Parabéns, companheiras e companheiros pelo seu dia e por sua trajetória de lutas.

O papel dos servidores públicos federais em educação é fundamental para a construção de uma universidade pública de excelência, inclusiva e socialmente referenciada.

Este ano, nós, servidores federais em educação da UFRJ temos muito a comemorar por força da nossa luta e garra. Fizemos uma greve vitoriosa, apesar de um Congresso Nacional dominado por inimigos dos trabalhadores.

Com a juventude e os 70 + fomos às ruas defender a nossa soberania e estamos comemorando a mais importante conquista dos últimos tempos, que foi impedir pelo voto nas urnas, que um fascista miliciano e sua família tomassem novamente o poder no Brasil.

Todos os dias, como servidor público, exercemos, em todas as áreas, o compromisso de atuar pelo bem da coletividade. Com dedicação e firmeza de caráter, junto com outros milhares de trabalhadoras e trabalhadores colocamos em prática a nossa missão de transformar esta sociedade tão desigual em mais justa com oportunidades iguais para todos.

      Diretoria do SINTUFRJ

Veja como proceder para dar tudo certo:

A festa de confraternização promovida pelo SINTUFRJ para os sindicalizados já faz parte do calendário oficial da entidade. Este ano, mais uma vez estaremos juntos para renovar nossas energias, esperanças e sonhos. Desta vez também para comemorar a conquista do RSC, entre outros bons resultados das lutas da greve.  Sexta-feira, 11 de dezembro, será, portanto, um dia muito especial para todos nós.

 

Confira o passo a passo da programação:

. Das 11h às 17h, vamos dançar, bebemorar, nos alimentar bem e  nos divertir muito, com respeito e responsabilidade no LESPAM, que fica na Avenida Brasil, nº 10.592 / 10.701 (em frente a estação do BRT Lobo Júnior), na Penha. Estão inscritos cerca de  2.500 sindicalizados.

. O credenciamento para os que forem de condução própria ou vierem de Macaé e Duque de Caxias, será feito no local do evento, a partir das 10h.

Atenção: Em ambas as situações é necessário apresentar documento válido de identificação com foto, físico ou digital. Importante: o local não dispõe de estacionamento interno.

 

Credenciamento e transportes na Praia Vermelha:

Os ônibus sairão dos pontos de embarque somente com lotação completa, exceto o último ônibus que cumprirá o horário previsto no edital (Jornal do SINTUFRJ – Edição 1483). É obrigatório o credenciamento antes do embarque.

 

Saídas dos ônibus:

. Praia Vermelha – O primeiro ônibus sairá às 9h, mas somente lotado; o último às 11h.

. Fundão (da sede do SINTUFRJ) – o primeiro ônibus sairá às 9h20, após lotar; o último às 11h.

VANs de Caxias e Macaé: (Lembre-se, o credenciamento ocorrerá no local da festa a partir das 10h).

  • Duque de Caxias – Duas vans sairão às 9h (e não às 8h conforme informado no edital da festa), do campus UFRJ.

. Macaé – Duas vans sairão às 6h30 do campus UFRJ.

. Após a saída do último transporte fornecido pelo SINTUFRJ de qualquer um dos pontos de embarque, consideraremos que o sindicalizado optou por se deslocar por conta própria, sem ônus para o sindicato.

 

Retorno ao ponto de partida:

. O retorno dos ônibus acontecerá a partir das 16h30 com a lotação completa.

. As vans para Caxias e Macaé sairão as 17h.

 

SORTEIO PELA LOTERIA FEDERAL

As inscrições para o sorteio vinculado à Loteria Federal, que será realizado no dia 14/12/2026, ainda se encontram abertas.

Participe, inscreva-se e concorra aos brindes listados na edição 1483 do Jornal do SINTUFRJ.

