Com o salão ocupado por dezenas de estudantes com cartazes e faixas reivindicando a aprovação do Protocolo de Segurança da UFRJ, depois de intensa discussão e da formalização de um parecer pela Comissão de Legislação e Normas que incorporou propostas dos diversos pareceres apresentados, o Conselho Universitário (Consuni) aprovou, na sessão desta quinta-feira, 14, por unanimidade, resolução sobre a Política de Gestão Integrada do Risco de Violência Urbana da UFRJ. um plano contem diretrizes para tomada de decisão, no âmbito da universidade, frente à situações violência urbana, operações polcais, confrontos armados e outras circunstâncias que afetem a rotina acadêmica e administrativa da universidade.

“O Reitoria, fica ligada! Estudante não é à prova de bala!”, com essa e outras palavras de ordem, alunos de diversos cursos lotaram o salão logo no início da sessão, com suas lideranças se revezando em anunciar os prejuízos que a postergação da decisão a respeito do tema tem causado à comunidade universitária. Muitos dos quais são “revitimizados”, como disseram alguns conselheiros, como a técnica administrativa Marta Baptista, explicando que muitos, além de se submeterem à violência e ao perigo das operações policiais,  sofrem as consequências (acadêmicas e profissionais) de não conseguirem chegar à universidade.

“Segurança é inegociável” e “Quantos mais têm que morrer?”, questionavam os cartazes. Em jogral, os estudantes anunciavam “estamos aqui hoje para aprovar o protocolo no Conselho pelos estudantes que hoje sofrem com operações policiais”.

Paralisação estudantil dia 19

A conselheira estudantil Isadora Camargo anunciou que dia 19 de maio, próxima terça-feira, os cursos da UFRJ vão parar. Contou que mais de 80 cursos já aprovaram o indicativo e outros ainda realizavam suas assembleias. O foco estava em três pontos principais, explicou: além da definição do protocolo de segurança (em pauta na sessão), a substituição da empresa responsável pela baixa qualidade do serviço de alimentação nos Bandejões (Nutryenerge) e o corte de 20% das bolsas de extensão. “Nós vamos paralisar”, reiterou.

Outro representante discente, Henderson Ramon explicou que em todos os dias que há operação policial os estudantes se tentam saber como proceder e que o protocolo foi elaborado justamente por isso, citando como exemplo mais um conflito recente na comunidade da Maré: no dia 5, em que ele próprio não conseguiu sair de casa. Apesar disso, a universidade se posicionou apenas no meio da tarde, informando que tudo estava normal. “Não estava tudo bem! Não dá para distorcer a realidade que várias pessoas como eu estão vivendo no seu dia a dia”, apontou. Segundo ele, estava entre as reivindicações eixos da paralisação do dia 19 está também a acessibilidade, inclusive a falta de interprete de LIBRAS e de elevadores para cadeirantes, além da situação precária da moradia estudantil.

Segundo o DCE, mesmo com a aprovação do protocolo, a paralisação do dia 19 se mantém. Será um dia inteiro de atividades, locais nos cursos pela manhã e à tarde um protesto unificado, no Fundão.

Fotos: Renan Silva

GT trabalha no plano desde 2023

Situações de violência têm se repetido com frequência na cidade. Volta e meia estudantes e servidores, muitos moradores em  comunidades, se veem em meio a operações da polícia e impossibilitados de saírem de casa. Por isso, reivindicavam um protocolo de segurança para ser acionado antes da maioria iniciar seu deslocamento para a UFRJ, para não serem penalizados com faltas ao trabalho e/ou pela ausência em provas.

O plano é fruto de mais de dois anos de trabalho de um GT institucional e entrou em pauta inúmeras vezes no colegiado, inclusive com duas apresentações pelo coordenador do grupo de trabalho, mas sua votação foi adiada tantas vezes que estudantes, técnicos administrativos e outros membros do colegiado chegaram a organizar um abaixo-assinado diante da urgência do tema.

Com a aprovação, o salão explodiu em comemoração e a sessão foi considerada histórica. Veja a seguir:

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E agora, o que acontece?

Após a sessão, o reitor Roberto Medronho garantiu que o plano será posto em prática o mais brevemente possível e o representante do DCE, Henderson Ramon, informou que o movimento vai cobrar a implantação.

“Agora é seguir o que nós aprovamos aqui. Estabelecer um gabinete de crise, o conselho consultivo. Aplicar aquelas orientações que estão no plano do GT”, comentou o reitor. “Eu quero fazer o mais rápido possível, porque infelizmente as operações não param. E hoje eu foi um momento de muito orgulho para toda a nossa universidade, porque  tivemos a discussão profunda com as divergências colocadas de forma bastante clara. E a partir do debate, foi-se caminhando para uma proposta de consenso. Essa é a universidade que a gente quer: uma universidade viva, que debate, que se manifesta e que está, ao fim e ao cabo, com todos querendo remar para o mesmo lado, em prol da nossa UFRJ”, disse ele comemorando a sessão que classificou de histórica.

“Agora o protocolo tem que ser executado. A briga para o gabinete de crise sair, como a gente aprovou aqui hoje, e para que ele venha a ser cumprido. Só aprovar e não ser executado não adianta. A gente vai cobrar. Sempre que a gente tem uma operação, a gente aciona a Reitoria e a resposta demora. A nossa esperança é que agora, com esse protocolo aprovado, que a Reitoria venha a ser mais eficaz em tomar as medidas e executar “, disse Henderson Ramon.

