Glauber Braga ressaltou que a ordem para a ação truculenta da Polícia Legislativa foi dada por Hugo Motta

Por Maria Teresa Cruz – Brasil de Fato

Os deputados do PSOL Glauber Braga, Sâmia Bomfim e Célia Xakriabá registraram na noite de terça-feira (9) um boletim de ocorrência na 5ª Delegacia de Polícia do Distrito Federal. Os deputados Rogério Correia (PT-MG) e Dorinaldo Malafaia (PDT-AP) também acompanharam os colegas.

Mais cedo, Glauber Braga foi retirado à força das dependências da Câmara Federal e agredido pela Polícia Legislativa, acionada pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).

A violência foi precedida de um protesto realizado por Braga, que ocupou a Mesa Diretora em manifestação contrária à votação de sua cassação e do PL da dosimetria, uma versão mais light do projeto de anistia que tem por objetivo atenuar as penas contra Jair Bolsonaro e os outros condenados pela trama golpista.

Deputados do Psol registram boletim de ocorrência por agressão na Câmara e responsabilizam Motta
Glauber ressaltou que a ação dos policiais legislativos foi uma ordem deliberada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. (Foto: Reprodução)

Enquanto Braga era retirado e arrastado pelo Salão Verde da Câmara, um tumulto generalizado se formou e as deputadas Célia Xakriabá, Sâmia Bomfim e alguns jornalistas também acabaram agredidos. Braga e Xakriabá receberam atendimento médico imediato.

Na saída do ambulatório, Braga criticou a atitude de Motta e fez uma comparação com a postura do presidente diante da invasão da Mesa Diretora por parlamentares bolsonaristas em agosto deste ano. “Com aqueles que sequestraram a Mesa Diretora da Câmara, [Hugo Motta] ficou mais de 48 horas usando todo o tipo de ação diplomática. Dessa vez, em poucas horas, ele ordenou o corte das imagens [da sessão transmitida pela TV Câmara], esvaziaram o plenário, bateram na deputada Sâmia e Célia por parte da Polícia Legislativa. As ações do presidente da Câmara falam por si”, afirmou.

A assessoria de Xakriabá enviou uma nota confirmando a informação da realização do registro de ocorrência junto de outros parlamentares colegas de partido. “O gabinete da deputada Célia repudia, de forma veemente, o uso desproporcional de força dentro da Casa do Povo e exige que a Mesa Diretora e a Polícia Legislativa adotem providências urgentes para investigar responsabilidades e assegurar que episódios como este não se repitam”, diz trecho da nota.

Na imagem de cima, parlamentares bolsonaristas invadem a Mesa Diretora da Câmara e travam a pauta por 48h; na imagem abaixo, Glauber Braga é retirado com violência pela Polícia Legislativa após protesto na sessão. (Foto: Instagram/Glauber Braga)

“Também manifestamos solidariedade à imprensa, que foi retirada à força do plenário e impedida de registrar e cobrir os acontecimentos. A restrição ao trabalho jornalístico em um espaço público e institucional é uma violação grave da transparência e do direito à informação, pilares fundamentais da democracia. Reafirmamos nosso compromisso com a defesa do Estado Democrático de Direito, do exercício livre, do mandato parlamentar e da liberdade de imprensa”, conclui.

Enquanto isso, no plenário da Câmara, o deputado Chico Alencar teceu críticas ao presidente da Casa, Hugo Motta, e à ação da Polícia Legislativa. “A sessão estava sendo conduzida normalmente, quando começou a haver uma movimentação estranha. Primeiro, a retirada do plenário de pessoas que não eram deputados. Depois, começaram a retirar os jornalistas. Isso me lembrou o tempo da ditadura. Aqui ninguém foi preso, mas nós tivemos o nosso direito de parlamentar agredido”, pontuou.

A colega de partido Talíria Petrone também criticou a postura de Motta e afirmou que ele “atacou de morte a democracia”. “O senhor tirou a imprensa desse plenário. O senhor também fez algo que não era feito desde a redemocratização que é desligar a TV Câmara. O senhor escolheu uma agenda, a agenda da anistia, da blindagem, dos golpistas”, afirmou.

