“Segurança Psicológica e Mediação de Conflitos no Serviço Público” foi a Roda de Conversa realizada dia 4 de novembro pelos servidores do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ tendo como convidados o Sintufrj e o recém-criado Departamento de Enfrentamento ao Assédio Moral e Conflito no Ambiente de Trabalho. A atividade fez parte da programação da semana do servidor público da unidade.
Segundo a organizadora da roda, a psicóloga Catharine Varella, há a necessidade de tirar a discussão sobre assédio de um “lugar de batalha” e focar em soluções, como a segurança psicológica no ambiente de trabalho. A psicóloga compartilhou sua experiência, mencionando conflitos passados e a dificuldade de abordar o tema em um espaço público.
Catharine falou sobre a importância da segurança psicológica no ambiente de trabalho e como ela influencia o engajamento e a participação das pessoas. Ela enfatizou a necessidade de discutir problemas, buscar soluções em conjunto e focar em questões profissionais em vez de pessoais.
“A segurança psicológica permite que as pessoas se sintam à vontade para expressar suas opiniões e ideias sem medo de retaliação. Ela é construída por todo o grupo, não apenas pelo chefe, e envolve criar um ambiente de confiança, parceria e diálogo. A comunicação e a forma como ela é feita são cruciais para promover essa segurança”, destacou.
Mediação
Adriana Rosalba, advogada do Sintufrj, explicou a mudança na abordagem da pessoa em relação a conflitos, buscando soluções além de ações judiciais, que considera longas e traumáticas(que acabam por não atingir o objetivo de reparação e disciplinar). Ela se formou em mediação de conflitos em 2019, encontrando na mediação uma forma mais humanizada de lidar com as demandas, especialmente em ambientes de trabalho. A advogada, apesar de não atuar como mediadora no sindicato, afirmou que a formação em mediação transformou sua forma de atendimento, priorizando a escuta, o acolhimento e a compreensão dos sentimentos das pessoas, em um contexto de crescente diversidade nos ambientes de trabalho.
Ela defendeu a mediação como método para solucionar conflitos, especialmente no ambiente de trabalho, focando na UFRJ e no combate ao assédio. Acredita na mediação como uma forma de promover o diálogo, a empatia e a conscientização, em vez da punição. Ela criticou a terceirização da resolução de conflitos e destacou a importância de entender as histórias e crenças individuais (que afloram nos conflitos ou demandas) para melhorar as relações e o bem-estar dos trabalhadores.
Adriana aponta a necessidade de a UFRJ estar engajada neste tema, adotando iniciativas efetivas para intervir nos conflitos e assédios e elogia o trabalho do sindicato nesse sentido.
“Eu acho que o sindicato teve sim um protagonismo nessa questão do assédio durante muito tempo. A gente recepcionava, mas a gente tinha essa dúvida de como tratar essas questões de assédio, porque muitas vezes é institucional. A UFRJ precisava atuar de uma forma mais eficaz. Atualmente há tentativas por parte da instituição. Acho que culturalmente as pessoas procuram o advogado para dar voz, mas as relações estão cada vez mais deterioradas. O que eu vejo hoje, em nossos atendimentos, o que é lamentável, são muitos conflitos nos ambientes de trabalho, que, mal manejados, podem virar assédio. E agora essas questões estão passando pelo Departamento de Enfrentamento ao Assédio Moral.”
Conflito e Assédio
Anaí Estrela e Aline Assis, ambas assistentes sociais, uma aposentada e outra da Coordenação de Políticas de Saúde do Trabalhador (CPST), integram o recém-criado Departamento de Enfrentamento ao Assédio Moral e Conflito no Ambiente de Trabalho do Sintufrj.
Segundo Anaí, a iniciativa surgiu da necessidade de atender casos que não eram devidamente amparados e envolve mediação e escuta atenta dos servidores.
“Essa é uma luta difícil, pois nem todos os problemas são assédio e é preciso cuidado para identificar outras questões. É preciso acolher e ouvir os servidores, reconhecendo as dificuldades enfrentadas e a necessidade de lhes dar apoio ”, observa. “Detectamos mais conflitos do que assédios. E vimos o quanto os servidores estão doentes. A maioria quer ser acolhida e ouvida”, completa Anaí.
Aline Assis afirma categórica que existe o assédio na UFRJ sendo necessário ter um local para o atendimento dos casos. A assistente social sustenta que o Sintufrj e os profissionais têm papel fundamental no combate ao assédio.
“O sindicato tem papel fundamental nesse processo. Nós assistentes sociais também, pois há o conflito e a violência laboral no local de trabalho, onde passamos a maior parte do tempo”, opina Aline.
Diálogo e Participação Coletiva
O coordenador-geral do Sintufrj, Francisco de Assis, reafirmou o compromisso da gestão de combate ao assédio moral na universidade. Em sua fala abordou a necessidade de melhorar o tratamento dado em relação ao assédio, com sensibilidade e ação, além da ajuda. Ele mencionou a importância da realização de um trabalho educativo e a consolidação de protocolos para atender as situações e evitar conflitos.
O dirigente chamou a atenção para a importância do diálogo e da participação coletiva para construir uma universidade mais justa e inclusiva. Francisco criticou a manipulação política e a desvalorização de grupos minoritários. Ele defendeu a importância da formação, da organização sindical e da valorização das discussões abertas para garantir a liberdade de expressão e a melhoria da instituição.






















