Ainda em clima de apreensão e cheios de dúvidas, técnicos administrativos do Hospital Universitário estiveram, nesta quarta-feira, dia 6, no auditório Halley Pacheco, no 8º andar, para, em reunião convocada pela Pró-Reitoria de Pessoal, tentar esclarecer a informação de que aqueles com cargos extintos seriam movimentados para outras unidades.

Ofício da Reitoria de 22 de julho, dirigido aos gestores do Complexo Hospitalar da Ebserh, mencionava processo de remoção em caráter imediato. O Sintufrj reagiu: foi às unidades, escutou a categoria, produziu um boletim, fez a denúncia e reivindicou uma reunião urgente com a PR-4. Além disso, o representante técnico-administrativo no Conselho Universitário, Milton Madeira, questionou, em sessão do colegiado no dia 24, a pró-reitora Neuza Luzia sobre o tema. Ela informou então que os servidores não estavam obrigados a se transferir para outras unidades.

Da mesma forma, na reunião no HU, nesta quarta-feira, acompanhada por representantes das divisões de Dimensionamento e Movimentação (Rejane Barros, Alessandra Sarkis e Jocarla da Silva) e do chefe pela gestão de Pessoal do Complexo Hospitalar Leandro Costa, a pró-reitora confirmou a informação dada no Consuni e detalhou a razão da iniciativa.

Fotos: Renan Silva

Técnicos administrativos do HU e de outras unidades geridas pela Ebserh participam de reunião com a Pr-4, acompanhada pelos coordenadores do Sintufrj.

O que motivou a iniciativa

Segundo contou Neuza Luzia, a PR-4 tem recebido muitas solicitações de movimentação, desde que a Ebserh assumiu a gestão das unidades de saúde (HU, Maternidade Escola e IPPMG), por reclamações quanto a conflitos nas relações de trabalho cada vez mais frequentes. A PR-4 tem limitações para a movimentação, cujas solicitações têm que ser analisadas caso a caso, como os que envolvem adoecimento por conta dos problemas nas relações de trabalho.

“Continuamos as conversas (com os gestores) e, com vários estudos, a gente percebeu que existe um grupo de servidores (mais de 670 pessoas) que estão em cargos extintos ou vedados, que não foram contabilizados (no dimensionamento feito pela Ebserh sobre a força de trabalho). Então poderemos movimentar ‘de ofício’ esses servidores”, informou. E isso será feito, ela garante, a partir da manifestação da vontade do servidor.

Mas o teor do ofício enviado falava em processo de remoção de caráter imediato, o que causou apreensão. A PR-4, então, enviou outro ofício retirando a expressão “imediato”. Mas já era tarde. Servidores criticaram: “Falta transparência e informação sobre o que vai acontecer. Foram 15 dias de angústia. Estou há 48 anos no HU”, reclamou um servidor com indignação.

“Você está coberto de razão”, reconheceu a pró-reitora. “A gente devia ter feito uma circular. Essa crítica é muito importante até porque a próxima etapa (será de profissionais) da área da saúde”, disse ela.

Teor do ofício não condiz com o que foi dito

O coordenador Geral do Sintufrj Esteban Crescente (de pé, na foto acima) lembrou o teor do ofício assinado pela pró-reitora: diz o texto que após um ano de contrato assinado com a Ebserh, “e uma vez que sua força de trabalho será substituída ou por empregados públicos da Ebserh ou por trabalhadores terceirizados e prestadores de serviço”, os servidores “precisam ser alocados em unidades da UFRJ para que possam continuar acessando suas atividades laborais”. E que o ofício dizia respeito apenas a cargos do grupo administrativos que seriam objeto do primeiro “processo de remoção de caráter imediato”, de ofício, uma vez que seria a área com maior necessidade de pessoal nas unidades.

“Não é matéria do Jornal do Sindicato, é o ofício da PR4. É óbvio que, hoje em dia, se criam fake news, mas vamos diferenciar. A denúncia do sindicato, que aqui reiteramos o que falamos nas visitas à base foi, se o que está escrito não condiz com o que foi dito pela nossa pró-reitora, no dia da sessão do conselho universitário, após ser questionada sobre o tema, que se adeque o que se diz com o que está escrito. Felizmente, hoje aqui, estamos tendo uma adequação declarada de que (a medida) não é de imediato e que se vai considerar a vontade dos servidores. Que bom. Mas é bom resgatar que veio um ofício e que houve cobrança do conselheiro universitário Milton Madeira”, lembrou.

