Como aconteceu na Maternidade Escola, no IPPMG, mais explicações do que comemorações

Na “celebração” de um ano de gestão da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) em três hospitais da UFRJ, a segunda unidade a ser apresentado um balanço ao corpo social foi o Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG), referência nacional em pediatria.

Como aconteceu na véspera na Maternidade Escola, dirigentes do Sintufrj apresentaram suas críticas ao desempenho da empresa cuja a presença na UFRJ não resolveu os problemas do funcionamento das unidade de saúde que passou a dirigir. Parte das críticas foram expostas pela coordenadora do Sintufrj, Luciana Borges, que falou com a autoridade de, como enfermeira, viver o dia a dia da unidade de saúde. O coordenador-geral Francisco de Assis foi outro dirigente que se manifestou.

O superintendente geral da Ebserh, Amâncio Paulino de Carvalho, repetindo a cena da véspera na Maternidade Escola, no IPPMG teve de lançar argumentos para explicar a precariedade da estrutura da unidade de saúde, o desabastecimento e a falta de pessoal após um ano de gestão. O balanço da Ebserh será finalizado nesta quinta-feira, 5 de junho, com o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF).

Em 2021, o IPPMG sofreu com a diminuição de verba, situação que dificultou os processos de compras de medicamentos e de produtos para saúde, isso somado a falta de profissionais de saúde, a superlotação dos leitos de internação na emergência e a dificuldade de leitos de enfermaria no IPPMG e nos hospitais da rede SUS.

Em 2025, o processo de compras continua sob gargalo, o hospital ainda sofre com carência de profissionais e as obras necessárias estão programadas para serem entregues só em 2026. Apesar de comemorar contratações, o diretor do IPPMG Giuseppe Pastura disse na reunião que o hospital necessita de 60 funcionários em todas as áreas para suprir suas carências, ainda tem desabastecimento e existe desorganização nas escalas dos servidores.

A coordenadora de Comunicação do Sintufrj, Luciana Borges, que é enfermeira do IPPMG, fez questionamentos pontuais ao diretor reinvindicação solução imediata. Perguntou sobre a situação na Emergência onde não houve ampliação de leitos e os profissionais estão assoberbados de trabalho. A dirigente ainda chamou a atenção para a segurança dos trabalhadores que diante dos problemas estruturais e de atendimento eles têm sofrido ataques de usuários em suas unidades de trabalho.

“Muitos funcionários da Emergência têm procurado a gente. Pedimos também uma intervenção imediata tanto da direção como da Ebserh diante dos agravos que nos funcionários estamos sofrendo por parte da população. O tempo todo estamos sendo agredidos nas nossas unidades de trabalho. O que está desmotivando e fazendo com que muitos funcionários entrem de licença médica e infelizmente a universidade não está nos proporcionando ir para outras unidades hospitalares”, solicitou Luciana.

O coordenador-geral do Sintufrj, Francisco de Assis, reafirmou que o sindicato não está contra os trabalhadores da Ebserh, mas tem o dever de defender os direitos dos trabalhadores RJU o que não afasta também a defesa dos direitos dos trabalhadores da Ebserh.

“É papel do sindicato cobrar e fiscalizar e trazer as demandas vindas da categoria e esse documento que distribuímos é resultado de reuniões com os trabalhadores. A reclamações são de trabalhadores e de pacientes. É a função social do sindicato apontar ao gestor suas falhas, cobrar soluções e garantir o bom serviço à sociedade e garantir o direito dos trabalhadores”, defendeu Francisco.

