Verba escassa não é desculpa para o abandono da unidade, uma das mais importantes da UFRJ e patrimônio histórico do país

Invasão de ratos sendo tratada com medida paliativa não será aceita pelos técnicos administrativos do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (UFCS). Esta foi a decisão da reunião das trabalhadoras e trabalhadores com o Sintufrj, na quinta-feira, 22. As condições insalubres de trabalho no edifício de três andares construído no século XVIII foram detalhadas pela categoria em documento entregue à direção da unidade, ao Gabinete do Reitor e a outras instâncias da Administração Central, e aos órgãos superiores da UFRJ.

Fezes dos roedores estão em todos os ambientes de trabalho na unidade, sob teclados, assentos de cadeiras e gavetas. No almoxarifado, rolos de papel higiênicos picados revelam a presença dos mamíferos indesejáveis. A Leptospirose é uma das doenças mais comuns transmitidas por ratos, uma infecção bacteriana que pode ser fatal. A bactéria causadora da doença  é eliminada na urina dos ratos. A infecção ocorre quando a pessoa entra em contato com água ou solo contaminado.

Uma das causas da proliferação dos ratos no IFCS é o acúmulo de lixo dentro do edifício, em consequência do reduzido número de faxineiros, todos trabalhadores terceirizados que convivem com atrasos de salários constantemente. São apenas 14 (10 durante o dia e quatro à noite) para dar conta de toda a sujeira produzida pelas milhares de pessoas que circulam todos os dias no edifício – entre servidores técnicos administrativos e docentes; alunos dos três cursos de graduação, pós-graduação, núcleos e programas de pesquisas do instituto; mais de dois mil estudantes do Instituto de História; e usuários da biblioteca, que é aberta ao público, assim como os programas.

Descaso geral

A denúncia feita por escrito pelos técnicos administrativos resultou em uma desratização meia bomba na unidade, ou seja, somente onde os ratos foram vistos passeando recentemente. Um desses locais foi a biblioteca, que fica próxima ao refeitório onde são servidas as refeições levadas do Restaurante Central. “Não queremos resposta protocolar”, avisa uma servidora. O temor de contrair uma das doenças transmitidas pelos ratos (são várias, além da leptospirose, como, por exemplo, a peste bubônica), acabou com a tranquilidade das pessoas. “Vir trabalhar se tornou  um pesadelo pelas condições do IFCS”, desabafou um servidor.

Deliberação do Sintufrj

Técnicos administrativos de vários setores participaram da reunião com a direção sindical, que também recebeu o documento elaborado pelos servidores e prontamente agendou o encontro. A primeira atitude do Sintufrj será enviar um ofício à Reitoria e à CPST ultimando a desratização de todo o edifício do IFCS, juntamente com o fechamento de buracos e frestas (nos assoalhos de madeira e paredes), que facilitam a entrada e a moradia dos camundongos e ratazanas. No dia 4 de fevereiro, quando a Congregação da unidade se reunirá, a entidade estará presente. E no dia 12, a comunidade do IFCS (técnicos, docentes e estudantes) junto com o sindicato, fará manifestação na primeira sessão do ano do Conselho Universitário.

O que mais pode

ser feito de imediato

Além dos problemas estruturais da construção histórica,  responsáveis pela suspensão constante das atividades acadêmicas e administrativas, os coordenadores sindicais constataram, a partir dos relatos de servidores, que a falta de manutenção mínima no edifício já garantiria um ambiente de trabalho menos inóspito.

Por exemplo: já que a rede elétrica do IFCS não comporta a instalação de aparelhos de ar-condicionado, pelo menos todas as salas devem ter ventiladores; melhorar a iluminação das salas, da entrada e da biblioteca substituindo as lâmpadas atuais por outras; reabrir os banheiros interditados por falta de portas, maçanetas e descargas; consertas as janelas para que possam ser abertas, arejando e clareando os espaços, entre outras medidas urgentes e custo elevados. FOTOS: RENAN SILVA 

AVISO RECOMENDA restrição ao trânsito com marmita para evitar atração de ratos: condições sanitárias constrangedoras
NO ESCURO. Corredores de acesso ao prédio sem iluminação

 

 A Expectativa se concentra na negociação desta terça-feira, 27, e na avaliação da plenária virtual da federação, dia 31, que avaliará a disposição do governo em cumprir o acordo  

A plenária nacional da Fasubra nos dias 24 e 25 de janeiro aprovou o indicativo de deflagração de greve a partir de 23 de fevereiro. Na votação, antecedida por caloroso debate, 81pessoas votaram por essa data e 68 pela proposta de 2 de fevereiro. Cinco se abstiveram.

As delegações de todo o país apresentaram reflexões orientadas pelas assembleias de base sobre o indicativo de greve, durante o debate sobre a conjuntura conduzido pelas coordenadoras-gerais da federação, Cristina Del Papa, Ivanilda Reis e Loiva Chansis.

Foi aprovada também aprovada a continuidade da plenária no dia 31 de janeiro, no modo virtual e com a mesma delegação, para avaliação do resultado da reunião da Fasubra com o Ministério de Gestão e Inovação no Serviço Público (MGI), nesta terça-feira,  27 de janeiro.

Semana decisiva

Na avaliação do coordenador-geral do Sintufrj e da direção da Fasubra, Francisco de Assis, a plenária foi muito importante e bastante representativa das bases (com mais de 160 delegados presentes), possibilitando o aprofundamento do debate.

“O grande destaque da plenária foi o contexto geral de unificação de que a gente precisa realmente se armar para a greve, caso o governo não atenda as nossas demandas. Tivemos diferenças em relação a data, mas a maioria aprovou o dia 23 de fevereiro, porque as entidades terão tempo para se organizarem. Inclusive, já com o resultado da avaliação nacional da negociação com o governo nesta terça-feira, 27”, pontuou Assis.

 O coordenador-geral do Sintufrj Esteban Crescente, avaliou que é importante a construção da mobilização para a greve. Segundo o dirigente, o debate sobre a data teve a ver com a situação de cada base. “Há as que têm acúmulo para imediatamente entrar em greve e outras, não; algumas só vão aderir ao movimento após o início do ano letivo antes do carnaval. O que não é o caso da UFRJ, cujo semestre acadêmico começa após o carnaval. Mas, o  fundamental é que se discuta a organização da greve como instrumento de pressão na mesa de negociação”, observou.

 

Acesse aqui o ID correlato da última Plenária: ID N° 002.2026_

PLENÁRIA DA FASUBRA. Registro de dirigentes e delegados da reunião que aprovou indicativo de greve

 

 

GT ANTIRRACISTA CONVOCA REUNIÃO PARA DISCUTIR CALENDÁRIO DE ATIVIDADES PARA 2026. É NESTA QUARTA-FEIRA, DIA 28 DE JANEIRO, NA SALA DE REUNIÃO DA DIRETORIA NO SINDICATO. A REUNIÃO ESTÁ MARCADA PARA ÀS 14H E SERÁ HÍBRIDA.