No pagamento da folha do mês de setembro de 2025, dezenas de servidores e pensionistas foram surpreendidos com a realização de descontos em seus contracheques sob a rubrica DECISÃO JUDICIAL-DEP. EM JUÍZO.

O Sintufrj obteve informação de que o desconto teria sido realizado em decorrência de um Ofício enviado pelo TRF da 2ª Região à UFRJ, solicitando que a universidade retivesse a contribuição previdenciária que deixou de ser descontada quando do pagamento de valores decorrentes de ações judiciais. O ofício do TRF2 foi acompanhado de uma listagem de cerca de 90 nomes de servidores que receberam passivos decorrentes de ações judiciais.

O Sintufrj então ajuizou ação coletiva visando impedir os descontos, pois a medida foi implementada pela UFRJ sem qualquer comunicação ou aviso prévio aos servidores afetados, que só souberam dos descontos através da prévia dos contracheques.

Considerando a violação ao princípio do devido processo legal e o impacto na renda mensal dos servidores substituídos pelo Sintufrj, o juízo da 34ª Vara Federal deferiu a liminar pleiteada pelo sindicato. Contudo, como não houve tempo hábil para evitar os descontos, a UFRJ informou ao juízo que os valores descontados dos servidores e pensionistas foram creditados na folha de outubro/2025.

“Como a administração incluiu o desconto na prévia do contracheque sem oportunizar aos servidores o contraditório e a ampla defesa, apenas atendendo à orientação dada pelo TRF2 em ofício enviado à UFRJ, não é possível sequer saber se esses valores são efetivamente devidos. Dentre os processos indicados pelo TRF2, nós identificamos, por exemplo, um caso de indenização por desvio de função, que não se sujeita ao desconto de contribuição previdenciária, justamente pela natureza da verba, que é indenizatória”, esclarece a advogada Aracéli Rodrigues, do escritório Cassel Ruzzarin Santos Rodrigues, que assessora o sindicato.

O SINTUFRJ segue acompanhando o caso e atuará, através de sua assessoria jurídica, para que a liminar seja confirmada na sentença.

A trajetória de André Rebouças e José Agostinho dos Reis, dois ilustres professores da Escola Politécnica da UFRJ no século XIX,  ambos negros e líderes abolicionistas, que romperam barreiras e abriram caminhos para as gerações futuras, foi devidamente reverenciada na 13ª Semana da Consciência Negra do Centro de Tecnologia (CT). Na terça-feira, 4, um espaço em memória aos homenageados passou a ocupar permanentemente uma parte do hall do Salão Nobre da Decania.

Na manhã de quinta-feira, 6, fatos relevantes da vida dos dois destacados personagens que conviveram na universidade foram revistos pelo professor aposentado do CT e pesquisador, Heloi José Fernandes Moreira, e pelo técnico em assuntos educacionais do Museu da Escola Politécnica e historiador, Hyago Carneiro Thomaz. A atividade, que prosseguiu à tarde, é organizada anualmente em novembro, Mês da Consciência Negra, pela Comissão Interna de Eventos da Decania do Centro.

Os homenageados

É provável que poucos estudantes das 11 especialidades de engenharias ministradas na Escola Politécnica saibam que, por vários anos, a partir de 1883, André Rebouças foi professor de engenharia civil na antiga unidade acadêmica que deu origem a atual, e era aclamado pelos seus alunos. “Pensar sobre ele é gratificante. Era extremamente meticuloso, fazia um diário onde anotava tudo, desde a hora que acordava até ir dormir. Um personagem dos mais citados e estudado do século XIX”, disse Heloi.

Nas suas pesquisas sobre o primeiro engenheiro negro formado na Escola Militar, baiano da província de Cachoeiras, nascido em 1838, Heloi descobriu que na entrada de Rebouças na carreira acadêmica, em 1867, correu um fato inusitado: “o Jacintho Luiz de Souza, um porteiro do prédio no Largo de São Francisco que o avisou que haveria concurso para docência na Escola”.

“Suas aulas eram preparadas cuidadosamente, com muita clareza. Seus alunos, que considerava como filhos, receberam uma formação bem atualizada. Se identificava com Pitágoras (filósofo e matemático grego) e Leon Tostoi (filósofo e romancista russo)”, resumiu Heloi. Era humanista e acreditava que nenhum animal da espécie mais insignificante deveria ser morto”, relatou o professor.

