A FASUBRA Sindical participou de uma reunião conjunta com o SINASEFE (Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica), com o objetivo de alinhar estratégias de mobilização e atuação unificada diante de temas urgentes que afetam o funcionalismo público federal.
O encontro, realizado em Brasília, teve como pautas centrais o Plebiscito Popular 2025, a tramitação da Reforma Administrativa (PEC 32) e a preocupação crescente com o não cumprimento, por parte do governo federal, dos termos acordados ao final da recente greve dos servidores da educação.

As entidades demonstraram apoio ao Plebiscito Popular 2025, que propõe uma consulta nacional para que a população opine sobre temas estruturantes para o futuro do país, como a redução da jornada de trabalho sem cortes salariais e o fim da escala 6×1. Para a FASUBRA e o SINASEFE, a iniciativa fortalece o debate democrático e dá voz às reivindicações populares historicamente negligenciadas.

Outro ponto de destaque foi a retomada das articulações contra a Reforma Administrativa. Ambas as entidades reafirmaram o caráter nocivo da PEC 32, que ameaça a estabilidade, os direitos e os serviços públicos essenciais. A avaliação é de que a proposta, agora reativada através do Grupo de Trabalho da Câmara dos Deputados, precisa ser combatida com unidade e mobilização nas bases.
Durante a reunião, também foi manifestada profunda insatisfação com o descumprimento de pontos do acordo firmado com o governo ao fim da greve. Segundo os dirigentes sindicais, compromissos assumidos em mesa de negociação, como reestruturação de carreira e implementação de melhorias nas condições de trabalho, não vêm sendo honrados. As entidades estudam medidas políticas, jurídicas e de mobilização para cobrar a efetivação do que foi pactuado.

A reunião reafirmou o compromisso da FASUBRA e do SINASEFE com a defesa da educação pública, dos direitos dos trabalhadores e da democracia participativa. Novos encontros e ações conjuntas devem ser anunciados nas próximas semanas como parte de uma agenda unificada de lutas.

 

Em discurso na UFG, presidente critica interferência dos EUA, defende soberania nacional e convoca juventude à luta

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou, nesta quinta-feira (17), da plenária do 60º Congresso da União Nacional dos Estudantes (Conune), realizado na Universidade Federal de Goiás (UFG), em Goiânia (GO). Vestido de vermelho e com o boné da UNE, o presidente discursou durante meia hora diante de cerca de 10 mil estudantes e aproveitou o espaço para reforçar a defesa da soberania nacional e criticar a postura dos Estados Unidos em relação ao Brasil.

“Temos duzentos e um anos de relações diplomáticas com os Estados Unidos”, afirmou. “E temos um déficit comercial de serviços e de comércio de US$ 410 bilhões em 15 anos. Portanto, os Estados Unidos são muito superavitários com o Brasil.” Segundo Lula, esse histórico reforça a posição brasileira de não aceitar pressões externas: “Nós não aceitamos a ideia do presidente [dos EUA] mandar uma carta via e-mail dizendo que, se não libertar o Bolsonaro, vai taxar em 50%”.

Em referência direta ao presidente Donald Trump, Lula foi enfático: “Nós não aceitamos que ninguém, de nenhum país fora do Brasil, se meta nos nossos problemas internos. É a primeira vez na história desse país que temos três generais de quatro estrelas presos. E não estão presos à toa. Estão presos porque tentaram dar um golpe. E vão ser julgados, não porque o Lula quer. Vão ser julgados com base nos autos do processo”.

O presidente comparou a situação brasileira à tentativa de golpe nos Estados Unidos, em 2021: “Se o Trump tivesse tentado aqui no Brasil o que fez no Capitólio, poderia também ser preso”.

Lula seguiu em tom de enfrentamento. “Não é um gringo que vai dar ordem a este presidente da República. Eu sei a quem eu devo respeitar neste país. O nome dessa pessoa só tem quatro letras: chama-se povo brasileiro.”

Além de Lula, também participaram do ato a primeira-dama Janja Lula da Silva e os ministros Alexandre Padilha (Saúde), Camilo Santana (Educação), Luciana Santos (Ciência, Tecnologia e Inovação), Margareth Menezes (Cultura) e Marcio Macedo (Secretaria-Geral), além de representantes de movimentos populares e centrais sindicais.

“Enquanto eu for presidente, não tenha medo de reivindicar, de cobrar”

Diante da juventude, o presidente convocou os estudantes a se organizarem e pensarem estrategicamente os rumos do país. “A esquerda toda que está aqui não tem mais que 140 deputados no Congresso Nacional, de um total de 513. E no Senado, temos só doze. Para aprovar qualquer coisa, precisamos de maioria”, lembrou.

“É preciso transformar os nossos sonhos em ação”, defendeu Lula. “Como é que o PT é capaz de eleger um presidente da República cinco vezes e só faz setenta deputados federais? Será que o povo está nos compreendendo? Por que o povo não vota nos deputados e senadores de esquerda? Esse é um desafio para a juventude pensar”, disse.

Lula também alertou para o papel das plataformas digitais nas eleições e pediu atenção às fake news. “A juventude é muito vulnerável à máquina das empresas de tecnologia. É importante que aprenda a distinguir a mentira da verdade, senão vamos fazer uma eleição com base numa guerra de inteligência artificial”.

O presidente também propôs que a UNE crie um projeto voltado para as periferias. A ideia, segundo ele, é aproximar os estudantes dos jovens que não tiveram oportunidade de estudar. “Mostrem que vocês não são uma coisa alheia a eles”, pediu.

“Precisamos trabalhar um pouco mais. O debate tem que sair da universidade e ir para a rua. Precisamos politizar a sociedade brasileira para que ela não seja enganada pelos mentirosos”, completou.

Lula sanciona projeto que destina recursos do pré-sal para assistência estudantil

Durante a plenária, o presidente sancionou o Projeto de Lei (PL) 3.118, de 2024, que amplia o uso dos recursos do Fundo Social – provenientes da exploração de petróleo e gás natural – para financiar políticas de assistência estudantil em instituições públicas.

De autoria do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), o texto altera a Lei nº 12.858, de 2013, para incluir entre as prioridades do Fundo Social as ações voltadas à permanência de estudantes de baixa renda na educação superior. A proposta também modifica a Lei nº 14.914, de 2024, reforçando o apoio a políticas de ações afirmativas.

Os cerca de 100 trabalhadores e trabalhadoras da JP Serviços e Conservação, que prestam serviços à UFRJ realizando a limpeza no antigo prédio da Reitoria e na Faculdade de Letras, estão sendo ludibriados.

A empresa, que pertence ao Grupo Souza Lima, não reajustou os salários e o auxílio-alimentação da categoria, e nem pagou o retroativo ao mês do dissídio, que foi abril.

Desde fevereiro, a JP Serviços e Conservação paga os salários e os benefícios aos seus empregados com mais de 15 dias de atraso. A prática aviltante da empresa tem levado desespero aos chefes de família, que a cada mês se endividam mais.

Com o reajuste do dissídio coletivo, os salários aumentariam de R$ 1.610,00 para R$ 1.730,00, e o auxílio-alimentação passaria de R$ 22,00 para R$ 25,00.