Regras para suspensão de atividades

A forma definitiva da resolução, da Comissão de Legislação e Normas com a convergência de propostas apresentadas na sessão, ainda seria finalizada e, portanto, não foi divulgada naquele momento. Mas,  depois, a Reitoria publicou a seguinte nota no Instagram, destacando a construção coletiva do texto final:

“A nova resolução (Política de Gestão Integrada do Risco de Violência Urbana da UFRJ) define como a instituição deverá atuar em situações de violência que afetem o funcionamento acadêmico e administrativo da universidade. (…)  Entre os principais pontos aprovados está a criação de dois núcleos de atuação: o gabinete executivo, responsável pelas deliberações e pela comunicação oficial em momentos de crise, e o gabinete consultivo, formado por representantes da comunidade universitária para avaliação e acompanhamento das medidas adotadas.

Representação dos segmentos no gabinete consultivo

O gabinete executivo será composto pela Reitoria, pró-reitorias de Graduação (PR-1), Pós-Graduação e Pesquisa (PR-2) e Pessoal (PR4), Prefeitura Universitária e Superintendência Geral de Comunicação. Já o consultivo contará também com representantes dos estudantes, servidores técnico-administrativos e docentes. “A criação dos dois gabinetes dá agilidade aos processos e às comunicações, ao mesmo tempo em que cria um espaço permanente de avaliação das ações adotadas”, destacou o professor Célio Albano da Costa Neto, relator da proposta na Comissão de Legislação e Normas (CLN) do Consuni.

A resolução estabelece regras para suspensão de atividades presenciais e para situações individuais de impossibilidade de deslocamento em razão da violência urbana. Nesses casos, não haverá abono, mas possibilidade de justificativa de faltas, mediante critérios de razoabilidade. Também ficou definido que atividades suspensas deverão ser repostas. O texto será revisado em 12 meses.

Respeito aos estudantes e trabalhadores

Os representantes técnicos administrativos Milton Madeira e Marta Baptista se manifestam no Consuni.

A conselheira técnica administrativa Marta Baptista chamou atenção para a necessidade de que o plano atinja também trabalhadores terceirizados.

O conselheiro técnico administrativo Milton Madeira defendeu que os demais conselheiros compreendessem a situação sob a ótica daqueles que são atingidos mais diretamente, como estudantes pretos, pobres e periféricos. Veja a fala do conselheiro.

Moção

Com apenas duas abstenções, o Consuni aprovou também uma moção de repudio ao governo do Estado do Rio, à política de segurança pública “pela falta de emprego da inteligência institucional”, causando sistemáticos prejuízos à rotina acadêmica da UFRJ e das demais instituições de ensino comprometendo a formação de estudantes da educação pública básica à pós-graduação.

A UFRJ, explica o texto, é diretamente afetada com uma demanda crescente de suspensão de aulas, atividades de laboratório, pesquisas de campo, estágios, defesas de tese, eventos e demais compromissos acadêmicos.

       

Conheça alguns elementos do plano, segundo apresentação em março, no Consuni

 

No Consuni do dia 26 de março (veja matéria em https://sintufrj.org.br/2026/03/mais-uma-vez-plano-de-contingencia-e-apresentado-ao-consuni/), Alexandre Barbosa de Oliveira, professor que coordenou o GT (constituído por representantes da administração central, docentes, discentes e TAEs) para desenvolvimento de diretrizes frente a operações policiais, confrontos e violência armada em áreas internas e adjacentes à UFRJ), apresentou o “Plano de Contingência da UFRJ Frente a Eventos de Violência Urbana” com as bases para a política de gestão integrada do risco. Explicou que o plano envolve pró-reitorias, o DCE e a APG, a Prefeitura Universitária e a Diseg e a Superintendência de comunicação (SGCOM) e detalha procedimentos, fluxos de ação, responsáveis e atos para a implementação da política.  Define protocolos e fluxos de resposta e distribui tarefas operacionais .

Prevê uma “Gestão Integrada do Risco” abrangendo situações de tiroteios e operações policiais/militares nos entornos dos campi; confrontos armados que causem interrupção das atividades; Invasões ao espaço físico da universidade com risco à integridade física; eventos de violência que impeçam o acesso seguro aos campi  e situações de risco iminente comunicadas por autoridades externas

Implementação progressiva de ações

Em curto prazo, prevê a implementação dos protocolos de comunicação e alerta utilizando infraestrutura existente (grupos de WhatsApp, e-mail, redes sociais); capacitação básica de gestores com recursos humanos já disponíveis e divulgação do plano.

Em médio prazo prevê: adequação de procedimentos administrativos sobre faltas e reposição de atividades; organização/operacionalização do Gabinete de Crise com membros já pertencentes ao Quadro institucional.

E, longo prazo (condicionado a disponibilidade de recursos): implantação de sistemas tecnológicos de vigilância, alerta e monitoramento; capacitação continuada em primeiros socorros; desenvolvimento/expansão da rede de suporte psicossocial.

Papéis

A política define uma arquitetura de governança com papéis e responsabilidades claramente distribuídos entre o gabinete de crise, responsável pelas decisões estratégicas, a SGCom, responsável pela comunicação do risco e pela Diseg, responsável pelo monitoramento, alerta e suporte operacional.

