Presidente destaca investimentos em educação, indústria e tecnologia e faz críticas ao histórico da família Bolsonaro

José Henrique Artigas observa ‘avalanche de votos da extrema direita’ e aumento da capilaridade no país

A definição do próximo presidente do Brasil ficou para o segundo turno, dia 25 de outubro, após a disputa acirrada do primeiro turno colocar Flávio Bolsonaro (PL), com 47,03%, um pouco à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que teve 45,16%. A legenda mais identificada com o bolsonarismo conseguiu a maior bancada da história do Congresso, com 121 deputados federais e 28 senadores.

O resultado surpreendeu, porque as pesquisas de intenção de votos, especialmente as divulgadas na semana que antecedeu o primeiro turno, apontavam para uma disputa apertada, mas com Lula na frente.

O cientista político José Henrique Artigas, professor do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes da Universidade Federal da Paraíba (CCHLA-UFPB), reforça que o resultado, com base nas análises de tendência, acabou sendo surpreendente e destaca os resultados positivos da composição do legislativo para a extrema direita.

“Houve uma verdadeira avalanche de votos atribuídos a extrema direita particularmente ao PL de Flavio Bolsonaro. Essa eleição coloca o PL como partido mais forte do Brasil, que conquistou o maior número de parlamentares e de governos estaduais, principalmente em cima do Centrão. O somatório dos partidos de esquerda e centro-esquerda mudou muito pouco em relação à composição de 2022. Partidos como PP e União Brasil deram espaço para o PL. Isso jamais aconteceu na história do país”, avalia.

Artigas reforça que a eleição “foi atípica” e compara com o movimento de 2018. “Flávio Bolsonaro conseguiu vencer em estados onde, em 2022, Lula havia garantido a vitória”, pontua.

Para o cientista político, ainda que Lula consiga reverter o cenário e sair vitorioso no segundo turno, “terá um caminho dificílimo para enfrentar”. Artigas observa que a tendência de crescimento da direita, desde 2018, já vinha se consolidando, mas alerta que o que está em evidência não é mais uma “oposição do Centrão liberal”. “Estamos falando de uma oposição da extrema direita golpista. A extrema direita do PL flerta com o golpe, com o autoritarismo e, portanto, com o rompimento da ordem institucional estabelecida”, resume.

O analista questiona a ideia de que há um “avanço conservador” no Brasil. Para ele, trata-se de um “retrocesso conservador e avanço reacionário”. José Henrique Artigas alerta que, caso se torne presidente, o primeiro ato de Flávio será anistiar seu pai, Jair Bolsonaro, e os golpistas do 8 de janeiro.

“É um grupo de golpistas que quer destruir as instituições. São representantes eleitos que claramente querem retroceder a antes de 1988. Que nos preparemos para tempos muito difíceis. A democracia que conseguiu se sustentar após crises vai ter que demonstrar muito mais resistência e resiliência. Toda a corja golpista sairá da cadeia, caso Flávio ganhe”, ressalta.

Profunda transformação da comunicação

O analista político observa uma mudança na última década na forma em que grupos e lideranças políticas se conectam com o eleitorado, apontando para uma perda de relevância da forma de comunicação tradicional para os algoritmos nas plataformas das redes sociais. Nesse sentido, o campo conservador conseguiu, com mais habilidade, capturar essa dinâmica.

Artigas compara o atual cenário de marketing político aos anos 1930, quando o nazismo e o fascismo ganhavam capilaridade e a mensagem era dirigida a grupos muito específicos. Ele avalia que “o debate não aconteceu pelas vias tradicionais e não foi para as ruas”, garantindo a vitória a figuras como Nikolas Ferreira, que concentram sua atuação nas redes sociais.

“O mecanismo hoje de inteligência artificial, que orienta a captura de dados, acaba dificultando manifestações coletivas. A propaganda eleitoral é orientada ao indivíduo, bombardeado pelos algoritmos”, observa.

