O segundo dia do semin√°rio ‚Äú10 anos de Pol√≠ticas de Cotas ‚Äď Experi√™ncias das Comiss√Ķes de Heteroidentifica√ß√£o nas Universidades‚ÄĚ, nesta ter√ßa-feira, 19, reuniu integrantes das comiss√Ķes de heteroidentifica√ß√£o da UFRJ e da Universidade Federal de Goi√°s (UFG), e o debate foi mediado pela coordenadora da C√Ęmara de Pol√≠ticas Raciais da UFRJ, Denise G√≥es. O evento √© on line e prosseguir√° at√© sexta, 22. Confira: https://youtu.be/i1DN8TQK9yU

A experi√™ncia da UFRJ foi relatada pelos representantes dos tr√™s segmentos da comunidade universit√°ria na Comiss√£o de Heteroidentifica√ß√£o da universidade: o t√©cnico-administrativo Vitor Matos, que tamb√©m faz parte da C√Ęmara de Pol√≠ticas Raciais na universidade; a professora da Escola de Enfermagem Anna Nery, Cec√≠lia Izidoro, e por Rafaela Nascimento, doutoranda de Biotecnologia.¬†

Import√Ęncia do debate¬†¬†

Vitor fez um breve histórico sobre a formação da Comissão de Heteroidentificação na UFRJ, em 2020, de composição paritária e com 54 participantes. Segundo ele, resultado da pressão de coletivos negros da universidade, onde militam estudantes e servidores, para que houvesse a apuração das fraudes nos processos de acesso dos cotistas aos cursos de graduação. 

No primeiro semestre de 2020, entre os 4.093 candidatos que passaram pelo processo de heteroidentifica√ß√£o, 64,2% foram considerados aptos, 12% n√£o aptos e 23,8% faltaram. Para Vitor, o n√ļmero baixo de n√£o aptos se deveu a inibi√ß√£o de potenciais fraudadores.

Na avalia√ß√£o de V√≠tor o debate sobre a import√Ęncia das comiss√Ķes de heteroidentifica√ß√£o, √† luz das v√°rias experi√™ncias nas universidades, se torna ainda mais importante pelo fato de que, em 2022, ‚Äúem meio a um ambiente hostil patrocinado pelo governo federal e em um panorama geral da pol√≠tica de ataques a direitos‚ÄĚ, a Lei das Cotas, a 12.711, passar√° por avalia√ß√£o. Para¬† Cecilia, a discuss√£o sobre o tema t√™m papel educativo e formativo.¬†

Experiência da UFG

A UFG foi pioneira na reserva de vagas raciais antes mesmo da Lei de Cotas, disse Pedro Cruz, presidente da Comiss√£o de Heteroidentifica√ß√£o da institui√ß√£o. A experi√™ncia exitosa da UFG foi compartilhada no semin√°rio por ele, por Igor Silva, da Coordena√ß√£o de A√ß√Ķes Afirmativas e pela estudante de Ci√™ncias Sociais Josileide de Souza.¬†

A comiss√£o da federal de Goi√°s √© composta n√£o apenas por servidores e estudantes da universidade, mas tamb√©m por membros do movimento negro, da Comiss√£o Especial de Promo√ß√£o da Igualdade, entre outros coletivos e organismos p√ļblicos de direitos humanos.

Os n√ļmeros de indeferimentos nas aferi√ß√Ķes na UFG aumentaram: Em 2018, foram 13% dos 2.099 entrevistados pela comiss√£o; em 2019, 18,6% dos 456 entrevistados e, em 2020, 24% dos 2.240 entrevistados. Em 2021, com a mudan√ßa no acesso, houve 1.244 entrevistados e 22% de¬† indeferimentos.

Revisão da Lei de Cotas 

Para Denise Go√©s, a revis√£o da Lei 12.711 n√£o deveria se dar em meio a um governo negacionista e que empurra o povo para n√≠veis de pobreza nunca vistos: ‚ÄúTemos que unir for√ßas, fazer press√£o e trancar essa pauta‚ÄĚ, prop√īs.

