Num discurso para a história, aplaudido em diversos momentos, Lula abriu a 80ª  Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira, 23, em Nova York, denunciando que atentados à soberania, sanções arbitrárias e intervenções unilaterais estão se tornando a regra.

Em um discurso de pouco mais de cinco minutos foi aplaudido cinco vezes, entre as quais, quando sustentou a soberania do Brasil

“Quando a sociedade internacional vacila na defesa da paz, da soberania e do direito, as consequências são trágicas. Em todo o mundo, forças antidemocráticas tentam subjugar as instituições e sufocar as liberdades. Cultuam a violência, exaltam a ignorância, atuam como milícias físicas e digitais, e cerceiam a imprensa Mesmo sob ataque sem precedentes, o Brasil optou por resistir e defender sua democracia, reconquistada há quarenta anos pelo seu povo, depois de duas décadas de governos ditatoriais. (…) A agressão contra a independência do Poder Judiciário é inaceitável”, disse ele, apontando que essa ingerência em assuntos internos conta com o auxílio de uma extrema direita subserviente e saudosa de antigas hegemonias.

Lula apontou que, pela primeira vez em 525 anos de história, um ex-chefe de Estado foi condenado por atentar contra o Estado Democrático de Direito num processo minucioso com direito a ampla defesa. “Diante dos olhos do mundo, o Brasil deu um recado a todos os candidatos a autocratas e àqueles que os apoiam: nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis. Seguiremos como nação independente e como povo livre de qualquer tipo de tutela”.

Além das críticas a autocratas, muitas vezes em clara referência a Trump, sem citá-lo, Lula também tocou em diversos outros temas sensíveis para a geopolítica internacional. “Nada, absolutamente nada, justifica o genocídio em curso em Gaza. Ali, sob toneladas de escombros, estão enterradas dezenas de milhares de mulheres e crianças inocentes. Ali também estão sepultados o Direito Internacional Humanitário e o mito da superioridade ética do Ocidente”, disse ele.

Guerra contra a pobreza

Lula abordou também a crise climática, do que, segundo ele, bombas e armas nucleares não vão nos proteger,: “O ano de 2024 foi o mais quente já registrado.

A COP30, em Belém, será a COP da verdade. Será o momento de os líderes mundiais provarem a seriedade de seu compromisso com o planeta”..

Sobre a fome, ponderou: “A pobreza é tão inimiga da democracia quanto o extremismo. Por isso, foi com orgulho que recebemos da FAO a confirmação de que o Brasil voltou a sair do Mapa da Fome neste ano de 2025. Mas no mundo, ainda há 670 milhões de pessoas famintas. Cerca de 2,3 bilhões enfrentam insegurança alimentar. A única guerra de que todos podem sair vencedores é a que travamos contra a fome e a pobreza”.

E a regulação das redes digitais que, segundo ele, têm sido usadas para semear intolerância, misoginia, xenofobia e desinformação. “A internet não pode ser uma “terra sem lei”. Cabe ao poder público proteger os mais vulneráveis. Regular não é restringir a liberdade de expressão. É garantir que o que já é ilegal no mundo real seja tratado assim no ambiente virtual. Ataques à regulação servem para encobrir interesses escusos e dar guarida a crimes, como fraudes, tráfico de pessoas, pedofilia e investidas contra a democracia”.

Trump faz discurso de autopromoção, critica o Brasil mas convida Lula para reunião

O discurso de Lula – endossado pelos aplausos efusivos de representantes de dezenas de países – foi seguido do de Trump. Logo após as críticas severas de Lula, que conclamou o mundo a resistir a autocratas, o discurso de Trump foi centrado em suas próprias realizações, ataque a imigrantes, a energias renováveis e à ONU.

Entre um e outro, ambos se esbarraram no plenário, quando Trump  se dirigiu a Lula sugerindo um encontro na próxima semana.

Surpreendendo ainda mais, quando disse que, por cerca de 39 segundos, teve “uma excelente química. Ele me pareceu um homem muito agradável. Eu gostei dele, e só faço negócios com pessoas de quem gosto”.