Nesse sentido, Artigas avalia que esse formato comunicacional acaba alavancando o projeto principal da extrema direita, que era aumentar a capilaridade. “Desde 2022, o PL vinha se reorientando a aumentar a capilaridade. Em 2018, ainda como PSL, ele tinha certa dificuldade de avançar pelo país. A partir de 2022, eles conseguem a capilarização. E isso terá um impacto imenso. Caso eleito para a presidência, Flávio vai navegar em mar tranquilo, semelhante ao segundo governo Trump, com capacidade de impor e não negociar a presidência do Senado e a presidência da Câmara”, afirma.

“Hugo Motta e Davi Alcolumbre que coloquem suas barbas de molho, porque estavam com a expectativa de reeleição [na presidência da Câmara e Senado]”. Para ele, o segundo turno se trata de disputar essas forças do Centrão.

Para Artigas, o voto útil foi uma tendência e acabou sendo um fiel da balança. Além disso, o cientista político avalia que a campanha de Flávio sai vitoriosa do primeiro turno, garantindo pelo menos cinco palanques importantes estaduais, contra quatro de Lula. “Campanha de Flávio sai do primeiro turno com tendência de crescimento, conseguindo votos úteis de outros candidatos da direita. Não acredito que haverá grandes mudanças no campo bolsonarista”, aponta.

Já para o campo lulista, Artigas avalia que a mudança deverá ser drástica e critica a campanha que, segundo ele, “ficou muito focada no passado e em denúncias contra Flávio”, como os escândalos do Banco Master, que não colam e não surtem o impacto esperado. “Apesar da diferença proporcional de votos ser relativamente pequena, o grau de calcificação desde o início da campanha revela a grande dificuldade de conquista de indecisos e um arco muito restrito da possibilidade de mudar de opinião”, pondera.

Para ouvir e assistir

O É de Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira e, no período eleitoral, começa às 7h25 da manhã, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

No último grande ato da campanha de Lula no Rio de Janeiro, o candidato do PT foi celebrado por uma multidão em caminhada da Candelária até a Cinelândia, roteiro histórico de manifestações políticas na cidade. O SINTUFRJ desfraldou bandeiras sinalizando a presença de trabalhadoras e trabalhadores da UFRJ que apostam da reeleição do presidente do Brasil de olhos voltados para a defesa da universidade pública e de seus servidores. O ato aconteceu numa atmosfera de vitória de Lula ainda no primeiro turno , como acredita muitos dos seus eleitores. E um dia após o episódio da implosão do debate da TV Globo, emissora de tradição golpista que havia preparado uma arapuca para a maior liderança popular da história recente do país. O grupo Globo, como setores de peso da burguesia, abraçou o projeto que representa o fascismo de um candidato vinculado a milicianos. FOTOS: RENAN SILVA

 

O SINTUFRJ alerta a categoria sobre mais um tipo de golpe: vídeo com fotografias alteradas, manipuladas ou criadas por inteligência artificial para enganar ou distorcer a realidade de advogados da assessoria jurídica do sindicato, Rudy Cassel, está circulando nas redes sociais com o objetivo de lesar os servidores. Cuidado! É tudo falso! Golpe!

Não forneça seus dados pessoais, documentos ou informações bancárias e não realize nenhum pagamento ou transferência a partir desse tipo de mensagem.

O SINTUFRJ não solicita depósitos, taxas ou pagamentos para liberar valores de processos judiciais.

Antes de seguir qualquer orientação recebida por WhatsApp ou outros canais, confirme a informação diretamente com os canais oficiais do SINTUFRJ.

Recebeu esse comunicado? Não clique em links, não forneça informações e denuncie a tentativa de golpe.

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Assembleia aprova apoio à Lula e às candidatas ao Senado Benedita da Silva e Monica Benício

A assembleia simultânea do SINTUFRJ no dia 9 de setembro,  presencial e online, nos campi da Cidade Universitária (auditório do Centro de Tecnologia), Praia Vermelha e no Centro Multidisciplinar UFRJ Macaé, aprovou o documento enviado pela FASUBRA às suas bases, orientando o voto no presidente Lula, que concorre à reeleição, e nas candidaturas aos governos estaduais, Senado, Câmara dos Deputados e Assembleias Legislativas do campo democrático-popular.

