Servidores vão ao Consuni para sacramentar o protesto contra as exigências da Ebserh

Na quinta-feira, 23 de outubro, os trabalhadores do Regime Jurídico Único (RJU) do Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG) vão lotar a sessão do Conselho Universitário (Consuni) para, em alto e bom som, informar à Reitoria que não usarão o crachá da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares Ebserh).

A mobilização no Consuni também incluirá outras ações, que foram aprovadas pelos profissionais do IPPMG durante a reunião com o Sintufrj, na terça-feira, 6, no pátio das ambulâncias. Nesse dia, será entregue à Reitoria a relação dos técnicos-administrativos que reivindicam a saída da unidade por insatisfação com a gestão da Ebserh e que o ponto facial continue sendo adotado somente para quem faz o Adicional de Plantão Hospitalar (APH).

Atuação do Sintufrj 

“Nossa primeira atitude será enviar um ofício à Reitoria comunicando que o servidor RJU da UFRJ não usará crachá da Ebser”, informou o coordenador-geral do Sintufrj, Francisco de Assis, aos trabalhadores do IPPMG. “Temos atuado para abrir diálogo com a Reitoria sobre a movimentação de trabalhadores das três unidades hospitalares sob gestão da Ebserh: IPPMG, Hospital Universitário e Maternidade Escola, mas não temos dito respostas.

A coordenadora sindical e enfermeira do IPPMG, Luciana Borges, reafirmou as dificuldades que o Sintufrj tem tido para negociar com a Reitoria, qualquer tema de interesse da categoria. Ela citou como exemplo a hora ficta. “Solicitamos uma messa com o reitor há três meses, sem retorno. Se não conseguirmos com negociação, vamos judicializar”, afirmou.

“Há muita luta a ser feita; o contexto é de reação e mobilização”, disse o dirigente, que também criticou a burocratização imposta pela Ebserh para a assistência à população: “até uma gripe de um paciente para ser tratada tem que passar pelo Sisreg (Sistema Nacional de Regulação)”.

A mesa de negociação que o Sintufrj quer agora é com o reitor Roberto Medronho é o superintendente-geral da Ebserh na UFRJ, Amâncio Paulino. Decisão aprovada pelos profissionais do IPPMG. A intenção da direção sindical é unir e mobilizar a categoria nas três unidades administradas pela empresa para garantir o atendimento das reivindicações comuns.

“A identidade do RJU não pode ser alterada. Essa decisão que os novos gestores querem nos impor pode ser o pontapé inicial para uma coisa maior”, alertou a técnica de enfermagem e uma das representantes da categoria no Consuni, Gerly Miceli. “Estamos adoecendo, porque não sentimos mais prazer nenhum em vir para cá. Quem não quiser ficar no IPPMG tem que ser liberado”, reafirmou o desejo dos colegas nessa situação, a servidora.

28,86%

Luciana e Assis aproveitaram a oportunidade para atualizar os informes sobre os 28,86%. Eles disseram que estão pressionando para abertura de uma mesa de negociação a Advocacia Geral da União (AGU) para discutir a cobrança de honorários de sucumbência. “É um absurdo o que estão fazendo com os servidores da UFRJ. Eles (advogados da AGU) ganham até mais de R$ 30 mil e ainda querem o dinheiro da gente”, denunciou o coordenador do Sintufrj.

A luta pelo cumprimento integral do acordo de greve assinado pelo governo também entrou na pauta dos informes. “A preocupação é garantir o que conquistamos, que inclui o reajuste de 2026,” lembrou Luciana.

 

 

A FASUBRA Sindical convoca suas entidades a se somarem à Marcha Nacional do Serviço Público, no dia 29 de outubro, em Brasília. A concentração está marcada para 9 horas, no Museu da República, de onde os participantes seguirão em caminhada até o Congresso Nacional.
A mobilização faz parte da luta nacional das servidoras e servidores públicos contra a Reforma Administrativa, que ameaça direitos históricos da categoria e compromete a qualidade dos serviços prestados à população.
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Dia 29 de outubro, todas e todos em Brasília! Em defesa dos direitos, da democracia e do serviço público.

O que podemos fazer juntos?

Contribuições do ensino, pesquisa e exxtensão para a promoção da saúde mental

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB) e seus aliados querem aproveitar a onda positiva causada pela aprovação da isenção do Imposto de Renda para passar a Reforma Administrativa.

