Nem só de dor vive a história do povo negro. Histórias bem sucedidas também permeiam o rico universo da população preta e nesse sentido a cientista social e mestra em Sociologia, Juliana Ângelo, apresentou sua pesquisa, intitulada “Do êxito à hesitação: Os percursos de Histórias Negras na Educação da Baixada Fluminense”, que analisa a trajetória de oito gestoras negras de escolas públicas.

“O foco do estudo é valorizar as trajetórias de liderança e a autoestima dessas mulheres, rompendo com a narrativa tradicionalmente focada no sofrimento e destacando o poder e a potência de suas histórias”, explica Juliana que é professora de sociologia da Rede Estadual. Ela levou sua reflexão a reunião do GT Antirracista de 19 de agosto e que teve como tema “Pessoas Negras nos Espaços de Poder”.

“Busquei, sobretudo, fazer uma narrativa de mulheres negras ocupando espaços de poder. Olhando para a trajetória delas, o que as conduziu até aquele lugar? Uma das maiores preocupações foi não dar foco à dor, porque sabemos que na estrutura social brasileira a dor já se faz presente na nossa história negra nesse país. E o nosso presente ainda é muito marcado por essa herança do período colonial”.

O estudo de Juliana, que ocupa também cargo de coordenação numa escola na Penha, analisa ainda como mulheres negras educadoras, apesar de romperem barreiras estruturais ao alcançarem cargos de gestão, hesitam em assumir a direção geral das escolas.

Sua pesquisa sugere que essa estagnação em cargos de direção adjunta não é uma escolha puramente pessoal, mas um reflexo de uma estrutura racista que impõe limites à ascensão profissional dessas mulheres. O receio de ocupar espaços de maior poder administrativo e político — frequentemente associado à necessidade de negociar com um sistema que historicamente as nega e invisibiliza — gera um conflito subjetivo sobre o próprio lugar e a legitimidade de sua ocupação no poder.

“Dentro da Educação Básica você tem a direção geral e a direção adjunta. E aí essas mulheres, só duas das oito, chegaram ao lugar de Diretoras Gerais, mas porque o diretor morreu ou porque um saiu. E as outras preferiram ficar naquele lugar onde estavam e para elas estava bom. Então eu fiquei pensando, o que é esse bom? Será que não é a estrutura gritando pra elas esse aqui não é nosso lugar?”, reflete Juliana.

“Então eu fiquei pensando, será que é a estrutura que tá falando pra elas? Olha, você não pode ir além não, pretinha. Seu lugar só vai até aqui, né? Até porque você vai lidar com justamente o governo. Porque quando você ocupa uma direção geral, você cuida muito mais da parte administrativa do que pedagógica. Então é um cargo muito político, de negociações, de buscar verba para a escola, de cuidar da vida do seu funcionário, do seu servidor. E elas se questionam. Aqui, quem sou eu? É como se elas dissessem, quem sou eu para lidar com aquele que me nega? Porque eu vou ficar ali dialogando com aquele que diz todo o tempo que eu não existo? Que eu sou invisível. Ele me nega e agora eu estou ali trabalhando com ele?”, raciocina a educadora.

Sorteio

O tradicional sorteio de livros ao fim do encontro do GT premiou a própria Juliana com o livro “Lugar de Fala” de Djamila Ribeiro

E premiou também Solange Nogueira

A FASUBRA realizou, na manhã desta sexta-feira, 21 de agosto, uma superlive sobre as concessões do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC), para tirar dúvidas ao vivo e explicar os principais impactos para os(as) técnicos(as)-administrativos(as) em educação. A live teve 1.800 visualizações e, estimam os organizadores, deve ter reunido em torno de 1.200 pessoas durante a apresentação que durou quase três horas.

Com abertura política das coordenadoras gerais Cristina Del Papa e Ivanilda Reis, e de Maristela Piedade, coordenadora de Políticas Sociais e de Gênero, a live foi conduzida pelo coordenador Marcelo Rosa, membro da CNSC, em conjunto com Viktor Gruska, ambos membros da CNSC.

A coordenação da Fasubra vem reunindo as principais perguntas que têm surgido sobre, muitas abrangidas na live, e outras que comporão um “pergunta e resposta”, parte de uma cartilha – um guia prático e técnico para a categoria – que a Federação está preparando e deve ser divulgada até o dia 31 de agosto.