 

PANFLETO DO SINTUFRJ foi distribuido durante o evento
FAIXA DO SINTUFRJ APRESENTA SUAS EXIGÊNCIAS diante do superintendente da Ebserh
LUCIANO BORGES, AO LADO DE FRANCISCO DE ASSIS, apresenta seus argumentos e fez questionamentos com a autoridade de viver o dia a dia do IPMG

Plenária nacional da Fasubra de 13 a 15 de junho vai avaliar conjuntura, após reunião do governo dia 12

fotos: RENAN SILVA

Intensificar as ações de mobilização visando a evolução do estado de greve dos técnicos-administrativos em educação da UFRJ para deflagração do movimento grevista pelo cumprimento dos itens ainda não atendidos do acordo foi decisão unânime dos presentes na assembleia simultânea do Sintufrj (Fundão, Macaé e Praia Vermelha) e com transmissão pelas redes sociais da entidade, nesta terça-feira, 4, no Espaço Cultural. Várias propostas foram aprovadas apontando nesse sentido.

Também será decisivo para essa tomada de decisão, as  deliberações da plenária nacional da Fasubra de 13 a 15 de junho. A avaliação de conjuntura dos delegados que representarão suas bases (o Sintufrj participará com oito eleitos em assembleia) terá também como ponto de reflexão, a postura do governo na mesa unificada de negociação dos servidores federais, no dia 12 de junho, sobre a pauta conjunta da Campanha Salarial 2025.

A recuperação financeira da instituição continua sendo preocupação dos trabalhadores. “Não podemos deixar de comemorar os ganhos, frutos de muita luta e do engajamento de muitos trabalhadores. Mas a gente precisa lutar para que a UFRJ não caia na nossa cabeça”, alertou uma companheira da Praia Vermelha.

Agenda de luta é o que não falta!

A disposição de luta da categoria, da direção sindical e colaboradores da gestão que movimentou os últimos dias foi saudado pelo coordenador-geral do Sintufrj, Esteban Crescente. “Fomos atrás de todas as unidades hospitalares onde a Ebserh esteve se apresentando comemorando um ano de gestão”, informou.

Segundo o dirigente, “a categoria tem que aderir a agenda de lutas do sindicato. O que não falta é agenda de enfrentamento”. E propôs que, caso o governo não retorne com o grupo de trabalho do PCCTAE (na reunião de 23 de maio, além de negar tudo na negociação com a Fasubra, ainda o governo encerrou o GT),  seja aprovado o indicativo de greve para a primeira semana de julho. “A conjuntura não é estática e a classe trabalhadora muda a conjuntura no bojo do enfrentamento”, disse.

O coordenador-geral do sindicato e coordenador de Comunicação da Fasubra, Francisco de Assis, afirmou: “A gente quer ir para cima para que todos ganhem o que conquistamos. A Fasubra apontou um cenário de mobilização. A gente não faz greve por decreto ou por vontade própria. Eu quero proteger a categoria e não o governo”. E entre as ações de mobilização, propôs ir ao reitor da UFRJ reivindicar que se cumpra a aceleração dos aposentados.

“Os aposentados não podem ser preteridos em relação ao reposicionamento e a racionalização, que não abrange todos eles”, acrescentou o coordenador de Educação, Cultura e Formação Sindical, Edmilson Pereira.

“Estamos numa conjuntura difícil. Temos um governo de coalizão que ora tende para a esquerda, para atender a população, ora para os donos capital, atendendo a extrema direita, a direita e o Centrão no Congresso Nacional. Eles querem a reforma administrativa, mas não concordam com o governo que quer começar pelos supersalários”, analisou uma aposentada.

“Conseguimos um passo importante com a aceleração. O governo teve uma postura ruim, mas não é possível vislumbrar uma greve de imediato. O RSC (Reconhecimento de Saberes e Competências) está prometido para 2026. Uma greve isolada é enfraquecida”, ponderou um técnico-administrativo.

O QUE FOI APROVADO

1 – A assembleia dos trabalhadores e trabalhadoras da UFRJ compreende ser necessária a intensificação das ações de elucidação dos termos do acordo de greve não cumpridos e a mobilização durante o estado de greve, para fortalecer a pressão sobre o governo e o congresso.

2 – Sintufrj seguir o estado de Greve, construindo mobilização.

