Homenagem nacional a professores que formam profissionais para a saúde, comemorado no HUCFF e em outros 47 hospitais, foi marcado por falas potentes em defesa do SUS e da educação pública, e a convocação à luta contra ataques às políticas sociais e retrocessos nos direitos civis.
O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, deputada federal Jandira Feghali (PCdoB), o presidente da HU Brasil, Arthur Chioro, participaram da cerimônia , nesta quinta-feira, 15, “Gerações do Cuidado — Dia dos Professores e da Educação na Saúde”*, no auditório Harley Pacheco, no 12º andar do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho.
Foto e Vídeo: Renan Silva


À mesa da cerimônia estavam o superintendente executivo do Complexo Hospitalar UFRJ–HU Brasil, Marcos Freire, a deputada federal Jandira Feghali, o ministro da Saúde Alexandre Padilha, o reitor Ricardo Medronho e o superintendente geral do CH-HU Brasil, Amâncio Paulino.

Pelo Sintufrj, estavam presentes os coordenadores Ana Célia, Maria Lenilva, Marly Rodrigues e Nivaldo Holmes.

Foi um evento simultâneo em hospitais universitários federais em todo o país para celebrar o papel de professores, preceptores, tutores, orientadores e demais profissionais que contribuem para a formação de trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS).
A programação incluiu a homenagem coletiva dos estudantes aos profissionais que participam de sua formação, além do reconhecimento de trajetórias que representam diferentes gerações do ensino em saúde.
Para um auditório repleto, Padilha destaca os avanços na Educação e na Saúde.
O reitor Roberto Medronho: “Devemos denunciar com firmeza quem transforma desinformação em instrumento de influência e coloca vidas em risco”.
As falas não apenas do ministro e do presidente do HU Brasil, mas do diretor do HU Marcos Freire, do superintendente Amâncio Paulino, destacaram a importância dos hospitais universitários na integração entre ensino e assistência e na formação de profissionais comprometidos com as necessidades de saúde da população brasileira.
Negacionismo quer apagar o que aconteceu na pandemia

Além de relacionar os investimentos feitos nos hospitais universitários e, em consequência, na formação dos profissionais, na assistência e na ciência, o ministro Padilha destacou que hoje a sociedade enfrenta dois tipos de negacionistas: “Há os negacionistas da ciência, que negam vacina, negam evidências científicas. Agora têm um tipo de negacionismo que quer fazer a gente esquecer o que aconteceu na pandemia nesse país. E a gente não vai esquecer. Não vai esquecer o que aconteceu nesse hospital, o que os profissionais de saúde tiveram que enfrentar. Trabalhadores e trabalhadoras de saúde mental, professores, estudantes. Uma geração inteira que entrou na faculdade quando foi instalada a pandemia. Durante um ano, dois anos, sofreu o impacto disso, algo que se prorrogou por mais tempo do que ´precisava se prorrogar no nosso país pela irresponsabilidade na condução. Eu acho que existe sim uma mobilização de espalhado em todo o país em defesa da saúde e da educação. Isso tem um peso muito decisivo para a construção do nosso
futuro”, disse ele, fazendo, em seguida, um balanço e prestação de contas nas ações que foram feitas e o impacto na formação profissional.
O ministro lembrou: “A gente tem muito orgulho de falar que o Brasil é o único país com mais de 100 milhões de habitantes a assumir esse desafio ousado de ter uma saúde pública universal (o SUS) para todos e todas. Lá na nossa Constituição”.
Lembrou também que o SUS é a maior escola de formação de profissionais de saúde no Brasil e certamente, uma das maiores escolas de formação de profissionais do mundo. Isso nos dá uma grande responsabilidade. É uma escola que começa na universidade”, segundo ele, uma universidade que está se transformando: “É muito simbólico ser um negro a representar o Centro Acadêmico de Medicina (o estudante Pedro Henrique, do CA Carlos Chagas)”, disse, apontando que quando se formou em sua faculdade havia dois estudantes negros numa turma de 100 alunos e hoje, negros e pardos são mais
da metade e muitos estudantes vem da escola pública. Estudantes que hoje estão transformando a universidade como um todo.
Ditadura nunca mais
Amâncio falou das gerações de professores, contou que sua família de imigrantes chegou ao Brasil na década de 50, momento em que a universidade publica cumpriu papel fundamental, mesmo que ainda não tivesse a cara da sociedade brasileira. E destacou alguns nomes de professores como Clementino Fraga filho, que deu nome ao hospital, delineando sua trajetória em prol da ciência e lembrando sua posição quando a policia, na ditadura, quis invadir o prédio na Praia vermelha e ele, se postando à frente dos policiais, disse que só passaria dali quem faz vestibular.
Hoje, contou, as universidades públicas se multiplicaram, com caráter público e gratuito, mas hoje com o retrato da sociedade brasileira. “A missão que a gente deve cumprir hoje é fortalecer a universidade pública, o SUS e ultrapassar nossas limitações. Nos juntamos em uníssono com o resto da sociedade para dizer: Universidade pública, sim. Ditadura nunca mais!”.
A defesa da ciência é compromisso com a vida