Cartões de alerta

Um sistema de cartões coloridos permite comunicar com rapidez e clareza o nível de risco, orientando ações de cada instância da comunidade universitária.

Cartão Azul — Área Segura (Acesso Livre).  Atividades presenciais transcorrem normalmente. Monitoramento preventivo de rotina ativo. Nenhuma restrição adicional. Estado padrão da instituição.

Cartão Verde — Atenção: Situação de risco potencial identificada no entorno. Monitoramento intensificado. Comunidade orientada a adotar cautela adicional. Atividades mantidas com recomendações.

Cartão Amarelo — Alerta Imediato: Risco elevado confirmado. Gabinete de Crise ativado. Atividades não essenciais podem ser suspensas preventivamente. Comunicação ativa a toda a comunidade.

Cartão Vermelho — Emergência Risco grave e iminente. Suspensão imediata de todas as atividades presenciais. Protocolos de primeiros socorros ativados. Comunicação de emergência em todos os canais.

Sessão histórica do Conselho Universitário nesta quinta-feira, 14, ocupada pelos estudantes que reivindicavam a aprovação do protocolo de segurança em caso de operações policiais, contou com a presença de diversos servidores da Faculdade de Odontologia, membros do Comando Local de Greve (CLG) e dirigentes do Sintufrj. A coordenadora sindical e técnica administrativa da Odontologia, Rosemere Roza, questionou o reitor Roberto Medronho pelo fato de ter contratado uma empresa  para realizar o serviço de esterilização dos equipamentos odontológicos.

Veja a seguir:

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A contratação, explicou a Rosemere, foi para atender um serviço que não foi definido como essencial pelo CLG e não houve qualquer diálogo com os trabalhadores da unidade em greve e o Sintufrj. Segundo a dirigente sindical, o serviço de esterilização estava aberto para cumprir as essencialidades definidas pelo CLG  e foi enviado um ofício ao reitor há duas semanas solicitando explicações para a terceirização do serviço, mas não houve resposta.

A coordenadora reivindicou que o reitor agendasse uma reunião na próxima semana com os integrantes da Comissão Interna de Supervisão da Carreiras (CIS) e o GT Carreira do Sintufrj, conforme acordado em reunião com a Pró- Reitoria de Pessoal, para apresentação de proposta para a implementação do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC). Ela cobrou também uma posição da Reitoria sobre a aceleração dos aposentados.

“A nossa luta unificou. É estudante junto com trabalhador”, entoaram os estudantes e os técnicos administrativos presentes ao Consuni ao fim da fala da coordenadora.

Junto ao reitor

Uma comissão formada por Rosemere e pelos coordenadores sindicais Luciana Borges (Comunicação) e Francisco de Assis (Geral) (foto) se dirigiu ao reitor Roberto Medronho para solicitar a reunião, marcada por ele para a próxima segunda-feira, dia 18.

Foto: Renan Silva

No dia 13 de maio que não foi o da abolição real da escravatura os trabalhadores da educação federal e estadual reafirmaram a unidade de sua luta pela valorização da categoria e realizaram ato-conjunto no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da UFRJ, no largo de São Francisco com caminhada até a estátua da vereadora assassinada Marielle Franco que fica no Buraco do Lume.

Foi o protesto marcado nacionalmente pela Fasubra no dia de reunião de negociação com o MEC e que no centro do Rio reuniu servidores da UFRJ, UFF, Unirio, Rural, Uerj/Uenf. No IFCS houve protesto também dos trabalhadores sobre a Lei Áurea de 13 de Maio, lei que libertou formalmente os negros – uma população sequestrada da África e mantida escravizada no Brasil por mais de três séculos, sem garantir terra, trabalho, educação ou condições dignas de sobrevivência – mas não deu condições para sua liberdade plena.

Os trabalhadores exibiram cartazes sobre a greve e distribuíram panfletos explicativos para dialogar com a população no Largo de São Francisco e também ao longo do trajeto da caminhada. “Eu tô na luta por valorização. Essa é a greve da Educação”, entoaram todos juntos no IFCS e pelo centro da cidade.

 

  Assembleia

Antes da caminhada houve a assembleia geral dos trabalhadores da UFRJ em que foram referendados os nomes dos companheiros que estão em Brasília para participar da plenária virtual da Fasubra que acontecerá este fim de semana. Essa foi a única pauta tratada, haja visto pelo seu caráter de assembleia-ato.

Na oportunidade foram feitas várias falas sobre a greve, o acordo não cumprido integralmente pelo governo, a situação da educação que está sucateada em âmbito federal e estadual, os salários defasados, e a realidade do Orçamento que se encontra sequestrado pelos deputados oportunistas do Centrão (bloco que reúne parlamentares que legislam por interesses próprios e ou das elites financeiras, empresariais e do agronegócio no Congresso Nacional).

Falas essas de companheiros da UFRJ como também da UFF, da Unirio, da Rural e da Uerj. O coordenador da Unirio, Rodrigo Ribeiro, por sua vez, denunciou a privatização do Hospital Gaffrée Guinle, referência no tratamento de câncer, e pediu apoio a luta contra essa privatização aos companheiros das demais universidades.