3 – Reativar as reuniões do GT de Mobilização para construção das ações futuras.

4 – Criar um GT para estudo e propostas para o PDI-UFRJ.

5 – Produzir nota para a população explicando a situação da UFRJ e distribuir nas unidades hospitalares.

6 – Sintufrj deve participar da mobilização do Plebiscito Nacional das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo pela Redução da Jornada de Trabalho, Fim da Escala 6×1 e Taxação das Grandes Fortunas. Levar esta defesa à Fasubra.

7 – Ato dos aposentados no Conselho Universitário (Consuni) pela pauta entregue à Reitoria e que até o momento não teve resposta. Tirar na reunião de aposentados uma comissão para tratar com a Pró-Reitoria de Pessoal da aceleração.

8 – Propor a construção de operação tartaruga para os segmentos da categoria atingidos pela pauta da racionalização dos cargos. Sintufrj deve convocar reunião para organizar a ação.

9 – Lutar na UFRJ para consolidação da implementação da hora ficta.

10 – Fortalecer a luta contra o assédio moral e reafirmar a resolução Fora Sara na direção da CPST.

11 – Reforçar na Fasubra a luta pela isenção do imposto de renda na faixa até R$ 5.000.

12 – Mobilizar a comunidade acadêmica e as entidades Adufrj, DCE e APG para luta conjunta em defesa das demandas de infraestrutura na UFRJ.

13 – A direção do Sintufrj deve investir em equipamentos para a perfeita transmissão simultânea de assembleias e outros eventos para a categoria.

14 – Pauta específica da Fasubra:

. Priorizar que o RSC conste da Lei 11.091/2005.

. A pauta das 30 horas deve ser transferida para o MEC.

. Retomar a equiparação entre os níveis de classificação.

Pauta geral para a Mesa Nacional de Negociação Permanente (MNNP) de unidade do Serviço:

. Equiparação do auxílio alimentação e auxílio nutricional com os valores pagos ao Legislativo e Judiciário.

. Data-base.

15 – Cobrar do governo a apresentação dos estudos do impacto financeiro e estrutural para a negação da implementação do acordo de greve.

 

 

 

 

 Só que 46 das 53 universidades brasileiras caíram neste mesmo ranking, reflexo da falta de investimento. Comunidade luta nas ruas e no dia-a-dia.

Apesar do recente anúncio do governo de retomar os limites orçamentários anteriores ao decreto de maio que diminuiu o valor mensal das universidades federais, a situação de asfixia da UFRJ se mantém. Mesmo assim, a maior universidade federal do país subiu da 401ª para a 331ª posição na edição de 2025 da Lista Global 2000 do Centro para Rankings Universitários Mundiais (CWUR) divulgada dia 2. A UFRJ se supera, reflexo da força do seu potencial humano que, com garra, enfrenta o cotidiano da crise.

No Brasil, a UFRJ é a segunda melhor instituição e, entre as federais, é a primeira. Só que 46 das 53 universidades brasileiras caíram neste mesmo ranking, reflexo da falta de investimento. A imprensa burguesa culpa o governo Lula, mas se esquece do avanço do Congresso sobre o Orçamento da União: as emendas parlamentares representam 25% dos recursos discricionários. Estudos do governo apontam que para 2026 isso pode chegar a 50%. Enquanto o Executivo fica amarrado para realizar políticas públicas, deputados e senadores têm recursos à disposição e resistem a lhes dar transparência.

UFRJ luta
É público que todas as instituições federais de ensino estão enfrentando dificuldades. Mesmo assim a UFRJ está na frente de universidades também prestigiadas no Brasil: Universidade de Campinas (Unicamp), em 369º lugar, a Universidade Estadual Paulista (Unesp), em 454ª e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em 476ª.