A categoria também deliberou pelo apoio explícito as duas  candidatas ao Senado, Benedita da Silva (PT) e Monica Benicio (Psol).

 

As principais orientações da Justiça Eleitoral para as Eleições de 2026, de acordo com as diretrizes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o primeiro turno da votação, no domingo, 4 de outubro, são:

Dia da votação — horário padrão em todo o país: das 8h às 17h.

Ordem de votação na urna:

. Deputado Federal (4 números)

. Deputado Estadual (5 números)

. Primeiro Senador (3 números)

. Segundo Senador (3 números) – o eleitor deve escolher duas candidaturas diferentes devido à renovação de dois terços do Senado.

. Governador (2 números)

. Presidente da República (2 números)

 

LEVE SUA COLINHA. Ela é permitida na cabine de votação.  Só não pode deixar lá.

Para ter acesso à cabine de votação, é obrigatório apresentar um documento oficial com foto. São válidos:

. Identidade (RG) ou Passaporte

. Carteira Nacional de Habilitação (CNH)

. Carteira de categoria profissional reconhecida por lei

. Certificado de reservista

. Aplicativo e-Título, desde que sua biometria já esteja cadastrada e sua foto apareça na interface do app. Caso a foto não apareça, você precisará mostrar um documento físico com foto junto.

 

Proibições

Celulares e eletrônicos – É estritamente proibido entrar na cabine de votação portando aparelhos celulares, câmeras fotográficas ou filmadoras. Você pode usar o smartphone para exibir o e-Título aos mesários, mas deverá desligá-lo e deixá-lo no local indicado antes de se dirigir à urna.

Propaganda eleitoral – Até às 22h de sábado, 3 de outubro, são permitidas caminhadas, carreatas e panfletagens.

 

Roupas e manifestações ideológicas

. Os mesários não podem usar vestimentas ou objetos que caracterizem propaganda de partido político, federação, coligação ou candidatos.

. Os eleitores não podem distribuir camisetas, descartar panfletos em vias públicas e fazer boca de urna (toda e qualquer propaganda eleitoral) também são vetados no dia da eleição.

. Mas, o eleitor pode se manifestar de maneira individual e silenciosa, usando camisetas, bandeiras, broches, emblemas e adesivos. A famosa “cola” também é permitida e o eleitor pode entrar na cabine levando consigo um papel com anotações ou o “santinho político”.

. Você pode votar de bermuda e chinelo, porque as regras determinadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não proíbem a utilização de nenhum dos dois itens.

. Porém, é proibido entrar nas zonas eleitorais sem camisa ou trajando roupas de banho, como biquíni, maiô ou sunga.

 

Como justificar ausência

A eleitora ou o eleitor ausente do seu domicílio eleitoral no dia e horário da eleição (das 8h às 17h) poderá apresentar justificativa para o primeiro, o segundo ou ambos os turnos, por meio de uma dessas opções:

. Aplicativo e-Título: baixe nas Plataformas Android e iOS;

. Formulário Requerimento de Justificativa Eleitoral (formato PDF): apresente preenchido nas mesas receptoras de votos ou de justificativas instaladas para essa finalidade nos locais divulgados pelos Tribunais Regionais Eleitorais e pelos Cartórios Eleitorais (consulta a zonas eleitorais).

Não é necessário anexar documentos que comprovem o motivo da ausência quando a justificativa for apresentada no dia da eleição.

O histórico de justificativas eleitorais, contendo os respectivos pleitos em que a eleitora ou o eleitor estiveram ausentes, poderá ser consultado no aplicativo e-Título.

O acesso ao aplicativo e-Título está disponível somente para quem está com o título eleitoral regular ou suspenso.

No caso de utilização do Requerimento de Justificativa Eleitoral (RJE), é necessário apresentar também um documento oficial de identificação com fotografia (e-Título, carteira de identidade, identidade social, passaporte, certificado de reservista, carteira nacional de habilitação, carteira de trabalho ou outro documento de valor legal equivalente, inclusive carteira de categoria profissional reconhecida por lei) no local de votação ou de recepção de justificativas. Esses documentos são aceitos ainda que expirada a data de validade.

