Para uma diretoria que assumiu no fim de 2017 com o desafio de recuperar a confiança da base da categoria, garantir o direito dos trabalhadores, defender a educação pública, os solavancos de 2018 exigiram do Sintufrj ações firmes, trabalho intenso e criatividade.
O ano de 2018 também marcou os 25 anos de existência do sindicato, celebrados em evento onde também prestamos duas homenagens: Marcílio Lourenço de Araújo, que foi o primeiro dirigente do Sindicato, e Regina Loureiro, a primeira técnica-administrativa a receber o título de emérita, uma conquista antiga da categoria.

 

QUINTA-FEIRA, 10 DE MAIO. O Sintufrj reivindica, e o Conselho Universitário aprova resolução que manteve os 26,05% na folha na ocasião. Foi um dos momentos em que a ação do Sindicato adiou o corte do percentual

 

Ação articulada
Todas as coordenações (Geral, Comunicação, Educação Cultura e Formação, Organização e Política, Políticas Sociais, Esporte e Lazer, Aposentados e Pensionistas, Administração e Finanças) atuaram conjuntamente, oferecer novos serviços e fazer frente à política devastadora do governo federal contra o funcionalismo e a universidade pública.
Em benefício da transparência, a prestação de contas do Sindicato passou a ser feita periodicamente.
Os dirigentes se dividiram na execução de tarefas e na participação de fóruns deliberativos nacionais e estaduais importantes para a classe trabalhadora (plenárias e encontros da Fasubra, fóruns dos servidores públicos, Conepe, Conape, FEERJ, FNPE, Fórum Social Mundial, entre outros), de reuniões e articulações que reuniram as centrais sindicais, e de todos os atos e mobilizações em defesa da democracia e de direitos.
Perto da base
O Sintufrj intensificou uma agenda voltada para o dia a dia dos servidores, como a defesa da insalubridade, a discussão sobre a jornada das 30 horas, o combate à imposição do ponto eletrônico.
Muitos profissionais da área da saúde foram privados de seus direitos, mesmo com decisões judiciais que reconhecem a licitude da acumulação de cargos garantida na Constituição. O Sintufrj realizou ações para reverter essa situação absurda.
Foram abordados diversos temas, como assédio moral e sexual na UFRJ. Em março, dentro da programação da Semana da Mulher, o sindicato promoveu rodas de conversas em todos os campi para debater este tema.

 

 

Ação em várias frentes

Em maio, mês do trabalhador, o sindicato promoveu uma exposição e um vídeo ressaltando o trabalho na UFRJ. O resultado foi o mais abrangente inventário de imagens e depoimentos das múltiplas atividades dos técnicos-administrativos na universidade.
No plano orgânico, a direção sindical consolidou o Conselho de Delegados Sindicais de Base. O departamento jurídico sofreu mudanças e uma nova assessoria passou a cuidar das ações coletivas. A comunicação, área estratégica da ação sindical, ganhou mais agilidade, com ênfase nas plataformas digitais.
Os aposentados e pensionistas conquistaram em 2018 acesso às novas mídias sociais, graças à parceria que o Sintufrj selou com o Curso de Apropriação Digital, do Laboratório de Informática para Educação (Lipe). As aulas foram ministradas em salas no Centro de Tecnologia (CT, no Fundão), e terão continuidade este ano.
O Projeto Universidade para os Trabalhadores, iniciado em 1986 e que serviu de base para o projeto Universidade Cidadã para os Trabalhadores da Fasubra, entrou em nova fase. A direção criou cursos preparatórios para mestrado e doutorado.
O Espaço Saúde Sintufrj foi o local mais frequentado pelos trabalhadores em busca de qualidade de vida. O programa Saúde na Medida Certa, realizado em parceria com o Instituto de Nutrição Josué de Castro, bateu recorde de adesões: 82,8% das vagas oferecidas foram preenchidas.
Racismo e qualquer outro tipo de preconceito exigiram a intervenção política e prática. No mês da Consciência Negra, em novembro, a direção organizou mesas de debates com especialistas no assunto no IFCS, Praia Vermelha e Fundão e inaugurou o Departamento de Raça e Gênero. O Departamento de Comunicação produziu um encarte especial sobre o tema (“Brasil Racista”).
Implementamos uma política de comunicação mais dinâmica integrando as diversas plataformas e mantendo a informação sempre atualizada. Um novo site, que estará no ar a partir da próxima semana, para melhor atender os sindicalizados. O portal da transparência fará parte do conteúdo.
Encerrando o ano, realizamos a maior festa de confraternização com os sindicalizados promovida pelo Sintufrj.

