Temas importantes para a população ficam nas mãos de um congresso que legisla para os ricos, por isso um plebiscito popular sobre o fim da jornada 6×1, a isenção do Imposto de Renda e taxação dos mais ricos, e água e saneamento para todos, está nas ruas para que o povo possa dar seu voto e assim podermos pressionar o congresso e os parlamentares para que esses projetos entrem em pauta e sejam aprovados.
Na UFRJ a campanha foi iniciada com votação nos dias 3 e 4 de julho, no Instituto de Física. A iniciativa é de movimentos sociais, centrais sindicais, sindicatos, partidos políticos, igrejas, organizações populares e movimentos estudantis, que iniciaram a campanha em 1º de julho e que vai até 7 de setembro. A proposta do governo Lula para dar descontos ou isentar do Imposto de Renda (IR) mais de 90 milhões de brasileiros e a PEC que prevê o fim da escala 6×1 de autoria da deputada federal Erika Hilton (Psol) encontram resistência no Congresso.
O resultado do plebiscito será entregue a Lula e aos presidentes da Câmara de Deputados, Hugo Motta (Republicanos), do Senado, David Alcolumbre (União), e ao vice-presidente do Supremo Tribunal Federal, o ministro Edson Fachin. Pela página plebiscitopopular.org.br pode-se obter todas as informações para ajudar nessa mobilização.
Os participantes respondem a três perguntas:
1-Você é a favor da redução da jornada de trabalho sem redução salarial, e pelo fim da escala 6×1?
2-Você é a favor de que quem ganhe mais de R$ 50 mil pague mais imposto, para que quem ganhe até R$ 5 mil não pague imposto de renda?
3-Você concorda que a água e o saneamento devem ser considerados um direito de todos e não mercadorias para dar lucro?
Calendário das votações
1º a 6 de julho – 1º Mutirão de Votação
25 a 27 de julho – 2º Mutirão de Votação
29 a 31 de agosto – 3º Mutirão de Votação
1º a 7 de setembro – Semana Nacional de Mobilização com Grandes Votações
Isenção beneficiará 25 milhões de famílias
A proposta para dar descontos ou isentar do Imposto de Renda (IR) mais de 90 milhões de brasileiros é do governo Lula. Quem recebe até R$ 5 mil por mês não pagará o imposto — que também será cobrado em valor reduzido para quem ganha até R$ 7 mil mensais. Para compensar os cofres públicos, o projeto de lei (PL) 1.087/2025 propõe o estabelecimento de um piso na cobrança de Imposto de Renda de quem recebe mais de R$ 50 mil por mês. O texto prevê que o tributo mínimo ficará entre R$ 18,7 mil e R$ 120 mil por ano.
O governo espera que as regras de isenções funcionem a partir de 2026. Para isso, Câmara, que está com o texto, e Senado devem aprovar o projeto ainda neste ano. Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o projeto do governo beneficiará 25 milhões de famílias.
Resistência
Uma pesquisa divulgada pelo Instituto Quaest dia 2 de julho revelou que a maioria dos deputados federais são contra o fim da escala 6×1. Segundo o levantamento, 70% dos parlamentares se opõem à PEC que acaba com a jornada de seis dias de trabalho seguidos com apenas um dia de descanso. O estudo da Quaest mostra ainda que apenas 22% dos parlamentares apoiam o fim da escala 6×1, enquanto 8% não souberam ou preferiram não responder.
O levantamento ouviu 203 deputados (40% do total da Câmara) com amostragem definida com base em extratos de região e posicionamento ideológico dos partidos. As entrevistas foram realizadas entre os dias 7 de maio e 30 de junho. A margem de erro estimada é de 4,5 pontos percentuais.
O fim da escala 6×1, uma das principais pautas do movimento Vida Além do Trabalho (VAT), liderado junto ao vereador Rick Azevedo (Psol-RJ), é defendido por Erika Hilton (Psol) por ter efeitos indiretos sobre a informalidade. Ela compara a proposta, em impacto social, à implementação de cotas. “Abolir a escala 6×1 é também abraçar, acolher, respeitar e dar um afago a esse trabalhador tão judiado e violado em seus direitos desde a escravidão”, afirma.