Apesar de abolicionista fervoroso (junto com José do Patrocínio e outros fundou a Confederação Abolicionista) por ser muito amigo de D. Pedro II era considerado monarquista. Inclusive, seguiu com a família real para o exílio, após a Proclamação da República. Segundo Heloi, ele defendia a ideia de democracia territorial, a reforma agrária, para que após a abolição, os ex-escravizados tivessem terras para não depender de senhores. Este também seria o pensamento do imperador.

A genialidade de André Rebouças na idealização e execução de projetos grandiosos da engenharia civil, sua produção de obras importantes para a área, dedicação a causa abolicionista e seu caráter humanista renderam ao ex-professor da Politécnica lugar de destaque na sociedade brasileira e nome de túnel no Rio. “Rebouças achava que D. Pedro queria fazer a democratização da terra, era contra o clero, mas acreditava em Deus, concordava com os positivistas em alguns pontos, no entanto, não seguia essa corrente filosófica. Ele produziu muito material para estudo”, concluiu o palestrante.

Heloi doou à Biblioteca da Politécnica um livro com a assinatura de André Rebouças que comprou em 2010 em um sebo: “Manual de Engenharia de Estrada de Ferro”, de 1882. A bibliotecária Janaina Silva recebeu o presente.

Um ex-escravizado na Politécnica

“O 20 de Novembro, Dia da Consciência Negra, é muito importante porque nos faz recapitular a história de conquistas políticas do movimento negro, a partir da mudança de perspectiva em relação ao 13 de maio, quando a Abolição da Escravidão era vista como uma concessão da princesa Isabel. E isso se deu no final da década de 70, observou Hiago Thomaz, que além de técnico em assuntos educacionais e pesquisador na UFRJ, é professor de História no município de Petrópolis.

Segundo o historiador, André Rebouças e José Agostinho dos Reis são exceções do século XIX, frutos de ações individuais, porque a violência colonial proibia os ex-escravizados de estudarem. “Poucos conhecem sobre Agostinho na instituição (UFRJ), mas ele nasceu escravizado, no Pará, e sua mãe comprou sua alforria vendendo quitutes. Estudou no Convento Santo Antônio como menino livre, porém, a sua condição de liberto criava uma série de empecilhos. A denominação de “humilde” substituía o título de ex-escravizado”, informou o pesquisador.

Ao ganhar um prêmio e o fato ser notícia de jornal, possibilitou a Agostinho seguir em frente. “Veio para o Rio de Janeiro em 1873 e entrou na Escola Central (mais tarde Politécnica), e se formou em 1879 em engenharia civil. Em 1880 disputou com o engenheiro Vieira Souto uma vaga de docência na Escola, sendo aprovado como professor substituto – Vieira ficou com a vaga de titular. “Agostinho contribuiu muito com o estudo da Estatística no Brasil”, disse Hiago.

De acordo com o estudioso, junto com Rebouças, Agostinho criou o Centro Abolicionista da Escola Politécnica e fazia parte da Confederação Abolicionista. Foi na inauguração da entidade que revelou ser ex-escravizado. “Dados históricos registram que Agostinho escreveu e publicou muitos artigos na imprensa, criou núcleos abolicionistas no Pará, onde era sempre recebido com honras, e saia com os alunos às ruas com cartazes contra a escravização. Depois de uma semana de movimento eles conseguiram a libertação de 19 remanescentes escravizados do Largo de São Francisco, onde funcionava a Escola, Mesmo depois do fim da escravidão”, expôs Hiago.

Trabalho nota 10!

É o mínimo que se pode falar da Comissão Interna de Eventos da Decania do CT, realizadora da 13ª Semana da Consciência Negra. Todo mérito aos companheiros: Josete dos Santos Lima, Regina Magalhães, RosanaTorres, Marlene Barbosa, Huascar Costa e Marcia Hermann.   FOTOS: RENAN SILVA

HIAGO THOMAZ E HELOI JOSÉ FERNANDES MOREIRA nas palestras no salão da Decania do CT: destaque para personagens ilustres

ANDRÉ REBOUÇAS E JOSÉ AGOSTINHO DOS REIS , os personagens lembrados no evento da UFRJ