A desinforma√ß√£o, segundo Pedro Cruz, √© o maior desafio hoje em rela√ß√£o √†s cotas, acrescentando que e preciso uma comunica√ß√£o eficaz com a sociedade sobre o tema. Ele citou pesquisa recente da Associa√ß√£o Nacional dos Dirigentes das Institui√ß√Ķes Federais der Ensino Superior (Andifes), dando conta que mais de 50% dos matriculados nas universidades eram negros, e que embora confie na idoneidade da entidade, questiona esse resultado: ‚Äúse n√£o havia comiss√£o de heteroidentifica√ß√£o at√© 2017, como podemos garantir que esse percentual √© de fato de negros?‚ÄĚ

A mesma pesquisa, disse Cruz, informa que, ao contr√°rio dos detratores das cotas, os cursos (nas Ifes) seguem com notas 4 e 5 (no sistema de avalia√ß√£o do MEC). Na UFG, em 27 cursos, cotistas t√™m rendimentos maiores que os n√£o cotistas. ‚Äú√Č preciso ainda mais negros nas universidades e esse direito ser defendido.¬† As comiss√Ķes (de heteroidentica√ß√£o) est√£o a√≠ para fazer essa defesa‚ÄĚ, concluiu.

 

 

 

Proposta de Emenda √† Constitui√ß√£o (PEC) n¬ļ 32, da chamada reforma Administrativa, pode acabar com o servi√ßo p√ļblico no Pa√≠s

Publicado: 19 Outubro, 2021 РEscrito por: Redação CUT

REPRODUÇÃO

O aeroporto de Bras√≠lia ficou lotado de servidores municipais, estaduais e federais desde √†s 7h da manh√£ desta ter√ßa-feira (19). Eles lutam contra a Proposta de Emenda √† Constitui√ß√£o (PEC) n¬ļ 32, da chamada reforma Administrativa, que pode acabar com o servi√ßo p√ļblico no Pa√≠s.

E a primeira mobiliza√ß√£o do dia foi a recep√ß√£o aos deputados federais que chegavam de seus estados, a quem os trabalhadores e trabalhadoras lembraram que quem votar contra o povo e os trabalhadores n√£o voltar√° para o Congresso ap√≥s as elei√ß√Ķes de 2022. √Ä tarde, √†s 14, os servidores v√£o de concentra√ß√£o no Anexo II da C√Ęmara dos Deputados.

Confira a ação no aeroporto de Brasília 

Press√£o nas redes e nas ruas! Estamos mostrando aos deputados e deputadas que o Brasil √© CONTRA A PEC 32! Diga n√£o ao desmonte dos servi√ßos p√ļblicos! No v√≠deo, o deputado Vinicius Poit (Novo-SP) recebeu o recado. #PEC32N√£o #LiraEngavetaPEC32

Nesta quarta-feira (20) tem mais mobiliza√ß√£o dos servidores das tr√™s esferas e sindicalistas da CUT e demais centrais, al√©m de sindicatos, federa√ßoes e confedera√ß√Ķes que defendem a categoria.

A concentra√ß√£o ocorre a partir das 14h, no Anexo II da C√Ęmara dos Deputados

PEC 32, a deforma Administrativa

Ruim para o povo, que pode perder o servi√ßo p√ļblico gratuito, e para os servidores, que podem perder direitos, a PEC 32 abre ainda a possibilidade de contratar milhares de pessoas terceirizadas que responder√£o a seus indicados, podendo, inclusive, normalizar o esquema das rachadinhas e aumentar a corrup√ß√£o.

Indiferente a tudo isso, o presidente da C√Ęmara, Arthur Lira, que √© um dos principais aliados do presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL) no Congresso Nacional, est√° se esfor√ßando para conseguir apoio dos parlamentares e at√© prometeu votar a PEC 32 depois do feriado de 12 de outubro. Ele precisa de 308 votos em dois turnos e sabe que vai ser dif√≠cil conseguir, mas como tem recursos de emendas parlamentares para distribuir, √© preciso ficar atento aos seus passos e n√£o parar de pressionar, dizem os sindicalistas.¬†

O adiamento da vota√ß√£o da PEC √© apenas uma estrat√©gia de Lira para tentar desmobilizar a categoria, que tem obtido √™xito na press√£o junto aos parlamentares, avisando que ‚Äúquem votar, n√£o volta‚ÄĚ, alerta o secret√°rio de Finan√ßas da Confedera√ß√£o Nacional dos Servidores P√ļblicos Federais (Condsef), Pedro Armengol, se referindo ao slogam usado pelos trabalhadores e trabalhadoras em refer√™ncia as elei√ß√Ķes do ano que vem.