Em discurso na noite desta terça-feira (9), Motta respondeu às críticas. “Deputado pode muito, mas não pode tudo. Na democracia ele pode tudo dentro da lei e dentro do regimento, fora disso não é liberdade, é abuso”, declarou.

Live da Fasubra no dia 10, quarta-feira, às 18h, vai esclarecer pontos do PL 6170/25, apesentado pelo governo ao Congresso dia 3. No artigo segundo, o PL institui, a partir de abril do próximo ano, uma forma de Reconhecimento de Saberes e Competências que contraria o que foi definido no termo de acordo de greve em 2024. Federação vai apresentar também a minuta de emenda que está preparando substitutiva ao artigo segundo .

Sintufrj conclama categoria à mobilização e pressão sobre parlamentares.

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Live da Fasubra dia 10, às 18h vai esmiuçar PL que institui RSC. Categoria deve estar atenta e pressionar parlamentares pela aprovação de emenda substitutiva que será proposta pela Fasubra. Plenária nacional dias 19 e 20 discutirá encaminhamentos.

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A coordenação do Sintufrj e o Grupo de Trabalho sobre Carreira (GT-Carreira) convocaram os integrantes do GT, nesta segunda-feira, 8, para uma reunião extraordinária, híbrida (havia companheiros on line e presentes no Espaço Cultural), diante do risco para a Carreira que representou o lançamento, pelo governo do Projeto de Lei 6170/2025, encaminhado pelo governo ao Congresso no dia 3 de dezembro, que institui, entre outras medidas, o Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC) para o Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação, a partir de 1º de abril de 2026.

Seria uma boa notícia, já que o RCS é reivindicação da categoria e termo do acordo da histórica greve de 113 dias em 2024, não fosse o fato de que o PL acabou se traduzindo num verdadeiro cavalo de troia, como aponta a coordenadora-geral da Fasubra Cristina Del Papa, com a necessidade de reação imediata da categoria.

A coordenação do Sintufrj também aponta que o PL é a destruição do que foi acordado com os técnicos-administrativos e aponta elementos que estão na Reforma Administrativa.

O coordenador-geral Francisco de Assis informou que a direção nacional da Fasubra está elaborando uma emenda substitutiva ao artigo 2º do PL 6170 (não a todo PL que diz respeito também a outras categorias), com base no que foi levado à discussão na Comissão Nacional de Supervisão da Carreira e firmado como acordo da greve. E que a base deve fazer contato intenso com parlamentares de seus estados, pressionando pela aprovação do substitutivo que a Fasubra prepara, quando a matéria for a voto.

O coordenador-geral Esteban Crescente lembrou que é um direito de progressão na Carreira – não uma gratificação ou comissão –, e tem que ser igual para todos, ao contrário do que rege o PL, que não dá tratamento isonômico. “Isso é muito grave”, alertou, lembrando que o presidente da Câmara, Hugo Mota, tem o projeto na mão para poder pautar a qualquer momento. Diante disso o coordenador propôs uma ação contundente junto a parlamentares, detalhando a gravidade do problema que atingirá de modo expressivo, enorme número de servidores.

Pressão

De fato, a direção da entidade e militantes já iniciaram contato com parlamentares do Rio e até de outros estados. Outras propostas surgiram no GT, como a realização de reunião ampla com os parlamentares e entidades do estado para buscar apoio.

À tarde, a Federação realizaria reunião com dirigentes de entidades de base para discutir como viabilizar esta mobilização o mais efetiva e rapidamente possível, já que há risco iminente de o projeto, que tramita em regime de urgência, ser posto em votação.

Plenária

Em reunião no dia 5, diante da gravidade da situação, a Direção Nacional deliberou orientar a base para, além da ação política na base pela aprovação da emenda substitutiva, ampliar em mais um dia a plenária nacional em Brasília, agora dias 19 e 20 para debate da conjuntura que inclui o novo PL, para discutir, inclusive a antecipação da plenária de fevereiro para dia 18 e 19 de janeiro que deverá discutir indicativo de greve.

Por isso, os coordenadores chamam a categoria a se mobilizar e reafirmam a possível indicação de greve já no início do ano pelo cumprimento integral do acordo e contra a reforma Administrativa que prejudica servidores e a população.

Inconstitucionalidades

No GT, o debate sobre o PL tomou como base análise da Assessoria Jurídica da Fasubra, que aponta potenciais inconstitucionalidades, e estudos comparativos feito pela servidora Flávia Vieira, e levou a conclusão de que é preciso reagir urgentemente.

Segundo a assessoria Jurídica, o projeto estabelece as seguintes limitações:

– Concessão limitada a 70% dos servidores TAE da instituição

– Dependência de disponibilidade orçamentária

– Vedação para servidores em estágio probatório

– Interstício mínimo de três anos entre níveis

– Possibilidade de indeferimento mesmo com requisitos legais atendidos

Ainda segunda a assessoria, há violação da autonomia universitária (quando a concessão depende de disponibilidade orçamentária), interferência do MEC na gestão do RSC e insegurança jurídica por ausência de critérios objetivos (a falta de clareza impede a previsibilidade do direito). Por isso, recomenda profunda revisão do projeto sem o que certamente gerará judicialização em massa, instabilidade institucional comprometendo a política de valorização do servidor.

Acompanhe a Live da Fasubra dia 10

A Fasubra convocou a categoria para live urgente (dia 10, quarta-feira, às 18h) de análise do PL 6170/2025 e seus impactos no PCCTAE. O objetivo é esclarecer a base. A atividade será conduzida por representantes da FASUBRA na Comissão Nacional de Supervisão da Carreira (CNSC).

Eles farão a análise do texto, com leitura detalhada do PL 6170/2025, riscos e impactos sobre a estrutura atual do PCCTAE. Vai discutir ainda a estratégia legislativa, com apresentação da proposta de emenda referente, especificamente, ao art. 2º do referido Projeto de Lei.

Manifestação nacional denunciando o avanço dos números do feminicídio levou milhares às ruas. No Rio, o protesto foi em Copacabana, e trabalhadoras da UFRJ mobilizadas pelo Sintufrj, estavam presentes

FOTOS: RENAN SILVA

Cerca de 90 cidades, entre as quais, 24 capitais e o Distrito Federal, foram cenário neste domingo (7) de protesto inédito convocado pelo movimento Levante Mulheres Vivas contra a escalada de feminicídios no país nas últimas semanas no país.

No Rio, a manifestação se concentrou no posto 5 na praia de Copacabana e o Sintufrj participou de forma ativa com a presença de várias trabalhadoras da UFRJ.

Os números são assustadores e nem as medidas que endurecem a punição contra assassinos de mulheres têm sido suficientes para conter a violência. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, em 2024 o Brasil registrou o maior número de feminicídios de história: foram 1492 assassinatos de mulheres tipificados como feminicídios, média de quatro por dia.

Segundo o mesmo anuário, o perfil das ocorrências mostra que 63,6% das vítimas eram negras; 70,5% tinham entre 18 e 44 anos; oito em cada dez foram mortas por companheiros ou ex-companheiros, e 64,3% dos crimes ocorreram dentro de casa.

A manifestação nacional de ontem denuncia o avanço desse tipo de crime – que tem ganho o caráter de epidemia – e exige proteção do Estado. Vários cartazes exibidos nos protestos das Mulheres Vivas traziam a frase: “Pare de nos matar”.

Categoria participou também da Marcha das Mulheres Negras em Brasília. Sintufrj apresenta vídeo “Mulheres inspiradoras”, sobre  contribuição das mulheres negras para o desenvolvimento da sociedade.

A Fasubra realizou, entre os dias 22 e 24 de novembro, em Brasília (DF), o Encontro de Raça e Etnia: Fortalecendo a Luta Antirracista e a Mobilização.  O evento reuniu técnico administrativos em educação de todo o país para discutir políticas de combate ao racismo e ações de promoção da equidade nas Instituições federais de ensino e no movimento sindical.

O Sintufrj foi representado por Adriana Mattos e Norma Santiago, coordenadoras de Políticas Sociais, e Selene Vaz, coordenadora de Aposentados, Hilem Moisés e Paulo Roberto Alves, coordenadores de Organização e Política Sindical.

Saúde do trabalhador negro, participação de povos indígenas e negros nos espaços institucionais, combate à violência de gênero e racismo estrutural foram alguns dos temas em debate.

A abertura, no dia 22, foi com uma mesa de nivelamento e letramento racial, seguida de debates sobre saúde mental, anemia falciforme, e ocupação de espaços por negros e indígenas.

No dia 23, painéis abordaram a luta indígena, violência obstétrica contra mulheres negras e estratégias de enfrentamento ao racismo nas entidades de base. No dia 24, houve o encaminhamento das propostas construídas coletivamente.

Marcha das Mulheres Negras
O Encontro de Raça e Etnia culminou com a 2ª Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem-Viver, no dia 25 de novembro, em Brasília. Este ano, a FASUBRA passou a integrar o comitê da etapa nacional da Marcha, incorporando o evento ao seu calendário oficial de lutas. Como a delegação da Federação, centenas de caravanas integraram  a Marcha Nacional que rumo à Esplanada dos Ministérios. A estimativa é de que cerca de 300 mil pessoas ocuparam as laterais do gramado da área central de Brasília.

“A partir desse mosaico, a gente apresenta para o país, para o mundo e para o Estado brasileiro, para que entendam, de uma vez por todas, que é importante, necessário, é dever e direito olhar para a população negra”, disse Cláudia Vieira, representante do Comitê Nacional da Marcha A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, declarou: “Permaneceremos avançando, marchando por bem-viver e por reparação. Por todas as mães que perderam seus filhos e por todas aquelas que vieram antes de nós. Seguimos juntas em marcha, na positividade, hoje e sempre.”

Fotos: Arquivo pessoal

Da direita para a esquerda, em pé: Adriana, Norma, Paulo Roberto, Hileme Selene

 

 

O que eles avaliaram

Adriana Mattos, coordenadora de Políticas Sociais

“Queria parabenizar a Fasubra por esse encontro que era de negros e negras, e a Federação colocou um novo recorte (Raça e Etnia). Eu achei isso fantástico. Já havia sete anos que não ocorria, e a Fasubra voltou com esse encontro que eu acho de extrema importância. Porque a gente tem a possibilidade de formular políticas públicas, também para os povos originários, que também, desde sempre, vem sofrendo. Meus parabéns para o meu Sindicato também que está sempre enviando representantes atendendo o chamado da Fasubra.

Também participei da Marcha das Mulheres Negras, representando o meu sindicato, Sintufrj, Foi muito lindo. Havia mulheres de todos os estados. Brasília ficou linda. E eu queria deixar um recado para o presidente Lula. Para que não se esqueça de que foram as mulheres negras do Nordeste que o colocaram no poder. Então, o que a gente está reivindicando? Uma mulher negra no judiciário”.

Hilem Moisés, coordenador de Organização e Política Sindical

“Estivemos presentes em Brasília, no dia 22, 23 e 24 de novembro, para um encontro de raça e etnia da Fasubra. Nesse período, uma delegação escolhida pela direção e participante do GT Antirracista, do Sintufrj, participou deste encontro composto por vários debates, palestras de formação muito interessantes e que levaram a muitas discussões sobre o fazer da Fasubra, sobre o fazer do GT Nacional, com apresentação dos trabalhos locais também.

Nós pensamos, debatemos, avaliamos a formação das rotinas de trabalho e como podemos melhorar o trabalho em cada unidade local.

Além disso. foi um tempo de troca, de conhecimento de novos companheiros e companheiras, representantes de todas as regiões do país, mostrando as especificidades e, também, os objetivos a se alcançar enquanto negritude, enquanto sindicalistas.

Após o encerramento, participamos da Marcha Nacional das Mulheres Negras, onde pudemos encontrar irmãs e irmãos do Brasil inteiro para celebrar e para fazer também reivindicação, que era a marcha por reparação e bem-viver. As Mulheres Negras são a base da nossa sociedade, que estão também na base da pirâmide, sendo mais oprimidas, em movimentação por seus direitos, por suas necessidades e sabemos que elas estão alcançando uma melhora que é para toda a sociedade.

