- Em todos os campi da UFRJ, problemas de infraestrutura se acumulam, e no Centro Multidisciplinar da universidade em Macaé não é diferente. Em seus espaços de trabalho, os trabalhadores e trabalhadoras do campus convivem com inundações, mofo, bactérias, enfrentam calor intenso (faltam ar-condicionado e/ou ventiladores), falta de bebedouros e sanitários precários e também aquém da população universitária, formada por três mil estudantes, 170 técnicos e 480 docentes.
- Os profissionais do Complexo de Laboratórios — montado há 18 anos em drywall metálico para funcionar em caráter provisório –, são os mais prejudicados pelas más condições de trabalho. Na Anatomia a situação é grave. Além da falta de ventilação, produtos e materiais como formol e paróxido de hidrogênio (utilizados para conservação de corpos e lavagem das peças utilizadas), e luvas de proteção individual, estão com validade há muito tempo vencidos.
- Em alguns laboratórios portas de saída de emergência não abrem. No Laboratório de Controle de Qualidade Físico-Químico de Medicamentos o quadro elétrico fica embaixo da pia e não há extintores em todos os locais. Salas de aulas também são insuficientes. À noite, a parte do campus do complexo de laboratórios se transforma em um filme de terror devido a oscilação da iluminação externa, informam trabalhadores e alunos, principalmente quem utiliza o estacionamento.
- O Centro tem muitos outros problemas e foram detalhados no documento entregue pelos coordenadores do Sintufrj Antonia Karina e Nivaldo Holmes ao reitor Roberto Medronho, nesta terça-feira, 10, durante a solenidade de posse da atual diretoria do Instituto de Química da UFRJ Macaé. Milton Madeira, que integra a bancada de tecncos no Conselho Universitário, participou do ato. FOTO: RENAN SILVA
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ANTONIA KARINA E NIVALDO HOLMES entregam documento ao reitor Roberto Medronho que relata os problemas de infraestrutura da universidade em Macaé
Mês: março 2026
No dia seguinte a aprovação do projeto de lei que institui o Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC) pelo Senado (depois de ter passado pela Câmara), a direção do Sintufrj promoveu reunião híbrida com integrantes do Grupo de Trabalho de Carreira do Sindicato, da Comissão Interna de Supervisão da Carreira (CIS/UFRJ) e da Pró-Reitoria de Pessoal (PR-4).
Como se sabe, a instituição do RSC para técnicos administrativos é considerado uma vitória para o movimento. Mas ela não foi integral: todas as emendas apresentadas pela Fasubra ao projeto de lei no Congresso foram rejeitadas e o governo fez acordo com as lideranças partidárias.
A reunião que ocorreu na Sede do Sintufrj, dia 11 de março, foi um primeiro passo para iniciar o planejamento de todo o processo para a implantação do RSC. Pela dimensão da UFRJ a dinâmica exigirá um esforço conjunto do Sintufrj, GT-Carreira, da CIS/UFRJ e da PR-4. Nova reunião está programada para o início da próxima semana.
Muito trabalho à vista
Houve uma conversa preliminar e colocadas preocupações diante da empreitada, haja vista a limitação estrutural da universidade em relação a pessoal e a dimensão do universo de funcionários a serem beneficiados que pode chegar a cerca de 8 mil.
Aguarda-se agora o decreto que regulamenta as diretrizes para o RSC. Desde já a regulamentação prevê que as comissões de implantação sejam paritárias (Instituição, CIS, Sindicato). Na reunião já foi informado que os representantes do Sintufrj no RSC serão integrantes do GT-Carreira.
“Temos certeza de que a Pró-Reitora e a PR-4 estarão se empenhando para dar conta desta importante conquista da categoria”, afirmou a coordenadora de Dimensionamento e Desenvolvimento de Pessoal, Rejane Barros.
Benefícios após implantação
A implementação do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC) para os Técnico-Administrativos em Educação (TAE) — consolidada no PL 6170/2025, apensado ao PL 5.874/2025 e com previsão de implantação para abril de 2026 — trará mudanças significativas na carreira e no salário dos servidores federais:
– Acréscimo Salarial (Retribuição por Titulação – RT): Servidores ativos poderão ter o vencimento básico acrescido de um valor extra, equivalente a uma titulação acima da que possuem (sem a necessidade de ter o diploma formal), baseando-se na experiência e saberes acumulados (similar ao modelo dos docentes EBTT).
