O evento especial que o SINTUFRJ organizou para marcar a passagem do Dia das Mães, na manhã desta sexta-feira, dia 8, no Espaço Cultural, não foi apenas uma comemoração convencional. Foi uma verdadeira celebração de mães que derrubaram e ainda derrubam “um leão por dia” para criarem seus filhos: mães-solo, militantes, ativistas, mães que lutam no dia a dia pela sobrevivência e por uma sociedade mais justa.

O evento foi aberto com a “Roda de Conversa Mães na linha de frente”, transmitida também via Zoom, que refletiu sobre o papel das mães no trabalho, no cuidado e nas batalhas coletivas que transformam a sociedade, com as presenças inspiradoras de Vera Lúcia Cardoso, mãe da deputada Dani Balbi (PCdoB), técnica em enfermagem aposentada do HU, e da ativista social Thaiz Leão, designer, artista e ativista social e assessora da vereadora Thaís Ferreira (PSOL).

“Nada do que a gente faça vai mensurar o amor de uma mãe por seu filho”, disse a assessora Alessandra Nascimento, convidado as palestrantes, a coordenadora-geral Sharon Stèfani e a idealizadora do evento, a coordenadora de Administração e Finanças Ana Mina a comporem a mesa.

Ana, que mediou o evento, apontou a oportunidade de, neste momento difícil da realidade nacional e internacional, o Sindicato oferecer esse momento de reflexão e de cuidado às mães.

Sharon também elogiou a iniciativa, em particular das mulheres do coletivo Unir e destacou acolhimento e cuidado com que ela mesma é recebida. Abordou também a importância deste olhar especial às mães, exemplos de força e obstinação.

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Livros, tirinhas e ativismo

Thaiz Leão levou de presente diversos exemplares dos materiais que produz em seu projeto. Um deles, o livro “O exército de uma mulher só”, aberto com sentenças como: “no Brasil, 5 milhões e meio de crianças não têm o nome do pai na certidão de nascimento; ou em muitas casas, as tarefas domésticas são obrigação apenas de mulher e muitas acabam demitidas ou se veem obrigadas a demitir-se para cuidar dos filhos e da casa”.

Levou também mostras do livro “Chora Lombar” e cards com suas tirinhas que abordam temas a desconstrução da maternidade idealizada e o mundo hostil dos preconceitos machistas.

Thaiz foi mãe aos 23 anos, de Vicente e com base nos seus desafios, desenvolveu o projeto “Mãe Solo”. Ela é fundadora e diretora do Instituto Casa Mãe. Autista, desenha como linguagem para expressar seus pensamentos e viu, tocando em temas delicados para as mulheres, como as dores e a sobrecarga comuns na maternidade, seu público crescer de 20 mil para 200 mil mães do Brasil inteiro.

Como, brinca, sua profissão “é tentar resolver o mundo” acabou voltando-se para a política como ferramenta para atuar numa sociedade cujas políticas são pensadas por homens que “sequer lavam suas roupas e que colocam o dinheiro acima da vida”, para tentar realizar o sonho de se chegar a um lugar “mais gostoso”, de sustentabilidade para a vida, de um futuro melhor.

“Minha mãe não era solo, mas era como se fosse. Éramos cinco mulheres e ela fez tudo. Então para mim, ela ensinou, representou, lutou”, contou Vera, mãe de Dani Balbi, contando que saía todo dia para trabalhar, sem esmorecer, para matar “um leão por dia”. Mesmo assim, orgulha-se ao dizer que é muito gratificante ser mãe: “Meus filhos são tudo que tenho. A minha filha é maravilhosa, além dos que vocês veem”, diz ela, contando que foi muito difícil ser mãe solo, negra e pobre.

Contou que começou durante o regime militar. “Imagine o que passei. Enfrentei racismo, preconceito, mas me mantive ali, lutando, porque minha mãe ensinou que temos que manter a cabeça erguida e lutar por nossos direitos”, disse ela, que é sindicalizada há muitos anos e sempre que possível participa do movimento.

Depoimentos do público emocionam

Além de depoimentos das coordenadoras Ana Célia e Selene Vaz (Aposentados), Norma Santiago (Políticas Sociais), Antônia Karina (Comunicação) e Rosemere Roza (Suplente), muitas das companheiras presentes, mães e filhas, estimulada a dar seu depoimento pela coordenadora Ana Mina, também contaram um pedacinho de sua história, a luta para criar seus filhos, o orgulho pelo que se tornaram e admiração às suas próprias mães.

“Fui mãe-solo e tive que segurar uma barra sozinha”. A frase se repetiu em muitas das falas das mães, algumas já avós e até bisavós, com um destaque, o orgulho por tudo que os filhos, apesar das dificuldades conquistaram com todo esse esforço.

Coordenadores, Nivaldo Holmes (Suplente) e Francisco de Assis (Geral), e um servidor presente (seu Manoel Tavares) também prestaram sua homenagem.