Atentos √†s estrat√©gias do presidente da C√Ęmara, os servidores p√ļblicos municipais, estaduais e federais mantiveram as mobiliza√ß√Ķes contra a PEC 32 nos aeroportos, nas bases dos deputados e em Bras√≠lia, conscientizando a popula√ß√£o sobre o perigo que a medida representa e alertando os deputados e deputadas sobre os riscos que correm de n√£o se reelegerem porque tra√≠ram a classe trabalhadora e os direitos do povo.

‚ÄúOs servidores p√ļblicos est√£o lutando pelos interesses de toda a popula√ß√£o que poder√°, a partir da PEC 32, ficar sem escola p√ļblica, sem o SUS, sem as pol√≠ticas p√ļblicas t√£o essenciais ao povo brasileiro‚ÄĚ, afirmou o secret√°rio de Rela√ß√Ķes Internacionais da Confedera√ß√£o Nacional dos Trabalhadores em Educa√ß√£o (CNTE) e vice-presidente mundial da Internacional da Educa√ß√£o, Roberto Le√£o.

Saiba como pressionar os parlamentares contra a PEC 32

Todos podem pressionar os deputados, n√£o importa a cidade onde estiverem. Para isso foi criado o site Na Press√£o, ferramenta que disponibiliza canais de comunica√ß√£o com deputados e senadores. √Č f√°cil e r√°pido lutar contra essa e outras reformas que prejudicam o povo.

E você pode mandar seu recado contra a PEC 32 de qualquer lugar pelo WhatsApp, e-mail ou telefone.

Participe da luta e pressione os parlamentares para que votem NÃO à reforma Administrativa (PEC 32).

 

 

 

Governo diz que vai lan√ßar novo programa de transfer√™ncia de renda, mas n√ļmero de pessoas beneficiadas vai diminuir

Publicado: 19 Outubro, 2021 – Escrito por: Nara Lacerda/Brasil de Fato

MARCELLO CASAL JR/AGÊNCIA BRASIL

As √ļltimas parcelas do aux√≠lio emergencial, pago a fam√≠lias em situa√ß√£o de vulnerabilidade durante a pandemia, come√ßaram a ser depositadas na segunda-feira (18), mas o governo federal ainda n√£o oficializou qual ser√° o futuro do programa. A menos de duas semanas do fim do m√™s, a indefini√ß√£o traz inseguran√ßa a milh√Ķes de pessoas.

Diretora de Rela√ß√Ķes Institucionais da Rede Brasileira de Renda B√°sica, a ativista Paola Carvalho alerta para o clima de incerteza entre quem recebe o benef√≠cio: “Os relatos que n√≥s recebemos, pelo atendimento que a gente faz √†s pessoas em rela√ß√£o ao aux√≠lio emergencial, s√£o de completo desespero”.

Ela alerta para o risco de aumento ainda mais intenso da extrema pobreza. Para a ativista, a perspectiva de muitas fam√≠lias “√© de n√£o saber o que fazer para sobreviver a partir do m√™s que vem”.

Paola Carvalho ressalta que √© preciso discutir n√£o apenas o aux√≠lio emergencial, mas um programa de renda permanente, frente √†s cenas de horror da busca da popula√ß√£o por alimentos, “√Č a fila do osso, os p√©s de galinha e as pessoas buscando comidas vencidas e estragadas no caminh√£o de lixo. Um Brasil que muitas vezes o governo finge n√£o existir”.

Governo confuso

Nesta segunda, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse que “Se Deus quiser, nesta semana resolveremos a extens√£o do aux√≠lio emergencial”. Ele n√£o deu qualquer detalhe, n√£o especificou valores ou prazos. As afirma√ß√Ķes foram vistas como uma sinaliza√ß√£o de que o benef√≠cio ser√° prolongado, mas v√£o contra o discurso atual do governo.

O plano oficial é substituir o auxílio e o Bolsa Família por um novo programa de transferência de renda, que seria pago a partir de novembro. No domingo (17), o ministro da Cidadania, João Roma, reafirmou essa intenção. 

O n√ļmero de pessoas atendidas, no entanto, ficar√° bem abaixo do que abrange o benef√≠cio da pandemia atualmente. Em entrevista para a TV Brasil, Roma disse que o governo pretende pagar o novo aux√≠lio a 17 milh√Ķes de trabalhadoras e trabalhadores.