Ato convocado pelo Fórum Unificado dos Servidores do Rio de Janeiro fortalecido pela adesão de movimentos de defesa dos direitos humanos e partidos de esquerda foram ás ruas para denunciar política genocida do governador Cláudio Castro (PL). A chacina que resultou em mais de 100 assassinatos pelas polícias (civil e militar) do governo estadual no 28 de outubro foi alvo de repulsa cujo alvo, além do governador abjeto, alcança a extrema direita que usa cadáveres para fazer sua política de sangue. Cartazes, faixas, panfletos exigindo justiça e a deposição do governador genocida deram o tom da marcha que seguiu do Largo do Machado até a rua Pinheiro Machado, onde fica o Palácio Guanabara. FOTOS: RENAN SILVA

 

 

 

“Segurança Psicológica e Mediação de Conflitos no Serviço Público” foi a Roda de Conversa realizada dia 4 de novembro pelos servidores do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ tendo como convidados o Sintufrj e o recém-criado Departamento de Enfrentamento ao Assédio Moral e Conflito no Ambiente de Trabalho. A atividade fez parte da programação da semana do servidor público da unidade.

Segundo a organizadora da roda, a psicóloga Catharine Varella, há a necessidade de tirar a discussão sobre assédio de um “lugar de batalha” e focar em soluções, como a segurança psicológica no ambiente de trabalho. A psicóloga compartilhou sua experiência, mencionando conflitos passados e a dificuldade de abordar o tema em um espaço público.

Catharine falou sobre a importância da segurança psicológica no ambiente de trabalho e como ela influencia o engajamento e a participação das pessoas. Ela enfatizou a necessidade de discutir problemas, buscar soluções em conjunto e focar em questões profissionais em vez de pessoais.

“A segurança psicológica permite que as pessoas se sintam à vontade para expressar suas opiniões e ideias sem medo de retaliação. Ela é construída por todo o grupo, não apenas pelo chefe, e envolve criar um ambiente de confiança, parceria e diálogo. A comunicação e a forma como ela é feita são cruciais para promover essa segurança”, destacou.

 

Mediação

Adriana Rosalba, advogada do Sintufrj, explicou a mudança na abordagem da pessoa em relação a conflitos, buscando soluções além de ações judiciais, que considera longas e traumáticas(que acabam por não atingir o objetivo de reparação e disciplinar). Ela se formou em mediação de conflitos em 2019, encontrando na mediação uma forma mais humanizada de lidar com as demandas, especialmente em ambientes de trabalho. A advogada, apesar de não atuar como mediadora no sindicato, afirmou que a formação em mediação transformou sua forma de atendimento, priorizando a escuta, o acolhimento e a compreensão dos sentimentos das pessoas, em um contexto de crescente diversidade nos ambientes de trabalho.

Ela defendeu a mediação como método para solucionar conflitos, especialmente no ambiente de trabalho, focando na UFRJ e no combate ao assédio. Acredita na mediação como uma forma de promover o diálogo, a empatia e a conscientização, em vez da punição. Ela criticou a terceirização da resolução de conflitos e destacou a importância de entender as histórias e crenças individuais (que afloram nos conflitos ou demandas) para melhorar as relações e o bem-estar dos trabalhadores.

Adriana aponta a necessidade de a UFRJ estar engajada neste tema, adotando iniciativas efetivas para intervir nos conflitos e assédios e elogia o trabalho do sindicato nesse sentido.

“Eu acho que o sindicato teve sim um protagonismo nessa questão do assédio durante muito tempo. A gente recepcionava, mas a gente tinha essa dúvida de como tratar essas questões de assédio, porque muitas vezes é institucional. A UFRJ precisava atuar de uma forma mais eficaz. Atualmente há tentativas por parte da instituição. Acho que culturalmente as pessoas procuram o advogado para dar voz, mas as relações estão cada vez mais deterioradas. O que eu vejo hoje, em nossos atendimentos, o que é lamentável, são muitos conflitos nos ambientes de trabalho, que, mal manejados, podem virar assédio. E agora essas questões estão passando pelo Departamento de Enfrentamento ao Assédio Moral.”

 

Conflito e Assédio

Anaí Estrela e Aline Assis, ambas assistentes sociais, uma aposentada e outra da Coordenação de Políticas de Saúde do Trabalhador (CPST), integram o recém-criado Departamento de Enfrentamento ao Assédio Moral e Conflito no Ambiente de Trabalho do Sintufrj.

Segundo Anaí, a iniciativa surgiu da necessidade de atender casos que não eram devidamente amparados e envolve mediação e escuta atenta dos servidores.