Na mais recente reunião do Comando Local de Greve (CLG) da UFRJ, na segunda-feira (11), uma moção de repúdio foi aprovada a ação da PM do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) que atacou estudantes na madrugada de domingo para acabar com a ocupação da Reitoria

Continua intensa a mobilização dos estudantes da Universidade de São Paulo (USP). A paralisação iniciada em14 de abril já atinge mais de 100 cursos. A adesão ao movimento aumentou principalmente após a invasão da Reitoria na madrugada de12 maio, que estava ocupada pelos grevistas, por soldados da Polícia Militar que usaram de violência na ação. Os alunos reivindicam melhores condições de permanência, aumento de bolsas, contratação de professores e melhorias na infraestrutura, com relatos de problemas em bandejões e desabastecimento.

A greve na USP dos estudantes está unificada com outras instituições estaduais paulistas (Unesp e Unicamp) e já ganhou a adesão de trabalhadores técnicos administrativos, resultando em uma greve geral da educação contra precarização. 

O atendimento no Hospital das Clínicas (HC) e HU foi reduzido com a entrada na greve dos estudantes da Faculdade de Medicina. Os alunos em luta têm realizado manifestações no centro de São Paulo, denunciando a falta de investimentos em assistência estudantil. Os protestos de ruas estão sendo reprimidas por PMs, que usam gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes. Enquanto isso, a Reitoria mantém o impasse para acabar com a crise, negando-se, depois de três rodadas de negociações sem resultados práticos, a continuar dialogando com os grevistas.

 

 

 

A audiência pública da Comissão de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados, requerida pela deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) e realizada na terça-feira, 12, debateu os avanços e as pendências nas negociações do acordo de greve dos técnicos administrativos em educação das instituições federais de ensino com o governo.

A reunião aconteceu no dia em que a Câmara foi convocada remotamente, o que, como explicou a deputada, gerou um déficit de parlamentares. Na opinião dela, a presença no plenário favorece o debate. Participaram da mesa mediada por Alice Portugal (ao centro) a coordenadora-geral da FASUBRA, Cristina Del Papa, (à esquerda), Robson Barbosa, advogado especialista em direito do Servidor Público (de amarelo) e, de modo virtual,  Icaro Duarte, coordenador do Fórum Nacional de Pró-Reitores de Gestão de Pessoas da Andifes e Rafael Bastos, vice-presidente do Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal.

A deputada que é coordenadora da Frente Parlamentar Mista em Defesa do Serviço Público, junto com o deputado Paulo Paim (PT-RS), considera que há problemas que nascem da deficiência de diálogo entre as esferas de organização do Estado e servidores, mesmo em governos democráticos de frente ampla. “Há desconhecimento da realidade do trabalho nas entranhas do serviço público”, disse a parlamentar. Ela destacou a importância do técnico administrativo nas diversas funções no dia a dia das universidades.

Participação —  O auditório foi ocupado por dezenas de coordenadores da FASUBRA, do Comando Nacional de Greve (CNG) composto por representantes de entidades de várias partes do país, como a  delegação do Sintufrj (na foto abaixo, ao lado de Alice Portugal).

Reivindicações pendentes

A coordenadora-geral da Fasubra, Cristina Del Papa, iniciou sua participação na audiência mostrando a importância da categoria em números: “São 225 mil trabalhadores em todo Brasil nas universidades, institutos e centros federais de educação tecnológica. É a maior categoria do serviço público federal, não só do Executivo, mas no geral”.

A dirigente sindical apontou aspectos importantes sobre os itens do acordo de greve (veja o link para o documento ao final da matéria), informando que parte deles está sendo cumprida apenas parcialmente, e lembrou os 47 anos de história da FASUBRA.

De acordo com o site da FASUBRA, entre os itens pendentes consta a chamada “hora ficta”. Porque embora o Ministério de Gestão e Inovação dos Serviços Públicos (MGI) tenha elaborado nota técnica sobre o tema, ainda falta orientação normativa que permita computar o 13º plantão como folga para técnicos que atuam em hospitais universitários.

Outro tema abordado na reunião foi a regulamentação do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC). Segundo Cristina Del Papa, a minuta elaborada pelo MGI foi encaminhada à Casa Civil, mas a categoria aguarda o retorno. Ela criticou a exclusão de aposentados, pensionistas e servidores em estágio probatório da proposta. “Nossa categoria nunca firmou acordos que excluíssem os aposentados. É um ganho político manter toda a categoria unida”, afirmou.

A coordenadora também tratou da democratização das instituições federais de ensino superior (Ifes), e defendeu eleições paritárias para escolha de seus dirigentes, e cobrou avanços nas discussões com o Ministério da Educação (MEC).

Entre as reivindicações ainda pendentes, Cristina Del Papa criticou pontos do Decreto nº 9.991/2019, relacionados à Política Nacional de Desenvolvimento de Pessoas, especialmente no que se refere à centralização da qualificação profissional. Segundo ela, a categoria também segue cobrando o Plano de Capacitação previsto em acordo firmado em 2015.

Del Papa também defendeu a reivindicação de adesão de 18 cargos ao Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação (PCCTAE), atualmente questionada pelo MGI,   questionou as desigualdades relacionadas ao estágio probatório entre docentes e TAES, e informou que o MEC abrirá mesa setorial para discutir a pauta. Por fim, a coordenadora da FASUBRA reforçou a necessidade de implementação da jornada de 30 horas semanais, que ainda não foi efetivada pelo governo federal.

A deputada Alice Portugal afirmou que irá atuar na intermediação das demandas da categoria junto ao MGI. A audiência foi transmitida ao vivo pelo canal da comissão no site da Câmara e pode ser vista no link a seguir:

 

(na foto, Alice Portugal).