O relatório final do Grupo de Trabalho da Reforma Administrava  que não foi conclusivo apareceu nesta quinta-feira, 2 de outubro, na Câmara, e o deputado Pedro Paulo (PSD-RJ) que é o coordenador está colhendo assinaturas para protocolar o documento.

Segundo carta de Hugo Motta na apresentação deste documento, essa é a prioridade dos deputados. “Em diálogo com as Lideranças partidárias nesta Casa, estabelecemos a Reforma Administrativa como uma das nossas prioridades este ano”.

Com 526 páginas, o relatório final tem o objetivo central de mudar o caráter do estado brasileiro institucionalizando a competição no serviço público e o caráter produtivista. Há mais uma proposta de PEC com 48 páginas e dois projetos de lei, um de lei complementar e um de lei ordinária, juntos os dois projetos compõe texto de 111 páginas.

A proposta contém um conjunto de 70 medidas distribuídas em três textos legislativos: PEC, PLP e PL). O documento, que até o dia 2 de outubro ainda não havia sido oficialmente publicado, propõe mudanças estruturais baseadas em quatro eixos: governança e gestão, transformação digital, profissionalização e extinção de privilégios.

“Pelos eixos apresentados, trata-se de uma reforma que dissolve o estado brasileiro e atinge diretamente a estabilidade do servidor público”, afirmou em seu instagram a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) que fez um alerta sobre a movimentação no Congresso para aprovar a reforma administrativa.

“É alerta geral para ver se entrarão com a proposta de reforma na Câmara. Não à reforma administrativa que privatiza o serviço público e quebra a estabilidade”, sustenta a deputada.

Entre as propostas do relatório, está a obrigatoriedade de planejamento estratégico para resultados a ser divulgado por presidentes, governadores e prefeitos nos primeiros 180 dias de mandato. O plano deve definir objetivos e metas para todo o mandato, que serão desdobrados em acordos de resultados anuais por órgãos e entidades.

Servidores públicos de todas as esferas serão submetidos a avaliações periódicas. O desempenho passará a ser critério para progressão funcional, ocupação de cargos de confiança e recebimento de bônus de resultados. O texto autoriza a criação de bônus anuais para servidores em atividade, vinculados ao cumprimento de metas institucionais e individuais. O pagamento dependerá da existência de acordos de resultados e da avaliação periódica de desempenho.

O documento também trata sobre alterações nos concursos públicos e carreiras únicas, com criação de novas tabelas remuneratórias para agentes públicos de cada ente federativo. Em até dez anos, haverá uma tabela remuneratória única em cada ente da federação, válida para todos os Poderes e órgãos autônomos. O piso será o salário-mínimo, e o teto corresponderá ao limite constitucional.

A proposta veda uma série de benefícios hoje existentes. Deixa de existir a possibilidade de férias superiores a 30 dias para a maior parte das carreiras, licença-prêmio, progressão por tempo de serviço e incorporação de adicionais automáticos.

 

Golpe em curso

Segundo avaliação de Vladimir Nepomuceno, ex-diretor do Dieese e Diap, caso Hugo Motta consiga oficializar o relatório na Câmara a possibilidade de um golpe é real.

“É bem provável que a gente assista uma tentativa de golpe do deputado Hugo Motta. Assim como fez no projeto de lei de anistia que aprovou um regime de urgência sem haver nenhum texto, agora havendo esse material ele pode de novo pedir urgência e declarar que este material será levado direto a plenário.”

Vladimir ressalta que a proposta de reforma que está sendo posta tem todo apoio da iniciativa privada e dos setores mais retrógrados da sociedade. Assim como a Deputada Alice Portugal, alerta para a reação do funcionalismo.

“A partir de agora é mobilização total, acompanhamento permanente para que a gente impeça que esse golpe seja dado.”

 

 

O projeto da Brigada Universitária de Produtos Perigosos do Centro de Ciências da Saúde (CCS) ganhou o segundo lugar no Concurso Inovação no Setor Público 2025, promovido pela Escola Nacional de Administração Pública (Enap). A premiação, recebida pelo técnico administrativo Lucas Pinho, um dos idealizadores do projeto (denominado “Primeira Brigada Universitária de Produtos Perigosos, Inovação em Segurança no Centro de Ciências da Saúde”) junto com o colega Roberto Santos, foi nesta quinta-feira, dia 2, em na Enap, em Brasília.

