Nem só de dor vive a história do povo negro. Histórias bem sucedidas também permeiam o rico universo da população preta e nesse sentido a cientista social e mestra em Sociologia, Juliana Ângelo, apresentou sua pesquisa, intitulada “Do êxito à hesitação: Os percursos de Histórias Negras na Educação da Baixada Fluminense”, que analisa a trajetória de oito gestoras negras de escolas públicas.

“O foco do estudo é valorizar as trajetórias de liderança e a autoestima dessas mulheres, rompendo com a narrativa tradicionalmente focada no sofrimento e destacando o poder e a potência de suas histórias”, explica Juliana que é professora de sociologia da Rede Estadual. Ela levou sua reflexão a reunião do GT Antirracista de 19 de agosto e que teve como tema “Pessoas Negras nos Espaços de Poder”.

“Busquei, sobretudo, fazer uma narrativa de mulheres negras ocupando espaços de poder. Olhando para a trajetória delas, o que as conduziu até aquele lugar? Uma das maiores preocupações foi não dar foco à dor, porque sabemos que na estrutura social brasileira a dor já se faz presente na nossa história negra nesse país. E o nosso presente ainda é muito marcado por essa herança do período colonial”.

O estudo de Juliana, que ocupa também cargo de coordenação numa escola na Penha, analisa ainda como mulheres negras educadoras, apesar de romperem barreiras estruturais ao alcançarem cargos de gestão, hesitam em assumir a direção geral das escolas.

Sua pesquisa sugere que essa estagnação em cargos de direção adjunta não é uma escolha puramente pessoal, mas um reflexo de uma estrutura racista que impõe limites à ascensão profissional dessas mulheres. O receio de ocupar espaços de maior poder administrativo e político — frequentemente associado à necessidade de negociar com um sistema que historicamente as nega e invisibiliza — gera um conflito subjetivo sobre o próprio lugar e a legitimidade de sua ocupação no poder.

“Dentro da Educação Básica você tem a direção geral e a direção adjunta. E aí essas mulheres, só duas das oito, chegaram ao lugar de Diretoras Gerais, mas porque o diretor morreu ou porque um saiu. E as outras preferiram ficar naquele lugar onde estavam e para elas estava bom. Então eu fiquei pensando, o que é esse bom? Será que não é a estrutura gritando pra elas esse aqui não é nosso lugar?”, reflete Juliana.

“Então eu fiquei pensando, será que é a estrutura que tá falando pra elas? Olha, você não pode ir além não, pretinha. Seu lugar só vai até aqui, né? Até porque você vai lidar com justamente o governo. Porque quando você ocupa uma direção geral, você cuida muito mais da parte administrativa do que pedagógica. Então é um cargo muito político, de negociações, de buscar verba para a escola, de cuidar da vida do seu funcionário, do seu servidor. E elas se questionam. Aqui, quem sou eu? É como se elas dissessem, quem sou eu para lidar com aquele que me nega? Porque eu vou ficar ali dialogando com aquele que diz todo o tempo que eu não existo? Que eu sou invisível. Ele me nega e agora eu estou ali trabalhando com ele?”, raciocina a educadora.

Sorteio

O tradicional sorteio de livros ao fim do encontro do GT premiou a própria Juliana com o livro “Lugar de Fala” de Djamila Ribeiro

E premiou também Solange Nogueira

A FASUBRA realizou, na manhã desta sexta-feira, 21 de agosto, uma superlive sobre as concessões do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC), para tirar dúvidas ao vivo e explicar os principais impactos para os(as) técnicos(as)-administrativos(as) em educação. A live teve 1.800 visualizações e, estimam os organizadores, deve ter reunido em torno de 1.200 pessoas durante a apresentação que durou quase três horas.

Com abertura política das coordenadoras gerais Cristina Del Papa e Ivanilda Reis, e de Maristela Piedade, coordenadora de Políticas Sociais e de Gênero, a live foi conduzida pelo coordenador Marcelo Rosa, membro da CNSC, em conjunto com Viktor Gruska, ambos membros da CNSC.

A coordenação da Fasubra vem reunindo as principais perguntas que têm surgido sobre, muitas abrangidas na live, e outras que comporão um “pergunta e resposta”, parte de uma cartilha – um guia prático e técnico para a categoria – que a Federação está preparando e deve ser divulgada até o dia 31 de agosto.