Paola Carvalho lembra que o n√ļmero de atendidos hoje, oficialmente, √© superior a 30 milh√Ķes. “Mesmo a amplia√ß√£o do aux√≠lio emergencial por um m√™s – para ganhar tempo na discuss√£o da Medida Provis√≥ria do Aux√≠lio Brasil – ou a transforma√ß√£o para o Aux√≠lio Brasil, significaria o atendimento de apenas 17 milh√Ķes de fam√≠lias”.

Ela destaca tamb√©m o processo de enxugamento do benef√≠cio: “N√≥s come√ßamos com o aux√≠lio emergencial para 68 milh√Ķes de pessoas. Ainda em 2020, reduziu-se em 14 milh√Ķes de pessoas. Significa que o pa√≠s, ainda durante o auge da pandemia, perdeu um Bolsa Fam√≠lia inteiro”, relata.

“Na virada para 2021, n√≥s passamos os quatro meses em que a mortalidade foi maior sem o aux√≠lio emergencial. Ele foi retomado em valores muito menores do que a necessidade da popula√ß√£o. Lembrando que R$ 150 pagam aproximadamente um botij√£o de g√°s e um saco de arroz”, finaliza a ativista.

Edição: Vinicius Segalla

 

 

Comiss√£o teve sess√£o especial nesta segunda-feira destinada a relatos de impactos diretos e indiretos da pandemia

Felipe Mascari | Rede Brasil Atual | 19 de Outubro de 2021 

Grupo convidado para sessão de hoje (terça-feira,19) é composto por uma pessoa de cada região do país, todos diretamente impactados pela covid-19 РPedro França/Ag. Senado

A CPI da Covid teve uma sessão extraordinária de depoimentos na segunda-feira (18) destinada a ouvir vítimas dos impactos da pandemia. Em relatos marcados por tristezas e luto, os depoentes responsabilizaram o presidente Jair Bolsonaro pela demora na vacinação, pela circulação de mentiras e desinformação e, principalmente, pela morte de familiares e amigos.

O primeiro depoente do dia foi Ant√īnio Carlos Costa, fundador da ONG Rio de Paz. Ele destacou a neglig√™ncia do governo Bolsonaro, a falta de pol√≠ticas p√ļblicas no controle e combate √† covid-19, a crise econ√īmica e o aumento de desemprego do pa√≠s. Ele frisou que pessoas morreram por ‚Äúdesinforma√ß√£o e falta de vacina, oxig√™nio a atendimento m√©dico‚ÄĚ.

‚ÄúIncompet√™ncia, descaso e irresponsabilidade fizeram o Brasil se tornar o segundo pa√≠s com maior n√ļmero de mortes na pandemia. O que vimos foi a ant√≠tese do que se esperava de um presidente da Rep√ļblica. Jamais o vimos derramar l√°grimas de compaix√£o ou expressar enorme pesar pelo povo brasileiro. Nenhuma palavra de dire√ß√£o ou encorajamento √†s milh√Ķes de fam√≠lias implodidas pela crise m√ļltipla‚ÄĚ, afirmou.

Costa prosseguiu lembrando que Bolsonaro minimizou o poder letal do v√≠rus, promoveu aglomera√ß√Ķes, xingou jornalistas e debochou da dor dos que perderam familiares durante a crise sanit√°ria causada pela covid-19.

‚ÄúPara nossas perplexidade e revolta, ele apoiou manifesta√ß√Ķes antidemocr√°ticas, chamou o povo de ‚Äúmarica‚ÄĚ, fez deboche com aqueles que sofreram com a falta de ar, insuflou golpe militar, prescreveu rem√©dio sem efic√°cia, combateu uso de m√°scara, trivializou o poder letal do v√≠rus. Em dias de morte, doen√ßa, fome e luto, ele se dedicou a defender seu mandato e garantir sua reelei√ß√£o. √Č uma impressionante falta de empatia‚ÄĚ, finalizou.

√ďrf√£os da covid-19

Em um depoimento que emocionou os senadores, Katia dos Santos, relatou √† CPI da Covid a morte do pai e da m√£e pela infec√ß√£o. Durante seu relato, Katia explicou que, a uma semana de se vacinar, em mar√ßo deste ano, o pai testou positivo para o coronav√≠rus, indo a √≥bito alguns dias depois em hospital p√ļblico.

