O DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócioeconômicos) divulga nesta sexta-feira (18/11), uma publicação especial acerca das dificuldades da população negra no mercado de trabalho. A publicação, como é óbvio, está relacionada ao 20 de novembro Dia da Consciência Negra.

Os dados referem-se ao 2º trimestre de 2023. O boletim informa que mesmo com a indicação do crescimento da atividade econômica, o mercado de trabalho continua reproduzindo desigualdades sociais.

Os trabalhadores negros enfrentam mais dificuldades para conseguir trabalho, para progredir na carreira e entrar nos postos formais de trabalho com melhores salários.

E as mulheres negras encaram adversidades ainda maiores do que os homens.

Veja: https://www.dieese.org.br/boletimespecial/2023/conscienciaNegra2023.html

A situação dos hospitais da UFRJ, objeto da contratualização com a Ebserh, foi discutida na sessão extraordinária do Conselho Universitário desta quinta-feira, 16, convocada pelo Reitor Roberto Medronho.

Na sessão anterior do Consuni, a comissão que estudou o desempenho de 41 hospitais universitários sob a égide da Ebserh, expôs relatório que revelou problemas como a redução de leitos.

A coordenadora-geral do Sintufrj, Marta Batista, explicou que há um acumulo na categoria que unifica todos os coletivos da comunidade universitária: a pauta em defesa do Complexo Hospitalar e contra a adesão à Ebserh.

No seu pronunciamento, a dirigente voltou a insistir numa reivindicação básica do movimento que se opõe à adesão à empresa: ampliação dos debates e que eles ocorram de forma democrática.

“Nos debates (que têm sido feitos) apenas uma comissão, a que tem negociado o contrato (com a Ebserh), tem tido espaço privilegiado de fala o que neutraliza o contraditório.  Temos muitos argumentos sobre o quanto a Ebserh é problemática e não garante o financiamento dos HUs”, disse ela.

Marta também cobrou o compromisso com a realização de uma consulta pública e debates paritários por parte da Reitoria e a exposição da minuta do contrato que está sendo negociado com a Ebserh.

Ela questiona como a universidade poderá fazer um debate tão importante para o seu futuro, que afeta tantas vidas, seu futuro e o funcionamento do seu complexo hospitalar, se até hoje a comunidade não teve acesso à minuta do contrato.

Criticou, também, a determinação da Reitoria de pôr em votação no Consuni a adesão à Eberh ainda este ano.

Avaliação

Laura Gomes, coordenadora-geral do Sintufrj, logo após o diagnóstico de problemas expostos pelos diretores de hospitais na sessão do Consuni, avaliou que, da forma como apresentaram, parece que a Ebserh será a ponte salvação para todos os problemas.

“A gente sabe que não é assim que funciona. No relatório da comissão e em pesquisas de outras instituições os dados mostram que há hospitais precarizados, com redução de número de leitos”, ponderou.

Francisco de Assis, coordenador da Fasubra, reiterou a importância de debate e, principalmente, da apresentação do contrato. Perguntou o que, no que se refere à UFRJ, poderia ser diferente dos demais contratos entre a empresa e outras universidades que aderiram, diante das várias críticas já apresentadas. Lembrou que já há até judicialização por parte de algumas instituições na busca de cumprimento – pela Empresa – do que foi pactuado.

O coordenador do Sintufrj e representante técnico-administrativos Carlos Daumas parabenizou os gestores pela atuação diante de todas as dificuldades, mas apontou a necessidade de que se apresente a minuta do contrato, por enquanto, obscuro.

A estudante Camile Paiva apontou a necessidade de ampliação do debate – que os que ocorreram nos conselhos locais envolveram poucas pessoas – longe de atingir a comunidade universitária. Ela apresentou à mesa proposta de composição de comissão para organização da consulta pública pedindo a aprovação na sessão. Mas o reitor retrucou que o ponto de pauta previa apenas a apresentação dos diretores e que não haverá aprovação de proposta.

Sintufrj e DCE se reuniram com o reitor após a sessão buscando a garantia do que fora acordado na reunião dias antes. O reitor garantiu que o que ficou estabelecido será cumprido.