O projeto concorreu na categoria I, uma das quatro em que a 29ª Edição do Concurso se dividiu, sobre Inovação em processos organizacionais no Poder Executivo federal, estadual e do Distrito Federal.

O concurso é anual e premia iniciativas inovadoras do Serviço Público no Brasil, de todas as esferas. Na categoria em que Luca concorreu, houve mais de 365 iniciativas apresentadas. “A gente foi em segundo lugar. Só perdemos só para o CNU (Concurso Nacional Unificado). A Brigada de Produtos Perigosos, é muito importante para o CCS. A gente tinha muitos acidentes químicos de produtos perigosos, organizamos um trabalho de prevenção. Hoje a gente tem bem menos, mas a nossa brigada é referência agora no Brasil. O mais interessante é que o custo desse projeto foi R$ 500 reais, basicamente gratuito, tirado do meu próprio bolso. Enquanto o projeto que ganhou tinha um orçamento de R$ 500 milhões”, brincou Lucas.

Servidor da UFRJ desde 2011, técnico em Química, Engenho Ambiental, mestre em Segurança e Defesa Civil, Lucas está a terminar o doutorado em Bioquímica. Trabalhou 13 anos com biossegurança; gerenciou a biossegurança do Instituto de Biofísica e do Centro (o CCS). E agora está à frente do Inova CCS, trabalhando com projetos inovadores.

 

O que é

Lucas fornece um resumo. O projeto Primeira Brigada Universitária de Produtos Perigosos do Brasil é uma iniciativa inovadora do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da UFRJ que aborda a falta de segurança em ambientes de pesquisa universitária.

Ele lembra que, embora as universidades públicas brasileiras sejam responsáveis por mais de 95% das pesquisas no país, muitas operam com orçamentos limitados e sem as devidas salvaguardas de segurança, como brigadas de incêndio ou equipes especializadas em produtos perigosos.

“Um vazamento de bromo ocorrido em 2015 no CCS, que levou à hospitalização de três estudantes e à suspensão das atividades por uma semana, destacou a necessidade urgente de uma solução, já que nem mesmo o Corpo de Bombeiros tinha um protocolo para acidentes em laboratórios de alta complexidade. Em resposta a esse evento, a brigada de incêndio do CCS, criada em 2013, foi expandida para incluir uma equipe especializada em produtos perigosos (BPP)”, conta ele.

Segundo ele, a brigada foi desenvolvida com um orçamento mínimo após um curso inicial contratado em 2015, que não cobria as complexidades de acidentes laboratoriais. Então, a equipe do CCS inovou, criando um curso de formação interna de baixo custo, que incluiu a elaboração de protocolos e a realização de simulados em laboratórios reais.

A única brigada especializada

“A implementação do projeto custou aproximadamente R$ 38 mil, mas a formação de cada novo grupo de 30 voluntários custa apenas R$ 500”, explicou, contando que, desde sua criação, a brigada atendeu mais de 40 ocorrências, incluindo um vazamento de gás em 2022 que foi contido rapidamente, evitando vítimas e prejuízos.

O projeto  resultou na formação de 100 voluntários para a BPP, tornando-a a única brigada universitária especializada em produtos perigosos do país. A iniciativa é considerada de baixíssimo custo e escalável para outras 68 universidades e 41 institutos federais que atualmente não possuem brigadas desse tipo. Por isso, para Lucas, é importante a visibilidade que o projeto ganha com o concurso para que a inciativa possa chegar a outras instituições.

 

 

 

 

 

 

A votação unânime na Câmara dos Deputados aprovando o projeto do governo de isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e redução gradual do imposto de quem ganha entre essa faixa até R$ 7350 vai beneficiar 16 milhões de pessoas – entre as quais, técnicos administrativos da Educação que o Sintufrj representa.

O projeto, que ainda será votado no Senado, institui imposto para quem tem renda mensal acima de R$50 mil e para os super ricos, com renda acima de R$ 1 milhão.

A votação e aprovação na Câmara tem relação direta com a pressão popular que tomou as ruas do país no domingo, 21 de setembro, quando milhares se mobilizaram contra anistia a golpistas, a PEC de bandidagem, a justiça tributária e a escala 6X1.

O Sintufrj e a Fasubra tem sido ponta de lança de algumas bandeiras no último período, dialogando com a base e a sociedade sobre a necessidade de mobilização em massa para pressionar o Congresso.

