Na manhã desta quinta-feira, 11 de setembro, segundo dia da paralisação nacional, os técnicos-administrativos em educação da UFRJ, mobilizados pelo Sintufrj, realizaram um ato de profundo simbolismo e solidariedade: uma doação de sangue coletiva no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF).
A iniciativa atende à indicação da Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra) e faz parte da agenda de mobilizações da categoria, que foi aprovada em assembleia geral da base do Sintufrj realizada na última segunda-feira.
O gesto de doar sangue, em meio à luta por direitos, carrega uma mensagem poderosa: a defesa da vida e do Sistema Único de Saúde (SUS). Enquanto o governo federal ameaça os serviços públicos com cortes orçamentários e propostas como a Reforma Administrativa, os trabalhadores respondem com um ato que reforça a importância vital de um hospital universitário para a população.
Presente no ato, o coordenador-geral do Sintufrj, Francisco de Assis, destacou o caráter político e humano da mobilização.
“Essa doação simbólica é um ato de amor pela vida, um ato de amor em defesa do serviço público e um ato de amor para fortalecer a nossa luta para garantir os direitos de nossa categoria, contra a reforma administrativa e pelo cumprimento integral do acordo de greve”, declarou o coordenador.
Num ambiente de decisão do STF condenando o ex-presidente Bolsonaro e a cúpula golpista, trabalhadores públicos marcharam em defesa de direitos: a denúncia do projeto de Reforma Administrativa articulada no Congresso esteve no centro do protesto.
Quem conhece o Centro de Referência para Mulheres – Suely Souza de Almeida (CRM-SSA) da UFRJ? E sabe sobre o seu importante trabalho voltado para enfrentar e prevenir a violência de gênero? E que promove o fortalecimento da cidadania das mulheres através de ações individuais (atendimento e acompanhamento social e psicológico) e globais (oficinas, cursos, rodas de conversa, entre outras atividades)? O Grupo de Trabalho (GT) da Mulher do Sintufrj foi nesta quinta-feira, 11, visitar e conhecer o CRM.
O GT foi recebido por duas integrantes da equipe técnica do CRM, a assistente social, Bárbara Zilli Haanwinckel, e a psicóloga, Natália Romano. A equipe total é reduzida, como outras unidades da UFRJ sofre com falta de pessoal, mas realiza um trabalho rico e qualitativo. Após apresentação inicial de todas as participantes do GT, as profissionais do CRM fizeram minuciosa exposição dos trabalhos e das atividades do Centro de Referência e logo após levaram as integrantes do GT para conhecer as amplas e modernas instalações do prédio construído em 2016 e localizado próximo à Praça da Prefeitura da UFRJ, na Cidade Universitária, Ilha do Fundão.
Bárbara e Natália enfatizaram o interesse do GT Mulher do Sintufrj e informaram que o CRM está aberto a parcerias e atividades ligadas ao universo das mulheres. “É muita alegria ouvir a trajetória de vocês, porque a gente se mira assim, e nossa, a gente tem ainda uma longa trajetória pela frente. Eu tenho muito orgulho de estar na UFRJ e ouvir a história de vocês que é incrível. A gente passa percalços aqui para conquistar mais coisas e para esse local ainda permanecer na sua finalidade. Então, vocês estarem hoje aqui com a gente é muito simbólico”, afirmou Bárbara.
O centro oferece serviços de apoio e acolhimento a mulheres em situação de vulnerabilidade, incluindo também estudantes, técnicas e professoras. O CRM-SSA se destaca por sua abordagem holística, que inclui ensino, pesquisa e extensão, além de promover atividades comunitárias e de acesso à cultura. O atendimento é agendado por telefone ou WhatsApp, e o espaço busca criar um ambiente de paz e sigilo para as mulheres, com várias salas de atendimento que proporcionam conforto e segurança.