Ações judiciais
As diversas frentes de ação envolveram, por exemplo, atenção permanente às ações judiciais. Nesse item, boa notícia: a execução dos atrasados dos 26,06% do Plano Bresser, de 1987. Mas na parte desfavorável da gangorra, o sequestro dos 26,05% do Plano Verão, há mais de 20 anos nos contracheques. A direção sindical empreendeu verdadeira saga para manter o percentual. O TCU mandou cortar os 26,05% desde fevereiro de 2018. O corte veio neste janeiro de 2019.
Se perdemos a ação coletiva, agora estamos partindo para as ações individuais na justiça em busca de nossos direitos.

As primeiras medidas anunciadas neste início de ano revelam o potencial destrutivo do governo de Bolsonaro aos interesses dos trabalhadores e aos setores mais vulneráveis da sociedade.

Salário Mínimo

A redução do valor previsto para o salário mínimo, que seria de R$ 1.006 e foi fixado em R$ 998 a partir de 1º de janeiro, impacta o bolso do trabalhador brasileiro e dos aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). A medida também aponta para o congelamento da política de valorização do salário mínimo adotada nos governos anteriores.

Demarcação de terras indígenas e quilombolas

O poder de “identificação, delimitação, demarcação e registros das terras tradicionalmente ocupadas por indígenas” e também por comunidades quilombolas passa da Funai (Fundação Nacional do Índio) para o Ministério da Agricultura, o que na prática beneficia os ruralistas na definição de terras no campo e aumenta os conflitos com os índios.

Exclusão de LGBTs das diretrizes de direitos humanos

Ao abordar as funções e assuntos do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, A Medida Provisória (MP) 870/19 mencionou a comunidade negra, minorias étnicas, sociais e indígenas, idosos, crianças e adolescentes, mulheres, pessoas com deficiência, exceto a comunidade LGBT. A medida representa uma perda de status dessa população, em um dos países que mais mata pessoas LGBTs no mundo.

Extinção da Secretaria da Diversidade, Alfabetização e Inclusão do MEC

A Secadi (Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão), criada em 2004, foi substituída pela subpasta Modalidades Especializadas. A iniciativa busca eliminar as temáticas de direitos humanos, de educação étnico-raciais e da diversidade. A nova pasta deve continuar a articular as ações de educação especial, de jovens e adultos, educação no campo, indígena e quilombola.

Extinção de importantes Ministérios

O novo governo extinguiu diversos ministérios, entre eles, os Ministérios do Trabalho e o da Cultura. Os demais foram: Cidades; Desenvolvimento Social; Esportes; Fazenda; Indústria, Comércio Exterior e Serviços; Integração Nacional; Planejamento, Desenvolvimento e Gestão; Segurança Pública.

O superministério da Economia, fusão entre Fazenda, Planejamento, Trabalho e Indústria e Comércio, comandado por Paulo Guedes, ficará a cargo das políticas e diretrizes para a geração de emprego, renda e de apoio ao trabalhador, políticas e diretrizes para modernização das relações de trabalho, regulação profissional, desenvolvimento profissional, saúde e segurança no trabalho, além da política salarial. As concessões de cartas sindicais e a fiscalização das condições de trabalho, por exemplo, ficam com o Ministério da Justiça.