 

Resumo da programação

  • . 6h30 – Saída do transporte de Macaé (credenciamento no local da festa).
  • . 8h30 – Início do credenciamento no Fundão e Na Praia Vermelha.
  • . 9h – Início da saída dos ônibus da Praia Vermelha.
  • . 9h20 – Início da saída dos ônibus do Fundão.
  • . 10h – Início do credenciamento no Lespam e recepção aos ônibus credenciados.
  • . 11h – Início do serviço de buffet e DJ no palco.
  • . 12h45 às 14h15 – Banda V-trix.
  • .14h30 – Sorteio.
  • . 15h às 16h30 – Revelação.
  • . 16h30 – Início do retorno dos ônibus para o Fundão e a Praia Vermelha.
  • . 17h – Encerramento da festa/ retorno do transporte para Duque de Caxias e Macaé.

 

Imagens da Confraternização 2025 (Fotos: Renan Silva)

 

Expediente excepcional no SINTUFRJ

O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) transferiu o ponto facultativo do Dia do Servidor Público Federal de quarta-feira, 28/10, para sexta-feira, 30/10/2026.

Portanto, não haverá expediente no SINTUFRJ (sede e subsedes) na sexta-feira, 30 de outubro, e na segunda-feira, 2 de novembro, feriado de Finados.

  • Na quinta-feira, 29 de outubro, o expediente no SINTUFRJ (sede e subsedes) será encerrado às 12h.

A Direção do SINTUFRJ

No ponto facultativo, sexta-feira, cada órgão público define serviços essenciais, diz MGI

Com: Agência Brasil

Celebrado no dia 28 de outubro, o Dia do Servidor Público foi transferido para a sexta-feira. dia 30, próxima sexta-feira. Desta forma, a data se une ao fim de semana e ao feriado do Dia de Finados, em 2 de novembro, na segunda-feira.

De acordo com o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, o ponto facultativo é seguido pelas entidades da administração pública federal direta, autárquica e fundacional, mas não pode prejudicar a continuidade dos serviços essenciais.

“Caberá aos dirigentes máximos de cada órgão ou entidade identificar os serviços considerados essenciais e adotar as medidas necessárias para assegurar seu funcionamento durante a data”, diz o ministério em nota.

Boletim Cassel Ruzzarin Advogados

Edição especial · Eleições 2026
Nova composição da Câmara e do Senado, cenário fiscal e prioridades do próximo mandato colocam carreiras, remuneração, concursos públicos e direitos funcionais no centro do debate.
Nesta edição

O resultado  •  Congresso  •  Cinco temas para 2027  •  O que está em jogo

 

 

Eleições de 2026 definem novo cenário político para os próximos quatro anos. Com a reeleição presidencial e o fortalecimento da oposição no Congresso, propostas que afetam o funcionalismo público dependerão de articulação política, espaço orçamentário e participação das entidades representativas.

 

01

O resultado das eleições

O resultado das eleições de 2026 abre uma nova etapa para o serviço público brasileiro. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República no segundo turno, realizado em 25 de outubro, derrotando Flávio Bolsonaro (PL).
Lula (PT)
51,79%
64.256.232 votos
Flávio Bolsonaro (PL)
48,21%
59.826.041 votos
Percentual de votos válidos no segundo turno. Fonte: Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A vitória assegura a continuidade do governo federal, mas não significa, necessariamente, a continuidade das condições políticas de seu mandato anterior.
Isso porque o Congresso Nacional que assumirá em fevereiro de 2027 terá uma configuração distinta, marcada pelo fortalecimento do Partido Liberal (PL), que conquistou as maiores bancadas tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal.
Para os servidores públicos, o resultado exige atenção a duas dimensões: as prioridades do Poder Executivo e a capacidade de articulação com o Legislativo, responsável pela aprovação de leis, mudanças constitucionais e decisões orçamentárias que podem afetar diretamente as carreiras públicas.

02

Como ficou o Congresso Nacional?

