Com três meses de greve os técnico-administrativos das universidades federais promoveram na tarde desta terça-feira, 30 de junho, mobilização em Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro. A pressão é para o cumprimento do acordo de greve assinado pelo governo em 2024.

Esta foi mais uma mobilização dos trabalhadores nas ruas, já sob os ares dos movimentos de greve dos rodoviários do Rio e das ações das centrais sindicais, movimentos sociais e sindicatos pelo fim da escala 6 x 1 cujo projeto está parado no Senado. Pela manhã os rodoviários tomaram as ruas do centro do Rio e houve passeata na Avenida Brasil pelo fim da escala 6 x 1 cujo projeto está parado no Senado.

Ato e caminhada

O ato unificado que reuniu trabalhadores da educação das universidades UFF, UFRJ, Unirio e Rural, foi realizado em frente ao Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap) no centro de Niterói, com caminhada pela Avenida Amaral Peixoto até as Barcas onde o ato foi encerrado. A mobilização contou também com estudantes e professores.

O movimento paredista dos trabalhadores em educação tem realizado esses atos unificados em locais simbólicos de luta e sempre levando informação à população.

Já houve mobilização na Uerj, cuja universidade tem sido ameaçada de fechar e seus trabalhadores tiveram seus salários congelados, como também mobilização no hospitais universitários Gafrée Guinle, da Unirio (que está sendo fechado) e no Clementino Fraga Filho, da UFRJ. Os hospitais universitários deixaram de ser geridos pelas universidades passando para a administração da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), o que trouxe problemas para os servidores RJU e até mesmo para o atendimento do SUS, como no caso do Antônio Pedro e do Clementino Fraga. Por isso a escolha desta vez pelo Huap.

O Sintufrj representado por dirigentes e militantes reforçou o ato em Niterói. Os coordenadores do sindicato, Nivaldo Holmes, Luciano Batista, Luciana Borges e Hilem Moisés, falaram sobre a etapa do movimento na UFRJ reafirmando que a greve só termina com a assinatura da regulamentação do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC) – um instrumento que valoriza a carreira e o servidor – sendo uma das prioridades do acordo de greve para a categoria da UFRJ.

Nivaldo e Luciano pronunciaram-se no início do ato em frente ao Huap. Luciana falou ao longo da passeata pela Avenida Amaral Peixoto e Hilem Moisés deu o recado do Sinttufrj ao fim do ato nas Barcas.

A coordenadora do Sintufrj, Luciana Borges, denunciou os sucateamento das universidades e a falta de orçamento para saúde e educação

Dia 1º de julho, esta quarta-feira, os técnicos-administrativos em educação da UFRJ se reunirão em assembleias simultâneas no Fundão, Macaé e Praia Vermelha para avaliar a conjuntura e dar encaminhamentos para o movimento grevista. O governo precisa cumprir os eixos prioritários do movimento e mantenha os prazos acordados nos grupos de trabalho. Isso depois de dois anos da publicação do acordo de greve e aos 125 dias da greve nacional da Fasubra e 111 dias da greve na UFRJ.

O coordenador-geral do Sintufrj, e de Comunicação da Fasubra Francisco de Assis produziu um vídeo em que chamam atenção para a análise de conjuntira e recomenda a leitura do Informe de Greve número 16 da Fasubra com a análise aprofundada do Comando Nacional de Greve para um bom debate na assembleia.

Francisco destaca que a categoria conseguiu um canal de diálogo com o MEC, e que é preciso reforçar a luta e a mobilização para garantir a conquista da aceleração da progressão por capacitação para os aposentados com paridade e integralidade, da mesma forma que é preciso garantir a publicação do decreto do Reconhecimento de \Saberes e Competências. Ele concluiu ponderando que é importante ainda manter a unidade para uma saída unificada e convoca a categoria para a assembleia desta quarta-feira.

Veja o que disse o coordenador:

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Veja trechos do IG 16 da Fasubra

Para ler a íntegra clique em  IG16.2026

Sobre as mudanças pontuais no quadro conjuntural que envolve a categoria podemos evidenciar:

  • Abertura de um canal de negociação com o Ministério da Educação para tratar dos pontos do acordo de greve de 2024 ainda não cumpridos, estabelecendo a perspectiva de um cronograma permanente de debates.
  • Aceleração da progressão na carreira de aposentados e pensionistas com paridade e integralidade que ainda não se encontram no topo da carreira, corrigindo uma grave distorção produzida em 2025, quando esse direito foi assegurado apenas aos trabalhadores em exercício.
  • Assumido o compromisso do MEC, ainda não assegurado, de orientar as Instituições Federais de Ensino sobre uma interpretação ampliada do conceito de “público externo”, criando as condições para que a ampla maioria da categoria possa acessar a jornada flexibilizada de 30 horas semanais, sem redução salarial.
  • Compromisso do MEC em promover a revisão da regulamentação das escalas de trabalho 12×60, restando a inclusão de vigilantes e de outros segmentos que atuam nesse regime.
  • Publicação da Portaria MEC nº 549 de 15 de junho de 2026, que institui o Grupo de Trabalho com o objetivo inicial de apresentar em até 90 dias, subsídios e propostas para o aprimoramento de mecanismos de participação e gestão democrática nas Instituições Federais de Ensino Superior, conforme consta no Acordo de Greve de 2024.
  • Proposição de um grupo de trabalho com o objetivo de realizar o levantamento do financeiro necessário para o reposicionamento e inclusão dos 215 trabalhadores que ainda não estão no PCCTAE.
  • Iminente publicação do decreto de regulamentação do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC), uma reivindicação importante dos trabalhadores técnico administrativos em educação e uma importante ferramenta de valorização profissional, se configurando como mais um processo de aperfeiçoamento do PCCTAE, entre tantos outros que ocorreram durante os últimos 21 anos desde a promulgação da lei 6 IG 16/2026 11091/2005.
  • Ainda sobre a greve, o Informe de Greve publicado na semana anterior, também alerta que:

  • A greve nacional da FASUBRA ingressa em uma nova etapa, em virtude do desgaste acumulado após mais de três meses de mobilização, a ausência de adesão ao movimento de importantes entidades filiadas à Federação, a manutenção do isolamento da categoria e o avanço de iniciativas de judicialização da greve, com ameaças de corte de ponto, imposição de reposição compulsória de horas não trabalhadas e aplicação de multas (mecanismos coercitivos impostos pelo Ministério Público Federal, típicos do Estado brasileiro de contrainsurgência), exigem uma avaliação política responsável e comprometida com a preservação das forças do movimento.
  • A greve ainda possui reivindicações que não foram atendidas em virtude da intransigência política do governo federal, mas que não estão esquecidas pela FASUBRA, como o reconhecimento dos médicos e médicos veterinários como parte da categoria e de todo acordo assinado, entre outros pontos.
  • Alcançados os 124 dias de greve, faz com que essa movimentação da FASUBRA se configure como uma das mais longevas greves protagonizadas pela categoria, e que a tarefa colocada para este momento é a de consolidar as conquistas alcançadas e garantir a efetivação dos compromissos assumidos pelo governo via MEC e Casa Civil, como a regulamentação do RSC, e insistir na busca pela preservação da unidade política e a capacidade de luta de nossa categoria. (…)
  • (…) nunca é demais ressaltar que qualquer outra candidatura da extrema direita citada nesse texto representa ameaça direta às liberdades civis e democráticas e a aplicação de um programa político ultraliberal na economia, com ameaça de maior envergadura a sobrevivência do caráter público, com autonomia didático-científica, das Instituições Federais de Ensino, e repressor nos costumes e modos de vida. Dito de outra forma, a extrema direita é o grande inimigo a ser combatido pela classe trabalhadora nesse segundo semestre, nas ruas e nas urnas.
  • (…) ainda persiste a tramitação no Congresso Nacional da PEC e do Projeto de Lei que tratam do fim da escala 6×1, e que as organizações populares e de juventude convocam para o dia 30 de junho de 2026, um grande ato nacional pelo fim da escala 6×1. Simultaneamente a essa luta progressiva que coloca no centro da agenda política do país, a possibilidade de ampliação de direitos a partir do fim da escala 6×1; se mantém preservada a força política e ideológica da extrema direita nas estruturas do Estado brasileiro, na sociedade civil e no mundo virtual.
  • A partir de todas as considerações registradas acima, o Comando Nacional de Greve da FASUBRA orienta:

  • Que os Comandos Locais de Greve e as Assembleias analisem o que já foi conquistado, as perspectivas de conquistas a curto e médio prazo de lutas para garantir os itens ainda não contemplados com o nosso movimento de greve.
  • Que os Comandos Locais de Greve e as Assembleias analisem e ponderem qual o nível de força de nossa luta frente à retaliação imposta pelo poder judiciário do estado de Minas Gerais contra 4 entidades filiadas à FASUBRA e pela ausência de perspectivas de novas entidades filiadas e entidades nacionais se somarem à greve de nossa Federação.
  • Que os Comandos Locais de Greve contribuam com os movimentos populares e de juventude na construção dos atos públicos pelo fim da escala 6×1, que ocorrerem nas respectivas localidades.
  • O Comando Nacional de Greve orienta as Entidades a realizarem um dia de mobilização em defesa da implementação da aceleração para os aposentados (as) e pensionistas com entrega de documento, tendo como base o ofício (…) do MGI, para as Pró Reitorias e Reitorias.
  • O Comando Nacional de Greve da FASUBRA orienta que os comandos locais de greve e assembleias realizem um debate amplo, democrático e responsável, analisando o fôlego da greve, mantendo atenção às movimentações políticas por parte da Casa Civil e do MEC e à avaliação do Comando Nacional de greve no decorrer das próximas semanas, pois, no momento oportuno, o comando indicará o caminho de desfecho do nosso movimento, preservando a unidade da categoria e sua capacidade de luta. Brasília, 26 de junho de 2026 Comando Nacional de Greve da FASUBRA

 

ASSEMBLEIA SIMULTÂNEA DOS TÉCNICO-ADMINISTRATIVOS DA UFRJ

Nesta quarta-feira, 1º de julho, às 10h, participe da Assembleia Simultânea que reunirá a categoria nos campi do Fundão, Praia Vermelha e Macaé para debater os próximos passos da mobilização.

📍 Locais: • Fundão: Espaço Cultural • Praia Vermelha: Auditório de Reunião da Decania (2º andar da Decania do CFCH) • Macaé: Auditório do Bloco B do Centro Multidisciplinar

📌 Pauta: • Avaliação da greve; • Discussão e deliberação sobre o Fundo de Greve.
A participação de todas e todos é fundamental para fortalecer as decisões coletivas e definir os rumos da luta da categoria.

✊🏽 Participe, fortaleça a mobilização e ajude a construir os próximos passos da nossa greve!

➡️ Acompanhe as notícias, informes e a cobertura completa da mobilização em nosso site: www.sintufrj.org.br⁠�.

 

 

  • Quarta-Feira
  • 1 JUL – 10h

 

FUNDÃO: Espaço Cultural

PRAIA VERMELHA: Auditório do segundo andar da Decania do CFCH

MACAÉ: Auditório do Bloco B do Centro Multidisciplinar

PAUTA: Avaliação da Greve e discussão/deliberação sobre fundo de greve