Diretores

Foram convocados o diretor do Complexo Hospitalar Leôncio Feitosa, o diretor do HU, Marco Freire, o do IPPMG, Guiuseppe Pastura, da Maternidade Escola, Jofre Amim, e do Instituto de Doenças do Tórax, Alexandre Cardoso, que reiteraram problemas decorrentes da falta de pessoal e recursos. Todos relataram as dificuldades de administrar unidades de saúde com poucos recursos. As palavras de Feitosa podem resumir o que disseram todos. “O setor de saúde da UFRJ passa por uma crise inédita. Nunca estivemos tão próximos ao caos na área da saúde desta universidade”, disse.

COORDENADORA-GERAL DO SINTUFRJ, Marta Batista disse que há acumulo na comunidade universitária sobre a defesa do Complexo Hospitalar e resistência à Ebserh FOTOS Elisângela Leite
COORDENADOR DA FASUBRA, Francisco de Assis, questionou sobre supostas diferenças do contrato da Ebserh com a UFRJ em comparação com outras universidades
PLENÁRIO DO CONSUNI CHEIO. Comunidade não quer a Ebserh
CARLOS DAUMAS. Elogiou gestores mas quer acesso ao contrato

 

 

 

 

 

Nadilene Nascimento Sales, secretária adjunta de Combate ao Racismo da CUT, diz que é preciso compreender que o racismo é o que faz com que a classe trabalhadora seja explorada da maneira como é no Brasil

Escrito por: Carolina Servio (CUT Nacional)

Na próxima segunda-feira (20), é o dia Dia da Consciência Negra, data que marca a resistência do povo negro no Brasil. Para falar sobre a luta antirracista, o Portal CUT ouviu a pedagoga e secretária-adjunta de Combate ao Racismo da CUT Nacional, Nadilene Nascimento de Sales, que conta como aliou a militância no movimento negro à luta sindical.

Nadilene nasceu na cidade baixa de Salvador, num lugar periférico e com índices altos de violência e morte de pessoas negras. Hoje, ela vive no bairro Tancredo Neves, que também faz parte da periferia soteropolitana, algo que importa dizer. “Fui criada pelas minhas irmãs, que fizeram questão de me dar estudo, algo que elas não tiveram a chance de ter”, conta.

Bem cedo, Nadilene estudou inglês e foi dar aulas. Foi assim que tomou gosto pela Educação, que mais tarde a levaria para graduação em Pedagogia. “Foi ali, estudando Paulo Freire, que desenvolvi o senso crítico. A vida já tinha me mostrado muita coisa, mas ali eu fui entender o mundo.”

Em 2011 entrou para a Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa). Em 2012 se juntou ao movimento sindical, e em 2013 foi chamada para a direção executiva do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado da Bahia (Sindae), onde ela “organizou a sua atuação política”. “Eu já tinha a militância a respeito do povo negro, mas ali eu aprofundei essa atuação política, de forma direta”, conta.

De que maneira o racismo atinge e atravessa a classe trabalhadora? 

Nadilene Sales: Ser antirracista precisa ser um princípio dos trabalhadores e trabalhadoras. É necessário que a classe trabalhadora compreenda onde nascem os problemas próprios da classe trabalhadora. É comum que se pense nos problemas com imediatismo, como o acesso econômico, mas agir assim não vai resolver todos os nossos problemas. Já passou da hora de nossa gente entender, do ponto de vista histórico, da construção do nosso país, o que é que faz com que a classe trabalhadora seja explorada do jeito que é no Brasil.

E é assim porque o processo da organização social nosso não leva em consideração como o racismo e o machismo funcionam como sustentáculo dessa relação de exploração. 55% da população do Brasil é negra. Precisamos atacar tudo o que faz com que tenhamos uma organização social injusta, do contrário, não vamos avançar.

E o que está errado na abordagem sobre o racismo? 

Nadilene Sales: Não podemos mais ficar na discussão moral. De dizer que fulano ou ciclano é racista. A gente precisa olhar para a reparação. Para a construção de oportunidades iguais. Existe um acúmulo de riqueza de uma parcela da população e isso aconteceu na base da exploração dos trabalhadores e trabalhadoras.