Câmara dos Deputados: oposição fortalecida e necessidade de negociação
Fonte: Eleições 2026 | Olhar Eleitoral – Edição 8: Resultados do 2º Turno – Consillium
O PL conquistou 121 das 513 cadeiras da Câmara dos Deputados, consolidando-se como a maior bancada da Casa.
A federação formada por PT, PCdoB e PV elegeu 88 deputados, enquanto a federação União Progressista (União Brasil e PP) conquistou 87 cadeiras.
Outros partidos também terão participação relevante nas negociações, como PSD, Republicanos, MDB e Podemos.
A distribuição das cadeiras evidencia um cenário no qual o governo precisará construir maiorias para aprovar propostas legislativas, especialmente aquelas que exigem alterações constitucionais.
Para o funcionalismo, essa composição poderá influenciar a tramitação de projetos sobre remuneração, organização administrativa, previdência e direitos funcionais.
Senado Federal: uma nova correlação de forças
Composição do Senado Federal em 2027

 

Fonte: Eleições 2026 | Olhar Eleitoral – Edição 8: Resultados do 2º Turno – Consillium
O Senado também terá mudanças expressivas. A partir de fevereiro de 2027, o PL deverá contar com 29 dos 81 senadores, tornando-se a maior bancada da Casa. O PT terá 10 representantes, seguido pelo MDB, com oito, e pelo PP, com seis.
O resultado é particularmente relevante porque o Senado participa da aprovação de mudanças constitucionais, aprecia projetos legislativos e exerce competências de fiscalização e controle.
A composição também pode influenciar o debate sobre reformas do Estado e a aprovação de propostas com repercussões para servidores federais, estaduais e municipais.
A força numérica das bancadas, entretanto, não determina automaticamente o resultado das votações. A formação de alianças, as posições dos parlamentares e a atuação das lideranças partidárias continuarão sendo decisivas.

03

O que a reeleição representa para os servidores?

A permanência do atual governo pode favorecer a continuidade de iniciativas relacionadas à reestruturação de carreiras, concursos públicos e políticas de gestão de pessoal.
Em março de 2026, por exemplo, foi sancionada a Lei nº 15.367, que promoveu reestruturações em carreiras federais e criou cargos efetivos.
Continuidade política não representa garantia automática de reajustes salariais, ampliação de direitos ou aprovação de novas reestruturações.
Essas medidas dependem de propostas específicas, negociação institucional, previsão orçamentária e, conforme a matéria, aprovação legislativa.
A nova composição do Congresso acrescenta outro elemento a essa equação: a necessidade de maior articulação entre o governo, os parlamentares e as entidades representativas do funcionalismo.

