Em entrevista ao Brasil de Fato, a vereadora mais votada de Aracaju comemora o resultado das urnas: “Momento histórico”

Matéria retirada do Brasil de Fato. 

 

Um dia após o resultados das eleições, Linda Brasil não esconde o tom alegre em sua voz. Não é para menos: com 5.773 votos, a candidata do PSOL foi a vereadora mais votada de Aracaju, em Sergipe.

Linda se soma a outras 24 pessoas trans que foram eleitas em 22 municípios do país em um pleito histórico.

Em 2016, de acordo com levantamento da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), somente 8 candidatos chegaram às casas legislativas. Um aumento de 200%.

Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, Linda comemora o resultado das urnas. “Foi como se a população tivesse dado uma resposta a esse reacionarismo e ao fascismo que querem tomar conta. É muito simbólico, um momento histórico”, afirma.

Morando no centro da capital sergipana, ela conta que consegue ver a Câmara Municipal de Aracaju da janela de sua casa. Animada, Linda fala sobre os projetos e planos que ganharão vida naquele espaço que se tornará mais representativo em 2021, assim como em outras cidades brasileiras.

“É um sopro de esperança nesse momento conturbado da política brasileira. Um sopro de esperança para que outras pessoas comecem a acreditar na política, que não se desmotivem, que acreditem que podemos contribuir com a transformação da nossa sociedade”, diz.

Além de Linda, a Professora Duda Salabert (PDT) também foi a candidata mais votada em Belo Horizonte (MG).  Apesar do estado do Sergipe ser o primeiro do Nordeste e o segundo do Brasil em número de assassinatos de pessoas trans e travestis, de acordo com dados da Rede Trans de 2019, a vereadora relata que a campanha foi muito bem recebida pela população.

Para ela, a eleição expressiva das candidaturas trans abre caminho para a renovação do sistema político.

“Não tem mais volta. Isso mostra pra sociedade que não vamos voltar mais para as esquinas e nem para os armários. Chegou a nossa vez de ocupar os espaços que sempre nos foram negados. O significado disso tudo é que não vamos retroceder e que vamos provocar transformações efetivas na política do Brasil”, ressalta a ativista, que também é mestre em Educação.

Confira a entrevista na íntegra.

Brasil de Fato – Como recebeu a notícia de que se tornou a primeira vereadora trans e a candidata mais votada de Aracaju? O que sua eleição representa?

Linda Brasil – Foi surpreendente. Eu estava confiante porque já tinha sido candidata em 2016 e não fui eleita por causa da legenda. Em 2018 fui candidata a deputada estadual e tive uma votação expressiva, fui votada em todos os municípios.

Eu estava confiante mas quando fecharam as urnas e saiu que, além de ser eleita eu era a mais bem votada, foi como se a população tivesse dado uma resposta a esse reacionarismo e ao fascismo que querem tomar conta.

É muito simbólico, um momento histórico. Estou aqui sem encontrar uma palavra para definir o que está acontecendo não só comigo mas no Brasil com 25 pessoas trans.

É um sopro de esperança nesse momento conturbado da política brasileira. Um sopro de esperança para que outras pessoas comecem a acreditar na política, que não se desmotivem, que acreditem que podemos contribuir com a transformação da nossa sociedade.

A minha eleição e as de outras pessoas trans no país todo representam uma renovação. O início de uma transformação efetiva na política brasileira que sempre foi dominada pelas mesmas elites e pelas mesmas pessoas.

É como se a população tivesse dado uma resposta ao reacionarismo e ao fascismo 

Ocupamos esses espaços que sempre nos foram negados, principalmente os espaços de decisão, e sendo uma mulher feminista, aguerrida, que não vai aceitar essa estrutura construída à base de tanto machismo, racismo, LGBTfobia, de tanta exploração e opressão.

Significa que é um novo momento na política brasileira, em especial aqui em Aracaju.

Foram duas capitais do Brasil com pessoas trans como as mais votadas. A Duda é professora, eu também. Lutadoras LGBTIA+. Isso é muito significativo e importante. É fantástico. Uma vitória gloriosa.