Falta de consideração

“Agora, eu acho que tem uma questão mais profunda”, disse ele, ponderando sobre o que poderiam sentir as pessoas que receberam o ofício ao se desconsiderar todo esforço de cada trabalhador e trabalhadora para que o hospital se mantivesse de pé, muitas vezes em funções que não eras as suas, mas que se esmeraram para fazer.
O coordenador listou ainda as iniciativas do Sintufrj na defesa dos trabalhadores dos hospitais, inclusive mesas de negociação permanente com o superintendente do hospital e com o reitor Roberto Medronho. Reiterou a luta do Sindicato contra a adesão à Ebserh, aprovada depois de um golpe no Conselho Universitário e apontou que é preciso avançar na luta por condições de trabalho nas unidades de saúde.

Sintufrj busca solução para os que não têm cargo extinto

Muitos servidores apontaram problemas que atingem o Hospital Universitário, depois da adesão à empresa. Um deles, a extinção do Serviço de Saúde do Trabalhador (Sesat). A coordenadora de Administração e Finanças do Sintufrj Laura Gomes (à direita, na foto acima), reiterou as críticas:

“Estou há 43 anos neste hospital. Há anos cuidando de quem cuida, E simplesmente esse direito nos foi tirado, E quem me conhece sabe que eu cuidava com o maior carinho, com o maior respeito, tanto do RJU, como dos terceirizados ou do extraquadro. Desde fevereiro não podemos atender ninguém. Isso dói. Por isso pedi minha saída do hospital. Mas não tenho cargo extinto”, disse ela.

Laura contou que escreveu, com outro membro do Sesat, um projeto de suporte à saúde do servidor, com base em iniciativas já existentes em outras unidades administradas pela Ebserh. O projeto foi enviado para a direção, mas até hoje aguarda sem resposta. Assim como um outro projeto, de acolhimento do servidor, desenvolvido por profissionais da Divisão de Recursos Humanos que ainda permanece sem atuação efetiva.

Reunião com reitoria

Laura informou ainda que há uma lista com vários servidores que pediram saída da unidade, “porque não aguentam mais”. Estamos realizando várias reuniões com os advogados do sindicato que têm acompanhado de perto essa situação. Temos enviado ofícios para a Dart (Divisão de Atenção às Relações de Trabalho da PR-4), para a PR-4 e para a Reitoria, pedindo diálogo. Marcaram uma reunião com o sindicato nesta quinta-feira (dia 7 de agosto)”, e um dos itens de pauta será movimentação”, contou a coordenadora, estimando que esta será possivelmente a última instância de tentativas democráticas, e que, se não houver um resultado favorável ao servidor, o único caminho será a possibilidade de judicialização.

O coordenador de Organização e Política Sindical do Sintufrj José Carlos Xavier distribui o Jornal do Sintufrj

 

Em reunião híbrida realizada nesta quarta-feira, 6 de agosto, Sintufrj, Adufrj, DCE Mário Prata, APG organizaram o cronograma de votação para o Plebiscito Popular por um Brasil Mais Justo que tem como objetivo pressionar o Congresso Nacional a aprovar medidas que beneficiem a classe trabalhadora e o povo brasileiro.

No dia 18 de agosto ele será lançado oficialmente em um ato unificado das entidades com a presença de parlamentares. Lindbergh Farias (PT-RJ) e Glauber Braga (Psol-RJ) já estão confirmados. Antes, no dia 13 de agosto teremos o dia D de mobilização, com coleta de votos no centro da cidade a partir das 16h. E nos dias 20 e 21 as entidades realizarão um mutirão na UFRJ. Em várias capitais do país, a mobilização em torno da consulta popular vem sendo marcada por atividades públicas.

Já são mais de 10 mil urnas espalhadas pelo Brasil para o voto da população. O plebiscito coloca em votação propostas como a isenção do imposto de renda para quem ganhe R$ 5 mil, a taxação dos super-ricos e o fim da jornada de trabalho na escala 6 x 1. No Rio de Janeiro há também a defesa da não privatização da água e do saneamento. Há vários comitês já formados e se formando nas cidades, municípios e locais como associação de moradores, sindicatos, universidades, entre outros.

