores.

Adriana aponta a necessidade de a UFRJ estar engajada neste tema, adotando iniciativas efetivas para intervir nos conflitos e assédios e elogia o trabalho do sindicato nesse sentido.

“Eu acho que o sindicato teve sim um protagonismo nessa questão do assédio durante muito tempo. A gente recepcionava, mas a gente tinha essa dúvida de como tratar essas questões de assédio, porque muitas vezes é institucional. A UFRJ precisava atuar de uma forma mais eficaz. Atualmente há tentativas por parte da instituição. Acho que culturalmente as pessoas procuram o advogado para dar voz, mas as relações estão cada vez mais deterioradas. O que eu vejo hoje, em nossos atendimentos, o que é lamentável, são muitos conflitos nos ambientes de trabalho, que, mal manejados, podem virar assédio. E agora essas questões estão passando pelo Departamento de Enfrentamento ao Assédio Moral.”

 

Conflito e Assédio

Anaí Estrela e Aline Assis, ambas assistentes sociais, uma aposentada e outra da Coordenação de Políticas de Saúde do Trabalhador (CPST), integram o recém-criado Departamento de Enfrentamento ao Assédio Moral e Conflito no Ambiente de Trabalho do Sintufrj.

Segundo Anaí, a iniciativa surgiu da necessidade de atender casos que não eram devidamente amparados e envolve mediação e escuta atenta dos servidores.

“Essa é uma luta difícil, pois nem todos os problemas são assédio e é preciso cuidado para identificar outras questões. É preciso acolher e ouvir os servidores, reconhecendo as dificuldades enfrentadas e a necessidade de lhes dar apoio ”, observa. “Detectamos mais conflitos do que assédios. E vimos o quanto os servidores estão doentes. A maioria quer ser acolhida e ouvida”, completa Anaí.

Aline Assis afirma categórica que existe o assédio na UFRJ sendo necessário ter um local para o atendimento dos casos. A assistente social sustenta que o Sintufrj e os profissionais têm papel fundamental no combate ao assédio.

“O sindicato tem papel fundamental nesse processo. Nós assistentes sociais também, pois há o conflito e a violência laboral no local de trabalho, onde passamos a maior parte do tempo”, opina Aline.

 

Diálogo e Participação Coletiva

O coordenador-geral do Sintufrj, Francisco de Assis, reafirmou o compromisso da gestão de combate ao assédio moral na universidade. Em sua fala abordou a necessidade de melhorar o tratamento dado em relação ao assédio, com sensibilidade e ação, além da ajuda. Ele mencionou a importância da realização de um trabalho educativo e a consolidação de protocolos para atender as situações e evitar conflitos.

O dirigente chamou a atenção para a importância do diálogo e da participação coletiva para construir uma universidade mais justa e inclusiva. Francisco criticou a manipulação política e a desvalorização de grupos minoritários. Ele defendeu a importância da formação, da organização sindical e da valorização das discussões abertas para garantir a liberdade de expressão e a melhoria da instituição.

RODA DE CONVERSA propões novas abordagens no combate ao assédio
ENCONTRO FOI NO FORUM DE CIÊNCIA E CULTURA: a defesa da segurança psicológica no ambiente de trabalho foi um dos destaques

 

 

CABE TODO MUNDO, NO MUNDO!

Reunião de encerramento de atividades de 2025 da Coordenação de Aposentados (as) e Pensionistas.

Quarta-feira, 19 de novembro, 10h, no Espaço Cultural do Sintufrj

Pauta: informes gerais e confraternização

Participação

  • NORMA SANTIAGO
  • Coordenadora de Políticas Sociais do Sintufrj
  • MARCELO DIAS
  • Diretor Cultural do Instituto de Pesquisas das Culturas Negras
  • LUCAS VIEIRA FLORENÇO
  • Aluno de Jornalismo/PUC e Mestre de Cerimônias

 

6 DE SETEMBRO

14H – Salão Nobre da Decania do CT

 

Além do lançamento do selo comemorativo dos 40 anos do Jornal do Sintufrj, nesta quarta-feira, 5 de novembro, um vídeo produzido pela Coordenação de Comunicação e por profissionais do Decos será exibido nas redes sociais da entidade, às 17h.