A base da LGBTfobia é a misoginia, o sexismo e a falta de educação

É uma responsabilidade muito grande. Nunca quis ocupar esse espaço por ocupar, para ser mais uma. Quero ocupar para fazer a diferença, para provocar a transformação e o diálogo. Ainda assim elegemos uma bancada conservadora aqui, pastores… mas vou tentar também, a partir do trabalho que já faço em escolas sobre conscientização, sensibilizar os parlamentares que se elegeram sobre a importância desse debate.

Sobre a importância da desconstrução do machismo, das discussões e estudos de gênero para diminuirmos a violência. Para mim, a base da LGBTfobia é a misoginia, o sexismo e a falta de educação.

Como mestre em Educação, posso contribuir com colegas e parlamentares, aqueles que estiverem abertos, evidentemente, para construirmos projetos nessa forma. Projetos inovadores, ligados à área dos direitos humanos no geral, focando na educação.

Só vamos construir uma sociedade que respeita os direitos humanos em uma sociedade com acesso à informação, em que se consiga pensar e refletir sobre papéis transformadores. Que possibilite às pessoas se empoderarem, terem consciência de seus direitos, da importância da luta, das políticas públicas que beneficiam toda a população.

É com esse sentimento que eu me coloquei na disputa e estou aqui para chegar no legislativo de Aracaju.

 

O Estado do Sergipe é o primeiro do Nordeste e o segundo do Brasil em número de assassinatos de pessoas trans e travestis, de acordo com dados da Rede Trans de 2019. Como sua campanha foi recebida na capital? Houve algum tipo de agressão, algum percalço?

[Minha eleição] é uma resposta a esse dado, a esse comportamento transfóbico que acontece em Sergipe. Mas a campanha, em geral, me surpreendeu. Além das redes sociais, em que focamos muito, estava receosa de ir nas ruas.

Mas quando ia no centro, região em que eu moro, toda vez que eu descia e estava com um cartaz em que bordei meu número, as pessoas vinham e me chamavam pra tirar foto.

Senti a necessidade de ir nos bairros da periferia, de conversar, de conscientizar sobre a importância de votar e tive uma receptividade incrível. Fui com medo em alguns bairros mas tive uma boa receptividade. E por isso esse resultado expressivo.

A questão da campanha não é só ir atrás de voto, é acreditar que o processo político pode despertar a consciência das pessoas sobre a importância do voto. O voto é nossa única arma para termos uma sociedade com garantia de direitos, votando em pessoas conscientes que vão apresentar e votar em projetos que beneficiem a todos.

:: Vereadoras negras e trans estão entre as candidaturas mais votadas em 13 capitais ::

Aqui na periferia temos uma dificuldade muito grande em relação ao saneamento básico, ao esgoto. Muitos bairros sem tratamento. E nós sabemos como um vereador pode contribuir para que as pessoas tenham o mínimo de condições de sobrevivência e de oportunidade.

Eu fui empurrada para viver na prostituição. Já me fingi de morta para sobreviver a ataques de violência que já sofri na vida. Estou com 47 anos e digo que sou sobrevivente. Já sobrevivi 12 anos porque a expectativa de vida da população trans no Brasil é de 35 anos.

Nosso sentimento é o de proporcionar, por meio da fiscalização e cobrando o Executivo, políticas públicas que deem oportunidade às pessoas. Que elas não precisem se expor tanto a fazer algo como eu fiz. E não fui [para a prostituição] de forma consciente, não tive escolha. Eu quero que as pessoas tenham escolha, que elas possam sonhar.

Quando comecei a assumir minha identidade de gênero, pensei na dificuldade que teria na minha vida. Antes disso eu tinha o sonho de ser arquiteta, sempre gostei de desenho, de criar. Esse meu sonho foi, de certa forma, quebrado. Ele sumiu, desapareceu.

Ser travesti, ser uma mulher trans, é um caminho para a prostituição. Eu achava que ser travesti era ser prostituta, fui iludida para isso. Não quero mais que as pessoas se iludam.

Já me fingi de morta para sobreviver a ataques de violência que sofri na vida. Estou com 47 anos e digo que sou sobrevivente. Sobrevivi 12 anos porque a expectativa de vida da população trans no Brasil é de 35 anos

Como muitas vezes acontecem com jovens que são evadidos de espaços escolares porque a educação não é um local acolhedor, que estimula a presença dos jovens. Temos muitos projetos pensando nisso, em dar oportunidade para que todos possam decidir os caminhos a seguir e termos uma sociedade com mais igualdade e justiça social.