A CNSC Fasubra, explicou Marcelo vem verificando diferença de entendimentos entre universidades e e está atenda as dúvidas encaminhadas pela categoria, principalmente no que está sendo feita pelas Comissões do RSC em cada Ife. O objetivo da live então seria também um nivelamento do entendimento de aspectos que vêm sendo objeto de difícil compreensão deste que, ele destaca, foi um dos maiores avanços da categoria na última década, uma forma de equiparação com o Incentivo à Qualificação, e mais que o efeito remuneratório, o reconhecimento político e institucional de que somos trabalhadores em educação que construímos saber na prática diária em todas as áreas de conhecimento, em todas as instituições.

Equívocos

Mas, lamentou o coordenador, tem muita coisa que está sendo vedada nas comissões, fruto de interpretações equivocadas,  cuja vedação não consta no decreto que regulamentou o direito, que estabelece diretrizes gerais, níveis do RSC, critérios e pontuação e vedações.

Para elucidar tudo isso, a Fasubra, embasada na sua assessoria jurídica nacional e no coletivo jurídico (que reúne representantes das entidades de base), através seus representantes na CNSC do MEC – comissão que tem, além do ministério, representantes dos reitores (das entidades Andifes e Conif) – buscou entendimento do coletivo sobre pontos nebulosos. Isso gerou um relatório assinado por todos os integrantes da CNSC MEC que será consolidado em portaria em breve.

Relatório da Fasubra pode ajudar

O relatório já foi publicado pela Fasubra e remetido às entidades. “Esses pontos mais polêmicos podem ser trabalhados com o que está no relatório, que tem a explicação dos conceitos que usamos, técnicos, políticos e jurídicos, e estarão na minuta que deve ser publicada, segundo os nossos esforços, o mais rápido possível”, explicou Marcelo.

Segundo ele, chegam denúncias de que há comissões que pretendem ser “mais realistas que o rei”, com deduções próprias que prejudicam o servidor. E deu alguns exemplos: as atividades ou fatos que podem constar da solicitação não se atém apenas ao exercício do cargo atual, mas são fruto do reconhecimento de toda sua vida funcional: “Quem interpreta que é só do cargo atual está com uma visão reducionista”, apontou.

Outro aspecto diz respeito a pontuação de diplomas de títulos anteriores: “Nosso entendimento na CNSC é que só não se pode utilizar título que já estão sendo usados atualmente para o Incentivo a Qualificação. Todos os outros, inclusive os obtidos antes do ingresso no cargo, são títulos válidos. A lei não coloca restrição de tempo para a obtenção de diplomas e títulos e escolarização formal”.

Um terceiro ponto, quanto a participação de servidores aposentados nas comissões: “O decreto não apresenta vedação”,, disse ele, lembrando a importância destes companheiros que trazem memória técnica importante para o trabalho da comissão.

Muitas perguntas e respostas

Viktor reiterou a importância da minuta da portaria (que consta do relatório compartilhado através dos canais da Fasubra) que tem como objetivo disciplinar e padronizar aspectos da implementação uniforme no âmbito das instituições federais de ensino em nível nacional. Ele dividiu as dúvidas em blocos

Um deles tratou de quais documentos podem ser considerados válidos para comprovação dos critérios do anexos I a VI: Ele explicou que, segundo portaria do MEC de 4 de agosto (658), podem ser considerados válidos, documentos emitidos por instituição federal de ensino ou por órgão ou entidade da Administração Pública federal, estadual, distrital ou municipal (não precisa se dó da universidade), para comprovação de fatos ou situações relacionados à atuação do servidor.

Ele abordou também prerrogativas da comissão e ordem de preferência na análise, lembrando que há legislação sobre isso e que tem prioridade, por ordem: aqueles com idade igual ou superior a 60 anos, portadores de deficiência, física ou mental (os termos, ele lembrou, são da legislação), portadores de tuberculose ativa, esclerose múltipla, neoplasia maligna, hanseníase, doença de Parkinson, e outras doenças graves, mesmo contraída após o início do processo.

Veja perguntas e respostas que esclarecem diversos aspectos dos requerimentos e dos procedimentos das Comissões na live, que  segue disponível no Youtube da Fasubra ou acessando aqui: