Projeto idealizado e coordenado pela técnica-administrativa Marize Figueira de Souza de apoio à produção cultural foi condecorado com a medalha da Ordem do Mérito Cultural Carioca de 2020. A cerimônia no Palácio da Cidade estava prevista para esta segunda-feira, 1º de março, dia em que se comemora o aniversário da cidade do Rio de Janeiro.

O projeto faz parte do Núcleo de Apoio à Produção Cultural da UFRJ (Naprocult), que é coordenador pela produtora cultural e integra a superintendência do mesmo nome na Pró-Reitoria de Extensão (PR-5), responsável pela organização dos grandes eventos na universidade, como a Semana de Integração Acadêmica, Semana Nacional de Ciência e Tecnologia ou o Conhecendo a UFRJ.

Como funciona – Marize Figueira ingressou na UFRJ em 2012. Em 2018, criou o projeto na PR-5. “Damos consultoria gratuita, tanto para o público externo como para o interno da UFRJ. A maioria dos atendidos são agentes culturais, artistas, estudantes, professores, entre outros, que desejam desenvolver projetos na área da cultura, mas não têm conhecimento técnico necessário para elaborar projetos e editais. Então, a equipe ajuda esclarecendo as dúvidas sobre orçamento, cronogramas, potencializando o alcance dos projetos para conseguirem fomento. Procuramos, inclusive, atender pessoas de outros municípios e estados”, explica a coordenadora.

Desde o início da pandemia do coronavírus no Brasil, o Naprocult tem apoiado inumerosos projetos, muitos dos quais contemplados com os recursos emergenciais da Lei Aldir Blanc.

A honraria é concedida a personalidades, coletivos ou instituições que, pela contribuição à cultura, foram fundamentais para reduzir o impacto da pandemia da Covid-19 na cidade. Dos mais de 600 indicados pelas redes sociais à Secretaria Municipal de Cultura, foram escolhidos 18, dentre os quais artistas como Moacyr Luz e Tereza Cristina e ativistas como René Silva, fundador da ONG Voz das Comunidades.

 

Divulgação do atendimento remoto do Naprocult durante a pandemia, com a coordenadora e Produtora Cultural Marize Figueira e os estudantes da UFRJ extensionistas do projeto: Beatriz Louise (Artes Visuais), Juliana Arruda (Publicidade e Propaganda), Natália Cavarra (Relações Internacionais) e Daniel Lopes (Serviço Social).

Relator, que discutiu o texto da PEC com a equipe econômica do governo, anunciou nesta sexta (26) que vai retirar a desvinculação dos gastos mínimos com saúde e educação para facilitar aprovação de auxílio

Matéria retirada do site da CUT. 

A reação de senadores de oposição, sindicalistas e representantes dos movimentos social e estudantil obrigaram o relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 186, chamada de PEC Emergencial, senador Márcio Bittar (MDB-AC), a recuar e retirar do texto o dispositivo que acabava com os gastos mínimos para a saúde e a educação, como queria o governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL), em troca da aprovação do novo auxílio emergencial.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), já havia se comprometido com representantes da CUT e demais centrais sindicais, da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), do Movimento dos Sem Terra (MST), da União Nacional dos Estudantes (UNE), e  secretários estaduais de educação e da saúde, a negociar com os demais senadores a retirada do texto da PEC o parágrafo que estabelecia que estados, municípios e União ficariam desobrigados de investirem o mínimo em saúde e educação, como prevê a Constituição, e priorizar a aprovação de um novo auxílio emergencial.

Na manhã desta sexta-feira (26), o senador bolsonarista Márcio Bittar finalmente reconheceu em entrevista que o projeto não será aprovado caso o fim do piso de gastos nessas áreas seja mantido e, por isso, fará o ajuste no texto, a ser apresentado na próxima semana, segundo reportagem publicada no UOL.

Contrários à ideia de desvincular os gastos da saúde e educação, os senadores da oposição, independentes e até da base do governo,  não deixaram sequer que o relatório da PEC fosse lido em plenário do Senado,  na quinta-feira (25).

A desistência em relação ao fim do piso de investimento mínimo em saúde e educação, tem o objetivo de preservar os demais dispositivos de controle de despesas.

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), disse a aliados que não pretende votar a proposta para criar o novo auxílio emergencial, sem que o texto inclua medidas de ajuste fiscais nas contas públicas, prejudiciais à população, como quer o ministro da Economia, o banqueiro Paulo Guedes.

 

 

“O Decreto 10.620 é mais um com foco em descentralizar e extinguir o serviço público aos poucos, e, em especial, as autarquias e fundações”, afirmou o assessor jurídico do Sintufrj, Rudi Cassel, ao abrir a live promovida pela direção sindical, na sexta-feira, 26, para esclarecer aos técnicos-administrativos em educação sobre o que pretende o governo Bolsonaro com mais este ataque aos direitos dos servidores públicos federais. No caso, ao regime próprio de aposentadorias. A iniciativa sindical foi conduzida pela coordenadora-geral da entidade, Gerly Miceli.

De acordo com o advogado, o Sintufrj entrará com uma ação coletiva em nome dos sindicalizados contra o decreto, que, segundo analisou, “é cheio de contradições e inconstitucionalidades”. Rudi apontou que “não existe estrutura no INSS para administrar as aposentadorias dos servidores e, também, por enquanto, o decreto não afeta quem já está aposentado ou é pensionista”.

Risco é concreto 

O assessor fez um alerta: “É um risco concreto que o serviço público desapareça e que as universidades – se passar a PEC 32 da reforma Administrativa –, sejam todas ocupadas por empresas privadas alinhadas ao governo”, acrescentando que “o decreto é mais uma etapa do conjunto de absurdos que vem ocorrendo e, independente da vinculação política do servidor, exige uma atuação comum”.

Medidas do Sintufrj 

Gerly Miceli encerrou a live afirmando que o Sintufrj está tomando providências com relação ao decreto no campo jurídico e também fará pressão política. A dirigente sindical aproveitou a oportunidade e reforçou a convocatória para a assembleia geral da categoria, online, no dia 3 de março, quarta-feira, às 10h, com inscrição pelo link divulgado pela entidade. 

“A assembleia é importante para tomarmos posição e nos organizarmos para lutar contra a reforma administrativa e alguns conteúdos da PEC Emergencial que trata sobre o serviço público. Sobre o Decreto 10.620/21, o Sintufrj está dando o encaminhamento jurídico, conforme já informado. Em relação ao que faremos politicamente, decidiremos no nosso fórum deliberativo, que é a assembleia. A expectativa é que seja cheia, porque os ataques são muitos”, afirmou Gerly.

Assista a live na íntegra:

 

 

 

 

Na sessão do Conselho Universitário (Consuni) desta quinta-feira, 25 de fevereiro, a coordenadora do Sintufrj e representante técnico-administrativa no colegiado, Joana de Angelis, cobrou da Reitoria a criação e implantação do Conselho de Administração e Gestão de Pessoal, uma reivindicação antiga da categoria e que a reitora Denise Pires, na sua campanha de ascensão ao cargo, se comprometeu a viabilizar.

“Nos, na universidade, demos um passo importante, por meio da reitora ao não assumir o controle de freqüência do governo federal. Essa postura foi uma demonstração de fortalecimento da autonomia da universidade e da abertura do nosso diálogo para dentro da UFRJ. Um reconhecimento, inclusive, de que a avaliação do fazer dos técnicos-administrativos em educação precisa ser tratada a partir da organização desses trabalhadores nas suas unidades, setores, departamentos e da nossa inserção no ensino, na pesquisa e na extensão. E não por uma aferição burocrática da qualidade do trabalho que já prestamos à sociedade”, destacou a conselheira e dirigente sindical.

“Diante disso”, prosseguiu ela, “mais do que nunca é fundamental trazermos para a ordem do dia deste Conselho Superior, a criação do Conselho de Administração e Gestão de Pessoal. Desta forma, tanto os técnicos-administrativos como os docentes, não estariam, a cada situação que tivessem que resolver dentro da universidade, à mercê de uma definição individual, que muitas vezes traz prejuízos para os dois segmentos”.

“O Conselho de Administração e Gestão de Pessoal é uma necessidade da instituição não só para melhorar a nossa organização, mas para que, finalmente, termos uma política de pessoal que leve em consideração a realidade do fazer de cada setor e de cada unidade, considerando as especificidades do trabalho desenvolvido dentro da UFRJ”, frisou Joana.

E acrescentou: “Com o Conselho de Administração e Gestão de Pessoal todas as questões envolvendo os técnicos e os professores serão resolvidas de forma democrática e coletiva e não pautadas por decisões individuais”, afirmou.

Convite

Por fim, Joana convidou a todos que a acessarem a página do Sintufrj na internet para conferirem as contribuições que o Sindicato encaminhou à Reitoria para constarem do PDI (Plano de Desenvolvimento Institucional da UFRJ) sobre a criação do Conselho de Administração e Gestão de Pessoal – acesse AQUI.

Compromisso da reitora

A reitoria Denise Pires de Carvalho respondeu à demanda levantada pela conselheira Joana de forma positiva: “O Conselho de Administração e Gestão de Pessoal já deveria existir há várias décadas”, disse, e complementou: “Estava no nosso programa e este ano vamos iniciar o seu funcionamento”.

Confira a fala da diretora do Sintufrj e conselheira, Joana de Angelis:

 

 

As carreatas chamadas pelas Centrais e Movimentos Sociais vem crescendo a cada dia nas cidades. O SINTUFRJ esteve presente em
todas no Rio de Janeiro. O grito que estava preso na garganta, já podemos soltar. E a população, mesmo nas suas janelas, grita junto conosco: “FORA BOLSONARO!!!!”

 

 

Compromisso do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, foi feito à CUT e às demais centrais em reunião, nesta quarta, em Brasília. Sindicatos e secretários de saúde e educação pediram rejeição à PEC Emergencial

Matéria retirada do site da CUT. 

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), se comprometeu a negociar com os demais senadores a retirada do texto da PEC nº 186, em que estados, municípios e União ficam desobrigados a terem investimento mínimo em saúde e educação, como prevê a Constituição, e priorizar a aprovação de um novo auxílio emergencial.  A PEC está prevista para ser colocada em pauta nesta quinta-feira (25).

O compromisso foi firmado junto aos representantes da CUT e demais centrais sindicais, da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), do Movimento dos Sem Terra (MST), da União Nacional dos Estudantes (UNE), e  aos secretários estaduais de educação e da saúde, e outras entidades, que se reuniram nesta quarta-feira (24) com Pacheco, para pedir o fim da vinculação de um novo auxílio emergencial em troca da aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 186, como quer o governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL).

A CUT e demais centrais entregaram ao presidente do Senado um documento proposto pelo Fórum das Centrais, em que pedem auxílio emergencial já e vacinas contra a Covid-19, independente de aprovação de medidas fiscais.

A secretária-geral da CUT, Carmen Foro, presente à reunião, disse que é inadmissível o governo chantagear o Congresso com medidas de ajuste fiscal, em troca de um benefício aos brasileiros que passam fome neste momento.

“A CUT e as demais centrais foram firmes no posicionamento de que o auxílio emergencial e as vacinas contra a Covid-10 são prioridades. Não aceitamos essa chantagem do governo em liberar um auxílio em troca da desvinculação de verbas mínimas para a saúde, a educação. Por isso, pedimos ao presidente do Senado que separe a discussão do auxílio da PEC Emergencial”, afirmou Carmen Foro.

Também representando a CUT, o secretário de Assuntos Jurídicos da entidade, Valei Ertle , foi enfático ao declarar que as Centrais  não aceitam em hipótese alguma retirar dos pobres para dar aos miseráveis, que é o que vai acontecer se a PEC Emergencial for aprovada em troca do auxílio emergencial.

“ Não aceitamos vincular a questão tributária e de arrecadação ao congelamento de salários dos servidores e do salário mínimo, nem retirar recursos da saúde e da educação. Queremos a massificação da vacina para que as pessoas possam sobreviver e sair desta situação caótica em que o país se encontra ”, declarou Valeir.

A secretária-geral da CUT, Carmen Foro, avaliou que a reunião foi muito importante para os movimentos sindicais e a classe trabalhadora.

“Acreditamos que esta reunião, que ocorreu graças a ajuda do senador Paulo Rocha, líder do PT no Senado, foi muito importante , por ter sido a primeira em que nos reunimos com o novo presidente do Senado, segundo que unimos várias organizações sindicais e terceiro por que Rodrigo Pacheco se comprometeu em separar a votação da PEC do auxílio”, afirmou Foro.

No entanto, a dirigente, lembrou que sem pressão, será cometido um crime contra o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) e os recursos da saúde, que vive uma situação agravada pela pandemia.

O líder do PT, Paulo Rocha, também entendeu que o combate à crise econômica e a pandemia não estão sendo priorizados pelo Congresso e o governo federal.

“Não tem nada mais urgente do que o Congresso pautar o auxílio emergencial. Existe uma emergência social, não uma emergência fiscal”, declarou.

 

 

Redação Fenajufe 24 Fevereiro 2021

Proposta continua nociva para os servidores. Fenajufe disponibiliza lista com as redes sociais e os contatos dos senadores; ajude a pressionar!

O senador Márcio Bittar (MDB-AC) apresentou, na terça-feira (23), o substitutivo à PEC Emergencial (186/19) que prevê gatilhos para controle dos gastos públicos. Assim como no texto que circulou em dezembro do ano passado, foi retirado o dispositivo que previa a redução de 25% da jornada e salário dos servidores, no entanto, a proposta continua nociva para os servidores com congelamento salarial por dois anos; a votação do texto acontece nesta quinta-feira (25).

A definição aconteceu após acordo com Bolsonaro, Paulo Guedes e os presidentes do Senado e da Câmara, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) e Arthur Lira (PP-AL). A manobra congelou por dois anos os salários dos servidores para viabilizar nova rodada do auxílio emergencial para a população.

A PEC 186/19 propõe que, se no período de doze meses, a relação entre despesas correntes e receitas correntes superar 95%, ficam proibidos aumento, reajuste ou adequação de remuneração aos servidores. As regras se aplicam aos estados, Distrito Federal e municípios, aos Poderes, ao Ministério Público, ao Tribunal de Contas e à Defensoria Pública. Além disso, fica proibida a realização de concursos.

E mais, entre outros pontos o relatório veda: a criação de cargo, emprego ou função; alteração de estrutura de carreira; criação ou majoração de auxílios, vantagens, bônus, abonos, verbas de representação ou benefícios de qualquer natureza, inclusive os de cunho indenizatório.

Outro trecho grave no texto é o dispositivo que acaba com a exigência mínima de gastos em saúde e educação em plena pandemia de Covid-19. Medida vale para a União, estados e municípios.

Cabe destacar, no entanto, a forte pressão da oposição no Congresso, das entidades em defesa do serviço público e do Movimento a Serviço do Brasil que fizeram o governo recuar, momentaneamente, com relação ao dispositivo de corte de jornada e salário em 25%. Contudo, isso não significa descanso na luta contra a PEC Emergencial e também contra a Reforma Administrativa (PEC 32/2020) que já está na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. Por isso, exerça seu direito e pressione!

Acesse aqui a lista com as REDES SOCIAIS DOS SENADORES e pressione!

Acesse aqui a lista com os CONTATOS DOS SENADORES e pressione!

Vote aqui contra a PEC 186/19 na consulta pública do Senado.

 

 

 

A Câmara de Políticas Raciais da UFRJ informa que realizará a 3ª edição do Curso de Formação para Comissões de Heteroidentificação. As inscrições serão previamente divulgadas e ocorrerão no mês de março, assim como as aulas on-line, que terão encontros síncronos para discussão do conteúdo, e os participantes terão que ter no mínimo 75% de frequência para estarem aptos a atuar nas comissões.

A aula inaugural será “Ancestralidade e Diáspora Africana”, e seu acesso será público, no link da Câmara de Políticas Raciais: https://www.youtube.com/channel/UCiqzeAJX39XDigt9iiFhBug. A experiência do curso on-line em 2020 foi promissora, e essa edição será nos mesmos moldes e transmitida pela plataforma AVA. 

Conteúdo

O curso é composto de conceitos fundamentais e relevantes no contexto do racismo e da luta negra no Brasil. Temas como racismo estrutural e institucional, ancestralidade, diáspora africana, interseccional idade, necropolítica, genocídio, encarceramento, branquitude e colorismo estarão nesta edição, que contará com palestrantes docentes e discentes da UFRJ, da rede particular, militantes do movimento negro, assessoria técnica da área de segurança e direitos humanos e parlamentares negros.

A Câmara

A Câmara de Políticas Raciais foi organizada a partir de 2018 para responder à ausência de discussão da pauta racial e investir na construção de políticas antirracistas na universidade. Ela se consolidou através da Portaria 2.271, de 20 de março de 2019, quando se institui o Fórum Permanente de Políticas de Pessoal.  

Hoje, ela se organiza com a representação dos três segmentos da comunidade universitária, lotados em várias unidades e centros na Cidade Universitária, campus da Praia Vermelha, Xerém e Macaé. E atua conjuntamente no acesso à graduação desde 2020, heteroidentificando 4.093 candidatos.

“Temos absoluta convicção da assertividade desta ação que ratifica a Lei 12.711/12 (Lei das Cotas), fazendo com que as vagas garantidas cheguem aos que têm esse direito”, afirma a coordenadora da Câmara de Políticas Raciais, a técnica-administrativa em educação Denise Góes. 

A Câmara atua também na Comissão de Apuração de Fraudes para o ingresso através das cotas desde 2019. E, junto com outros atores, participou da elaboração da Resolução 24, aprovada pelo Conselho Universitário em 26 de novembro de 2020, que versa sobre cancelamento de matrícula para os que ingressarem indevidamente na reserva de vagas raciais e não atenderem ao caráter fenotípico estabelecido.

Referência

“Durante essa curta e significativa trajetória, a Câmara de Políticas Raciais tem se consolidado a cada dia como uma referência da luta no âmbito das relações raciais institucionais, inseridas em importantes processos que fizeram com que a universidade tomasse posicionamentos necessários ao avanço das políticas de democratização do acesso”, ressalta Denise Góes.

“Entendemos a necessidade de nos organizarmos e vencermos a invisibilidade imposta pela sociedade e reproduzida institucionalmente, e sempre buscamos atuar em unidade permanente com os Coletivos Negros Universitários, que foram protagonistas pela instalação das Comissões de Heteroidentificação no acesso à graduação, sendo grandes aliados nesta empreitada de avançar no controle social da política pública, na perspectiva de uma universidade mais plural, diversa e representativa”, complementa Vitor Matos, outro técnico-administrativo integrante da Câmara de Políticas Raciais. 

Cotas, foi um avanço

Para a coordenadora da Câmara, Denise Góes, a UFRJ avançou na aplicação da Lei de Cotas e fortaleceu a democratização do acesso.

“A UFRJ, em seus 100 anos de existência, vive um momento ímpar frente aos desafios colocados numa conjuntura que aponta para discussões e práticas de desmonte de uma casta privilegiada, que considerava a universidade sua propriedade. 

O avanço das políticas de cotas, que agora tem o elemento do cancelamento de matrículas aos que fraudarem o sistema de reserva de vagas, é uma resposta contundente a quem não percebe que é preciso mudar para tornar a universidade mais plural, diversa e representativa. 

Não há mais como retroceder, e a construção da consciência racial crítica está na ordem do dia. A união dos três segmentos (técnico-administrativo, docente e estudante) para a construção de uma política antirracista é o que há de mais positivo neste momento de fortalecimento das políticas públicas de democratização do acesso”, conclui.  

 

 

Casos precisam ser apurados, mas não podem ofuscar a dimensão do trabalho dos milhares de profissionais do SUS que atuam no combate à Covid-19 e salvando vidas.

O Brasil, com seu Programa Nacional de Imunização reconhecido internacionalmente, é um dos poucos países do mundo que ofertam vacinas de maneira universal em milhares de postos – através do Sistema Único de Saúde (SUS) –, e pelas mãos de profissionais eficientes que enfrentam todo tipo de dificuldades para chegar aos locais de difícil acesso. Segundo especialistas, com toda essa estrutura, o país poderia vacinar 60 milhões de pessoas por mês, se o governo federal desejasse.

No entanto, do início da vacinação em 17 de janeiro até o dia 22 de fevereiro, foram vacinadas apenas 5.982.640 pessoas (2,83% da população). Faltam vacinas, porque o governo Bolsonaro não negociou com antecedência a compra do imunizante, como também não organizou uma campanha nacional de vacinação em massa. Mas sobram fake news.

“Vacinas de vento” 

Em meio ao caos com a vida humana imposto pelo governo federal, surge agora uma denúncia grave e que atinge os profissionais de enfermagem. Casos da chamada “vacina de vento” ocorreram em pontos diferentes do país, e consistem em denúncias de falsa aplicação da vacina nas pessoas. 

O Conselho Regional de Enfermagem do Rio (Coren-RJ) está apurando as denúncias e propõe: capacitação de todos os profissionais envolvidos na vacinação sob a coordenação de enfermeiros; organização do fluxo de atendimento de forma a eliminar dúvidas ou equívocos por parte do profissional e que seja mostrado ao usuário a vacina que ele vai receber e a seringa vazia após a aplicação da injeção.