E o que te levou a entrar para a política? Qual sua trajetória até chegar à Câmara de Aracaju?

Em 2013, quando sai da prostituição, eu fiz o Enem [Exame Nacional do Ensino Médio] e fui a primeira mulher trans a entrar na Universidade Federal de Sergipe [UFSE]. E quando eu entrei, no primeiro dia de aula, lembro como hoje, 5 de março de 2013, estava ansiosa sobre a questão do nome social.

Não tinha retificado ainda. Procurei a instituição para utilizar o nome social porque não queria ser constrangida, de me chamarem por um nome que não correspondia a minha identidade de gênero. E a instituição se negou, disse que o sistema puxava do CPF e me aconselharam a pedir a cada professor, em cada semestre, uma média de 7 a 8, que colocassem do lado meu nome social.

Fiquei indignada de ter que ficar explicando a situação mas foi isso que eu fiz. No primeiro dia de aula, foram 3 aulas. As duas primeiras foram professoras super receptivas. Uma delas já tinha percebido e por isso que é muito bom o professor ver as questões individuais dos alunos.

Mas o terceiro professor, quando fui conversar com ele sobre o uso do meu nome social, gritou bem alto na frente de quarenta alunos: “Mas se seu nome é esse, e gritou meu nome de registro antigo, como vou te chamar de Linda Brasil?” e repetiu o nome.

Aquilo me causou uma indignação tão forte que pensei: “Se está acontecendo em uma universidade pública federal, imagine o que não estava acontecendo no ensino médio e fundamental?”.

Eu processei a universidade e, por meio desse processo, acabou sendo criada uma portaria que regulamentou o uso do nome social. A partir daí comecei a entrar na luta estudantil para que outros estudantes tenham condição de se manter na universidade.

Entrei em um coletivo de mulheres de Aracaju e fui a primeira mulher trans a entrar em um coletivo de mulheres cis. Conheci militantes feministas de Sergipe, aguerridas, que faziam ato no 8 de março, na Marcha das Vadias e isso me incentivou.

Me despertou a necessidade de me filiar partidariamente. Eu tinha uma afinidade muito grande com o PSOL por causa do Jean Wyllis, Marcelo Freixo… parlamentares que fazem denúncias, que não querem reproduzir o sistema que está aí.

Eu nunca pensei em minha vida em ser política. Conhecendo as militantes feministas do PSOL, isso me incentivou. Em 2016 eu já me coloquei como candidata pela primeira vez como vereadora, tive 2.308 votos e não fui eleita por causa da legenda. Tive mais votos que quatro vereadores que foram eleitos.

Em 2018, fui candidata a deputa estadual, tive 10.107 votos e fui votada em todos os 75 municípios. E agora veio essa conquista histórica.

Quais serão as principais bandeiras do mandato e os desafios já sinalizados?

Eu estou comprometida com a Agenda Marielle Franco, desenvolvida pelo Instituto Marielle Franco, construída a partir das práticas políticas de seu legado. A agenda tem como base a questão dos direitos humanos, as políticas públicas em relação às mulheres, creches e turnos diferenciados, as bandeiras da população LGBT, da população negra e principalmente periférica.

E nisso as políticas públicas ligadas à arte serão desenvolvidas. Temos vários projetos na área da educação, para levar debates e discussões para toda a sociedade, não só para alunos, mas também professores e gestores precisam de informação, até mais que os próprios jovens.

Na campanha tive uma receptividade dos jovens muito grande. Desde que eu entrei na UFSE em 2013, faço palestras, debates, rodas de conversa.

Já participei em muitas escolas públicas e privadas no estado. Só o fato de entrar nesse espaço e conversar, os professores me davam o feedback de que começava um processo de desconstrução, de diálogo e de pergunta dos alunos.

São formas de levarmos não só de um jeito formal, dos conceitos, mas de levar a informação por meio da arte, que tem um poder muito grande de conscientizar, como a música e o teatro.

Outra questão é a da saúde, da garantia do Sistema Único de Saúde (SUS). Percebemos que aqui no município estão iniciando um desmonte do SUS em algumas unidades de saúde.