Isso depois das sanções que impôs ao país, como tarifas de 50% a produtos brasileiros exportados aos americanos mencionando entre as causas o processo criminal por tentativa de golpe do ex-presidente Jair Bolsonaro. No discurso ele justificou com dados inverídicos como o fato do Brasil usar tarifas injustas contra os Estados Unidos. Só que o Brasil coleciona déficits na relação comercial com os Estados Unidos.

Mas, os bolsonaristas devem estar a arrancar cabelos diante do aceno de Trump para uma reunião diretamente com Lula. Quem sabe uma porta aberta para se discutir seriamente relações comerciais e dirimir sua confusão com retaliação política para garantir a impunidade de Bolsonaro.

Brasil deu recado a candidatos a autocratas

Leia aqui a íntegra do Discurso do presidente Lula na abertura do Debate Geral da 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas

O Sintufrj lamenta a morte de Pedro Rosa, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da UFF e militante da Corrente Socialista dos Trabalhadores – CST.

Pedro era um reconhecido militante das lutas populares e sindicais.

Estimamos força aos familiares, amigos e companheiros de organização.

O último ato de Pedro Rosa, a sua luta continua!

TEXTO DO SINTUFF – O sindicato dos técnicos administrativos da UFF

O domingo foi ensolarado e radiante. No horizonte, manifestações em todo o país contra a anistia aos golpistas e a PEC da Blindagem. Pedro Rosa estava entusiasmado. A orla de Copacabana foi tomada por um mar de pessoas. E lá estava ele… Como esteve ao lado dos metalúrgicos, dos garis, dos bombeiros, dos professores, dos estudantes, enveredado em manifestações e greves por toda a sua vida. Ele também era apaixonado pelas manifestações artísticas, como o bom carimbó de sua terrinha amada. Obviamente que seu último ato, além de luta, tinha música da melhor qualidade, com Caetano, Gil, Chico, Paulinho Viola, Djavan e tantos outros. Como Pedro não se faria presente num dia histórico como esse?

Com este mesmo vigor, Pedro Rosa lutou e defendeu os direitos de seus pares no serviço público. Pelejava pelas demandas mais específicas de um único trabalhador e pelas pautas de sua categoria com a mesma energia que se entregava às lutas mais relevantes de toda a classe trabalhadora.
Inquieto é a palavra que mais define Pedro Rosa. Sempre esperançado, sempre otimista de que a maré podia virar a nosso favor. Depois de algum tempo adormecidos de grandes atos de rua, os movimentos sociais, sindical, estudantil e popular voltaram às ruas. Fica um sentimento que depois de tanta luta pela vida, Pedro estava esperando por algo grandioso antes de partir e descansar.
Sim, é doloroso escrever sobre sua partida. Aqui o jornalista e o amigo são indissociáveis. Não há como escrever essas palavras, sem lembrar que Pedro era teimoso, mas também era doce, generoso e de moral inquebrantável. A teimosia de quem não desiste de mudar mundo. A ternura de quem sonha com um mundo melhor.
Pedro amava seus aposentados e pensionistas, se tornou um filho para tantas senhoras e senhores que viam naquele jovem um brilho sereno de quem os defendia incondicionalmente. Nunca foi apenas dever de ofício de sindicalista. Sempre foi muito amor envolvido. Amor pelas pessoas, pelos mais velhos, dos quais ele extraía muita sabedoria.
No sindicato, na UFF, na militância e na vida, marcou muita gente feito tatuagem, inclusive a de quem escreve o texto. Não vamos viver em mundo sem Pedro Rosa, simplesmente porque a marca que ele deixou é muito forte para desaparecer, apesar de sua ausência física. Ele que foi, sim, o mais relevante dirigente sindical da UFF neste século.
Quando Pedro partiu, nesta segunda-feira, o tempo fechou e caiu a chuva forte. Pedro era energia de um dia ensolarado. Os céus sinalizaram luto e a água desceu como pranto, assim como as lágrimas escorreram dos nossos olhos com a notícia. VIVA PEDRO ROSA! A sua luta continua, meu amigo!

As manifestações contra o projeto de anistia para aqueles que foram condenados pelo STF por tentativa de golpe de Estado e contra a PEC da Blindagem ganharam diversas cidades brasileiras neste domingo, dia 2.

Segundo a Agência Brasil, houve atos em 33 cidades, incluindo as 27 capitais.