A CNSC Fasubra, explicou Marcelo vem verificando diferença de entendimentos entre universidades e e está atenda as dúvidas encaminhadas pela categoria, principalmente no que está sendo feita pelas Comissões do RSC em cada Ife. O objetivo da live então seria também um nivelamento do entendimento de aspectos que vêm sendo objeto de difícil compreensão deste que, ele destaca, foi um dos maiores avanços da categoria na última década, uma forma de equiparação com o Incentivo à Qualificação, e mais que o efeito remuneratório, o reconhecimento político e institucional de que somos trabalhadores em educação que construímos saber na prática diária em todas as áreas de conhecimento, em todas as instituições.

Equívocos

Mas, lamentou o coordenador, tem muita coisa que está sendo vedada nas comissões, fruto de interpretações equivocadas,  cuja vedação não consta no decreto que regulamentou o direito, que estabelece diretrizes gerais, níveis do RSC, critérios e pontuação e vedações.

Para elucidar tudo isso, a Fasubra, embasada na sua assessoria jurídica nacional e no coletivo jurídico (que reúne representantes das entidades de base), através seus representantes na CNSC do MEC – comissão que tem, além do ministério, representantes dos reitores (das entidades Andifes e Conif) – buscou entendimento do coletivo sobre pontos nebulosos. Isso gerou um relatório assinado por todos os integrantes da CNSC MEC que será consolidado em portaria em breve.

Relatório da Fasubra pode ajudar

O relatório já foi publicado pela Fasubra e remetido às entidades. “Esses pontos mais polêmicos podem ser trabalhados com o que está no relatório, que tem a explicação dos conceitos que usamos, técnicos, políticos e jurídicos, e estarão na minuta que deve ser publicada, segundo os nossos esforços, o mais rápido possível”, explicou Marcelo.

Segundo ele, chegam denúncias de que há comissões que pretendem ser “mais realistas que o rei”, com deduções próprias que prejudicam o servidor. E deu alguns exemplos: as atividades ou fatos que podem constar da solicitação não se atém apenas ao exercício do cargo atual, mas são fruto do reconhecimento de toda sua vida funcional: “Quem interpreta que é só do cargo atual está com uma visão reducionista”, apontou.

Outro aspecto diz respeito a pontuação de diplomas de títulos anteriores: “Nosso entendimento na CNSC é que só não se pode utilizar título que já estão sendo usados atualmente para o Incentivo a Qualificação. Todos os outros, inclusive os obtidos antes do ingresso no cargo, são títulos válidos. A lei não coloca restrição de tempo para a obtenção de diplomas e títulos e escolarização formal”.

Um terceiro ponto, quanto a participação de servidores aposentados nas comissões: “O decreto não apresenta vedação”,, disse ele, lembrando a importância destes companheiros que trazem memória técnica importante para o trabalho da comissão.

Muitas perguntas e respostas

Viktor reiterou a importância da minuta da portaria (que consta do relatório compartilhado através dos canais da Fasubra) que tem como objetivo disciplinar e padronizar aspectos da implementação uniforme no âmbito das instituições federais de ensino em nível nacional. Ele dividiu as dúvidas em blocos

Um deles tratou de quais documentos podem ser considerados válidos para comprovação dos critérios do anexos I a VI: Ele explicou que, segundo portaria do MEC de 4 de agosto (658), podem ser considerados válidos, documentos emitidos por instituição federal de ensino ou por órgão ou entidade da Administração Pública federal, estadual, distrital ou municipal (não precisa se dó da universidade), para comprovação de fatos ou situações relacionados à atuação do servidor.

Ele abordou também prerrogativas da comissão e ordem de preferência na análise, lembrando que há legislação sobre isso e que tem prioridade, por ordem: aqueles com idade igual ou superior a 60 anos, portadores de deficiência, física ou mental (os termos, ele lembrou, são da legislação), portadores de tuberculose ativa, esclerose múltipla, neoplasia maligna, hanseníase, doença de Parkinson, e outras doenças graves, mesmo contraída após o início do processo.

Veja perguntas e respostas que esclarecem diversos aspectos dos requerimentos e dos procedimentos das Comissões na live, que  segue disponível no Youtube da Fasubra ou acessando aqui:

Na sala multiuso, no térreo da Biblioteca, em reunião com trabalhadores do Museu Nacional na manhã desta quinta-feira, dia 20, membros da coordenação do Sintufrj, do GT do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC), e da CRSC (Comissão do RSC) deram informes e tiraram dúvidas sobre o novo direito cujo mecanismo eletrônico para solicitação, segundo avaliam, estará implementado em breve. Estiveram lá integrantes da CRSC Vania Godinho, Rosemere Roza e Maria Lenilva (também coordenadoras do SINTUFRJ) e Edson Vargas.

Vânia Godinho, coordenadora-geral do Sintufrj, explicou  que foi uma reunião de esclarecimento solicitada pela própria base nesta fase em que estão organizando as normativas. “Fizemos um grande resumo do que é o RSC hoje, esclarecemos que a ferramenta da Superintendência Geral de Tecnologia da Informação e Comunicação (SGTIC) já passou da fase de testes de desenvolvimento do sistema necessário para preenchimento dos dados e anexação dos documento para a solicitação do RSC, corrigindo os problemas detectados, e agora entrou em fase de testes para os integrantes da CRSC. “Depois que esta etapa for toda vencida é que vai ser aberto para a comunidade como um todo, para poder requerer o RSC”, explica,

Servidores apontam que o prazo previsto para o início do processo, 3 de agosto, já passou, e Vania pondera que de fato alguns institutos federais saíram na frente na preparação do sistema porque não estavam em greve e tiveram mais tempo para preparar seus sistemas, fazer a captação de documentos e montar seus repositórios. “Se contar que, encerrada a greve, estamos há um mês e meio quase dois tratando de todas as questões do RSC, não estamos lentos. Está indo bem. Além disso, a gente teve portarias do MEC que saíram há 15 dias. Então a gente também não poderia se antecipar muito, sem saber o que ainda vinha de normativas do governo”, lembra Vania.

Ela conta ainda que está em produção, pela comissão, do manual do requerente e outro manual específico para os membros da comissão que deverá sair em breve. “Quando o sistema estiver pronto, permitindo o requerimento, antes o manual do requerente já vai estar na rua”, disse.

Para marcar reuniões

Vânia lembra que as unidades que necessitarem de explicação sobre o RSC, podem solicitar ao Sindicato, através da Secretaria da entidade, que a coordenação realiza uma reunião de base também com membros da CSRC e do GT RSC.

Fotos: Renan Silva

     

A dois meses da mais importante eleição desde o fim da ditadura e o início da redemocratização, o Sintufrj fará lives que vão debater com convidados temas essenciais para o país e para as nossas vidas. A série de entrevistas desse programa chamado Agenda Brasil foi aberta com a cineasta Dandara Ferreira, que dirigiu e roteirizou o documentário Anatomia do Caos. O filme apresenta os bastidores da maior tragédia sanitária do país no governo de Jair Bolsonaro que resultou em 700 mil mortes. Revela ainda a indiferença de um governo que não deu atenção e respeito a vida humana.

O programa Agenda Brasil marca o compromisso da atual gestão do Sintufrj que reafirma sua tradição de defesa da democracia e de defesa dos trabalhadores. Três coordenadoras do Sintufrj Ana Mina, Luciana Borges e Sharon Stèfani falaram sobre o tema, sua leitura da realidade e criticaram duramente Jair Bolsonaro (veja mais ao fim da matéria)

Um documentário sobre memória e justiça

Dandara Ferreira explicou que o seu filme nasceu do sentimento de revolta para o que estava acontecendo no nosso país. “O deboche do presidente com as pessoas que estavam com falta de ar, a negligência, a falta de informação. Era tudo muito aflitivo. Eu sentia que o quer podia fazer como cineasta era documentar. E quando o Senado aprova a CPI da Covid-19 a minha intuição disse que tinha ali algo importante que deveria ter um registro.”

A cineasta foi então acompanhar a CPI à la Glauber Rocha, com uma ideia da cabeça e uma câmera na mão. Na invisibilidade, era só ela e a câmera, filmou tudo, filmou bastidores, conversas, isso durante sete meses. Desse enorme material Dandara levou quatro anos para montar e finalizar, produzindo assim um documentário contundente e emblemático.

“O filme não é apenas sobre pandemia. É um filme que fala também sobre memória e justiça. Por que a gente como país, como sociedade, se não cuidarmos da nossa memória não evoluímos como sociedade e como país. Por isso é muito importante também falarmos e trabalharmos nossas memórias”.