Temos também projetos ligados ao meio ambiente, como a questão das ciclovias, do transporte público, projetos ligados a passagem gratuita aos desempregados. A questão da moradia, faço um trabalho nas ocupações do MTST [Movimento dos Trabalhadores Sem Teto], tenho uma ligação com as pessoas que ali moram, principalmente mulheres e LGBTs dos acampamentos.

Uma coisa importante é que criamos um formulário na pré-candidatura. “O que você pensa para Aracaju?”. Através dele, várias pessoas que acreditavam e acreditam no nosso projeto, apoiadores, apresentaram sugestões, propostas, que foram catalogadas e filtradas.

O desafio é justamente fazer com que as pessoas voltem a acreditar na política

Junto com a Agenda Marielle, vamos ver projetos Brasil afora que deram certo e foram inovadores. Eu acredito em um mandato de forma coletiva, participativa, com diálogo para construirmos esses projetos. Não impô-los para a sociedade mas que possamos discutir com ela, principalmente nas periferias, quais são as demandas mais importantes para cada localidade e região.

O desafio é justamente fazer com que as pessoas voltem a acreditar na política. No processo da campanha eu senti que as pessoas estavam muito desacreditadas. “Todos são ladrões, ninguém presta, nada vai mudar”.

Também vamos promover muitas audiências públicas debatendo pautas importantes em que as pessoas possam se sentir ouvidas e partícipes do Legislativo. Que elas possam ocupar esses lugares e reivindicar políticas públicas para suas comunidades.

Qual a perspectiva para essa onda de diversidade na política em meio à forte presença da direita?

Não tem mais volta. Isso [as candidaturas eleitas] mostra pra sociedade que não vamos voltar mais para as esquinas e nem para os armários. Chegou a nossa vez de ocupar os espaços que sempre nos foram negados. O significado disso tudo é que não vamos retroceder e que vamos provocar transformações efetivas na política do Brasil.

 

Vereadora eleita, Benny terá o desafio de ampliar o debate de raça, classe e gênero na Câmara de Niterói – Foto: Rafael Lopes

Nesta quarta-feira, 18, a van do Sintufrj estará à disposição das trabalhadoras e trabalhadores do Instituto de Atenção à Saúde São Francisco de Assis (ex-Hesfa), das 10h às 16h. Com atendimento jurídico, administrativo, sobre convênios, entre outros serviços prestados à categoria pela entidade. Coordenadores sindicais estarão no plantão dialogando com os servidores.

Na quinta-feira, 19, a van do Sintufrj fará mais um plantão no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), das 10h às 16h.

 

O SINTUFRJ VAI ATÉ VOCÊ: os trabalhadores do Centro de Ciências da Saúde (CCS) foram os primeiros desta semana a serem atendidos pela van do Sintufrj

 

 

A Reitoria estendeu até 30 de novembro, o prazo para envio de contribuições coletivas ao Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI), que deveria ter sido encerrado no dia 13. A solicitação foi feita pelas entidades representativas dos três segmentos na universidade: Sintufrj, Adufrj e DCE Mário Prata. A nova data contempla também todo público interno da instituição e o público externo. 

Segundo o site do PDI (https://pdi.ufrj.br/consulta-publica/) a entidade ou grupo pode debater e responder um único formulário que retrate a opinião de todos. O prazo para as contribuições individuais, tanto para o público interno e externo, terminou conforme a data prevista: 13 de novembro. A previsão da Comissão Elaboradora do Plano é que o texto seja apresentado ao Conselho Universitário no dia 10 de dezembro.

O PDI é o planejamento estratégico das instituições federais de ensino para um período de cinco anos, mas o correto é que sejam revisados anualmente para incorporação de novas metas ou alteração das previstas. O último PDI da UFRJ foi feito em 2006 e está valendo até hoje, sem nenuma modificação.

Calendário

. Sujeito a modificações conforme o andamento das etapas previstas, informa a comissão.

2020

13/10 a 30/11 – Consulta pública (contribuições coletivas).

16/11 a 2/12 – ajustes após as contribuições da consulta pública.

1 a 4/12 – Leitura do texto pelo pró-reitor e pela Reitora.

