Sob a Coordenação de Organização e Política Sindical, o grupo de trabalho da área de segurança se reuniu pela primeira vez na tarde desta quarta-feira (26) para traçar diretrizes de participação no seminário da área que irá acontecer entre 30 de novembro e 4 de dezembro na capital do Piauí, Teresina. Foi deliberado que os vigilantes vão fazer reunião extraordinária na Diseg (Divisão de Segurança) da UFRJ para elaborar propostas que serão apresentadas numa próxima reunião no Sintufrj. José Carlos Xavier, titular da coordenação, participou da organização do encontro.

Ameaça de intervenção dos EUA no Brasil “existe de fato”, mas encontraria resistência lá e aqui, diz diretor do Instituto de Relações Internacionais e Defesa da UFRJ

Indagado na live AGENDA BRASIL, do SINTUFRJ, se há possibilidade real de uma intervenção militar dos Estados Unidos no Brasil, o professor Eduardo Serra, diretor do Instituto de Relações Internacionais e Defesa (Irid) da UFRJ, disse que “a ameaça existe de fato”, mas que uma operação desse tipo encontraria resistência na sociedade americana e no Brasil onde, segundo sua opinião, a população majoritariamente defende a soberania do país

Serra lembrou que o país governado por Donald Trump tem um histórico de intervenções na soberania de países, influenciando em eleições e patrocinando golpes de Estado.

O professor do Irid também discorreu sobre a economia globalizada e explicar sobre o imperialismo, a extrema direita e as relações de submissão do bolsonarismo na relação com os EUA.

É uma live esclarecedora diante do momento em que vivemos, às vésperas de uma das eleições mais importantes para o país, para a democracia brasileira e para os trabalhadores. Há, entre as alternativas, a ameaça autoritária do “fascismo à brasileira”, que tem no bolsonarismo sua representação mais forte.

A íntegra da live está disponível nos canais do sindicato no Youtube e no Facebook.  

 

No atual momento as relações com os Estados Unidos alcançam uma tensão sem precedentes com punição de ministro do Supremo Tribunal Federal, classificação de facções como organização terroristas, supertarifaço e até cassação de visto da embaixadora brasileira em Washington, nos Estados Unidos.

EUA patrocinam golpes

Para os apoiadores do bolsonarismo que reverenciam os Estados Unidos, Eduardo Serra explica que os EUA são o país que tem como política, historicamente, fazer intervenções na soberania dos países pelo mundo através de golpes de estado. O Brasil foi um deles.

“Isso é feito de várias formas. Desde a interferência na esfera política, influindo nas eleições com recurso financeiro, uso de meios de propaganda e muitas vezes na forma de ações de inteligência”, disse.

“Os Estados Unidos patrocinaram muitos golpes de estado (…) na América Latina, América Central, América do Sul. São muitos golpes de estado patrocinados hoje declaradamente e comprovadamente, como no Brasil em 1964, onde ouve envio de recursos e ação da agência americana via embaixada”, disse Eduardo Serra.

Agora confira tópicos da entrevista

Imperialismo

“O fenômeno chamado imperialismo é a força das empresas ditando seus interesses. Em favor desses interesses, alguns Estados agem em favor na defesa desses interesses. Com a globalização neoliberal a partir dos anos 1990 um dos grandes perdedores foram os EUA. No primeiro governo Trump ele veio já tentando reverter esse quadro de perda. China começa a crescer. Muitas transações comerciais deixam de ser feitas em dólar e muitos países começam a ter um caminho mais independente, o chamado multilateralismo. E para reverter essa situação de perda é preciso agir com força. Tornar a América grande outra vez. E isso vem acompanhado da retomada de um pensamento conservador que se confrontou com o avanço nas políticas socias, direitos humanos, direitos trabalhistas, avanço nas políticas para as minorias em países independentes. O que desperta o ódio em algumas camadas da sociedade americana e em outros países, inclusive o nosso. Então nos EUA começam a ganhar força movimentos que sempre existiram como a supremacia branca. E muita gente não aceitou. Então junto com essa tentativa de retomar o espaço perdido na economia mundial, com perda de espaço na política, os americanos nessa situação e os segmentos mais conservadores partem para cima uma reação como um animal acuado.”

 

Extrema Direita

“É um fenômeno que acontece em vários lugares e tem a ver com o próprio desenvolvimento do capitalismo. É cada vez mais tecnologia na produção e menos empregos. Essas transformações geram insatisfações, então esses governos mais a direita para manter os privilégios dos grandes grupos, aqui no Brasil o setor do agronegócio, o financeiro, o da indústria, o do comércio, é na paulada. Para os trabalhadores não conseguirem se organizar para se contrapor a isso.”

 

Apoio do povo

“Aquelas camadas que estão no desespero, perderam emprego, não tem condição de pagar escola para o filho, não tem acesso a saúde pública, votam naquele que diz que vai mudar tudo. A figura antissistema. Sou contra tudo o que está aí. E as pessoas desesperadas compram isso e isso contamina. E o campo mais progressista não consegue deixar claro sua proposta para superar essa situação.”

 

Eleições

“Não tenho dúvida de que nesse momento tem gente paga para isso. Pensando em como ajudar a direita e a extrema direita a enfrentarem as eleições. Isso se faz de várias formas, com informação, contra informação, com recursos financeiros para as campanhas. É bastante provável que essas coisas estejam acontecendo, uma interferência por debaixo dos panos e por cima também, com pronunciamentos do governo americano, ataques contra a política brasileira.”

 

Informação

“A tarefa de todos nós é esclarecer sobre tudo isso para o maior número de pessoas para que essas ameaças sejam afastadas ou minimizadas ou eliminadas. A ameaça existe e o risco político envolvido é grande. Todos devemos nos informar e facilitar para que mais gente se informe para que haja forte oposição a qualquer ameaça desse tipo. E com defesa da soberania brasileira em todos os sentidos.” FOTOS: RENAN SILVA