 

Reivindicações pendentes

 

A coordenadora geral da Fasubra Cristina Del Papa abriu sua participação dando uma dimensão desta grande categoria: são 225 mil trabalhadores em todo Brasil, em universidades, institutos federais e Centros federais de Educação Tecnológica, a maior categoria do Serviço Público Federal, não só do Executivo, mas no geral.

Em sua apresentação, apontou aspectos importantes sobre os itens do acordo de greve (veja o link para o documento ao final da matéria), lembrou os 47 anos de história da Fasubra-Sindical e apontou que parte dos itens do acordo vem sendo cumprida apenas parcialmente.

Conforme informou o site da Fasubra, entre os pontos abordados, destacou a chamada “hora ficta”, informando que, embora o MGI tenha elaborado nota técnica sobre o tema, ainda falta orientação normativa que permita computar o 13º plantão como folga para técnicos que atuam em hospitais universitários.

Outro tema levantado foi a regulamentação do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC). Segundo Cristina, a minuta elaborada pelo MGI foi encaminhada à Casa Civil, mas a categoria aguarda retorno. Ela criticou a exclusão de aposentados, pensionistas e servidores em estágio probatório da proposta. “Nossa categoria nunca firmou acordos que excluíssem os aposentados. É um ganho político manter toda a categoria unida”, afirmou.

A coordenadora também tratou da democratização das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES), defendendo eleições paritárias para escolha de dirigentes e cobrando avanços nas discussões com o Ministério da Educação.

Entre as reivindicações inda pendentes, Cristina criticou pontos do Decreto nº 9.991/2019, relacionados à Política Nacional de Desenvolvimento de Pessoas, especialmente no que se refere à centralização da qualificação profissional. Segundo ela, a categoria também segue cobrando o Plano de Capacitação previsto em acordo firmado em 2015.

Outro destaque foi a reivindicação de adesão de 18 cargos ao Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação (PCCTAE), atualmente questionada pelo MGI. E questionou desigualdades relacionadas ao estágio probatório entre docentes e TAES, informando que o Ministério da Educação abrirá mesa setorial para discutir a pauta. Por fim, reforçou que a implementação da jornada de 30 horas semanais permanece sem efetivação por parte do Governo Federal.

A deputada Alice Portugal afirmou que irá atuar na intermediação das demandas da categoria junto ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos.

A audiência foi transmitida ao vivo pelo canal da comissão no site da Câmara e pode ser vista no link a seguir: 

Veja a apresentação da Coordenadora

Apresentação Acompanhamento Implementação Termo de Acordo nº 11-2024 – FASUBRA e GOVERNO FEDERAL

 

Audiência pública em homenagem ao Dia da Enfermagem

Antes, na manhã do mesmo dia 12, representação da FASUBRA participou de uma outra audiência pública na Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados, em homenagem ao Dia da Enfermagem. Segundo o site da Federação, o cumprimento do piso salarial nacional da enfermagem, instituído pela Lei nº 14.434/2022, foi o principal tema debatido. A pauta representa uma reivindicação histórica da categoria por se tratar de uma importante luta por valorização, direitos e dignidade profissional.

A coordenadora-geral da FASUBRA, Cristina Del Papa, compôs  a mesa da audiência, presidida pelos deputados Bruno Farias (Republicanos-MG), Heloísa Helena (Rede-RJ) e Jorge Solla (PT-BA), além de outras autoridades e representantes da área da saúde.

Durante sua fala, Cristina destacou que dos cerca de 225 mil servidores públicos, aproximadamente 30% deles são vinculados à área da saúde, distribuídos em 45 hospitais universitários federais. Segundo ela, uma parcela significativa desses profissionais atua na enfermagem.

A dirigente ressaltou ainda que a Fasubra tem atuado de forma ativa na defesa da categoria, orientando sindicatos de base em todo o país a apoiarem mobilizações e atos em defesa do piso salarial. “Estivemos presentes aqui em Brasília, em 2021, no ato pela aprovação do piso da enfermagem”, relembrou.

Del Papa enfatizou o perfil majoritariamente feminino da enfermagem, composta por cerca de 70% de mulheres, destacando que a defesa da categoria vai além do piso salarial, abrangendo também políticas de valorização, proteção e melhores condições de trabalho para essas profissionais nos hospitais universitários.

 

A Decania do Centro de Tecnologia (CT) da UFRJ promoveu a live “Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC): impacto na carreira dos TAEs” nesta terça-feira, dia 12 de maio. Mais de 90 companheiros esclareceram dúvidas através das explicações dos convidados Selene Vaz – coordenadora de aposentados e pensionistas do Sintufrj e também integrante titular da Comissão Interna de Supervisão da Carreira (CIS) – e Igor Dantas, técnico-administrativo do Instituto de Psicologia da UFRJ e integrante da CIS. A live ficará gravada na playlist “eventos” do canal do CT no Youtube.

O moderador da live foi Roberto Gambine, diretor-adjunto de Administração do Instituto de Doenças do Tórax da UFRJ. O evento faz parte das atividades da Comissão Interna de Eventos da Decania do CT para celebrar o Dia do Trabalhador. O objetivo foi o de esclarecer os principais critérios constantes da minuta do RSC, o que ainda falta para sua implementação nas universidades e os impactos do RSC na carreira dos Técnico-Administrativos em Educação (TAEs).