O Formulário RJE pode ser obtido nas unidades de atendimento da Justiça Eleitoral (cartórios eleitorais, postos e centrais de atendimento), nos portais do Tribunal Superior Eleitoral e dos Tribunais Regionais Eleitorais e, no dia do pleito, nos locais de votação ou de justificativa, e em outros locais previamente autorizados pela Justiça Eleitoral.

 

 

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Uma data para celebrar a experiência, a sabedoria, a memória e as histórias de vida de milhões de brasileiras e brasileiros.

O SINTUFRJ homenageia especialmente os idosos e idosas da UFRJ — aposentadas e aposentados e também aqueles que continuam na ativa.

Cada um e cada uma traz consigo uma trajetória de dedicação à Universidade, ao serviço público e à sociedade.

1º de outubro. Dia Nacional do Idoso.

A todas as idosas e idosos da UFRJ, nosso respeito, carinho e reconhecimento.

SINTUFRJ — valorizando quem fez, quem faz e quem continua fazendo parte da nossa história!

Diretoria do Sintufrj, gestão 2025-2028, junto com a categoria!

Ouça a mensagem na Rádio Sintufrj

 

Mercado de trabalho atingiu recorde de ocupados e carteira assinada

Publicado: 29 Setembro, 2026 – 12h13 | Última modificação: 29 Setembro, 2026 – 12h17

Escrito por: Bruno de Freitas Moura, Agência Brasil

Bruno Peres / Agência Brasil – arquivo
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A taxa de desemprego no trimestre encerrado em agosto ficou em 5,3%, a menor já registrada para o período desde 2012, quando se inicia a série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além disso, o instituto registrou recorde no número de trabalhadores ocupados, carteira assinada, massa salarial e contribuição para a previdência.

O desempenho do desemprego no período de três meses até agosto representa recuo em relação ao trimestre móvel até maio (5,6%) e em comparação ao mesmo período de 2025 (5,6%). De acordo com a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda, o resultado veio em linha com a expectativa de analistas do mercado. 

Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada nesta terça-feira (29).

O levantamento mostra que no trimestre até agosto a população ocupada atingiu 103,5 milhões de pessoas, a maior já registrada. Esse contingente representa alta de 0,8% em relação ao trimestre até maio, isto é, mais 774 mil trabalhadores.

A pesquisa revela ainda que os grupamentos de atividade que puxaram a alta da ocupação foram a indústria geral (crescimento de 2%, ou mais 265 mil pessoas) e construção (4,1%, ou mais 306 mil pessoas).

Carteira assinada na máxima

O número de empregados do setor privado com carteira assinada atingiu 39,5 milhões, também recorde.

A população desocupada terminou o período em 5,8 milhões de pessoas, recuo de 4,6% (menos 281 mil) na comparação com o trimestre de março a maio.

A população desalentada, formada por aquelas pessoas que sequer procuram trabalho pois acreditam que não vão encontrar, somou 2,4 milhões até agosto – patamar estável em relação ao trimestre anterior e 11,9% menor (menos 317 mil) em relação ao mesmo período de 2025.

A taxa de informalidade – proporção de trabalhadores informais na população ocupada – foi de 37,5%, o que representa 38,8 milhões de pessoas. No trimestre anterior era 37,3%.

O IBGE aponta como informais os trabalhadores sem carteira e os autônomos e empregadores sem CNPJ. Essas pessoas não têm garantidas coberturas como seguro-desemprego, férias e 13º salário.

Massa salarial recorde

O rendimento mensal médio do trabalhador ficou em R$ 3.777. No trimestre até maio era R$ 3.752. O maior já registrado foi R$ 3.804, no primeiro trimestre de 2026.

A massa salarial, somatório dos salários de todos os trabalhadores, dinheiro que acaba sendo usado para consumo, pagamento de dívidas, investimentos e poupança, alcançou R$ 385,6 bilhões, a maior da série, com crescimento de 1,4% no trimestre (mais R$ 5,2 bilhões) e de 4,8% (mais R$ 17,5 bilhões) em um ano.