7/12 – Envio ao Conselho Universitário.

10/12 – Apresentação no Conselho Universitário. 

2021

1 a 15 de fevereiro – Apreciação pelo Conselho Universitário.

16 de fevereiro a 2 de março – Ajustes oriundos das discussões no Conselho Universitário. 

Na primeira reunião, em março, o Conselho Universitário deliberará sobre o PDI. 

Até 30 de março – Edição final do texto do PDI e sua publicação.

Participação 

A comissão tabula regularmente as contribuições que chegam. Até o dia 11 de novembro, os números eram os seguintes:

Docente: 104

Técnico-administrativo: 97

Discente: 37

Público externo: 38

Coletivo (interno e externo): 6

Total de comentários: 282

Boa participação

De acordo coma Maria de Fátima Bruno de Faria, superintendente de Planejamento Institucional e responsável pela coordenação do grupo que elabora, monitora e avalia as propostas, integrantes da comissão especialistas em consultas públicas consideram expressiva o interesse do público interno e externo no PDI. Em muitos casos, ela informa, os comentários versavam sobre vários temas, embora se concentrassem em apenas um dos capítulos do formulário de contribuições. 

Maria de Fátima Bruno, superintendente de Planejamento Institucional

Nova consulta 

O PDI, segundo Maria de Fátima, tem que ser elaborado a cada cinco anos. O da UFRJ, de 2006, por estar atrasado impactaria em alguns aspectos a vida acadêmica e institucional. Como, por exemplo, na renovação de curso, na atribuição de pontuação da universidade nos programas de pós-graduação e graduação e no Plano de Desenvolvimento de Pessoas, entre outras situações. “Para a universidade é muito negativo não ter PDI”, diz a professora, “principalmente para a avaliação institucional externa”, alerta. 

O texto base do PDI levado para a consulta pública, segundo a superintendente foi elaborado por cerca de 10 a 20 pessoas, portanto, por várias mãos, das pró-reitorias, pelo Escritório Técnico e a Prefeitura Universitária. “Concluído todo o processo, a gente tem um PDI para submeter a todas as etapas de avaliação institucional”, afirma. 

Com o novo PDI em vigor, as metas serão revistas anualmente, adianta ela, que projeta para o futuro o estabelecimento de um canal permanente de interação para que a comunidade universitária contribua com a atualização necessária do plano. A proposta da superintendente é que logo após a aprovação do texto final do novo PDI da UFRJ, previsto para ocorrer no início de 2021, um novo processo de consulta ao público interno da universidade seja iniciado.

Serviço

Para conhecer a proposta do PDI ou participar da consulta pública com uma contribuição coletiva acesse: www.pdi.ufrj.br. A equipe também divulgou o e-mail pdi@pr3.ufrj.br que, segundo informaram, chega a todos os membros da equipe e as dúvidas são prontamente respondidas.

Formulário

Além de registrar o nome da entidade, grupo ou representação e o e-mail, quem acessa o formulário deve escolher os capítulos sobre os quais vai comentar entre os 13 temas expostos: perfil institucional, projeto pedagógico institucional, gestão e organização administrativa, perfil do corpo docente e de tutores de educação à distância, perfil do corpo técnico-administrativo, políticas de atendimento aos discentes, serviços terceirizados, infraestrutura e instalações acadêmicas, aspectos financeiros e orçamentários, entre outros. E há também espaço para mais comentários.

 

 

Nesse dia, às 15h, será transmitido pelo Facebook e Youtube da CUT Brasil, a live O racismo estrutural, a democracia racial e o papel dos sujeitos brancos. O ex-presidente Lula também vai mandar seu recado, assim como outras organizações, artistas e representantes de diversas entidades sindicais.  

Racismo estrutural, democracia racial e o papel dos sujeitos brancos são os três eixos da atividade online da CUT no Dia da Consciência Negra, quando também a Central celebrará os 10 anos do Estatuto da Igualdade Racial.

Serão duas horas de programação com cultura, música e muita informação de combate ao racismo e dados sobre a realidade da população negra no mundo do trabalho e na vida. A atividade será apresentada pelas secretárias de Combate ao Racismo da CUT, Anatalina Lourenço e Rosana Sousa Fernandes. O âncora será o jornalista e radialista, Andre Accarini.

Festival Brasil Que Lê

Do dia 7 e 28 de novembro, sempre às 19h, no Facebook e canal do Youtube da Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias, que promove o evento, o ‘Festival Brasil Que Lê’ celebra a arte, a leitura e a literatura. A programação é composta por oito lives com debates, poesias, artes e músicas evidenciando o Brasil indígena, negro, periférico, LBGTQIA+, da ciranda, do jongo, do carimbó, das bibliotecas comunitárias, dos movimentos sociais e culturais periféricos. 

Entre os convidados estão Bel Santos, educadora social e coordenadora do Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário (Ibeac); Lia de Itamaracá, mestra da cultura popular, rainha da ciranda e reconhecida como Patrimônio Vivo de Pernambuco; o escritor Daniel Munduruku e o cantor Chico César.

Participam também representando às bibliotecas comunitárias: Maria Chocolate do Rio de Janeiro, Victoria Dias e Lilian da Conceição da Bahia, Fábio Rogério de Pernambuco, Natália Reis e Leydmilla Alves da Baixada Fluminense do Rio de Janeiro, Suilan de Sá e Cris Lima de São Paulo, Eduardo Peixoto de Porto Alegre e Alana Lima de Belém. 

A transmissão online é gratuita. A Rede Nacional atua pela democratização do acesso ao livro, à leitura, à diversidade e às bibliotecas com atuação em diversas cidades do território brasileiro. São 119 bibliotecas da rede nas regiões Norte, Nordeste, Sul e Sudeste, que atendem um público médio de 30 mil famílias.

Virada da Consciência 2020

De 17 a 22 de novembro, na semana da Consciência Negra, a Universidade Zumbi dos Palmares promove a Virada da Consciência 2020. O evento será promovido via digital, com mesas de debates sobre o racismo estrutural e protagonismo negro em diversas áreas. O homenageado da virada será George Floyd e o tema, portanto será: É Floyds..! – Os joelhos invisíveis que estão por aí. 

O evento também contempla a Flink Sampa, que este ano homenageia Ruth Guimarães e trata sobre literatura e cultura negra. Confira a programação completa em: https://viradadaconsciencia.com.br/

Semana Respeita o Nosso Sagrado

No dia 18/11, quarta-feira, às 19h, Yá Meninazinha de Oxum e Babá Adailton de Ogum participam da live A trajetória da campanha Liberte O Nosso Sagrado. A mediação é dos diretores do documentário Nosso Sagrado, Fernando Sousa e Jorge Santana, que ficará com acesso liberado entre os dias 12/11 e 1º de dezembro. Transmissão é pelo canal do Youtube da Quiprocó Filmes.

A iniciativa faz parte da Semana Respeita o Nosso Sagrado, realizada em comemoração ao Dia Nacional da Consciência Negra, e reunirá lideranças religiosas do movimento Liberte Nosso Sagrado para falarem sobre a luta contra o racismo e o preconceito religioso. 

Os participantes contarão também o desenrolar da história da coleção que ainda leva o nome de Museu Magia Negra e o processo para libertar mais de 500 objetos sagrados que estavam há mais de 100 anos no antigo DOPs do Rio de Janeiro, e hoje já se encontram no Museu da República.

A Semana Respeita o Nosso Sagrado, produzida pela Quiprocó Filmes, conta com uma programação que envolve debate sobre a liberdade religiosa, memória e identidade das religiões de matrizes africanas. Além disso, haverá o lançamento do vídeo sobre o processo de assinatura do termo de cessão e a transferência dos objetos sagrados do Museu da Polícia Civil para o Museu da República.

Artistas Meritienses fazem live 

Klein e Marcos Lamoreux, ambos de São João de Meriti, fazem live no Dia da Consciência Negra, 20 de novembro, para falar sobre racismo e genocídio da população negra.

Durante a transmissão, Klein realizará um Graffiti enquanto discute assuntos como racismo, genocídio da população e encarceramento em massa. A programação vai ao ar no canal do cineasta Marcos Lamoreux no Youtube, onde é possível também encontrar alguns trabalhos realizados pelo artista.

A live se chama “É só uma pintura” e combina graffiti com outros elementos visuais. Dia 20 de novembro, às 20h. Confira no endereço https://youtube.com/MarcosLamoreux

 

 

Moradores relatam pane em equipamentos eletrônicos e até casas que pegaram fogo por conta da oscilação de energia

Matéria retirada Brasil de Fato. 

O estado do Amapá completa nesta terça-feira (17), 15 dias do apagão de energia elétrica que atingiu 13 dos 16 municípios do estado. A Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA) mantém o sistema de rodízio com o prazo de 26 de novembro para a normalização da energia.

A população, sobretudo da periferia, relata prejuízos financeiros como equipamentos eletrônicos queimados e até residências que pegaram fogo.

Na última segunda-feira (16) cerca de 37 geradores termelétricos levados de Manaus, no Amazonas, chegaram ao Amapá, pelo Rio Amazonas como solução temporária para o problema. A medida definitiva virá com o transformador trazido de Laranjal do Jari, que ainda está em trânsito para Macapá, segundo informações da Linhas de Macapá Transmissora de Energia (LMTE).

Prejuízos

Segundo Rozineide Cardoso, moradora da comunidade da 10ª Avenida do Congós, localizada em uma área de palafita, na periferia de Macapá, capital do estado, o racionamento de energia proposto pela CEA não cumpre o cronograma estipulado.

Ela, que é comerciante, e mora há mais de 20 anos no Congós relata ao Brasil de Fato que nunca imaginou viver uma situação como essa.

“A luz fica por três horas, depois ela vai embora e depois demora para voltar, principalmente à noite”, conta.

Cardoso afirma que sua renda caiu drasticamente tanto pela oscilação de energia, que impossibilita a venda de mercadorias, quanto pela insegurança já que não há clientes, porque os moradores se recolhem antes do anoitecer.

“Ficamos na escuridão, só na vela, e a gente tem que se recolher, porque somos obrigadas. Somos obrigadas a desligar tudo, porque a hora em que chega pode queimar os aparelhos e o prejuízo é para a gente. Ninguém faz nada. O povo amapaense está abandonado”, desabafa.

SOS Amapá

Nas últimas duas semanas, os moradores fizeram diversos protestos pela cidade, sendo dois deles em frente ao Palácio do Setentrião, sede do governo do estado. Nesta quarta-feira (18) acontecem mais dois protestos na zona sul, onde mora boa parte das pessoas da periferia da capital Macapá e em Santana, segunda maior cidade do estado.

Marta da Silva, militante do Levante Popular da Juventude, diz que os locais foram escolhidos justamente porque o racionamento em Macapá não chega até eles. “A ideia é mobilizar a população nessas duas manifestações simultâneas”, diz.

Daniel Lima, um dos organizadores do Movimento SOS Amapá afirma que a população está esgotada e preocupada com os muitos prejuízos que estão amargando por conta do apagão. Morador de São Lázaro, bairro situado na zona norte de Macapá, ele diz que passou a última noite em claro.

“A energia simplesmente ia e voltava. Eu tava na casa de uma amiga anteontem no Buritizal, na zona sul, do outro lado da cidade e também durante o dia a energia ia e voltava. Então, existe uma instabilidade muito grande que gera uma aflição maior na população“, conta.

Ele afirma que tem acompanhado diversos relatos dos moradores e que os mais prejudicados são as pessoas que já viviam em condições de vulnerabilidade, como os moradores de palafitas. “Inclusive houve uma casa que pegou fogo na semana passada, segundo a moradora, por causa da energia estar indo e voltando”, conta.

“É importante lembrar que eles colocaram umas chaves nos postes para evitar com que os eletrodomésticos das pessoas queimem, quando a energia voltar, o problema é que nem toda cobertura de energia é regular”, diz ele explicando que os moradores dessas áreas vivem diversas privações.

Brasil de Fato entrou em contato com a Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA) sobre a queima de aparelhos eletrodomésticos. Eles informaram que as pessoas que se sentirem lesadas devem procurar o atendimento da CEA e fazer o registro de queima de equipamento. “A companhia vai seguir o regulamento da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) de fazer inspeção, gerar laudo e, caso se confirme que houve de fato a queima por oscilação, providenciaremos o ressarcimento”, diz a assessoria.