Selene Vaz e Igor Dantas destacaram que o RSC foi uma importante conquista do movimento dos técnico-administrativos após sete anos de salários congelados e com uma carreira estagnada. E a greve é exatamente para forçar o governo a cumprir integralmente o acordo cujo ponto fundamental é o RSC, Por isso, reforçaram para os participantes da live, a importância de estar na greve fortalecendo as atividades para ajudar a pressionar o governo.Os dois explicaram ainda que a expectativa é grande com a publicação do decreto que oficializará o RSC que provavelmente sairá por esses dias.

Selene fez um apanhado geral do processo do RSC, explicou o que ficou pendente do acordo informando ainda que doutores,  aposentados e aqueles em estágio probatório ficaram de fora. Ela historiou ainda a mobilização do Sintufrj e do GT Carreira para informar a categoria através de reuniões nos locais de trabalho e reuniões de esclarecimentos com chefes de Departamento Pessoal e de Setores de Recursos Humanos. Selene anunciou que qualquer dúvida envie para o endereço da CIS: cis@reitoria.ufrj.br e ou procurem o Sintufrj pois sempre há um diretor de plantão.

 

Igor fez uma apresentação sobre o RSC através de slides. Contextualizou o momento político no qual se deu o RSC e o momento político atual. Explicou didaticamente o que é o Reconhecimento de Saberes e Competências classificando de valorização do servidor e de inovação em termos de carreira. Ele pontuou os critérios e requisitos propostos na minuta, ressalvando que ainda pode haver alguma modificação na publicação do decreto. Apresentou o fluxo do trabalho a ser desenvolvido na UFRJ e detalhou a documentação necessária. Igor finalizou informando que as dúvidas podem ser enviadas para o endereço no instagram @taesnaluta.rj .

• Assembleia Geral nas escadarias do IFCS, no Largo de São Francisco
• É nesta quarta-feira, às 13 de maio, às 13h
• Pauta: eleição de delegados para a Plenária da Fasubra

• Assembleia Ato, no Largo de São Francisco, seguida de marcha até o busto de Zumbi dos Palmares, na Pres.Vargas, vai reunir nesta quarta-feira, 13 de maio, trabalhadores de universidades federais e estaduais em greve (UFRJ, UFF, RURAL, UNIRIO E UERJ). A concentração será nas escadarias do IFCS, ás 14h.
Imperdível!

Quarta-feira, 13 de maio é dia nacional de luta pelo cumprimento integral do acordo e dia de reunião no MEC. Assembleia-Ato no IFCS será às 13h

No dia em que acontece mais uma reunião no MEC, os técnicos-administrativos em educação das universidades federais em greve em todo país vão as ruas mais uma vez para reivindicar o cumprimento integral do acordo de greve de 2024. O dia nacional de luta acontece no dia da reunião da Fasubra com o MEC.

Veja a convocação do CLG-Sintufrj

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A conjuntura, segundo O CNG-Fasubra

Na maioria das 53 instituições em greve, o movimento já dura 70 dias (na UFRJ começou no dia 9 de março), sem que o governo apresente soluções para os pontos pendentes no acordo de 2024. A situação se agrava com a descaracterização da proposta de Reconhecimentos de Saberes e Competências (RSC) construída na Comissão nacional de Supervisão da Carreira e segue sem a publicação do decreto de regulamentação no prazo estabelecido. A categoria chega na segunda semana de maio sem o instrumento para a implantação.

O documento alterado pela Subsecretaria de Gestão administrativa do MEC já foi enviado ao MGI mas o ministério posterga o envio para a Casa Civil. Reivindicamos que o decreto seja publicado respeitando o último texto acordado na CNSC do MEC.

Da mesma forma, pautas do acordo de 2024 seguem sem encaminhamento, como decreto de cargos para a liberação de novos concursos, a racionalização dos cargos ocupados, as 30 horas para todos os TAE sem redução salarial e o reposicionamento dos aposentados, entre outros pontos.

A mobilização do CNG em Brasília conquistou duas agendas: no dia 12 de maio, às 16h acontece na Câmara dos Deputados, uma audiência pública, convocada pela deputada Alice Portugal com a presença da Fasubra na mesa, sobre o não cumprimento do acordo.

E a reunião no dia 13 com o MEC, fundamental para cobrar respostas sobre pontos pendentes.  “O tamanho de nossa vitória é proporcional ao tamanho da nossa mobilização”, lembra a Federação, apontando que a audiência dia 12 e a reunião dia 13 exigem mobilização total para garantir o cumprimento integral do acordo.

Dia 13, às 13h

No dia 13, no seguindo a orientação da Fasubra, às 13h, nas escadarias do IFCS, no Largo de São Francisco, será realizado ato conjunto dos técnicos-administrativos da UFRJ com os das demais federais e estaduais em greve do Estado do Rio, que travarão diálogo com a população em caminhada no Centro da Cidade.

Essa foi um dos principais encaminhamentos aprovados na reunião do Comando Local de greve da UFRJ, na manhã desta segunda-feira, dia 11, que definiu uma agenda intensa de mobilização na semana, com o seguinte calendário:

Calendário

Segunda-feira, dia 11

14h Reunião conjunta GT Carreira e CIS UFRJ

18h Reunião Fórum Estadual dos Comandos de Greve

Terça-feira, dia 12

14h – Live sobre RSC organizada pela Decania do CT, com a presença de Selene Vaz (que também é coordenadora do Sintufrj) e Igor Dantas da CIS UFRJ, e Roberto Gambine.