“Festa da Democracia celebra os 40 anos do Jornal do Sintufrj” Este é o tema deste ano da tradicional festa de confraternização de final do ano do Sintufrj, no dia 12 de dezembro, das 11h às 17h, no Garden Party, em Jacarepaguá (veja detalhes no edital publicado na edição 1463 e no site da entidade). Mas a programação especial para marcar o aniversário do Jornal do Sintufrj começa já!

Hot Site comemorativo
Nesta quarta-feira, 5,há também o lançamento do Hot Site: espaço exclusivo no site do Sintufrj, onde você poderá conhecer um pouco da atuação da publicação nestas quatro décadas e os eventos programados para marcar a celebração. Confira através do link

https://sintufrj.org.br/40-anos-do-jornal-do-sintufrj/

Ou pelo QR code:

 

Galhardete – No dia 10, haverá a divulgação do selo comemorativo dos 40 anos do Jornal do Sintufrj por meio de um galhardete afixado em ponto de destaque na Cidade Universitária.

Live – A comunicação sindical na era digital. Esse é o tema da live que o Sintufrj vai transmitir, do estúdio da SGCom, no dia 18 de novembro, às 11h.

Em dezembro

  • Debate – No dia 2, às 18h, João Pedro Stedile, do MST e outros convidados, debaterão “Democracia e soberania”.
  • Um Jornal Especial trará as 40 capas que marcaram os principais momentos da história da categoria.

Na festa de fim de ano

  • Exposição das capas mais marcantes do Jornal do Sintufrj
  • Lançamento do documentário “Nossa história de lutas”.
  • Divulgação do Calendário 2026, digital. Tema: “Democracia”

Emoção de novos servidores marca recepção na cerimônia de acolhimento

“Estudei para esse concurso desde 2020, estava trabalhando como autônomo e hoje assino o Termo de Posse como servidor da UFRJ”, disse emocionado Moyses Almeida Monteiro, 43 anos, que todos os dias, a partir desta quinta-feira, 30 de outubro, viajará de Itaboraí até uma unidade da universidade na cidade do Rio de Janeiro.

Moyses é um dos 18 técnicos-administrativos em educação aprovados no concurso do edital 491 de 2024, mas que somente agora foram chamados pela UFRJ. Embora seja graduado em Administração de Empresas e com uma pós, prestou prova para nível médio e assumirá o cargo de Assistente de Aluno.

A cerimônia de acolhimento aos recém-ingressos foi na Escola do Trabalho da UFRJ. De 3 a 7 de novembro, eles participarão do Programa Integra Minerva, que são cursos presenciais e on-line de introdução às atividades na universidade. No último dia haverá a festa da posse, no auditório Quinhentão com a presença do reitor.

Sintufrj dá boas-vindas  

aos novos servidores

Os coordenadores do Sintufrj Esteban Crescente e Luciano Batista estavam presentes nas boas-vindas aos novos técnicos-administrativos em educação, que foram recepcionados pela coordenadora de Dimensionamento de Pessoal, Rejane Barros, e pelas diretoras e suas equipes das Divisões de Admissão e de Desenvolvimento, Priscila Ribeiro e Joana de Angelis, respectivamente.

“Os sindicatos nasceram há 200 anos e a existência deles faz parte da história dos trabalhadores neste sistema em que vivemos, o capitalismo. Se atualmente a jornada semanal dos servidores é de 8 horas de trabalho e se temos um sistema universal de saúde são resultados das lutas dos movimentos sindicais”, citou como exemplos o coordenador-geral do Sintufrj Esteban Crescente, em seu resumo sobre a luta de classes aos concursados para mostrar a importância dos sindicatos para as categorias.

Com o auxílio de um vídeo, ele e o coordenador Luciano apresentaram a infraestrutura do Sintufrj: os departamentos jurídico e de imprensa, setores de convênio, pessoal, recursos humanos, financeiro, os Espaços Saúde e Cultural, as oficinas de dança e artes, os cursos preparatórios para ingresso no mestrado e doutorado, entre outras prestações de serviços aos sindicalizados e seus dependentes. Orientaram sobre a sindicalização (que pode ser pelo site www.sintufrj.org ou preenchendo a ficha e entregando na sede ou subsedes do Sintufrj) e cada um dos presentes recebeu uma pasta contendo material básico para melhor conhecer a entidade e seus benefícios.