– Aumento na Aposentadoria: O RSC, uma vez incorporado à remuneração dos ativos, passa a integrar o cálculo da aposentadoria e pensão.
– Novo Mecanismo de Avaliação: Serão instituídas Comissões nas instituições federais para avaliar as solicitações, baseadas em pontuação de atividades, experiência profissional e produção técnica.
– Valorização dos Níveis A, B e C: A proposta visa democratizar o acesso ao incentivo à qualificação, permitindo que servidores com menor escolaridade formal, mas com longo tempo de serviço e experiência, aumentem sua remuneração.
– Processo de Solicitação: Após a regulamentação (prazo de 120 dias após a assinatura), os servidores poderão solicitar o benefício.
O X Seminário do Núcleo Interdisciplinar para o Desenvolvimento Social (Nides-UFRJ), que começou nesta quarta-feira, 11, e segue até quinta-feira, dia 12, no Centro de Tecnologia, com o tema “Futuros possíveis: tecnologias, territórios e modos de vida”, debateu, na aula inaugural, “Futuros possíveis”, em palestra proferida pelo professor e pesquisador Mamour Sop Ndiaye.
Antes, na abertura, coordenando a organização do evento, Roberto Gambine, apresentou os integrantes da mesa institucional: Renan Finamore (representante da Decania do CT), Felipe Addor (diretor do NIDES), Sérgio Lima Netto (diretor da Escola Politécnica) Maria Lenilva (coordenadora do Sintufrj), Antony Devalle (diretor do Sindpetro-RJ) e Daniel Conceição (da ADUFRJ). Eles destacaram a importância do evento e do Núcleo que atua na extensão, pesquisa e ensino buscando desenvolver tecnologias de forma interdisciplinar para promover o desenvolvimento social e contribuir com a constituição de políticas públicas.
A coordenadora de Educação, Cultura e Formação Sindical Maria Lenilva da Cruz lembrou a greve nacional da categoria que, na UFRJ se iniciou no dia 9, e parabenizou os realizadores do evento e desejou sucesso à iniciativa. Gambine agradeceu o apoio das entidades sindicais e do Laboeratório de Fontes Alternativas de Energia (Lafae/Coppe).
Fotos: Rosângela Leite

Lenilva, na mesa de abertura e Mamour, na aula inaugural
Poder econômico
O palestrante Mamour é, segundo os organizadores, apaixonado por inovações tecnológicas e energias renováveis, tem mais de duas décadas dedicadas à engenharia elétrica e ao desenvolvimento de soluções sustentáveis e à formação de novos engenheiros. Africano do Senegal, concluiu a graduação em Engenharia Eletrônica e Computação na UFRJ em 2004 e ingressou no grupo de Eletrônica de Potência do Programa de Engenharia Elétrica da COPPE/UFRJ em 2003. Mestre e doutor pela UFRJ, é chefe do departamento de Engenharia Elétrica e coordenador do Programa CEFET Solar, voltado para o ensino para a disseminação de Energia Solar Fotovoltaica no Rio de Janeiro. É pesquisador do Lafae.
Na aula inaugural, o professor lembrou que os países industrializados construíram seu bem estar emitindo grandes quantidades de carbono mas que hoje, os impactos climáticos atingem o mundo inteiro, sobretudo os países mais pobres. Só que os mesmos que poluíram o planeta, afirmam ter a solução para a crise climática e, citando Einstein, lembrou: “Não se resolvem os problemas com aqueles que os criaram”. E, apontando as diversas etapas das transições energéticas (como o domínio do fogo, a escravidão, a colonização e o neocolonialismo) e lembrou que nunca se trataram apenas de mudanças tecnológicas, mas sempre reorganizaram o poder econômico e geopolítico.
Tecnologia e bem viver
Ainda no dia 11, das 14h às 17h, estavam previstas rodas de conversa e grupos sobre eixos temáticos com estudantes do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia para o Desenvolvimento Social (PPGTDS).