Dandara Ferreira diz que o narrador de seu documentário é a imprensa brasileira e o filme é um registro histórico importante para as eleições.

“São várias vozes, a imprensa brasileira. Acho o filme é um registro histórico e ele tem um papel importante agora nas eleições. Tem um papel de trazer reflexão, pensarmos qual sociedade queremos. Pois pensando nas eleições e vendo os personagens e candidatos, um deles é a continuação daquele projeto.”

Veja a íntegra da live nos canais do Sintufrj no Youtube e no Facebook do Sintufrj

Compromisso do sindicato

Coordenadora de Administração e Finanças do Sintufrj, Ana Mina é técnica em enfermagem do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF) da UFRJ que foi linha de frente no combate a pandemia e transmitiu o ambiente vivido pelos trabalhadores da saúde, familiares e a situação das vítimas.

“Não podemos em nenhum momento deixar cair no esquecimento tudo o que vivemos, o que passamos e que ainda hoje repercute. Foram muitas pessoas e colegas que caíram em depressão, perderam familiares, perderam emprego, fecharam suas lojas. Uma situação que devemos sempre alertar porque o desgoverno de Jair Bolsonaro, por desacreditar a ciência, foi o culpado por tantas mortes. Foi uma época muito difícil e para quem era profissional de saúde pior. Você chegava com o colega para trabalhar e duas horas depois ele ia para emergência sem ar e morria. Recebíamos tanto jovens como velhos que não resistiam. Por isso é fundamental lembrar”, declarou Ana Mina.

Luciana Borges, coordenadora de Comunicação, é enfermeira há mais de 20 anos no Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG). Ela destacou também a importância do documentário por trazer a memória da crise sanitária reafirmando a culpa de Jair Bolsonaro.

“Foi uma crise sanitária negligenciada totalmente por Jair Bolsonaro e redundou nas mortes e no acometimento psicossocial tanto da sociedade como um todo como a gente da saúde que fomos negligenciados quanto as medidas de proteção. É um documentário muito importante porque não podemos ter memória curta em relação a uma das maiores crises sanitárias do país e que gerou uma tragédia política. Estamos com 80 indiciamentos e nenhum teve uma responsabilização criminal efetiva diante da omissão vida da população e dos profissionais de saúde”, apontou a coordenadora.

Sharon Stéfani que é a coordenadora geral do Sintufrj e trabalha na área de comunicação da UFRJ discorreu sobre o compromisso de procurar esclarecer a sociedade: “Nos preocupamos em levar as informações corretas  sobre  que estava acontecendo dentro da universidade, pois temos muitos hospitais e o HUCFF foi linha de frente. Isso doeu muito na comunidade universitária, principalmente os servidores que vivenciaram tudo. O documentário de Dandara foi muito importante para enxergarmos como foi que aconteceu tudo aquilo naquele momento. Havia desespero e medo das pessoas que não sabiam o que realmente de fato estava acontecendo na política. É extremamente importante  sindicato manter viva as memórias para não cometermos os mesmos erros do passado. A iniciativa da Agenda Brasil é muito importante para o despertar da conscientização.”

Sala multiuso, no térreo da biblioteca
10h
Quinta-feira, 20/08/26
Pauta: informes e dúvidas sobre o Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC)

Juliana Angelo,  Mestra em Sociologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e professora de Sociologia (Seeduc/RJ), é a convidada do GT Antirracista, desta quarta-feira,  19/08. A reunião será às 14h, no Espaço Cultural do SINTUFRJ. O tema: Pessoas negras nos espaços de poder. Reunião híbrida com link via zoom.

 

As duas ações vitoriosas do SINTUFRJ: o Plano de Seguridade Social (PSS) sobre o adicional de férias e o Abono de Permanência sobre o 13º salário foram os principais assuntos da reunião dos aposentados e pensionistas, dia 5 de agosto, no Espaço Cultural da entidade. Uma equipe do escritório Cassel Ruzzarin, que assessora o sindicato em ações coletivas, a convite das coordenadoras Ana Célia, Selene Vaz e Marli Rodrigues, esclareceu as dúvidas e orientou sobre os encaminhamentos para garantir o direito conquistado.
Este foi o primeiro encontro de aposentados e pensionistas após o encerramento dos quatro meses de greve dos técnicos administrativos em educação na UFRJ. Um breve histórico sobre o movimento paredista, liderado pelo SINTUFRJ, foi feito aos presentes. As vitórias alcançadas com a luta foram elencadas. Os informes sobre a continuidade da mobilização para ampliação do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC) para os aposentados, entre outros avanços na carreira concedidos aos trabalhadores na ativa, foram acompanhados da conclamação para que a unidade de toda a categoria se mantenha.