Os dirigentes da entidade também explicaram sobre o Plano de Carreira dos Cargos Técnicos-Administrativos em Educação (PCCTAE) conquistado em 2005 e reestruturado em 2024 – “São conquistas fruto de greves”, esclareceu Esteban. Eles esclareceram o que é  Incentivo à Qualificação, Aceleração e outros direitos contidos no acordo recém assinado com o governo e ainda em pauta na Mesa de Negociação com os Ministérios da Educação e de Gestão e Inovação no Serviço Público.

Depoimentos

“Um sonho realizado”, resumiu a técnica de enfermagem geral Simone Antunes Andrade, 52 anos, o que significava para ela se tornar servidora federal e “de uma universidade tão conceituada como é a UFRJ”. A profissional vai conciliar o trabalho na universidade com o da Prefeitura de São Gonçalo, e residindo em Maricá.

Sandra Gomes, 59 anos, de São Pedro da Aldeia, assim como Simone, afirmou que “ser UFRJ sempre foi um sonho”. Ela também exercerá a função de técnica de enfermagem geral em uma das unidades de saúde da instituição. Antes de quinta-feira, seus plantões eram só Hospital da Mulher, em Cabo Frio.

 

LUCIANO BATISTA E ESTEBAN CRESCENTE apresentam o sindicato aos novos servidores

Um marco histórico de política afirmativa da maior universidade federal do país. Em cada curso haverá uma cota de, no mínimo, 2%. Colegiado também teve manifestação contra a chacina do dia 28

O Conselho universitário da UFRJ foi palco de um momento histórico nas lutas por avanço social: o colegiado aprovou por ampla maioria, em sessão extraordinária nesta quinta-feira, dia 30, mais um grande avanço em sua política de democratização do acesso e diversidade: a reserva de vagas para transexuais, travestis e não-binários em seus cursos de graduação e pós-graduação strictu sensu. Serão 2% de vagas em cada curso. A Reitoria pretende a medida já no próximo Sistema de Seleção Unificado (Sisu) e os primeiros candidatos selecionados pelo sistema, possam ingressam na instituição já em 2026.

A UFRJ não foi a primeira UFF e Rural, por exemplo, já aprovaram a reserva de vagas ano passado.

“Já passou da hora / de aprovarmos cotas trans na UFRJ”, cantavam, entre outras palavras de ordem, os estudantes que chegaram em bloco, depois de uma animada passeata pelos corredores do CT, na sala 208 do bloco C, onde, logo em seguira, aconteceria a sessão do colegiado. Com coloridas camisas das organizações políticas, bandeiras, cartazes e enormes faixas, lotaram o auditório e comemoraram ruidosamente a fala de conselheiros e membros da reitoria, entidade representativas, como o Sintufrj, e até uma parlamentar (Dani Balbi), que, se revezando ao microfone, manifestaram, um a um, absoluto apoio à proposta.

Jogral comemora aprovação

Logo após a votação, explodiram em aplausos e num jogral, encabeçado pela conselheira Arthura Annastásiya: “Esse é um passo gigante para chegarmos mais perto do projeto de Educação que a gente quer. Queremos mais pessoas trans, travestis e não binários na UFRJ e em todas as universidades do país. Com seus nomes respeitados, com politicas reais de permanência para enfrentar as estatísticas de morte e marginalização. Queremos que a UFRJ que seja referencia não só pela produção e conhecimento mas por ter mais do povo!”, reproduziam os estudantes que lotavam o auditório a esta altura, em festa.

Assista ao jogral sob comando de Arthura:

 

A luta não acabou

Apesar da comemoração, o reitor Ricardo Medronho concluiu a votação com um alerta: “A luta não acabou, teremos muita resistência”, disse ele, mencionando a quantidade de haters (alguém que ataca, critica de forma ofensiva) que vêm se manifestando nos comentários da postagem da UFRJ sobre as cotas no Instagram,

“Chega de chacina PM na favela e Israel na palestina!”

Além da aprovação das cotas trans, os estudantes realizaram também um grande protesto, sustentado também pelas falas dos conselheiros, em repúdio à mais letal operação policial do governo do Rio de Janeiro, que deixou 121 mortos, classificada como chacina.

Falas no Consuni

“A aprovação da cota trans representa um passo decisivo pela inclusão, diversidade e justiça social na UFRJ”, disse o coordenador geral do Sintufrj Esteban Crescente, que também se manifestou sobre a violência da operação policial do dia 28. Estebam destacou ainda o êxito da marcha dos técnicos-administrativos em Brasília, dia 29, que reuniu mais de 30 mil pessoas nas ruas contra a PEC 38 que retira direitos dos trabalhadores federais, e em defesa do cumprimento integral do acordo de greve.