04

O que esperar para 2027? Cinco temas que merecem atenção

1 Reforma administrativa e organização do serviço público
A discussão sobre modernização da administração pública deverá continuar relevante. O ponto central será acompanhar quais propostas efetivamente avançarão no Congresso e seus possíveis efeitos sobre estabilidade, vínculos funcionais, carreiras, avaliação de desempenho e organização dos órgãos públicos.
Não é possível antecipar a aprovação de uma reforma ou atribuir efeitos jurídicos a propostas que ainda dependem de tramitação legislativa.
2 Reajustes salariais e reestruturação das carreiras
A recomposição remuneratória deverá permanecer entre as principais reivindicações de diferentes categorias.
A proposta orçamentária para 2027 contempla previsão de R$ 14,3 bilhões para reajustes e outros custos em negociação, mas a efetiva implementação dependerá das condições legais, fiscais e orçamentárias aplicáveis.
A atuação das entidades representativas será relevante na formulação das reivindicações e no acompanhamento das negociações.
3 Concursos públicos e recomposição dos quadros
O Projeto de Lei Orçamentária de 2027 prevê o preenchimento de 48.826 vagas e a criação de outras 4.704 no setor público, distribuídas entre os Poderes e instituições.
Esses números representam previsões orçamentárias, e não autorização automática para a realização de todos os concursos ou garantia de nomeações.
A abertura de seleções e o provimento de cargos dependerão dos procedimentos e requisitos legais correspondentes.
4 Previdência e direitos funcionais
Regras de aposentadoria, regimes previdenciários, transições, pensões e demais direitos relacionados à vida funcional poderão continuar no centro das discussões legislativas e judiciais.
A análise dessas matérias exige atenção às diferenças entre os regimes jurídicos e previdenciários, especialmente entre servidores federais, estaduais e municipais.
5 Negociação coletiva e representação sindical
Em um Congresso com forças políticas diversas, a articulação das entidades sindicais e associativas poderá assumir importância ainda maior.
O acompanhamento de projetos legislativos, a apresentação de propostas, a interlocução com parlamentares e a defesa técnica das reivindicações das categorias são instrumentos relevantes para a participação institucional dos servidores nas decisões que afetam suas carreiras.
05 Qual será o principal desafio do novo governo?
O desafio para o próximo mandato será conciliar prioridades de gestão, demandas do funcionalismo e limitações fiscais, em um ambiente legislativo que exigirá negociações.
O Projeto de Lei Orçamentária de 2027 já evidencia essa tensão: ao mesmo tempo em que prevê despesas com pessoal e recomposição de quadros, o planejamento fiscal estabelece restrições ao crescimento das despesas.
Nesse contexto, medidas de valorização dos servidores deverão ser examinadas à luz de sua viabilidade jurídica, financeira e política.
Também será necessário observar o papel do Congresso na definição das prioridades orçamentárias e na tramitação das propostas que envolvem o serviço público.
O papel das entidades representativas a partir de 2027
O resultado eleitoral reforça a importância de uma atuação institucional organizada e permanente.
A defesa dos direitos dos servidores não se limita às decisões do Poder Executivo. Ela envolve o acompanhamento das atividades legislativas, a participação em processos de negociação, a atuação perante órgãos de controle e, quando necessário, a defesa judicial de direitos.
Para sindicatos e associações, o novo cenário exigirá capacidade de identificar riscos, acompanhar oportunidades legislativas e sustentar reivindicações com fundamentos jurídicos e técnicos.
Mais do que acompanhar quem ocupa a Presidência da República, será necessário observar quais propostas avançam no Congresso Nacional e como suas disposições podem atingir cada carreira.

 

 

06

O que está em jogo nos próximos quatro anos?

As eleições de 2026 definiram os representantes políticos, mas não anteciparam o conteúdo das decisões que serão tomadas a partir de 2027.
A reeleição de Lula aponta para a continuidade de determinadas políticas do Executivo. Por outro lado, o fortalecimento da oposição na Câmara e no Senado amplia a importância da negociação legislativa.

Fonte: Eleições 2026 | Olhar Eleitoral – Edição 8: Resultados do 2º Turno – Consillium
Para os servidores públicos, os próximos anos deverão ser acompanhados com atenção, especialmente em relação à remuneração, às carreiras, à previdência, aos concursos públicos e às possíveis alterações nas regras da administração pública.
A defesa dos direitos do funcionalismo exige acompanhamento contínuo, participação institucional e análise jurídica de cada proposta.
O Cassel Ruzzarin Advogados seguirá acompanhando os debates legislativos, administrativos e judiciais com repercussão sobre os servidores públicos e suas entidades representativas.

 

Com um exército digital de milhões de seguidores, deputado ajudou a mobilizar apoiadores durante o segundo turno e ganhou protagonismo em uma campanha marcada por grandes manifestações de rua.

Congresso Por: em Foco / Atualizado 26/10/2026 às 8:26

Não havia quartel, farda ou continência. Havia celulares, grupos, vídeos e uma multidão disposta a atender ao chamado. Em três semanas, Janones conseguiu dar organização, identidade e propósito a uma militância que precisava reagir à vantagem conquistada por Flávio Bolsonaro no primeiro turno.

