Neste final de semana, capitais de todas as regiões do Brasil receberão marchas, feiras, festivais e debates políticos para celebrar o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e o Dia Nacional de Tereza de Benguela, comemorados neste sábado (25)

Sob o lema histórico de “Reparação e Bem Viver”, as mobilizações de 2026 consolidam a força política de um movimento que, desde a histórica Marcha Nacional de 2015 em Brasília e o massivo ato global de 2025 que reuniu 300 mil mulheres, segue capilarizando a luta antirracista e anticolonial diretamente nos territórios.

O Julho das Pretas, criado originalmente em 2013 pelo Odara – Instituto da Mulher Negra, alcança em 2026 a sua maior escala histórica. São 675 atividades promovidas por 292 organizações e coletivos, distribuídas por 23 estados, pelo Distrito Federal e por outros três países, estreitando os laços de solidariedade política entre as mulheres negras do Brasil, da América Latina, do Caribe e de toda a diáspora africana.

No domingo (26), a 12ª Marcha das Mulheres Negras do Estado do Rio de Janeiro ocupará a orla da praia de Copacabana. Organizada pelo Fórum Estadual de Mulheres Negras do Rio de Janeiro (FEM Negras-RJ), a manifestação traz o tema “Em defesa da democracia, contra o racismo, pela reparação e pelo bem viver”.

Um dos principais eixos de mobilização no Rio de Janeiro neste ano é o apoio à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 27/2024, conhecida como a “PEC da Reparação”, que visa incluir o direito à igualdade racial na Carta Magna e instituir o Fundo Nacional de Reparação Econômica e Promoção da Igualdade Racial, financiado por recursos públicos e indenizações de empresas historicamente ligadas à escravidão.

O ato também contará com a presença confirmada de grandes personalidades e atrizes negras da cultura brasileira, como Isabel Filardis, Maria Ceiça e Tatiana Tiburcio.

EM 2023, A Marcha das Mulheres Negras homenageou Marielle Franco e Elza Soares em Copacabana no Rio de Janeiro. Fotos de Elisângela Leite