Quarta, dia 13

13h Assembleia ato, escadaria do IFCS – seguida de caminhada unificada dos Comandos de Greve dos trabalhadores em educação por valorização.

Quinta, dia 14

9h Consuni- Ato de cobrança contra a terceirização de serviços na Odontologia, pela aceleração e reposicionamento dos aposentados.

Sexta, dia 15

“Ao vivo CLG SINTUFRJ”, com atualização sobre a mesa com MEC e sobre o decreto RSC

Veja algumas das propostas aprovadas

– Fortalecer a unidade realizando ato no 13 de maio em conjunto com comandos de greve das universidades federais e estaduais do Rio de Janeiro. Seguindo deliberação do CNG relativo ao dia nacional de lutas, no mesmo dia haverá mesa de negociação com o MEC.

–Realização de live informativa, dia 15, sobre resultado de mesa com MEC e andamento da publicação de decreto do RSC, organizada pela Comissão de Comunicação do CLG.

– Diante da luta por recomposição orçamentária das universidades, das perdas salariais e defasagens na carreira devemos, o CLG pretende cobrar da UFRJ quais as condições de expansão dos cursos pretendida no campus Duque de Caxias.

– Organizar metodologia de definição para espaço de acolhimento para filhos e filhas de sindicalizados durante as atividades de greve.

– Propor ao CNG e Fórum de Entidades do Rio o dia 20 de maio, convocado pela UNE, como dia nacional de luta pela educação, no sentido da aliança operário estudantil e unificação das lutas da Educação.

– Aprovar moção de apoio aos estudantes que sofreram violenta repressão da PM e Governo de São Paulo, na ocupação da Reitoria e solicitar aos conselheiros técnicos-administrativos que proponham ao Consuni moção de repúdio. (veja a seguir).

 

Moção de Repúdio à violenta desocupação da Reitoria da USP pela PM de Tarcísio de Freitas

O Comando Local de Greve do Sintufrj manifesta seu mais veemente repúdio à ação violenta empregada pelo Estado de São Paulo contra estudantes em mobilização na Reitoria da Universidade de São Paulo (USP), na madrugada do dia 10 de maio de 2026.

Os relatos divulgados por estudantes, pelo Diretório Central dos Estudantes e pela imprensa apontam para uma operação marcada pelo uso de força desproporcional, que vai de agressões físicas, bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo, cassetetes a detenções arbitrárias contra jovens que exerciam seu legítimo direito à manifestação política e à organização estudantil.

É inaceitável que reivindicações relacionadas à permanência estudantil, como condições de moradia, alimentação, e assistência, além da democratização do diálogo universitário, sejam respondidas com repressão policial. A presença ostensiva da Polícia Militar dentro de um espaço universitário representa grave ameaça à autonomia universitária, à liberdade de organização e aos direitos democráticos historicamente conquistados pelo movimento estudantil brasileiro.

Repudiamos igualmente qualquer tentativa de criminalização da luta por direitos e denunciamos a escalada autoritária que transforma conflitos políticos e sociais em casos de polícia. Universidades devem ser espaços de debate, construção coletiva e garantia de direitos — nunca territórios de intimidação e violência estatal.

Manifestamos nossa solidariedade aos estudantes feridos, perseguidos e detidos durante a ação, e exigimos:

– Apuração rigorosa das denúncias de violência policial;

– Garantia da integridade física e dos direitos dos estudantes envolvidos;

– Interrupção imediata das práticas repressivas contra movimentos sociais e estudantis;

– Reabertura efetiva do diálogo entre a reitoria e o movimento estudantil;

– Respeito irrestrito à autonomia universitária e ao direito constitucional de manifestação.

Nenhuma luta por permanência, dignidade e educação pública pode ser tratada como caso de repressão.

Toda solidariedade aos estudantes da USP

O evento especial que o SINTUFRJ organizou para marcar a passagem do Dia das Mães, na manhã desta sexta-feira, dia 8, no Espaço Cultural, não foi apenas uma comemoração convencional. Foi uma verdadeira celebração de mães que derrubaram e ainda derrubam “um leão por dia” para criarem seus filhos: mães-solo, militantes, ativistas, mães que lutam no dia a dia pela sobrevivência e por uma sociedade mais justa.

O evento foi aberto com a “Roda de Conversa Mães na linha de frente”, transmitida também via Zoom, que refletiu sobre o papel das mães no trabalho, no cuidado e nas batalhas coletivas que transformam a sociedade, com as presenças inspiradoras de Vera Lúcia Cardoso, mãe da deputada Dani Balbi (PCdoB), técnica em enfermagem aposentada do HU, e da ativista social Thaiz Leão, designer, artista e ativista social e assessora da vereadora Thaís Ferreira (PSOL).

“Nada do que a gente faça vai mensurar o amor de uma mãe por seu filho”, disse a assessora Alessandra Nascimento, convidado as palestrantes, a coordenadora-geral Sharon Stèfani e a idealizadora do evento, a coordenadora de Administração e Finanças Ana Mina a comporem a mesa.

Ana, que mediou o evento, apontou a oportunidade de, neste momento difícil da realidade nacional e internacional, o Sindicato oferecer esse momento de reflexão e de cuidado às mães.