Em relação a esta reforma no Imposto de Renda, um plebiscito alcançou quase duas milhões de pessoas – plebiscito que o Sintufrj estimulou na nossa categoria aqui na UFRJ. Esta mesma consulta incluiu na pauta a luta pelo fim da escala 6 x 1 que impõe a milhões relações de trabalho exaustivas, sem tempo para a vida.

 

Estatueta de bronze é prêmio máximo concedido no Festival de Gramado, o principal do cinema brasileiro

Mauro Lúcio, editor audiovisual da Central de Produção Multimídia da Escola de Comunicação (ECO), mostra com orgulho o Kikito – estatueta que simboliza um dos mais importantes eventos cinematográficos do Brasil.

O curta-metragem brasileiro “Samba Infinito”, do qual foi montador (e dirigido por Leonardo Martinelli), foi um dos vencedores do 53º Festival de Cinema de Gramado em 2025, conquistando o troféu Kikito de Melhor Filme da categoria pelo Júri Popular, além dos prêmios de Melhor Montagem e Melhor Direção de Arte.

“Esse Kikito é meu! Está comigo aqui em casa, pois fui o montador do filme”, comemora Mauro.

A história acompanha um gari durante o carnaval do Rio de Janeiro que se encontra entre o luto pela morte de alguém e a busca por um novo começo, em meio à energia vibrante da festa. O curta tem participação especial de Camila Pitanga e Gilberto Gil e teve sua estreia mundial em Cannes (Semaine de la Critique).

“Samba Infinito” foi selecionado para o Festival do Rio (Hors Concours) com exibição no início de outubro. “É uma ótima chance de ver o filme em tela grande de cinema, uma oportunidade rara.”

Esse curta-metragem é a 3ª parceria de Mauro com Leonardo Martinelli.

Lobo veloz

Nesse momento, Lobo Mauro, em parceria com seu colega de CPM, C. Ricardo, também editor audiovisual, estão dirigindo e montando um curta com o casal emérito Muniz Sodré e Raquel Paiva, sobre o grotesco nos dias de hoje. Em 2002 o casal escreveu o livro “O Império do Grotesco”.

“Vamos finalizar o curta em outubro e inscrevê-lo em festivais de cinema. O curta se chamará “Ópera Kitsch” e será o primeiro filme do projeto filmaÊ, que tem eu e Bárbara Tavela (Superintendente da PR-5, também TAE) como coordenadores, cujo objetivo é ensinar cinema para os estudantes na prática, com eles fazendo parte da equipe encabeçada pelos profissionais do audiovisual da CPM-ECO”, relata.

 

QUEM É

Mauro Lúcio dos Reis Correa, nome artístico Lobo Mauro, 52 anos, entrou para a UFRJ em 2011, na  (ECO), para o cargo Editor de Imagem, o qual prefere chamar de Editor Audiovisual.

Ele tem o prazer de trabalhar com que gosta: cinema. Formado em Cinema pela UFF, com mestrado profissional em Audiovisual na ECO, está na Central de Produção Multimídia (CPM-ECO)  fazendo a edição de vídeos, além de consultoria e edição nos trabalhos dos estudantes. Coordenou a CPM de 2019 a 2022.

“Mas não fico restrito à edição. Já coordenei projetos de extensão, já dei cursos de edição e linguagem cinematográfica”, relata.

Mauro ainda faz parte do laboratório NarratLab, que tem a coordenação de Aurélio Aragão, um técnico-administrativo roteirista. “Único com esse cargo na UFRJ, acho”, observa. O nosso cineasta coordena o Narrativas Negras do NarratLab, que são roteiros cinematográficos de narrativas negras.

 

 

  • SEÇÃO PERFIL : A UFRJ além de estar no topo da produção científica e do conhecimento agrega valores humanos ímpares no seu corpo social. Na série sobre esses valores na categoria técnico-administrativa revelamos que temos um Kikito.

Situações graves de assédio moral, inclusive em retaliação à ação sindical, a necessidade de uma resposta institucional de fato, a luta da categoria pelo cumprimento do acordo de greve por parte do governo e contra a Reforma Administrativa foram alguns dos temas apresentados por representantes da bancada técnico-administrativa e pelo coordenador geral do Sintufrj, Francisco de Assis, no expediente da sessão do Conselho Universitário (Consuni) esta quinta-feira, 25.