Ministros investigados

Dos 22 ministros do governo Bolsonaro, cinco são investigados por corrupção. Onyx Lorenzoni, chefe da Casa Civil, foi citado em deleção premiada da JBS e admitiu ter recebido 100.000 reais da empresa por meio de caixa dois em 2014. O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, é investigado por fraude em licitação, tráfico de influência e caixa dois na implementação de um sistema de prontuário eletrônico. Já o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo por prática de improbidade administrativa e por intermediar processos administrativos, supostamente ilícitos, na Junta Comercial de São Paulo. A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, também é investigada por conceder benefícios fiscais à JBS no período em que foi secretária estadual em Mato Grosso do Sul. O ministro da Economia, Paulo Guedes, é investigado pelo Ministério Público Federal (MPF) para apurar irregularidades na gestão financeira de fundos de investimento.

Ação pede para suspender a extinção do Ministério do Trabalho

A Federação Nacional dos Advogados ingressou com ação contra o governo no Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender a extinção da Pasta. Na Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF), a entidade destaca que a Medida Provisória 870/2019, que instituiu 16 ministérios e outros seis órgãos com status de ministério, “culminou por fragmentar, reduzir a importância e a eficácia das funções inspetoras e mediadoras do Estado Brasileiro sobre o conflito capital-trabalho ao transformar e reorganizar indevidamente atividades que cabiam, há 88 anos, a um ministério especializado em temas trabalhistas”.

Com apenas poucos dias de governo, essas são algumas das péssimas iniciativas de Jair Bolsonaro, o que reforça que a pauta a ser enfrentada é contra a retirada de direitos, deterioração das condições de trabalho, arrocho salarial, ataques sistemáticos a setores oprimidos, entre outros aspectos. Portanto, teremos um ano de muitas lutas para defender direitos trabalhistas, sociais, de organização e o direito à vida (Fasubra com agências).

 

Museu Nacional começa voltar à vida

Na coletiva conjunta UFRJ, Ministério da Educação (MEC) e a Google, na quinta-feira, 13, foi anunciado um pacote de medidas em prol do Museu Nacional, incluindo a doação pelo governo federal de um terreno ao lado da Quinta da Boa Vista.

O anúncio foi feito pelo secretário executivo do Ministério da Educação, Henrique Sartori. Ele informou ainda que será criada uma rubrica específica para prédios históricos no valor de R$ 45 milhões. A medida ajudará nas obras de preservação, que são de alto custo para as instituições federais de ensino superior.

Outra novidade é que mais de 1.500 peças do acervo atingidas pelo incêndio em setembro já foram recuperadas.

Recuperação

O reitor Roberto Leher disse que os R$ 25 milhões conquistados com emendas parlamentares serão aplicados no novo terreno. A nova área, que tem 49 mil metros quadrados, será utilizada para a construção de laboratórios. Segundo Leher, metade das obras emergenciais pós incêndio já foram finalizadas e em março, durante o carnaval, será concluído o telhado do museu.

Museu on line

No mesmo dia, também foi anunciada a estreia do Museu Nacional na Google Arts & Culture, uma plataforma que permite a navegação virtual por sete exposições online, através de óculos de realidade virtual. Resultado da parceria entre a UFRJ, o MEC e a Google, assinada em 2016. As imagens foram feitas em 2017 e cobrem cerca de 60% dos espaços do Museu, antes do incêndio.

RIO DE JANEIRO, RJ, 03.08.2018: MUSEU-NACIONAL – Após mais de 6 h, bombeiros controlam incêndio no Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, na zona norte do Rio, nesta segunda-feira (3). Mais antigo do país, museu tem 20 milhões de itens e apresentava problemas de manutenção. (Foto: Thiago Ribeiro/AGIF/Folhapress)

LabOceano inaugura novo sistema de correnteza

O Laboratório de Tecnologia oceânica (LabOceano) da Coppe inaugurou, dia 19 de dezembro, no Parque Tecnológico, o novo Sistema de Correnteza. Esse sistema amplia a capacidade para reproduzir, com alta precisão, a diversidade das correntes marinhas em função da profundidade do mar. O simulador custou R$ 22 milhões, financiado pela Petrobras (18,8 milhões) e Finep (3,2 milhões).