“A minha pergunta é: como seria se a gente tivesse o orçamento adequado? Não digo nem maior, mas o mínimo adequado. Certamente teríamos muito mais possibilidade de estar ainda mais à frente neste ranking”, declarou o reitor Roberto Medronho em matéria da Agência O Globo.
Segundo ele, a qualidade do corpo social da UFRJ é determinante para o sucesso da instituição, com um corpo docente, discente e de servidores altamente qualificado e competente, disse, mencionando investimentos de empresas em busca dessa excelência.
Valorização do pessoal

De fato, quem está no alicerce desta grande instituição são pessoas, os que movem cotidianamente esta grande engrenagem de produção de ensino, pesquisa e extensão de qualidade. Aqueles que ensinam, pesquisam, que realizam assistência e extensão, os que constroem o dia a dia, técnicos e administrativos que têm papel estratégico para funcionamento cotidiano, em laboratório, na área acadêmica e administrativa, financeira, de pessoal, hospitais e centros de pesquisa.

Metade do orçamento de 2012

Na reunião da Reitoria Itinerante em março, no Centro de Ciências da Saúde, o reitor explicou: “Ao longo dos últimos 12 anos, caiu pela metade o orçamento da UFRJ. Enquanto isso, nós ampliamos em 50% as nossas vagas com o Reuni. O nosso orçamento está reduzido, e nós implantamos as cotas, as ações afirmativas. Os alunos chegam com uma vulnerabilidade social e econômica muito grande. Nós precisamos de muito mais do que aqueles R$ 784 milhões do orçamento de 2012 — e estamos, em 2025, com R$ 423 milhões, um ligeiro aumento em relação a 2024”, disse Medronho.

Recomposição ajuda mas não resolve

No dia 30 de maio, o ministro Camilo Santana, da Educação, anunciou não apenas a regularização dos repasses como recomposição do orçamento.
O Decreto Federal 12.448, havia estabelecido liberação dos recursos em uma média mensal de repasses de 1/18 avos. Agora o limite de execução orçamentária voltou ao parâmetro de um doze avos (1/12) a partir de junho.

“Nós vamos garantir a recomposição orçamentária no valor de R$ 400 milhões, acima do que foi cortado do orçamento”, disse o ministro. Nesta caso, se referia aos cortes realizados pelo Congresso durante a aprovação da Lei Orçamentária Anual (LOA).
Mesmo com a recomposição do valor na LOA, o orçamento ainda é insuficiente.

“Continuaremos com o contingenciamento, mas recebendo 1/12 do orçamento mensalmente, não mais 1/18. Adicionalmente, A informação é de que retomaremos o orçamento do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de R$ 423.332.304, que o Congresso reduziu a R$ 406.165.048 na LOA”, informou o pró-reitor de Planejamento, Orçamento e Finanças Helios Malebranche, explicando que está previsto o recebimento da diferença de R$ 17.167.256, mas que não irão na integralidade para o funcionamento da Universidade porque parte terá destinação específica.
Isso, disse ele, representa uma melhoria de 4,2% no orçamento. O orçamento para o funcionamento será ampliado de R$ 311 milhões para R$ 324 milhões (foram R$12 milhões de acréscimo).

No dia 2, informou a PR-3, apareceu no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) a substituição do contingenciamento de 1/18 para 1/12, assim como a recuperação do orçamento previsto no Projeto de LOA. Só que a necessidade para o funcionamento é de R$519 milhões. Ou seja, ainda faltam R$ 194 milhões.

A PR3 informou que vai elaborar proposta para enfrentamento da situação representada pelo subfinanciamento da Universidade e do déficit projetado para 2025.

  

Queda violenta do orçamento, em particular nos governo Temer-Bolsonaro, que elegeram a Educação, a Ciência e a Tecnologia como inimigos, tem recuperação limitada pelas disputas pelo orçamento no Congresso. Comunidade denuncia nas ruas a crise das universidades. Acima, mobilização de estudantes e técnicos administrativos, em 2024. Abaixo, ato em defesa da Educação no dia 29 de maio de 2025