Ações vitoriosas
. O PSS (Plano de Seguridade Social) sobre o adicional de férias.
. Abono de Permanência sobre o 13º salário e o adicional de férias (1/3).
. As últimas informações sobre o Plano Bresser (26,06%) – número de participantes no processo e total de servidores que já receberam e ainda faltam ser pagos –, entre outras atualizações a respeito do processo, também estão à disposição.

Atendimento diário
De segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 16h, a assistente do escritório de advocacia Russel, Marcella Coutinho, está à disposição das trabalhadoras e trabalhadores na sede do SINTUFRJ.
O contato também pode ser feito pelos telefones do sindicato: (21) 3194-7105, 3194-7101 e 3194-7104. Cassel: (21) 3035-6500 e (61) 99218-6258.
E-mail para saber sobre o Abono de Permanência: abono_sintufrj@servidor.adv.br
Execução_pss_sintufrj@sevidor.adv.br

 

Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o El Niño “já está configurado” e seus efeitos começam a ser observados em diferentes partes do mundo. O Instituto Nacional de Meteorologia do Ministério da Agricultura e Pecuária (INMET), aponta 100% de probabilidade de que continue ativo até o início de 2027.

O Super El Niño

Nova previsão da NOAA (agência científica dos Estado Unidos de Administração Oceânica e Atmosférica) indica um cenário de forte aquecimento das águas do Pacífico, com probabilidade igual ou superior a 90% de ocorrência de um “El Niño muito forte” nos trimestres de setembro a janeiro. E com 69% de probabilidade de que seja o mais intenso já registrado desde 1950.

Os efeitos já começaram e potencializará a continuidade das chuvas acima da média no Sul do Brasil e abaixo da média, nas regiões Norte e Nordeste a partir de outubro. No Sudeste e Centro Oeste, há maior possibilidade de incêndios e ondas de calor.

Alagamentos, deslizamentos, estiagem, temperaturas extremas, falta de água,, incêndios, apagões, proliferação de insetos e doenças, inclusive as relacionadas ao calor extremo, escassez de alimentos, aumento de preços e de tarifas, são consequências possíveis.

O risco levou ao governo a montar um grupo com especialistas. Criado no fim de maio, inclui representantes do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemadem), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da UFRJ.

Veja mais no site do INMET

https://portal.inmet.gov.br/noticias/segundo-a-noaa-el-ni%C3%B1o-pode-ser-o-mais-intenso-desde-1950

GT da UFRJ já está em ação

A UFRJ também constituiu o seu GT El Niño. No dia 10 de agosto foi a primeira reunião, conforme anunciou o reitor Roberto Medronho no último Conselho Universitário, com dois objetivos principais: alerta da comunidade com protocolos de eventos climáticos extremos e contribuir para a discussão com a sociedade sobre as mudanças climáticas. O GT, segundo ele, reúne especialistas de quase todos os centros: “Um grupo de altíssimo nível”.

A formação do GT, por iniciativa da coordenação da Política de Sustentabilidade e Educação Regenerativa (SER/UFRJ), em atendimento a demanda da Reitoria, tem como finalidade estruturar um sistema institucional para monitorar, prever, mitigar e responder com agilidade aos impactos do fenômeno.

Reúne cientistas de diversas áreas, como explica o coordenador do SER, Guto Nóbrega: do Núcleo de Bioética e Ética Aplicada (NUBEA/UFRJ), do Instituto de Geociências, Complexo Hospitalar e da Saúde da UFRJ, Superintendência-Geral de Comunicação, Psicossociologia de Comunidades e Ecologia Social (EICOS / Instituto de Psicologia), Instituto de Psiquiatria, representação discente da pós-graduação (APG), área de Infectologia, Saúde Coletiva e Vigilância em Saúde da Faculdade de Medicina, Departamento de Geografia e Departamento de Meteorologia do Instituto de Geociências e a área de Saúde, Segurança Operacional e Gestão de Riscos no HUCFF.