Convocados pelas frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, ligados ao PSOL, PT e movimentos populares, as manifestações contaram com a presença de sindicatos, grupos estudantis, artistas e movimentos sociais, como MST e MTST, além de outros partidos de esquerda e centro-esquerda.

Era a esquerda e muito mais

Embora veículos de mídia convencional classifiquem o ato como “da esquerda”, o que se viu foi a esquerda e muito mais: foi sociedade nas ruas – de matizes políticas diversas, gente do campo progressista, gente com ou sem partido, jovens, idosos, famílias, crianças –, a se manifestar contra a desfaçatez do Congresso inimigo do povo. Que ignora solenemente pautas importantes para a população, enquanto aprova medidas de seu exclusivo interesse e para sua própria vantagem.

Embora os veículos de imprensa comercial tentem minimizar o impacto de tamanha reação – com suas contas técnicas da quantidade de pessoas em cada ato – uma multidão indignada com a bandalha que se trama em acordos espúrios no Congresso, tomou as ruas mobilizada em apenas três dias.

Tentam minimizar porque o ato reascendeu a chama, perigosa para a direita, da mobilização, do clamor popular, lembrando movimentos históricos no país em que o povo foi para as ruas, como as “Diretas já” e os “Cara pintadas” e mudou os rumos da história. E começou assim.

Vídeo e foto: Renan Silva

 

Como foi

No Rio de Janeiro, o ato que reuniu milhares no posto seis, ganhou o reforço de um time da pesada, num encontro também histórico, de  artistas do calibre de Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Paulinho da Viola, Lenine, Djavan, Maria Gadú, entre tantos outros, que emocionaram o público com sucessos como Como Nossos Pais, Cálice, Brasil, Podres Poderes, Um índio, Alegria, Alegria, Ideologia, e Vou Festejar, entre outros.

A Agência Brasil registrou assim, nos demais pontos do país:

Cerca de 42,4 mil pessoas se reuniram na avenida Paulista, na região central de São Paulo.

Em Salvador (BA), milhares de pessoas se concentraram no bairro da Barra, na beira da praia, onde a cantora Daniela Mercury se apresentou para o público. “Bandidagem não é com a gente”, disse a artista baiana.

O ato contou ainda com o ator Wagner Moura, que também cantou, além de elogiar o julgamento da trama golpista que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados.

Em Belo Horizonte (MG), uma multidão ocupou as ruas do centro da cidade, em concentração na Praça Raul Soares, com gritos de “sem anistia para golpistas”. O ato também contou com apresentação de artistas, entre elas, a cantora Fernanda Takai, da banda Pato Fu.

Em Recife (PE), o ato começou por volta das 14h, na Rua da Aurora, no centro da capital pernambucana, com o desfile do bloco de frevo Eu Acho é Pouco, com uma das mais tradicionais orquestras do carnaval de Olinda. Grupos de maracatu também marcam presença no ato.

A capital paraibana João Pessoa (PB) também fez um protesto nesse domingo, com gritos de “Fora, Hugo Motta”, que é um deputado federal paraibano e preside a Câmara dos Deputados. O parlamentar foi um dos principais alvos dos protestos pelo seu papel de pautar a votação que aprovou a PEC da Blindagem na Casa.

Também foram registrados atos em Belém (PA); Teresina (PI); Natal (RN); Fortaleza (CE); Porto Alegre (RS); Florianópolis (SC); Brasília (DF).

O que é

PEC da Blindagem

O pacote empurrado goela abaixo do povo pelos deputados, na semana passada – “anistia + blindagem” – dá uma forte dica aos eleitores (que em 2026 voltam as urnas), do que é o centrão, a direita e a extrema-direita no parlamento brasileiro.

 A chamada PEC da Blindagem, texto aprovado semana passada por ampla maioria, estabelece que deputados e senadores só podem ser processados criminalmente se a Câmara ou o Senado autorizarem a abertura de ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF) em até 90 dias após a apresentação da denúncia por qualquer tipo de crime. Mesmo em caso de crimes inafiançáveis, como homicídio e estupro, também precisam de autorização da Casa do parlamentar em até 24 horas, também por votação secreta.