O reitor Medronho destacou que a defesa da universidade exige coragem, inclusive para enfrentar o o movimento antivacina. “A desinformação sobre saúde tem consequências na vida das pessoas. Quando? Quando o medo fabricado afasta a família da vacinação e o dano ultrapassa aquela família e ameaça a sociedade e a proteção coletiva. Há muitos anos atrás que a vacinação é um direito, mas um dever da população Precisamos combater as mentiras com evidências, com educação e com presença. Acolher quem tem dúvidas, ouvir suas inquietações e explicar com clareza. Ao mesmo tempo, devemos denunciar com firmeza quem transforma desinformação em instrumento de influência e coloca vidas em risco. A defesa da ciência é um compromisso com a vida. É desse compromisso podemos abrir mão”, disse o reitor, destacando ainda:
“Também não podemos silenciar diante dos ataques que a universidade pública vem sofrendo. Rejeitamos intransigentemente a desqualificação de seus professores, a hostilidade aos seus estudantes e as tentativas de desacreditar o conhecimento que ela produz. Quem conhece nossos hospitais, laboratórios, salas de aulas e projetos de iniciação sabe quanto trabalho existe aqui”.
E concluiu lembrando que o conhecimento precisa de liberdade para questionar. De espaço para divergência e de respeito ao diálogo. “Sem democracia não há
pensamento crítico, não há ciência, não há futuro”.
“Vote na democracia e na soberania”, defende Jandira
Durante evento, a parlamentar alertou para os riscos de uma escolha equivocada nas urnas: ameaças à pesquisa científica, à formação qualificada nas instituições federais de ensino, ao Sistema Único de Saúde (SUS) e à liberdade de pensamento no ambiente universitário, com possíveis perseguições políticas a quem adotar uma postura crítica. “Vote Lula no dia 25”, recomendou uma das mais combativas deputadas do campo progressista na Câmara dos Deputados.
Veja sua manifestação.
Homenagens emocionantes
Tiveram fala docentes homenageados simbolicamente em nome de todos os demais: a decana do Centro de Ciências da Saúde, Avany Fernandes, que recebeu a homenagem de alunos do Instituto de Nutrição, do qual é professora, e Joaquim Ribeiro Filho, do Programa de Pós-Graduação em Medicina, que recebeu a homenagem de um ex-aluno.
Transformando vidas
O representante do Centro Acadêmico Carlos Chagas, da Faculdade de Medicina, Pedro Henrique Souza de Castro, destacou: “Levaremos conosco muito daquilo que aprendemos com vocês. Quero expressar o quanto somos gratos por aprender com profissionais que, mesmo diante de tantos desafios, seguem dedicando seu tempo, conhecimento e experiência na formação. Em nome do Centro Acadêmico dos estudantes de Medicina da UFRJ, deixo aqui o nosso carinho, reconhecimento e sincero agradecimento. Talvez vocês nunca saibam quantas vidas se transformaram por meio de cada estudante que ajudaram a formar. Mas tenho a certeza que esse impacto existe e se multiplica. Ultrapassa gerações. Muito obrigado. E feliz Dia dos Professores”, concluiu o estudante.

O representante do CA de Medicina, Pedro Henrique à esquerda e a decana do CCS Avany ao centro. Também homenageado, o professor Joaquim, entre o reitor e o ministro da Saúde.