Então, eu enquanto homem, homem negro, e também mulheres brancas, homens brancos lá estiveram em apoio, como aliados pelo bem de todos. Porque a reparação por todas as mazelas históricas , levando a um bem-viver para as mulheres negras, teremos também (melhoras) para os homens negros e para toda a sociedade, com melhoria econômica, social, direito ao trabalho, sem racismo, sem machismo, sem homofobia”.

Norma Santiago, coordenadora de Políticas Sociais:

“O encontro dos negros e negras foi essencial, uma virada de página, um momento de aprendizado. Foram abordados temas muito pertinentes à população negra, como da violência obstétrica, que impacta a vida das mulheres negras, chamando a atenção para a necessidade de um cuidado mais humanizado e respeitoso. Falei também sobre a Doença Falciforme, que afeta as pessoas negras e fisicamente e emocionalmente, porque é uma doença que traz dores incríveis, horríveis, impactando a vida das pessoas acometidas por essa doença. Houve também uma mesa falando sobre letramento racial, essencial para a promoção da conscientização e a necessidade de combate ao racismo estrutural e toda forma de racismo e opressão à população negra

Apresentei também um vídeo com o tema “Mulheres Inspiradoras” que mostra que várias mulheres negras contribuem para o desenvolvimento da sociedade. Mulheres negras atuando na área da matemática, da física, da literatura, mulheres que fizeram e fazem a diferença no mundo.”.

Trecho da apresentação preparada pelo Sintufrj e exibida no encontro

 

Paulo Roberto Alves, coordenador do Organização e Política Sindical do Sintufrj:

“Contando com delegações de todo o país, o Encontro de Raça e Etnia da Fasubra, realizada em Brasília entre 22 e 24 de novembro, apresentou uma qualificada discussão sobre o tema. Além de apresentar palestras de letramento racial, a questão indígena, saúde étnica, entre outros temas, o encontro reforçou o caráter necessariamente antissistêmico no enfrentamento do racismo estrutural e genocídio institucionalizado das populações e comunidades não brancas. Mais do que promover a cultura e saberes próprios da diversidade nacional, o encontro colocou a luta antirracistas no centro de suas discussões.

Os debates animaram e efervesceram as delegações, que aplicarão o que aprenderam no sentido de desenvolver as políticas antirracistas nas bases. Neste sentido, a retomada depois de tanto tempo de hiato, foi muito positiva. Saímos com um compromisso de manter este nível de debates nas entidades de base, além de reforçar o apoio as ações da coordenação da Fasubra.

Foi muito importante o encontro ocorrer antes da Marcha Nacional das Mulheres Negras, marcha esta que mostrou todo a competência de organização e as diferentes expressões dos mulherismos em todas as esferas de saber e técnica. Uma marcha linda e efetiva para mostrar ao Brasil que o Negro, Indígena, Quilombolas e demais culturas não brancas não só sabem fazer, como o fazem com qualidade ímpar, sem dever e pedir licença a ninguém”.

Selene Vaz, coordenadora de Aposentados,

“Foi muito gratificante, produtivo, emocionante. Nós tivemos lá mesas maravilhosas, temas profundos e que tocam na alma mesmo de negros e negras, que nos chamam pra realidade, que nos fazem enxergar o quanto fomos esquecidos e maltratados, e que nossa luta hoje, por reparação, por bem viver, por dignidade, por justiça, está começando até tardiamente.

Acho que a mesa que mais impactou todas nós que estávamos foi a que tratou do assunto da violência obstétrica e da Doença Falciforme. Na mesa, duas mulheres negras, uma socióloga e a outra pedagoga. Muitas das mulheres negras, na hora do seu parto não identificaram que estavam sofrendo uma violência obstétrica. Foi, muito impactante, revelador. Parece que a ficha cai mais ainda sobre o quanto nós negras e negros sofremos. Desde o nosso sequestro da nossa terra, até hoje, discriminação, desprezo pela nossa raça.

E a marcha foi maravilhosa. E abriu espaço para todos, pois tinham homens na marcha que se juntaram à nossa luta, tinham mulheres brancas, indígenas. Então foi uma marcha inclusiva, não só para as mulheres. Os povos originários também foram vítimas de genocídio absurdo e têm uma história de reparação, e é isso que a gente quer.