Chorando, a depoente tamb√©m contou que, pelo excesso de mortos vitimados pela covid-19 no necrot√©rio, sua irm√£ teve de ajudar os servidores do local a localizar o corpo de seu pai para reconhecimento e libera√ß√£o. Ela tamb√©m denunciou que sua m√£e, tamb√©m morta pela covid-19, era cliente da Prevent Senior e foi cobaia do ‚Äúkit covid‚ÄĚ.

‚ÄúEla recebeu o ‚Äėkit covid‚Äô ap√≥s uma consulta de telemedicina, e n√≥s usamos, acreditando no m√©dico que enviou. Os medicamentos n√£o ajudaram, levamos ela ao hospital e viram que o pulm√£o dela estava 50% comprometido. Por√©m, o hospital estava cheio e s√≥ durante a madrugada conseguimos a transfer√™ncia para outra unidade. Naquele mesmo dia, meu pai faleceu e nem conseguimos mais processar o luto. Dias depois, minha m√£e nos deixou tamb√©m‚ÄĚ, disse.

Sangue nas m√£os

Katia tamb√©m culpa Bolsonaro pelas perdas e criticou a postura do presidente ao debochar das v√≠timas. ‚ÄúPor isso, quando vemos um presidente da Rep√ļblica imitando uma pessoa com falta de ar √© muito doloroso. Se ele tivesse ideia do mal que faz para toda a na√ß√£o, jamais faria isso. A dor √© grande, mas a vontade de justi√ßa √© maior. N√£o s√£o s√≥ n√ļmeros, s√£o pessoas que tiveram a vida encerrada pela neglig√™ncia. O sangue dessas v√≠timas est√° nas m√£os daqueles que subestimaram o v√≠rus‚ÄĚ, criticou Katia.

Outra depoente √† CPI da Covid nesta segunda-feira, Giovanna Gomes da Silva, de 19 anos, contou que a doen√ßa tamb√©m a deixou √≥rf√£ de pai e m√£e agora vai ter a guarda da irm√£, de 11 anos. ‚ÄúQuando meus pais morreram, eu me apoiei na minha irm√£ e ela se apoiou em mim. Assumi esse desafio por amor a ela. Hoje temos mais de 600 mil v√≠timas, e s√£o 120 mil √≥rf√£os. O governo tem responsabilidade nessas vidas perdidas‚ÄĚ, disse Giovanna, com a voz embargada.

Sequelas eternas

O servidor p√ļblico Arquivaldo Le√£o Leite relatou aos senadores que a covid-19 lhe deixou sequelas graves: sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) e perdeu a audi√ß√£o de um dos ouvidos, como consequ√™ncia da infec√ß√£o. Al√©m disso, ele tamb√©m perdeu um irm√£o para o coronav√≠rus.

Hoje, ele coordena uma associa√ß√£o de v√≠timas da doen√ßa. ‚ÄúTive um derrame que prejudicou meu corpo. N√£o consigo mais andar sozinho, me desequilibro. Eu perdi a audi√ß√£o de um ouvido e tenho muito cansa√ßo‚ÄĚ, relatou. ‚ÄúFomos hostilizados por setores da sociedade, liderados pelo presidente, por conta do respeito ao isolamento social. Est√° confirmado que o Bolsonaro provocou um genoc√≠dio ao atrasar as vacinas‚ÄĚ, acrescentou.

Em seu testemunho, Mayra Pires Lima, enfermeira de Manaus, contou que, ap√≥s a morte da irm√£ por covid-19, passou a cuidar dos quatro sobrinhos pequenos, sendo um casal de g√™meos. Ela aproveitou sua fala para cobrar a valoriza√ß√£o de enfermeiros e t√©cnicos em enfermagem. ‚ÄúN√£o precisamos de tapinhas nas costas. Precisamos de valoriza√ß√£o. Falar que n√≥s somos her√≥is √© f√°cil, mostrar atrav√©s de atos √© que √© dif√≠cil.‚ÄĚ

Vidas abreviadas

Por sua vez, Rosane dos Santos Brand√£o tamb√©m fez um testemunho de acusa√ß√£o ao governo Bolsonaro, em raz√£o da morte do marido, que era servidor da Universidade Federal de Pelotas-RS. Sem hesitar, ela afirmou que o companheiro ‚Äúteve a vida abreviada por uma pol√≠tica genocida‚ÄĚ.