Esse novo sistema contribuirá para os estudos necessários à exploração de petróleo em águas profundas e ultra-profundas, como as dos pré-sal. Outra aplicação é simular as operações de instalação de equipamentos no leito marinho e também permitir a simulação das correntes nas plataformas em si, que junto com os ventos e as ondas podem fazer com que elas se desloquem mais ou menos.

O simulador foi instalado em prédio anexo ao LabOceano, que possui o tanque mais profundo das Américas (15m), e o segundo do mundo. Com o simulador, o laboratório se mantém entre os quatro mais capacitados no mundo para simular as condições dos oceanos, em regiões costeiras e águas profundas.

ESCOLA SEM PARTIDO É ARQUIVADO

O presidente da comissão do Escola Sem Partido, deputado Marcos Rogério (DEM-RO), encerrou hoje (11) os trabalhos do colegiado. Não haverá mais reunião e o projeto será arquivado. Vale lembrar que ocorreram 12 sessões sem resultado e seguidas tentativas de votação do relatório do deputado Flavinho (PSC-SP). Caso fosse votada, a proposta proibiria professores de manifestarem posicionamentos políticos ou ideológicos, além questões de gênero, em sala de aula.

Adeus ao trabalho?

Fim do MTE aponta risco de retrocesso nas relações trabalhistas a um padrão pré-1930

 

Depois de algumas idas e vindas, finalmente o governo eleito se decidiu: o MTE (Ministério do Trabalho e emprego) vai mesmo acabar. Sua estrutura, fatiada em três pedaços, será distribuída pelos ministérios da Economia, da Justiça e da Cidadania, ocupados, respectivamente, por Paulo Guedes, Sérgio Moro e Osmar Terra.

O anúncio – formalizado pelo futuro chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni – dá sinais bastante concretos sobre os rumos do governo eleito. Apesar de apresentada como uma medida “simbólica”, o fim do Ministério do Trabalho indica, na prática, uma disposição de reversão histórica das garantias políticas e institucionais conquistadas pelos trabalhadores brasileiros.

Não é mera coincidência que, apenas 24 horas após o anúncio, o presidente eleito Jair Bolsonaro tenha declarado que “é muito difícil ser patrão no Brasil”. Desde 2016, com a reforma trabalhista, as discussões sobre a reforma da previdência e ataques à organização sindical, está em curso um processo de redução estrutural do custo do trabalho e de proteção dos lucros e interesses do empresariado brasileiro. Com o desmembramento do MTE, este processo ganha um impulso significativo, desequilibrando ainda mais as relações entre capital e trabalho.

Segundo Lorenzoni, o Ministério da Economia passará a gerir o FGTS e o FAT – cerca de R$ 800 bilhões em recursos, atualmente utilizados em programas sociais e obras de infraestrutura. Sobre o FGTS, o futuro ministro Paulo Guedes já defendeu abertamente a sua extinção; sobre o FAT, existe a possibilidade de uma reforma: a equipe de Temer sugeriu ao novo ministro que acabe com o abono salarial pago a quem ganha até dois salários mínimos.

Já Moro e Terra responderão pelos pedaços que sobraram do MTE: o juiz será responsável pela área sindical (concessão de registros, por exemplo); e o ex-ministro do governo Temer herdará as políticas de formação profissional, incluindo a economia solidária. É razoável supor que, de um lado, teremos autoritarismo na relação com os sindicatos e, do outro, corte das já insuficientes iniciativas de qualificação. Ainda não se sabe quem ficará com as funções de fiscalização das condições de trabalho, dor de cabeça de empresários e ruralistas interessados em aprofundar relações de semiescravidão.