Foto e vídeos: Renan Silva

Conselheiro pede medidas institucionais sobre assédio

O conselheiro técnico administrativo André Salviano informou decisões da recente assembleia da categoria que deliberou pela intensificação da mobilização pelo cumprimento integral do acordo de greve, inclusive pontos como a racionalização, reposicionamento de aposentados e a implantação do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC). Mas destacou a situação que vem enfrentando o servidor Paulo Roberto, coordenador de Organização e Políticas Sindicais do Sintufrj, e trabalhador da Superintendência de Relações Internacionais. Segundo Salviano, ele vem sofrendo perseguição no setor. Inclusive quando fez parte da Comissão Eleitoral da Comissão Interna de Supervisão da Carreira (CIS, organismo institucional), ano passado. Ele era substituto eventual do superintendente, mas após pressões, entregou o cargo para permanecer na Comissão. Continuou a dedicar-se às atividades sindicais, sem deixar de fazer o seu trabalho. E passou a coordenar um setor mesmo sem função gratificada, a Divisão de Gestão Internacional. No entanto, além de uma série de situações já denunciadas no sistema Fala Brasil e outros canais, como a Ouvidoria da UFRJ, durante a última assembleia, foi comunicado que o setor foi dissolvido, sem nenhum tipo de justificativa. O conselheiro reivindicou, então, que as instâncias responsáveis da UFRJ deem o encaminhamento correto ao caso.

 

Madeira denuncia retaliação à ação sindical

“A gente precisa tocar nesse assunto para que a universidade tenha uma política de relação trabalhista, de fato, e sindical, com os seus trabalhadores. A gente teve o Francisco (de Assis) e Nivaldo (Holmes, ambos coordenadores do Sintufrj), que também estão na Comissão de Carreira, envolvidos em problemas com relação a sua atuação sindical. E assim, como na Justiça, as pessoas são inocentes até que se prove o contrário, as acusações também têm que ser tratadas e averiguadas até que se prove realmente o que de fato está acontecendo”, disse o conselheiro Milton Madeira.

Ele anunciou que neste dia, setores da UFRJ em Macaé estaria recebendo visita de estudantes sob pena socioeducativa, num programa conduzido por um técnico administrativo Rafael Oliveira, da Pró-Reitoria de Políticas Estudantis (PR7), em Macaé. “Eles vêm para o Laboratório de Anatomia , e têm curiosidade, estão aprendendo. E como sempre, 70% dessas pessoas são pobres, pretas, periféricas. E é por isso que elas estão nessa situação de penas socioeducativas. E esse é o papel da universidade, transformar a vida das pessoas”, apontou.

“É importante fortalecer a democracia interna”, reivindica Francisco de Assis

Francisco manifestou a solidariedade do Sintufrj ao coordenador de Organização e Política Sindical do Sintufrj Paulo Roberto, sobre o que está acontecendo na sua atuação sindical e destacou também o que vêm enfrentando outros dirigentes do Sintufrj, como ele mesmo e o coordenador Nivaldo Holmes, parte de um processo que se segue a denúncias envolvendo a Coordenação de Política de Saúde do Trabalhador (CPST), inclusive com ação na Polícia Federal, contra os dirigentes por atuarem numa luta contra o assédio moral. “É importante que a gente possa fortalecer a democracia interna da universidade, o espaço de diálogo de construção que o Sintufrj, desde o ano passado, buscou com a gestão da CPST”, apontou.

Francisco também pontuou a luta pelo cumprimento do acordo e contra a reforma administrativa. E destacou a importância da comemoração dos 105 anos da UFRJ, que foi uma bela atividade, com a crítica ao fato da organização não ter permitido falas das entidades sindicais e estudantis. Saudou a inciatiova da PR-4, que, dia 23, realizou evento para discutir ações importantes para os gestores de pessoas, mas sem convite aos membros da Comissão Interna de Supervisão.

O coordenador concluiu apontando a importância da mobilização popular no dia 21 de setembro, domingo, contra a PEC da Blindagem e contra a anista para golpistas: “Mostrou realmente a força do povo na rua. E agora a blindagem da bandidagem foi enterrada no Senado. Que essa força demonstrada nas ruas traga essa energia para dentro da UFRJ, para a gente fazer o enfrentamento no parlamento na defesa da nossa universidade”, concluiu.