Por isso, não dá para que uma jovem que trabalha o dia todo, mora na periferia, passa horas no ônibus, se alimenta mal, não tem tempo para estudar, dispute a mesma vaga que pessoa que está bem nutrida, que tem acesso à moradia boa, que fez cursos e mais cursos. Não dá.

 

É possível pensar processos de formação que contribuam com o anti-racismo? 

Nadilene Sales: O processo de formação precisa acontecer a partir do Estado. Tem que ter tantas pessoas pretas nos espaços de influência, e a partir daí as pessoas vão se preocupar. Porque só disponibilizar informação não resolve. As pessoas precisam querer estar bem informadas, e isso só acontece quando a gente provoca. Precisa ter movimento, porque a informação está aí. O comportamento racista é expresso, todo mundo vê. Não é falta de ver.

Com a urgência de medidas que possam frear o aquecimento global, expresso em desequilíbrio ambiental cada vez mais flagrantes, o conceito do racismo ambiental está em debate. Como você explica o que é racismo ambiental? 

Nadilene Sales: É a falta de acesso à condições básicas. O que livra a população de doenças? Não ter água potável de qualidade e em quantidade adequada, não ter acesso a esgoto, a tratamento da água. É viver em áreas de encosta, com risco de deslizamento de terra, ou em áreas com o solo contaminado. Basta uma pesquisa simples todos vão confirmar que as pessoas que não tem esse acesso são as pessoas negras. E por que é assim? Porque as pessoas negras não estão nos lugares de poder, de decisão, nas mesas das grandes instituições.

Como vocês, trabalhadores e trabalhadoras do setor do saneamento básico, estão avaliando a privatização de recursos naturais como a água? 

Nadilene Sales: Quando existe desigualdade, existe uma conta a pagar, e quem paga essa conta é povo preto, são as pessoas mais pobres, vulneráveis, é o Sul Global. Não tem como olhar para o problema do clima sem se fazer algumas perguntas elementares.

Quais são os países que estão provocando o aquecimento global? Quem está, de fato, sofrendo com o impacto do desequilíbrio ambiental? Os países estão cumprindo os acordos para frear o aquecimento global? E há quem queira pagar essa conta usando recursos naturais de outros países.

Veja o que está acontecendo na Amazônia, no Cerrado. Temos um problema de recursos e de soberania nacional. No saneamento mesmo nós estamos agora sobre ataque com a privatização ao acesso a água. Água virou mercadoria, lucro, e não um insumo básico de sobrevivência que deve estar ao alcance de todos.

No saneamento nós estamos agora sobre ataque com a privatização ao acesso a água, mercadoria. Existe uma sanha sobre as nossas riquezas, sobre os nossos recursos. Água é soberania, conclui.

 

Na reunião com entidades, Reitor se compromete com a realização de consulta pública sobre a adesão da UFRJ à empresa

Mesmo diante das argumentações de representantes do Sintufrj e do DCE Mário Prata para ampliação do tempo de debate com o fim de maior compreensão do que está em jogo numa eventual decisão de adesão da UFRJ à Ebserh, o reitor Roberto Medronho manteve a votação para esse ano no Conselho Universitário.

A reunião com todas as entidades da comunidade universitária, na qual participaram as dirigentes do Sintufrj, Marta Batista, Laura Gomes, Carmen Lúcia e Ana Mina, teve como objetivo, segundo o reitor, dirimir divergências e realizar um diálogo construtivo em relação ao processo com a Ebserh.

Mesmo não tendo êxito em obter do reitor o compromisso de mais tempo para o debate, os representantes das entidades conseguiram dar um passo a mais para democratizá-lo, ampliá-lo e envolver a comunidade. O reitor comprometeu-se institucionalmente a buscar ampliar a discussão.

Para isso, três ações foram consensuadas com as entidades: socializar toda a documentação produzida, relatórios, decisões, principalmente o contrato, que ficarão hospedadas um hotsite; realizar debates e audiências públicas nos centros com garantia do contraditório em relação a adesão da UFRJ; e a realização de uma consulta pública com toda a comunidade, técnico-administrativos, estudantes e professores, sobre a adesão ou não a Ebserh, com o acompanhamento de uma comissão representativa das entidades.