‚ÄúA vacina chegou tardiamente e a conta-gotas. H√° v√°rias maneiras de o Estado matar o povo e a falta de pol√≠tica p√ļblica √© uma delas. H√° pessoas que deveriam estar entre n√≥s, se n√£o fossem as escolhas deste governo‚ÄĚ, criticou.

Rosane tamb√©m fez um apelo aos senadores da CPI da Covid e criticou parlamentares que ostentam, em suas mesas, placas que celebram os ‚Äúcurados‚ÄĚ da covid-19.

‚ÄúVoc√™s precisam de coragem, n√£o fiquem ombreando com fascistas e canalhas, colocando um ‚Äėponto final‚Äô no genoc√≠dio. Honrem nossos mortos, diferente do que fez o presidente da Rep√ļblica. H√° placas com n√ļmeros de mortos aqui na CPI, mas tamb√©m tem quem comemore o n√ļmero de sobreviventes. √Č como comemorar os que n√£o morreram no Holocausto‚ÄĚ, finalizou.

 

 

Entre Vest√≠gios e Futuridades: o Encontro de Cinema Negro Z√≥zimo Bulbul ‚Äď Brasil, √Āfrica, Caribe e Outras Di√°sporas, 14 anos celebra e reflete a mem√≥ria e projeta o mundo que queremos hoje

FONTE: Por Alessandra Costa, enviado ao Portal Geledés/19/10/2021

Maior janela cinematogr√°fica de cinema negro da Am√©rica Latina convoca p√ļblico a transformar o luto em verbo como arma para nosso front privilegiado de batalhas. Para edi√ß√£o de 14 anos, o Encontro contar√° com 169 filmes, sendo 129 filmes nacionais, dentre os quais 123 curtas e 6 longas metragens nacionais e 32 filmes internacionais, sendo 24 curtas e m√©dias e 8 longas internacionais. A programa√ß√£o ter√° ainda atividades formativas na parte da manh√£, √†s 10h, alternadas as s√©ries Entre Vest√≠gios e Futuridades e Borrando Fronteiras. E √†s 11h15min, haver√° mais uma edi√ß√£o da s√©rie Pol√≠ticas do Olhar: di√°logos sobre curadoria e descoloniza√ß√£o.

O Tambor me chamou (Foto: Divulgação)

Em 2020, o Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul aconteceu pela primeira vez em sua história de forma virtual. Era o primeiro ano da pandemia de Covid-19 e muito esperançosos de que no ano seguinte o evento voltasse às atividades presenciais, ocupando os espaços tradicionais na cidade do Rio de Janeiro.  Mas em 2021, a pandemia não só se manteve como foi ainda mais terrível. A tristeza das perdas se potencializa na cruel interdição do luto. Assim, como forma de colaborar no processo de cura coletiva que tanto precisamos, o Encontro traz como proposta o desafio de celebrar e refletir sobre nossa memória, mas também de projetar no porvir o mundo que queremos hoje. O Encontro acontecerá de forma online, entre os dias 27 de outubro e 06 de novembro e presencialmente no Cinema Odeon, no centro do Rio de Janeiro, nos dias 5 e 6 de novembro. 

Biza Vianna (diretora e produtora executiva desde 2007), Jana√≠na Oliveira e Ana Paula Ribeiro (curadoras do Encontro) direcionaram a edi√ß√£o deste ano para uma reflex√£o de um futuro poss√≠vel com o tema ‚Äúmem√≥ria, vest√≠gios e futuridade‚ÄĚ. Ao lado de sua potente equipe de jovens cineastas e produtores, a continuidade do legado deixado por Z√≥zimo Bulbul aposta em um futuro que caiba principalmente mulheres e homens pretos, a comunidade LGBTQIA+, valorizando as diversidades de relacionamentos n√£o inclu√≠dos.¬†

‚ÄúOlhando para o hoje, vivemos envoltos de incertezas e quest√Ķes a serem resolvidas que n√£o permitem uma expectativa alegre. Mas ao direcionarmos os nossos olhares para os vest√≠gios e mem√≥rias, conseguimos pensar um futuro que nos caiba, reconhecendo que as conex√Ķes virtuais, a princ√≠pio impostas pela pandemia, nos geraram movimentos inesperados e acabaram nos sendo muito √ļteis e produtivas. Acreditamos em caminhos coletivos, para retomar, com CALMA, as possibilidades de encontros presenciais.‚ÄĚ ‚Äď Afirma Biza Vianna, Diretora-executiva do Encontro de Cinema Negro Z√≥zimo Bulbul.