O GT é coordenado pela técnica-administrativa Clarisse Araújo, coordenadora de Atenção à Saúde do Complexo Hospitalar e de Saúde da UFRJ. O vice coordenador é Alexandre Oliveira, professor do Núcleo de Bioética e Ética Aplicada (Nubea).

Guto Nóbrega é vice-decano do CLA e, desde o início de 2026 passou a coordenar a SER, que é uma política transversal da UFRJ que agrega várias ações ligada a sustentabilidade de educação regenerativa e que acontece desde 2023. Ele conta que o reitor Roberto Medronho solicitou que a coordenação ajudasse a implementar esse GT, que tem caráter de prevenção e orientação diante do que pode vir acontecer, em qualquer eventualidade climática, com base em informações científicas e precisas, “uma voz uníssona sobre as informações que queremos passar para a comunidade”.

“A Universidade Federal do Rio de Janeiro, ao constituir um GT com componentes de altíssima competência acadêmica como este, mais uma vez é protagonista de um processo importantíssimo e vai ser referência para as outras universidades, como tem sido no protocolo do calor e em outras ações que têm sido viabilizadas através da Coordenação de Sustentabilidade e Educação Regenerativa, a coordenação SER, que é uma ação pioneira da UFRJ, e que está sendo referência para várias universidades brasileiras”, comenta Francisco Esteves, coordenador do SER até 2025.

Segundo encontro

No dia 17, uma segunda reunião estava prevista a realização de um seminário com informações dos especialistas para que se construísse um quadro geral. O GT ainda será oficializado em portaria da Reitoria e novos integrantes ainda estão chegando para o grupo multidisciplinar: “Precisamos de vários olhares e competência”, explica Guto Nóbrega.

A coordenadora Clarissa Araújo reitera que a proposta é preparar a universidade e a comunidade para o cenário global de mudanças climáticas. Como contou, a primeira reunião no dia 10 foi para apresentação do GT ao Reitor e demais membros do grupo, uma reunião das capacidades institucionais para preparar respostas e resiliência frente ao impacto das mudanças climáticas . O GT seria então uma instância técnica institucional para analisar cenários e risco, recomentar medidas e preparar a resposta da UFRJ. A reunião seguinte iria direcionar o trabalho do GT para os encaminhamentos necessários para a gestão do risco.

Alerta: já estamos numa crise climática

É preocupante o alerta do professor Francisco Esteves sobre o fato de que a natureza já está em convulsão. Ecólogo e profundo conhecedor de Ecologia de Ecossistemas Aquáticos, idealizador e fundador do Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade da UFRJ (Nupem), em Macaé, e responsável pela criação do Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba (no norte do estado do Rio), ele explica:

“É importante destacar que nós já estamos imersos numa crise climática. Todos nós já percebemos pelos efeitos desta crise, no nosso dia a dia: chuvas fortes fora de época, secas fortes fora de época, e mais do que isso. Não é só nós nos precavermos com ar condicionado0, aquecimento, prever alagamentos, etc. O que está acontecendo à natureza é a extinção de espécies. Muitas dessas espécies são insetos importantíssimos para nossa vida, como por exemplo aqueles que polinizam as flores, que geram os frutos como abacaxi, cacau, berinjela e centenas de outros.

Segundo os colegas que trabalham com isso, até o ano de 2040, teremos 4 quatrilhões de dólares de prejuízo por falta de alimento no mundo. Então, essa diversidade de alimento que temos hoje, se observar um lote de frutos, fotografe, porque daqui a dez, 20 anos, teremos muito menos. Por quê? Porque muitas espécies de insetos foram extintas.

A natureza está em uma profunda convulsão. E quem pagará isso, muito fortemente, é a espécie humana. Ainda não atentamos para o que está acontecendo nas restingas brasileiras, na Mata Atlântica, nas florestas, de onde vem, por exemplo, a nossa água:  80% da água que consumimos no estado vem das florestas. Florestas essas que estão diminuindo, não só em extensão como em cobertura vegetal. Cada árvore da Mata Atlântica produz água para atmosfera – por dia de 200 a 400 litros de água. Essa água evapora, e volta sob a forma de líquido que abastece as nascentes, os córregos e o rio Paraíba do Sul que nos abastece”.

Fotos: Juscelino Ribeiro.