A gente está buscando o nosso espaço, e está conseguindo, e eu acho que daqui pra frente a gente vai acumulando forças para continuar. Porque essa luta não vai ter fim. É diária. As pessoas já conseguem enxergar uma mulher negra, um homem negro com outros olhos. Nós temos alma, temos forças, temos luz, e somos guerreiros e guerreiras nessa luta e confiantes de que sairemos vencedores. ? Nós precisamos desse bem viver. É direito daqueles que foram sequestrados, trazidos para esse país, massacrados, humilhados, assassinados, violentados, e hoje a gente só quer esse direito de viver e ser reconhecido como pessoas iguais, com todos os seus valores, com todas as suas riquezas, com todas as suas experiências, vivências e sabedoria”.

Momentos da Marcha

Ato Unificado convocado pelo Fórum dos Servidores do Rio de Janeiro reuniu, agora à tarde, manifestantes convocados por entidades que organizam a luta de trabalhadores do setor da educação – entre os quais o Sintufrj – em frente ao Palácio Guanabra, na Rua Pinheiro Machado, em Laranjeiras. O protesto envolveu bandeiras de luta da área da educação estadual, como a rejeição à aprovação automática, e pautas mais gerais, como a luta contra a Reforma Administrativa. No caso dos servidores da educação do setor federal, a jornada pelo cumprimento integral do acordo de greve se fez presente. FOTOS RENAN SILVA

Está em curso uma epidemia de feminicídio no Brasil , Mas essa sociedade patriarcal, machista e misógina insiste que “são casos isolados”.

“Até quando as mulheres serão assassinadas por serem mulheres? Não aguento mais ver tantas de nós violentadas, estupradas e mortas”, diz a deputada estadual Renata Souza (Psol). Assista o vídeo a seguir:

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O Ministério da Gestão e Inovação publicou dia 3, um Projeto de Lei sobre o Reconhecimento de Saberes e Competências que, segundo a coordenadora-geral da Fasubra Cristina Del Papa é um “cavalo de troia” e a categoria precisa reagir.

Este é o assunto central que motivou a convocação desta reunião de emergência do GT Carreira convocada para as 9h desta segunda-feira, dia 8, no Espaço Cultural do Sintufrj

A questão também ganhou atenção na manifestação deste Dia Nacional de Lutas, 4 de dezembro, no ato dos técnicos-administrativos em frente ao Hospital Universitário. O decreto  apresentado, segundo as lideranças presentes ao ato, é a destruição do que foi acordado com os técnicos-administrativos pelo governo, depois da histórica greve da categoria em 2024. E já traz elementos que estão previstos na Reforma Administrativa. Por isso, os coordenadores conclamaram a categoria a se mobilizar nas mobilizações que virão pela frente, com a possível indicação de greve já no início do ano, pelo cumprimento integral do acordo de greve e contra a Reforma Administrativa que ataca a estabilidade e limita o investimento no serviço público e no servidor, prejudicando a população.

 

Mobilização continua esta tarde, às 14h, no Palácio Guanabara 

Na primeira atividade do Dia Nacional de Luta com paralisação, esta quinta-feira, 4 de dezembro, técnicos-administrativos em Educação da UFRJ realizaram ato em frente Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, no Fundão. No corpo-a-corpo , panfletando junto a trabalhadores e à população usuária do hospital, e através dos alto-falantes do carro de som do sindicato, coordenadores e militantes da base se revezavam para anunciar os motivos da paralisação: pelo cumprimento integral do acordo de greve, contra a reforma administrativa que retira direito dos trabalhadores do serviço público e que afeta também a população e ainda em defesa das mulheres, contra o feminicídio.

“Lutar e resistir, até o acordo cumprir”, bradaram juntos os manifestantes, chamando a todos para integrar o ato unificados com demais setores do serviço público este tarde, em mais um protesto contra a Reforma Administrativa, às 14h, em frente ao Palácio Guanabara.