√Č isso que almeja o tema deste ano: Entre Vest√≠gios e Futuridades. Cravar no presente os vest√≠gios do passado e as urg√™ncias do futuro‚Ķas futuridades. Agora deve-se semear os futuros necess√°rios. Ao mesmo tempo, olhar para as circula√ß√Ķes materiais e imateriais que comp√Ķem a mem√≥ria negra.¬†

‚ÄúN√£o estamos apenas apostando no passado ou nos registros das mem√≥rias e processos de preserva√ß√£o, mas no entendimento da exist√™ncia e suas presen√ßas. O que fica e o que deve ficar. Os vest√≠gios tamb√©m est√£o na ordem do urgente!‚ÄĚ ‚Äď Ana Paula Ribeiro, curadora do Encontro de Cinema Negro Z√≥zimo Bulbul.

As Homenagens Plurais deste ano se cristalizam em nomes queridos e fundamentais para a cultura negra brasileira. Reverenciamos as memórias de Januário Garcia, Sandro Lopes, Ismael Ivo, Gésio Amadeu, Erika Ferreira, João Acaiabe, Nelson Sargento, Ubirany Félix do Nascimento, Agnaldo Timóteo, Edson Montenegro, Marcelo Reis e de todos aqueles que não mencionamos aqui, mas que fizeram a passagem em decorrência da pandemia. Nossa homenagem se estende também aos que ficam. Aos familiares e amigos, e aos profissionais do cinema negro nacional que seguiram e seguem se arriscando cotidianamente no cumprimento de suas atividades.

‚ÄúPor esse motivo, alterou-se a tradi√ß√£o de homenagear uma personalidade, evento ou pa√≠s¬† de relev√Ęncia fundamental para os cinemas africanos e da di√°spora. Neste ano, o Encontro diante do segundo ano da pandemia mundial de Covid-19 que atinge a todos n√≥s, mas especialmente as popula√ß√Ķes negras de forma brutal, opta por homenagear a mem√≥ria daqueles que se foram e a resist√™ncia daqueles que permanecem‚ÄĚ ‚Äď finaliza Jana√≠na Oliveira, curadora do Encontro.

Com a tem√°tica proposta em 2021, O Encontro de Cinema Negro Z√≥zimo Bulbul: Brasil, √Āfrica, Caribe e Outras Di√°sporas visa ressaltar o movimento Sankofa de retornar ao passado para ressignificar o presente e construir o futuro para mostrar como as contribui√ß√Ķes hist√≥ricas n√£o s√≥ embasam as narrativas de debate, mas tamb√©m s√£o est√≠mulos do pensamento da popula√ß√£o negra quanto o futuro. Os curadores seguir√£o honrando a mem√≥ria e o legado de Z√≥zimo, desconstruindo estere√≥tipos e reconstruindo as imagens que as pessoas negras possuem de si. Regado nessa pluralidade e necessidade de movimento para atravessar o momento que vivemos, a 14¬™ edi√ß√£o Encontro de Cinema Z√≥zimo Bulbul se apresenta de maneira multi plataforma com a exibi√ß√£o de filmes pela Inssaie, atividades formativas ‚ÄúBorrando as Fronteiras‚ÄĚ e ‚ÄúPol√≠ticas no Olhar‚ÄĚ, Oficinas e Pitching.

 

 

Nota publicada no site da pró-reitoria de Pessoal (PR-4) informa que, por meio de mensagem o Ministério da Economia comunicou o cancelamento do desconto adicional referente ao Plano de Seguridade Social (PSS) na folha de pagamento de aposentados e pensionistas no mês de outubro.

A nota da PR-4, reproduzindo comunicado do minist√©rio, informa, ainda que ‚Äúos descontos dessa natureza que tenham sido identificados na pr√©via do contracheque dever√£o ser desconsiderados pelos servidores, pois n√£o constar√£o da vers√£o final da folha‚ÄĚ.