O contingenciamento de verbas das universidades federais promovido pelo governo de Jair Bolsonaro faz mais uma vítima: a Universidade Federal Fluminense (UFF). O reitor Antônio Carlos da Nóbrega informou em sessão do Conselho Universitário que a universidade tem recursos para funcionar até agosto.

A situação da UFF é caótica. Está sem verba para manter serviços básicos de manutenção e não tem dinheiro para pagar os trabalhadores terceirizados.

O corte do governo acaba por prejudicar alunos, que ficam sem aulas, professores que não tem estrutura para ministrar o ensino, pesquisadores que não tem insumos e equipamentos nos laboratórios, e trabalhadores que ficam sem salários e benefícios.

 

Sem salários

Há dois meses, cerca de 350 trabalhadores terceirizados estão com salários e benefícios atrasados. Isso provocou uma ação solidária da comunidade universitária e de sindicatos e associações. Entidades representativas de trabalhadores, alunos e professores estão captando doações de alimentos e materiais de higiene para ajudar os trabalhadores.

Segundo o reitor, a UFF precisa de R$ 16,7 milhões mensais para arcar com as despesas para a manutenção da universidade como pagamento de água, luz, telefone, contratos com empresas terceirizadas, entre outras despesas. Com o bloqueio do governo a UFF dispões apenas de 6,85 milhões por mês. Ou seja, 46,5% do previsto no orçamento deste ano, de R$ 169 milhões, sendo R$ 14,1 milhões mensais.

Nem a economia feita pela Reitoria no começo do semestre – cortou despesas na ordem de R$ 35 milhões anuais para se adequar ao recurso disponível – diminuiu o prejuízo. Antes do bloqueio a universidade já recebia financiamento menor do que o necessário, na ordem de R$ 9,8 milhões por mês, prejudicando assim os pagamentos e a prestação dos serviços.

Em vão, o reitor foi a Brasília no início do mês de junho para pedir ao ministro da Educação, Abraham Weintraub, o descontingenciamento da instituição. Enquanto o ministro silencia perante os apelos dos gestores das universidades e se ocupa em fazer provocações através das mídias sociais, a UFF amarga dias de incerteza e trabalhadores sofrem agruras sem seus salários e benefícios.

Nesses dois meses os trabalhadores estão vivendo de doações de comida e tem muita gente a ponto de ser despejada pois não pôde pagar o aluguel, isso para aqueles que ainda se mantém no emprego. Com a falta de pagamento à empresa contratante pela universidade vem promovendo demissões.