Sharon também elogiou a iniciativa, em particular das mulheres do coletivo Unir e destacou acolhimento e cuidado com que ela mesma é recebida. Abordou também a importância deste olhar especial às mães, exemplos de força e obstinação.

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Livros, tirinhas e ativismo

Thaiz Leão levou de presente diversos exemplares dos materiais que produz em seu projeto. Um deles, o livro “O exército de uma mulher só”, aberto com sentenças como: “no Brasil, 5 milhões e meio de crianças não têm o nome do pai na certidão de nascimento; ou em muitas casas, as tarefas domésticas são obrigação apenas de mulher e muitas acabam demitidas ou se veem obrigadas a demitir-se para cuidar dos filhos e da casa”.

Levou também mostras do livro “Chora Lombar” e cards com suas tirinhas que abordam temas a desconstrução da maternidade idealizada e o mundo hostil dos preconceitos machistas.

Thaiz foi mãe aos 23 anos, de Vicente e com base nos seus desafios, desenvolveu o projeto “Mãe Solo”. Ela é fundadora e diretora do Instituto Casa Mãe. Autista, desenha como linguagem para expressar seus pensamentos e viu, tocando em temas delicados para as mulheres, como as dores e a sobrecarga comuns na maternidade, seu público crescer de 20 mil para 200 mil mães do Brasil inteiro.

Como, brinca, sua profissão “é tentar resolver o mundo” acabou voltando-se para a política como ferramenta para atuar numa sociedade cujas políticas são pensadas por homens que “sequer lavam suas roupas e que colocam o dinheiro acima da vida”, para tentar realizar o sonho de se chegar a um lugar “mais gostoso”, de sustentabilidade para a vida, de um futuro melhor.

“Minha mãe não era solo, mas era como se fosse. Éramos cinco mulheres e ela fez tudo. Então para mim, ela ensinou, representou, lutou”, contou Vera, mãe de Dani Balbi, contando que saía todo dia para trabalhar, sem esmorecer, para matar “um leão por dia”. Mesmo assim, orgulha-se ao dizer que é muito gratificante ser mãe: “Meus filhos são tudo que tenho. A minha filha é maravilhosa, além dos que vocês veem”, diz ela, contando que foi muito difícil ser mãe solo, negra e pobre.

Contou que começou durante o regime militar. “Imagine o que passei. Enfrentei racismo, preconceito, mas me mantive ali, lutando, porque minha mãe ensinou que temos que manter a cabeça erguida e lutar por nossos direitos”, disse ela, que é sindicalizada há muitos anos e sempre que possível participa do movimento.

Depoimentos do público emocionam

Além de depoimentos das coordenadoras Ana Célia e Selene Vaz (Aposentados), Norma Santiago (Políticas Sociais), Antônia Karina (Comunicação) e Rosemere Roza (Suplente), muitas das companheiras presentes, mães e filhas, estimulada a dar seu depoimento pela coordenadora Ana Mina, também contaram um pedacinho de sua história, a luta para criar seus filhos, o orgulho pelo que se tornaram e admiração às suas próprias mães.

“Fui mãe-solo e tive que segurar uma barra sozinha”. A frase se repetiu em muitas das falas das mães, algumas já avós e até bisavós, com um destaque, o orgulho por tudo que os filhos, apesar das dificuldades conquistaram com todo esse esforço.

Coordenadores, Nivaldo Holmes (Suplente) e Francisco de Assis (Geral), e um servidor presente (seu Manoel Tavares) também prestaram sua homenagem.

Dani Balbi homenageia sua mãe

A deputada não pôde estar presente, mas em um vídeo, contando um pouco da sua trajetória e de sua mãe, emocionou o público.

Contou que dona Vera lhe mostrou a importância de identificar o lado certo da história, o da classe trabalhadora. Que sua mãe, que tinha o Sintufrj como referência levava o Jornal para casa, que os filhos liam, mesmo sem entender muito aos nove e dez anos, mas que de certa maneira ajudou a fortalecer sua consciência de classe. Lembrou com orgulho os ensinamentos da mãe, da necessidade de sempre se organizar, buscar organizações que representem seus interesses de corporação, de classe, em defesa de políticas públicas estruturantes para os mais vulneráveis.

Contou ainda que dona Vera foi o primeiro exemplo de militante que teve em casa, que vociferava contra o neoliberalismo ao assistir o desmonte da universidade na gestão neoliberal.

Mas, além de mostrar o caminho da organização coletiva com a identificação do lado certo da história, mostrou o amor incondicional pela universidade pública: “Sempre chegava em casa compartilhando com a gente como ela ajudava nas pesquisas que tinham impacto na vida das pessoas. E depois me tornou aluna da universidade. Um orgulho para nós duas”.

“E quantas vezes conversávamos sobre política. Sobre a importância da universidade pública e da luta coletiva. Quero agradecer a minha mãe por ter consciência de classe e o amor e a importância da universidade pública”, disse Dani, concluindo: “Te amo, mãe!”

Maquiagem e shiatsu

Além das palestras, o Sintufrj ofereceu momentos de cuidado com a saúde às mães presentes: havia estandes de maquiagem e limpeza de pele (oferecidas pela MaryKey) terapias como auriculoterapia e shiatsu (com a equipe do Espaço Saúde), foram oferecidas singelas lembranças e, ao fim, um saboroso brunch no salão delicadamente decorado. FOTO: RENAN SILVA