O intenso tiroteio que atingiu a comunidade da Maré na manhã do dia 26, em mais operação da Polícia Civil, que levou a morte de três pessoas e ao ferimento à bala de uma criança, chegou também – direta e indiretamente – ao Fundão. Projéteis atingiram a parede de sala de aula do CCMN; um helicóptero alvejado fez um pouso atrás do antigo prédio da Reitoria; o acesso pela Linha Amarela foi suspenso algumas vezes. Registradas pelos celulares dos estudantes assustados com o conflito, as imagens viralizaram. No dia seguinte, em uma nova operação, desta vez na Cidade Alta, o tiroteio chegou a interditar a Avenida Brasil de manhã.
Como não poderia deixar de ser, a situação refletiu na sessão do Conselho Universitário desta quinta-feira, dia 27, aberta com a denúncia dos efeitos terríveis para a população e, naturalmente, a comunidade universitária, da política de confronto adotada pelo governador Claudio Castro, com a reivindicação expressa por parte de estudantes, técnicos administrativos e docentes, de que o Colegiado aprove o Protocolo de Segurança para situações de risco.
A conselheira e coordenadora de Comunicação do Sintufrj Luciana Borges, enfermeira do IPPMG, reiterou o pedido dos estudantes. Ela relatou que na sessão anterior foram recolhidas assinaturas entre os conselheiros para pedido de urgência na apreciação do documento elaborado por um grupo de trabalho (já pronto e em análise da Comissão de Legislação e Normas). “Nós fizemos o trabalho de coletar assinaturas. Achamos que ia ser pautado hoje. Mais uma vez não foi. Gostaríamos que houvesse sensibilidade para o tema com o pedido de uma sessão extraordinária para discutir o assunto que já está sendo trabalhado pelo grupo de trabalho deste 2023”. Veja no vídeo a seguir:
Ela reivindicou que o protocolo abrangesse toda comunidade porque, muitas vezes se esquece dos profissionais que trabalham em atividades essenciais, como os dos hospitais, que ficam presos porque não conseguem sair depois de seus plantões em situações de conflito, enquanto outros que os renderiam não conseguem chegar. “Colegas que não conseguiram sair, dobraram o serviço”, contou, pedindo que o colegiado, além dos abonos de faltas e provas dos estudantes também possa discutir o abono no caso dos técnicos administrativos. Ela lembrou que, quando a Reitoria publica nota para a comunidade sobre o abono de falta dos alunos, não se fala a respeito dos trabalhadores.
Luciana anunciou ainda a aprovação, pela assembleia, da paralisação no dia 4 pela continuidade da luta pelo cumprimento do acordo de greve e para que a tramitação da Reforma Administrativa seja suspensa. E convidou os presentes para o debate organizado pelo Sintufrj no dia 1º de dezembro, segunda-feira, às 18h, no IFCS sobre Soberania e Democracia, com João Pedro Stedile (MST), Léo Péricles (UP), Heitor César (Unidade Classista) e Renata Souza (PSOL)
A conselheira técnica administrativa Gerly denunciou a operação desastrosa do governo Claudio Castro que matou três pessoas e baleou uma criança. Denunciou ainda que o pior Congresso da história tenta passar a PEC da Anistia sob ameaçando não trabalhar até que seja aprovada. “inteiro repúdio aos golpistas hoje no Congresso”.
Vidas afetadas
O representante do DCE Mário Prata Henderson Ramon, apontou como as operações policiais afetam toda comunica e os estudantes que convivem todos os dias com a ansiedade de pensar como chegar à aula diante da realidade de constantes confrontos no Rio de Janeiro, que seria uma tática do governo Claudio Castro para se reeleger. Ele lembrou que os estudantes apresentaram carta no conselho passado pedindo urgência na aprovação do Protocolo de Segurança e mais uma vez não entrou em pauta.
“Ontem balas atravessaram vidraças e paredes, enquanto um helicóptero sobrevoava o campus. E isso é só mais um dia no Rio de Janeiro. Há menos de um mês da maios chacina da história (operação na Penha em 28 de outubro que deixou mais de 130 mortos)”, lembrou ela, lembrando que estudantes das comunidades atingidas tiveram que passar por corpos estendidos no chão para irem para a aula. E falou do risco a que estão expostos não só estudantes como técnicos, professores, terceirizados. “Estamos há mais de dois anos pedindo isso!”, disse ela reiterando a entrega da carta com pedido de urgência assinada pela maior parte do plenário.
Urgência entrou em debate
Uma intensa discussão se estabeleceu com diversas intervenções de conselheiros reiterando a urgência da discussão e a inclusão do ponto na ordem do dia. A carta dos estudantes pedia a inclusão ainda em novembro. Segundo a carta, o documento do grupo de trabalho está pronto e falta apenas a deliberação, urgente diante da gravidade da situação.
Segundo a vice-reitoria Cássia Turci que presidia a sessão, no grupo e Trabalho foi produzido um documento de 300 páginas, depois reduzido a 45 e agora, para 16 páginas. Ela lembrou que só deverá haver mais uma sessão do Consuni este ano, dia 11 de dezembro, mas que seria importante que demais atores, como a Prefeitura, a Pró-Reitoria de Pessoal e trabalhadores da Diseg participassem do debate em função dos desdobramentos do protocolo para estudantes, técnicos administrativos, professores e terceirizados. A vice-reitora lembrou, inclusive do destaque da conselheira Luciana quanto aos profissionais dos serviços essenciais e terceirizados que moram em área de risco. Disse que o tema é complexo para ser discutido em apenas uma reunião e se comprometeu a colocar o ponto em fevereiro, depois do recesso em janeiro.
Apesar do protesto dos estudantes, levado a voto, o pedido de regime de urgência foi rejeitado. Mas a Reitoria reiterou o compromisso com a pauta na primeira sessão de 2026.
No entanto, a bancada técnico administrativa insistiu na solicitação de que haja também quanto a este segmento, orientação em caso de conflitos assim, particularmente quanto a unidades hospitalares, para que a comunidade não seja exposta a risco. A vice-reitora comprometeu-se também a conversar com o reitor sobre medidas para ampliar a rede de comunicação, no que toca por exemplo ao abono.
Denúncia de assédio será apurada
O Coletivo de Mulheres da Faculdade Nacional de Direito ganhou fala no colegiado para denunciar situação de assédio envolvendo um docente contra alunas da unidade. A vice-reitora Cássia Turci reafirmou a gravidade da denúncia informou que providências já estão sendo tomadas.
Segundo contou, houve reunião longa da Ouvidoria, de representantes da direção, docentes, Centro Acadêmico e o Coletivo e que, além da abertura de um processo Administrativo Disciplinar no caso da acusação de assédio, será formado um grupo de trabalho com mulheres profissionais da casa e coletivos femininos. “Se ainda não foi, isso tem que ser feito. Vamos pedir que a direção cumpra o que foi determinado na reunião e manteremos contato com vocês”.
