“Para nós é importante a garantia enquanto entidade sindical que esse debate de fato aconteça, e que ele não seja apenas protocolar. Reconhecemos a legitimidade do Conselho Universitário, mais acreditamos que um debate desse porte que altera uma universidade dessa maneira precisa acontecer de forma mais democrática e ampla”, afirmou a coordenadora-geral do Sintufrj, Marta Batista.

Laura-Gomes, que divide a coordenação-geral do Sintufrj com Marta Batista, expôs para o reitor a preocupação com o pessoal extraquadro. Ela é técnica de enfermagem do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), a maior unidade de saúde da UFRJ e que está no centro do debate em relação a Ebserh.

“Nossa posição sobre a Ebserh é contrária como todos sabem. Mas o que mais me preocupa é como ficará a situação dos extraquadros. Eles já trabalham com contrato precário, a maioria há mais de 20 anos, mas é o seu ganha pão. Muitos estão com mais de 60 anos e não vão passar em concurso da Ebserh, caso a empresa seja contratualizada pela UFRJ.”

Três unidades de saúde

Na negociação da adesão à Ebserh, a contratação com a UFRJ envolve apenas três hospitais dos nove que fazem parte do Complexo Hospitalar da UFRJ. São eles HUCFF, Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG) e Maternidade Escola.

Aliás, a escolha dos maiores hospitais do Complexo Hospitalar e que podem auferir lucro para a Ebserh, é mais um dos questionamentos à adesão feito pelo Sintufrj.

A coordenadora de Administração e Finanças do Sintufrj, Carmen Lúcia, que é técnica de enfermagem do Instituto de Atenção a Saúde São Francisco de Assis – Hesfa, tocou exatamente neste ponto.

“Está fazendo 35 anos daquela enchente no Rio de Janeiro que nós do Hesfa trabalhamos como voluntários. Estamos sempre falando dos maiores hospitais, mas não podemos esquecer da saúde básica e da excelência que praticamos nos nossos outros hospitais. O São Francisco é uma referência no centro da cidade e que sempre foi um hospital de reabilitação. E percebemos que a cada dia está diminuindo a quantidade de atendimento”, observou.

Carmen Lúcia colocou também a preocupação com os NES inquirindo o reitor sobre a situação dos demais hospitais do Complexo Hospitalar.

“Fala-se que com a Ebserh abrirá mais vagas através de concursos. Como ficará a situação dos NES que trabalham há mais de 20 anos nas unidades hospitalares da UFRJ sem perspectiva nenhuma? Temos essa preocupação de imediato. Outra questão, só serão contratados pela Ebserh três hospitais – HUCFF, IPPMG e Maternidade Escola. Como ficarão os outros hospitais? São muitas questões envolvidas e não é com a Ebserh que resolveremos o problema estrutural dos nossos hospitais”, finalizou a dirigente.

ENTIDADES NA REUNIÃO COM o reitor Roberto Medronho nesta terça-feira (14)
CARMEN E ANA MINA, dirigentes do Sintufrj: questionamentos
Reunião Reitor, DCE, Sintufrj e Adufrj sobre Ebserh
MEDRONHO, LAURA E MARTA. Resistência à Ebserh na mesa

Faltam apenas duas semanas para a abertura do XI Seminário de Integração dos Técnico-Administrativos em Educação da UFRJ (de 27 de novembro a 1º de dezembro). O Sintae já se consolidou, ao longo de 11 edições, no calendário institucional da UFRJ como uma verdadeira vitrine da relevante produção técnico-administrativa nas mais diversas áreas de conhecimento.

O Sintufrj, representado pela coordenadora-geral Marta Batista, estará na cerimônia de abertura, presencial, no dia 27, às 9h, no Salão Nobre do CCMN (que contará com o reitor Roberto Medronho, com a pró-reitora de Pessoal Neuza Luzia, com a Superintendente da Coordenação de Dimensionamento e Desenvolvimento de Pessoal, Rejane Barros e com Gustavo Cravo, representante da Comissão Organizadora. O mediador é o superintendente geral de Pessoal Rafael Pereira.