O risco, desde já anunciado, é de um retorno à selvageria: extintas as mediações, desprovida de qualquer proteção, a classe trabalhadora brasileira ficará à mercê do subemprego, contando com sindicatos fragilizados e sem amparo da Justiça do Trabalho. Nas palavras de Bolsonaro, que já declarou que seu governo pode fazer uma nova reforma trabalhista, “o trabalhador tem que escolher se quer direitos ou emprego”. Está dada a senha para a barbárie do mercado aumentar a exploração econômica e a submissão política dos trabalhadores e trabalhadoras. A sede de sangue dos vampiros do capital parece não ter fim

Educação Física é a campeã da Copa Sintufrj

A equipe da Escola de Educação Física (EEFD) levantou a taça de campeã da Copa Sintufrj Futebol Society, na terça-feira, 11, ao vencer o Centro de Ciências da Saúde (CCS) por 5 X 0. Todas as partidas da competição foram disputadas no campo do Cepe/Fundão.

Oito equipes formadas por técnicos-administrativos participaram do campeonato, que começou no dia 6 de novembro. O time do CCS conquistou o segundo lugar, o Escritório Técnico da Universidade (ETU) o terceiro e o Centro de Tecnologia (os Gladiadores), o quar

Brasil no ranking da violência contra a mulher

O Brasil ocupa a quinta posição em homicídios de mulheres entre 83 nações

 

 

Santa Catarina, o estado que mais deu votos a Jair Bolsonaro (65% no primeiro turno e 76% no segundo), também é a unidade da Federação campeã em violência doméstica, segundo o Anuário brasileiro de segurança pública 2018.

Embora a relação causa e efeito não seja automática e o dado não transforme toda a população catarinense em agressora de mulheres, é inescapável deixar de associar o fato à misoginia do presidente eleito (que um dia disse que não estupraria uma mulher porque ela não merecia).

Os números superlativos com registros da violência contra as mulheres no Brasil ganharam visibilidade no curso da semana por causa do 25 de Novembro, data declarada pelas Nações Unidas como o Dia Internacional da Não Violência contra a Mulher.

A data foi consagrada em homenagem às ativistas irmãs Mirabal. Minerva, Patria e María Teresa foram brutalmente assassinadas por lutar contra a ditadura de Rafael Leónidas Trujillo, na República Dominicana.

No discurso de campanha, Jair Bolsonaro reafirmou suas posições de desprezo pela condição feminina. Nas relações de trabalho, chegou a dizer que acha justo mulheres receberem menos que os homens.

 

Agressões por hora

Em 2016, segundo o Atlas da violência 2018, quase cinco mil brasileiras foram assassinadas no país. O Brasil ocupa a quinta posição em homicídios de mulheres entre 83 nações, aponta a Organização Mundial da Saúde (OMS). De acordo com as estatísticas, uma em cada três mulheres sofre de violência doméstica. Em média, 503 mulheres são agredidas fisicamente por hora no país, informa o Datafolha.

No entanto, mais da metade (52%) se cala e não procura ajuda. Os motivos vão desde vergonha, atendimento policial preconceituoso a medo do agressor. Apesar disso, só de denúncias oficiais foram registradas no primeiro semestre deste ano 73 mil pelo Ligue 180, a Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência.

Mortes

Uma mulher é morta a cada duas horas no Brasil. Segundo o Mapa da Violência 2015, entre os anos 1980 e 2013, foram assassinadas 106.093 mulheres no país, número que vem aumentando gradativamente a cada ano: de 3.851 em 2001 para 4.762 em 2013, sendo que nesse último ano 27% dos assassinatos ocorreram no próprio domicílio das vítimas.