Dani Balbi, primeira deputada trans da Assembleia do Rio de Janeiro (PCdB), doutora e professora trans da UFRJ:

Por políticas de assistência estudantil
Isadora Camargo, conselheira discente, reivindica políticas de permanência:

Iniciativa coletiva
O técnico administrativo Márcio Neves, diretor da Diretoria de Gestão de Pessoas (Digepe), que integra a Superintendência Geral de Ações Afirmativas, Diversidade e Acessibilidade (SGAADA) da UFRJ fala do nascimento da proposta de inclusão. “É mais que um instrumento administrativo, é um ato de justiça, reparação histórica, uma resposta ética  num país que mata pessoas trans. É garantir o direito a vida, a dignidade e a produção de um conhecimento a partir de outras perspectivas”. Ele também lembra que acesso e o primeiro passo e que é preciso garantir a permanência.

Registros do ato

   

Mesmo para deputados cariocas do centrão, a operação foi uma ‘tragédia’ que vitimou uma série de inocentes

Brasil de Fato

Deputados progressistas condenaram nesta quarta-feira (29) a operação que matou ao menos 121 pessoas no Rio de Janeiro. O tema foi debatido no plenário da Câmara durante a manhã e, para os congressistas cariocas ouvidos pelo Brasil de Fato, o episódio marca uma virada na história da segurança pública e exige esforços contundentes para mudar a situação do país. Os parlamentares destacam ainda que a responsabilidade é “total” do governador Cláudio Castro (PL).

O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) entende que a “chacina” promovida pela polícia carioca traz a necessidade de se discutir uma reforma na segurança pública do país. Segundo ele, a linha de atuação das polícias vai no caminho de focar no assassinato enquanto uma saída para os graves problemas.

“Do ponto de vista efetivo para população, isso muda para pior, porque se instituiu a morte e a violência como política. O que nós precisamos é, reconhecendo a gravidade da situação e o controle territorial por grupos organizados, fazer um planejamento, inteligência e integração das polícias”, disse ao Brasil de Fato.

A deputada Benedita da Silva (PT), ex-governadora do estado, seguiu uma linha parecida e disse: “nós estamos caracterizando como uma ‘chacina continuada’. Essa é mais uma das muitas que aconteceram e que virão sob a gestão de Cláudio Castro. Ao todo são mais de 120 mortes. O governo do presidente Lula repudia todas as facções criminosas, mas não podemos deixar de relatar os atentados contra o povo”.

Para os congressistas de esquerda, está claro que o crescimento do armamentismo incentivado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é responsável pelo aumento da violência. Na gestão do ex-mandatário, foram editados mais de 40 decretos para facilitar o acesso da população civil às armas. Foram cerca de 1.300 armas compradas por brasileiros por dia no período. O dado é do Instituto Sou da Paz.

Em declarações públicas nesta quarta, o governador carioca sustentou o “sucesso” da operação em seus discursos e chegou a dizer que “vítimas só tivemos 4 policiais”. O discurso de Castro repercutiu na extrema direita no Congresso. Deputados como Nikolas Ferreira (PL-MG) disseram que “a cada um policial morto era preciso morrer ao menos mil bandidos”.

Mesmo para deputados cariocas do centrão, a operação foi uma “tragédia” que vitimou uma série de inocentes. Esse é o caso do deputado Otoni de Paula (MDB-RJ). De acordo com ele, o chefe do Executivo carioca coloca o foco na violência e não em outros temas cruciais para a sociedade.

“O mesmo governador que financiou a operação de ontem é o governador que está em penúltimo no ranking de educação. Isso é sintomático. Eu sou pastor e só de gente de filho da Igreja morreram quatro. Então essa ideia de que só morreram bandidos é mentirosa. E esses jovens que morreram, ninguém vai atrás para apurar se realmente eram bandidos”, disse.

As cenas de violência pela polícia carioca mobilizaram os deputados que passaram a discutir a necessidade de que a PEC da Segurança Pública fosse aprovada. O projeto do governo está estacionado em uma comissão especial na Câmara e, segundo o presidente da Casa Baixa, Hugo Motta (Republicanos-PB), deverá ser votado até o final do ano. O foco do texto é articular uma atuação integrada entre estados e o governo federal.

Esse trecho foi boicotado por governadores de direita ao longo do ano, incluisve pelo próprio Claudio Castro, quee criticou a “perda de autonomia” dos governos estaduais na definição de sua própria política de segurança.