Pesquisa

A coordenadora do Sintufrj também participa da mesa de abertura (às 9h30), que abordará “O papel dos técnicos-administrativos na pesquisa e na produção acadêmica da UFRJ”. Essa mesa contará ainda com Flávio Chedid (NIDES/UFRJ) e João Sérgio dos Santos Assis (Representante dos Técnicos no CEPG/UFRJ), e o debate será mediado por Fernando Pimentel (PR3/UFRJ).

“A escolha é motivada pela urgência em debater com mais efetividade o tema bem como produzir dados que expressem essa produção. O bom nível de debates dentro do Grupo de Trabalho (GT) TAEs na Pós, organizado pelo Sintufrj, a partir de demandas da categoria, foi um grande motivador para a escolha da mesa”, informa texto da Comissão Organizadora, ponderando: “Há técnicos com produção acadêmica de qualidade. E desejamos que estes sejam reconhecidos e valorizados”.

A Comissão informa que, além de debates e exposição de trabalhos, ocorrerão dois painéis. O primeiro com o debate “Relações de Trabalho na UFRJ”, composto por trabalhadoras da Seção de Acompanhamento das Relações de Trabalho (SART). O segundo apresentando pesquisas em andamento de estudantes do Curso de Especialização em Administração Universitária Federal.

O evento, que conta com apoio do Sintufrj, está pela primeira vez organizado em grupos de trabalho, e acontece pela segunda vez, em formato híbrido (embora, segundo os organizadores, haja atividades exclusivamente presenciais e outras remotas). Serão apresentados 137 trabalhos de servidores de diferentes universidades, institutos, colégios e centros federais.

São 23 GTs abordando temas como Artes e Cultura; Arquivos e Gestão de Documentos; Assistência Estudantil; Atividades Físicas e Esportivas; Carreiras Públicas; Os Técnicos em Assuntos Educacionais nas universidades brasileiras: da ordem normativa ao campo de possibilidades; Gerenciamento e Acompanhamento Acadêmico; Gestão de Pessoas; Governança: boas práticas de governança na gestão universitária; Saúde do Trabalhador e Qualidade de Vida, entre outros.

Conheça os trabalhos

A programação, caderno de resumos (com mais de 140 páginas de programação e apresentações de mais uma centena de trabalhos e seus autores) e demais dados do podem ser consultados em https://conferencias.ufrj.br/index.php/sintae/SINTAE11.

A Decania do Centro de Tecnologia (CT) realizou reunião extraordinária de seu Conselho de Centro nesta segunda-feira, 13, para debater a proposta de adesão a Ebserh. O representante do grupo de trabalho criado pela Reitoria para negociar o contrato, Amâncio Paulino de Carvalho, mais uma vez não esclareceu, de forma satisfatória, as dúvidas dos participantes, tanto que o decano do CT, Walter Suemitzu, que externou também suas dúvidas, irá convocar nova reunião sobre o tema.

Como em outras apresentações, mais uma vez Amâncio repetiu a  defesa da adesão da UFRJ à Ebserh, destacando um suposto aumento do número de leitos e verbas, mas o teor do contrato,  cobrado pelo Sintufrj, estudantes e o movimento Fora Ebserh, não apresentou.

Diante da insistência da cobrança, informou que apresentará a minuta do documento em dois dias. Direção do Sintufrj, técnico-administrativos e diretores do Instituto de Química e do Nides presentes à reunião externaram suas críticas, preocupações e opiniões.

Redução de leitos

As coordenadoras-gerais do Sintufrj, Marta Batista e Laura Gomes, tiveram a oportunidade de expor a posição do sindicato.

“Estou lendo o relatório feito pela comissão (que avaliou a Ebserh) com cuidado”, relatou Laura Gomes. “Nele destaquei  reclamações de falhas graves em processos assistenciais. Problemas de infraestrutura, cancelamentos de cirurgias, dificuldade de agendamento de exames e aumento dos casos de assédio”, relacionou a dirigente. “Sem tem tanto problema o que a Ebserh vai trazer de bom? Se diminui a assistência, se diminui o número de exames, se aumenta os casos de assédio. Inclusive no relatório está informado que um 1/3 dos hospitais reduziu o número de leitos. E os que ampliaram a capacidade de leitos, sete são de menor porte. Apenas um, que é de grande porte, teve aumento de leito. Então o que está escrito é que diminui o número de leitos. Não aumentou. Temos de aprofundar esse debate para ver o melhor para a universidade”, sustentou Laura Gomes.

