Depois de duas longas sess√Ķes — na quarta-feira, 17 e na sexta-feira, 19, e mais de 15 horas de debates –, o Conselho de Ensino de Gradua√ß√£o (CEG) da UFRJ deliberou que a universidade adotar√° o ensino remoto ou outras atividades pedag√≥gicas n√£o presenciais, como solu√ß√£o durante a pandemia viral.

Uma das preocupa√ß√Ķes da universidade √© com os alunos em final de curso. Por essa raz√£o, as Normas Complementares aprovadas definem que a inst√Ęncia acad√™mica respons√°vel pelo curso poder√° oferecer disciplinas obrigat√≥rias, de escolha restrita, de escolha livre e condicionadas e atividades de orienta√ß√£o de trabalho de conclus√£o de curso prioritariamente aos potenciais concluintes da gradua√ß√£o, sem preju√≠zo da oferta para outros estudantes.

Calend√°rio
Depois da publicação da resolução aprovada, o CEG deverá elaborar, em 15 dias, uma proposta de calendário acadêmico referente a este período, que seguirá para a apreciação do Conselho Universitário. De acordo com a resolução do colegiado, docentes e estudantes não são obrigados a aderirem às atividades pedagógicas não presenciais.

Histórico
A resolu√ß√£o aprovada pelo CEG no dia 17 de junho, autoriza a UFRJ a realizar atividades pedag√≥gicas n√£o presenciais, mediadas ou n√£o por tecnologias digitais de informa√ß√£o e comunica√ß√£o, enquanto persistirem as restri√ß√Ķes para o isolamento social, e que ser√£o estabelecidos Per√≠odos Letivos Excepcionais (PLE).
E para assegurar a não obrigatoriedade de adesão às atividades pedagógicas não presenciais para os corpos docente e discente, o CEG autorizou, em caráter excepcional, enquanto perdurarem as medidas de isolamento social, alternativas como o trancamento de disciplinas e de matrículas e a não reprovação por frequência.

A resolu√ß√£o levou em conta as demandas apresentadas pelos estudantes e pelas inst√Ęncias respons√°veis pelo ensino de gradua√ß√£o, an√°lises do grupo de estudo (GT) do CEG e a necessidade de padroniza√ß√£o dos procedimentos.

Limites n√£o determinados
Na sess√£o do dia 19, o CEG aprovou a resolu√ß√£o complementar com a inclus√£o da express√£o “sem preju√≠zo da oferta para outros estudantes”. Essa delibera√ß√£o foi aprovada com 14 a favor, 2 contr√°rios e tr√™s absten√ß√Ķes. Alguns criticaram a decis√£o por n√£o se debru√ßar sobre a dificuldade de acesso de muitos estudantes aos meios digitais.

A estudante Ant√īnia Veloso explicou que se absteve porque achou que houve incoer√™ncia no processo, j√° que a discuss√£o do ensino remoto se deu para resolver, primeiro, a urg√™ncia dos formandos, mas houve mudan√ßa em cima da hora. “No final das contas tem uma resolu√ß√£o que abre para diversos entendimentos, quando deveria ter um foco, os formandos, e a garantia do acesso. A resolu√ß√£o n√£o garante o acesso √†s atividades acad√™micas remota a todos os estudantes para que as aulas sejam iniciadas‚ÄĚ.

“√Č muito complicado que este conselho n√£o delibere sobre a n√£o acessibilidade dos estudantes √†s aulas remotas”, disse o estudante Nahan Rios. “N√≥s sempre fomos a favor da democratiza√ß√£o do acesso”, frisou. Para ele, a minuta vai na contram√£o da democratiza√ß√£o ao deixar diversos estudantes para tr√°s.

Para a coordenadora de Educa√ß√£o, Cultural e Forma√ß√£o Sindical do Sintufrj e representante dos t√©cnicos-administrativos no CEG, Damires Fran√ßa, a proposta de ensino remoto deveria ter sido melhor discutida. “De certa forma foi uma discuss√£o apressada, mas houve uma press√£o dos estudantes, porque o pleito √© leg√≠timo e importante para os formandos. Por√©m, nem se chegou a discutir o que √© ensino remoto e o que √© educa√ß√£o √† dist√Ęncia e se vai implementando uma coisa pouco refletida”, observou a dirigente.

“Nos preocupa a manuten√ß√£o da qualidade no ensino remoto, como tamb√©m garantir o acesso de todos os estudantes √†s atividades pedag√≥gicas nestas condi√ß√Ķes. Segundo a pr√≥-reitora de Gradua√ß√£o tudo isso √© prioridade‚ÄĚ, concluiu Damires.