Em 2025, a Polícia Federal realizou 24 operações contra o tráfico de drogas no Rio de Janeiro, apreendendo 190 armas e 60 prisões sem matar ninguém.

Na operação desta terça-feira (28), o governador disse ter pedido apoio do governo federal, o que foi negado pelo próprio ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski. De acordo com a pasta, o único contato do governador do Rio foi feito no começo do ano pedindo a transferência de líderes das facções criminosas para penitenciárias federais de segurança máxima. “Foi atendido. Nenhum pedido foi negado”, reforçou.

Alencar entende que não é possível chamar de “sucesso” uma operação que deixa centenas de mortos.

“O governador contraditoriamente diz que a operação foi um êxito, mas reclama que faltou apoio do Governo Federal, que ele não pediu, aliás, nem informou ao Ministério da Justiça sobre essa operação. A expectativa é que esse procedimento, depois desse desastre, mude”, afirma.

Até a aprovação da PEC, no entanto, o governo do estado não tem falado sobre o apoio aos familiares das pessoas mortas na operação. Para o deputado Tarcísio Motta (Psol-RJ), é preciso uma atuação imediata do governo federal para prestar apoio aos pais e irmãos dos mortos na operação, já que o governo do estado “não está fazendo nada”.

“O Ministério dos Direitos Humanos precisa estar no Rio de Janeiro e conversar, ouvir e lidar com as famílias. Hoje essas famílias estão completamente desamparadas pelo governo estadual. Se for depender do discurso de chacina do governador, que sem qualquer explicação maior continua dizendo que todos são bandidos, ele deixará as pessoas à própria sorte, as famílias à própria sorte num gesto absurdamente cruel e covarde”, afirmou.

O jogo de empurra feito entre o governo do Rio de Janeiro terminou com um recuo de Castro. Ele disse que não responderia mais ao ministério e que deixaria de fazer acusações.

A equipe de Lula afirma que, mesmo que Castro tente empurrar a responsabilidade da chacina para o governo federal, o governo não pediu nenhuma ajuda para realizar as operações e sequer informou ao governo sobre a realização da ação. Para Motta, ficou claro que a responsabilidade de uma operação “fracassada” foi inteiramente do governo estadual

“A opção de fazer uma operação sem nenhuma integração com as forças da Polícia Federal, inclusive no planejamento da ação, foi toda do governador Cláudio Castro, que optou por fazer uma operação midiática e eleitoral e enfrentar, portanto, o poderio do crime organizado sozinho, como ele mesmo disse, para tentar jogar no colo do Governo Federal a responsabilidade pela sua política genocida de segurança pública”, disse.

MORADORES REUNIRAM CORPOS trucidados numa praça nas cercanias do Complexo do Alemão

 

O ESTADO MATA NEGROS E POBRES NO RJ  E NO BRASIL

VAMOS ÀS RUAS. ATOS EM TODO O PAÍS

DIA 31 DE OUTUBRO

Centenas de servidores públicos de todo país tomaram as ruas de Brasília na manhã desta quarta-feira, 29, na Marcha Nacional Unificada contra a Reforma Administrativa. Caravana da Sintufrj com 56 companheiros fortaleceu o ato.

Protesto, que contou com servidores federais, estaduais e municipais e dezenas de delegações de técnicos administrativos de várias partes do país, também foi pelo cumprimento do acordo de greve.

Veja a dimensão da marcha e a participação dos representantes da UFRJ, nas lentes de Renan Silva

De manhã, grande marcha. À tarde, no MEC e MGI

O ato começou por volta das 10h, com concentração no Museu Nacional, seguido da marcha até os ministérios, e reuniu, segundo a Fasubra, entre 15mil e 20 mil pessoas (só da federação participaram cerca de 900 companheiros ), como conta o coordenador de Comunicação do Sintufrj Fabiano Pereira. Ele destaca ainda as falas em apoio de parlamentares e lideranças de diversas centrais sindicais e entidades do serviço público, contra a PEC da Reforma Administrativa. “Acho que é algo interessante que a reforma administrativa uniu até grupos opostos já que aponta para a destruição do serviço público. Foi um ato volumoso. Há muita gente aqui em Brasília com fortes palavras de ordem e lembrando que o deputado que votasse a favor da reforma não seria mais votado”, disse Fabiano.