Entre as organizações envolvidas na campanha do plebiscito estão os movimentos estudantis UNE, UBES e ANPG, as centrais sindicais CUT, Força Sindical, CTB, UGT e Intersindical, as frentes Brasil Popular (MST, CMP, Marcha Mundial das Mulheres, Conem) e Povo Sem Medo (MTST, MNU, Resistência) e os partidos PT, PSOL, PcdoB, UP e PCB.

Esquenta

Um esquenta para o lançamento oficial do plebiscito na UFRJ foi realizado dia 30 de julho. A data selou o segundo dia de paralisação dos técnico-administrativos pelo cumprimento do acordo de greve, e mesmo em período de férias o mutirão articulado em conjunto pelo Sintufrj, Adufrj e DCE Mário Prata teve um bom número de votos. Foram coletados quase 600 assinaturas em vários locais.

 

Isenção beneficiará 25 milhões de famílias

A proposta para dar descontos ou isentar do Imposto de Renda (IR) mais de 90 milhões de brasileiros é do governo Lula. Quem recebe até R$ 5 mil por mês não pagará o imposto — que também será cobrado em valor reduzido para quem ganha até R$ 7 mil mensais. Para compensar os cofres públicos, o projeto de lei (PL) 1.087/2025 propõe o estabelecimento de um piso na cobrança de Imposto de Renda de quem recebe mais de R$ 50 mil por mês. O texto prevê que o tributo mínimo ficará entre R$ 18,7 mil e R$ 120 mil por ano.

O governo espera que as regras de isenções funcionem a partir de 2026. Para isso, Câmara, que está com o texto, e Senado devem aprovar o projeto ainda neste ano. Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o projeto do governo beneficiará 25 milhões de famílias. “Estamos lutando pela dignidade do trabalhador que paga suas contas. Vamos colocar 25 milhões de famílias pagando ou nada ou menos imposto de renda. Isso é fazer justiça. E sabem quantos vão passar a pagar? Que ganham 1 milhão por ano, 10 milhões por ano,  140 mil pessoas. São 140 mil pessoas para 25 milhões serem beneficiados”, defende Haddad.

Superexploração

A jornada de 6 x1 é um regime de trabalho em que o empregado trabalha seis dias consecutivos e folga um. A escala 6 x 1 pode começar a qualquer dia da semana, desde que a folga ocorra após seis dias de trabalho consecutivos.

No dia 25 de fevereiro, a deputada Erica Hilton (Psol – SP) apresentou à Câmara, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 8/25 que estabelece a jornada máxima de 8 horas diárias; escala de 4 dias de trabalho por semana com limite de 36 horas semanais.

Mexida constitucional

A PEC visa alterar o inciso XIII do artigo 7º da Constituição Federal estabelecendo que a duração máxima do trabalho, considerado normal, não ultrapasse 8 horas diárias e 36 horas semanais, em vez das atuais 44 horas. Ou seja, garante aos trabalhadores quatro dias de trabalho e três de descanso.

A proposta, se aprovada, alinha o Brasil às tendências globais de flexibilização da jornada e priorização do bem-estar dos trabalhadores, com mais tempo para lazer, estudos, cuidados com a saúde e convívio familiar. A deputada Erika Hilton informou que iniciou a peregrinação pelos gabinetes das lideranças partidárias para o texto ser aprovado na Câmara e no Senado.

No parlamento

A PEC 8/25 obteve mais de 200 assinaturas garantindo que fosse protocolada e seguisse para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que aprovou a admissibilidade do texto. No entanto, a PEC ainda precisa ser analisada por uma Comissão Especial, por se tratar de uma mudança na Constituição, e pelo plenário da Câmara antes de seguir para o Senado.

 

🚩A direção do SINTUFRJ buscando informar, orientar e dar transparência nas suas ações sob sua responsabilidade convoca todos os sindicalizados para esta importante reunião.

Interessados devem comparecer no próximo dia 11/8 – 2ª feira das 11h às 13h no Salão Azul do IB, Bloco A do CCS

PAUTA:
➡️ Informes gerais sobre as ações judiciais do Sintufrj
➡️ A luta pelo cumprimento do acordo de greve e a reforma administrativa

Sua participação será muito importante!!

Direção do Sintufrj