No dia 12, das 10h às 17h, haverá mesas de debate, sendo que às 17h a mesa abordará o tema “Diálogos sobre Tecnologia e Bem Viver, Raça e Gênero”.
A palestra de Mamour
O evento está sendo transmitido pelo canal do Nides no YouTube
Fotos: Elisângela Leite



No início da noite desta terça-feira, 10 de março, foi aprovado no Senado Federal o PL 5.874 de 2025 que extingue definitivamente a lista tríplice para escolha de reitores das universidades federais.
Trata-se de uma vitória para a comunidade universitária das instituições superiores de ensino, um avanço celebrado como fortalecimento da democracia interna das universidades.
Esta é uma pauta cara ao movimento dos técnico-administrativos em educação que sempre defendeu a autonomia e a democracia interna nas instituições de ensino.
O PL seguirá agora para sanção do presidente Lula. Em breve teremos uma lei que fortalece a autonomia e a democracia nas universidades respeitando a escolha da comunidade universitária, sem interferências políticas.
Principais Pontos da Aprovação (PL 5.874/2025):
- Fim da Lista Tríplice: A nomeação do mais votado pela comunidade acadêmica (docentes, técnicos e estudantes) torna-se regra, eliminando a intervenção de candidatos não eleitos, fruto de um “PL guarda-chuva” aprovado no início de 2026.
- Respeito à Vontade Interna: O projeto determina que o resultado da consulta prévia na instituição seja o definitivo para a nomeação.
- Contexto: O texto aprovado altera as regras de votação, buscando evitar que intervenções políticas desrespeitem a votação das universidades.
- Mudança no Peso dos Votos: O projeto também altera a legislação para acabar com o peso de 70% para votos de docentes em relação a técnico-administrativos e estudantes, buscando maior paridade.
- Tramitação: O PL segue agora para sanção presidencial.

A primeira semana da greve dos técnicos-administrativos em Educação da UFRJ começou em alta temperatura: logo em seu primeiro dia, na manhã desta segunda-feira, dia 9, houve a instalação do Comando Local de Greve (CLG) no Espaço Cultural do Sintufrj com dezenas de companheiros, inclusive on line, direto de Macaé.
Os membros do CLG organizaram não apenas o funcionamento e agenda do comando e suas comissões (Ética, Finanças, Infraestrutura, Comunicação, Mobilização), como a escolha de representantes ao Comando Nacional de Greve, a agenda de lutas.
Fotos: Renan Silva

AGENDA DE LUTA
TERÇA 10/03
Ato unificado com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Universidade Federal Rural (Sintur-RJ) às 13h, em Seropédica, durante a visita do Ministro da Educação Camilo Santana.
Entrega de documento com reivindicações da base de Macaé ao reitor Roberto Medronho, presencialmente no Campus Macaé.
QUARTA 11/03
Assembleia Geral simultânea SINTUFRJ, às 10h – A AG vai avaliar o movimento nacional e local, considerando o resultado das negociações entre a Fasubra e os Ministérios da Educação (MEC) e de Gestão e Inovação no Serviço Público (MGI).
Fundão: Espaço Cultural do Sintufrj
Macaé: Sala 205 do Bloco A da Cidade Universitária
IFCS: Salão Nobre
14h GT Carreira Sintufrj
14h Reunião Direção Sintufrj, GT Carreira e membros da CIS com PR4
QUINTA 12/03
9h Ato da Greve no Conselho Universitário.
Agenda cotidiana
Quando não há atividade prevista, a agenda prevê, às segundas-feiras, às 10h, reunião regular do CLG; nas terças, visitas às unidades; às quartas, assembleia simultânea; às quintas, atividades da greve e nas sextas-feiras, livre organização.
Essencialidades
Na AG, ficou acertado que os setores considerados essenciais seriam os mesmos da última greve, atividades que comprometem sobrevivência, saúde e segurança da comunidade universitária e da população. E que novas demandas seriam analisadas pelo CLG.
De fato, chegaram à primeira reunião do CLG, no dia 9, algumas demandas. Representantes do DCE que manifestaram apoio à luta dos servidores, falaram da importância de ser incluída, entre as atividades essenciais, matrícula e inscrição em disciplina. Servidores abordaram a necessidade de funcionamento dos Restaurantes Universitários, da comissão de heteroidentificação, a posse de novos servidores, colação de grau, progressões de docentes, abastecimento de alimentos para atividades do Instituto de Nutrição.