Serviço público na luta

“Estamos no dia nacional de paralisação em defesa e serviço público. E dos direitos do servidor. Pelo comprimento integral do acordo de greve, pela implementação da jornada de 30 horas para os trabalhadores do Estado e redução da jornada de trabalho para toda a classe trabalhadora. Estamos lutando pelo comprimento do que foi acordado na mesa de negociação com o governo, pelo Reconhecimento de Saberes e Competências, uma ferramenta para valorizar os servidores e que infelizmente o governo está descumprindo. Nós estamos lutando também pelo reposicionamento dos aposentos, pela racionalização dos cargos”, disse o coordenador-geral Esteban Crescente, pedindo àqueles que circulavam no local que lessem o panfleto que os militantes distribuíam para entender mais sobre as questões em pauta.

“Nós temos que defender os serviços públicos para a população. O acesso à saúde, educação, habitação, segurança. Para isso é necessário investimento e valorizar os servidores e servidoras que precisam que haja recomposição das perdas salariais acumuladas”, ponderou o coordenador.

“Ato também em defesa dos pacientes”

O coordenador-geral Francisco de Assis ponderou que é importante mobilizar companheiros que, não podendo integrar o ato da manhã, se reunissem aos demais servidores no ato conjunto da Fasubra- Sindical e Forum das Entidades Nacional dos Servidores Públicos Federais (Fonasefe) no Palácio Guanabara à tarde, pelas pautas nacionais. No HU, o ato demarca uma pauta importante para  categoria: condições de trabalho do hospital.

“A gente tem conversado com os trabalhadores diariamente. É importante que os companheiros se mobilizem, porque a situação está ficando crítica, tanto do ponto de vista das condições de trabalho, quanto para o paciente que está tendo dificuldade de ser atendido. Esse ato  é em defesa dos trabalhadores mas, com certeza, também em defesa dos pacientes que estão sofrendo com a precariedade do serviço, cuja solução foi prometida lá atrás, com aquela narrativa de que haveria recursos com a entrada da Ebserh. E agora a gente vê que a precariedade continua e até em alguns casos está pior. Isso tá afetando também os demais hospitais, como o IPPMG e a Maternidade Escola e, principalmente, os companheiros dos hospitais que não fizeram adesão à Ebserh, que estão sofrendo por inanição. Então a gente precisa ter consciência do que tá acontecendo e nos mobilizar e construir uma grande mobilização dentro no hospital”, contou, explicando a intenção da direção de promover uma grande reunião geral dos trabalhadores do hospital em janeiro para o debate de todas essas questões. O Sintufrj enviou ofício à direção relatando os problemas até hoje sem resposta, mais uma pauta deste dia de luta e que será levada também ao Conselho Universitário ainda este ano.

Vamos nos mobilizar

“Nós estamos aqui para exigir do governo o cumprimento integral do acordo de greve. Queremos as 30 horas já, o RSC e a valorização dos nossos aposentados, que a cada dia que passa estão fora do planejamento do governo. Estamos aqui também para lutar por melhores condições de prestação de serviço para nossos pacientes. A gente sabe a dificuldade que a população tem enfrentado. Então estamos aqui para lutar por vocês também, contra a Reforma Administrativa que atinge todos nós”, disse a coordenadora da Comunicação Luciano Borges, chamando os colegas do hospital: “Vamos descer, vamos nos mobilizar, vamos nos juntar para que a gente possa fazer um ato bonito e impressionar o governo pelo cumprimento do acordo de greve. Precisamos de melhores condições de trabalho, para que a gente possa oferecer dignidade ao serviço prestado à população. Desça, companheiro. Só reclamar não adianta. Vamos, coletivamente, pressionar o governo para conquistar os nossos direitos”, conclamou, lembrando também a pauta em defesa dos direitos da mulher, contra o feminicídio e toda forma de violência.

RSC em risco e greve no horizonte 

O Ministério da Gestão e Inovação publicou dia 3, um decreto sobre o Reconhecimento de Saberes e Competências que, segundo a coordenadora-geral da Fasubra Cristina Del Papa é um “cavalo de troia” e a categoria precisa reagir.

A questão também ganhou atenção das lideranças na manifestação, para quem o decreto apresentado é a destruição do que foi acordado com os técnicos-administrativos e já traz elementos que estão na Reforma Administrativa. Por isso, os coordenadores conclamaram a categoria a se mobilizar, ocupando as ruas hoje à tarde, mas também nas demais mobilizações à frente, com a possível indicação de greve já no início do ano, pelo cumprimento integral do acordo de greve e contra a Reforma Administrativa que ataca a estabilidade e limita o investimento no serviço público e no servidor, prejudicando a população.