O representante t√©cnico-administrativo no CEG, Luiz Felipe, justificou seu voto contr√°rio √† resolu√ß√£o alegando que ‚Äúestamos, sim, abrindo m√£o de estudantes que ter√£o in√ļmeras dificuldades para acessar o ensino remoto”, o que para ele isso pode gerar reten√ß√£o, evas√£o e exclus√£o. ‚ÄúAntes de pensar em se resolver a quest√£o de forma atabalhoada, a primeira pergunta que deveria ser feita era ‚ÄúComo a gente chega a estes estudantes?”‚ÄĚ

Trabalho presencial
Uma das altera√ß√Ķes aprovadas no texto da resolu√ß√£o do CEG foi no artigo que determinava que todos os atos acad√™micos, durante este per√≠odo, dever√£o acontecer preferencialmente com o uso de Tecnologias de Informa√ß√£o e Comunica√ß√£o (TIC). Isso porque, antes, no lugar de “dever√£o preferencialmente” constava a express√£o “poder√°”, que poderia implicar na necessidade de convoca√ß√£o de trabalho presencial. A mudan√ßa foi uma tentativa da bancada t√©cnico-administrativa no colegiado de resguardar a categoria, docentes e estudantes para que n√£o se desloquem at√© a universidade, salvo para servi√ßos essenciais.

Segundo Damires, ‚Äúse o ensino remoto fosse somente para os formandos, a demanda n√£o seria t√£o grande, mas abrindo para todos os estudantes √© mais complexo e vai demandar trabalho presencial‚ÄĚ. Ela como exemplo quem trabalha na coordena√ß√£o dos cursos, caso em que ser√° necess√°rio lidar com informa√ß√Ķes que constam nas pastas de cada aluno. Como tamb√©m no caso de emiss√£o de diplomas ou de protocolos.

 

 

 

O planejamento do retorno gradual das atividades na UFRJ apresentado na sexta-feira 19 pelo GT P√≥s-pandemia prev√™ cinco fases com a√ß√Ķes at√© 2021. A primeira fase j√° foi considerada conclu√≠da, entre mar√ßo e abril. A fase 2 est√° em curso. O plano foi apresentado pelo pr√≥-reitor Eduardo Raupp e indica diretrizes cujo desdobramentos devem ser referendados pelos colegiados superiores da universidade. Segundo o pr√≥-reitor, o GT tem car√°ter consultivo, e o documento est√° sendo trabalho pela Administra√ß√£o Central como uma orienta√ß√£o geral sobre as fases de retorno.

Fase 1
A Fase 1 se deu entre mar√ßo e abril, com as medidas emergenciais, como a formula√ß√£o do plano de conting√™ncia, a continuidade do GT Coronav√≠rus, o in√≠cio do trabalho remoto, aquisi√ß√£o de insumos, adequa√ß√£o das estruturas hospitalares e testagem dos profissionais de sa√ļde e membros da comunidade universit√°ria.

Fase 2
A Fase 2, para os meses abril, maio e junho (atual), prevê a continuidade das atividades essenciais presenciais e do trabalho remoto, colação de grau e bancas de defesa remotas, estudos para o ensino e trabalho remoto e para acesso de estudantes e servidores à internet e a necessidade de equipamentos, com treinamento de estudantes, professores e técnicos para uso de tecnologias para ensino, pesquisa, extensão e trabalho remoto. Também será necessário identificar atividades práticas essenciais em ensino, pesquisa e extensão.

Fase 3 – Ensino remoto
Na fase 3, de julho a setembro, prev√™ ensino remoto na gradua√ß√£o e na p√≥s-gradua√ß√£o e medidas de biosseguran√ßa para a atividades presenciais essenciais em disciplinas e pesquisas, adequa√ß√£o da infraestrutura de ensino e trabalho; prossegue o trabalho remoto em √°reas n√£o essenciais e haver√° transporte ampliado e apoio √† sa√ļde mental.
Entre os requisitos institucionais para atividade remota ou presencial est√° a necessidade de defini√ß√Ķes dos conselhos superiores, garantia de insumos para higieniza√ß√£o, de EPIs e readequa√ß√£o dos servi√ßos de limpeza, a exist√™ncia de Postos de Triagem, testagem e rastreabilidade, garantia de servi√ßos essenciais de alimenta√ß√£o e transporte e acesso √†s plataformas de ensino.

Fase 4 – Volta gradual
De outubro a dezembro, a fase 4 prevê a ampliação do funcionamento presencial dos laboratórios e início gradual de aulas presenciais na graduação e na pós-graduação com rodízio e ensino híbrido, assim como a retomada do trabalho presencial para servidores fora dos grupos de risco.
Esta fase conta ainda com avalia√ß√£o de sintomas da comunidade universit√°ria em atividades presenciais com testagem e rastreabilidade; medidas de biosseguran√ßa, reuni√Ķes de trabalho de forma remota, transporte ampliado, apoio √† sa√ļde mental.
Requisitos epidemiol√≥gicos – Para isso, prosseguem a necessidade dos mesmo requisitos institucionais apontados na fase 3, acrescidos de requisitos epidemiol√≥gicos para atividades n√£o essenciais como a avalia√ß√£o, pelo GT Coronav√≠rus, de fatores como a taxa de cont√°gio, n√ļmero de casos, de √≥bitos, taxa de ocupa√ß√£o de leitos (de enfermaria) e de leitos de UTI.