Alguns dos casos foram remetidos diretamente à assembleia, como a posse de novos concursados e o funcionamento do RU, e outros ao estudo da Comissão de Ética, como a matrícula e inscrição em disciplina.
O CLG aprovou ainda, entre outras medidas
– Proposição aos comandos locais das demais Ifes do estado do primeiro grande ato conjunto;
– Prioridade nas ações para visibilidade da greve, inclusive com a criação de um hot site dedicado ao movimento;
– Moção em apoio aos trabalhadores e trabalhadoras estaduais de Minas Gerais, terceirizados de Belo Horizonte, aos trabalhadores municipais e petroleiros de Macaé.
O porquê da greve
No dia 4, a categoria aprovou greve por tempo indeterminado na assembleia simultânea que atraiu ao hall da Reitoria e aos auditórios da Praia Vermelha e de Macaé, mais de 700 pessoas. O movimento é nacional, pelo cumprimento integral doa cordo de greve. O movimento de mais de 100 dias em 2024 conquistou vitórias como reposições salariais de 9% e 5% nos pisos, aumento nos steps (ambos em parcelas em 2025 e 2026), e reestruturação dos níveis de classificação, com ganhos de 14,5% a 35%. Mas o governo não cumpriu integralmente o acordo.
Veja as reivindicações
- Que RSC seja amplo e irrestrito, incluindo aposentados, pensionistas e doutores, partindo do texto elaborado pela Comissão Nacional de Supervisão da Carreira (CNSC).
- Redução da jornada para 30 horas semanais, sem redução salarial, para toda a categoria.
- Aceleração para aposentados e pensionistas.
- Reposicionamento de aposentados.
- Democracia nas Ifes; paridade nos órgãos colegiados, eleições diretas e no mínimo paritárias para reitor, fim da lista tríplice, que o técnico administrativo em educação possa ser eleito para cargos de direção, inclusive reitor.
- Plantão 12 x 60.
- Retirada da possibilidade de terceirização dos cargos do PCCTAE e dos ataques às 30 horas e ao plantão 12 x 60 no PL 6170/2025.
- Manutenção da matriz única, com a definição do Nível E como referência para os demais níveis, a partir das porcentagens definidas no acordo.
- Manutenção do step único e constante.
- Liberação de concurso público para TILSP-Nível E.
Eixo Geral – Continuar na luta contra a Reforma Administrativa (PEC 38/2025) do Pedro Paulo e Hugo Motta e a reforma administrativa infraconstitucional do governo Lula.
Este ano, as manifestações do Dia Internacional da Mulher ocorreram de forma singular no Brasil diante do aumento da violência traduzida em casos de feminicídios, estupros e agressões domésticas.
O sindicato faz essa reflexão de forma constante, por meio de reuniões periódicas do GT Mulher.
A pauta relacionada às mulheres é destaque na agenda de lutas do Sintufrj como marco de consciência do papel delas na política, na economia e na organização de trabalhadoras e trabalhadores e como marco civilizatório.
A luta pra derrubar a escala 6×1 também faz parte das plataformas das mulheres.
Fotos: Renan Silva


Este 8 de março de 2026, Dia Internacional da Mulher, onde mundialmente serão realizadas manifestações de rua em praticamente todo o mundo, ele ocorrerá de forma singular no Brasil diante do aumento da violência à mulher.
Por dia quatro mulheres são mortas no país vítimas dos crimes de ódio. No município do Rio o registro de feminicídios triplicou, alcançando também adolescentes e meninas.
Na capital carioca, onde o ódio e a à violência às mulheres vem num crescente, o 8M será na “Princesinha do Mar” para denunciar e cobrar neste relevante cartão-postal da cidade que a vida das mulheres, adolescentes e crianças são preciosas e devem ser resguardadas. O ato é pela vida das mulheres, a partir das 10h, na altura do Posto 3, em Copacabana.