Marta Batista foi incisiva. “Somos contrários a adesão a Ebserh por várias razões. Temos compreendido por  meio de relatórios e debates que a Ebserh não resolve o problema do nosso Complexo Hospitalar e do custeio do hospital. Há a venda de ilusões pelos corredores de uma falsa ideia de que sobraria mais dinheiro para a universidade, mas percebemos que não, observou a dirigente do sindicato.

Ela acrescentou: “Existe um contrato que não tivemos acesso e não há nenhuma garantia de que uma suposta sobra de verbas permaneça com a universidade podendo ser contingenciada pelo governo mais uma vez. Não resolve o problema de pessoal e agrava a relação de trabalho com dois regimes diferentes num mesmo hospital”, disse. Não resolve o problema de financiamento dos hospitais universitários e do nosso e do HUCFF. E o que acontece com o restante das unidades como Hesfa, IDT e Neurologia? Nada está claro. Precisamos aprofundar esse debate”, disse Marta Batista.

Contrato padrão

O coordenador da Fasubra, Francisco de Assis, informou que a Federação está realizando um levantamento da situação dos hospitais universitários que aderiram à Ebserh e verificou muitos problemas.

“Há problemas com os contratos. Informações que não foram cumpridos pela Ebserh. Além de descumprimento de contrato pela Ebserh há informações sobre perda de autonomia, como mudança dos diretores dos hospitais. Há problemas de falhas nos contratos dos hospitais universitários do país inteiro com a Ebserh”, afirmou o coordenador da federação.

O superintendente do CT, Agnaldo Fernandes, esclareceu sobre a natureza do contrato da Ebserh e revelou algumas de suas consequências.

“Quando mais a gente debater é melhor para as coisas ficarem mais explícitas. Muitas coisas não ficam explícitas. Foi importante Amâncio colocar aqui a proposta. Ela existe, está na página da Ebserh, e é absolutamente igual a todos os outros contratos. Não haverá proposta aqui de contrato diferente para a UFRJ. E não há indícios de que haverá diferenciação, mas não se fala sobre isso. Um primeiro aspecto que temos de chamar a atenção, o hospital deixa de ser da UFRJ juridicamente. Haverá alteração estatutária e ele deixa de ser um hospital de ensino. É a característica principal de nossos hospitais, que os diferencia dos outros, e isso está muito explicito no contrato. Deixa de ser uma unidade acadêmica e passa a ser um hospital de assistência.E no primeiro ano, em 2024, não terá concurso para o ano que vem. É a realidade concreta. Então há uma série de aspectos. E a questão de pessoal está nebuloso”, questionou Agnaldo.

MARTA BATISTA E LAURA GOMES defenderam a posição do Sintufrj diante da mesa mediada pelo decano do CT ladeado de Amâncio Paulino e Leôncio Feitosa
AGNALDO FERNANDES disse que não há contrato diferente para hospitais da Ebserh
DIRIGENTE DA FASUBRA, Francisco de Assis, disse que investigação da federação aponta para falhas nos hospitais da Ebserh
ESTEBAN CRESCENTE panfletou texto que sistematiza as razões da resistência à empresa na UFRJ

 

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Sintufrj

Gestão 2022-2025

Manifestação de servidores no Centro do Rio fecha com protestos os dois dias de jornada de lutas que envolveu convocação de trabalhadores da UFRJ para paralisação

Os trabalhadores da UFRJ organizados pelo Sintufrj se uniram às demais categorias de servidores em luta e realizaram ato unificado no fim da tarde desta terça-feira, 8 de novembro, no Buraco do Lume (Centro do Rio). A manifestação fechou os dois dias de jornada acumulando forças para exercer pressão no governo dentro da campanha salarial.

Os servidores federais querem respostas concretas às reivindicações de recomposição salarial e manifestam desapontamento com a postura do governo nas negociações.

