O professor Eduardo Santiago, mestre e doutor em Direito, foi o convidado especial do GT Antirracista de 20 de maio. Ele veio de Sergipe para o Rio de Janeiro lançar seu livro “O Racismo Estrutural como Limite às Políticas Públicas de Combate à Discriminação” e deu uma aula de história e direitos sobre o tema, fazendo uma prévia do lançamento do livro.

Esse livro destaca os principais aspectos conceituais inerentes ao tema, revisitando tópicos essenciais relativos aos instrumentos necessários para a construção de uma sociedade antirracista. Por outro lado, o autor também visita questões e paradoxos que o racismo estrutural apresenta para a compreensão do processo de manutenção das desigualdades e da discriminação no Brasil contemporâneo.

“O nosso objetivo fundamental nesse momento é identificar como a questão racial se passa e se manifesta nos vários momentos da vida social”, declarou. O professor perpassou alguns tópicos como racismo estrutural, branquitude, desenvolveu através de situações de fato algumas questões envolvendo interseccionalidade, e apresentou uma expressão desenvolvida no  livro que é a expressão racismo jurídico interpretativo. Falou também como a questão racial atravessa os tópicos inerentes a segurança pública. E citou autores e pesquisadores para embasar o conteúdo de sua apresentação.

“A discriminação de raça e cor é instrumento de exploração econômica e de manutenção de espaço e de poder. Não adianta alguém querer iniciar uma discussão acerca da questão racial conosco sem discutir isso”, defende.

Eduardo Santiago bebe no episódio do assassinato por policiais de George Floyd, um negro, nos EUA em 2020 e o comparou ao caso do assassinato de Genivaldo dos Santos também morto por policiais em Recife em 2022, os dois por asfixia, coincidentemente no mesmo dia 25 de maio. Com esse exemplo ele buscou uma forma de fazer com que se compreenda que o racismo se perpetua e se reproduz da mesma forma afirmando que não se pode e não se deve deixar casos como esses se perderem no passado.

Para combater o negacionismo racial e promover uma discussão profunda sobre o tema, Eduardo Santiago aponta que é necessário  dialogar com os núcleos de estudo da violência como os da USP, UFMG e UFF. Falar de números. Mostrar o Atlas da Violência. Falar do números da Justiça. Nesse quesito percorreu Leis, a Constituição e o Código Penal.

Sobre a desigualdade racial, Eduardo Santiago mostrou e apresentou números sobre a concentração de pessoas brancas entre os mais ricos e a baixa representatividade de negros e dados relativos ao ensino – pessoas com mais de 15 anos de estudo – os quais também mostram uma porcentagem ínfima de negros ou pardos (3%) frente a brancos (78%). Ele incentiva também o debate sobre racimo a partir de dados.

“Falar de racismo é falar de números. Falar de discriminação é visitar estudos. Não se permitam conversar sobre questão racial com ninguém, principalmente com o racista, se não for a partir de números”, ensina o professor.

Em relação a segurança pública, um dos debate mais importantes em sua avaliação, apresentou a estatística do MDIP – Mortes Decorrentes por Intervenção Policial – do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Dessas mortes 84% são negros e 15% são brancos. No Rio de Janeiro 80% das vítimas são negros.

O professor tratou ainda de questões de preconceito racial e estereótipos. Ao fim de sua apresentação Eduardo Santiago afirmou que é necessário colocar o dedo na ferida da escravização – tópico que também fez parte de sua apresentação – e lembrar para não esquecer o quanto sofreram os ancestrais do povo negro.

O autor

O Professor Eduardo Santiago é Doutor e Mestre em Direito; Professor Titular de Direito Penal do Departamento de Direito da Universidade Tiradentes, tendo ingressado na docência do Ensino Superior em 2002; Advogado; Pós-graduado em Gestão Estratégica da Segurança Pública; Pós-graduado em Direito Penal e em Processo Penal; Graduado em Direito pela Universidade Federal de Sergipe.

Autor dos livros ”O Racismo estrutural como limite às políticas públicas de combate à discriminação”; ”Segurança Pública: parâmetros constitucionais para atuação da polícia militar”; e Latrocínio não é roubo seguido de morte: mentiras, verdades e curiosidades do Direito Penal”.

Produtor de Conteúdo Digital em Direito Penal, Segurança Pública e Questões Raciais, com mais de 120.000 seguidores no conjunto dos canais professor santiago_oficial no Tik tok, Kwai, instagram e youtube.

Foi Corregedor-geral da Secretaria de Estado da Justiça e da Cidadania do Estado de Sergipe; Tem experiência em Direito Penal, com ênfase na área de crimes de racismo, discriminação e Direito Penal Econômico, atuando, principalmente, nos temas: Preconceito e discriminação de raça e cor, crimes contra as ordens tributária e econômica e segurança pública e cidadania.

Eduardo Santiago fará o lançamento de seu livro na Kaza 123 em Vila Isabel no dia 23 de maio a partir das 16h

Exposição vai até o final do mês no corredor entre os blocos L e K

Mesas de debate, exposição, oficinas e apresentação orais de trabalhos compuseram a programação do III Encontro de Memória, Patrimônio e Acervos Universitários que reuniu, entre os dias 18 a 20 de maio, no prédio do Centro de Ciências da Saúde (CCS), estudantes, técnicos-administrativos, professores, pesquisadores gestores e curadores que atuam nos museus e coleções universitárias, e o público em geral para discutir a “Interface entre coleções históricas e científicas na construção do patrimônio cultural universitário”.

Aurea Ferreira Chagas, técnica em Restauração da Decania e coordenadora de Acervos culturais do CCS, dirige o evento. Segundo ela, esse encontro teve sua primeira edição em 2019, como atividade do Grupo de Trabalho Acervos Culturais do CCS, e em 2021 (por meio virtual) e ganhou continuidade com a Coordenação de Acervos Culturais, criada em 2022.

Segundo Aurea, a equipe executora do projeto conta com membros do Instituto de Biologia, Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis, Instituto de Ciências Biomédicas, Instituto de Microbiologia Paulo de Góes, Decania do CCS, Escola de Educação Física e Desportos, Escola de Belas Artes, Sistema de Museus, Coleções e Patrimônio Cultural da UFRJ.

O encontro, que tem financiamento da Faperj, contou com diversas atividades: exposição dos museus e coleções do CCS, banners descritivos das suas atividades, objetos com amostra da diversidade tipológica.

Museus e coleções do CCS

Além da mesa de abertura, no dia 18 de maio, no auditório Hélio Fraga, o evento contou, nos dias 19 e 20, com mesas de debate, com a professora Letícia Julião da Universidade Federal de Minas Gerais e o antropólogo José do Nascimento Junior, sobre a constituição e os desafios da preservação de acervos culturais em universidades.

A exposição, aberta no dia 18, está montada no Carreirão (corredor entre o bloco L e K) do CCS até o final do mês (prazo que pode se estender).

O encontro ofereceu também duas oficinas de conservação documental, dias 19 e 20, no Laboratório Didático Multiusuário do Instituto de Biofísica, realizadas pelas conservadoras-restauradoras Carolina Xavier e Maria Eduarda Cosme, com apoio do Núcleo de Pesquisa e Documentação- NPD, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo- FAU. Foram realizadas no Laboratório Didático Multiusuário do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho.

Foram realizadas ainda três sessões de apresentação de trabalhos (também nos dias 19 e 20) vinculados a ações de discentes de graduação e pós-graduação em museus e coleções universitários, no ambiente virtual nos eixos: Formação de Coleções, Gestão e Sistemas, Pesquisa aplicada à Conservação, e Mudanças Climáticas, Sociedade e Educação Patrimonial. Estes farão parte da divulgação dos resultados do evento.