Anistia aos golpistas

Deputados querem também a aprovação de um Projeto de Lei que dê anistia aos que foram condenados pelo STF envolvidos na tentativa golpe de 8 de janeiro de 2023, inclusive Bolsonaro, condenado há mais de 27 anos de prisão.

Ato de multidões expõe Congresso Inimigo do Povo

Os atos contra a PEC da bandidagem e do PL da anistia, que deixaram evidente o ânimo da população contra os desmandos do Congresso, puseram um freio na sanha da direita e bolsonaristas. Alguns até reconhecem um tiro no pé ao irem com tanta sede ao pote.

Se no Senado já se via resistência à PEC da blindagem, agora, com a resposta inequívoca do povo nas ruas, as chances de esta ser aprovada vão evaporando, afetando também o projeto de anistia a Bolsonaro. Além disso, o presidente da Câmara Hugo Motta (Republicanos-PB) declarou que os protestos demonstram que “é momento de tirar da frente estas pautas tóxicas”.

Veja a apresentação dos artistas e trechos do ato nos vídeos a seguir

 

 

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Aos gritos de “Sem Anistia” e “Viva a Democracia”, milhares de manifestantes se concentraram em torno do posto cinco em Copacabana, neste domingo, dia 21, num grandioso ato de protesto – que também reuniu multidões em diversos outros locais do país.

Na história recente, esse foi o maior ato do campo progressista.

O que fez disparar a indignação da sociedade é a ameaça de anistia aos golpistas condenado pelo STF, Bolsonaro à frente, e a aprovação da PEC da Bandidagem, que praticamente oferece “licença para matar” a parlamentares.

O público, que tomou as ruas, vibrou com os discursos de lideranças políticas e com o show histórico que reuniu no trio elétrico grandes nomes da música popular, como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Paulinho da Viola e Djavan.

Técnicos-administrativos em educação da UFRJ também estavam lá, acompanhando todo protesto. “UFRJ foi em peso para as ruas!”, comemoraram coordenadores do SINTUFRJ também presentes.

Veja, a seguir, as fotos de Renan Silva

    

 

O Sintufrj convoca os(as) técnicos-administrativos(as) em educação da UFRJ para uma Assembleia Simultânea na próxima terça-feira, 23 de setembro, com pauta central: Avaliação de Indicativo de Greve.

A atividade acontece de forma descentralizada nos três campi da universidade, garantindo a participação ampla da categoria:

  • Fundão: Auditório do Bloco A do CT

  • Praia Vermelha: Auditório do INDC

  • Macaé: Decania, Bloco A, 2º andar, sala 212

A Assembleia é parte do calendário de mobilizações nacionais da categoria, em articulação com a Fasubra e demais entidades do serviço público, diante dos ataques aos direitos dos trabalhadores, do sucateamento das universidades e do arrocho salarial.

“É um momento decisivo. Precisamos avaliar coletivamente os próximos passos da nossa luta e decidir, de forma democrática, se partiremos para uma greve nacional”, destaca a direção do Sintufrj.

O sindicato reforça a importância da presença de cada servidor(a), pois a força do movimento depende da unidade e participação da base.

Data: 23/09 (terça-feira)

Pauta: Avaliação de Indicativo de Greve

Tem sido recorrente os alertas que o Sintufrj tem feito nos últimos meses sobre a ação de estelionatários que, por meio de mensagens de WhatsApp, usam o nome do sindicato ou de advogados da assessoria jurídica da entidade solicitando pagamento para liberação de processos judiciais. Pois agora esses golpistas estão inovando: CHEGAM A MARCAR COM A PESSOA NA FRENTE DO PRÉDIO DO SINTUFRJ PARA BUSCÁ-LA DE CARRO  COM A PROMESSA DE ACOMPANHÁ-LA A UMA AGÊNCIA BANCÁRIA PARA LIBERAR O DINHEIRO. Ou seja, trata-se de uma ação que pode resultar em sequestro ou extorsão.

Portanto, olho vivo! Não cai no golpe.