Após falas no Buraco do Lume, onde houve concentração desde as 16h, que foi reforçada por estudantes, os manifestantes seguiram em caminhada até a Cinelândia ocupando meia pista.

Palavras de ordem como “servidor na rua, governo a culpa é sua”, e alertas em relação ao parco orçamento destinado à saúde e educação, principalmente às universidades federais, em detrimento ao pagamento de juros da dívida pública, foram o mote da caminhada.

O coordenador-geral do Sintufrj, Esteban Crescente, fez a fala final do ato na Cinelândia, por volta das 18h, conclamando à unidade dos trabalhadores públicos!

As manifestações desta quarta-feira foram nacionais. Os servidores se voltam para a nova rodada de negociações na quinta-feira, 16 de novembro.

Ato Unificado dos Servidores Federais no Buraco do Lune.
Rio,08/11/23

 

Um ato em frente ao HUCFF nas proximidades de um dos acessos ao CCS em defesa dos hospitais universitários e de verbas para a universidade abriu na UFRJ o segundo dia da jornada com paralisação nesses  7 e 8 de novembro.
Além da luta por recomposição salarial e aperfeiçoamento da Carreira, aqui a pauta ganha intensidade pela resistência à tentativa de terceirização da saúde com a proposta de adesão à Ebserh. Uma convocação para a sessão DO CONSELHO UNIVERSITÁRIO NA MANHÃ DESTA QUINTA-FEIRA (9) quando será apresentado relatório sobre a questão foi feita.
A jornada para pressionar o governo nas negociações salariais em Brasília aconteceu em todo país e aqui no Rio será encerrada com protesto unificado dos servidores federais no Buraco do Lume (Centro do Rio).
Manifestação por Verbas para UFRJ no bloco A do CCS.
Rio, 08/11/23

Representantes de diferentes categorias pretendem mostrar força para a próxima mesa de negociação com governo, no dia 16

Mateus Coutinho
com informações do Brasil de Fato

Em meio a importantes votações da agenda econômica no Congresso previstas para esta semana, como a reforma tributária, o governo federal enfrenta nesta quarta-feira (8) a mobilização de servidores públicos federais de diferentes categorias por reajuste salarial e melhorias nas condições de trabalho. A mobilização acontece após seis anos de relações tensas e defasagens nos reajustes salariais durante os governos Michel Temer e Jair Bolsonaro.

Com cálculos que apontam uma defasagem de até 53% para algumas categorias desde 2013, entidades de servidores de todo o país estão prevendo para esta quarta paralisações nos estados, além de atos na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. O objetivo é pressionar parlamentares e a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, responsável por conduzir as discussões salariais e de carreira das categorias.

As categorias buscam ainda mostrar força para a próxima rodada de negociações, na reunião da Mesa Nacional de Negociações Permanente, convocada pela pasta de Dweck para o dia 16 de novembro.

Desde o começo do ano, o governo tem mantido mesas de negociações específicas com encontros periódicos para negociar as demandas das categorias do funcionalismo público federal, além da mesa nacional permanente, com representantes de todas as categorias. Em nota, o Ministério da Gestão informou que foram criadas neste ano 10 mesas setoriais, para atender as situações específicas de cada área e reafirmou seu compromisso de diálogo com todas as categorias.

Segundo as lideranças sindicais, porém, até o momento o governo não apresentou uma resposta concreta às demandas que foram apresentadas de reposição inflacionária. Na mesa nacional realizada em julho, os servidores pediram ao governo que seja feita a reposição salarial com base na inflação acumulada dos últimos anos em pagamentos divididos em três parcelas anuais, com a primeira sendo paga em 2024.

Os líderes afirmam que a postura do governo tem causado indignação entre os servidores. Na mesa realizada em agosto, o governo afirmou que teria reservado no orçamento de 2024 o total de R$ 1,5 bilhão para atender as demandas do funcionalismo público federal. De acordo com os servidores, este valor representaria um reajuste de cerca de 1% para o funcionalismo.

TRABALHADORES DA UFRJ EM uma das manifestações no Fundão na jornada de lutas da campanha salarial