Fase 5 РCom vacina ou medicação
Na Fase 5, que ser√° em 2021, o estudo aponta a necessidade de medidas de avalia√ß√£o de sintomas da comunidade universit√°ria com testagem e rastreabilidade; ado√ß√£o medidas de biosseguran√ßa e campanhas de preven√ß√£o para o trabalho e aula presenciais e apoio √† sa√ļde mental.
Só que, entre os requisitos epidemiológicos para atividades presenciais não-essenciais está a existência e disponibilidade de vacina ou medicação contra a Covid-19.

Subgrupos
O GT prossegue no plano de fases com a constituição de subgrupos temáticos. O prazo inicial para publicação das medidas por tema é 3 de julho. Será enviada circular para unidades recomendando a constituição de GTs ou comitês locais, a elaboração de medidas específicas de acordo com as fases e envio ao GT.

 

 

A C√Ęmara de Pol√≠ticas Raciais da UFRJ divulgou nota indignada repudiando o √ļltimo ato do ex-ministro da Educa√ß√£o, Abraham Weintraub. Ele¬† revogou a portaria estendendo as a√ß√Ķes afirmativas (cotas) para os cursos de p√≥s-gradua√ß√£o nas universidades federais. Segundo a nota, a atitude do ex-ministro √© ‚Äúde clara incompreens√£o da realidade do povo brasileiro.‚ÄĚ O texto ressalta que ‚Äúa revoga√ß√£o da portaria, publicado no dia 18 de junho de 2020, demonstra o ardil intento do referido ex-ministro que, em atitude t√≠pica dos covardes, promove um √ļltimo ato racista na mesma data em que √© destitu√≠do do cargo que ocupara nos √ļltimos 14 meses. Uma gest√£o marcada por erros de toda sorte, mediocridade intelectual e vilania institucional, cujo momento mais esperado e, portanto, mais comemorado foi o seu fim.‚ÄĚ

O Conselho de Ensino para Graduandos da UFRJ (CEPG) foi na mesma linha e aprovou mo√ß√£o de rep√ļdio ao ato de Weintraub: a iniciativa da mo√ß√£o foi da Associa√ß√£o de P√≥s-Graduandos (APG) da universidade.¬†

A portaria revogada por Weintraub, no dia 16 de junho, era de quatro anos atr√°s. O objetivo era estimular a inclus√£o de pessoas negras, ind√≠genas e com defici√™ncia f√≠sica. ‚ÄúQueremos aproveitar esse momento em que esse tema ganhou proemin√™ncia para pautar a necessidade de avan√ßarmos mais nas pol√≠ticas de a√ß√Ķes afirmativas na p√≥s-gradua√ß√£o. Foi o que propomos tamb√©m na mo√ß√£o aprovada‚ÄĚ, disse a dirigente da APG, Kemily Toledo.¬†

Na mo√ß√£o aprovada, o conselho destaca: ‚ÄúO CEPG/UFRJ se compromete a avan√ßar neste debate urgente, solidarizando-se com as mobiliza√ß√Ķes antirracistas das √ļltimas semanas no Brasil e em outros pa√≠ses. Este conselho reafirma a import√Ęncia da promo√ß√£o de pol√≠ticas de a√ß√Ķes afirmativas no √Ęmbito da p√≥s-gradua√ß√£o, em conson√Ęncia com o posicionamento j√° adotado em sua resolu√ß√£o 03 de 2018. Tamb√©m considera este conselho que tais pol√≠ticas s√£o indispens√°veis para o exerc√≠cio da democracia e da fun√ß√£o social das institui√ß√Ķes p√ļblicas de ensino, cujos anseios devem caminhar sempre no sentido de aperfei√ßoar seus mecanismos de inclus√£o social‚ÄĚ.

 

 

 

 

A Universidade Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) anunciou que ir√° realizar audi√™ncia p√ļblica on line para que a comunidade universit√°ria se manifeste sobre o retorno remoto das atividades acad√™micas enquanto durar a quarentena pela Covid-19.¬†¬†

A proposta preliminar para os Estudos Continuados Emergenciais (ECE) foi publicada no dia 17 de junho e será apreciada pelos integrantes dos Conselhos dos Institutos (Consuni), Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) e Conselho Universitário (Consu). 

Ap√≥s estas reuni√Ķes ser√° elaborada uma segunda vers√£o do documento com as contribui√ß√Ķes geradas pelas audi√™ncias p√ļblicas com a comunidade universit√°ria.

‚ÄúEstamos discutindo o que est√° sendo chamado de ensino remoto emergencial em todos os conselhos. Foram criados quatro grupos de trabalho com representa√ß√£o de t√©cnico-administrativos, professores e estudantes. Oficialmente n√£o h√° um retorno definido, mas o nosso Comit√™ Covid j√° acenou com o que est√° sendo chamado de flexibiliza√ß√£o para um poss√≠vel retorno. No entanto, ainda n√£o estamos fazendo oficialmente a discuss√£o sobre o retorno ao trabalho presencial e nem de flexibiliza√ß√£o‚ÄĚ, explica a coordenadora-geral da Associa√ß√£o dos Trabalhadores em Educa√ß√£o da Unirio, Ivanilda Reis.