FIQUE LIGADO. Informações corretas sobre processos podem ser obtidas pelos telefones do Departamento Jurídico do Sintufrj: (21) 96549-0243/96549-2530 e/ou (21) 3194-7122

 

 

 

Pessoal, precisamos muito da ajuda de vocês! 🙏❤️

A Luana Viviane Rosa Vieira está internada no Instituto de Ginecologia da UFRJ e precisa passar por uma cirurgia. Para que isso seja possível, ela necessita de doações de sangue, pois está com anemia muito baixa e o hemocentro não possui o tipo sanguíneo necessário em estoque.

➡️ Você pode ajudar salvando uma vida!
Na hora da doação, informe:
Paciente: Luana Viviane Rosa Vieira
Hospital: Instituto de Ginecologia da UFRJ

📌 Importante: não precisa ter o mesmo tipo sanguíneo. O banco de sangue faz a compensação, então toda doação conta!

📢 Compartilhe essa mensagem e, se puder, doe. Um gesto simples pode fazer toda a diferença!

Muito obrigada a todos que puderem contribuir. ❤️

Parlamentares articulam manobras nos bastidores para viabilizar projeto que terá impacto na vida de servidores e no padrão do serviço prestado à população

Os golpistas e apoiadores da extrema direita não param suas baterias. Estão investindo com força na anistia e paralelamente aceleram outras pautas de interesse das elites. Já aprovaram a flexibilização das leis ambientais e miram na Reforma Administrativa.

A proposta que existe está somente na oralidade, em declarações do coordenador do Grupo de Trabalho da Reforma Administrativa na Câmara dos Deputados, o deputado Pedro Paulo (PSD-RJ), e no apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) que tomou para si a tarefa de aprovar a reforma.

O discurso é o da elaboração de mecanismos para “modernizar” o serviço público e atender melhor a população, mas na verdade é colocar o setor privado dentro do aparelho do Estado e criar limitações para os servidores.

Nos bastidores há o pensamento e avaliações de que possa haver um “golpe”. Apresenta-se um pacote pronto e articulado para aprovação. Assim como a PEC da Bandidagem!

“Pode considerar que esse fantasma está pairando pelo Congresso e pode se materializar de repente em mais um golpe, inclusive no regimento da Câmara, aprovando votação em regime de urgência com o texto que ninguém conhece apresentado diretamente em plenário”, reflete o especialista em serviço público, ex-Dieese e Diap, Vladimir Nepomuceno. Ele vem acompanhando as discussões sobre reforma administrativa desde o início.

Os ritos que deveriam ser cumpridos podem ser totalmente atropelados. O alerta foi feito também durante o programa da Metamorfose Comunicação no Youtube, dia 15 de setembro, que teve como tema a Reforma Administrativa. Por trás da Anistia, o ataque ao Serviço Público.

O receio é que o deputado Hugo Motta retire o texto da comissão, leve ao plenário e aí sim aprovar em toque de caixa , inclusive com voto de madrugada. O que tá ficando comum na Câmara.

 

Terra arrasada

Esse Congresso, formado em sua maioria por representantes da classe dominante e avesso aos interesses populares quer dizimar direitos, passar a boiada e oficializar a bandidagem.

Não basta blindar ladrões, assassinos, corruptos, integrantes do crime organizado e tentar aprovar a anistia para livrar da cadeia todos os que tramaram, apoiaram, financiaram e participaram das ações golpistas do 8 de janeiro de 2023. O plano é colocar por terra políticas sociais e dinamitar o Estado para atender os interesses do capitalismo selvagem.

Se no governo Bolsonaro conseguiu-se resistir à guerra aberta à contra a Ciência, a Educação e a Saúde públicas, na próxima legislatura a permanecer tal correlação de forças podemos esperar mais prejuízos aos trabalhadores e à sociedade.

 

Sem proposta oficial

Não há nada por escrito em termos de proposta na Câmara dos Deputados. Não há relatório do Grupo de Trabalho com proposta de PEC, Projeto de Lei, Projeto de Lei Ordinário, como dito pelo deputado Pedro Paulo.

O que existe são documentos elaborados pelos setores do comércio, indústria e mercado financeiro, com uma série de teses e proposições do setor privado que não conhecem o serviço público.

“Os documentos foram entregues pela Confederação Nacional do Comércio, pela Confederação Nacional da Indústria, pela Confederação Nacional do Mercado Financeiro, por instituições privadas e algumas até ajudaram a escrever a PEC 32. Mais não tem nada elaborado pelo grupo. Foram feitas audiências públicas e uma reunião da Comissão Geral da Câmara no plenário e mais nada”, esclarece.