O exército que formou tinha uma característica fundamental: não exigia carteirinha partidária. Cabiam petistas históricos, eleitores de outros partidos, militantes de esquerda e pessoas que, mesmo sem identificação com o PT, queriam participar da campanha de Lula. Janones ofereceu a todos uma bandeira comum, uma missão e um lugar na batalha.

Enquanto multidões ocupavam as ruas em manifestações de apoio ao presidente, milhões de pessoas se reuniam nas plataformas digitais. As imagens dos atos circulavam, os vídeos eram compartilhados e as mensagens atravessavam grupos e redes. A campanha ganhava uma segunda vida depois que os palanques eram desmontados.

Janones encontrou nesse movimento seu campo de atuação. E fez dele uma trincheira permanente.

O general e o marechal

A hierarquia militar começou como uma brincadeira, mas logo se tornou parte da identidade da mobilização.

No “Exército do Lula”, os seguidores eram soldados. As orientações para compartilhar vídeos, divulgar publicações e convidar novos integrantes eram missões. Janones era o general, responsável por organizar as ações. Acima dele, na linguagem adotada pelos apoiadores, estava o marechal Lula.

A brincadeira tinha uma função política. Dava a cada participante a sensação de fazer parte de algo maior. Quem não podia viajar para um comício, subir em um palanque ou participar de uma caminhada encontrava uma maneira de atuar. Bastava ter um celular e disposição para compartilhar.

O canal, que reunia cerca de 50 mil inscritos antes do segundo turno, cresceu rapidamente. Em poucos dias, ultrapassou 2 milhões de seguidores e continuou avançando até superar 10 milhões.

Os números davam a dimensão da audiência. Mas a força da iniciativa estava também na capacidade de transformar seguidores em participantes de uma campanha.

Janones não pedia apenas apoio. Distribuía tarefas. Não se limitava a publicar mensagens. Convocava pessoas a fazê-las circular. Criou uma rotina em que cada integrante podia participar da disputa política, mesmo a quilômetros de distância de qualquer ato de campanha.

A mobilização ganhou o reconhecimento do próprio presidente. Em 7 de outubro, Lula gravou um vídeo ao lado de Janones convidando apoiadores a ingressar no canal.

“Vamos chegar a 5, 10 milhões de pessoas. Nosso exército tem que ser o maior exército democrático do mundo”, afirmou.

O marechal havia reconhecido seu general.

André Janones, o herói improvável da vitória de Lula.

André Janones, o herói improvável da vitória de Lula.Arte Congresso em Foco

 

“Pessoal, urgente”

Se o exército tinha uma hierarquia, também tinha uma palavra de ordem.

“Pessoal, urgente” tornou-se uma das expressões mais associadas a Janones durante o segundo turno. O deputado recorria ao chamado no início de vídeos em que convocava seguidores para novas ações.

A urgência era quase sempre a mesma. Havia uma mensagem para espalhar, um vídeo para compartilhar, uma publicação para impulsionar ou uma nova missão a cumprir.

O bordão ganhou repercussão, virou meme e passou a ser reconhecido mesmo por quem não acompanhava diretamente o canal.

Janones compreendeu uma característica das redes sociais: a comunicação política não depende apenas do conteúdo, mas também da capacidade de chamar a atenção em meio a uma quantidade interminável de informações.

A informalidade fazia parte da estratégia. Falava como quem conversa em um grupo de amigos, não como quem lê um pronunciamento oficial.

E havia outra diferença importante. A mobilização não dependia de concordância com todas as posições do PT. O exército reunia pessoas de diferentes trajetórias políticas em torno de um objetivo eleitoral comum.

Janones conseguiu transformar essa diversidade em uma identidade compartilhada. Durante aquelas três semanas, o pertencimento ao exército digital importava mais do que a filiação partidária de cada soldado.