“Essa é uma luta difícil, pois nem todos os problemas são assédio e é preciso cuidado para identificar outras questões. É preciso acolher e ouvir os servidores, reconhecendo as dificuldades enfrentadas e a necessidade de lhes dar apoio ”, observa. “Detectamos mais conflitos do que assédios. E vimos o quanto os servidores estão doentes. A maioria quer ser acolhida e ouvida”, completa Anaí.

Aline Assis afirma categórica que existe o assédio na UFRJ sendo necessário ter um local para o atendimento dos casos. A assistente social sustenta que o Sintufrj e os profissionais têm papel fundamental no combate ao assédio.

“O sindicato tem papel fundamental nesse processo. Nós assistentes sociais também, pois há o conflito e a violência laboral no local de trabalho, onde passamos a maior parte do tempo”, opina Aline.

 

Diálogo e Participação Coletiva

O coordenador-geral do Sintufrj, Francisco de Assis, reafirmou o compromisso da gestão de combate ao assédio moral na universidade. Em sua fala abordou a necessidade de melhorar o tratamento dado em relação ao assédio, com sensibilidade e ação, além da ajuda. Ele mencionou a importância da realização de um trabalho educativo e a consolidação de protocolos para atender as situações e evitar conflitos.

O dirigente chamou a atenção para a importância do diálogo e da participação coletiva para construir uma universidade mais justa e inclusiva. Francisco criticou a manipulação política e a desvalorização de grupos minoritários. Ele defendeu a importância da formação, da organização sindical e da valorização das discussões abertas para garantir a liberdade de expressão e a melhoria da instituição.

RODA DE CONVERSA propões novas abordagens no combate ao assédio
ENCONTRO FOI NO FORUM DE CIÊNCIA E CULTURA: a defesa da segurança psicológica no ambiente de trabalho foi um dos destaques

 

 

CABE TODO MUNDO, NO MUNDO!

Reunião de encerramento de atividades de 2025 da Coordenação de Aposentados (as) e Pensionistas.

Quarta-feira, 19 de novembro, 10h, no Espaço Cultural do Sintufrj

Pauta: informes gerais e confraternização

Participação

  • NORMA SANTIAGO
  • Coordenadora de Políticas Sociais do Sintufrj
  • MARCELO DIAS
  • Diretor Cultural do Instituto de Pesquisas das Culturas Negras
  • LUCAS VIEIRA FLORENÇO
  • Aluno de Jornalismo/PUC e Mestre de Cerimônias

 

6 DE SETEMBRO

14H – Salão Nobre da Decania do CT

 

Além do lançamento do selo comemorativo dos 40 anos do Jornal do Sintufrj, nesta quarta-feira, 5 de novembro, um vídeo produzido pela Coordenação de Comunicação e por profissionais do Decos será exibido nas redes sociais da entidade, às 17h.

“Festa da Democracia celebra os 40 anos do Jornal do Sintufrj” Este é o tema deste ano da tradicional festa de confraternização de final do ano do Sintufrj, no dia 12 de dezembro, das 11h às 17h, no Garden Party, em Jacarepaguá (veja detalhes no edital publicado na edição 1463 e no site da entidade). Mas a programação especial para marcar o aniversário do Jornal do Sintufrj começa já!

Hot Site comemorativo
Nesta quarta-feira, 5,há também o lançamento do Hot Site: espaço exclusivo no site do Sintufrj, onde você poderá conhecer um pouco da atuação da publicação nestas quatro décadas e os eventos programados para marcar a celebração. Confira através do link

https://sintufrj.org.br/40-anos-do-jornal-do-sintufrj/

Ou pelo QR code:

 

Galhardete – No dia 10, haverá a divulgação do selo comemorativo dos 40 anos do Jornal do Sintufrj por meio de um galhardete afixado em ponto de destaque na Cidade Universitária.

Live – A comunicação sindical na era digital. Esse é o tema da live que o Sintufrj vai transmitir, do estúdio da SGCom, no dia 18 de novembro, às 11h.

Em dezembro

  • Debate – No dia 2, às 18h, João Pedro Stedile, do MST e outros convidados, debaterão “Democracia e soberania”.
  • Um Jornal Especial trará as 40 capas que marcaram os principais momentos da história da categoria.

Na festa de fim de ano

  • Exposição das capas mais marcantes do Jornal do Sintufrj
  • Lançamento do documentário “Nossa história de lutas”.
  • Divulgação do Calendário 2026, digital. Tema: “Democracia”

Acesse o edital aqui

VEJA AQUI O LINK PARA A INSCRIÇÃO DA FESTA

https://sistema.sintufrj.org.br/