Imagens do amanhecer no Fundão em uma manhã de junho de 2026

Veja mais detalhes no Instagram do Ministério do Meio Ambiente

https://www.instagram.com/mmeioambiente/

 

 

 

 

 

O SINTUFRJ alerta a categoria sobre a circulação de um comunicado falso, enviado por golpistas em nome do sindicato, envolvendo supostos pagamentos de retroativos referentes aos 3,17%.

Não forneça seus dados pessoais, documentos ou informações bancárias e não realize nenhum pagamento ou transferência a partir desse tipo de mensagem.

O SINTUFRJ não solicita depósitos, taxas ou pagamentos para liberar valores de processos judiciais.

Antes de seguir qualquer orientação recebida por WhatsApp ou outros canais, confirme a informação diretamente com os canais oficiais do SINTUFRJ.

Recebeu esse comunicado? Não clique em links, não forneça informações e denuncie a tentativa de golpe.

Compartilhe este alerta. A informação também é uma forma de proteção!

O pró-reitor de Gestão e Governança Fernando Peregrino apresentou, na sessão do Conselho Universitário de quinta-feira, 13, a evolução das contrapartidas na UFRJ do projeto do novo Canecão. Acompanhado de outros integrantes do Comitê Gestor responsável pelo acompanhamento e fiscalização do contrato de concessão, que Peregrino coordena, apresentou um relatório parcial mas que ilustra o que vem sendo feito na Praia Vermelha, em paralelo às obras do Equipamento Cultural Multiuso.

O projeto estabeleceu a criação de um espaço cultural, um edifício acadêmico e um restaurante universitário no campus da UFRJ na Praia Vermelha. O terreno do antigo Canecão, de propriedade da Universidade, foi concedido para exploração pelo consórcio Bônus-Klefer por 30 anos. Então, a previsão era de que as obras fossem concluídas em 2026. Mas hoje há novos prazos.

O espaço cultural multiuso, com 20 mil metros quadrados de área construída, terá teatro, museu, salão de exposições. A a contrapartida prevê, na PV, novo prédio acadêmico com 68 salas de aula e três pisos e um restaurante com capacidade para 2 mil refeições por dia.

 

Peregrino apresentou imagens aéreas do canteiro de obras, cronogramas e projetos. A previsão é de que em 2028 seja entregue o complexo do Novo Canecão. E a primeira laje do restaurante também está de pé e, para este, a estimativa de entrega é em março de 2027 e o prédio de salas de aula em setembro de 2027.

 

Mural do Ziraldo preservado para restauração

Histórico: Movimento questionou

O Conselho Universitário aprovou em novembro de 2022 a cessão dos 15 mil metros quadrados do campus da PV, para a iniciativa privada prevendo a construção da casa de shows no antigo Canecão e contrapartidas para a universidade, sob forte questionamento de parte da comunidade universitária.

A UFRJ assinou, no dia 7 de junho de 2023,  a concessão por 30 anos, de área no campus da PV com o equipamento cultural multiuso (ECM), com o Consórcio Bônus-Klefer que seria responsável, como contrapartidas pela construção do restaurante e o pavilhão de aulas. A UFRJ teria direito, então, a uso de 270 dias por ano do Espaço Ziraldo e a 50 dias por ano do espaço cultural multiuso.

Quando se iniciou o movimento de buscar recursos colocando à disposição da iniciativa privada imóveis da UFRJ, setores da comunidade universitário manifestaram grande preocupação com a adoção de iniciativas de mercado como solução dos problemas de uma instituição federal de ensino que sofre com asfixia financeira. Houve seguidos protestos nos colegiados, atos públicos na Praia Vermelha e locais dos leilões dos imóveis cedidos.

O Sintufrj, que integrou com entidades dos demais segmentos o movimento “A UFRJ não se vende”, criticou a entrega de patrimônio. “É fundamental desmentir fake news de que somos contra a reabertura do Canecão, muito pelo contrário, queremos um Canecão reaberto, popularizado e conectado com a UFRJ. E por isso esse projeto não nos serve. Essa luta não se encerra neste dia”, declarou, em um dos atos, a então coordenadora geral do Sintufrj, Marta Batista. “Vamos continuar e alertando a população sobre o que isso significa. Não devemos ancorar nossas expectativas de melhoria no orçamento da universidade, das condições para aula, trabalho e de atendimento à população nesse viés de captação de recursos. Devemos lutar para que haja recomposição de orçamento”, disse o coordenador Esteban crescente.