Em 2016, 4.645 mulheres foram assassinadas no país, relata o Atlas da violência 2018, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FPSP). Isso representa uma taxa de 4,5 homicídios para cada 100 mil brasileiras. Em dez anos, houve um aumento de 6,4 % nos casos de assassinato de mulheres.

Casos recentes de agressões e mortes repercutem em todo o país e colocam em pauta o debate em torno da violência de gênero. O agressor e assassino geralmente é uma pessoa próxima à vítima, como marido ou namorado.

 

DENUNCIE! PROCURE AS DELEGACIAS ESPECIALIZADAS.

 

Maria da Penha

Em vigor desde 2006, a Lei Maria da Penha foi a primeira ação afirmativa do país, no âmbito da Justiça, no combate à violência contra a mulher, e foi  assinada no governo do presidente Lula. A lei, inclusive, classifica os tipos de violência a que a mulher é submetida: física, moral, psicológica, sexual e cárcere privado. A segunda ação foi a Lei do Feminicídio, promulgada pela ex-presidente Dilma Rouseff em março de 2015 – que julga assassinatos cujas motivações envolvem o fato de a vítima ser mulher.

As leis ajudaram as mulheres a tomar coragem para denunciar a violência, mas ainda são insuficientes para impedir que vidas de mulheres sejam tiradas de forma brutal. Por isso, aprimorar os mecanismos de combate está na ordem do dia.

CELEBRAÇÃO

IPPMG: 30 anos (mais ou menos) de muitas histórias

 

Os 30 anos (mais ou menos) de trabalho no Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG) foi o tema escolhido para atrair os técnicos-administrativos para a festa de fim de ano –  com presença marcante dos aposentados.

A celebração foi no Espaço Cultural do Sintufrj nesta sexta-feira, 7 de dezembro. Na ocasião, um vídeo com imagens dos funcionários foi exibido e depois distribuído em cds como brinde aos presentes.

Para Gerly Miceli, coordenadora-geral do Sintufrj e funcionária há mais de 30 anos no IPPMG, a unidade é diferenciada. “Não sei se é porque trabalhei lá a vida toda, mas a verdade é que é visível a emoção das pessoas em se reencontrarem aqui na confraternização. O IPPMG é uma grande família”, afirmou.

Elisabeth de Vasconcellos, que trabalha há 32 anos, disse que não pretende se aposentar tão cedo: “Já posso dar entrada, mas não quero. Eu adoro o que faço, é uma diversão. Não teria melhor lugar para trabalhar. Já recebi oportunidades de ir para outras unidades, mas nunca quis. O IPPMG é e sempre foi o meu lugar”.

Regina Célia, pediatra da emergência e do ambulatório, engrossa o time dos que ainda não pretendem se aposentar: “Não consigo largar minha segunda família. Fiz faculdade na UFRJ, estou por aqui há mais de 40 anos. Criei um laço de amor não só pelo IPPMG, mas pela universidade e por todos que já passaram por aqui”

Vânia Sargentelli, que fará 30 anos de casa, se emocionou ao relembrar sua trajetória: “Se eu tivesse de escolher outra vez, com certeza seria o IPPMG. Apesar de estar há tanto tempo trabalhando, todos os dias aprendo algo novo. Trabalhar com crianças é um ato de amor”

A aposentada Fátima Maria Santos, trabalhou por 32 anos como enfermeira, começou sua vida profissional na unidade e falou com carinho dos anos de ofício: É recompensador poder dividir a alegria com meus colegas que ainda estão no IPPMG e o que já saíram. Passei por todos os setores, aprendi muito nesse tempo. Se hoje sou uma pessoa melhor, é graças ao instituto”.

Luiz Carlos Castro conta que o trabalho lhe fez superar problemas de saúde: “Meu agradecimento é a cada um dos meus colegas, que me ajudaram no momento em que mais precisei. Comemoro não só hoje, mas em todos os dias, por estar num ambiente tão acolhedor”

Apesar de hoje trabalhar no Hospital Universitário, Cláudia Martins, que trabalhou por 17 anos no instituto, guarda com muito carinho o tempo em que esteve na unidade: “Ajudei a fundar a emergência do IPPMG, junto com meus colegas. Estou maravilhada de poder rever muitos deles e poder relembrar os velhos tempos”.