 

 

 

FOTOS: RENAN SILVA

Nesta terça-feira, 2 de dezembro, foi inaugurada a nova sede da Coordenação de Políticas de Saúde do Trabalhador (CPST), uma área de 281 metros quadrados no Polo de Biotecnologia, numa cerimônia concorrida com a presença de gestores das unidades da UFRJ, do Centro de Ciências da Saúde e servidores da CPST.

A nova sede, segundo o reitor Roberto Medronho, reflete o compromisso da gestão em melhorar a saúde do trabalhador e do corpo social da UFRJ. “Com a nova sede e instalações novas estamos promovendo mais bem-estar aos trabalhadores da CPST e para os nossos servidores”. Na oportunidade, Medronho anunciou a retomada dos exames periódicos na UFRJ.

A  coordenadora da CPST, Angela Grey, celebrou a inauguração do espaço e agradeceu os profissionais que se dedicaram à construção do projeto, aos gestores, a equipe técnica, aos servidores e aos trabalhadores da saúde.

“Hoje, inauguramos não apenas uma unidade, mas o compromisso permanente de cuidar, proteger e valorizar. E fortalecer a saúde de cada trabalhador da nossa universidade”, afirmou.

Sindicato observa

Como denunciado pelo Sintufrj, a CPST viveu uma crise provocada por decisões equivocadas da antiga gestora vindo a prejudicar o atendimento, o relacionamento com os funcionários e o diálogo com o Sintufrj.

O coordenador-geral da entidade, Francisco de Assis, disse esperar que “o processo histórico de ter conquistado o espaço inaugurado hoje se reflita numa relação humanizada com os trabalhadores e no atendimento externo”.

O dirigente disse, ainda, que as novas instalações ainda não comportam todos os servidores e que é necessário avançar na política de saúde para os trabalhadores e enfrentar, por exemplo, o problema das perícias”, ainda não comporta todos os trabalhadores.

Coordenadora cita dois pilares

Angela Grey anunciou que a nova sede da CPST nasce sob dois pilares que serão inegociáveis: humanização e qualidade de vida no trabalho.

“Humanizar para nós significa reconhecer que cada trabalhador tem uma história que merece respeito, com um contexto que precisa ser considerado e uma trajetória que deve ser acolhida. Isso significa olhar para além do trabalho, compreender o ambiente de trabalho, suas exigências, riscos, pressões e desafios. Atuar com empatia, sensibilidade e responsabilidade. Promover qualidade de vida no trabalho é garantir que a UFRJ seja também o espaço de bem-estar, saúde, segurança e desenvolvimento. Isso inclui práticas de prevenção, acompanhamento, especializado, suporte às equipes, promoção de ambientes saudáveis. Inclui a construção de uma cultura institucional que compreenda o trabalho ou espaço de dignidade, de pertencimento e realização. Esta coordenação vem para integrar ações, fortalecer vínculos, ampliar o cuidado e desenvolver políticas efetivas que de promoção a saúde do trabalhador. Aqui teremos o espaço para a escuta qualificada, para análise das condições laborais, para o atendimento interdisciplinar e para a acumulação de estratégias que possam reduzir riscos e previnam o adoecimento e favoreçam a proteção de todos que constroem a certa universidade”, disse.

A pró-reitora de Pessoal, Neuza Luzia, expressou profunda gratidão pela presença de todos, destacando o significado simbólico do evento: resistência, luta, coragem e determinação. Ela celebrou a realização de algo desejado por muitos afirmando que a nova sede não é só de fora para dentro, mais também de dentro para fora. Segundo Neuza, a nova sede representa uma união de gerações, combinando a experiência dos mais antigos com a energia dos mais jovens, visando o melhor atendimento social na universidade.  Ela destacou também a retomada dos exames periódicos e falou sobre planos para futuros programas e pesquisas em saúde do trabalhador, com a colaboração da comunidade universitária.

A cerimônia contou também com a participação da vice-reitora, Cássia Turci e o decano do Centro de Ciências da Saúde, Luiz Eurico Nasciutti.