Emoção de novos servidores marca recepção na cerimônia de acolhimento

“Estudei para esse concurso desde 2020, estava trabalhando como autônomo e hoje assino o Termo de Posse como servidor da UFRJ”, disse emocionado Moyses Almeida Monteiro, 43 anos, que todos os dias, a partir desta quinta-feira, 30 de outubro, viajará de Itaboraí até uma unidade da universidade na cidade do Rio de Janeiro.

Moyses é um dos 18 técnicos-administrativos em educação aprovados no concurso do edital 491 de 2024, mas que somente agora foram chamados pela UFRJ. Embora seja graduado em Administração de Empresas e com uma pós, prestou prova para nível médio e assumirá o cargo de Assistente de Aluno.

A cerimônia de acolhimento aos recém-ingressos foi na Escola do Trabalho da UFRJ. De 3 a 7 de novembro, eles participarão do Programa Integra Minerva, que são cursos presenciais e on-line de introdução às atividades na universidade. No último dia haverá a festa da posse, no auditório Quinhentão com a presença do reitor.

Sintufrj dá boas-vindas  

aos novos servidores

Os coordenadores do Sintufrj Esteban Crescente e Luciano Batista estavam presentes nas boas-vindas aos novos técnicos-administrativos em educação, que foram recepcionados pela coordenadora de Dimensionamento de Pessoal, Rejane Barros, e pelas diretoras e suas equipes das Divisões de Admissão e de Desenvolvimento, Priscila Ribeiro e Joana de Angelis, respectivamente.

“Os sindicatos nasceram há 200 anos e a existência deles faz parte da história dos trabalhadores neste sistema em que vivemos, o capitalismo. Se atualmente a jornada semanal dos servidores é de 8 horas de trabalho e se temos um sistema universal de saúde são resultados das lutas dos movimentos sindicais”, citou como exemplos o coordenador-geral do Sintufrj Esteban Crescente, em seu resumo sobre a luta de classes aos concursados para mostrar a importância dos sindicatos para as categorias.

Com o auxílio de um vídeo, ele e o coordenador Luciano apresentaram a infraestrutura do Sintufrj: os departamentos jurídico e de imprensa, setores de convênio, pessoal, recursos humanos, financeiro, os Espaços Saúde e Cultural, as oficinas de dança e artes, os cursos preparatórios para ingresso no mestrado e doutorado, entre outras prestações de serviços aos sindicalizados e seus dependentes. Orientaram sobre a sindicalização (que pode ser pelo site www.sintufrj.org ou preenchendo a ficha e entregando na sede ou subsedes do Sintufrj) e cada um dos presentes recebeu uma pasta contendo material básico para melhor conhecer a entidade e seus benefícios.

Os dirigentes da entidade também explicaram sobre o Plano de Carreira dos Cargos Técnicos-Administrativos em Educação (PCCTAE) conquistado em 2005 e reestruturado em 2024 – “São conquistas fruto de greves”, esclareceu Esteban. Eles esclareceram o que é  Incentivo à Qualificação, Aceleração e outros direitos contidos no acordo recém assinado com o governo e ainda em pauta na Mesa de Negociação com os Ministérios da Educação e de Gestão e Inovação no Serviço Público.

Depoimentos

“Um sonho realizado”, resumiu a técnica de enfermagem geral Simone Antunes Andrade, 52 anos, o que significava para ela se tornar servidora federal e “de uma universidade tão conceituada como é a UFRJ”. A profissional vai conciliar o trabalho na universidade com o da Prefeitura de São Gonçalo, e residindo em Maricá.

Sandra Gomes, 59 anos, de São Pedro da Aldeia, assim como Simone, afirmou que “ser UFRJ sempre foi um sonho”. Ela também exercerá a função de técnica de enfermagem geral em uma das unidades de saúde da instituição. Antes de quinta-feira, seus plantões eram só Hospital da Mulher, em Cabo Frio.