Medronho alerta para expansão de ocorrências de febre amarela

Médico epidemiologista e especialista em saúde coletiva diz que vacinação é essencial para impedir a propagação

 

O diretor da Faculdade de Medicina da UFRJ, Roberto Medronho, especialista na área de saúde coletiva e em epidemiologia, disse que a ocorrência de febre amarela silvestre tem se acentuado, exercendo pressão sobre os grandes centros urbanos.
De acordo com o epidemiologista, a urbanização da doença depende de vários fatores, e para isso contribui o fato de parte da população ainda não estar vacinada, portanto, suscetível.
O risco é ampliado, segundo Medronho, diante da dificuldade de controle da proliferação do Aedes aegypti (que transmite a forma urbana da doença).
Roberto Medronho manifestou sua preocupação com o número de pessoas não vacinadas. “Não conseguimos alcançar a cobertura (vacinal) recomendada pela Organização Mundial da Saúde”, constata.
O médico acrescentou que a situação fica ainda mais crítica com a crise no sistema de saúde do estado, que é agravada pela crise na atenção básica no município, o que impacta nas iniciativas de prevenção.

Vacina
“A população não tem procurado a vacina como deveria. Ela é segura e eficaz”, diz o especialista, reiterando, no entanto, que eventos sérios decorrentes da vacina são raríssimos, em contraste com a forma de evolução da doença, que é muito grave.
“A chance que temos de evitar a urbanização da febre amarela é vacinando a população. Com as pessoas imunizadas, a febre não vai atingir o homem, mesmo que este adentre florestas e seja picado pelo mosquito.
“Para diminuir o risco de propagação, tem que vacinar agora”, orienta Medronho, acrescentando que a vacinação tem dois efeitos: proteção individual e coletiva – o grupo vacinado protege o indivíduo que, por questões de saúde, não pode se vacinar.

 

Doença já matou 84 pessoas só este ano no estado

Os números são relevantes. Em 2018, a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro registrou 262 casos confirmados de febre amarela silvestre em humanos em 32 municípios, com 84 mortes. Os municípios com maior incidência são Angra dos Reis, com 56 casos e 15 mortes; Valença, com 40 casos e 6 mortes; Teresópolis, com 23 pessoas doentes e 8 mortes; Nova Friburgo, com 16 casos e 4 mortes e Duas Barras, com 14 casos e duas mortes.
Com a chegada do verão, chuva e calor típicos da estação oferecem condições favoráveis para a proliferação de mosquitos. Em áreas recém-afetadas com grande contingente populacional, como as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, existe grande número de pessoas que não se vacinaram.

Recomendação
De acordo com especialistas, todas as pessoas devem se vacinar, especialmente no Rio de Janeiro, porque tem as maiores florestas urbanas do mundo.
Os mosquitos Haemagogus e Sabethes (que transmitem a forma silvestre da malária) são comuns, inclusive em bairros que têm limite com áreas de matas. O Aedes aegypti, no entanto, que existe em toda parte, pode causar a transmissão da febre amarela na forma urbana, embora, de acordo com o Ministério da Saúde, desde a década de 1940, o Brasil não registre casos desse tipo.

 

SERVIÇO

CVA vacina na UFRJ

No Centro de Vacinação de Adultos (bloco L do CCS), no Fundão, pessoas com 15 anos de idade ou mais podem se vacinar contra a febre amarela, de segunda a sexta-feira, das 8h às 13h.
A vacina não deve ser aplicada em gestantes e em pessoas com alergia grave à proteína do ovo e portadoras de doenças de baixa imunidade. Quem tiver algum comprometimento imunológico deve solicitar avaliação do médico e apresentá-la por escrito.