Escalada da violência
O país, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), alcançou em 2025 o maior número de feminicídios dos últimos 10 anos. No levantamento “ Retratos dos Feminicídios no Brasil” divulgado na última quarta-feira, 4 de março, foram mais de 13,7 mil casos desde a promulgação da lei do Feminicídio em 2015.
Segundo o levantamento, o feminicídio atinge majoritariamente mulheres adultas: metade das vítimas tinham entre 30 e 49 anos, o que corresponde a mulheres em idade produtiva e reprodutiva, e muitas vezes responsáveis pelo sustento da família e pelo cuidado de filhos e outros dependentes.
Os dados do FBSP revelam ainda um recorte racial assustador: 62,6% das vítimas são mulheres negras, o que revela a desigualdade estrutural e a maior vulnerabilidade socioeconômica enfrentada por essa parcela da população, muitas vezes com menor acesso a redes de proteção e políticas públicas eficazes.
De acordo com o Fórum, o local mais perigoso para as mulheres é a própria residência e o instrumento mais utilizado é a arma branca, como facas e machados presentes no cotidiano doméstico, seguida pela arma de fogo. Em cidades menores, a vulnerabilidade da mulher é ainda maior diante da escassez de serviços especializados, falta de sigilo e pressão comunitária conservadora.
Subnotificação mascara realidade
Especialistas apontam que parte do crescimento do feminicídio observado ao longo das décadas se deve ao aprimoramento na capacidade institucional de identificar e classificar corretamente os casos. Mas os números oficiais mostram a ponta do iceberg, dada a subnotificação dos casos.
Os números das vítimas chega a superar em 38% os registros oficiais, segundo o Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025, elaborado pelo Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina (Lesfem/UEL).
Segundo a pesquisadora do Lesfem, Daiane Bertasso, integrante da equipe que elabora o relatório, diversas situações fazem com que o ciclo de violência sofrido por mulheres seja negligenciado. “O feminicídio não é um crime inesperado. É um crime que resulta de relações familiares e íntimas. Ele se dá depois de um ciclo de violências de vários tipos”, declara.
Daiane afirma também que o machismo, a misoginia e uma sociedade voltada para os valores masculinos contribuem para que as pessoas ignorem os sinais de violência que precedem os feminicídios. Ela dá exemplo de casos de repercussão na imprensa de mulheres que mesmo com medida protetiva contra seus agressores, não receberam efetivamente a proteção do estado e acabaram mortas por eles.
Aliada a falha institucional, segundo a pesquisadora, há a existência da masculinidade tóxica, mais um elemento que gera violência contra as mulheres no país. Daiane afirma que a “machosfera” têm fortalecido ideais machistas e misóginos, inclusive influenciando jovens e crianças.
Vidas acima do ódio e das violências
Os casos de ódio contra as mulheres que tem levado ao feminicídio e a violência sexual são gravíssimos. Por trás dos números que já são preocupantes estão as vidas de mulheres e adolescentes interrompidas de forma cruel e ou marcadas na pele e no coração para sempre.
Sob esse cenário em que quatro mulheres são mortas por dia no Brasil vítimas dos crimes de ódio – em 2025 alcançamos o recorde histórico de 1.568 feminicídios com uma alta de 3,4% em relação a 2024 – o Rio de Janeiro ocupa as manchetes com casos apavorantes.
O último evidenciado, o de estupro coletivo de uma adolescente realizado por cinco agressores em 31 de janeiro, mostra como está a realidade vivida pelo gênero feminino diante do recrudescimento da violência.
Feminicídio triplicou no município do Rio
Em relação ao aumento da violência sexual contra mulheres no município do Rio de Janeiro, segundo a 5ª edição do Mapa da Mulher Carioca, da Prefeitura do Rio, somente em 2024 houve 5.700 notificações de violência contra adolescentes, com três em cada cinco casos de vítimas de violência sexual sendo meninas.
De acordo com o estudo ainda, as mulheres são a maioria das vítimas de ameaça (65%,5%) e dos casos de lesão corporal no município foram 42.107 em 2024, o equivalente a 64,9% dos registros. A violência sexual mantem o mesmo padrão: das 1.701 notificações, 85,8% tiveram mulheres como vítimas, com mais de mil envolvendo crianças e adolescentes.