PR-4 dá informes sobre RSC

O superintendente da Pró-Reitoria de Pessoal Rafael Pereira anunciou o lançamento de edital docente com inscrições abertas a partir de outubro, com vagas para as ações afirmativas. Disse que está sendo selecionada banca para o concurso técnico administrativo, de nível superior e nível médio. “Só de assistente em administração, são 100 vagas”, comemorou. O edital deve ser lançado até o final de novembro. E quanto ao RSC, informou: “Fomos informados pelo Ministério de Gestão e Inovação (MGI), que o governo vai viabilizar a regulamentação do RSC, para que, a partir de abril, que é o prazo, essa regulamentação aconteça e a gente já possa fazer os trâmites internos”.

Segundo explicou, a Reitoria ainda não chamou comissões para a implementação do benefício porque ainda faltariam detalhes, por exemplo, quanto à pontuação. “Precisamos esperar a publicação que vai ser aprovado, um projeto de lei e depois, um decreto. Antes disso, a gente não pode iniciar um trabalho sobre o risco promover injustiças ou expectativas que não vão poder ser executadas. Assim que publicados os regulamentos devidos à legislação, (a PR-4) chamará o sindicato e as instâncias responsáveis, a CIS, para discutir a implementação do RSC”.

Francisco de Assis ressalta, quanto ao informe, que, embora se dê como a aplicação do RSC como líquida e certa, a luta da categoria precisa manter a pressão pelo cumprimento do acordo de greve, inclusive quanto à implantação do RSC

Jacqueline Muniz afirma que medida transforma polícia em ‘um bando armado a mais’ a serviço de ‘lógicas corruptas’

BRASIL DE FATO

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou na última terça-feira (23) uma gratificação para policiais civis de 10 a 150% para apreensão de armas e neutralização de inimigos proposta pelos deputados Alan Lopes (PL), Marcelo Dino (União) e Alexandre Knoploch (PL). A gratificação é uma emenda feita ao projeto de Projeto de Lei 6.027/25 enviado pelo governador Cláudio Castro (PL) para reestruturação da Polícia Civil.

A medida está sendo amplamente questionada e o Brasil de Fato convidou a antropóloga, cientista política e gestora de segurança pública Jacqueline Muniz para detalhar os impactos dessa proposta que vai à sanção do governador. Para Muniz, essa gratificação funciona como uma licença para matar e impedir o trabalho de investigação policial.

Uma bonificação semelhante vigorou no estado durante o governo de Marcelo de Allencar (1995-1998) e derrubada por pressão da sociedade civil em 1998, ano em que Anthony Garotinho se elegeu governador do estado. Muniz integrou como diretora a equipe do secretário de Segurança Pública e general da reserva José Siqueira entre janeiro e março de 1999, que tinha como subsecretário Luiz Eduardo Soares, um dos principais responsáveis por formular uma nova política de segurança pública que tentava ser implementada na época.

Um dos pontos desse novo modelo, a gratificação estaria relacionada a diminuição e resolução de crimes. Essa posição gerou conflitos internos e embora a gratificação faroeste tenha sido interrompida, a gestão foi demitida em março, conforme noticiaram os jornais da época.

Nesta entrevista, a também professora da Universidade Federal Fluminense (UFF) explica porque os próprios policiais deveriam ser contra a medida, que coloca um risco a mais para suas vidas, e o impacto dessa gratificação no trabalho de investigação.

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Brasil de Fato – Qual a sua avaliação sobre a gratificação aprovada pela Assembleia Legislativa que aumenta o salário de policiais civis de 10% a 150% por apreenderem armas e neutralizem criminosos?

Jacqueline Muniz: É indefensável. Eu escrevi um texto onde eu demonstro que, primeiro, em nenhum lugar do mundo democrático, a neutralização de oponentes, suspeitos ou criminosos, serve como indicador de produtividade ou indicador de desempenho de polícia, em especial de uma polícia investigativa. Por quê? Porque isso cria isso cria uma autorização para matar.

Se você ganha por corpos abatidos, todo mundo numa operação vai ter que matar alguém. Um inocente útil ou um suspeito de modo a melhorar seu contracheque. É como se um pesquisador tivesse aumento por multiplicar dados sem pesquisa, não é? Levaria a invenção de dados. Da mesma maneira, o jornalista que tem como critério de produtividade, a entrega rápida de um texto, o que compromete a apuração e a fidelidade às fontes, não é isso? Então, o problema é exatamente esse. Além do mais, a chance de uma polícia atirar em alguém é muito baixa, mesmo quando a própria polícia constrói uma ocorrência de alto risco.