A equipe técnica explicou que a violência contra a mulher pode ocorrer de diversas formas (física, patrimonial, psicológica). Pode atingir qualquer mulher, inclusive as que trabalham com a questão de gênero. Por isso, ressaltaram a importância de um olhar diferenciado e a necessidade de acolher as vítimas, tanto dentro quanto fora da universidade. Apresentaram o trabalho da oficina que oferece apoio através da dança e promoção do bem-estar, com relatos positivos das participantes. Além disso, realiza parcerias como a com o Espaço Saúde do Sintufrj e a realização de atividades como rodas de conversa e cursos, enfatizando a importância de manter essas iniciativas e buscar novas parcerias para oferecer suporte às mulheres.
Dentre as atividades existe o Grupo Reflexivo que são encontros mensais com mulheres que tenham interesse em discutir temas relacionados às questões de gênero, tendo como finalidade buscar elevar a autoestima e fortalecer as participantes assim como desconstruir alguns estereótipos relacionados aos papéis sociais historicamente destinados aos homens e mulheres. O grupo tem como objetivo aumentar a consciência crítica sobre direitos individuais e coletivos.
“O foco do grupo é que a gente possa refletir a nossa realidade enquanto mulher e a partir disso pensar em caminhos, pensar como a realidade afeta a gente, como a gente afeta a realidade, e o que podemos fazer sobre isso. O foco no CRM de acordo com a norma técnica é a violência, mas não é a única coisa que ele faz. O atendimento é fundamental, mas se não pensarmos na estrutura que leva as violências acontecerem estaremos sempre enxugando gelo. Precisamos de uma transformação estrutural, social. Essa estrutura que leva as mulheres a serem agredidas diariamente. Por isso trabalhamos atividades coletivas”, explicou a psicóloga Natália Romano.
O CRM promove o curso “Enfrentando a Violência de Gênero Contra as Mulheres”, um curso de extensão com 5 edições. A proposta é fomentar o debate para fortalecer o conhecimento dos profissionais em relação à identificação da violência contra a mulher e informar procedimentos de orientação e encaminhamento aos serviços que integram a rede especializada de atendimento às mulheres em situação de violência de gênero.
Há o Cine debate, o projeto realiza cine debates presenciais e online, com filmes e debates sobre temas como violência, crimes cibernéticos, padrões de beleza, e ligado à vida das mulheres. Os eventos contam com a participação de convidados. O acesso é on line, a sala de exibição e filmes está com o ar condicionado central inoperante, e assim os debates são gravados e disponibilizados no YouTube.
Segundo a assistente social, Bárbara Zilli Haanwinckel, o foco é a prevenção: o projeto busca ampliar o acesso a informações e direitos, complementando o atendimento às mulheres e promovendo a prevenção. Para o próximo evento a equipe pretende exibir filme com a temática sobre estelionato sentimental.
Para mais informações o Centro de Referência para Mulheres – Suely Souza de Almeida (CRM-SSA) da UFRJ está nas redes sociais Facebook, Instagram e Youtube @crmssa. Seus telefones são (21) 3938-0600 / (21) 3938-0603 (Whatsapp). Email: crmssa.ufrj@gmail.com
Os CRMs
O Centro de Referência para Mulheres – Suely Souza de Almeida e o Centro de Referência de Mulheres da Maré – Carminha Rosa (CRMM-CR), da UFRJ, são integrantes da Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres e estão vinculados ao Núcleo de Estudos de Políticas Públicas em Direitos Humanos – Suely Souza de Almeida (Nepp-DH), que integra a estrutura organizacional do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Os dois Centros de Referência (CRM-SSA e CRMM-CR) são de grande relevância para a população em geral, principalmente se considerarmos que na região metropolitana do Rio de Janeiro existem somente quatro centros de referência especializados de atendimento às mulheres atualmente.
Os Centros buscam fortalecer a noção de cidadania das mulheres com vistas aos Direitos Humanos, oferecendo atendimento integral, acompanhamento e orientações para as mulheres que sofrem, sofreram ou que estão ameaçadas de violência, além de buscarem a superação do quadro de violência por via de uma perspectiva emancipatória.
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