 

O que se pretende

Desde a apresentação da PEC 32, em 2020, a reforma administrativa paira sobre o funcionalismo público como uma ameaça persistente. Embora não tenha avançado em plenário na legislatura passada devido a mobilização dos servidores, seu conteúdo permanece vivo e ressurgiu neste ano sob nova roupagem. É uma reforma estrutural disfarçada de modernização.

Mantém-se a essência de uma reforma voltada à flexibilização das garantias do servidor, ao enfraquecimento das estruturas de Estado e à ampliação de mecanismos de precarização do trabalho público. Estabilidade, contratações temporárias, estágio probatório, avaliação de desempenho, trabalho remoto, etc. estão em jogo.

Conforme análise das advogadas da UnB, Fernanda Oppermann Iizuk – pesquisadora do Grupo de Estudos de Direito e Economia da UnB – e Nikolly Milani -integrante da Comissão de Relações Raciais da OAB-DF, a substituição de servidores de carreira por funcionários temporários enfraquece a capacidade institucional do Estado, desvaloriza o concurso público e compromete o compromisso de longo prazo com a administração pública.

“Há, aqui, um risco sistêmico: o enfraquecimento do próprio conceito de Estado como garantidor de direitos e executor de políticas públicas permanentes”, sustentam.

Quanto a estabilidade, o que se observa é a formulação de estratégias para esvaziá-la de forma indireta. “Ampliação de vínculos temporários, diversificação das formas de contratação, flexibilização de regras de permanência e mecanismos de avaliação com critérios indefinidos compõem um desenho institucional que pode esvaziar, na prática, o alcance protetivo da estabilidade. A corrosão é sutil, mas constante – e pode ser irreversível se não for enfrentada desde já”, avaliam.

O estágio probatório e avaliação de desempenho trazem riscos. “Sem critérios objetivos, regras transparentes, mecanismos de controle social e garantias de contraditório, as avaliações podem se tornar ferramentas de perseguição ou de uso político. Pior: podem criar um ambiente organizacional pautado pelo medo e pela instabilidade permanente, desestimulando a inovação, a independência técnica e o compromisso com resultados de longo prazo”, observam.

“Avanço inédito na ciência Brasileira!”, “Um marco histórico!”. Com uma sucessão de adjetivos assim, a descoberta de um medicamento promissor para reversão de lesão medular feito por uma pesquisadora da UFRJ, repercutiu nacionalmente, na mídia convencional e nas redes sociais.

Superando todas as adversidades originadas no orçamento muito abaixo do necessário, a UFRJ deu mais uma vez, como em tantas outras oportunidades, provas do seu potencial e relevância para a sociedade.

A pesquisadora é a bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, mestre e doutora em Biofísica pela UFRJ e chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular, do Instituto de Ciências Biomédicas (a foto é da Faperj). Sua pesquisa levou ao desenvolvimento, após 25 anos de estudo, da polilaminina, polímero da proteína laminina, base para um novo medicamento para o tratamento de lesões na medula espinhal que causam paralisia.

Isso aponta para uma verdadeira transformação no tratamento de lesões medulares. A laminina é uma proteína extraída da placenta com potencial de modular células e reorganizar tecidos do sistema nervoso.

Medicamento devolve mobilidade de pessoas tetraplégicas

Durante a fase experimental, com perda de movimentos causada por lesões na medula espinhal que receberam o medicamento inédito recuperaram os movimentos, total ou parcialmente.

“Se fazemos isso com os recursos que a gente tem, imagina com os recursos que a gente merece”, destacou o reitor Roberto Medronho em uma rede social há três dias. E ele explica o efeito do medicamento de uma maneira simples: é como se houvesse uma grande rede de fios que conecta neurônios do cérebro aos músculos. Se cortar os fios, interrompe a conexão e o corpo não responde. Mas a nova substância atua como se fizesse um remendo nesta conexão.

O próximo passo é a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a realização do estudo clínico regulatório mais amplo.