Os policiais saem perdendo, a sociedade sai perdendo, o governo sai perdendo, o Estado sai perdendo, não é? Então o que você tem é o uso da polícia para fins particulares, para negócios particulares, para esquemas que, necessariamente, são esquemas de corrupção, é disso que se trata, tá? Então não é profissionalismo, ao contrário é uma sabotagem do profissionalismo policial, é para que que serve isso? Para inviabilizar a investigação.

Curiosamente o Rio de Janeiro teve três chefes de polícia civil presos, né? Por organizar o crime. A maior parte de crimes que não tiveram resolução, inclusive assassinato de políticos como a [vereadora] Marielle [Franco], tiveram a participação de atores policiais. Olha como matar dá certo. Nenhum crime organizado sobrevive sem apoio político e sem a participação de atores do Estado. Nem aqui, nem em lugar nenhum. A ideia de um crime separado do Estado é uma leitura de filme.

Em artigo publicado no site 247, a senhora argumenta que a polícia vai se aproximar do crime organizado. Queria entender melhor esse argumento.

A polícia começa a organizar o próprio crime organizado, então ela não se aproxima do crime, ela se torna parceira, sócia, tá? Se você mata quem conhece o crime organizado, você está sabotando a própria investigação e a produção de inteligência que serviria para identificar como o crime organizado funciona, quem é quem dentro do crime organizado. Você está aparelhando a polícia para fins partidários, para aparelhamentos de toda sorte.

Isso acaba revelando esquemas de corrupção, lógicas de parceria com o crime, né? Revela-se, portanto, que a morte não deriva de uma ação de alto risco, mas sim se torna uma mercadoria. É como se o estado tivesse milicializando a sua polícia e, inclusive, barateando a vida do policial.

Se você o tempo todo mata aqueles que trabalham na economia criminosa, na drogaria ilegal que é a boca de fumo, como é que você vai conhecer como funciona lá dentro? Como é que o inquérito vai andar? Como é que a investigação vai andar? Você paralisa a investigação, põe em risco a vida dos policiais honestos, íntegros, que querem trabalhar como policiais de verdade, não é?

Então, você barateia a vida desse policial. Também, esse policial acaba, tendo ali, um horizonte que é um atestado de óbito. Além dele se sentir desmoralizado, esquecido pelo próprio Estado, que afinal, ele trabalhar direito significa não ganhar aumento nenhum, premiação nenhuma, reconhecimento nenhum. Fica valendo quanto mais matador. E esse policial vai ganhar do crime porque ele matou, ele está em serviço. E vai ganhar do estado porque matou, e passa a governar no lugar do governante. Essa é a gravidade da coisa. Isso já aconteceu no Brasil, no Rio de Janeiro, aconteceu no México, em outros países e nunca deu certo.

Gostaria de lembrar que em 1999, eu era diretora na Secretaria de Segurança do governo [Anthony Garotinho] e introduzimos novas formas de gratificação, de modo que todos os policiais, independentes da patente e da função, receberiam uma gratificação mensal por reduzir o número de crimes e aumentar a resolução deles. Criamos também as áreas integradas de segurança, criamos os indicadores de criminalidade violenta, desenvolvemos indicadores para aferir o trabalho de polícia dentro das áreas integradas que tínhamos implantado.

Qual deve ser o papel da polícia em uma sociedade democrática?

O trabalho da polícia em uma sociedade democrática é prover com policiamento público e estatal igualitário, regular, transparente, sob controle da sociedade e com transparência. Esse tipo de desempenho desvirtua o lugar de polícia, o lugar democrático, transformando a polícia num bando armado a mais. A serviço de lógicas escusas, de lógicas corruptas, de lógicas criminosas, não é? Então essa é a grande questão.

A quem interessa isso? Não são os policiais civis, ao contrário, terão suas vidas barateadas, né? Porque a contrapartida de você matar de um lado, é a vingança do outro, né? O acerto de contas, não é mesmo? Olha quantas coisas vem junto disso.

Essa disseminação da autonomização predatória do poder de polícia, que é da sociedade, e que passa a ser utilizado por grupos policiais que desmoralizam e enfraquecem a polícia. Ora, se a polícia na democracia se enfraquece, alguém vai ocupar o lugar dela. E essa autoridade que vai ocupar o lugar dela será autoritária.

Todo mundo vai começar a resolver seus problemas por conta própria e resolver por conta própria quase sempre com uso abusivo e excessivo de força, ou seja, com uso da violência.