Recorde de contribuintes para a Previdência

De acordo com a Pnad, o Brasil atingiu o maior número já apurado de trabalhadores contribuintes para institutos de previdência, 68,5 milhões de pessoas. Isso representa que de cada 100 trabalhadores, 66,2 contribuem.

Ao contribuir para institutos de Previdência, o trabalhador adquire garantias como aposentadoria, benefício por incapacidade e pensão por morte.

O IBGE considera contribuintes os empregados, empregadores, trabalhadores domésticos e por conta própria que tenham contribuído para institutos de Previdência oficial federal (INSS ou Plano de Seguridade Social da União), estadual ou municipal.

Retrato do mercado de trabalho

A pesquisa do IBGE apura o comportamento no mercado de trabalho para pessoas com 14 anos ou mais e leva em conta todas as formas de ocupação, seja com ou sem carteira assinada, temporário e por conta própria, por exemplo.

Pelos critérios do instituto, só é considerada desocupada a pessoa que efetivamente procurou uma vaga 30 dias antes da pesquisa. São visitados 211 mil domicílios em todos os estados e no Distrito Federal.

O menor desemprego já registrado pela Pnad foi 5,1%, no último trimestre de 2025. A maior taxa já constatada foi 14,9%, atingida em dois períodos: nos trimestres móveis encerrados em setembro de 2020 e em março de 2021, ambos durante a pandemia de covid-19.

Votação definirá a composição do Legislativo e as forças que conduzirão debates sobre trabalho, serviço público e políticas públicas

No próximo domingo, 4 de outubro, os brasileiros irão às urnas para escolher não apenas presidente da República e governadores, mas também os parlamentares que formarão o Congresso Nacional nos próximos anos. Estarão em disputa todas as 513 cadeiras da Câmara dos Deputados e 54 das 81 vagas do Senado.

A dimensão dessa escolha vai além da renovação de nomes. É no Congresso que passam decisões sobre jornada de trabalho, negociação coletiva, serviço público, Previdência, orçamento, tributação, proteção social e outras políticas com impacto direto na vida da população. A composição das duas Casas determinará quais posições terão maior peso nesses debates a partir de 2027.

O Prognóstico do Novo Congresso Nacional – Eleições 2026, elaborado pelo DIAP, mostra uma disputa marcada pela forte presença de parlamentares que buscam permanecer no Legislativo. Na Câmara, 438 dos 513 deputados concorrem à reeleição. A projeção mais recente do Departamento estima renovação entre 39% e 43%, com aproximadamente 297 a 315 deputados reconduzidos ao mandato. O próprio estudo ressalta que as projeções estão sujeitas às incertezas características das eleições proporcionais.

No Senado, onde dois terços das cadeiras estarão em disputa, o cenário também pode produzir mudanças importantes. São 54 vagas em jogo, e 32 senadores tentam a reeleição. O DIAP projeta renovação entre 22 e 44 cadeiras, resultado capaz de modificar a correlação de forças na Casa.

Os números ajudam a mostrar por que a eleição parlamentar merece atenção. Para trabalhadores, servidores públicos e organizações sindicais, conhecer a trajetória, as propostas e a atuação dos candidatos é uma forma de avaliar como diferentes projetos poderão estar representados nas decisões sobre direitos, relações de trabalho, serviços públicos e políticas sociais.

A cinco dias das urnas, portanto, o debate não se resume a quantos nomes serão renovados. A questão central é qual será a composição política do Congresso que decidirá sobre temas de interesse da sociedade nos próximos quatro anos.

O DIAP seguirá acompanhando as eleições e, após o resultado das urnas, analisará a nova composição da Câmara e do Senado e seus possíveis reflexos sobre a agenda legislativa de interesse dos trabalhadores.

Como quase 17 milhões de pessoas acima dos 70 anos podem evitar ações nocivas nas decisões sobre Previdência, saúde, renda, cuidados e proteção social

Publicado: CUT 01 Outubro, 2026 – 09h19 | Última modificação: 01 Outubro, 2026 – 09h38

Escrito por: Luiz R Cabral

O Dia Internacional da Pessoa Idosa, celebrado em 1º de outubro, ganha importância especial neste ano por ocorrer poucos dias antes das eleições, marcadas para 4 de outubro. A proximidade entre as duas datas chama atenção para milhões de brasileiros que, todos os dias, lidam com questões como o valor da aposentadoria, o acesso a medicamentos, as consultas no SUS, o transporte e a necessidade de cuidados.