Dani Balbi homenageia sua mãe

A deputada não pôde estar presente, mas em um vídeo, contando um pouco da sua trajetória e de sua mãe, emocionou o público.

Contou que dona Vera lhe mostrou a importância de identificar o lado certo da história, o da classe trabalhadora. Que sua mãe, que tinha o Sintufrj como referência levava o Jornal para casa, que os filhos liam, mesmo sem entender muito aos nove e dez anos, mas que de certa maneira ajudou a fortalecer sua consciência de classe. Lembrou com orgulho os ensinamentos da mãe, da necessidade de sempre se organizar, buscar organizações que representem seus interesses de corporação, de classe, em defesa de políticas públicas estruturantes para os mais vulneráveis.

Contou ainda que dona Vera foi o primeiro exemplo de militante que teve em casa, que vociferava contra o neoliberalismo ao assistir o desmonte da universidade na gestão neoliberal.

Mas, além de mostrar o caminho da organização coletiva com a identificação do lado certo da história, mostrou o amor incondicional pela universidade pública: “Sempre chegava em casa compartilhando com a gente como ela ajudava nas pesquisas que tinham impacto na vida das pessoas. E depois me tornou aluna da universidade. Um orgulho para nós duas”.

“E quantas vezes conversávamos sobre política. Sobre a importância da universidade pública e da luta coletiva. Quero agradecer a minha mãe por ter consciência de classe e o amor e a importância da universidade pública”, disse Dani, concluindo: “Te amo, mãe!”

Maquiagem e shiatsu

Além das palestras, o Sintufrj ofereceu momentos de cuidado com a saúde às mães presentes: havia estandes de maquiagem e limpeza de pele (oferecidas pela MaryKey) terapias como auriculoterapia e shiatsu (com a equipe do Espaço Saúde), foram oferecidas singelas lembranças e, ao fim, um saboroso brunch no salão delicadamente decorado. FOTO: RENAN SILVA

Trabalhadores das universidades federais e estaduais em greve fizeram ato unificado reivindicando a valorização da categoria. A manifestação foi na tarde de quinta-feira, 7 de maio, com concentração no Largo do Machado e caminhada até o Palácio Guanabara.

O objetivo foi dialogar com a população, cobrar os governos federal e estadual e denunciar a asfixia financeira das instituições públicas de ensino. Os trabalhadores se concentraram no Largo do Machado onde os representantes dos comandos de greve da UFRJ, da UFF, Rural, Unirio e Uerj fizeram falas e distribuíram panfleto explicativo.

No caso das universidades federais os técnico-administrativos reivindicam o cumprimento do acordo de greve firmado em 2024 com o governo. A categoria tem perdas inflacionárias acumuladas na casa dos 30% desde 2010. Já o orçamento para custeio e investimentos teve uma queda brutal há mais de uma década.

Na Uerj ocorre pela primeira vez uma greve unificada de técnicos, docentes e estudantes. Seus trabalhadores têm mais de 50% de perdas acumuladas nos últimos anos, professores com doutorado ganham menos de metade do salário das federais, há retirada de direitos e a universidade vive numa situação orçamentária muito grave. Em 2024 os estudantes tiveram milhares de bolsas cortadas. Na unidades de saúde da Uerj os trabalhadores têm sobrecarga de trabalho e o Hospital Grafréé Guinle está sendo fechado.

 

 

Marcha

Após a concentração eles saíram em marcha até o Palácio Guanabara onde finalizaram o ato. Lá novamente se manifestaram, inclusive pedindo abertura de negociação com o  governador em exercício.

 

A coordenadora do Sintufrj, Marli Rodrigues, enalteceu a união dos trabalhadores das universidades federais e do estado. Falou das reivindicações anunciando também que a categoria luta pelo fim da escala 6 x 1.

“Nós estamos na rua porque nós queremos dignidade de trabalho.  Essa luta é de todos nós, pois esses governos não respeitam o trabalhador. Então nós estamos na rua e vamos continuar. E nós já percebemos que juntos nós somos fortes. É o pessoal da Uerj na greve e nós nas federais. O  nosso objetivo é lutar pelo nosso RSC e os companheiros da Uerj estão na luta por aumento de salário e por dignidade de trabalho. Nós estamos na rua também pelo fim da escala 6 x 1. Estamos lutando não só pelas universidades, estamos lutando pela educação, pela saúde. A  nossa luta é por dignidade de trabalho, o fim da escala 6 x 1 para acabar com a exploração do trabalhador. Nós estamos num momento decisivo da nossa greve e a rua é o melhor lugar para denunciarmos, defender nossos direitos e falar o que está acontecendo na saúde e na educação. Companheirada, muito obrigada, muito bom ter todos vocês aqui. Nós estamos nessa luta porque a rua é o lugar onde nós podemos gritar e nós podemos dizer para esses governantes que sem trabalhador não tem economia nesse país. Sem trabalhador tudo fica parado. Cada vez que o governo não cumpre com as suas obrigações com a gente, voltamos para as ruas. A gente para esse país porque nós somos fortes. Juntos nós podemos.”