Ataque à saúde pública

A integrante da Coordenação de Cursos e Eventos do Instituto de Atenção à Saúde São Francisco de Assis (ex-Hesfa), a enfermeira e sanitarista Danielle Amaral de Freitas, com mestrado e doutorado em epidemiologia e saúde pública, ressalta que o cuidado com a saúde é protagonizado pela enfermagem, portanto, para ela o ataque é ao direito à saúde. E ocorre por meio da associação da aplicação da vacina a efeitos adversos, e com isso o governo Bolsonaro vai apagando o histórico de mais de 30 anos de sucesso do Programa Nacional de Imunização.

Servidora da UFRJ há 14 anos, Danielle Amaral diz que os profissionais de enfermagem pertencem a uma categoria desvalorizada, que trabalha com alta carga horária (“porque lutamos pelas 30 horas semanais há mais de 30 anos”) e são os mais expostos ao coronavírus na pandemia, e por isso os que mais adoeceram entre os profissionais de saúde e registram uma taxa elevada de óbitos. 

“São profissionais que trabalham o tempo todo com a vida e com a morte, e as pessoas esquecem que são humanos. Os ataques vêm porque a população está cobrando seu direito. Mas também é importante que o profissional de enfermagem tenha segurança e tranquilidade nas suas relações de trabalho. Muitos já estão cansados”, afirma. Em relação às acusações da chamada “vacina do vento”, Danielle lembra que a Constituição garante o direito de defesa a todas as pessoas.

A enfermeira sugere que se faça a comparação entre o número de pessoas imunizadas com os erros cometidos na aplicação da vacina, e pergunta: “O erro cometido é maior do que o quantitativo de profissionais que estão trabalhando dia após dia para vacinar a população? Isso não significa”, avisa, “que as falhas não sejam apuradas e os responsáveis possam se explicar”. 

Categoria essencial na berlinda

Para Marcos Padilha, técnico em enfermagem do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), e seus colegas de profissão na unidade hospitalar, o sentimento foi de “traição” e “decepção” pela forma generalista em que se deu a divulgação, pela mídia, do erro na aplicação da vacina.

“A gente sabe como funciona a doença [Covid-19], e a dor de perder colegas e familiares. Ver pessoas aplicando suas ideias negacionistas na ponta do seu trabalho é muito frustrante, porque atinge toda uma categoria que está lutando desde o início contra o coronavírus. Negacionismo é um pensamento que está na cabeça de muitas pessoas no nosso país e no mundo. Eles são contrários às inovações da ciência e não conseguem entender que a vacinação em massa é a grande saída para a pandemia”, avalia o enfermeiro. 

Negação da vacina 

“Esse governo tem muito interesse em que as pessoas não vão se vacinar. Porque as pessoas vacinadas voltam a circular, a se manifestar contra as iniciativas de desmonte da máquina pública. Tudo o que faz parte da construção da negação da vacina, como as falsas informações que se sucedem, é do interesse do governo”, afirma Ivone Cabral, professora titular aposentada da Escola de Enfermagem Anna Nery e voluntária do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da UFRJ, e atual docente adjunta da Faculdade de Enfermagem da Uerj, onde também atua no programa de imunização.

Ela avalia que os casos de “vacinas de vento” têm que ser apurados, até para se saber da veracidade dos vídeos divulgados, que podem ser fake news. “Não estou negando que um profissional negacionista ou bolsonarista caia nesta iniciativa de contribuir para que as pessoas não busquem a vacinação”, observa, e defende o afastamento dos responsáveis, se houver, e que sejam responsabilizados eticamente e punidos pelo conselho profissional. “Porque não se pode usar a profissão para exercitar sua ideologia. [O profissional] Não têm o direito de negar o direito do outro a providências que protejam sua saúde”, enfatiza.  

“É preciso apurar, separar o joio do trigo. Os profissionais de enfermagem são os que fazem a vacinação, são respeitados pela população, têm conhecimento da técnica, e não é de hoje. O Programa Nacional de Imunização é muito sério, e as pessoas que estão na linha de frente são sérias. Falamos isso de longa data e nunca houve esse tipo de denúncia. Por isso meu desconfiômetro”, acrescenta Ivone.

Segundo a professora, fato como esse coloca em risco a qualidade do Programa, sua abrangência e magnitude, e a responsabilidade do Estado é com a continuidade da vacinação. Por conta disso, ela critica a iniciativa da rede privada de comprar vacinas, o que diminuiria a oferta para a população: “É o setor público que tem que arcar, sim, com a imunização da população. Vacina tem que ser no setor público! Neste momento de crise sanitária, a responsabilidade é do Estado”.