A cinco dias da assembleia na UFRJ para decidir a deflagração ou não da greve  dos técnicos- administrativos, a direção do sindicato foi ao Centro de Letras e Artes (CLA) em reunião híbrida concentrada no esforço coletivo para mobilizar a categoria.

A reunião presencial ocorreu no auditório da FAU e como tem sido nos demais encontros, a direção resgatou o processo negocial e explicou os pontos que foram ignorados pelo governo no acordo de greve – tendo como centralidade o Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC) cujo o PL encaminhado ao Congresso descaracteriza o que foi acordado nas negociações com os trabalhadores.

Uma das principais demandas do movimento é o RSC – mecanismo que permite, essencialmente, que o servidor avance um nível a mais na tabela do Incentivo à Qualificação, sem a necessidade do título.

Então esse importante mecanismo reivindicado pela Fasubra, a nossa Federação, foi destrinchado na reunião. O objetivo do Sindicato é fazer com que os trabalhadores tenham todas as informações e clareza sobre o que está em jogo nesse momento, por isso o chamamento para a greve. E consequentemente é fundamental a participação na assembleia para decidir pela deflagração ou não do movimento paredista.

A reunião foi conduzida pelos coordenadores Vânia Godinho e José Carlos Xavier. Os dois ficaram responsáveis por destrinchar o RSC. Vânia informou sobre as principais reinvindicações no processo de negociação e explicou o motivo porque nem toda a categoria e aposentados ficaram de fora do RSC. Ela observou que embora seja ano eleitoral, os técnico-administrativos têm de garantir o acordo de greve e a reformulação da carreira no que for melhor para toda a categoria.

José Carlos esclareceu sobre o debate feito nas plenárias e o que foi deliberado ressaltando o esforço concentrado da diretoria para levar todas as informações à categoria. Em seguida ele fez a leitura do que foi proposto pelo governo no projeto de lei e Vânia explicou sobre as mudanças que foram feitas quebrando o que foi acordado. Os dois esclareceram dúvidas.

TRABALHADORES COM DIRIGENTES DO SINTUFRJ que participaram da reunião do CLA

 

ESTEBAN E NIVALDO HOLMES na mesa da reunião desta quinta-feira, no CT

Nesta quinta-feira, 5, uma das bases que se reuniu com a direção do Sintufrj (presencialmente e online) foi o Centro de Tecnologia (CT). A pauta é a mesma que está sendo discutida pela entidade com todos os técnicos administrativos em educação da UFRJ: a tomada de decisão conjunta pela deflagração ou não de greve a partir de 23 de fevereiro, na assembleia de terça-feira, 10, pelo cumprimento integral do acordo assinado  com o governo em 2024.

“O objetivo destas reuniões com a base é convocar as companheiras e companheiros para a assembleia de deflagração de greve no dia 10, que vai acontecer simultaneamente em três locais: aqui, no CT, em Macaé e na Praia Vermelha. Nosso quórum, de acordo com o Estatuto do Sintufrj, é qualificado e o  movimento grevista tem que ser aprovado por 5% da categoria (cerca de 800 pessoas)”, informou o coordenador-geral do sindicato, Esteban Crescente.

Pendências do acordo

De forma sucinta o dirigente expôs os motivos de uma tomada de decisão de greve. “Conquistamos com a greve de 108 dias itens de impacto financeiro e social importantes, mas nem todos foram cumpridos pelo governo, a maioria diz respeito a prazos, como racionalização de cargos e reposição dos aposentados injustiçados em 2005, e o mais forte de todos: o Reconhecimento de Saberes e Competências, o RSC”.

Esteban listou os itens do acordo pelos quais a categoria deve lutar para que sejam prontamente cumpridos pelos governo: racionalização dos cargos, reposicionamento e aceleração para os aposentados, 30 horas para todos, implantação do RSC até abril e de acordo com o regramento proposto pela Comissão Nacional de Supervisão da Carreira (CNSC), regulamentação dos plantões 12 x 60 e hierarquização de cargos. “Temos também a pauta unificada dos servidores públicos federais e se destacam as reivindicações pela equiparação dos benefícios com o Legislativo e o Judiciário, auxílio nutricional para os aposentados e o cumprimento dos acordos”, acrescentou o coordenador.

Pressão no Congresso

Na segunda-feira, 2, segundo Esteban, a Fasubra foi ao Congresso Nacional dialogar com as lideranças partidárias com o intuito de que a Câmara aprovasse as emendas elaboradas pela CNSC/Fasubra e Sinasefe (que representa os servidores técnicos administrativos dos institutos federais) ao PL 6170/25, determina as regras para o RSC. Nenhum substituto proposto foi aprovado pelos deputados e a matéria agora está no Senado.

“Muitas dessas emendas ao PL do RSC levadas ao Congresso foram discutidas e GT Carreira do Sintufrj e aprovadas em plenárias da Fasubra”, disse o coordenador do Sintufrj Nivaldo Holmes. Ele também lembrou que desde 2005, quando passou a valer o PCCTAE, a Fasubra briga pelo reposicionamento dos servidores que estavam aposentados nesta data. FOTOS: RENAN SILVA