O deputado já havia desempenhado papel relevante na campanha de 2022, quando desistiu da candidatura presidencial para apoiar Lula. Quatro anos depois, voltou a atuar na comunicação eleitoral, desta vez com uma estrutura de mobilização muito maior.

Quando o outro lado percebeu

O crescimento do “Exército do Lula” não passou despercebido pela campanha adversária.

A candidatura de Flávio Bolsonaro levou o funcionamento do canal ao TSE, questionando os limites da mobilização digital organizada por Janones.

O espaço foi alvo de decisões que restringiram seu funcionamento e de determinações posteriores relacionadas à retomada das atividades.

A disputa judicial deu à iniciativa uma dimensão ainda maior. O canal que havia começado como instrumento de mobilização se transformara também em objeto de confronto entre as duas candidaturas.

A reação adversária mostrava que Janones havia se tornado um personagem impossível de ignorar na disputa digital.

E, quando a campanha adversária recorreu à Justiça Eleitoral para questionar o funcionamento do canal, ficou evidente que aquela operação já ocupava um espaço relevante na disputa.

Uma campanha que não dormia

A atuação de Janones ultrapassou o WhatsApp.

O deputado promoveu transmissões ao vivo, participou de atividades com Lula, divulgou vídeos e convocou seguidores para ações coordenadas nas redes sociais.

Na reta final, anunciou uma transmissão de 24 horas após o debate da TV Globo, com a proposta de distribuir tarefas e manter a militância mobilizada até o dia da votação.

Também participou de uma transmissão com Lula que alcançou milhões de visualizações no YouTube.

A frequência das publicações ajudou a criar uma campanha digital que parecia não conhecer intervalo. A cada novo episódio da disputa, Janones procurava oferecer uma resposta, uma orientação ou uma convocação.

A lógica era manter o exército em movimento.

Enquanto a campanha tradicional se organizava em torno de agendas, viagens, discursos e eventos, a mobilização digital permanecia ativa entre uma atividade e outra. O fim de um comício não significava o fim de sua repercussão. Um vídeo podia continuar circulando durante horas, alcançar novos públicos e alimentar outras conversas.

Por um triz

Na manhã da votação, Lula agradeceu as manifestações de carinho recebidas durante a campanha.

“Vou votar agradecido ao povo brasileiro. O que o povo fez comigo nesses dias é uma coisa que não tem como pagar. É muita generosidade, é muito carinho, é muito amor e eu serei eternamente grato ao comportamento do povo”, declarou.

Horas depois, enquanto o país acompanhava a apuração, Janones voltou às redes sociais. Desta vez, sem distribuir missões, convocar soldados ou anunciar uma nova ofensiva.

Recorreu à música.

“Estamos meu bem por um triz, pro dia nascer feliz …pro dia nascer feliz”, escreveu no X, em referência à canção “Pro Dia Nascer Feliz”, do Barão Vermelho.

A mensagem parecia distante dos chamados urgentes que haviam marcado aquelas três semanas. Depois de mobilizar milhões de pessoas, Janones encontrava-se diante da única tarefa que não podia distribuir aos seguidores: esperar a decisão das urnas.

O deputado começou o segundo turno com um canal de WhatsApp e terminou com um exército de milhões, uma linguagem própria e um lugar de destaque na história da campanha.

Conseguiu reunir petistas e não petistas, transformou seguidores em participantes ativos e fez de cada celular uma possibilidade de ampliar a mobilização.

Depois de três semanas de convocações, transmissões e batalhas digitais, o general havia encerrado sua campanha.

O marechal aguardava a decisão do país.

E Janones, que passou o segundo turno convocando milhões de pessoas para agir, encontrou na música a expressão para o momento em que já não havia mais nada a fazer.

Restava esperar o dia nascer.

E ele tinha certeza que seria feliz.