 

LUCIANO BATISTA E ESTEBAN CRESCENTE apresentam o sindicato aos novos servidores

Um marco histórico de política afirmativa da maior universidade federal do país. Em cada curso haverá uma cota de, no mínimo, 2%. Colegiado também teve manifestação contra a chacina do dia 28

O Conselho universitário da UFRJ foi palco de um momento histórico nas lutas por avanço social: o colegiado aprovou por ampla maioria, em sessão extraordinária nesta quinta-feira, dia 30, mais um grande avanço em sua política de democratização do acesso e diversidade: a reserva de vagas para transexuais, travestis e não-binários em seus cursos de graduação e pós-graduação strictu sensu. Serão 2% de vagas em cada curso. A Reitoria pretende a medida já no próximo Sistema de Seleção Unificado (Sisu) e os primeiros candidatos selecionados pelo sistema, possam ingressam na instituição já em 2026.

A UFRJ não foi a primeira UFF e Rural, por exemplo, já aprovaram a reserva de vagas ano passado.

“Já passou da hora / de aprovarmos cotas trans na UFRJ”, cantavam, entre outras palavras de ordem, os estudantes que chegaram em bloco, depois de uma animada passeata pelos corredores do CT, na sala 208 do bloco C, onde, logo em seguira, aconteceria a sessão do colegiado. Com coloridas camisas das organizações políticas, bandeiras, cartazes e enormes faixas, lotaram o auditório e comemoraram ruidosamente a fala de conselheiros e membros da reitoria, entidade representativas, como o Sintufrj, e até uma parlamentar (Dani Balbi), que, se revezando ao microfone, manifestaram, um a um, absoluto apoio à proposta.

Jogral comemora aprovação

Logo após a votação, explodiram em aplausos e num jogral, encabeçado pela conselheira Arthura Annastásiya: “Esse é um passo gigante para chegarmos mais perto do projeto de Educação que a gente quer. Queremos mais pessoas trans, travestis e não binários na UFRJ e em todas as universidades do país. Com seus nomes respeitados, com politicas reais de permanência para enfrentar as estatísticas de morte e marginalização. Queremos que a UFRJ que seja referencia não só pela produção e conhecimento mas por ter mais do povo!”, reproduziam os estudantes que lotavam o auditório a esta altura, em festa.

Assista ao jogral sob comando de Arthura:

 

A luta não acabou

Apesar da comemoração, o reitor Ricardo Medronho concluiu a votação com um alerta: “A luta não acabou, teremos muita resistência”, disse ele, mencionando a quantidade de haters (alguém que ataca, critica de forma ofensiva) que vêm se manifestando nos comentários da postagem da UFRJ sobre as cotas no Instagram,

“Chega de chacina PM na favela e Israel na palestina!”

Além da aprovação das cotas trans, os estudantes realizaram também um grande protesto, sustentado também pelas falas dos conselheiros, em repúdio à mais letal operação policial do governo do Rio de Janeiro, que deixou 121 mortos, classificada como chacina.

Falas no Consuni

“A aprovação da cota trans representa um passo decisivo pela inclusão, diversidade e justiça social na UFRJ”, disse o coordenador geral do Sintufrj Esteban Crescente, que também se manifestou sobre a violência da operação policial do dia 28. Estebam destacou ainda o êxito da marcha dos técnicos-administrativos em Brasília, dia 29, que reuniu mais de 30 mil pessoas nas ruas contra a PEC 38 que retira direitos dos trabalhadores federais, e em defesa do cumprimento integral do acordo de greve.

Dani Balbi, primeira deputada trans da Assembleia do Rio de Janeiro (PCdB), doutora e professora trans da UFRJ:

Por políticas de assistência estudantil
Isadora Camargo, conselheira discente, reivindica políticas de permanência:

Iniciativa coletiva
O técnico administrativo Márcio Neves, diretor da Diretoria de Gestão de Pessoas (Digepe), que integra a Superintendência Geral de Ações Afirmativas, Diversidade e Acessibilidade (SGAADA) da UFRJ fala do nascimento da proposta de inclusão. “É mais que um instrumento administrativo, é um ato de justiça, reparação histórica, uma resposta ética  num país que mata pessoas trans. É garantir o direito a vida, a dignidade e a produção de um conhecimento a partir de outras perspectivas”. Ele também lembra que acesso e o primeiro passo e que é preciso garantir a permanência.

Registros do ato