A coordenadora de Comunicação Antônia Karina lembra ainda que o ato contou com 30 caravanas só da Fasubra. “Foi muito bem organizado. Com vários carros de som e muita gente falando sobre a importância de barrar essa PEC 38, protocolada agora há pouco. Sobre a importância do serviço público se unir e sobre a força que tem. Porque, colocar 15 mil pessoas em Brasília depois de um feriado é bastante coisa. Foi um ato muito forte, muito importante”, avaliou a coordenadora, contando ainda que à tarde, Fasubra e Sinasefe convocaram entidades ainda presentes para mais um ato em frente ao MEC, para cobrar o cumprimento do acordo de greve e que o governo se manifestasse em relação a PEC 38. O grupo se dirigiu ainda ao MGI, reiterando as mesmas pautas.

Também coordenadora de Comunicação, Luciana Borges lembrou que a marcha teve objetivo de barrar a PEC 38, que representa verdadeiro desmonte do serviço público, com inúmeros prejuízos tanto para servidores quanto para a população. “Tivemos também o objetivo de pressionar o governo por uma manifestação pública contra a PEC . Depois, nos encaminhamos ao MEC e ao MGI para pressionar o governo pelo cumprimento do acordo da greve, o que inclui o Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC), a racionalização dos cargos, a jornada de 30 horas e a equiparação dos benefícios com o poder Judiciário e Legislativo”, explicou.

Ato com adesão expressiva

Os coordenadores de Organização e Política Sindical avaliaram a atividade.

Para José Carlos Xavier, “foi um ato importante, rico, com muitas entidades, e trabalhadores das universidades. Na parte da tarde nós fizemos um ato no MEC e viemos em marcha também até o prédio do MGI. E vamos continuar lutando para quebrar essa reforma administrativa”. Hilem Moisés comemorou “o grande ato e a grande marcha contra a reforma administrativa hoje em Brasília, com entidades do serviço público, federal, estadual e municipal unidos na luta contra essa “deforma” que visa transformar nossa definição de Estado, extinguir nossos direitos. A gente não pode se calar, porque ao prejudicar servidores, prejudica o Estado como um todo e toda a população. E nós, da Fasubra e do Sintufrj, estivemos aqui presentes, cobrando também o cumprimento integral do acordo de greve”.

Paulo Roberto destacou que a categoria atendeu a convocação das entidades, centrais sindicais, da Fasubra, e dos fóruns do Funcionalismo Público, para a grande marcha contra a reforma administrativa “que a gente sabe que é um grande ataque aos nossos direitos, à estabilidade , que estabelece um teto de gastos, a intervenção de pessoas alheias ao serviço público nas chefias. O ato foi muito bonito, com uma adesão expressiva”, disse ele alertando que é importante que todas as entidades, servidores de base e toda a sociedade entendam que essa reforma “é um grande retrocesso, não só para o serviço público, mas a sociedade. “Ela compromete a continuidade de serviços. Por isso, se necessário, a gente lota Brasília novamente, com ainda mais gente, mais bandeiras. Como a gente conseguiu parar na PEC da bandidagem, a gente vai conseguir parar essa grande “deforma”, a destruição do que a gente almeja para o serviço público”, concluiu.

 

Veja vídeos e fotos a seguir

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Mobilização contra a Reforma Administrativa será remarcada

O ato público previsto para esta terça-feira, 29 de outubro, às 14h, no Rio de Janeiro, foi adiado. A manifestação integraria o calendário nacional de lutas contra a Reforma Administrativa, que tem mobilizado trabalhadoras e trabalhadores de todo o país.

Sob o lema “Não é reforma. É demolição”, a atividade buscava denunciar os graves ataques aos direitos do funcionalismo e ao próprio serviço público, caso a proposta avance no Congresso Nacional.

Mesmo com o adiamento, as entidades reforçam que a luta segue firme e unificada. “Essa reforma representa o desmonte do Estado e a precarização dos serviços essenciais prestados à população. Não aceitaremos retrocessos”, destaca a direção do Sintufrj.

A nova data do ato será divulgada em breve pelos sindicatos organizadores.

A mobilização no Rio de Janeiro é convocada por diversas entidades representativas dos servidores públicos, entre elas o Sintufrj, ADUFRJ, Andes, Sinasefe, SINTIIFRJ, ADCEFET-RJ, SINDSCOPE, SINUFF, SINDISEP-RJ, SINERJ, entre outras.