O Brasil está envelhecendo rapidamente. Já são mais de 34 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, segundo o IBGE. Esse crescimento também aparece nas urnas: quase 17 milhões de pessoas com 70 anos ou mais estão aptas a votar nas eleições de 2026, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Esse eleitorado representa mais de um em cada dez eleitores do país e cresceu 15,75% em relação a 2022.

À medida que a população envelhece, aumentam também as necessidades de aposentadorias que garantam segurança financeira, atendimento de saúde, assistência social, transporte, moradia, proteção contra a violência e uma rede de cuidados para quem precisa de ajuda no dia a dia.

É por isso que o voto das pessoas idosas tem importância nas eleições de 2026. No dia 4 de outubro, elas não escolherão apenas o presidente da República. Também vão decidir quem ocupará os governos estaduais, o Senado e as cadeiras da Câmara dos Deputados e das assembleias legislativas. São escolhas que podem fazer diferença na vida de quem quer envelhecer dignamente.

Eleitorado 70+ ganha peso nas eleições

Para quem tem 70 anos ou mais, o voto é facultativo. Isso significa que a pessoa pode decidir se quer ou não comparecer às urnas. Mas, ao optar por não participar, ela deixa que outras pessoas decidam quem terá o poder de definir políticas e leis que afetarão sua renda, seus direitos, sua saúde e seu futuro.

Para aposentados e pensionistas do INSS, porém, existe ainda outro motivo para ir às urnas: o registro da participação eleitoral pode ser utilizado na prova de vida, por meio do cruzamento de informações entre a Justiça Eleitoral e o Instituto.

Congresso já cortou direitos do trabalhador

Um exemplo concreto de como o Legislativo interfere na vida de trabalhadores e aposentados é a reforma da Previdência de 2019. A PEC 6/2019 aumentou a idade mínima para aposentadoria na regra geral — 62 anos para mulheres e 65 para homens —, alterou o cálculo dos benefícios e estabeleceu novas regras de transição.

Na prática, as mudanças passaram a exigir mais tempo de trabalho e contribuição de parte dos segurados para alcançar a aposentadoria e, em determinadas situações, reduziram o valor do benefício em relação às regras anteriores. A reforma também alterou critérios de cálculo e regras de benefícios previdenciários, incluindo mudanças nas pensões por morte em determinadas situações de acumulação.

A proposta enviada pelo governo de Jair Bolsonaro avançou no Congresso com ampla maioria. Na Câmara, o texto-base foi aprovado em primeiro turno, em 10 de julho de 2019, por 379 votos a 131, e, em segundo turno, por 370 votos a 124. No Senado, a votação do texto principal em segundo turno terminou com 60 votos favoráveis e 19 contrários. Entre os votos favoráveis estava o do então senador Flávio Bolsonaro, hoje candidato à Presidência.

Para o secretário de Pessoas Aposentadas, Pensionistas e Idosas da CUT, Ari Aloraldo, o resultado das votações da reforma da Previdência mostra a importância de o eleitor conhecer o histórico dos parlamentares antes de escolher seus representantes. Segundo ele, muitas pessoas deixam para decidir o voto para o Legislativo apenas no momento da votação.

“Estatísticas mostram que muitas pessoas deixam para decidir o voto para o legislativo na própria urna”. Para Aloraldo, a reforma da Previdência de 2019 é um exemplo concreto de como a escolha dos parlamentares pode ter consequências diretas e nocivas na vida dos trabalhadores e aposentados.

“A reforma da Previdência de 2019, que tirou muitos direitos, aumentou o tempo para a mulher se aposentar, mexeu e tirou 50% do valor das pensões e acabou com a Previdência por tempo de contribuição. Essas coisas que aconteceram na reforma de 2019 foram feitas por deputados, deputadas, senadores e senadoras que estão encerrando o mandato agora”, afirma.