De 2020 a 2024, o registro de feminicídios triplicou no município, chegando a 51 casos consumados, além de 117 tentativas. Em dois terços dos casos, o autor era companheiro ou ex-companheiro.
Os números e dados que vem sendo apresentados em larga escala de forma geral e específicas apenas dão uma dimensão da situação no país e nos estados, haja vista que o medo e a vergonha acabam por silenciar a denúncia do horror que mulheres, adolescentes e crianças vivenciam sob o ódio e as violências de gênero que enfrentam cotidianamente.
CPI para o Rio
A deputada estadual, Renata Souza (PSOL), protocolei na Alerj um pedido de CPI para investigar os feminicídios no estado. Ela terá a responsabilidade de presidir a comissão, que terá seis meses para investigar, convocar autoridades e cobrar respostas concretas do poder público.
“O Rio de Janeiro vive um aumento alarmante da violência contra as mulheres e isso não pode ser normalizado. Não basta lamentar cada nova vítima. É preciso apurar falhas, identificar responsabilidades e transformar indignação em política pública efetiva”, afirma.

8 de Março: Dia Internacional da Mulher
Ato unificado no domingo, 8/3, em Copacabana.
Concentração: 10h, no Posto 3.
Vamos ocupar às ruas pelo direito à vida, por maior representação política, em defesa da soberania dos povos e pelo fim da escala de trabalho 6 x 1.

MANIFESTO – 8 DE MARÇO DE 2026
Coletivo da Mulher Trabalhadora da CUT
O 8 de março é um dia de memória, luta e reafirmação de compromissos com a vida das mulheres. É uma data que nasce da resistência das trabalhadoras, da coragem de quem enfrentou jornadas exaustivas, salários injustos e a violência cotidiana para conquistar direitos e dignidade.
No Brasil, seguimos vivendo uma realidade alarmante: a cada 24 horas, quatro mulheres são vítimas de feminicídio. Esse dado escancara o quanto a violência de gênero continua sendo uma chaga aberta em nossa sociedade, atingindo especialmente as mulheres trabalhadoras, negras, periféricas, indígenas e do campo.
Também denunciamos o avanço do imperialismo e das políticas que aprofundam a exploração, a desigualdade e a retirada de direitos em todo o mundo. As mulheres trabalhadoras são as primeiras a sentir os impactos das guerras, das sanções econômicas e das medidas de austeridade. Defender a vida das mulheres também é lutar pela soberania dos povos, pelo direito à autodeterminação, por desenvolvimento com justiça social e pela construção de um projeto de país que coloque a vida acima do lucro.
Diante desse cenário, a Central Única dos Trabalhadores reafirma a importância do Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, iniciativa conjunta do Legislativo, Executivo e Judiciário que busca enfrentar, de forma integrada, a escalada da violência contra as mulheres. O pacto representa um passo fundamental para fortalecer políticas públicas, garantir proteção, responsabilizar agressores e afirmar o direito das mulheres à vida.
Mas sabemos: não há enfrentamento à violência sem justiça social. A precarização do trabalho, a sobrecarga gerada pelos cuidados domésticos — atribuídos geralmente às mulheres —, a desigualdade salarial e a falta de representação política aprofundam as condições de vulnerabilidade das mulheres. Por isso, nossa luta é ampla e coletiva.
Neste 8 de março, a CUT convoca as trabalhadoras e trabalhadores a ocuparem as ruas e os espaços de decisão com o mote: “Pelo direito à vida, por maior representação política, em defesa da soberania dos povos e pelo fim da escala 6×1.”
Defendemos políticas públicas que garantam autonomia econômica, combate ao assédio e à discriminação, creches, saúde integral, educação de qualidade e um mundo do trabalho que respeite a vida das mulheres.
Seguiremos organizadas, mobilizadas e solidárias, porque quando uma mulher avança, nenhuma deve ficar para trás. A luta feminista é uma luta por democracia, justiça social e dignidade para toda a classe trabalhadora.
UFRJ EM GRVE
INSTALAÇÃO DO COMANDO LOCAL DE GREVE (CLG)
Dia 9 de março, segunda-feira, 10h Local: Sede do Sintufrj
Categoria em greve por tempo indeterminado!
SINTUFRJ GESTÃO 2025-2028