Foto: Capes

A coordenadora do projeto, Tatiana Sampaio (de azul claro), com pesquisadores que integraram a equipe ao longo dos anos; Madalena Barroso é a de verde (Luciana Sposito, Capes)

Estudo já mostrava recuperação

Matéria do portal CAPEC do MEC informa que a então pós-graduanda em Ciências Morfológicas pela UFRJ Madalena Barroso, orientada pela professora Tatiana, com bolsa de doutorado-sanduíche da Coordenação para cumprir parte das pesquisas na Universidade de Miami, nos Estados Unidos, conduziu os primeiros testes das injeções entre 2004 e 2005. Madalena operou cerca de 60 ratos e ficou evidente a diferença entre o animal que tinha sofrido a lesão e não tinha recebido e aquele que havia recebido a substância. No retorno ao Brasil, Madalena trouxe parte do material e ensinou a equipe a realizar o procedimento

Essa descoberta e outras, diz o portal, abriram caminho para o estudo experimental com oito pessoas entre 2016 e 2021, em hospitais do Rio de Janeiro. Os pacientes receberam injeções em até três dias após se machucarem. Dois deles faleceram por condições não ligadas ao tratamento e seis recuperaram parte dos movimentos. Os participantes eram vítimas, por exemplo, de acidentes de carro, quedas e ataques por arma de fogo.

“Só selecionamos pacientes com lesões completas na medula. A literatura aponta que não mais do que 15% das pessoas com esse diagnóstico recuperam funções motoras”, explica Tatiana Sampaio. “No nosso caso, 75% evoluíram da lesão completa para a lesão incompleta com controle motor. Se avaliarmos apenas os que sobreviveram, são 100%”, constata ela.

Veja as fontes e a repercussão na mídia

https://prefeitura.ufrj.br/2025/09/pesquisadora-da-ufrj-desenvolve-medicamento-promissor-para-reversao-de-lesao-medular/

https://parque.ufrj.br/por-dentro-do-parque/medicamento-desenvolvido-pela-ufrj-devolve-mobilidade-a-pessoas-tetraplegicas/

https://www.gov.br/capes/pt-br/assuntos/noticias/capes-fomenta-pesquisa-da-ufrj-sobre-tratamento-de-lesoes-medulares

A manutenção ou não do Adicional Por Plantão Hospitalar (APH) pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), que desde junho de 2024 administra o Complexo Hospitalar da UFRJ, passou a ser uma preocupação dos servidores RJU de enfermagem do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF) – entre outros problemas que auxiliares, técnicos e enfermeiros enfrentam no dia a dia da atual realidade da maior unidade federal de saúde, ensino, pesquisa e extensão.

Na sexta-feira, 19, por solicitação do grupo de profissionais criado para debater o APH e as outras questões ligadas a relações de trabalho na unidade, o Sintufrj participou da reunião com a chefe da Divisão de Enfermagem, Keroulay Estebanez, e o chefe da Divisão de Gestão de Pessoal, Leandro Lima. Por cerca de duas horas o acesso ao adicional (um plantão a mais de 12 horas) foi debatido entre as partes. Na avaliação dos dirigentes sindicais e servidores, foi um bom início de entendimento sobre o tema.

Reconhecimento

A partir dos argumentos dos servidores e dos coordenadores do Sintufrj, Francisco de Assis e Esteban Crescente (Coordenação-Geral), e das coordenadoras de Comunicação, Luciana Borges, e de Administração e Finanças, Ana Mina (ambas da área de enfermagem do IPPMG e do HUCFF, respectivamente), a chefe da Divisão de Enfermagem admitiu que “são imensas as questões administrativas no hospital”, e sobre a APH, afirmou: “Ainda precisamos do APH para manter nossa escala técnica”.

De acordo com Karoulay Estebanez, as últimas contratações da Ebserh foram distribuídas entre as três unidades hospitalares do Complexo Hospitalar da UFRJ (além do HU, o IPPMG e a Maternidade Escola) que a empresa administra, portanto, a Divisão de Enfermagem no Hospital Universitário continua com déficit de pessoal. “Os profissionais de enfermagem são peças fundamentais desta máquina (HU). A gente faz uma enfermagem diferente. Esse é um ponto de destaque fundamental”, ressaltou a chefe.  FOTOS RENAN SILVA