A partir desse exemplo, o secretário alerta que mudanças nas regras previdenciárias podem voltar ao debate nos próximos anos e defende que os eleitores acompanhem as propostas apresentadas pelos candidatos e o histórico de seus posicionamentos.

“Se a gente quer evitar que aconteça uma nova reforma, é preciso ficar atento. Inclusive, os candidatos da extrema direita estão dizendo que tem que aumentar o tempo para aposentadoria. Também querem igualar o tempo da mulher com o tempo do homem e elevar para 70 anos de idade a aposentadoria”, diz.

Antes de votar, consulte o histórico dos parlamentares

Conhecer o histórico dos candidatos permite ao eleitor verificar como os parlamentares se posicionaram em votações que envolvem direitos previdenciários, trabalhistas e sociais. Os portais da Câmara dos Deputados e do Senado permitem consultar votações nominais e os votos registrados individualmente.

Na Câmara, é possível pesquisar a proposição e verificar o voto de cada deputado.

Consulta às votações nominais da Câmara dos Deputados

No Senado, o sistema permite consultar as matérias submetidas a votação nominal e os votos dos senadores.

Consulta às votações nominais do Senado Federal

“É extremamente importante que, antes de a pessoa votar, agora, na sexta e no sábado, faça a sua colinha, pesquise quem é o deputado, a deputada da sua região que está aparecendo na sua região, quem são essas pessoas, se são deputados e deputadas, em quem eles votaram, como votaram na reforma da Previdência”, orienta Ari Aloraldo.

Discussões no próximo mandato que afetam trabalhadores e aposentados

Olhar para o histórico dos parlamentares, porém, não basta. O próximo Congresso também terá de decidir sobre pautas que podem alterar direitos dos trabalhadores e aposentados.

“Agora nós temos algumas pautas importantes para o próximo período, que são essas cabeças que vão acabar decidindo: o fim da escala 6×1 e a retomada do benefício da pensão dos pensionistas, para que ele volte a ser integral como era antes da reforma de 2019”, afirma o secretário.

Envelhecimento exige políticas além da Previdência

O aumento da população idosa amplia necessidades que vão muito além da aposentadoria. Saúde, medicamentos, atendimento domiciliar, assistência social, proteção contra a violência, cultura, lazer, educação e combate ao etarismo também fazem parte da agenda de políticas públicas para essa população.

Uma das iniciativas recentes nessa área é o Programa de Atenção Domiciliar à Pessoa Idosa (Padi Brasil), lançado pelo Ministério da Saúde em junho de 2026. A iniciativa prevê o credenciamento de 1,2 mil equipes em 791 municípios, com potencial de beneficiar 427 mil pessoas idosas.

A Política Nacional de Cuidados, instituída pela Lei nº 15.069/2024, também estabeleceu um marco para o tema. A legislação reconhece o cuidado como um direito e prevê a articulação entre União, estados, Distrito Federal e municípios, além da participação das famílias, do setor privado e da sociedade civil. Entre o público prioritário estão pessoas idosas que necessitam de apoio ou assistência para realizar atividades da vida diária.

“As políticas sociais de cuidados, de cultura, de lazer, de educação, de acesso ao mercado de trabalho e de combate ao etarismo, tudo isso é decidido por essas pessoas que a gente vai delegar um poder por quatro anos para eles fazerem políticas ou não em nosso favor no próximo período”, disse Aloraldo.

O voto que ajuda a definir o futuro da população idosa

Nos próximos quatro anos, decisões tomadas por quem for eleito poderão aparecer na vida de milhões de pessoas idosas: no valor da aposentadoria, no acesso a um medicamento, na consulta pelo SUS, na proteção contra golpes e violência ou na existência de serviços para quem precisa de cuidados. Por isso, para quem tem 60, 70 anos ou mais, votar é também participar das decisões sobre o próprio futuro. É escolher quem terá a responsabilidade de defender direitos, garantir proteção social e criar condições para que a velhice seja vivida com renda, saúde, autonomia e dignidade.

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